segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Motivo para se estar vivo! (Marjorie Dawe)


 Marjorie Dawe 27 Julho 2001

Motivo para se estar vivo!

Você conheceu pessoas que morreram jovens, 
que se foram drasticamente, 
Saiba que eles jamais pensaram neste triste dia 
como sendo algo para a juventude. 

Estão todos passeando no mundo 
e a estrada de alguns é bem curta. 
Outras mais longas, 
outras pedregosas e difíceis.

Todas acabam com uma cancela fechada 
e aí é o fim. Nenhum minuto a mais 
nenhum minuto a menos. 

Da maneira que estiver 
na hora que fechou os olhos, 
assim permanecerá para sempre. 

A maneira que seu coração estiver,
se é cheio de paz 
você viverá cheio de paz 
a eternidade inteira

Se estiver cheio de ódio, 
e de vingança 
e de raiva e de competição, 
vai ser isto a eternidade inteira.

Se o seu interior estiver escuro, 
sombrio e cheio de trevas 
permanecerá em profundos abismos 
por toda a eternidade.

Saiba que a cancela pode baixar a qualquer segundo, 
está em paz com a sua consciência?.
Em paz com o mundo. Em paz dentro de casa 
e em paz com Deus, vosso pai e amigo?

Todo serão recepcionados 
quando a estrada for interrompida. 
Muitos por Deus 
e milhares por satanás.

O que espero com desespero 
é que muitos se conscientizem 
da missão que possuem 
durante esta caminhada. 

Qual é a sua missão? 
Somente olhar borboletas faceiras, 
coloridas e atraentes 
não é bom motivo para se estar vivo. 

Então, atenção 
- coisas importantes o aguardam, 
esteja pronto para realizar algo 
valioso contra o mal do mundo.

Olha para o Céu! (Marjorie Dawe)


Olha para o Céu! (Marjorie Dawe)

Queira ser alguém 
que não tem medo 
de enfrentar os inimigos, 
principalmente os mais próximos... 

Queira ser algo 
que deixe uma sensação perturbadora, 
já que possui a nobreza 
impregnada em tua alma, 

Apesar de conviver 
num mundo vil e pecador
Não queira estar na berlinda, 

Porém se estiver, 
receba as provocações 
com extrema serenidade, 

Saiba que os ataques 
vêm das profundezas para te atingir... 
Olha para o Céu!... 

Deixa que este fogo queime 
o corpo exterior, 
permanecendo tua alma intacta.

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Há o brilho do seu olhar! (Paulo Abreu)




Se detivesse um lúmen
que perpassa pela matéria escura
e outras constantes cosmológicas

Se concentrasse num fecho 
a energia cósmica indefinida,
desespiralizada e incandescente

Se desvendasse uma estrela, 
que navega pelo universo 
Com seu arco de luz,

Nem assim, nem mesmo assim
explicaria o que chega dos seus olhos
quando meus olhos captam sua essência.

É isto ai!





Guardo em Mim (Paulinho Moska e Teresa Cristina)

Guardo em mim
Muitas canções
Muitas histórias

Tristes finais
Começos sensacionais
Segredos que a vida traz

Guardo em mim
Paixões divinais
E desilusões cruéis

Já inverti os papéis
Na procura da razão
Na fuga da solidão
No amor de qualquer par

Já fui ao fundo do poço
Sem tropeçar no caminho
Eu já beijei uma rosa
Sem me importar com o espinho

Se sofri, se chorei
Da minha dor, só eu sei
Se foi bom ou ruim
O que passou, eu guardo em mim

Compositores: Eduardo Lyra Krieger / Teresa Cristina Macedo Gomes




A carioca Teresa Cristina foi coroada -A Rainha das Lives- durante a quarentena, com suas lives diárias e uma grande variedade de convidados. Carismática, com uma voz deliciosa e um repertório imenso, Teresa já gravou mais de dez discos, entre homenagens aos mestres Candeia, Cartola, Noel Rosa e Paulinho da Viola. Mas ela também é compositora das boas e eu adoro esse nosso dueto em “Guardo em Mim”, parceria dela com o incrível Edu Krieger.” (Paulinho Moska)

Direção: Pablo Casacuberta
Gravação e mixagem de audio: Nilo Romero

Os áudios da série foram extraídos das gravações de “Zoombido", programa que foi apresentado por Paulinho Moska no Canal Brasil. 

