sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Previsões para 2016 - 2ª parte

Eis que o Mago da Pitangueira, depois de consultas cósmicas complexas, inexplicáveis ao humano comum, nos presenteia com mais quatro signos zodiacais. Lembrem-se:

Os astros não mentem e  não hortelam jamais

Touro (21/4 - 21/5)

Para você amiga, que nasceu touro, saiba que terá que aguentar as consequências de todas as suas virtudes e graciosidades. As moças do primeiro decanato irão brilhar mais que purpurina em baile de carnaval, as meninas do segundo decanato irão desabrochar feito rosas da primavera e as mulheres do terceiro decanato, hummm, os astros reservam tudo, incluindo o couvert artístico!

Ao entrarem na fase taurina, saibam que 2016 propiciará momentos importantes para resolver pendências emocionais (mas não com ex e nem pensar com ficantes) e materiais (renovação de empréstimos e aquisição de roupas). Profundas reflexões sobre o sentido e o significado de sua vida diante do espelho do salão e da boutique. Cuidado, Taurina, pois neste ano, sempre às vésperas de Lua Nova, um príncipe poderá proporcionar-lhe um momento de contemplação e de observação do novo filme que vai iniciar no Netflix.

Taurino, alea jacta est. Cuidado com o pasto seco, não critique o chifre alheio, e se for mojado, vá, seus pecados já estão perdoados. Este ano compensará toda a sua dor e angústia - você sairá do vermelho, pois o seu hollerite será online. Pare com a reclamação de que o capim do vizinho é sempre mais verde, pois ele também acha a sua vaca bem mais leiteira. Abra o olho, Taurino.


Gêmeos ( 22/5 - 21/6)

Para você, amiga, que é de Gêmeos, mais cedo do que imagina, terá apenas um e o outro será passado. Nunca saberá qual ficou ou qual foi, mas o que importa é que pague as contas e Paris todo ano, que é linda no outono.

Geminiana, este é o ano místico no qual buscará sabedoria, maturidade e maestria nas redes sociais, e isto fará de você uma pessoa melhor. Sua vida profissional poderá passar por uma desilusão, e então sentirá um forte chamado vocacional para fazer aquilo que está mais em sintonia com seus talentos e propósitos, ou seja, seguirá o caminho místico que a levará a ser rica e poderosa, sem ter que trabalhar.

Geminiano, a conjugação astral será desfavorável a alianças espúrias com seu outro eu. Prepara sua barraca, pois vai ficar na lona. Pare de reclamar da sua voz interior, pare de recusar o chamado da sua consciência, pare de evitar encontrar-se nos momentos mais graves da sua vida, que na realidade se resumem a umas tres coisinhas ridículas. Enfim, 2016 vai bater nos dois e só você vai sofrer.

Câncer (21/6 - 23/7)

Amiga canceriana, para você que nasceu neste signo, saiba que por ser dos signos mais românticos do zodíaco, este ano será propício, inesquecível e gozoso para fazer amor debaixo da chuva ou numa linda noite, tendo a lua como testemunha. Sua libido, sempre discreta aos olhos comuns da nossa sociedade, terá uma fogosidade implícita que será despertada com confiança e muito carinho. 

As meninas do segundo decanato, experimentarão o nirvana quando sentirem segurança no par, poderão surpreender, soltando-se completamente. Segundo os astros, a canceriana terá exacerbadas  as sua zonas erógenas, que implicam apenas  e estritamente a cabeça, membros superiores, membros inferiores, tronco, e genitália.

As melhores horas para se entregarem ao príncipe encantado serão nas semanas de lua crescente, obedecendo ao horário inicial de 01h20, 03h39 e 14h40h, 16h19, 22h11.

Canceriano - para você que nasceu neste signo, saiba que em 2016 sua batata está assando. Seu cheque especial estará estourado até abril seu cartão de crédito será bloqueado até junho, sua sogra irá morar com vocês (levando os tres gatos e o papagaio) entre julho e agosto e a sua amante gostosona ficará grávida entre setembro e outubro.

Mas, canceriano, não se desanime, os astros revelam bons ventos a partir de novembro até o final do ano. Seja cauteloso, não esqueça das datas importantes da sua esposa e principalmente, não pergunte se ela engordou.

Leão (24/7 - 23/8)

Leonina, humm, que delícia de ano. Amiga, este é o seu ano - o ano da mulher leoa. Intensamente felina em seu rosto, nas suas ações, no seu andar, denota por toda parte graça, discrição, altivez e majestade . As amigas a  invejam e os homens apreciam tudo o que realça seu porte de rainha, seu rebolado, seu andar felina. 

