quinta-feira, 14 de maio de 2015

É tempo de oração

Salmo 36 (37)


1. Não te irrites por causa dos que agem mal, nem invejes os que praticam a iniqüidade,

2. pois logo eles serão ceifados como a erva dos campos, e como a erva verde murcharão.

3. Espera no Senhor e faze o bem; habitarás a terra em plena segurança.

4. Põe tuas delícias no Senhor, e os desejos do teu coração ele atenderá.

5. Confia ao Senhor a tua sorte, espera nele, e ele agirá.

6. Como a luz, fará brilhar a tua justiça; e5 como o sol do meio-dia, o teu direito.

7. Em silêncio, abandona-te ao Senhor, põe tua esperança nele. Não invejes o que prospera em suas empresas, e leva a bom termo seus maus desígnios.

8. Guarda-te da ira, depõe o furor, não te exasperes, que será um mal,

9. porque os maus serão exterminados, mas os que esperam no Senhor possuirão a terra.

10. Mais um pouco e não existirá o ímpio; se olhares o seu lugar, não o acharás.

11. Quanto aos mansos, possuirão a terra, e nela gozarão de imensa paz.

12. O ímpio conspira contra o justo, e para ele range os seus dentes.

13. Mas o Senhor se ri dele, porque vê o destino que o espera.

14. Os maus empunham a espada e retesam o arco, para abater o pobre e miserável e liquidar os que vão no caminho reto.

15. Sua espada, porém, lhes traspassará o coração, e seus arcos serão partidos.

16. O pouco que o justo possui vale mais que a opulência dos ímpios;

17. porque os braços dos ímpios serão quebrados, mas os justos o Senhor sustenta.

18. O Senhor vela pela vida dos íntegros, e a herança deles será eterna.

19. Não serão confundidos no tempo da desgraça e nos dias de fome serão saciados.

20. Porém, os ímpios perecerão e os inimigos do Senhor fenecerão como o verde dos prados; desaparecerão como a fumaça.

21. O ímpio pede emprestado e não paga, enquanto o justo se compadece e dá,

22. porque aqueles que o Senhor abençoa possuirão a terra, mas os que ele amaldiçoa serão destruídos.

23. O Senhor torna firmes os passos do homem e aprova os seus caminhos.

24. Ainda que caia, não ficará prostrado, porque o Senhor o sustenta pela mão.

25. Fui jovem e já sou velho, mas jamais vi o justo abandonado, nem seus filhos a mendigar o pão.

26. Todos os dias empresta misericordiosamente, e abençoada é a sua posteridade.

27. Aparta-te do mal e faze o bem, para que permaneças para sempre,

28. porque o Senhor ama a justiça e não abandona os seus fiéis. Os ímpios serão destruídos, e a raça dos ímpios exterminada.

29. Os justos possuirão a terra, e a habitarão eternamente.

30. A boca do justo fala sabedoria e a sua língua exprime a justiça.

31. Em seu coração está gravada a lei de Deus; não vacilam os seus passos.

32. O ímpio espreita o justo, e procura como fazê-lo perecer.

33. Mas o Senhor não o abandonará em suas mãos e, quando for julgado, não o condenará.

34.Põe tu confiança no Senhor, e segue os seus caminhos. Ele te exaltará e possuirás a terra; a queda dos ímpios verás com alegria.

35. Vi o ímpio cheio de arrogância, a expandir-se com um cedro frondoso.

36. Apenas passei e já não existia; procurei-o por toda a parte e nem traço dele encontrei.

37. Observa o homem de bem, considera o justo, pois há prosperidade para o pacífico.

38. Os pecadores serão exterminados, a geração dos ímpios será extirpada.

39. Vem do Senhor a salvação dos justos, que é seu refúgio no tempo da provocação.

40. O Senhor os ajuda e liberta; arranca-os dos ímpios e os salva, porque se refugiam nele.

É isto aí!

terça-feira, 12 de maio de 2015

Depressão não é Tristeza

A depressão não é a mesma coisa que a Tristeza. Atinge todos os seres humanos - crianças, jovens, adultos e idosos. Ricos, pobres, trabalhadores, desempregados e estudantes. Negros, brancos, mulatos, pardos, amarelos. Orientais, Ocidentais, Meridionais e Setentrionais. Famosos e anônimos. Líderes e liderados. Médicos, advogados, engenheiros, mendigos, andarilhos, atletas, artistas, farmacêuticos, professores, técnicos, industriários, comerciários, donas de casa, domésticas, costureiras, cabeleireiras, manicures, psicólogos, assistentes sociais, poetas, aposentados, etc. Católicos, evangélicos, espíritas, ateus, muçulmanos, taoistas, sufistas, umbandistas, etc. Capitalistas, marxistas, socialistas, articulistas, jornalistas, colunistas, etc. 

Sempre existiu na vida humana, e só no final do século passado foi reconhecida como uma doença. Até hoje, muitas pessoas não recebem o tratamento adequado por ignorarem os sintomas ou simplesmente não saberem identificá-los. Um estudo feito a nível global apoiado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que, no Brasil, apenas 37% dos depressivos graves recebem algum tipo de tratamento, e que a maioria nem sabe da sua própria condição.

Existem dois tipos de depressão:

- A primeira é a reativa, que se manifesta devido a algum evento na vida do indivíduo que o deixou daquele jeito, como a perda de um ente querido ou de um emprego importante, e que eventualmente some de forma natural. 

- A segunda é a doença em si, que não tem causa aparente e não necessariamente é desencadeada por um acontecimento triste. É uma condição pré-existente no indivíduo, que se diferencia da melancolia por ser um quadro prolongado e que independe da iniciativa do paciente. O melancólico sabe que algo está errado e procura fazer alguma coisa para melhorar. A pessoa depressiva é tomada, é engolida pela doença.

