segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Papo de esquina o Caso da Velha do Lado

Lembrei de outra lenda da Pitangueira, inexoravelmente o maior caso de mistério e suspense deste Reino, com provas materiais e testemunhais.

Falando desta maneira, você, só pode estar se referindo ao caso da Velha do Lado.

Exatamente! A Velha do Lado.

Sabia que ela era feiticeira? Dizem até que tinha pacto e relacionamento íntimo com coisas ruins.

Isto não é verdade. Ela era uma mulher muito boa, muito atenciosa, a questão é que as pessoas tendem a julgar os diferentes com certa precipitação.

Diferentes? Como assim?

Eu fui criado na casa ao lado deles, do seu Lado e dela, a Dona Lada. Ela veio refugiada ainda criança, do leste europeu, cresceu num gueto com os parentes, até que o pai morreu e a mãe veio parar aqui, onde poderia cria-la com mais liberdade.

É mesmo, você cresceu no Córrego da Porta, onde ela sempre morou. Tinha esquecido isto. 

Sim, ela sempre foi uma pessoa fantástica, conhecedora profunda de ervas medicinais, fazia fila na porta da casa dela. Minha família sempre levou todos nós para tratar febre, caxumba, sarampo, quebranto, mal olhado, espinhela caída, lumbago e um monte de coisas do mundo espiritual.

Rapaz, sabe que eu nunca soube disto?

Pois é, e ainda era minha madrinha.

Mas e aquele negócio de falar línguas estranhas?

Tem nada disto. Ela era de uma linhagem Romani, e tinha orações que ela fazia na língua ancestral. Segundo ela, desta forma sentia mais poder para que suas palavras chegassem ao céu. 

Tudo bem, não vou discutir este lado da história, mas por outro lado...

Sim, sei, tem o Lado, o senhor Ladislau, que ela não conseguia pronunciar e passou a chama-lo de Lado, assim ficou Lado e Lada. 

Pois é, então me explica isto. O Lado faleceu no ano 1996, e foi enterrado no cemitério administrado por religiosos, apesar dos protestos da Lada, que desejava enterrá-lo no Monte Oreru, que considerava sagrado, no fim da Rua dos Mártires, numa elevação de pouco mais de 200 metros. Quando faleceu em 2005, ao ser levada para a sepultura, descobriram que Lado não estava lá e que estava completamente vazia. Mas mesmo assim a enterraram no mesmo sepulcro. 

Sim, foi isto mesmo. Na época acreditaram que ela retirou o corpo com a ajuda do Tião Coveiro e sepultaram no monte. Vasculharam e escavaram dezenas de buracos e nada de Lado.  

Mas em 2006 o povo fez um alvoroço para retira-la de lá, ou pelo menos seu corpo. Em 2008, depois de muitos abaixo-assinados, passeatas, carreatas e manifestações de lideranças políticas e da sociedade, a justiça autorizou abrir o sepulcro e para surpresa de todos, nada do corpo da Lada, que havia sumido tanto quanto o do Lado. Isto com o sepulcro lacrado e selado como manda a tradição da fé, de maneira que era impossível um ato daquela monta.

E tem mais; Tião Coveiro teve que dar vários depoimentos, perdeu o emprego e a serenidade e como castigo, ao morrer de desgosto, foi enterrado na mesma sepultura, que foi selada e lacrada, e pela primeira vez teve reza, ladainha e discurso. Só que quando Comadre Filó, a viúva de Tião, no ano de 2010 veio a óbito, por desgosto segundo dizem, abriram a sepultura  e para espanto, cadê Tião Coveiro??. 

O reboliço foi tão grande que a justiça mandou  imediatamente lacrar o caixão da Comadre Filó. O prefeito chamou um embalsamador italiano e depois do serviço concluído,  deixaram exposto numa cuba anaeróbica de vidro, dentro da capela blindada, sobre o túmulo. Ou seja, Dona Filó, santa em vida passou a virar centro de romarias e rezas até, dizem, começou a  realizar milagres depois de morta.

Graças a dona Lada.

Pois é... mais uma lenda para o Reino da Pitangueira ...

É isto aí!

domingo, 4 de setembro de 2022

A Natureza das coisas (Analu Sampaio)


Analu Sampaio é uma adolescente de 14 anos que apresenta uma pré-disposição incrível para a música. Além de cantar, compõe e toca vários instrumentos. O ótimo gosto musical tem influenciado muito positivamente outros jovens e crianças da sua geração.