Amiga leonina, a força está no seu beijo, querida. Para você do primeiro decanato Batom Louise da Chanel e para ficar cheirosa use Coco Mademoiselle.

Para você, exuberante e sensual leonina do segundo decanato Batom Red Hot da Guerlaine e duas gotas de La Vie Est Belle - Lancôme no pescoço e pulsos. Hummm!!!

E você, amiga leonina do terceiro decanato, use nesta boca ma-ra-vi-lho-sa um Punk Kryolan e para aumentar sua fragrância natural, J'Adore, da Dior.

Leonino, prepara-se pois o japonês da Federal vai te pegar. Chega de dar uma de leão da Metro, rugindo sentado e vai dar um jeito na vida. Banco, agência financeira, agiotas, leiteiro, padeiro, açougueiro, até o seu Zezinho do boteco não irão perdoar sua estranha mania protelatória. Isto sem falar no Leão, que te prenderá na malha fina. É, amigo leonino, melhor dar seu jeito.



É isto aí!

Prefiro as normais, reais e tangíveis

Campanha DOVE
Reflexões ao Pé da Pitangueira

Eu não vejo nenhum encanto naquela mocinha que ganhou uma fortuna para posar de amor para toda a vida ao lado de determinado ascendente (e bom) jogador de futebol. A empresa que detém os interesses da menina, e as marqueteiras de plantão, jogaram pesado com a mão de ferro sobre a lei e a ordem, colando a imagem de uma adolescente a um atleta que viria a ser um ícone do esporte bretão. Poucos anos antes, outra mocinha foi pega para posar supostamente casando em castelo com outro atleta do esporte bretão, que virou um fenômeno de mídia e também fenômeno de falar bobagens sem freio. 

Para não ficar somente nestas magrelinha anoréxicas e esquálidas, lembrei de outra cuja existencia somente chegou ao meu conhecimento há poucos meses atrás. Uma tal de kimberlyl, que usa o nome de guerra de quimcardaçoian. Não é nenhuma diva, nem empolga, mas tem quem goste. Acho até que tem mais silicone que carne, mas é apenas uma impressão pessoal. E cá prá nós, carne turbinada com matéria plástica cheira a plágio.

Ainda falando de mulher, a Cacica Búlgara tem feito o possível para lavar a pátria amada de um bando nefasto de ladrões espúrios,  safados, demagogos, beligerantes, e demoníacos. Não que ela seja uma Joana Darc, mas esta corja já deveria estar na lama há muito tempo. E o que faz a Casa Grande, a "grande imprensa", os formadores de opinião, como o Bostão Silva, Da Antena, o Rato Pequeno e outros? Batem na Cacica e poupam os bandidos. Diga-me com quem andas...

E terminando aqui, mas não parando, não assisti ainda ao Guerra nas Estrelas na nova versão. Mas li comentários de quem entende do assunto - a posição feminista da guerreira tem assombrado a classe metrossexual deste planeta. E viva a mulher, por que tem nada melhor no mundo. 

É isto aí!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Foi patética

Foi patética
Bebeu depressa
Falou bobagens
Ficou disléxica

E disse assim:

Eu vou
Tu vais
Ele vai
Ela vai
Você vai
À puta
que te pariu
Como nota
tão patética
num copo
de vodka
Pega ela
porque vocês
são iguais
às histéricas
dançarinas
esqueléticas
do bordel
das meninas
simétricas
siliconadas
e coléricas.



quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Tipo assim Feliz Ano Novo

Este Blog agradece a todos que nos prestigiaram em 2015

Agradeço muito a cada de vocês que por aqui passearam neste ano.

Vamos entrar em 2016 daqui a pouco. Então, sorria!

É isto aí!

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Previsões para 2016 1ª Parte

Mago da Pitangueira inicia hoje a tão esperada e infalível previsão para 2016, afinal os astros não mentem tanto assim! 

Capricórnio (22/12 a 20/1)
Capricorniana, para você que abre o ano em Capricórnio, não se preocupe. Suas dívidas vencidas serão pagas por uma pessoa desconhecida, que baterá à sua porta e entregará todos os seus talões em aberto nas Casas Bahea e Magazinha Luiza, mas isto não é tudo. Esta pessoa tem ligação transcendental com a sua cara metade, seu par perfeito, seu amor eterno.

Capricorniano, sua batata está assando. Não olhe para os lados, não desça degraus em número ímpar, não pule três poças d'água seguidas, não atravesse no sinal amarelo, não atrase seus compromissos e sobretudo limpe os ouvidos e deixe de se fingir de surdo para viver.