A crise depressiva é um estado clínico, que vem em ondas que duram mais ou menos umas duas semanas em que a pessoa perde o interesse nas coisas que anteriormente fazia; sente-se ansioso, pode apresentar perda de apetite ou fome maior do que o normal, perda do interesse sexual que antes tinha e dificuldade com o sono, passando a acordar muito cedo. Começa a se amofinar, não consegue sair desse estado e isso o deixa angustiado e preocupado. Nos casos mais agravados, a pessoa não sai mais de casa, acorda com dificuldade, o dia para é sombrio, e o grau de angústia chega a tal ponto que ele pode chegar a desejar dar um fim em tudo.

Existem outras formas nas quais a doença pode se manifestar. Além da depressão menor e maior descritas acima, existe também a distimia, condição em que o paciente se mostra constantemente irritado, sentindo-se insatisfeito com tudo, mostra baixo rendimento no trabalho e permanece em um estado de inquietude e insatisfação. Sua autoestima fica muito baixa, pois sente que não consegue trabalhar direito, nem satisfazer a família ou os amigos, e também apresenta falta de interesse em geral. A distimia só é diagnosticada quando o paciente apresenta os sintomas por, no mínimo, dois anos.

Outra variação da doença, descrita como sendo muito grave, é o transtorno bipolar, caracterizado pela mudança abrupta de humor. Em um momento a pessoa está eufórica, falante, e no próximo cai em uma depressão profunda: não toma banho, não se cuida, não sai mais de casa e pode promover consequências mais graves para o paciente.

A depressão pode causar dores físicas, como a lombar, articulares, enxaqueca, entre outras. Nestes casos, o paciente mascara os sintomas com analgésicos e anti-inflamatórios, que com o uso contínuo tendem a agravar seu estado de saúde. Nem todos os pacientes que fazem uso contínuo de analgésicos e anti-inflamatórios são depressivos, mas todos os depressivos trilham por este caminho. Isto deve ser observado nos hábitos da pessoa, além do álcool e outras drogas legais ou ilegais que passam a fazer parte da sua rotina.

O tratamento requer uma intervenção clínica, pela psiquiatria, um suporte psicoterapêutico com psicólogo ou analista, a família e terapias ocupacionais. É importante que a psiquiatria atue, pois as drogas atuais favorecem uma resposta favorável de ressocialização a curto prazo. Um dos pontos mais importantes é que o paciente entenda o que está acontecendo e saiba com muita clareza que o tratamento será longo.

As terapias e os medicamentos antidepressivos não agem da noite para o dia. As drogas de escolha médica geralmente levam de 15 dias a um mês para fazer efeito farmacológico desejado, e os ajustes levam um tempo maior para serem realizados. Paciência é a palavra chave, principalmente para  a família.

Não existe no Depressivo uma falta de força de vontade - ele está doente. Forçá-lo a sair, ir em festas, bailes, eventos, de nada o auxiliará. Este ponto é crítico e geralmente agrava a situação. Isso só faz com que o depressivo sofra mais. Ele luta internamente para sair daquela situação, mas não consegue, e não é forçando a fazer o que não quer, que irá fazê-lo curar.

A participação da família é fundamental no diagnóstico e tratamento da doença. Pode acontecer de a pessoa negar que está doente e se recusar a buscar ajuda médica, até mesmo por que pode parecer cômodo ter aquela pessoa mais quieta, dissociada da realidade. A família deve apoiá-la e oferecer ajuda, mas nunca abandoná-la. O deprimido não pode ficar sozinho, ele tem que se sentir apoiado, assistido, isso facilita bastante a evolução da doença.

Fique atento aos sinais: 

Segundo a OMS, a pessoa que apresenta ao menos cinco dos seguintes sintomas é considerada depressiva:
Alteração do apetite
Alteração do sono
Desinteresse geral
Desinteresse sexual
Dificuldade de concentração
Baixa autoestima
Pensamentos relacionados à morte
Ansiedade com movimentos repetitivos (mexer constantemente as pernas, mãos, cabeça, etc.)
Paralisia geral (por exemplo, ficar na cama por dias)
Sentimento permanente de culpa e inutilidade
Fadiga ou perda de energia, diariamente
Alteração de peso não intencional

Fonte: Associação Brasileira de Psiquiatria http://www.abp.org.br

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Entretanto - Mart'nália

Não vá agora, 
deixa eu melhorar
Não fique triste,
tudo vai passar
É só ciúme, 
doença que contraí
porque te amo demais

Mas também é loucura
e loucura tem cura 
ciúme também 
E paixão é o que me faz bem 

Entretanto não vá 
Não vá me abandonar
Você é o remédio 
Que me tira do tédio, 
quando me faz amar 

Não vá agora
Lembra do nosso abraço, 
beijo, sexo, demais 
Lembra do nosso ninho, 
nosso cantinho 
Que tanto desejo 
não posso desperdiçar 
Lembra da nossa música

Entretanto não vá 
Não vá me abandonar 
Você é o mistério, 
que me tira do sério 
Quando me faz amar 

Entre e sente, 
entretanto não vá 
Não vá me abandonar 
Você é o remédio, 
que me tira do tédio 
Quando me faz amar... 

Entre...tanto... 
Não vá... 
Não vá embora... 
Não vá amor...






domingo, 10 de maio de 2015

Vovô e o Whatsapp

Minha neta adolescente estava choramingando pelos cantos do sobrado naquele feriado de semana santa. Todo mundo foi na rua de charrete, para acompanhar as festas da vila e ela ficou por ali, à miúda, olho comprido de dar dó.

