sexta-feira, 15 de julho de 2016

The Platters - My Prayer


Imagem: The Platters



The Platters é um grupo vocal estadunidense, considerado "o mais bem sucedido dos anos 1950". Chegou a vender mais de 53 milhões de discos e está, desde 1990, no Rock And Roll Hall of Fame. Foi quem primeiro gravou o sucesso "Only You". Entre seus sucessos também se destacam "My Prayer" (composta por Georges Boulanger com o nome "Avant de Mourir"), "The Great Pretender", "You’ve Got The Magic Touch", "You’ll Never Know", "Smoke Gets In Your Eyes" (composta por Jerome Kern e Otto Harbach) entre outros.


O grupo foi formado por adolescentes em Los Angeles no ano de 1952, com o nome de "Flamingos", com uma formação inicial que não se manteve: Cornell Gunter, Gaynel Hodge e seu irmão Alex, Joe “Jody” Jefferson e Curtis Williams. O grupo passou por várias alterações na sua formação; o nome original teve ser trocado antes mesmo do lançamento porque um outro grupo, em Chicago, surgira como The Flamingos e, por sugestão de Herb Reed, adotaram o The Platters, referência ao nome dado aos discos de 78 rotações.

Em 1954, foram lançadas duas músicas do conjunto "Voo-Vee-Ah-Vee" e "Shake It Up Mambo" na gravadora Federal Records, sem grande sucesso; então, por intercessão do empresário Buck Ram foram contratados pela Mercury Records e em 1955 atingiram os primeiros lugares nas paradas com Only You e The Great Pretenders, fazendo assim o sucesso do grupo.


" My Prayer " é uma canção popular de 1939 com música do violinista de salão Georges Boulanger e letra de Carlos Gomez Barrera e Jimmy Kennedy . Foi originalmente escrita por Boulanger com o título Avant de mourir (Antes de morrer) 1926. A letra desta versão foi adicionada por Kennedy em 1939.

Glenn Miller gravou a música naquele ano para o segundo lugar e a versão do Ink Spots com Bill Kenny alcançou o terceiro lugar também naquele ano. Foi gravado muitas vezes desde então, mas a versão de maior sucesso foi uma versão doo-wop em 1956 pelos Platters, cujo lançamento em single alcançou o número um no Top 100 da Billboard no verão, e ficou em quarto lugar para o ano. Esta versão também alcançou o primeiro lugar nas paradas R&B Airplay e R&B Juke Box. 

A gravação dos Platters aparece no filme de 2008 O Curioso Caso de Benjamin Button , no filme Mischief de 1985 , no filme October Sky de 1999 , e em dois episódios da série de 2017 de Twin Peaks . A versão da música dos Ink Spots foi apresentada no filme de 1992 Malcolm X. Vera Lynn cantou a música no filme britânico One Exciting Night em 1944. 

A canção também virou tango na versão italiana da orquestra de Norma Bruni e Cinico Angelini (1940), " Sì, voglio vivere ancor! ". 


Fonte: Musixmatch
Compositores: Georges Boulanger / James B. Kennedy
Letra de My Prayer (Original artist re-recording) © Eschig Max Soc., Peter Maurice Music Co. Ltd., Bote & Bock Gmbh, Bote Bock Der Boosey Hawkes Bote Bock, Peter Maurice Music Co Ltd, Peter Maurice Music Co., Ltd.

When the twilight has gone
And no songbirds are singing
When the twilight has gone
You come into my heart
And here in my heart you will stay
While I pray

My prayer is to linger with you
At the end of the day
In a dream that's divine

My prayer is a rapture in blue
With the world far away
And your lips close to mine

Tonight, while our hearts are a glow
Oh, tell me the words that I'm longing to know

My prayer and the answer you give
May they still be the same for as long as we live
That you'll always be there
At the end of my prayer


quinta-feira, 14 de julho de 2016

A primeira novela da Pitangueira

A morte de César, Jean-Léon Gérôme (1867)

- Muito bem, vamos começar. Hoje vou fazer apenas a sinopse da nova peça que ensaiaremos. Todos já leram a peça? Já conseguiram entrar em seus personagens?

Sim, diretor ...

- Atenção, isto é uma ficção, não cabendo sequer comparação com a realidade de quaisquer pessoas, temas e fatos em todo o mundo. Tudo bem? Mas antes de começarmos... Tiago, quer fazer o favor de largar a boca, os braços e a bunda da Helena? Isto ... isto. Helena, quer fazer o favor de colocar sua roupa? Muito boa, digo, muito bem.

Como já sabem, esta peça trata de uma hipotética trama política interna de uma grande empresa. Helena fará o papel de secretária e o Tiago é o presidente. Nutrem um sentimento platônico. A personagem tem como seu grande amigo o Juca, um contínuo, e Tiago é casado com Telma Pavão do Rabo Dourado, a musa do Piscinão de Ramos. 