Aquário (21/1 a 19/2)
Aquariana ... humm que delícia você de maiô. Sua vida vai mudar. Você vai ser a pessoa mais feliz da sua casa, a pessoa mais feliz da sua rua, a pessoa mais feliz do bairro. Prepare-se para desbloquear seu chip e ao quebrar o coco só você poderá arrebentar a sapucaia na Sapucaí, no Pelourinho ou Caratinga. Vá e seja feliz! 

Aquariano, haja com cautela ao atravessar a rua, ao passar debaixo de uma escada, ao endossar um cheque, ao emprestar ao cunhado, ao não renovar o seguro total da casa, ao romper com aquele romance proibido. Abra os olhos, mas use colírio para não sofrer danos maiores na órbita. 

Cuide do cabelo, das unhas, da pele e sobretudo da pessoa amada. Aquariano, você tem que acreditar que está no planeta Terra, mesmo que isto lhe custe acordar por algumas horas no decorrer do dia.
Peixes (20/2 a 20/3)
Pisciana, este período será de grandes realizações no campo místico, sexual, social, profissional, bestial e bagual. Veja o que dizem os números e eles não mentem jamais: 
2016 = 2+0+1+6=9 
20/02 + 20/03 = 9
Nove significa novo e, assim sendo, marca o final de um ciclo menstrual e o início de outro. Ao atingir o nove estará pronta para devolver ao universo alguma parte daquilo que se aprendeu através dos oito passos anteriores do ciclo. Uma vez que o nove é o último dígito simples, indica realização, perfeição e consecução, as sementes para novos inícios e o fundamento para futuro crescimento no ciclo seguinte ou mais elevado. 
Período fértil para gravidez mental, uterina e esotérica.

Pisciano - Afogará suas mágoas num copo de bar, mas lembre-se do Chico, pois é sempre bom lembrar que um copo fica vazio, e vazio estará cheio de ar. E do ar se propagam as palavras e as palavras transformam pessoas e as pessoas te cobrarão todas promessas quando o copo estava cheio. Enfim, nasceu na água e viverá na água.

Áries (21/3 a 20/4)
Ariana, seja sempre assim, toda gostosa! Seu nome e sua deliciosa conjugação astral é derivada de "Arya", que significa Nobre/Nobreza  em sânscrito. Você em 2016 se firmará como a linhagem ‘mais pura’ do zodíaco, com salto alto, personalidade forte, objetivos claros e inteligencia superior às demais coleguinhas.

E você, ariano, pare de bater cabeça por aí. Evolua, meu filho, evolua. Ariano tem origem lá no Latim, arietare significava “bater, golpear com a cabeça”, e na antiguidade se usavam os aríetes, troncos que muitas vezes ostentavam uma cabeça de carneiro de bronze na extremidade, para bater nas portas de muralhas e pô-las abaixo. Como vê, isto não resolve muita coisa, enfim, faz muito barulho, todo mundo vê e você fica só com os cornos doloridos. 

É isto aí!







Odeio o fato de você ser feliz

Resultado de imagem para falsa felicidade

Parecia louca, mas ao mesmo tempo a achou tão sexy, semi-nua, jogando tudo pela janela do quarto, no andar superior do sobrado alugado por uma pechincha da viúva do português. O fim rápido do processo deu-se por que não possuíam muito o que jogar fora. Eram um para o outro o maior patrimônio e os móveis, da locadora,  eram demasiadamente pesados, da época que peroba e jacarandá eram madeira comum.

Colocou agilmente um vestido de malha por cima de seu corpo divino, calçou uma rasteirinha comprada em Porto Seguro e desceu correndo a escada. Não demorou nem dois minutos, ainda sentado na beira da cama, a viu retornando em busca frenética pelo celular, bolsa, estojo de maquiagem e a caixinha de bijouterias. Só então desconfiou que a coisa era séria. 

Do escritório tentou ligar, mas seu número estava bloqueado. Mandou e-mail e retornou como endereço inexistente, a conta do twitter foi desativada, bem como instagram, facebook, google+, enfim, desapareceu. Perguntou aqui e ali, contactou amigos comuns e nada de saber do paradeiro. Ao chegar em casa, sentou na poltrona, e ao ligar a TV, viu um bilhete colado no controle que dizia:

"Parti para nunca mais voltar por que odeio o fato de você ser feliz."

É isto aí!







