sábado, 18 de maio de 2019

Amanda Oleander Tela 18 (Instagram @amandaoleander)

Reprodução/ Instagram @amandaoleander

Fonte:
http://www.desafiomundial.com/br/desenhos-mostram-o-lado-obscuro-dos-relacionamentos/18/

A artista Amanda Oleander traduz o dia a dia de um casal, sem romantizar demais, em suas ilustrações. Nas suas redes sociais, ela mostra o “amor real”.

Tá dormindo?





Amanda Oleander Tela 19 (Instagram @amandaoleander)

Reprodução/ Instagram @amandaoleander

Fonte: http://www.desafiomundial.com/br/desenhos-mostram-o-lado-obscuro-dos-relacionamentos/19/

A artista Amanda Oleander traduz o dia a dia de um casal, sem romantizar demais, em suas ilustrações. Nas suas redes sociais, ela mostra o “amor real”.

Mas também tem o lado bom…



Amanda Oleander Tela 20 (Instagram @amandaoleander)

Reprodução/ Instagram @amandaoleander
Fonte:
http://www.desafiomundial.com/br/desenhos-mostram-o-lado-obscuro-dos-relacionamentos/20/

A artista Amanda Oleander traduz o dia a dia de um casal, sem romantizar demais, em suas ilustrações. Nas suas redes sociais, ela mostra o “amor real”.

Mais um momento gostoso





quinta-feira, 16 de maio de 2019

Acontecia sob seu olhar. (Paulo Abreu)


Há em versos tristes
ridículos, parvos
sentimentos e segredos 
eternamente imersos
no profundo universo
do brilho do seu olhar

Sinto muito, 
Sinto muita dor
até doerem os ossos;
não sei ser adverso
da dor que dói tão dolorida
pela ausência que há. 

Quando a mágoa 
enfim exausto disperso 
em comoção e frêmito
 a lágrima inenarrável,
expõe a tristeza que não
 acontecia sob seu olhar. 



É isto aí!

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Palestra - Convite

Sábado, 11 de Maio, 16 horas, na Comunidade Católica São Geraldo, Distrito Melo Viana, em Coronel Fabriciano - MG


Poesia em Banana-yby*...



Atenção para a chamada:

Educação Pública!
E-du-ca ção?!?!
Cadê a porra da educação?

Ejaculou-se professora,
caiu na privada.

Puta merda! Bem, vamos lá!

Água!
Água???
Cadê a merda da água?

Descarregou-se professora,
desceu na privada.

Puta que o pariu!!

Bem, continuando ... Pré-Sal!!!

Pré-Sal?!?!

Morreu, professora ...

Morreu??? Como assim, morreu?

De morte matada, professora...
derrubado na privada

Puta sacanagem ... Mas, quem é você?

Eu sou a terceirizada, professora,
a partir de amanhã assumo seu cargo.
agora tudo aqui é privada

É isto aí!

*Yby - terra em Tupi-guarani



terça-feira, 7 de maio de 2019

CNBB - PEC 06/2019: a retórica da reforma e a realidade da desigualdade social

Resultado de imagem para pobreza Cristo
Crédito: Luiz Caversan/Folhapress RIO DE JANEIRO, RJ, BRASIL, 07-02-1989: Carnaval 1989
CBJP (Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB)

PEC 06/2019: a retórica da reforma e a realidade da desigualdade social

“O Senhor ilumina os cegos, o Senhor levanta os abatidos, o Senhor ama os justos. O Senhor cuida dos migrantes, sustenta o órfão e a viúva, confunde o caminho dos ímpios” (Salmos, 146 8-9).

A iníqua proposta de reforma da Previdência feita pelo Governo Federal, em tramitação na Câmara dos Deputados, é contra os interesses dos segurados e benéfica para empresas e para o sistema financeiro.