Senhor diretor ...

Pois não, Helena?!

Por que a moça é a secretária e o rapaz é o presidente? Não poderia inverter isto aí não? É de natureza machista este texto, da forma na qual se apresenta neste mundo tão globalizado

Helena, lindinha, meu bem, querida, isto é entre os produtores e o autor, tudo bem? Quem decide o que, quando, onde  por que são os produtores, e que cala e consente é o escritor, ok? Ator e atriz atuam e pronto.

Como viram a peça gira no amor platônico entre a Helena e o Tiago. A Helena é desejada pelo Juquinha, e para afastá-lo definitivamente da sua vida emocional, tomará medidas que poderão atingir o Tiago, e isto permitirá a todos, desde o porteiro ao síndico do condomínio, passando pelos lavadores de carro até os topa-tudo, terem ódio dele com ou sem motivo.

O Juquinha, por sua vez, que de bobo não tem nada ..., espera aí, Juquinha, tira esta merda deste fone do ouvido, por favor? Ok, muito bem.

Então, o Juquinha procura o Joãozinho, que disputou a vaga de presidência com o Tiago e perdeu por duas diretoras traíras, para auxiliá-lo na sua intenção, e para incentivá-lo bota pilha na possibilidade de anulação da posse do adversário.

Joãozinho, membro do Conselho Diretor, inflamado pelas multidões instigadas pelo Juquinha, entra batendo em todo mundo, querendo puxar o tapete do algoz de qualquer jeito, e acaba perdendo o contato com Juquinha e claro, também o controle das suas próprias ações. A coisa vai perdendo o foco, e amigos comuns começam a ter problemas com a empresa, com a família e com os negócios, graças às intrigas, denúncias e agressões entre as partes.

Um dia, Helena, num momento melancólico pró-Tiago, trama uma inversão de posição para enfraquecer e confundir os adversários malvados e conquistar o seu grande e verdadeiro amor. Convence a esposa do Tiago, Telma Pavão do Rabo Dourado  a assumir a empresa. A esposa, como filha única do dono, dá um pontapé na vaga preenchida pelo marido, assume o controle e multiplica o capital várias vezes.

Tiago fica a ver navios, no cais do porto e neste declínio de fraqueza, Helena buscará consolá-lo. Mas o que encontra é um homem sem brios, com baixa auto-estima, depressivo e chato. Perde o tempo e o rebolado. Ao retornar à empresa, descobre que Juquinha está no seu lugar e de caso com Telma.

Ao final da história, Joãozinho vai pagar pelos seus pecados de bobo da corte e é entregue aos leões para apaziguar os novos cristãos.

- Só uma coisa que não entendi, senhor diretor.

- Pois não, Helena?!?

- Quem é Gaius Octavius?

- É o senhor das trevas, o inominável, o maldito, a sombra dos labirintos da empresa, aquele que controla tudo e não pode ser controlado.

- Mas por que só ele vai pagar o pato?

- Não pelo que fez, mas pelo que sabe. Simples assim. Mas não se preocupe, a arte é apenas arte enquanto a vida segue e faz a sua parte. 

É isto aí!

domingo, 10 de julho de 2016

Faltam-me palavras, Carminha!

Preciso achar uma frase perfeita, pensou em completo silêncio enquanto se escondia no lavabo. Tenho que falar exatamente o que surtirá o efeito que espero que aconteça. Uma frase, apenas uma frase e serei o homem mais, hummm ... mais, ah! não interessa, esta frase será o ponto de mutação da minha vida.

10 minutos depois

- Armandinho!?!?!? Você está bem?

- Sim, Carminha, estou bem.

- Precisa de alguma coisa? Tem papel, toalha, sabonete? 

- Sim, Carminha, está tudo aqui.

15 minutos depois

- Armandinho, estamos te esperando. Você está passando mal? Precisa que chame socorro?

- Não, Carminha, estou bem. Já já estou saindo.

20 minutos depois

- Armandinho, estou perdendo a paciência. Abre esta porta agora.

- Calma, Carminha, já estou abrindo. Mas seus pais já foram?

- Como foram, Armandinho? Como foram? Nós estamos na casa deles.

- Caramba, tinha me esquecido disto. Estou saindo.

25 minutos depois

- Armandinho, ou você sai ou a porta será aberta. Minha mãe me entregou a chave reserva.

- Carminha, você está sozinha? (a frase, preciso encontrar a frase exata.)

- Sim, claro, pode falar, estou sozinha.

- Então, sabe como eu fico quando estou nervoso? Esta é a primeira vez que visito seus pais.

- Sei, você fica cheio de gases. É um horror.