Veveco, Panelas e Canelas (Milton Nascimento e Fernando Brant )



Eu não tenho compromisso, 
eu sou biscateiro 
Que leva a vida como um rio desce para o mar 
Fluindo naturalmente como deve ser 
Não tenho hora de partir, 
nem hora de chegar 
Hoje estou de bem com a vida, 
estou no meu caminho 
Respiro com mais energia o ar do meu país 
Eu invento coisas e não paro de sonhar 
Sonhar já é alguma coisa mais que não sonhar 
Para quem não me conhece eu sou brasileiro 
Um povo que ainda guarda a marca interior 
Para quem não me conhece, 
eu sou assim mesmo 
De um povo que ainda olha com pudor 
Que ainda vive com pudor 
Queria fazer agora uma canção alegre 
Brincando com palavras simples, 
boas de cantar 
Luz de vela, rio, peixe, homem, pedra, mar 
Sol, lua, vento, fogo, filho, pai e mãe, mulher




E aqui a música, que ficou famosa na voz de Beto Guedes:
Basta clicar que abrirá no Youtube

domingo, 27 de dezembro de 2015

Eclesiastes 3, 1-8

Micael Reynaud

Eclesiastes, 3
1. Para tudo há um tempo,
    para cada coisa há um momento debaixo dos céus:

2. tempo para nascer,
    e tempo para morrer;
    tempo para plantar,
    e tempo para arrancar o que foi plantado;

3. tempo para matar,
    e tempo para sarar;
    tempo para demolir,
    e tempo para construir;

4. tempo para chorar,
    e tempo para rir;
    tempo para gemer,
    e tempo para dançar;

5. tempo para atirar pedras,
    e tempo para ajuntá-las;
    tempo para dar abraços,
    e tempo para apartar-se.

6. Tempo para procurar,
    e tempo para perder;
    tempo para guardar,
    e tempo para jogar fora;

7. tempo para rasgar,
    e tempo para costurar;
    tempo para calar,
    e tempo para falar;

8. tempo para amar,
    e tempo para odiar;
    tempo para a guerra,
    e tempo para a paz.


sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Tédios e taras

Renato Aurélio, preciso aproveitar esta fase na qual você está sóbrio e dizer que precisamos discutir nossa relação. - disse a jovem esposa ao cansado executivo recém-chegado de uma maratona de reuniões e assembleias na empresa. 

Acostumado a gerenciar conflitos na conturbada vida de negócios, sentou para experimentar aquela primeira convocação doméstica de disputa por espaço. Fala, Lili, o que a aflige, mas pode me chamar de Lelo, como sempre foi desde que nos conhecemos.

- Renato Aurélio...

Senta, Lili, sou todo ouvidos.

- Eu vou ficar em pé, não vê que estou nervosa? E fico como eu quiser ficar e te chamo pelo seu nome, afinal é este seu nome, não é? Re-na-to Au-ré-lio dos San-tos Pen-te-ado Gon-za-ga, e além disto, nunca me esquecerei que por causa do sobrenome da vaca da sua mãe, que você ficou exigindo que eu colocasse a merda do Penteado no meu nome e eu não aceitei, e desde então aquela vaca louca fica sempre falando que sou uma despenteadazinha.

Minha mãe é pauta desta conversa?

- Sua mãe não é pauta, sua mãe é um puta sem vergonha e sem caráter.

Muito bem, já definiu um processo, Vamos avançar e verificar as outras questões?

- A sua secretária. Ela se acha a ultima coca-cola do mundo, não é mesmo Renato Aurélio? Você não atende minhas ligações, daí ligo para a sua sala e aquela rapariga desqualificada, que deve dar para toda a diretoria, fala com aquela voz de traveco empanado - O Doutorrrr Rênáto não está - a senhora quer deixarrr um recado? Recado, Renato Aurélio? Recado? E eu sou lá mulher de recado?

- Bem, Lili, parece que estamos diante de idéias fixas, pré determinadas, imutáveis, que estão permitindo uma crescente tese de divergências, e com o agravante de que estes conflitos tendem a incomodar e à gerar tensão.

- Pode parar, Lelo, pode parar, eu não sou uma acionistazinha destas que você leva para jantar e depois vai fazer a digestão em motéis baratos. Eu sou sua esposa e não caio neste truque torpe de manipulação de processos para atenuar um conflito.

- Lili, o que mais tem para falar além das qualidades da minha mãe, das virtudes da minha secretária e do modus operandi com as acionistas da empresa?

- Eu poderia até falar da sua irmã, aquela vigarista que dá golpes baratos no comércio e nas instituições financeiras, mas ela está muito abaixo da minha percepção de crítica para servir como parâmetro. Também poderia dizer que encontrei na sua agenda o nome daquela delinquente que ousou pretender um dia estar no meu lugar, mas não falarei desta por que está gorda e desequilibrada mentalmente.