Os elogios à proposta divulgados pelos meios de comunicação não são verdadeiros quando dizem que esta Reforma é necessária para o país sair da crise econômica e que sem ela o atual modelo de seguridade social vai quebrar em pouco tempo. Isto é uma falsidade para angariar o nosso apoio. A verdade é outra. A reforma correta de que a Previdência precisa é exatamente o contrário desta que estão propondo.

Esta reforma da Previdência tem que ser firmemente denunciada, pois é a mais injusta e a mais cruel tentativa de demolição dos direitos dos trabalhadores e segurados, garantidos na Constituição Federal. Se ela vier a ser aprovada, aqueles que hoje dependem do INSS e os que dele vierem a precisar amanhã, estarão sujeitos a se transformarem em indigentes, como já acontece em todos os países em que esta falsa reforma foi feita, como é o caso do Chile.

Ao contrário do que apregoam seus defensores, a proposta de emenda à Constituição nº 06/2019 “quebra” as contas públicas e aumenta as desigualdades. Quase todo o valor de 1 trilhão de reais, que segundo eles vai ser gerado, será retirado dos setores mais vulneráveis. Não apresentaram nenhum cálculo que comprovasse esta poupança, esconderam os estudos feitos.

A causa do chamado “déficit da previdência” é, na verdade, decorrente dos desvios dos recursos da DRU, “Desvinculação de Receitas da União” e das injustificáveis dispensas de pagamento dos impostos, “desonerações”, sem as devidas contrapartidas sociais e decorrem ainda das milionárias dívidas das empresas para com o INSS que não são devidamente cobradas.

Diferentemente do que insinuam, a Previdência Social, que nas últimas décadas tornou-se um potente instrumento de diminuição das desigualdades e motor da “economia social”, eis que fortalece as economias locais, como tem sido reconhecido em estudos e em depoimentos de prefeitos e governadores, principalmente dos municípios menos desenvolvidos.

A PEC 06/2019 cria, sem nenhum fundamento, regras perversas de transição, obriga os trabalhadores a contribuírem por muito mais tempo e, aqueles poucos que conseguirem se aposentar, receberão proventos menores do que os que hoje recebem. É uma verdadeira “quebra de contrato”.

As mulheres, os trabalhadores rurais, os idosos, os deficientes e os aposentados por invalidez serão penalizados pela malandragem de cálculos financeiros e pela esperteza contábil de tal reforma. Os homens e mulheres contribuintes deixam de ser pessoas e são transformados em números, servindo aos interesses do “mercado”, isto é, de uma economia desumana.

O Papa Francisco, ao refletir sobre a situação atual dos excluídos, principalmente idosos afirmou: “Em uma civilização em que não há lugar para os idosos ou são descartados porque criam problemas, esta sociedade leva consigo o vírus da morte”.

Assim como venderam a ilusão de que com a terceirização (lei nº13.429/2017), a aniquilação dos direitos trabalhistas, a PEC 95, os empregos, os salários e os investimentos privados voltariam, agora renovam as vãs promessas para aprovação desta reforma.

Ledo engano. O que se repete a cada crise é o contrário: a fortuna dos ricos aumenta, na mesma medida em que aumenta a pobreza dos pobres. Essa repudiável realidade é usada para se alegar que a suposta crise, artificialmente gerada, para ser vencida, exige de “todos” muitos sacrifícios. Mas todos sabemos que quem paga no final a conta, são os mais desvalidos. As melhorias prometidas não chegam nunca. De crise em crise, quem lucra são os insaciáveis interesses financeiros.

A Comissão Brasileira Justiça e Paz, organismo vinculado à CNBB, reunida em Sessão Ordinária nos dias 26 e 27 de abril cumpre seu dever de se colocar ao lado das forças sociais que defendem os interesses dos trabalhadores e segurados que resistem para impedir a retirada “dos pobres do orçamento e da Constituição”. Isto é a luta para impedir que se enfie o dinheiro dos impostos no bolso de poucos abastados.