Já dividiu o palco com vários artistas da MPB, dentre eles temos Roupa Nova, Ivete Sangalo, Toquinho, Sandra de Sá, Baby do Brasil, Tiago Iorc, Sidney Magal, Jorge Vercilo, Daniel, Caçulinha, Palavra Cantada e O Teatro Mágico. Além disso, Analu dividiu canções com Ivan Lins, Rosa Passos, Roberto Menescal, Leila Pinheiro e Flávio Venturini.

Música: A Natureza Das Coisas
Compositor: Accioly Neto

Ô chá, lá, lá, lá, lá
Ô chá, lá, lá, lá, lá

Se avexe não...
Amanhã pode acontecer tudo
Inclusive nada.

Se avexe não...
A lagarta rasteja
Até o dia em que cria asas.

Se avexe não...
Que a burrinha da felicidade
Nunca se atrasa.

Se avexe não...
Amanhã ela pára
Na porta da tua casa

Se avexe não...
Toda caminhada começa
No primeiro passo
A natureza não tem pressa
Segue seu compasso
Inexoravelmente chega lá...

Se avexe não...
Observe quem vai
Subindo a ladeira
Seja princesa, seja lavadeira...
Pra ir mais alto
Vai ter que suar.

Ô coisa boa é namorar,
Ô coisa boa é namorar.

sábado, 3 de setembro de 2022

A vaca no talo



O senhor sabe porque está aqui?

- Não senhor. Apenas sei que ao chegar no serviço, estes dois gentis cavalheiros neandertais me pediram para acompanhá-los compulsoriamente, mas com muita educação, até este recinto.

Queremos, digamos assim, ensina-lo a ter bons modos no comportamento para com a sociedade.

- E como farão isto?

Comece lendo a crônica que seria publicada hoje pelo senhor. Segundo a nossa fonte fidedigna e suprapartidária de monitoramento global, que obedece o Artigo 3984, seu texto vai contra a liberdade de expressão conforme o Inciso CLIV, Alínea f. Além disto, a sua crônica contém e ou induz ter comandos subliminares de atentados contra as matas, os bosques, os passarinhos e o céu azul. Dai vamos ensinando como contornar e eliminar problemas.

- Só isto?

Se o senhor for educado, gentil  e obediente, sim. Agora por favor, comece a ler  a porra da sua crônica.

- É uma crônica simples, quase pueril, mas vou ler

Se fosse simples e quase pueril, o senhor não estaria aqui, seu traíra enrustido.

- Ah, agora está claro.

E pode ficar melhor ainda. Comece a ler enquanto pode ler.

- Meu compadre tinha uma vaca imensa de gorda

Espera aí, só um instantinho, vamos aguardar o corretor de revisão do editor para ver se vaca gorda não é termo agressivo, ou pejorativo, ou depreciativo para qualificar a vaca.

Falou nada. Então continua, por favor.

- Meu compadre tinha uma vaca imensa de gorda, tinha umas tetas que eram uma braçada e meia no talo.

É... aguarde um momento que nosso serviço de proteção à tradição, família e propriedade, conforme consta no Decreto Federal Nº 245, de 10 de Junho de 1914, está averiguando se o senhor pode narrar e expressar a palavra teta vinculada ao talo.

- Mas isto é ridículo

Senhor, contenha-se e controle-se. Nosso Serviço de Qualificação e Classificação de Posturas Públicas, também conhecido com SQCPP-X9H, considerando o politicamente correto no contexto sociopolítico vigente, não permite esta vinculação entre tetas e talos, portanto, o senhor deverá rever sua comparação, pois esta decisão é de caráter irrevogável.

- Puta merda!

Puta merda pode, mas desde que vinculada a um contexto plausível.

- Tudo bem, tudo bem, vou recomeçar: Meu compadre tinha uma vaca imensa de gorda ...

Muito bem, o senhor está indo bem na narrativa, agora pense bem no que vai falar. O senhor tem que alterar o sentido e as palavras que ofendam o povo e a família.

- Meu compadre tinha uma vaca, ai eu comprei ela e matei ela.

Uau! O senhor entendeu o espírito da coisa. Matar o mal pela raiz. O próximo!!!!

É isto aí!

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Anawin


Anawin é uma palavra hebraica, 

muitas vezes encontrada na Bíblia. 

Significa "os pobres de Javé", 

ou seja, os pobres de Deus. 

Como você pode observar, 

anawin é uma palavra 

que está no plural. 

Os pobres são aqueles desprovidos de bens materiais, 

que experimentam o sofrimento e a injustiça 

por causa da sua condição de pequenez, 

fragilidade e dependência. 