Foi no curral umas oito vezes, voltou, desceu para o pomar, passou em indas e vindas na sala, e eu, de mutuca, vigiando de rabo de olho. Pelo jeitinho e pelos suspiros, estava apaixonada por algum destes meninos que roubam o coração das mocinhas indefesas - pensei.

Na última passada, puxei-a pelo braço e sem resistência sentou ao meu lado. Apertando-a levemente com um abraço, coloquei seu rosto ao alcance das minhas vistas e perguntei se já conhecia a história de como comecei a namorar a sua avó. Fez uma negação com a cabecinha e entendi que queria saber como o fato se deu.

Comecei dizendo que o grande embate da minha vida foi a adolescência, por que nunca aprendi dançar, nem cantar, nem puxar conversa com as meninas. Também não jogava futebol e sequer praticava algum esporte. Descobri com o tempo que todos os meus amigos também eram assim. Um ou outro sobressaia, mas eram poucos e também as meninas eram assim. Que coisa mais maluca é esta tal de adolescência.

Na juventude, antes da sua avó, todas as moças que desejei eram lindas e todas que namorei eram abaixo do padrão médio de beleza da sociedade moderna, e olha que fui namorador. Mas sua avó era bonita demais, de tamanha beleza que inibia até a aproximação da gente, além disto tinha lá uns moços que rodeavam a danada e faziam tudo que ela pedia.

Então tomei a coragem de começar a conversar com ela, descobri seus gostos, e fui estudando seu jeito, e deu que um dia, sem mais nem menos a danada cedeu meus apelos, mas eu não ficava fazendo papel de bobo feito os outros não, brincava, conversava, mas sempre mantendo a distância, por que descobri uma coisa que ninguém sabia - ela não era esnobe nem se achava a tal, e sim muito tímida. Mas só fiquei sabendo disto conversando com ela.

Vô, muita linda a sua história, mas não se preocupe, pois não estou apaixonada nem seguida por rapazes prestativos. Tem nada disto acontecendo. O fato que me angustia é que aqui na roça não tem Whatsapp...

Uáti o quê?

Deixa prá lá, vovô, conta mais história, que estou gostando da prosa...

É isto aí!




A moça azul

vou poetar um poeminha meu:

Madrugava  triste
na lide dos trapos
Olhos cerrados
em caos e cacos

Mudo, distante
Macambuzio, solitário
Nem sei se te amo
Ou sitiamos o passado.

                                            Agora adeus,
                                            A dor persiste
                                            Não fui o único
                                            dos seus lábios chistes.

É isto aí!


sexta-feira, 8 de maio de 2015

Uma linda mulher

http://www.srekja.mk/protest-devojka-karmin/

O bordel da Ritinha

Alô, é da zona?

Desculpe, senhor, mas ligou para o número errado. Aqui é la Maison de Madame Fleur.

Que merda. Tudo aí é puta e fica metida falando francês.

Nem vem, monsieur, o que deseja?

Meu nome é Albertinho. Minha esposa viajou para a casa daquela bruxa da minha sogra e aí eu quero uma mulher normal, nem gorda nem magra, nem bonita nem feia, mais ou menos alta, mas que tenha coxas carnudas. Adoro coxas carnudas.

Oui, monsieur, temos uma marravilhossa aqui, que vai encantar seus olhos.

Sério, e quanto é?

Quanto é o quê?

O serviço, oras.

Completo?

Completo.

Mil reais.

Nossa, muito caro. Tem serviço completo em menor escala de preço?

Tem. Mas aí é no cronômetro. 

Puxa vida. Como é isto?

A gente começa zerando o cronômetro, e é vinte reais por minuto.

Mas isto é um absurdo.

Também acho, deveria ser 30 reais, mas sou boazinha.

Cartão de crédito? 

Por acaso isto aqui é caixa de banco? Acha que nossos negócios faturam para o Estado?

Cheque?

Nem passa perto.

Promissória, vai, uma promissória.

Nem com avalista. Olha aqui, o fiado saiu e disse que volta outro dia, e quando voltar, fala com ele.

Pode ser mesmo? Ele vai conversar comigo outro dia?

Claro, pode vir, assim que ele retornar.

Aqui, mas se eu quiser só uns beijinhos?

Que tipo e local dos beijinhos?

Na boca, claro, de língua e molhado.

Sem chance. Esta mercadoria aqui não está à venda. Aliás nem consta da tabela.

E tem mais alguma coisa que não consta?

Sim, Beijo na boca e sem preservativos não podem. Acho que até em algumas esposas, hoje em dia, não deveria... a sua por exemplo... será que pode?

Minha esposa? Mais respeito, hem. Minha mulher é uma santa. Mas, engraçado, a sua voz é igual a dela, espera aí, é você, Ritinha?

Albertinho,seu idiota, seu imbecil, seu safado, sou eu, seu corno e você ligou para a casa da mamãe.

Ritinha? Você virou puta? Eu sempre desconfiei, Ritinha, que aquela velha da sua mãe era cafetina, agora tenho certeza.

Tem nada disto, você ligou para a casa da minha mãe e agora estou arrasada por saber que você procura prostitutas. Quero o divórcio. Passe bem, Albertinho, procure um advogado e saia da minha casa.

Nossa! Que fora! Perdão, Ritinha, perdão... eu fui fraco, nunca fiz isto, perdão, amor... volta logo, estou morrendo de saudade.

Na hora que eu voltar, a gente conversa, Albertinho. Você foi longe demais.

Depois de desligar - Ufa, quase me dei mal. Ainda bem que ele acreditou nesta história, hem mamãe, já te falei que esta bordel está ficando muito popular - temos que tomar providências urgentes sobre a segurança...