A Seguridade Social é um direito do cidadão e um dever do Estado, um projeto de nação e não um negócio de compra e venda!

A histórica manifestação unitária das centrais sindicais de 1º de maio teve a nossa solidariedade e queremos compartilhar de novas iniciativas que almejem impedir o desmonte da Previdência pública como maior conquista do povo brasileiro.

Brasília, 06 de maio de 2019

Carlos Moura

Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB

terça-feira, 30 de abril de 2019

Beth Carvalho, eu te amo

Eu sou apaixonado pela Portela - culpa da Beth Carvalho
Eu sou apaixonado pelo samba - culpa da Beth Carvalho
Eu sou apaixonado pela liberdade - culpa da Beth Carvalho

Na verdade, eu amo a Beth Carvalho. Elizabeth Santos Leal de Carvalho nasceu no dia 5 de maio de 1946, no Rio de Janeiro. Filha de João Francisco Leal de Carvalho e Maria Nair Santos Leal, foi incentivada a gostar de música desde a infância e cresceu ouvindo as canções de Sílvio Caldas, Elizeth Cardoso e Aracy de Almeida, grandes amigos de seu pai. Influenciada por todo esse ambiente, Beth começou a cantar nas festinhas e reuniões musicais dos anos 60.

Em 1964, seu pai foi cassado pelo golpe militar e para ajudar sua família nesse momento difícil, Beth começou a dar aulas de violão para 40 alunos. No ano seguinte, gravou seu primeiro compacto simples, com a canção “Por Quem Morreu de Amor”, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli. Em 1966, já inserida no mundo do samba, participou do show “A Hora e a Vez do Samba”, ao lado de Nelson Sargento e Noca da Portela.

De toda a obra, ainda me encanta, Beth, hoje, que você encontrou Noel Rosa no céu e muitos outros bambas do samba, é Folhas Secas.

Até um dia, Beth - eu te amo.



Compositores: GUILHERME DE BRITO / NELSON CAVAQUINHO

Quando eu piso em folhas secas
Caídas de uma mangueira
Penso na minha escola
E nos poetas da minha estação primeira
Não sei quantas vezes
Subi o morro cantando
Sempre o sol me queimando
E assim vou me acabando
Quando o tempo avisar
Que eu não posso mais cantar
Sei que vou sentir saudade
Ao lado do meu violão
E da minha mocidade
Quando eu piso em folhas secas
Caídas de uma mangueira
Penso na minha escola
E nos poetas da minha estação primeira
Não sei  quantas vezes
Subi o morro cantando
Sempre o sol me queimando
E assim vou me acabando
E assim vou me acabando

É isto aí, Beth!

A dor de Brumadinho é a dor de Minas

FONTE: Jornal O TEMPO  

Por NATÁLIA OLIVEIRA | SIGA PELO TWITTER @OTEMPO 30/04/19 - 11h06

   Foto: Movimento Atingidos pela Vale

Placas com os nomes das vítimas de Brumadinho são colocadas na sede da Vale. O protesto acontece no dia em que a Vale realiza a sua primeira Assembleia de Acionistas após a tragédia

A sede da Vale em Botafogo, no Rio de Janeiro, amanheceu, nesta terça-feira (30), com 270 placas em suas escadas com os nomes de cada uma das vítimas do rompimento da barragem I da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte.

O protesto foi feito pela Articulação de Atingidos e Atingidas pela Vale e acontece no dia em que a Vale realiza a sua primeira Assembleia de Acionistas após a tragédia. Nas placas estão escritos os nomes dos 233 mortos identificados e das 37 pessoas que ainda estão desaparecidas. Há ainda uma placa com o escrito "Vale assassina".

"A iniciativa procura impedir que a dor das centenas de famílias mais duramente afetadas caia no esquecimento, e cobrar um posicionamento efetivo daqueles que de fato podem atuar sobre a conduta da empresa: os acionistas", informou o movimento.