Parceria da MP ENTRETENIMENTO com o Canal Brasil e distribuição digital da ONErpm.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Pensando em você ( Paulinho Moska)


Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Pensar em te esquecer
Pois quando penso em você
É quando não me sinto só

Com minhas letras e canções
Com o perfume das manhãs
Com a chuva dos verões
Com o desenho das maçãs
Com você me sinto bem

Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Te esquecer

Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Te esquecer

Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Pensar em te esquecer
Pois quando penso em você
É quando não me sinto só

Com minhas letras e canções
Com o perfume das manhãs
Com a chuva dos verões
Com o desenho das maçãs
Com você me sinto bem

Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Te esquecer

Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Te esquecer

Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Te esquecer

Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Te esquecer

Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Te esquecer
Pensando em você, pensando em você
Pensando em você, pensando em você



Fonte - 84Cardoso Youtube

Milagres, abduções e fatos inusitados



 João sentiu-se tocado por um anjo assim que saiu à rua. Viu um flash de luz, um clarão e não se lembra de mais nada. Acordou dias depois na UTI do hospital, com fortes queimaduras pelo corpo. As línguas ferinas, os invejosos e os falaciosos comentaram à época que supostamente foi atingido por um raio, mas jurou por anos ter sido um encontro celestial. João faturou milhões em monetização nas redes sociais, contando sua experiência com os céus.

Antônia tinha acabado de ter uma severa discussão com seu marido, o Nogueira, e saiu sem rumo quando subitamente sentiu-se abduzida por um Disco Voador, que tornaria a repetir o processo por quatro meses seguidos. Dentro da espaçonave teve contatos extraterrestres de quarto grau com um ser luminescente, que a levava a sofrer doze vezes orgasmos consecutivos e intensos, de um tipo inimaginável no planeta Terra. A história, que lhe rendeu monetização milionária nas redes sociais, permitiu que mudasse de patamar da periferia para semi-centro, levando junto o Nogueira. Saiu do transe oito meses depois da ultima abdução, com o parto normal de Dudu. As línguas ferinas, os invejosos e os falaciosos comentaram à época que supostamente Dudu era incrivelmente parecido com Nestorzinho do armazém, mas jurou eternamente o contato inter-galáctico, sempre confirmado pelo Nogueira.

Juca Triste sentiu-se ressuscitado a ponto de sair de dentro da caverna onde estava, atendendo num chamado do Senhor, quando já se encontrava no Hades pareado, digamos assim, com Teresinha, seu amor da juventude. Acordou ainda envolto em panos, numa maca fria de um pronto-socorro de poucos recursos, onde uma técnica de enfermagem trocava seus curativos espalhados pelo corpo todo. Ao seu lado, Teresinha, tão machucada quanto. Jurou o resto da vida que aquilo tudo foi milagre divino.  As línguas ferinas, os invejosos e os falaciosos comentaram à época que supostamente sua esposa os flagrou numa barraca, acampados na lagoa e incendiou a área. Juca Triste e Teresinha sempre negaram, esta história e foram convidados para vários eventos religiosos, onde ganhavam cachês gordos, além dos milhões com a monetização nas redes sociais. 

Cresolina Guil sentiu-se iluminada pelo inexplicável quando tocou na franja da túnica do homem que passava em tumulto num baile de carnaval na pequena e pacata Santa Ultima dos Moicanos. Naquele momento seu corpo tremeu de tal maneira que sentiu-se penetrada por um grande poder etéreo. Tímida, recatada e do lar, de posse da manifestação de cura procurou por algum médico para conseguir a constatação de que um milagre a voltara à vida normal, depois de anos de hemorragia uterina e cólica terríveis.  As línguas ferinas, os invejosos e os falaciosos comentaram à época que supostamente Cresolina nascera naturalmente sem útero, mas a moça, vencendo a timidez, faturou milhões em monetização, palestras motivacionais e entretenimentos sociais, narrando sempre a  sua dramática história.