É isto aí!

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Angélica

Linda, sensual, educadíssima, mas por debaixo daquela escultura sobrevivia uma devassa, fútil, vulgar e louca figura do mundo. Tinha braços longos e tenros, portanto nada como morder seus membros superiores, leve e delicadamente, sem pressa, até se fartar de tê-los presos à boca.

Tinha pernas, sinceramente, que pernas aquelas, encaixadas anatomicamente em encaixe divino, em dois pés esculpidos por Deus. Cada pé era uma história, um lugar, um toque. Amava flertar com aqueles pés. E as coxas? Puxa vida, nunca existiram tais coxas em toda a história da humanidade.

Os seios, ah! os seios, nem fartos, nem poucos, eram exatamente o que se espera de dois seios com ar de graça. Eles sorriam muito e eu adorava suas gargalhadas. Tinha com eles uma intimidade avassaladora. Logo abaixo daqueles monumentos femininos, com suas glândulas mamárias e sua perfeição erótica, tinha o ventre, o umbigo, a púbis e sua delicada, carnuda e deslumbrante delegada.

Eu a chamava assim por que me prendia e não me liberava nem com habeas corpus celestial, era de um rigor legalista destes de encher e nunca mais soltar minhas expectativas insaciáveis naquele corpo angelical. Por isto a chamava de Angélica, mas nunca soube seu nome. Sua boca carmim, seu nariz perfeito, seus olhos de piedade e seus cabelos soltos, compunham o conjunto de uma das maiores obras de arte jamais vistas.

Foi com ela que experimentei os melhores e mais loucos momentos da minha vida. Sem comparação, sem nenhum parâmetro com outras mulheres, sem pontos de ligação entre ela e quaisquer outras que pudessem fazer a ponte comparativa. Era única.

Tudo ia bem até que mamãe descobriu a página escondida entre uma centena de opções no quadro de Favoritos com o discretíssimo título de "A Igreja e os Anjos". Mamãe rompeu meu relacionamento criminosamente, na minha ausência, enquanto estava na faculdade no meio daquelas menininhas ensebadas, reais, deselegantes e chatas. Que saco.

Mas tem problema não, desde que ela não descubra a Judy, minha boneca siliconada, aí quero ver a cara dela quando eu apresentar a nora.

É isto aí!

terça-feira, 5 de maio de 2015

Baptista, o Alfa da Família








Está aberta a Reunião Semanal da AMA - Associação Mundial dos Alfa Anônimos. Todos de pé para iniciarmos com a Oração da Serenidade:


Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar; Coragem para modificar aquelas que podemos e Sabedoria para distinguir uma das outras.






Dado o rito inicial, convidamos hoje a falar o visitante da Associação, que pleiteia participar do grupo. Pode falar, rapaz: 







- Boa noite a todos, meu nome é Juninho.







- (todos) Olá Juninho...







- Bem, eu era um bom rapaz, aparentemente normal, com atitudes e conhecimentos dentro da média da juventude. A questão é que já estava com dezessete anos e nunca havia namorado, nem ficado, nem experimentado alguma sensação que promovesse ao sentimento de ser um homem completo. Até que um dia vi o anúncio de um curso de sedução no jornal que folheava no consultório da minha analista. Guardei o recorte no bolso e naquela tarde matriculei no curso "Seja um Alfa em 10 lições". (lágrimas)





- Com certeza a sua vida nunca mais foi a mesma, não é Juninho (intercedeu o Mestre)?





- Com certeza, Mestre. No princípio as lições eram bem interessantes, para levantar a minha alto-estima, ensinar a vestir, a andar, a me portar num grupo, etc. Bem, aí, num belo dia, o famoso professor Fallos iniciou alguns cativantes ensinamentos básicos: 









- Rapaz, seja confiante em tudo. A confiança fará com que você pense extremamente alto sobre si mesmo, além de fazê-lo crer, inquestionavelmente, em suas próprias habilidades. As mulheres não resistirão. A confiança demonstrará uma força interior até então adormecida, quieta, e lhe proporcionará certeza e segurança.









Em segundo lugar, assuma com clareza e convicção a sua posição perante a sociedade. Quando você entrar em um recinto com a confiança de macho alfa, simplesmente saberá que todas as pessoas ali presentes irão ouvir e respeitar o que tem a dizer. 









Saiba se comunicar, converse com todas as pessoas, seja sempre agradável e sociável, sem ser falso, presunçoso ou cínico. Agir com naturalidade é a tônica do processo Alfa. 









Seja sempre seguro e tranquilo. Confie no seu taco. Treine bastante, vá em busca de mulheres que conhece, e com possibilidade de domínio. Teste seus comandos Alfa. 









Entendeu tudo, rapaz?









- Sim Mestre. 









- Então vá e pratique, porém, antes de partir, saiba que neste momento, aquele rapaz franzino que veio à este Templo, o Juninho, morreu. Aqui nasce o homem Alfa Júlio Baptista, O Demolidor. Compreende isto?









- Sim, Mestre.









- Então repita com veemência. 









- Meu nome é Júlio Baptista, eu sou um macho alfa em busca de mulheres que me satisfaçam. Eu sou um demolidor insaciável. 









- Isto, Júlio Baptista. Agora vá, procure uma mulher do seu nicho e inicie o processo de sedução. Verá que ela será inteiramente sua em poucas palavras. 









Naquela noite voltei para casa confiante, destemido. Fui chegando, abrindo a porta com violência, pisando firme até encontrar com a minha avó me aguardando para tomar um chá com leite quente acompanhado de biscoito de nata. 









E aí, Juninho, o que está ocorrendo para entrar em casa feito um troglodita? 