- Bem, Lili, pelo menos eliminamos dois pontos da pauta. Mais alguma coisa?

- Você, Renato Aurélio - você parou de beber. Agora só chega em casa bem cedo, sem cheiro de álcool, sem aquele ar nonsense, não fuma mais ... - quer saber? Você está muito estranho. Este é o ponto da nossa discussão. Você está sóbrio demais.

- Mas Lili?!?!?!?  Onde você quer chegar com isto?

- Ai, Lelo, é que quando você bebe você é tão taradinho, tão maluquinho, mas quando você está sóbrio você é tão.. tão.. chato, sem graça faz as coisas tão sem sal, fica muito entediante, digamos assim ...

É isto aí!




Milagres e mistérios

Um milagre, um milagre, um milagre .. alô.. alguém do céu me escutando? Eu preciso de um milagre! E andava pra lá, e andava pra cá, e esfregava as mãos, e batia uma mão na outra, e esfregava o rosto - um milagre, só um milagresinho, vai, tem tanta gente aí que recebe milagre, uns até sem pedir, e eu só quero um, só um... um milagre... e ca-bum! De um flash de luz fez-se uma mulher, lindíssima, sensualíssima, vestida com uma elegante e transparente túnica lilás, além de um salto de 12 cm, que passou a fitá-lo em silêncio.

Passado o trauma inicial, olhou-a com  mais calma. Era bem real, mas tinha consigo uma aura celestial infinda e uma beleza impoluta. Mas aquelas coxas torneadas, aqueles seios sedutores, aquela boca deliciosa, tudo junto e misturado, turvaram sua percepção. Pensava - pode ser uma vizinha pedindo açúcar ou café ou até um skank, ou quem sabe talvez queria apenas uma anfetaminazinha, sei lá.

Aproximou-se, e tomado por súbita coragem diante de beleza tão sublime, iniciou um contato de terceiro grau educado. 

- Olá, tudo bem? Meu nome é Arnaldo Lasagna, sei que vai fazer piada do nome, pode rir, mas é Lasagna no original, com "ele a esse a gê ene a". Os portugueses é que empobreceram o latim. Mas se quiser rir...

- Silêncio.

- Você entrou aqui tão de repente, está perdida? Precisa de alguma coisa? Deseja algo?

- Em profundo silêncio, ela o examina com as sobrancelhas levantadas, um leve e um discreto aceno com a cabeça.

- Sabe que você é linda?

- Em provocante silêncio, ela deixa transparecer movimentos inquietos nos lábios até chegar ao ponto de morder o lábio inferior delicada e deliciosamente. 

- E além de linda é super sexy.

- Ainda num estarrecedor silêncio, ela apresenta as pupilas dilatadas, uma leve sudorese e começa a roçar os dedos das mãos.

- Pensando bem vou tirar a roupa, e daí a gente continua. 

- Em total silêncio, seus olhos correm pelo corpo dele, suas narinas dilatam, e esboça um sorriso mais aconchegante.

- Pode ficar à vontade também, e se desejar, eu sirvo uma bebida.

- Silêncio.

- Posso pegar na sua mão? (Já pegando)

- Silêncio.

- Posso verificar a maciez das suas coxas? (Já apalpando)

- Silêncio.

- Posso .. ei, espera aí - como um anjo tem marca de vacina?

- Puta que o pariu, Arnaldinho, não pediu um milagre?

- Arnaldinho? Como assim?? Você sabe meu nome?

- Sei seu nome, sei da sua vida e sei de tudo que gosta, bem como das suas taras e delírios.

- Sério?

- Sério.

- Ah! Então pode ir de onde veio, sai... sai... xô...passa...

- Mas o que é isto, você queria um milagre - eu sou o seu milagre.

- Verdade, pedi um milagre mas não pedi que viesse como hacker de google.

É isto aí!











  

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Ex-amor

Conheceram-se numa roda de amigos e a partir disto nunca mais foram os mesmos. Enamoraram, amaram, se entregaram, coabitaram, riram, choraram, divertiram, até que se odiaram e foram girar em novas rodas de novos amigos. 

Mas logo ele percebeu que havia nela uma magia, uma manifestação de sentimento que nunca soube explicar. E ela não conseguia alavancar um relacionamento que preenchesse o vazio da ruptura.

Bateram de frente, na porta do antigo ninho, ambos buscando conforto pelo luto da perda. Foi então que retornaram aos berros, aos gritos, aos beijos e às manhãs preguiçosas. Nunca mais, juraram, sairiam pelo mundo em busca da outra metade. Juras de amor ...