Zequinha Abrantes é fanho, manco, gago, 80% surdo, tem 60% de acuidade visual e não tem olfato. Nasceu no meio do mato, de mãe desconhecida, foi deixado na porta da casa de Dona Jamelinha que o acolheu e criou. Trabalhou desde criança na roça, serviço bruto, fez escola pública até atingir a maioridade, foi trabalhar com serviço braçal na cidade, casou-se com Maria F, tiveram três filhas, abriu um escritório de representação, depois uma quitanda, depois um bar, depois um churrasquinho na praça, depois um algodão doce, faliu muitas vezes. Nunca parou em emprego no intervalo entre suas empresas pois julgava ter o verdadeiro espírito empreendedor. Tem a convicção de que fala três línguas (ininteligíveis) que acredita serem inglês, francês e alemão. Também acredita que toca Oboé e Acordeon,  e por incrível que pareça, até hoje sua página nas redes sociais contando a sua história de sucesso e superação tem entre 3 a 5 acessos por mês.  As línguas ferinas, os invejosos e os falaciosos nunca comentaram sobre Zequinha Abrantes... 

É isto aí!

 


O caminho! (Paulo Abreu)





Quando começou a andar, 
não sabia exatamente 
onde ficava o sul ou o leste. 
Pensava que já eram o bastante
os acadêmicos processos randômicos 
que cabiam dentro de si, 

De maneira que ignorava
que havia a necessidade 
de coisas e mais coisas adentrarem na alma. 
Não percebia andar sem destino, 
dia a dia, vagando a esmo, 
sem a certeza do que encontrar.

Perdia-se entre os fundamentos teóricos 
que sustentam as estrelas, 
giram a Terra e semeiam os solstícios; 
Quando saiu do solo
e os pés tocaram a água,
adentrou num barco e içou as velas

Desta forma navegou pelo éter, 
estranho, místico, lindo,
livre, deserto, seguro.
Mergulhou profundamente 
nas palavras escritas no mister 
dos sábios, profetas e filósofos.

É isto aí!






Quando vier a primavera (Fernando Pessoa)

“Poemas Inconjuntos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993).

1ª publ. in “Poemas Inconjuntos”. In Athena, nº 5. Lisboa: Fev. 1925.


Quando vier a Primavera,

Se eu já estiver morto,

As flores florirão da mesma maneira

E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.

A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme

Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria

E a Primavera era depois de amanhã,

Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.

Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?

Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;

E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.

Por isso, se morrer agora, morro contente,

Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.

Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.

Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.

O que for, quando for, é que será o que é.



Fonte Youtube  
Nina Oliveira e Rubel no Elefante Sessions
Imagens, direção e edição: Rodolfo Rodrigues
Audio: Eduardo Elali

Quer tocar no Elefante Sessions? entre em contato pelo email


Cicatrizes (Miltinho/Paulo César Pinheiro)

Amor que nunca cicatriza
Ao menos ameniza a dor
Que a vida não amenizou
Que a vida a dor domina
Arrasa e arruína
Depois passa por cima a dor
Em busca de outro amor

Acho que estou
Pedindo uma coisa normal
Felicidade é um bem natural
Uma, qualquer uma
Que pelo menos dure enquanto é carnaval
Apenas uma, qualquer uma
Não faça bem mas que também não faça mal

Meu coração precisa
Ao menos amenizar a dor
Que a vida não amenizou
Que a vida a dor domina
Arrasa e arruína
Depois passa por cima a dor
Em busca de outro amor.


Fonte do Vídeo - Youtube 
Música    Cicatrizes (Live from Teatro SESC Vila Mariana, São Paulo, Brazil/2006)
Artista     MPB4, Roberta Sá
Licenciado para o YouTube  por:
UMG (em nome de EMI Music Brasil Ltda); UNIAO BRASILEIRA DE EDITORAS DE MUSICA - UBEM, PEDL, LatinAutorPerf, LatinAutor - Warner Chappell, Warner Chappell e 3 associações de direitos musicais






terça-feira, 24 de novembro de 2020

Você me enlouquece! (Paulo Abreu)




Sabe quando falta ar
as palavras fogem
os olhos fecham
e o corpo trava?

Sabe se quando amar
ou desamar alguém
dói do mesmo jeito
e com a mesma intensidade?

Sabe dançar lentamente
uma música frenética
sem passo ou descompasso
sobre cacos de um amor?

O que mais você sabe?
Então me conta tudo
ensina desde o princípio.
Você me enlouquece!

É isto aí!

Sou feita de retalhos (Cris Pizzimenti)

 



Hoje teremos dois ALTO LÁ!
Alto lá 1 - Óbvio - Este poema não é meu
Alto lá 2 - Autora - este poema não é da Cora Coralina como circula nas redes sociais

Autora: Cris Pizzimenti
Fonte: Facebook página da autora - poema publicado em 2013


Sou feita de retalhos.

Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma.

Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou.

Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior...

Em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho, uma saudade...

Que me tornam mais pessoa, mais humana, mais completa.

E penso que é assim mesmo que a vida se faz: de pedaços de outras gentes que vão se

tornando parte da gente também.

E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados...

Haverá sempre um retalho novo para adicionar à alma.

Portanto, obrigada a cada um de vocês, que fazem parte da minha vida e que me permitem

engrandecer minha história com os retalhos deixados em mim. Que eu também possa deixar

pedacinhos de mim pelos caminhos e que eles possam ser parte das suas histórias.

E que assim, de retalho em retalho, possamos nos tornar, um dia, um imenso bordado de

"nós".

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Aguardar o momento certo para o acontecimento certo (Marjorie Dawe)




Aguardar o momento certo para o acontecimento certo (Marjorie Dawe)

Crises de fé são intermináveis, 
uma vez que existe o conflito 
entre o que determina o ego 
e o que espera o Plano Maior de Deus 
para aquela alma!... 

São distâncias incalculáveis!... 
Abismos quase intransponíveis 
diante da diversidade de opções, 
apelos e a ânsia por bens perecíveis, 
descartáveis e danosos... 

O abismo entre Deus e os homens 
muitas vezes é mortal, já que a alma acaba sugada 
por forças que a atraem com insistência. 
A tentação do abismo suga os filhos do Altíssimo 
com absoluta sofreguidão. 

E como agir diante das ameaças? 
Moldando nosso coração 
num coração dócil e bom, 
que concorda em diminuir o ritmo, 
desacelerar-se da voracidade da vida.
 
Deve-se pacientemente 
aguardar as instruções 
que nos farão atravessar 
os desafiadores perigos em segurança. 
Não é fácil ter que sentar e esperar!!... 

Nada pode ser mais humilhante 
do que ter que assumir uma postura 
de dependente perante os demais!... 
Dependente de Deus! 
Dependente da Sua Boa Vontade!... 
Ou seja, aguardar o momento certo 
para o acontecimento certo....

Obedecendo às Vozes do coração! (Marjorie Dawe)



Obedecendo às Vozes do coração! (Marjorie Dawe)

Nem tudo que imaginamos ser erro 
pode ser considerado como tal. 
Diríamos que são aprimoramentos 
necessários para trilharmos uma longa
e penosa caminhada individual, 
até sermos reunidos 
sob uma Única Orientação! 

Diversas são as características 
de um coração atento no evoluir 
de suas qualidades e virtudes. 
Sentir-se falho e inseguro, 
com certeza faz parte 
de um crescimento interior, 
que naturalmente machuca e causa dor!... 

É a constatação de que nem tudo 
seremos capazes de assimilar, 
apesar das Luzes que se derramam 
em nossas mentes. 
A fé será sempre 
o elemento fundamental 
na perseverança rumo à Santidade almejada!... 

Não deseje a perfeição; 
mas o trilhar na sua estrada!!... 
Se a intenção é reta 
e mesmo assim existem pequenas falhas, 
o que importa é o saber-se limitado, 
mas determinado a prosseguir fielmente 
obedecendo às Vozes do coração!...

Professora de Português dando aula





Alto lá
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei

Vamos conversar com a tia. Não sou homofóbica, transfóbica, gordofóbica. Eu sou professora de português.

Eu estava explicando um conceito de português e fui chamada de desrespeitosa por isso (ué).

Eu estava explicando por que não faz diferença nenhuma mudar a vogal temática de substantivos e adjetivos pra ser "neutre".

Em português, a vogal temática na maioria das vezes não define gênero. Gênero é definido pelo artigo que acompanha a palavra. Vou mostrar pra vocês: 

O motorista. Termina em A e não é feminino.

O poeta. Termina em A e não é feminino.

A ação, depressão, impressão, ficção. Todas as palavras que terminam em ção são femininas, embora terminem com O.

Boa parte dos adjetivos da língua portuguesa podem ser tanto masculinos quanto femininos, independentemente da letra final: feliz, triste, alerta, inteligente, emocionante, livre, doente, especial, agradável, etc.

Terminar uma palavra com E não faz com que ela seja neutra.