- Pois é, eu hoje fiquei muito, mas muito nervoso com esta conversa de casamento.

- E daí?

- E daí ... (a frase ... cadê a frase?). Faltam-me palavras, Carminha.

- Armandinho? É comigo? Você quer terminar tudo? Você tem outra?

- E daí que eu me caguei todo, Carminha. Achei que era um peidinho, mas sujei a calça, cueca, meia, sapato, estou todo cagado ...

- Ufa, que susto, achei que você ia me deixar ...

É isto aí!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Papo de Esquina XXV

- Alguém aí sabe os principais tópicos do plano de desgoverno do exomorfo mutante?

- Eu li que ele quer o fim do SUS, criando uma grande rede de proteção aos interesses privados, cobrando por tudo. No fim quem paga o pato é o pobre.

- Eu ouvi que vai aumentar a idade de aposentadoria dos pobres para algo entre 70 e 75 anos, mas se formos bonzinhos abaixa para 65, porém só vale para pobre. 

- Eu também  fiquei sabendo que tomou uns cogumelos azuis e viu que a única solução para a nação grande e deitada eternamente em berço esplêndido crescer, é o pobre trabalhar 80 horas por semana para sustentar a safadeza.

- Puta merda, este negócio vai dar pau!

É isto aí!

Papo de Esquina XXIV

Podem me citar aí três qualidades do exomorfo mutante?

Corrupto, ladrão, desonesto.

Canalha, cretino, bandido.

Credo, esta merda ainda vai dar pau!

É isto aí!

domingo, 3 de julho de 2016

O solfejo do professor de piano

Passou na casa de Sinhá Chica, onde tomou benção, passe e água. Desceu a galope a ladeira doas Aflitos, tomou a rua da Farmácia, atravessou em direção ao Beco dos Borges, passou pela estreita viela e entrou por uma porta velha, carcomida e pesada.

Lá dentro estava Delfina, a musa da sua vida, linda, cheia de graça e de consolo. Abraçou, beijou, beijou, beijou e deu-lhe a aula de piano para a qual era contratado pelo seu pai. Ao final do horário já não sabia mais onde estavam as oitavas, nem mesmo os pedais. Delfina tocava-lhe o coração sem sustenidos.

Saiu ofegante, continuou descendo o Beco até atingir a Rua Moleque, de onde avistava a casa azul com ipês amarelos na frente, onde logo logo estaria nos braços de Clotilde, esposa de Tenório, escrivão da guarda municipal. A digníssima senhora era sua aluna de canto, e em todos os cantos da casa já apalpara seus redondos e fartos motivos de canto lírico.

Refeito da atividade, voltou à caminhada, seguiu a passos largos pela Rua do Contra, subiu a Travessa dos Travessos, atravessou a pinguela do Córrego dos Macacos e entrou pela cozinha da residência dos Tevez, cujas filhas gêmeas eram fortes candidatas a participarem de um concerto regional de Bach, graças ao ilustre e dedicado professor e maestro da cidade.

Naquela tarde, enquanto ardiam em completa devoção à arte musical, a mãe, uma das mais distintas damas da sociedade local, surpreendeu aos três em intrigante menage por sob a calda do instrumento de origem alemã, de nome impronunciável. Arrumou-se no que pode e saiu em desvairada correria de retorno ao lar.

No entardecer frio e triste daquele dia, batem à porta. Eram os pais da gêmeas. Tremeu até a última célula do corpo. O homem tinha fama de bravo e historias de tiros por causas menores. Abriu a porta esperando a morte. O entendiado marido cumprimentou-o formalmente, mediu-o de cima a baixo, indagou com os olhos algo à esposa e perguntou se o distinto cavalheiro se incomodaria de dar umas lições particulares em sua casa à esposa, pois as meninas não queriam mais aprender piano e a mãe ficou convencida de que a presença dele na casa poderia melindrar o desejo das filhas.

Consentiu com um leve e trêmulo aceno de cabeça, enquanto três homens desciam um piano do caminhão parado à sua porta. Tamanho foi o desgosto pela rotina, que nunca mais repetiu seus feitos da mocidade. Casou-se com Delfina, manteve um relacionamento fiel e exclusivo com a mãe das gêmeas e foi infeliz para sempre.

É isto aí!



sexta-feira, 1 de julho de 2016

Não tem volta (Poemeu)



A moça pudica,
imaculada e santa,
ascendeu à luz
por um rapaz pudico,
imaculado e santo.

Tocaram-se,
trêmulos e
em pânico,
fremiram medos
dedos e suor
pelos flancos.

Tensos constritos
corpos aflitos.
Olham pro lado,
miram-se cúmplices
e roubam as mãos ...

Mergulham
à jusante.
Dão-se para sempre
enquanto dura
a vasante.