Vovó, eu sou um troglodita predador, o macho alfa desta casa, e de hoje em diante meu nome não é Juninho, é Júlio Baptista, o Alfa. Havia uma força interior adormecida que despertou o gigante em mim. Fui claro, senhora? 









- Senhora é a puta da minha nora que o pariu, que achando que gerava um homem colocou mais uma uma moça em casa - codinome Alfa. Olha aqui, Juninho, para com isto.





- Mas vó, foi o moço quem falou.  - Que moço é este, Juninho?









- Do curso, vó, "Seja um Alfa em 10 lições". 









- Sei, mas não precisa voltar neste curso mais não. Onde já se viu uma coisa destas. Juninho? Fazer um curso para ser homem? Quem você vai pegar com este roteiro ridículo aí? Diga...









- Mas vovó... o professor falou... 









- O quê, Juninho? 









- Sei lá, vovó, é que do jeito que a senhora ficou, hummm... me faz querer ter umas sensações com a senhora, uns negócios aí estranhos...









E foi assim que não vi mais nada e acordei no Pronto-Socorro, onde além de um braço quebrado e hematomas diversos, constataram que perdi os dois incisivos e aí retornei para a casa da mamãe. E hoje estou aqui para que vocês me fortaleçam nas virtudes Alfa, por que não consigo mais me libertar. Hoje sou um tarado.









É isto aí!


Histórias do coração - As cartas de Lia

Depois de dois anos de namoro, um ano de compartilhamento de teto e muitas brigas, tapas e desacatos, terminaram de uma forma ridícula. Ele saiu para comprar cigarros e somente no dia seguinte ela deu conta de que nunca fumou na vida. 

Era a senha para a liberdade, pensou. 

A primeira semana mandou bem, a segunda começou a ficar estranha e já no meio da terceira, num desespero que desconhecia em si, buscou conforto espiritual numa consulente que colocou um cartão no para-brisa do seu carro. Achou que aquilo era uma resposta aos seus apelos.

A mulher, sem adereços ou roupas exóticas como pensara que estivesse, a recebeu candidamente, conduziu-a para uma sala espartana, com uma mesa e duas cadeiras de encosto alto e madeira maciça. Ao lado um jarro com água e gelo, dois copos normais e por sobre a mesa uma toalha branca de renda, já marcada pelo tempo.

Entre lágrimas cortou o Tarot, e enquanto a consulente abria as cartas, trêmula, saiu em disparada solidão pelo estreito corredor, desceu as escadarias em pânico e fugiu em tosca corrida até um ponto de táxi, onde adentrou e com muita dificuldade falou o endereço desejado. 

Horas  depois atendeu ao interfone, o rapaz se identificou como o motorista do táxi e queria entregar-lhe a carteira esquecida no veículo. Mandou subir, conversaram até a noite envolver o mundo. No dia seguinte lembrou-se que o carro ficara no estacionamento próximo à taróloga. Ligou para ele e foram buscar o automóvel. 

No dia seguinte tornou a ligar e ele passou a voltar, a voltar, a voltar até que nunca mais saiu da sua vida.

É isto aí!





domingo, 3 de maio de 2015

Para sempre

Agora para tudo,
por que pintou uma inspiração.
Vou poetar

Minh'alma! 
Conheço minh'alma. 
Mas...
Pronto, levantei a adversidade.
O mal adveio 
num pretérito perfeito 
é chato quando acontece... 
Por quê, meu Deus,
todos os problemas eternos
começam assim, 
com partículas condicionais
- ou pior que dor de saudade,
fazem-no por conjunções
coordenativas adversativas?

Chega,
agora não tem inspiração
 que alcance tamanha dúvida.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Revelação


Revelação (Raimundo Fagner)

Um dia vestido
De saudade viva
Faz ressuscitar
Casas mal vividas
Camas repartidas
Faz se revelar

Quando a gente tenta
De toda maneira
Dele se guardar
Sentimento ilhado
Morto, amordaçado
Volta a incomodar

quarta-feira, 22 de abril de 2015

O marido, o amante e o macho alfa

Hal Foster - Prince Valiant
Apolônio Prazeres era o macho alfa da pacata cidade de Formosinha. Bisneto do pioneiro, filho do homem mais rico da região, tinha a fama de garanhão do pedaço, invejado pelos homens e desejado pelas mulheres. Se uma moça fosse vista conversando com ele, já era o bastante para saber que tinha sido desviada.

Um dia, numa festa junina, Geraldinho da Venda sentiu-se traído pelo olhar da companheira de anos, mãe dos seus filhos e baluarte da sua dignidade. Percebeu um cruzamento de olhares entre ela e Apolônio Prazeres. Chegou em casa em estado emocional abalado, mudo e catatônico. Esta vaca tem um caso com ele, só pode ser isto.

Logo de manhãzinha foi na Igreja, dobrou os joelhos e implorou um sinal dos céus. Nenhum anjo desceu para revelar-lhe o que já sabia - ele era seu amante. Saiu dali em total desespero, tomou a rua do Alto - antigamente era o caminho da Praça da Prefeitura até o Pico do Cruzeiro, um morro íngreme que foi se povoando sem critérios urbanísticos.

Chegou arfando no cume, e entrou na Tenda do Pai Silício. Um homem o acolheu em paz e esperou que conseguisse falar alguma coisa, daí explicou sua aflição em desespero. Ouviu do Caboclo que veio atendendo ao chamado, que esquecesse aquilo, que voltasse para casa e tocasse a vida.