A alface. Termina em E e é feminino.

O elefante. Termina em E e é masculino.

Como o gênero em português é determinado muito mais pelos artigos do que pelas vogais temáticas, se vocês querem uma língua neutra, precisam criar um artigo neutro, não encher um texto de X, @ e E.

E mesmo que fosse o caso, o português não aceita gênero neutro. Vocês teriam que mudar um idioma inteiro pra combater o "preconceito".

Meu conselho é: ao invés de insistir tanto na coisa do gênero, entendam de uma vez por todas que gênero não existe, é uma coisa socialmente construída. O que existe é sexo.

Entendam, em segundo lugar, que gênero linguístico, gênero literário, gênero musical, são coisas totalmente diferentes de "gênero". Não faz absolutamente diferença nenhuma mudar gêneros de palavras. Isso não torna o mundo mais acolhedor.

E entendam em terceiro lugar que vocês podiam tirar o dedo da tela e parar de falar abobrinha, e se engajar em algo que realmente fizesse a diferença ao invés de ficar arrumando pano pra manga pra discutir coisas sem sentido.

sábado, 21 de novembro de 2020

Geraldinho e o sexo-covid




Escrever não é tão difícil quanto cantar, filosofou do sofá velho e desbotado, diante de uma cena de amor romântico passando num canal aberto numa sessão de chuva-covid. Tudo agora fazia sentido. Emprego-covid; vestuário-covid; banhodesol-covid; sexo-covid ... opa, então é isto. Sexo-covid, este sim veio para ficar, completou o pensamento.

- Geraldinho, vem aqui, faz favor, escutou gritar em uma característica voz estridente, destas que saem num megafone, a sua cara-metade. 

- Espera aí consciência - cara-metade o caralho, cara-covid. Mas que mulherzinha chata, putaqueopariu-covid. 

- Geraldinhoôôôôô, vem cá, porra, seu merda, estou chamando desde ontem. Acorda, cretino. - Já vou, covid 

- O que que você disse?

- Nada demais, Everalda, mas antes irei lavar as mãos com água e sabão e vou passar o higienizador à base de álcool para matar vírus que podem estar nas mãos, pés, pescoço e o escambau. 

- Vem, logo, Geraldinho, vem ...

- Eu vou, Everalda, mas manterei pelo menos 1 metro de distância de você para observar se estiver tossindo ou espirrando. Sabia que quando alguém tosse ou espirra, pulveriza pequenas gotas líquidas do nariz ou da boca, que podem conter vírus? A menos de um metro, eu poderia inspirar o vírus da covid.

- Geraldinho, para de sacanagem. Quando a gente namorava o que menos importava eram as gotículas ... e vem logo, meu amor.

- Everalda, tinha covid passando na TV na hora que passei a mão na tela. Depois disto toquei nos olhos, nariz e boca. Minhas mãos, compulsivamente tocaram muitas superfícies minhas e da casa e podem ter infectado o ambiente por vírus. 

- Geraldinho, você é bobo demais. Tem nada disto. Vem logo, que estou preparadinha, vem, caralho.

- Tudo bem, Everalda, eu irei cumprir o compromisso matrimonial, mas antes irei me prevenir seguindo uma boa higiene respiratória. 

- Mas o que você está falando, Geraldinho? Vem logo, que o Jornal Nacional vai começar

- Estou falando, Everalda, estou achando que vou tossir, então para que possa estar no nosso leito nupcial, terei que cobrir a boca e o nariz com a parte interna do cotovelo ou lenço quando tossir ou espirrar. 

- Geraldinho, pode deixar, o Bonner já fez a chamada, agora nem por decreto você interfere no meu canal.

- Obrigado São Covid, já não tinha mais argumentos. 

- O que você falou, Geraldinho???

- Alimentos, Everalda, vai faltar alimentos ...

É isto aí!


sexta-feira, 13 de novembro de 2020

A Artista, o Filósofo, o Professor e o Poeta


*imagem da Artista profª Dra em Belas Artes, escultora, pintora, desenhista e gravadora Ana Maria Pacheco . 