É isto aí!











sábado, 25 de junho de 2016

Flavinha e o beijo roubado.

Chegou exausto do escritório. Reuniões, tensões, protestos, enfim, um dia normal de um executivo de 50 anos de idade. Entrou calado no apartamento, desta vez pela porta dos fundos, por que não desejava ver ninguém na sala, de onde se escutava conversas e música alta..

Ali, na sua cozinha, encostada na bancada da pia, estava a vizinha mais linda de todas as mulheres que conhecia, no alto dos seus 35 anos. Nutria um desejo até então silencioso e controlado, afinal era casada, frequentavam o mesmo clube, os mesmos lugares, tinham amigos em comum, etc.

Trocaram um olhar de cumplicidade. Perdeu a razão, segurou-lhe os braços e deu-lhe um beijo escandaloso, impávido e inesperado, seguido de outros dois, com abraços e carícias. Em seguida, apertou-a, afagou-a, apalpou-a e beijou-a desta vez com maior êxtase. A mulher, a princípio assustada pelo assédio inédito, não entendeu nada e cedeu pelo impulso. Ficou ali esperando o próximo passo que não ocorreu.

Saiu da cozinha atordoado, passou na sala sem perceber quem estava ali (se estivesse olhado, veria o marido e as duas filhas da vizinha conversando com a sua esposa e seus dois filhos). Tomou um cowboy duplo seco sem pestanejar. Bateu com o copo na bancada e seguiu para o quarto. A esposa, companheira de trinta anos o acompanhou em silêncio até o quarto.

Deu uma olhada de relance para ela, que acenou levemente a cabeça seguido de um sorriso monalisa, ao perceber seu estado emocional alterado. Caminhou para o banheiro com a garrafa do whisky. Sentou no vaso, e foi bebendo sem pressa. Pelas tantas abriu o chuveiro, jogando a camisa, paletó, gravata, calça e o sapato ao lado de fora da porta.

Pensava coisas desconexas, na Flavinha e numa vontade diferente. A esposa começou a achar que havia muito passado tempo após estar lá dentro, e intuiu que tinha algo errado. Bateu à porta, chamou, gritou, espancou com toda a sua força. Histérica, começou a gritar ininterruptamente. Correram ao seu chamado os filhos, os vizinhos, a Flavinha e o síndico.

 A porta maciça nem balançava, e a água começava a sair pelo chão, providencialmente estancada por uma toalha jogada pela vizinha, que foi retirada assim que a esposa reconheceu nela uma parte do seu enxoval, mandando aos berros alguém buscar um pano de chão.

Chegaram os policiais e os bombeiros. A mulher proibiu o arrombamento, pois a seguradora já enviara o chaveiro. O profissional foi entrando com cerca de trinta pessoas no quarto, passou empurrando aqui e ali até achegar à porta. Tirou suas chaves mestras da maleta, e finalmente abriu-a. Não teve tempo de se levantar, pois foi atropelado pela turba.

Não havia ninguém no banheiro, apesar das evidências de ter sido usado, com o chuveiro aberto e a porta trancada por dentro. Nunca mais foi visto. Os filhos encontraram seus caminhos, a esposa se encaixou na fortuna herdada e Flavinha, bem, Flavinha, de súbito, divorciou e se mudou para local incerto e não sabido onde lhe aguardava a sequência do ato.

É isto aí!



sexta-feira, 24 de junho de 2016

Danem-se os ingleses

Leio entre as manchetes do dia que os ingleses sairam da União Europeia, de onde nunca entraram, a não ser para sacanear os latinos (Portugal, Espanha, França e Italia), e de quebra os gregos. 

Não me espanta nada esta notícia, pois é sabido desde a Guerra Fria, que o Reino Unido quer a bancarrota da União Europeia. Ganharam alguns passos e perderam outros encontrões. Por exemplo, foram deixados para trás com a eleição de Christine Lagarde para o FMI, considerada péssima para a Rainha, pois o FMI de Lagarde passou a defender o euro, o que no Reino Unido ninguém queria e nem aceita. 

De triste memória para os humanos normais, a neo-capitalista Thatcher afirmou em certa ocasião política, que a Europa só teria uma moeda única no momento em que o Parlamento Britânico desaparecesse. Razão tinha o General de Gaulle que dizia que os ingleses só queriam entrar na Comunidade para melhor a destruir e que ele se oporia sempre à entrada do cavalo de Tróia britânico na cidadela comunitária. 