Acionistas críticos que fazem parte da Articulação de Atingidos e Atingidas pela Vale "irão pedir a rejeição do Relatório de Administração referente às atividades da empresa no último período, além de exigir a paralisação integral das atividades da mineradora e a destituição completa de sua diretoria. Tais medidas, segundo os acionistas, são necessárias frente à situação de completa indeterminação do risco inerente às atividades da Vale", considerou o movimento.

A articulação ressalta que só em Minas Gerais são 17 barragens da mineradora e que cerca de mil pessoas tiveram que deixar suas casas por causa do risco nas barragens da empresa.

Drone sobrevoa USIMINAS - Ipatinga/MG (Fantástico)

domingo, 28 de abril de 2019

Defenestração (Luis Fernando Verissimo)

Alto lá!
Confesso que copiei e colei esta crônica
Autor - Luiz Fernando Veríssimo
Fonte - O Analista de Bagé. 6ª ed. Porto Alegre.
Editora - L&PM ed. 1981. p. 29-31

Defenestration of Prague.

Certas palavras tem o significado errado. Falácia, por exemplo, devia ser o nome de alguma coisa vagamente vegetal. As pessoas deveriam criar falácias em todas as suas variedades. A falácia Amazônica . A misteriosa falácia Negra.

     Hermeneutas deveria ser o membro de uma seita de andarilhos herméticos. Onde eles chegassem, tudo se complicaria.

     -Os hermeneutas estão chegando!

     -Olha, agora é que ninguém vai entender mais nada...

     Os hermeneutas ocupariam a cidade e paralisariam todas as atividades produtivas com seus enigmas e frases ambíguas. Ao se retirarem deixariam a população prostrada pela confusão. Levaria semanas até que as coisa recuperassem o seu sentido óbvio. Antes disso, tudo pareceria ter um sentido oculto.

     -Alô...
     - O que é que você quer dizer com isso?...

     Traquinagem devia ser uma peça mecânica.
     - Vamos ter que trocar a traquinagem. E o vetor está gasto.

     Plúmbeo devia ser o barulho que o corpo faz ao cair na água

     Mas nenhuma palavra me fascinava tanto quanto defenestração.

     A princípio foi o fascínio da ignorância. Eu não sabia o seu significado, nunca me lembrava de procurar no dicionário e imaginava coisas. Defenestrar devia ser um ato exótico praticado por poucas pessoas. Tinha até um som lúbrico. Galanteadores de calçada deviam sussurrar no ouvido das mulheres:
     -Defenestras?

     A resposta seria um tapa na cara. Mas algumas...Ah, algumas defenestravam.
     Também podia ser algo contra pragas e insetos. As pessoas talvez mandassem defenestrar a casa. Haveria assim defenestradores profissionais.
     Ou quem sabe seria uma daquelas misteriosas palavras que encerravam os documentos formais? "Nestes termos, pede defenestração..." Era uma palavra cheia de implicações. Devo tê-la usado uma ou outra vez, como em:
     -Aquele é um defenestrado.
     Dando a entender que era uma pessoa, assim, como dizer? Defenestrada. Mesmo errada era a palavra exata.

     Um dia finalmente procurei no dicionário. E aí está o Aurelião que não me deixa mentir. "Defenestração" vem do francês defenestration. Substantivo feminino, ato de atirar alguém ou algo pela janela.

Acabou a minha ignorância mas não a minha fascinação. Um ato como este só tem nome próprio e lugar nos dicionários por alguma razão muito forte. Afinal,não existe, que eu saiba, nenhuma palavra para o ato de atirar alguém ou algo pela porta, ou escada abaixo. Por que, então, defenestração?

     Talvez fosse um hábito francês que caiu em desuso. Como rapé. Um vício como o tabagismo ou as drogas, suprimido a tempo.

     -Les defenestrations. Devem ser proibidas.

     -Sim, monsieur le ministre.

     -São um escândalo nacional. Ainda mais agora, com os novos prédios.