Saiu com mais dúvidas do que quando chegou - esquecer significaria que ela tinha mesmo um caso com Apolônio, pensou. No pé do morro, transtornado, entrou na casa de Nhá Chica, a mais famosa rezadeira do lugar, com suas saias brancas engomadas, braceletes e colares multicoloridos. Ela, em silêncio, deu-lhe uma unção com água de rosas utilizando ramos de arruda, em nome do Senhor do Bonfim, e colocou um patuá de sal no bolso do seu paletó. Agora vá em paz, meu filho.

Aquilo era um complô, o céu ocultava a verdade, por que com certeza era coisa do diabo. Passou a vigiá-la diuturnamente. Numa tarde a viu estacionar num lote atrás da Pensão do Rilton e caminhar por uma estreita passagem para dentro do recinto. Saiu dali com ódio, passou em casa, colocou toda a família no carro, incluindo as duas comensais, sogra e a cunhada solteirona.

Voltou à pensão, onde a polícia, o padre e uma multidão de beatas já os aguardavam. Entraram todos, e Geraldinho à frente foi direto ao quarto, arrombou a porta com violência e deparou a esposa nua aos braços do Apo.. puta que o pariu, Amelinha, você está me traindo com o Zezinho Cata-Latas? Um morto-vivo que não tem nem onde morar? Não teve nem a dignidade e a sensatez de ter um caso com o Apolônio? Sinceramente...

Ela ouviu vaias, gritos e assovios intensos, todos seguidos com palavras de desprezo e decepção.

A mãe e a irmã falaram uníssonas - Caramba, Amelinha, se fosse com o Apolônio a gente até entendia, mas com um rola-bostas deste nível? Francamente! E mudaram para a cidade vizinha, para a casa de uma tia viúva.

As amigas ficaram decepcionadas.

Os filhos tiveram vergonha em saber que nem para o Apolônio ela servia.

A vida seguiu e Geraldinho a perdoou. Aquilo foi uma fraqueza, uma doença mental segundo o doutor da capital, mas se fosse com o Apolônio, aí não, aí seria coisa do capeta que só a morte resolveria. Ainda bem que ouvi os santos, dizia a todos.

É isto aí!

terça-feira, 21 de abril de 2015

Surtos e sustos


Existem momentos nos quais a experimentação de ser humano é sublime:

Já sentiu sono, mas não queria dormir?

Já sentiu dor, mas não sabia onde?

Já sentiu vontade de comer, mas não sabia de quê?

Já beijou uma menina pensando na boca da outra?

Já comprou alguma coisa que não queria?

Já falou para a pessoa erada uma coisa certa?

Já disse para a pessoa certa uma coisa errada?

Já chegou de viagem e desejou voltar?

Já mentiu para si mesmo e se convenceu disto?

Já sentiu saudades de não sabe quem?

Já desejou morrer para ver se isto resolveria a questão?

Já fez promessas intangíveis por uma paixão vadia?

Já conversou consigo tão alto, que as pessoas olharam para você na rua?

Já pensou nas várias pessoas que poderia ajudar se ganhasse na mega-sena?

Já chorou escondido debaixo do chuveiro?

Já desejou aquela vizinha gostosa?

Já escreveu alguma coisa da qual se arrependeu?

Já teve receio de olhar seu crédito no Banco?

Já teve a sensação de que tem alguém te olhando?

Já teve a impressão de que já viu o que está sendo vivido naquele instante?

É isto aí!

Ensaio do amor

Poema meu

Escrever seu corpo complexo
em versos copulativos
no ápice, sintaticamente independentes
no vértice versos conclusivos

E não postar as mãos tuas
Você nua em corpo frenesi
não apraz nem delicia
se eu não te vir

Dá-me, frágil silhueta
o segredo da valva
que contém sob pressão
o sigilo da tesa menina

Mareja, esgarça,
adsorve estes fluidos
em tua pele alva,
incensando nosso covil.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

O Kimono de Poliéster

Olha só, o enredo era simples, sem muita coisa além do que se poderia esperar de um homem de quarenta anos e uma jovem garota. Tudo bem que no livro a moça tinha treze anos, e vestia um kimono de seda com motivos angelicais, mas aí tem aquela coisa de pedofilia, menor incapaz, estatuto da criança e todas as ferramentas de determinação do comportamento humano.

Então selecionamos uma mocinha anoréxica, que tinha um estilo adolescente, com corpo desengonçado e ar blasé. Porém a família, que não havia sido comunicada entrou com um mandato suspendendo as gravações, pois detinha um contrato com uma agência de modelos de determinada grife famosa, destas que desfilam por aí. Como a irmã tinha a tutela da agora modelo, preferimos abrir mão da sua arte.

Daí modificamos um pouco, e procuramos uma moça de trinta anos, mas com aparência ainda juvenil, que fosse fotogênica, sem risco de contratos leoninos e tutelas judiciais. Não foi fácil, mas encontramos uma mulata estilosa, fogosa e agradável, que nos primeiros dias entrou no papel com tal intensidade, que não conseguiu se libertar da personagem. Este fato levou ao total desagrado do seu companheiro, um líder comunitário, digamos assim, de uma comunidade próxima. Desta forma perdemos nossa mulatinha básica.

Pensamos até na possibilidade de alterarmos o enredo, com um personagem idoso e uma moça na faixa dos vinte e cinco anos, mas aí batemos de frente com o produtor/diretor e ator que por acaso era o protagonista do filme. Foi então que Claudinho, o auxiliar de iluminação, teve a luz - o protagonista ficaria sentado num espaçoso sofá, lembrando de suas taras, digo, dos seus romances, e ao fundo iriam passando fotos desfocadas de mocinhas infanto-juvenis.