Efetivamente, desde que entrou, a posição do Reino Unido tem sido sempre a de estar apenas com um pé na União Europeia e com outro fora, exigindo um opt-out em relação a uma série de matérias e até a devolução das suas contribuições para a União Europeia (o famoso cheque britânico). depois recusou-se sistematicamente a participar no resgate de outro Estado europeu (Grécia), apelando antes a que este decretasse a bancarrota. Que grande solidariedade europeia a de um Estado-Membro que apela à bancarrota de outro Estado-Membro! Com amigos assim quem precisa de inimigos.

Enquanto isto, na pátria tupynambá, onde bugres babam pelos ingleses como se fossem seus amestradores, a discussão na patológica mídia comensal é sobre o avanço das forças intestinas por sobre um partido político fundado por Pero Vaz de Caminha, que destruiu a nação dando de comer e de estudar aos pobres - isto é uma vergonha- onde já se viu pretos e pobres poderem ter coisas privativas da Corte? 

Tem também em destque garrafal nos noticiários pigais o aniversário (??) de um ano da morte de determinado cantor/compositor sertanejo, em trágico acidente de carro e o vazio que ficou.

Se não bastasse esta dor tão doída, Zezé de Camargo foi fotografado em voo doméstico na pátria amada e é criticado pelos mesmos bugres que babam os ingleses, pois segundo a lógica esquizoide o Safadão tem jatinho, logo é melhor do que o Zezé. É este o povo que quer conquistar a pátria livre? Melhor continuar sendo quintal e/ou esgoto dos ingleses, afinal lá tem glamour ... SQN

É isto aí!

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Nada de novo no front

Nada de novo no front, mas na vizinha pátria tupynambá, logo ali do outro lado da tela, a coisa anda muito esquisita, muito, muito muito esquisita. Já vi este filme, já li o livro, já escutei a trilha sonora - o enredo é sempre o mesmo - a tradição pelos valores morais, éticos e constitucionais; a proteção e o zelo pelas famílias dignas, educadas, elegantes e platinadas; e a garantia da propriedade do que conseguir conquistar, independente da origem, desde que esteja dentro do que o grupo alfa determine como certo.

É assim desde que o mundo é mundo - as leis são para servir aos mandatários e manter os comandados nos trilhos. Se e somente se alguma vez um tresloucado ousar transpor os limites da ordem e da gloriosa moral dos bons costumes, será amarrado no tronco, espancado e deixado como exemplo para que não sigam suas ações.

Dom Miguel tomou o trono português a fórceps, sob a alegação de ser filho legítimo de Dom João VI, o que mais tarde coube dúvidas a ponto de ser possível suspeitar-se de uma fraude. Mas desde o golpe até o seu banimento, Portugal viveu um banho de sangue fratricida. Pedro I aqui, e Pedro IV lá, tomou o controle da situação. Dom  Miguel ... pois é ... Miguel ... Miguel ... a história só se repete como farsa, já disse um famoso pensador alemão.

É isto aí! 

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Coisas inúteis que você não sabia

Coisas inúteis que você não sabia:

Exatamente às 19h34 desta segunda-feira, o Sol esteve acima do trópico de Capricórnio, dando início ao inverno no hemisfério Sul. Algumas horas antes, porém, a Lua chegou à fase cheia, uma coincidência que ocorreu a última vez em 1967.

Diferentemente de outros anos, entretanto, o início do Solstício de junho de 2016 foi marcado por uma interessante coincidência astronômica, pois no mesmo dia a Lua se tornou cheia. Essa repetição não acontecia há 49 anos.

Em 1967, no auge do movimento Hippie, o solstício de junho junto à mudança para Lua Cheia deu início ao que ficou conhecido como o "Verão do Amor", no hemisfério norte e os Anos de Chumbo por estas bandas.

Isto mudou a sua vida?

Então responda rápido - uma mãe tem uma nota de R$ 20,00 para para dividir com as suas duas queridas filhas. Sabendo que ambas recebem partes iguais, a que tantas horas elas se encontraram?

Não sabe? Hummm ... fudeu tudo!

É isto aí!

terça-feira, 21 de junho de 2016

Só um duplo mal entendido

- Tinha jurado nunca mais olhar para ela, mas, caramba, como eu sou mentiroso quando trato das coisas ocultas de mim.

- O que você falou, meu bem?

- Nada, nada, só pensei algo sobre qualquer coisa que acho que vi num filme.

- Que filme é este? Conta prá mim, vai, pode contar. Nós assistimos juntos?

- Não é nada, querida, foi só um filmezinho fraco da sessão da tarde.

- Sessão da tarde? Como assim? Tem TV no escritório?

- Não, foi tipo assim, acho que foi na Netflix.

- Humm, mas você tem tempo para assistir alguma coisa que acha que é Netflix e não tem tempo para me levar ao cinema?

- Não foi nada disto, foi por acaso, só liguei e desliguei. Estava abarrotado de serviço e achei que fazendo aquilo me aliviaria.