Com o passar do tempo, para ele, a volta foi como uma coisa normal, onde não havia aquela identificação, a obrigação da entrega total. Um dia comum, onde nada de especial poderia acontecer, num ato falho do qual se arrependeu até o fim dos tempos, disse - Eu não sei te amo!

Como?

Isto, eu não sei ...

Não terminou a frase e ela já havia partido, como um despertar abrupto de um sonho. 

É isto aí!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A morte do compadre

Compadre Ambrósio desejava a morte de uma forma quase impossível de se negar tê-la. Na verdade apaixonou-se por ela. Haviam se encontrado três vezes, em momentos que iam do trágico ao cômico. Ela sempre estava lá, o acalentava, embalava em suave brisa sob o véu da sua morbidez e o devolvia aos vivos.

E na noite que finalmente morreu, sorria tanto, que seus olhos brilhavam. Eram vinte e duas horas e dezesseis minutos. Deu que quando ela adentrou no humilde barracão de piso batido, achei-a também tão lindamente apaixonante que dei de querer morrer ali mesmo, naquele instante.

Mas Oriosvaldina, uma galega nova que estava perdida na estrada e que encontrou abrigo na Boate da Nastácia, arrastou asa pro meu lado. Agradei da moça, de história pregressa triste, mas de mente e corpo divinos. Juntamos os trapos e deu que cadê de querer morrer tão cedo. 

Desde então achei o céu por aqui mesmo, até por que, depois de certo tempo, com a cabeça no lugar, comecei a achar a Morte com mais cara de quenga do que tudo. 

É isto aí!

Mar Português - Fernando Pessoa




Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

(Fernando Pessoa)


domingo, 29 de novembro de 2015

A deusa da minha rua (Newton Carlos Teixeira e Jorge Vidal Faraj, 1939)


A Deusa da minha rua
Tem os olhos onde a lua
Costuma se embriagar
Nos seus olhos eu suponho
Que o sol num doirado sonho
Vai claridade buscar
Minha rua é sem graça
Mas quando por ela passa
Seu vulto que me seduz
A ruazinha modesta
É uma paisagem de festa
É uma cascata de luz

Na rua, uma poça d'água
Espelho da minha mágoa
Transporta o céu para o chão
Tal qual o chão da minha vida
A minh'alma comovida
O meu pobre coração
Espelhos da minha mágoa
Meus olhos são poças d'água
Sonhando com seu olhar
Ela é tão rica, eu tão pobre
Eu sou plebeu , ela é nobre
Não vale a pena sonhar



Marilyn Monroe, por Earl Moran

Marilyn Monroe, por Earl Moran


sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Reflexões inúteis


Certo dia, destes que mudam o destino da humanidade, o famoso e renomado filósofo alemão Johann Keyserling Friedrich, do grupo da elite intelectual e cultural de Verbandsgemeinde Eisenberg, estava ali ao relento meditando e filosofando, quando de repente viu a luz no fim do túnel do alto saber humano.

Pena de galinha... pena de ganso... pena de pato... pena de pavão... pena de cisne... pena de papagaio... penas... interessante isto, pois se nós, de notório saber e capacidade intelectual acima dos mortais comuns,  só conseguimos ter pena de um bípede do sexo feminino quando ela é uma galinha, imagina a choldra em pândega.

É isto aí!




quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Olhos de gata

A primeira vez que a vi, foi quando estava em completo estado de desespero, e, claro, desejando ardentemente uma fuga para algum lugar onde nem eu mesmo me conhecesse.  

Apenas dei uma discreta olhada e achei lindinha, gostosinha, mas foi só isto, eu acho, mas não sei, por que lembro dela ter me olhado n'alma, com aqueles olhos de gata, que em priscas eras condenavam feiticeiras ao fogo.

Passaram umas duas semanas, quase refeito das dores pela queda de um ex-grande amor, deparei com sua presença numa festa destas muito chatas, com música new age, garçonetes exóticas e painéis abstratos. Vi que suas orelhas de gata se movimentaram em minha direção, como que desejando ler meus pensamentos. Pensei cá comigo - é fria, sai fora. É só mais uma bruxa para te cozinhar no caldeirão. Mas ela tinha um ar tão cândido. Mas, como uma gata, desapareceu felinamente falando.

Deu que um mês depois, no teatro, tive a sensação de que era ela na primeira fila, mas como estava lá em cima, nas galerias, a penumbra, não sei, tive dúvidas, mas a sensação era tão nítida que resolvi que deveria ir ao seu encontro após o espetáculo. Perdi o interesse pela peça que me custou muito dinheiro, e agora nem assistia mais, só pensando no momento mágico. Cheguei a sentir seus lábios tocarem os meus, seu corpo vedando meus poros, enfim estava taradão. 