     -Sim, monsieur le ministre.

     -Com prédios de três, quatro andares, ainda era admissível. Até divertido. Mas daí para cima vira crime. Todas as janelas do quarto andar para cima devem ter um cartaz: interdit de defenestrer. Os transgressores serão multados.. Os reincidentes serão presos.

     Na bastilha, o Marquês de Sade deve ter convivido com notórios defenestreurs. E a compulsão, mesmo suprimida, talvez persista no homem, como persiste na sua linguagem. O mundo pode estar cheio de defenestradores latentes.

É isto aí!


Anoushka Shankar - Lasya

sábado, 27 de abril de 2019

Os amantes

Rachell luz feat. Zeca Baleiro - Flor da Pele (Zeca Baleiro)

Ando tão a flor da pele
Que qualquer beijo de novela me faz chorar
Ando tão a flor da pele
Que teu olhar flor na janela me faz morrer
Ando tão a flor da pele
Que meu desejo se confunde com a vontade de não ser
Ando tão a flor da pele
Que a minha pele tem o fogo do juízo final
Um barco sem porto
Sem rumo sem vela
Cavalo sem cela
Um bicho solto um cão sem dono
um menino um bandido
Ás vezes me preservo
Noutras suicido
óh, sim... eu estou tão cansado
Mais não pra dizer
Que eu não acredito mais em você
(oh, minha haney baby)
Que eu não acredito mais em você
Eu não preciso... de muito dinheiro
Graças á Deus, mais eu vou tomar
Aquele velho navio
...aquele velho navio...
Um barco sem porto
Sem rumo sem vela
Cavalo sem cela
Um bicho solto um cão sem dono
um menino um bandido
Ás vezes me preservo
Noutras suicido...

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Carta sobre o dia que eu queria me devolver para você.



Planeta Terra, 25 de abril de 2019

Tem dia que sinto a sua falta. Tem dia que sinto muito a sua falta. Hoje mesmo quis pular umas etapas da memória e ir direto ao seu encontro. Dói, não é? Dói prá caramba. Não tenho mais seu telefone, perdi o contato com seus olhos. Sabe, ainda sei a data do seu aniversário, isto mesmo, eu sei o dia que comemoro sozinho o  seu nascimento.

Tem dia que sinto ausência. É uma ausência tão dolorida, tão ruim, toda ausência é criminosa. Nestes dias eu choro. Não é a sua falta, a saudade, é você não estar preenchendo este imenso vazio que habita minha vida. Deveriam existir regras claras para ausências. Se eu olho e você não está, não está e pronto, mas fica muito ruim ... muito ruim.

Hoje eu fiquei feliz, queria te contar como fiquei feliz, queria ver seus olhos sorrindo, em festa, olhando meus olhos felizes e eu sei que seria assim. Eu sei, a merda toda é esta. Eu sei! Mas você, claro, não estava, eu errei, você errou, eu errei de novo e pronto, perdi você e ganhei o prêmio de ser e estar triste em presídio de segurança máxima..

Amanhã eu vou ficar triste, já sei disto. Depois de amanhã vou ficar triste também. Tudo por que hoje tive este lúmen de felicidade, mas não era felicidade, não era você, não era pra te contar isto. Não era. Não era. Não, não era. Na verdade, e seja lá o que for a verdade, que mundo maluco é este? Como pude ser tão capaz de chegar  até aqui?

Como sabe, eu amo sua boca falando palavras proparoxítonas, articulando músculos, ligamentos, movendo os lábios, seus lábios, tão bonitos são seus lábios. Como sabe, eu amo seus olhos, o sorriso deles, a alegria reluzente deles. Um dia eu queria te encontrar, já sei que você vai brigar comigo, não ligo, um dia eu queria me devolver para você.  