- Fazendo aquilo? Mas não era um filme na sessão da tarde, depois foi um filme que acha que foi na Netflix, depois foi só uma ligada e desligada e agora aliviou fazendo aquilo?

- É, fazendo aquilo, querida.

- Clodoaldo, fala a verdade.

- Clotilde, a verdade é que estou tendo um caso com a minha secretária e vou te deixar para ficar com ela.

- Nossa, Clodoaldo, você é bobo demais. Quase me convenceu que estava tendo um caso com aquela sirigaita. Deixa prá lá, amor, volta para seus filmes e arruma um enredo melhorzinho. Você é muito engraçado.

- Tudo bem (ufa ...) 

- Mas, olha aqui, Clodoaldo, é bom que seja só um enredo fraquinho, por que se tiver 1% de possibilidade de ser próximo de algo que possa a vir a ser verdade, eu te capo, e depois fujo com a Rubinho.

- Rubinho, quem é Rubinho?

- Rubinho? Não tenho a menor ideia, querido, saiu sem querer. Acho que ouvi na novela ...

- Ah, bom!

- Vai querer algo diferente na janta, amor? (ufa ...)

É isto aí!

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Falo que escuta

- Armandinho, tenho um negócio sério prá te falar.

- Credo, Carminha, o que pode ser tão sério assim?

- É que falta uma coisa nova no nosso relacionamento, sabe - há um vazio se avolumando entre nossas existências.

- Coisa? vazio? Existência?

- Está vendo? Ao invés de refletir, fica aí repetindo o que falo. Eu quero uma coisa nova, Armandinho.

- Como assim? Poderia me dar uma dica? É na parte espiritual?

- Não, até que não - esta está até bem legal depois daquele negócio meio chines, meio javanês que você trouxe para dentro do nosso aconchego.

- É na parte de conversação, tipo "Falo que escuta"?

- Puta que o pariu, Armandinho - é isto. Um falo que escuta - falta isto. Gostei .. uau ... nossa ... um falo que escuta ...

- Ahn? Perdi alguma coisa? Carminha, que cara boba é esta? E estes olhos virados? Carminha ... fala comigo ...

- Bobinho ...

É isto aí!


segunda-feira, 13 de junho de 2016

O Profeta da Pitangueira e o momento político.


Fomos hoje ao Templo do Profeta, em discreta residência nos arredores da Pitangueira. Como o números de pessoas esperando pelo místico era elevado, tivemos que fazer apenas seis perguntas e as considerações finais.

1 - Profeta, como o senhor vê a Pátria Tupynambá, neste mês de Junho?

Meu filho, Santo Antônio abre a roda das quadrilhas e isto tudo ocorrendo a partir desta semana de Lua Crescente. 

2 - Mas e os quatro paladinos da justiça virtual, aqueles que falaram no telefone com fulano e agora viraram beatos da ordem franciscana?

Este quadrado formado pelo Sol, Netuno, Júpiter e Saturno ainda permanece, mas não de forma tão intensa quanto nas vidas passadas. 

3 - E o virtual?

Ele se acha a Lua Crescente, e julga ter uma fase de desafio por natureza heroica, porém tem brilho mas não tem luz própria. Neste momento está sendo impulsionado a agir e fazer crescer os objetivos plantados na negritude da Lua Nova. Por isso essa será uma semana acelerada, mas não será mais fácil se adaptar a essa energia.

4 - Por que não será fácil, Mestre?

Meu caro, somente porque Mercúrio, planeta regente de Gêmeos, ingressa neste signo no próximo domingo. A comunicação que já estava lenta ganha movimento excêntrico. 

5 - Gêmeos? Quem Mestre são estes seres?

Dois iguais, meu filho, um destruiu muito e o outro quer destruir tudo, tocando seu fogoso corcel serra abaixo sem breque e sem volante. 

- Profeta, a última pergunta - o que podemos esperar a partir de hoje?

Meu filho, o mês de junho será o portal de muitas mudanças e tensões, mas o pior ainda virá, pois Netuno iniciará o movimento retrógrado e esta será a hora de rever os caminhos para buscar a transcendência. Durante o período de retrogradação, até o dia 20 de novembro haverá muita confusão, ilusão e enganos. 

- Profeta, alguma mensagem final de conforto para nossos leitores?

Bem, depois de Santo Antônio, Vênus ingressa em Câncer na sexta e ficaremos mais românticos e protetores no amor, mas o senhor dos anéis, aquele que não pode ser nomeado - por voto, tipo Saturno, viverá em aspecto difícil com Netuno, o senhor dos mares e das marés, o que poderá trazer duros choques de realidade. Portanto, nada de fantasia e ilusão neste momento.

É isto aí!