Quando encerrou o espetáculo e o povo foi se levantando, tive uma das ideias mais estúpidas da minha vida. De súbito dei um salto do alto da galeria  para uma poltrona já vazia da parte de baixo. Aqui cabe um adendo, pois achei que a distância era curta, e a maciez das poltronas absorveria o impacto, porém torci o tornozelo esquerdo e lesionei os ligamentos da mão direita e, manco, tentei atravessar o teatro no sentido contrário à multidão saindo, e vendo que esta tática não funcionava, fui pulando as poltronas até chegar à primeira fila. Não estava mais lá.

Adquiri um celular com câmara potente, zoom, etc e tal, fiz um curso de fotografia pelo Youtube,  e fiquei só ligado na possibilidade de revê-la. Um dia, numa quarta-feira, sete semanas depois do teatro, saindo do cinema, a vi. Ao longe, a reconheci pelo andar felino. Apressei o passo, fui aproximando, aproximando, aproximando, toquei no seu ombro nu, levemente e virou-se - olhou-me mais uma vez no fundo dos olhos, rodou uma bolsa de uns trinta quilos em direção ao meu rosto, e enquanto dobrava os joelhos por nocaute técnico, ouvi-a angelicalmente proferir as primeiras palavras à minha pessoa - seu velho tarado! 

É isto aí!

domingo, 22 de novembro de 2015

A África sangra por todos os poros.

Criança em Mogadiscio (Somália)*
O lamaçal que soçobrou aqui, no quintal da minha casa, nas belas alterosas de Minas, ainda hão de promover dezenas de dezenas de desastres aqui e ali. A mortandade, as enfermidades, as intoxicações, mutações, e muitas outras coisas que tangem a natureza, farão uma mancha maculada na história, mas a pior desgraça serão as ações aqui e acolá para se colocar gaze em ferida de grosso calibre, por desconhecidos agentes da lei e da ordem, acobertados por agentes do legislativo e executivo, tanto os que foram, quanto os que ainda o são.

Não existem mocinhos de boa intenção que sejam integralmente salvadores da pátria amada, salve, salve. 


Enquanto o capital vil se apresenta na lama por aqui, a África sangra por todos os poros. É o segundo maior e mais populoso continente do mundo e é também o continente com maior número de conflitos duradouros em todo o planeta. De um total de 54 países que compõem a África, 24 encontram-se atualmente em guerra civil ou em conflitos armados, de acordo com um levantamento do site Wars in the World.

As batalhas mais devastadoras ocorrem, hoje, em Ruanda, Somália, Mali, República Centro-africana, Darfur, Congo, Líbia, Nigéria, Somalilândia e Puntlândia (Estados declarados independentes da Somália em, respectivamente, 1991 e 1998). Esses combates envolvem 111 milícias, guerrilhas, grupos separatistas ou facções criminosas.  Há sangue humano nas ruas da Nigéria, Tunísia, Mali, Burundi, Moçambique, e muitos outros conflitos tão graves quanto, mas diluidos e ocultos da mídia.


Mas nada disso tem muita importância para a mídia ocidental, pois Paris foi violentamente atacada no maior ataque terrorista (sic) contra a sua perola continental. Dos milhões de mortos na África apenas nesta década, muito se viu de interesses que passam pela Torre Eiffel, não necessariamente pelo Napoleão da vez.

É isto aí!

"Child in Mogadishu" por PHCM TERRY MITCHELL 
- http://www.dodmedia.osd.mil 
(http://www.dodmedia.osd.mil/DVIC_View/Still_Details.cfm?SDAN=DNST9802099&JPGPath=/Assets/1998/Navy/DN-ST-98-02099.JPG). 
Licenciado sob Domínio público, via Wikimedia Commons 
- https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Child_in_Mogadishu.JPEG#/media/File:Child_in_Mogadishu.JPEG



terça-feira, 17 de novembro de 2015

Que merda é isto tudo?

Estava arrasado. Coloquei For once in my life para tocar ininterruptamente no aparelho de CD, no volume mínimo, só para as batidas graves coordenarem meu coração. Era a nossa música, só nossa. Pensei em beber alguma coisa, mas desisti - melhor que não. 