Desculpe, não sei escrever cartas, não sei falar sem ter você no conteúdo. Não sei, não sei, não sei mesmo. Ontem quase que, gente, que doideira, ontem eu arquitetei um plano de fuga para te ver. Sabe, ainda tenho aquele retrato do seu rosto triste sob uma arco de flores, seu olhar está triste, vago, despido de alegria. Seu olhar não estava naquela órbita terrestre. Então é isto.

É isto aí!

terça-feira, 23 de abril de 2019

Os deboches de seu sósia


Uma análise do conto William Wilson de Edgar Allan Poe
Fonte: UFRGS

Em seu conto “William Wilson”, Edgar Allan Poe conta-nos a história de um rapaz que encontra, logo no primeiro dia de escola, um colega com o mesmo nome que o seu. Mas as semelhanças não se limitam ao nome, em tudo eles são iguais: na forma de agir, na forma de andar, na forma de falar e de se vestir, sendo a única diferença palpável (ou, mais corretamente, indicada pelo narrador) a voz deste duplo, que era sempre sussurrada.

No princípio da história, o narrador e seu doppelganger eram apenas colegas de escola, que se detestavam levemente por serem tão parecidos. Interessantemente, a coisa que mais causava asco e desprezo do narrador pelo seu sósia era a maneira protetora com que ele o tratava. O duplo sempre dava conselhos para o narrador, que os desprezava, mas que admite que, se tivesse os seguido, não teria caído na desgraça que caiu. Após concluir o ensino fundamental, o narrador entra em uma espiral de decadência moral e espiritual, envolvendo-se em orgias, traições e jogos de azar, enredando-se cada vez mais neste mundo sombrio. Porém, certa vez, quando iria tirar todo o dinheiro de um colega de universidade num jogo de cartas, um certo estranho, que se vestia da mesma maneira que o narrador, interveio, e denunciou o golpe armado por este. Depois disto, o narrador fugiu da Inglaterra para o continente europeu, e toda vez que iria praticar um crime ou atentado à ética, seu sósia apareceria e o entregaria.

É interessante notar que, desde os tempos de escola, o narrador falava sobre sua relação competitiva com seu duplo, e como ele estava sempre na defensiva, temendo ser subjugado por este, mas nunca falou de forma direta sobre a relação deste outro William Wilson com os outros colegas. Ele apenas diz que ele era o segundo na hierarquia estudantil, atrás apenas do outro Wilson, mas nunca disse se isto era um “consenso” entre todos os estudantes ou se assim ele acreditava que fosse.

Apenas o narrador notava os deboches de seu sósia – a eterna imitação de suas maneiras – e apesar de ser grato por isto, sempre achou curioso como isto poderia acontecer. O narrador também odiava a forma aparentemente “superior” que seu duplo se comportava. Entretanto, no fim da história, quando Wilson consegue assassinar Wilson, e vê no lugar do corpo do rival, por breves instantes, um espelho refletindo sua face ensangüentada, fica claro que nunca existiu outro William Wilson: era ele, e sempre fora ele. Quando, ainda na escola, ele se dirige ao quarto de seu rival, ele percebe que não era o seu “irmão gêmeo perdido”, mas um garoto sem importância. Pensa que se iludira, mas não percebe que a sua ilusão não se restringia ao engano de quarto. Podemos imaginar que este duplo sussurrante fosse uma compensação para a fraqueza do supereu do personagem principal, anunciada logo nos primeiros parágrafos. Como forma de proteger-se, fantasiava que era denunciado por outrem quando na verdade ele próprio deveria denunciar-se, provavelmente de maneira inconsciente. No final da história, o narrador consegue assassinar seu implacável perseguidor, que estava sempre dentro de si, mas acaba com isso matando uma importante parte de si mesmo. Paradoxalmente, a partir deste momento é que ele se torna capaz de sentir culpa pelo que fez, pois talvez este seu supereu projetado não tenha morrido, mas se internalizado quando de sua “morte” externa.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

O som do espaço

Pesquisadores russos compartilham 'música' de pulsares Esse fenômeno forma um "som" criado no espaço


sábado, 20 de abril de 2019

Casa-da-mãe-Joana


Joana I, Rainha de Nápoles
Quando escuto rebuliços no longínquo reino das fadas pudicas, em Além trás-os-montes, chego a imaginar o murmúrio de moças viçosas, de origem peculiar, laureadas pela pompa de títulos demonstrados por tampinhas brilhantes estampadas no colo farto a deleitar a ternura de um astro estelar convulsionado e resplandecente.