Alto nível

Numa tarde morna de Brasília, em debates de alto nível no Congresso, para três testemunhas e uma taquígrafa, dois amigos de longa data se estranham pela delação de uma terceira pessoa, nefasta, mal-agradecida e pusilâmine:

Senhor presidente, quero aqui manifestar meu enorme repúdio ao processo 2673/8765-00 referente à delação do senhor Pústula, afilhado político do nobre colega aqui presente, o congressista Dr. Beltrano, cuja maior obra da vida pública foi declarar como seus os dois filhos da sua esposa legítima, herdeira de poderosa clã de jogatinas no seu estado de origem.

Senhor presidente, como fui citado, exijo intervir na verborrágica declaratória do nobre congressista e dizer-lhe que Vossa Excelência é um espoliador contumaz!

Veja bem senhor presidente. A carapuça serviu ao meliante e quero aqui afirmar em alto e bom tom que não posso ouvir tal coisa sem deixar registrado nos autos que Vossa excelência é um parvo claudicante!

Data vênia, senhor presidente, nunca em toda a minha imaculada vida pública fui tão ofendido como estou sendo agora. Não bastasse oferecer os préstimos da generosidade de sua esposa aos amigos, senhor congressista, Vossa excelência sabe que não sou eu a lograr clavadas sob a égide da improbidade, mas sim a sua irresponsabilidade para com a coisa pública.

Senhor presidente, permita-me a tréplica para que este energúmeno, cuja glossa suga o sangue dos inocentes deste país coloque-se no portal da sua insignificância, pois Vossa Excelência é, e isto reconheço com afinco,  o magno mestre das ações sub-reptícias sobre o erário público.

Senhor presidente, a altercação é inevitável, dada à impossibilidade de diálogo com um neandertal, feito Vossa Excelência aqui presente.

Então, vai ser no pau, Geraldinho, vai ser no pau ... 

Ordem ... seguranças ... ordem ... parem com isto ... seguranças ...

É isto aí!







sexta-feira, 10 de junho de 2016

Xingamentos (Gregorio Duvivier)



Xingamentos
Fonte: UJS 
Originalmente publicado na Folha de São Paulo - 06/01/2014
Fonte da Imagem: TheWallpaper

Puta, piranha, vadia, vagabunda, quenga, rameira, devassa, rapariga, biscate, piriguete. Quando um homem odeia uma mulher — e quando uma mulher odeia uma mulher também— a culpa é sempre da devassidão sexual. Outro dia um amigo, revoltado com o aumento do IOF, proferiu: “Brother, essa Dilma é uma piranha”. Não sou fã da Dilma. Mas fiquei mal. Brother: a Dilma não é uma piranha. A Dilma tem muitos defeitos. Mas certamente nenhum deles diz respeito à sua intensa vida sexual. Não que eu saiba. E mesmo que ela fosse uma piranha. Isso é defeito? O fato dela ter dado pra meio Planalto faria dela uma pessoa pior?

Recentemente anunciaram que uma mulher seria presidenta de uma estatal. Todos os comentários da notícia versavam sobre sua aparência: “Essa eu comeria fácil” ou “Até que não é tão baranga assim”. O primeiro comentário sobre uma mulher é sempre esse: feia. Bonita. Gorda. Gostosa. Comeria. Não comeria. Só que ela não perguntou, em momento nenhum, se alguém queria comê-la. Não era isso que estava em julgamento (ou melhor: não deveria ser). Tinham que ensinar na escola: 

1. Nem toda mulher está oferecendo o corpo. 

2. As que estão não são pessoas piores.

Baranga, tilanga, canhão, dragão, tribufu, jaburu, mocreia. Nenhum dos xingamentos estéticos tem equivalente masculino. Nunca vi ninguém dizendo que o Lula é feio: “O Lula foi um bom presidente, mas no segundo mandato embarangou.” Percebam que ele é gordinho, tem nariz adunco e orelhas de abano. Se fosse mulher, tava frito. Mas é homem. Não nasceu pra ser atraente. Nasceu pra mandar. Ele é xingado. Mas de outras coisas.

Filho da puta, filho de rapariga, corno, chifrudo. Até quando a gente quer bater no homem, é na mulher que a gente bate. A maior ofensa que se pode fazer a um homem não é um ataque a ele, mas à mãe — filho da puta, ou à esposa — corno. Nos dois casos, ele sai ileso: calhou de ser filho ou de casar com uma mulher da vida. Hijo de puta, son of a bitch, fils de pute, hurensohn. 

O xingamento mais universal do mundo é o que diz: sua mãe vende o corpo. 