O Filósofo  Albert Camus nasceu dia 7 de novembro de 1913 na Argélia, à época da ocupação francesa, mais de um século atrás portanto. A morte de seu pai combatendo na primeira guerra e a condição pobre de sua família tornavam difícil o estudo. Camus, entretanto, mostrava grande talento com as palavras e paixão com a filosofia. Sua família não tolerava bem o fato de que ele seguia na escola secundária, pois o seu destino era trabalhar com seu tio fabricando tonéis e barris. O apoio de um Professor, Louis Germain, fez a diferença. Quando ganhou o prêmio Nobel em 1957, Camus enviou-o uma carta agradecendo a mão afetuosa que havia estendido ao garoto pobre que era.

O Discurso do Nobel de Literatura de Albert Camus, em 1957

"Cada geração se sente, sem dúvida, condenada a reformar o mundo. No entanto, a minha sabe que não o reformará. Mas a sua tarefa é talvez ainda maior. Ela consiste em impedir que o mundo se desfaça. Herdeira de uma história corrupta onde se mesclam revoluções decaídas, tecnologias enlouquecidas, deuses mortos e ideologias esgotadas, onde poderes medíocres podem hoje a tudo destruir, mas não sabem mais convencer, onde a inteligência se rebaixou para servir ao ódio e à opressão, esta geração tem o débito, com ela mesma e com as gerações próximas, de restabelecer, a partir de suas próprias negações, um pouco daquilo que faz a dignidade de viver e de morrer.”



O poema "Mãos Dadas" (O Poeta Carlos Drummond)

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.


Devemos ler Drummond, que não quer usar suas poesias como escapismo, tal qual não devemos evitar o inevitável. O poeta não quer desviar das coisas absurdas do mundo, quer confrontá-las, no seu tempo, na sua geração.. - "O tempo é minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente."

É isto aí!


quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Almeida e o outro eu



Chegou tarde, alcoolizado e desnorteado. Perdera o emprego naquela tarde e resolveu beber uma para relaxar. Uma puxou outra, veio um sambinha de roda, veio outra, outra até que tudo acabou e sentiu que deveria voltar ao lar. Custou para abrir a porta da entrada do condomínio. A chave acabou por roçar pelo esforço e a fechadura ficou inválida.

Subiu as escadas com muita dificuldade, três andares intermináveis. A chave deu uma travadinha, mas a porta abriu. Tomou um banho demorado, enxugou com a única toalha que estava no box e foi deitar nu. Acordou com uma mesa de café posta no quarto, toalha bordada e um bilhete - Almeida, uau - que noite foi esta? Sempre te amo, te amei e te amarei. Volto às 15 horas.

Sentou à cadeira, fez o desjejum, procurou alguma roupa, e viu a que usara na véspera, lavada e passada, suavemente dobrada ao pé da cama. Vestiu-se, foi ao banheiro e saiu sem entender muito o que acontecia. Na portaria estava o porteiro, um chaveiro e dois militares. 

Um deles perguntou colocou a mão como sinal de parada. 

- O senhor mora aqui?
- O porteiro logo adiantou afirmando. Sim, este é o Almeida do 304.
- O senhor notou algo suspeito na madrugada, já que arrombaram a porta do prédio? Ouviu ou viu algo?
- Disse que não, tudo estava tranquilo e na perfeita ordem.

Saiu dali sentindo-se meio esquisito, atravessou a avenida, entrou no ônibus para o centro e só quando chegou na porta da empresa, deu conta que estava desempregado. Ao dar meia volta, uma moça linda, sorridente e perfumada o abraçou - você é tudo que sonhei, Almeida. Nossa noite foi maravilhosa. Voltou com ela para o apartamento e a vida fluiu. Arrumou outro emprego, se deram ao amor e passou a aceitar que se chamava Almeida e o outro eu havia desaparecido ou achado outro rumo. 

Um dia encontrou consigo mesmo na calçada em frente ao novo emprego.

- Olá! Lembra de mim? perguntou o outro.
- Olha, hummmmm,  não! Não lembro!
- Não tem problema. Você agora é o Almeida, certo?
- Sim, isto, sou o Almeida. E você?
- Ninguém. Apenas um velho conhecido seu antes de você ser Almeida.

Sentiu-se mal com aquela confusão e só recobrou os sentidos no hospital. Passou dois meses internado desde o encontro. Assim que teve alta, ainda confuso, saiu cambaleante até chegar à rua. A moça linda, sorridente e perfumada misteriosamente o aguardava; o abraçou, pegou-o pela mão levando-o até o carro. Abriu aporta de trás, e esperou que sentasse. O motorista virou-se, sorriu e cumprimentou-o

- Muito prazer, meu nome é Almeida, disse o motorista. Nós vamos levá-lo para casa.