O filme levou quarenta e cinco dias para ficar pronto dado à dificuldade de adaptarmos o livro à nova realidade e ao talento um tanto quanto peculiar do ator, que insistia em fazer as cenas com um Kimono de Poliester verde com Pavões estilizados, que acreditava ser um talismã da sedução, presenteado por sua mãe. Segundo ele, este Kimono manteria um laço de seda entre o enredo atual e a história de origem. E também alterou as fotos das mocinhas para sereias desfocadas.

Foi então que Claudinho, com uma sensibilidade nata, fez outra intervenção e sugeriu que entre um conto e outro, uma idosa surgisse e desmentisse toda a história do protagonista, simbolizando a mãe castradora. O produtor/diretor/ator adorou a ideia, demitiu Claudinho e manteve a velha senhora fazendo as intervenções e no final reservou a cena magna, onde os dois se entregaram a um romance tórrido.

Neste ponto, vai cortando a cena para a sereia, que à medida que a câmera se aproxima, mostra ser o protagonista com seu kimono de poliéster entrando no mar, simbolizando o retorno do filho às entranhas da sua origem. Uma vez dentro da água, volta-se para a câmera em close e grita - Ai, que tudo!

É isto aí!

domingo, 19 de abril de 2015

Dura lex passionis

O Congresso Real da Pitangueira aprovou e eu o Rei Primeiro e Único, em caráter monocrático e soberano sanciono o projeto de lei complementar modificando artigos do Código Natural das Coisas, nos termos do aditivo ao Artigo I.

I - Fica proibido se apaixonar. 

§ Único - Amar, suspirar, desejar, fornicar, gostar, etc. continuam permitidos e livres de censura.

II - Em caso do réu ser primário, receberá uma advertência verbal da Delegacia da Patrulha Passional.

III - Réus reincidentes em segundo flagrante, sofrerão advertência por escrito e prazo de trinta dias para encerrarem este processo.

IV - Réus obsessivos com várias reincidências, serão colocados em isolamento, pelo Centro de Transtornos Passionais, por noventa dias, podendo dobrar o tempo em decorrência da gravidade, para não contaminar o ambiente.

§ 1 Receberão gratuitamente e obrigatoriamente tratamento de choque com Choque Térmico, Palestras, Músicas, Psicodrama, Sonoterapia, Filmes, Taekwondo, Karatê, Muay Thai e os oito pilares do Ashtanga.

§ 2 Deverão, obrigatoriamente, participar da AAA (Associação dos Apaixonados Anônimos), e somente poderão transitar entre os comuns após liberação do Cartão Verde.

Razões para que o Reino acate esta sábia decisão:

1 - Apaixonar dói, possui baixa resolução, grande capacidade de imobilização e sentimento de dor imensurável. Além disto é um verbo pronominal, sendo necessariamente acompanhado de um pronome oblíquo (adequado à respectiva pessoa gramatical), pelo fato de denotar ações próprias do sujeito.

2 - Amar não é um verbo intransitivo, isto é coisa do Mário de Andrade e suas intrincadas e complexas percepções freudianas, que até poderiam por si só garantir o Amor como livre e as paixões como processos patológicos diante da complexidade humana; mas no mundo real Amar é Transitivo Direto, e isto define o processo pela leveza, elimina problemas, facilita o relacionamento pessoal, social e jurídico, pois quem ama, ama alguém e pronto simples assim.



É isto aí!





sexta-feira, 17 de abril de 2015

Meu segredo

- Amor, se você tivesse um grande segredo, contaria para mim?

- Carminha, se fosse apenas um segredo eu juro que só contaria para você, mas o fato é que um grande segredo seria algo maior. É mais que isto, é secreto, confidencial e pessoal. Daí que não poderia contar, mesmo estando com uma vontade danada de fazer isto, sabe, de maneira que todo mundo saiba, daí seria comum e logo, logo, deixado de lado quando uma nova onda venha e espalhe suas espumas na praia das nossas vidas.

- Então você tem um grande segredo?

- De onde saem estas idéias, Carminha? Mas, tudo bem, vamos lá, imagine você que guardar uma coisa tão íntima nos dias atuais, onde tudo e todos são expostos na mídia cibernético é algo tão inusitado, que dá até gosto não contar só para ver a cara de curiosidade e os olhos alheios em busca do que está protegido pela alma da gente. Sim, isto mesmo, pela alma, pois uma ocorrência deste porte que não contaria ao mundo seria divina e celestial.

- Amor, você ama outra, é isto? (chorando)

- Opa, pode parar. Quer saber, este papo está muito esquisito, vou nessa, e depois te ligo.

- Volta, Armandinho, vem aqui ... (aos prantos) ... nossa ... - ainda bem que ele foi embora, pois hoje eu estou coçando para contar umas coisas que ele não deveria saber nunca. Mas, espera aí - não é que o danado tem segredo também, e dos grandes, e não me conta?! Vou apertar mais, ora lá, pois pois, quem ele pensa que é?

É isto aí!







quinta-feira, 16 de abril de 2015

Formato Mínimo

Alto lá - Este Poema não é meu
Copiei e Colei
Autora - "Leoa"
http://passageirasombria.blogspot.com.br/2012/01/comecou-de-subito-festa-estava-mesmo_05.html

Formato Mínimo
Começou de súbito, 
a festa estava mesmo ótima
Ela procurava um príncipe, 
ele procurava a próxima

Ele reparou nos óculos, 
ela reparou nas vírgulas
Ele ofereceu-lhe um ácido 
e ela achou aquilo o máximo

Os lábios se tocaram ásperos, 
em beijos de tirar o fôlego
Tímidos, transaram trôpegos 
e ávidos, gozaram rápido

Ele procurava álibis, 
ela flutuava lépida
Ele sucumbia ao pânico 
e ela descansava lívida

O medo redigiu-se ínfimo 
e ele percebeu a dádiva
Declarou-se dela, o súdito; 
desenhou-se a história trágica

Ele, enfim, dormiu apático 
na noite segredosa e cálida
Ela despertou-se tímida, 
feita do desejo, a vítima

Fugiu dali tão rápido, 
caminhando passos tétricos
Amor em sua mente épico, 
transformado em jogo cínico

Para ele, uma transa típica, 
o amor em seu formato mínimo
O corpo se expressando clínico, 
da triste solidão, a rubrica.