Fiquei ali, olhando o vazio ... For once in my life I have someone who needs me .... Puxa vida, ela precisa de mim e eu, eu, meu Deus, quanta dor, eu a amo. Sempre a amei, desde o dia que nossos destinos se cruzaram num táxi que aceitou uma corrida dupla para fugirmos de uma chuva torrencial ... Someone I've needed so long... tocava esta música!

Entramos e saímos um da vida do outro muitas vezes, e em todas chorei, sofri, me acabei e a gente sempre voltava numa alegria tão grande, tão infinita, tão esplendorosamente amantes, sabe, e aquilo era o que só ela era capaz proporcionar-me, ela era o melhor em mim ... For once, unafraid, I can go where life leads me ... . Puxa vida, estou chorando de novo, eu havia prometido ser forte ... And somehow I know I'll be strong ... . 

Por volta das três horas da manhã, ouvi o elevador chegar, escutei seus passos leves e trôpegos, afligi pela luta para ela conseguir abrir a porta, pois agonizava com a chave batendo em todos os pontos, menos na fechadura. Desalentado, levantei para abrir e deixa-la entrar, para diminuir aquela aflição. Percebi, claro, sempre percebi, que estava completamente drogada, toda suja, urinada, vômito na roupa e cabelo, e pela primeira vez, ao colo de um homem sério, sem sinal de uso de droga, aparentemente um andarilho ou morador de rua devido às características comuns aos que vagam pelas calçadas diuturnamente.

Ele entrou em silêncio e colocou-a gentil e educadamente no sofá. Não falou nada, e aí me olhou no fundo da minha alma e me deu um abraço tão pesaroso, tão sentido, como se fosse ele a recebê-la naquele estado. Acho que foi por que não sabíamos o que dizer um ao outro, e então partiu. Sentei ao seu lado, no chão, e fiquei ali  alisando seu cabelo, lembrando das suas gargalhadas, das nossas brigas, do seu beijo delicioso e escandaloso. 

Eu não vou perder você para as drogas, não vou, nós vamos sair desta merda, eu saí e agora vou tirar você. ... As long as I know I have love, I can make it ... . Chorei até cansar de chorar, solucei, eu te amo, eu te amo, eu te amo for once in my life ... 

Dei-lhe um banho com cuidado, lavei seu cabelo, tão lindo, cacheado, escovei seus dentes - estava toda machucada, limpei suas unhas - parece que apanhou, sei lá, talvez caiu, que merda é isto tudo que a vida dá? Mas que desgraça, que merda de vida é esta? Voltei a chorar. Coloquei uma camisola que ela gostava, de algodão, e acabei dormindo ali, segurando a sua mão, sentado numa cadeira à beira da cama. Achei que não iria dormir, mas o sono me venceu.

Acordei assustado, no chão, e ao levantar, apenas um bilhete escrito em letras horríveis - adeus para sempre. Enquanto segurava o papel, a campainha tocou, era a polícia - ela estava lá embaixo, na calçada. Eu deveria reconhecer o corpo ... reconhecer o corpo, meu Deus do céu ... que dor, meu Deus ... reconhecer ... meu Deus ... que merda é isto tudo?

É isto aí! 

sábado, 14 de novembro de 2015

O neurótico, Flora e o balsamo

Andava chateado, falando sozinho, gesticulando, irritado, bravo, nervoso, agitado, irado, mas pelo menos falava com alguém, e isto o acalmava, de certa forma.

Tanto fez que certa manhã pediu divórcio depois de doze anos, pediu demissão do emprego dos sonhos, pediu a conta da padaria da esquina, pediu a conta do buteco do Zé Flávio e depois de tudo feito, correu na Cantina da Ângela e pediu Creuzinha, a garçonete, em namoro.

Ela recusou o convite, mas aceitou uns amassos num flat de Guarapari. Findo o prazo de validade máxima de dez dias da paixão e tara pelas pernas da moça, voltou para casa, para o emprego e para a rotina.

Voltou a andar chateado, falando sozinho, gesticulando, irritado, bravo, nervoso, agitado, irado, mas pelo menos falava com alguém, e isto o acalmava, de certa forma.

Desta vez não pediu divórcio, mas fez abandono de lar, não pediu demissão, mas entrou com um atestado do psiquiatra, mas encerrou a conta da padaria da esquina e a conta do buteco do Zé Flávio e depois de tudo feito, passou na Farmácia do Seu Juquinha e pegou Flora, a balconista, para uma conversa no banco da praça.

Ela recusou o convite, pois era hora de trabalhar, mas passou a aceitar uns amassos num hotel barato de Caratinga. Findo o prazo de validade, não voltou mais para casa. Descobriu que Flora era o bálsamo benguê da sua dor nervosa.

É isto aí!