Não conseguiu falar nada. Olhou para o homem que agora era ele e balançou a cabeça num gesto afirmativo e contemplativo. O carro seguiu até uma rua triste, parou e frente a um prédio triste e sujo, e uma garoa fria e úmida surgiu do nada. A moça desceu, abriu a porta e o abraçou novamente, a seguir o conduziu até a portaria imunda e triste. Sentou à porta, pediu um cigarro ao zelador. Fumou pausadamente, entrou e nunca mais foi visto. 

É isto aí!





Brancaleone, Seabra e a descoberta da pólvora



Dia destes subi a Colina do Bom Senso, onde está instalado um Putoscópio de 5ª geração All incluse Master, fabricado pela Hermandad de Consejeros de Su Majestad, na simpática República Guarani catequisada. Liguei seu moderno comando eletro-eletrônico quântico e mirei para as terras de Pindorama.

Pindorama adora sigilos desde abril de 1500. Já naquela época, as informações sigilosas eram submetidas à restrição de acesso público em razão de sua imprescindibilidade para a segurança da sociedade e do Estado, como lei da corte imperial, do bom e velho Portucale, originado do Reino dos Suevos (mas isto é outra história, que agora não cabe no enredo). O fato é que a Carta de Caminha, famosa por ser a certidão de nascimento de Pindorama, só veio a público em 1773, pelas mãos do simpático José de Seabra da Silva.

José de Seabra da Silva é precursor da turma do do grande acordo nacional com o supremo, com tudo. Há de caber o registro que era  Secretário de Estado Adjunto do Marquês de Pombal no reinado de D. José I (6 de junho de 1771 - 6 de maio de 1774), quando a República Guarani foi dizimada. É de sua autoria a Petição de recurso apresentada em audiência publica à Majestade de El Rey Nosso Senhor, sobre o ultimo, e critico estado desta monarquia, uma nefasta Sociedade chamada de Jesus, que solicitou ser desnaturalizada, e proscrita dos domínios da Corte.

Seabra também fez surgir uma carta desconhecida por 273 anos, certificando que Pindorama era coisa e propriedade lusitana, e poucos anos depois, a corte desembarca na pátria amada idolatrada salve salve. Coincidências, apenas, claro, longe de mim achar o contrário.

Depois de "descobrir esta carta oculta, foi preso, deportado e perdoado pela Corte Imperial, sem nenhuma acusação. Aí, livre, veio para o Rio de Janeiro e, em 15 de Dezembro de 1788, foi nomeado Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Reino da Rainha Maria I. Foi ele também quem redigiu o despacho através do qual o Príncipe D. João assumiu a regência, na sequência da doença de sua Mãe, em 10 de Fevereiro de 1792, tendo na ocasião proferido uma exortação aos seus Colegas de Governo.

Do Putoscópio observo que a República Guarani não só ressuscitou como também quer fazer guerra contra a Corte, armado de pólvora, chumbo e bala. Nada de novo sob o céu de Caratinga, diria o Santos Dumont, que nasceu por obra do acaso em Minas e cresceu no trecho entre Ribeirão Preto e Paris.

Só para lembrar que segundo Seabra, assim suplicou Caminha, no último parágrafo da carta, quando apelou a D. Manuel para que libertasse do cárcere o seu genro, casado com sua filha Isabel, preso por assalto e agressão, sugerindo que desde aquela época, toda questão poderia ser ajeitada ou acordada, pedindo com carinho, com supremo jeito em tudo.

"E pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro—o que d'Ela receberei em muita mercê. Beijo as mãos de Vossa Alteza. Deste Porto Seguro, da vossa Ilha da Vera Cruz, hoje, sexta-feira, 1º dia de maio de 1500."

É isto aí!


quarta-feira, 11 de novembro de 2020

O deserto (Paulo Abreu)



Sob o mesmo teto
teso
palavreio no intento
tácito
de falar do novo
tédio
adiando jogar fora
tudo
que há seu em mim

Na sombra seu corpo
tenso
carícias e desejos
tépidos
sem siso aforado
trilham
num deserto de saudade
estúpida
adeus agora sempre
tardio

É isto aí!