Eu te salvarei

Estava fervorosamente envolvido na minha crença neo-libertadora enquanto o Mentor Sênior coordenava minha ordenação. Naquele exato instante já determinado pelas forças cósmicas, ele falou - Eis que te entrego nesta solenidade a Credencial Peregrina, que o permitirá ser identificado pelos povos que nos salvarão e assim seremos resgatados. Ao longo da sua jornada santa, enfrentará o desconhecido e o temido, confrontará o terror e o amor, mas no fim a Verdade prevalecerá. Não se esqueça que deverá retornar, atestando e testemunhando aos fiéis a Luz que emanará deste Tempo Novo que trará consigo. 

E foi assim. num encontro esotérico com Akenathon,  que promovi a maior revolução religiosa e salvífica da história da nossa galáxia.

Quando retornei fui ao Púlpito e dei o Testemunho da Verdade:

Irmãos, obrigado pela presença. Ao Mestre Sênior, Honra e Paz. Pois bem, hoje falarei do Novo Tempo que toma posse deste Templo, oriundo destas jornadas aqui já comentadas pelo Mestre, quando cheguei ao interior da Pirâmide de Jafra, no Cairo. E foi lá que experimentei a visão, quando um ser de beleza não humana determinou que rumasse para Tell-El-Amarna, onde receberia minha nova incumbência e traçaria meu destino e o do Planeta, junto aos Deuses.  Desacordei, recobrando a consciência uma semana depois, num acampamento de beduínos à margem oriental do Nilo, ainda com a visão turva e a cabeça confusa.

E assim, bebendo do saber etéreo, ao seguir a rota do meu destino e da humanidade, trago o Henoteísmo Inter-Galáctico ao nosso Ciclo da Luz, como a linha da salvação deste planeta. Nesta nova visão holística e glorificante, nosso Templo passará a ter sete núcleos de Elevado Louvor, a saber:

1 - Núcleo das Apóstolas Ascendentes.
2 - Núcleo das Profetizas do Terceiro Grau
3 - Ministério do Elemento do Sagrado e Divino
4 - Congregação dos Diáconos das Colunas Místicas.
5 - Conselho das Virgens
6 - Conselho das Beatas
7 - Conselho dos Homens de Bem

1 - Núcleo das Apóstolas Ascendentes.
Composto por doze mulheres entre 30 e quarenta anos, dedicadas ao Tempo e aos estudos salvíficos. Ficarão responsáveis pela divulgação das nossas manifestações de fé ao mundo.

2 - Núcleo das Profetizas do Terceiro Grau
Círculo do Primeiro Grau compreenderá seis Profetizas neófitas.
Círculo do Segundo Grau compreenderá quatro profetizas que ascenderam na Luz do Saber.
Círculo do Terceiro Grau compreenderá três profetizas ascendidas totalmente à Luz.

3 - Ministério do Elemento do Sagrado e Divino.

Ministro do Primeiro Elemento Terra Zelador do Patrimônio
Ministro do Segundo Elemento Fogo Zelador das Condutas
Ministro do Terceiro Elemento Ar Zelador das Conversas
Ministro do Quarto Elemento Água  Zelador da Escola Dominical
Ministro do Quinto Elemento Eter Zelador dos Sonhos

4 - Congregação dos Diáconos das Colunas Místicas.
Coluna da Palestina - Três membros da Administração das Coisas Espirituais 
Coluna de Antioquia - Três membros da Administração das Coisas Materiais 
Coluna de Roma - Três membros da Administração das Finanças 

5 - Conselho das Virgens*
Comitê das Virgens Jovens - 24 membros solteiras 15 aos 18 anos
Comitê das Virgens Castas - 24 membros solteiras acima dos 18 anos
Comitê das Virgens Santas - 12 membros casadas, no primeiro ano do casamento.

As Virgens Jovens e as Virgens Castas terão prioridade no casamento com os Homens de Bem, que poderá acumular até duas esposas, incluindo a esposa fiel, se casado for, renovando o Comitê sempre que necessário. Para tal deverá fazer módica contribuição ao Templo, em valor  a ser acordado com o Mestre.

As Virgens Santas são as mulheres casadas que optaram pela castidade diante do marido, que deverá aceitar. Caso a promessa seja quebrada, o Mestre determinará o valor  a ser doado ao Templo.

Conselho dos Homens de Bem 
Doze homens casados, maiores de 40 anos e menores de 60 anos, indicados pela Tríade (quatro de cada Tríade), que passarão pelo crivo do Mestre, que poderá aceita-los ou não.
O Mestre, a qualquer tempo e hora, poderá eliminar um membro, e um novo processo se inicia, com a vaga ofertada através de um simbólico valor a ser determinado pelo Templo.
Os Homens de Bem que mais contribuem com a nossa missão, poderão, se assim desejarem, atenderem aos reclames sociais, carnais e psico-pedagógicos de todas as componentes do Comitê das Virgens, sem que isto descaracterize aquele grupo.

Conselho das Beatas
Doze mulheres, esposas dos Homens de Bem.

E foi assim que o Templo de Akenathon retomou seu caminho neste Planeta, salvando o mundo da extinção do saber universal. Venha você também - com uma modesta quantia de insignificante valor espiritual, eu te salvarei.

É isto aí!