1. Não vende. 

2. E se vendesse? E a sua, que vende esquemas de pirâmide? Isso não é pior?

Pobres putas. Pobres filhos da puta. Eles não têm nada a ver com isso. Deixem as putas e suas famílias em paz. Deixem as barangas e os viados em paz. Vamos lembrar (ou pelo menos tentar lembrar) de bater na pessoa em questão: crápula, escroto, mau-caráter, babaca, ladrão, pilantra, machista, corrupto, fascista. 

A mulher nem sempre tem culpa.

Poesia Coquetista (Marco Merlin)

Autor - Marco Merlin

No II Concurso Literário da Revista Piauí de julho/09, a revista desafiou os poetas a encaixar a seguinte frase: 
“E dizer que estraguei anos de minha vida, que eu quis morrer, que tive meu maior amor, por uma mulher que não me agradava, que não fazia o meu gênero!” (Marcel Proust, do 1º volume da obra “Em Busca do Tempo Perdido”).

A frase era grande demais, ela já dizia muito. Marco Merlin resolveu então levar a ideia de “encaixar” a frase às últimas consequências. Esta aí o resultado: acabou conseguindo mostrar qual é o “gênero” da mulher em questão sem acrescentar uma só palavra! Saiu publicado na Piauí de agosto/09.


Tipo assim um soslaio (poemeu)



No desvelo
do amor
leve e teso
fiquei preso

Em decúbito
e você nua
súbito de lua
percebo o medo.

Pelo passado
cego e vesgo
de soslaio sei
é arremedo.


É isto aí!





quinta-feira, 9 de junho de 2016

Seu Desinho

- Florípedes Cardoso ... Florípedes ... Florípedes Cardoso ...

- (Silêncio) Oito mulheres e um senhor na sala de espera do consultório - a recepcionista olha para um lado, para o outro - a senhora é dona Florípedes? A senhora? A senhora? Por favor, acordem este senhor e perguntem seu nome.

- Senhor ... senhor ... o senhor se chama Florípedes Cardoso?

- Ahn! Ahn! Florí ... eu? Não, me chamo Desinho. Mas espera, acho que meu nome é este mesmo - Florípedes, é sou eu mesmo, mas meu nome mesmo é Desinho.

- Ok, senhor Desinho, pode entrar, disse a atendente.

- Sabe de uma coisa - para que eu preciso de médico? - perguntou à mocinha.

- Não sei ainda, porém o senhor agendou uma consulta, e agora é a sua vez de ser atendido.

- Tem que pagar?

- Não precisa pagar, agora entre no consultório, por favor.

- Bom dia senhor Florípedes.

- Bom dia, doutor, mas pode me chamar de Desinho, que é como o mundo me conhece.

- Muito bem, seu Desinho, sente-se e vamos iniciar a consulta.

- Prá que isto, doutor, que luxo é este de sentar para consultar? Antigamente o Dr. Floriano, só d'eu passar na porta, já falava o que tinha e do que precisava. Então não gasta este trabalho todo, não.

- Bem, seu Desinho, não conheci o Dr. Floriano, e acredito que perdi muito em não ter tido a oportunidade. Tem muito tempo isto?

- Nossa Senhora, eu era menino ainda, e naquela época ele já era famoso, além disto era um homem bom e justo.

- Qual a idade do senhor?

- 84 anos, doutor, graças a Deus.

- Que beleza, e sente alguma coisa, tem algum problema específico?

- Na verdade, tenho, doutor ... sabe, é a Belinha.

- Belinha? Quem é Belinha? A sua esposa?

- Não, minha esposa faleceu tem uns quinze anos, eu acho. Belinha é minha namorada.

- Que bom, seu Desinho, sua namorada. E ela tem a sua idade? Está com algum problema que a impediu de estar aqui hoje?

- Que é isto, doutor? Eu gosto é de filet mignon. Belinha tem 18 anos, completados semana passada.

- Dezoito anos? Interessante., e qual o problema, exatamente?

- Belinha está grávida e eu queria saber se depois de certa idade a gestação é mais curta.

- Mais curta? Como assim?

- Bem, doutor, eu apanhei ela ainda moça, de jeito que tem uns tres meses que desaflorou, e agora surgiu lá uma barriguinha, uns troços esquisitos, e a doutora falou que ela vai ter nenem daqui a dois meses. Daí fiz as contas e percebi que não batia com os prazos que vi da falecida.

- O senhor gosta dela?

- Apaixonadíssimo, doutor, apaixonadíssimo.

- Ela gosta do senhor?

- Doida comigo.

- Então vá e seja feliz, Desinho, pois a sua fé te salvou.

- Gente, agora eu vi que o senhor incorporou mesmo o Dr. Floriano. No fundo, no fundo ele nunca falhava, e agora o senhor fala como se fosse ele aqui, na minha frente. Só pode ser incorporação, doutor, só pode ser isto.

- Entendo, seu Desinho, deve ser isto mesmo ... entendo ...

É isto aí!