 


domingo, 8 de novembro de 2020

O analista da Pitangueira - O boêmio e a viúva



- Fale sobre você.

- Boêmio, profissional liberal, passando dos quarenta anos, solteiro e desprendido de emoções maiores desde a mocidade, quando comecei  a me perceber solitário. Passei a procurar com olhar mais atento alguma moça que pudesse preencher este vazio existencial. Aquele vazio que me trás hoje ao analista da Pitangueira.

- Tem mais alguma coisa que o trás aqui?

- Doutor, não sei o que tenho. Estou numa crise sem precedentes, a ponto de repensar minha vida, revisando tudo aquilo que para mim era verdade absoluta.

- Como por exemplo?

- Como por exemplo o casamento, doutor. O casamento!

- Interessante. Fale sobre seus pais.

- Meus pais? Como assim. Tem nada a ver com meus pais. Estou numa crise existencial onde estou me dando conta de que vivi uma vida vazia, a qual nunca quis, mas seguindo os passos da sociedade, entende? Carros, trabalho, mulheres, trabalho, viagens, trabalho, diversão, trabalho, enfim, coisas que sempre achei normal. Meus pais não cabem neste contexto. 

- Entendo. Quando percebeu que se privou de viver naturalmente feliz?

- Interessante sua pergunta, por que sei a resposta.

- E qual a resposta?

- Foi em um velório.

- Quer falar sobre isto?

- Sim, por que desde então só penso nisto. Era o velório do Freitas. Fizemos faculdade juntos, fomos contratados pela mesma empresa, crescemos lá dentro até sairmos e montarmos nosso próprio escritório. Freitas nunca foi de farra, fiel à Lili, sua esposa, e era uma pessoa discreta e tranquila. 

- E vocês eram amigos?

- Claro. Eu contava tudo para ele. Ficava ali escutando, escutando ... aí dizia - tenho isto tudo lá em casa. Eu nunca fiz uma leitura destas palavras. Achava que era uma maneira dele dizer que era feliz. Mas aí, do nada, o sujeito tem um infarto agudo, sem beber, sem fumar, sem fazer nem 10% do que eu faço.

- Então ele teve uma morte natural. Pode ser que já tivesse algo nunca investigado.

- Foi o que pensei, doutor. Mas aí fui no velório. Cheguei lá por volta das seis horas da manhã. Primeiro tive o impacto do corpo inerte no caixão. Enquanto chorava, levantei os olhos e vi Lili. Não da forma como a via, mas com olhar de caçador e ela caça, sabe? Senti um forte impacto em minha existência.

- Estávamos sós. Aproximei, achei a Lili uma ninfa do olimpo a abracei e nos beijamos loucamente. De repente, num instante de lucidez, me afastei e sai correndo pelo cemitério, esquecendo inclusive do carro, que voltei para buscar após o enterro.

- E depois?

- Senti um vazio enorme nos dias que se seguiram. Desconsiderava o imponderável por acreditar que não consegui ver lógica naquilo. Um estranho sentimento começou a conquistar meus desejos. Passei a fazer questionamentos interiores mas evitava respondê-los. 

- E como lidou com este vazio?

- Com revolta. Aquele sentimento me queimava por dentro e eu passei a rejeitar meus pensamentos.

- Muito interessante. E esta revolta? Está aí dentro de você?

- Bem, aos poucos fui aceitando a realidade e parei de correr tanto atrás do que não estava acabado. Reconstruí meus objetivos em cima do que realmente precisava, e descobri que precisava da Lili. Encontrei todas as repostas nela,  e isto me tornou mais consciente com a vida.

- A procurou?

- Sim, claro. Liguei, marcamos um encontro e desde então estamos juntos.

- Então encontrou a felicidade?

- Veja só doutor. Sim e não.

- Como assim?

- Lembra que disse que o Freitas sempre falava que todas as minhas aventuras ele tinha em casa? Pois é, é verdade! Lili é um furacão em constante movimento. Ninguém fala isto ao vê-la, tão quieta, pacata, recatada e silenciosa.

- Então você encontrou o que exatamente, se não a felicidade?

- Doutor, estou apaixonado por esta mulher e só agora entendo o que matou o Freitas, e acho que sou o próximo ... eu é que era a caça e ela a caçadora

- Calma, semana que vem falaremos mais sobre isto.

É isto aí!