Enquanto navego pela estrela esmaecida, em gozo pleno pelos seios fartos das moças de tampinhas no busto, passa na mente, num átimo, a possibilidade de, em nome da lei, da ética, da moral, dos bons costumes e da família,  existirem plêiades de  sicários  diluídos por entre vales, planícies e grotas do reino das fadas pudicas,  utilizando a "sica" para atacar romanos, arianos, godos, visigodos, tupys, tupynambás, bantos, celtas e demais simpatizantes de qualquer causa que não seja a sua.

Num cenário tão promissor como este, num dos meus delírios matinais, chego a contemplar que é até possível e compreensível, baseado num movimento globerg (um neo-movimento do mundo Matrix), que argutos déspotas supostamente esclarecidos, postos onde podem ser depostos, bafejem suas argutas temáticas pro-cinestéticas ou prostáticas, para uma platéia em êxtase pela disfunção ejaculatória do líder.

São nestes momentos de ternura e gratidão que inevitavelmente lembro de Joana I, a Rainha de Nápoles. É ela a causa justa do termo casa-da-mãe-joana. 

Casa-da-mãe-Joana

É um lugar em que todo mundo manda e faz o que bem entende.

O rei francês, de 1285 a 1314, Felipe IV, o Belo, resolveu comprar uma briga feia: 

Cobrar impostos sobre os bens da Igreja. 

A discussão foi tão séria que em 1303 o papa Bonifácio VII excomungou Felipe, que, em represália e por não ser tão belo assim, mandou que um de seus nobres, Guilherme de Nogaret, invadisse a Itália e prendesse o papa. 

Uma vez detido, Bonifácio VIII morreu na prisão e foi sucedido pelo Bento IX. Logo, logo, em 1305 assumia um novo papa, Clemente V, que, seguindo um gentil conselho de Felipe, transferiu a sede do papado, de Roma para a cidade provençal de Avignon.

Avignon foi residência de 7 papas, de 1309 a 1378, mas no início não era só dos papas, pertencia a uma napolitana, Joana I, rainha de Nápoles.

Linda e inteligente, Joana era mecenas de poetas e intelectuais. Ela se casou com o primo, Andrew, irmão de Luís I, da Hungria. Andrew foi assassinado numa conspiração que, dizem as más línguas, teve participação da própria esposa.

Furibundo, Luís invadiu Nápoles em 1348, obrigando Joana a se refugiar em Avignon. No mesmo ano, ela vendeu a cidade a Clemente V, com a condição de ser declarada inocente de sua participação na morte do ex-marido. Joana foi assassinada por seu sobrinho e herdeiro, Carlos de Anjou em 1382.

Enquanto ainda mandava e desmandava em Avignon, Joana resolveu regulamentar os bordéis da cidade. Uma de suas medidas foi estabelecer que todo bordel deveria ter uma porta por onde todos entrariam. Assim, cada prostíbulo ficou conhecido como “o paço da mãe” (a dona da cidade) Joana”, com o sentido de uma casa que está aberta a qualquer um.

A expressão viajou até Portugal e veio para o Brasil, onde a palavra paço, de uso pouco popular, foi logo substituída por casa.

Obs.:

As informações históricas sobre Joana e sua história foi extraída no livro “A casa da Mãe Joana – Curiosidades nas origens das palavras, frases e marcas”. A obra é de Reinaldo Pimenta e foi publicada pela Campus Editora.