Mas anawin são, principalmente, 

aqueles que depositam a sua confiança em Deus 

e, por isso, são a Ele fiéis, 

de modo a buscarem, em tudo, a vontade do Senhor. 

Jesus e Maria foram perfeitos anawin, 

assim como os santos da Igreja. 

Nós também somos chamados a ser verdadeiros anawin, 

conforme os ensinamentos da Palavra


Fonte da imagem: Cristãos na Etiópia


quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Papo de Esquina: O misterioso Homem Juliana


Agora que tudo já passou, vocês dois poderiam comentar aquela história do viajante que virou assunto em toda a cidade por muito tempo, conhecido como Homem Juliana? 

Da minha parte tudo bem. Mas terei que ir e vir nas histórias, pois tem muitas informações truncadas. O fato é que tínhamos poucos elementos para seguirmos uma linha de raciocínio. Era julho de 2003, frio gelado. Recordo que atendi ao chamado onde patrulheiros encontraram o carro logo depois da Curva do Boi. Segui para o local achando que seria mais uma noite de rotina, talvez um bêbado perdido, numa região onde todo mundo conhece todo mundo. 

Segundo nossas investigações, o sujeito parou na cidade vizinha, onde ocorria uma festa pública em homenagem ao santo padroeiro, cerca de vinte quilômetros daqui, e que por relatos de diversas testemunhas, proseou, enamorou e ofereceu carona para uma moça linda, misteriosa, inteligente, gentil, educada, completamente desconhecida na pequena cidade com cerca de dois mil habitantes. 

Aqui cabe uma observação: O Waltinho Fotógrafo, que sempre prestou serviço para a delegacia, nos procurou assim que soube do ocorrido, um dia depois, eu acho. Estava na festa do arraial, e ao ver aquela mulher linda, diferente, fotografou-a muitas vezes, mais de vinte fotografias, inclusive na calçada, quando a porta do carro abriu para ela, de frente, de lado, de costas, entrando no carro, enfim, pegou todos os ângulos. Inclusive relatou que ao entrar no carro, ela se virou e sorriu para ele. 

Então vocês tinham uma pista?

Aí é que a coisa fica estranha, se é que há algo que não seja estranho nesta história. O Waltinho tinha uma Câmera Digital série F de superzoom da Sony modelo F828. Ela possuía sensor de 2/3 de polegada com 8 megapixels de resolução e sua objetiva Carl Zeiss 28-300mm possuía anel de foco e zoom e era bem luminosa, a abertura era f/2.0-2.8 com macro de 2cm que era excelente.

E qual  a importância disto no caso?

A verdade é que acreditávamos que as fotografias poderiam nos levar a uma importante pista, só que ao abrir as fotos digitais, descobrimos juntos com o Waltinho que ela não aparecia em nenhuma delas, era como se não existisse. Logo ela que seria a testemunha chave deste que foi um dos maiores mistérios do Reino da Pitangueira. E além disto, tínhamos testemunhas oculares, inclusive com detalhes da roupa cabelo, etc., mas nem o hotel, bares e restaurantes onde ela supostamente hospedou e circulou, tinham imagem ou quaisquer informações ao seu respeito. 

Visto esta inserção sobre as fotografias digitais do Waltinho, volto ao caso chegando ao local. O que vi foi um homem desconhecido, desacordado, nu, imenso, sentado na poltrona do motorista, carro ligado, faróis acessos, e trancado por dentro. Ao abrir a porta pelo quebra-vento, pareceu entrar numa espécie de transe, num estado alterado da consciência, falando coisas desconexas e tendo espasmos. Estranhamente calçava meias de natureza desconhecida. Encaminhei ao hospital e pedi para investigarem pelo carro, já que também não tinha documentos, nem tickets, nem recibos, nem bolsa, nem sacola. O carro, um Fusca Fafá 1300L 1979, estava completamente limpo.

Eu o recebi no hospital. Estava de plantão naquela noite. Não deu trabalho e tinha os sinais vitais mantidos. Levou dois dias para recobrar a consciência, se é que posso dizer assim. Só falava um nome - Juliana - às vezes sussurrava, às vezes gritava por ela. 

Enquanto isto descobrimos na delegacia que o carro não nos levaria a nenhum lugar, não tinha registro, nem número de chassi, nem identificação alguma que valesse. Mandamos sua impressão digital para a capital a fim de fazerem uma varredura e nada, aquele homem, que passou a ser chamado de Homem Juliana, não existia no sistema nacional nem no internacional. 

No hospital apenas observávamos sua aparente melhora. Não respondia a nenhuma pergunta, nem verbalizando, nem sinalizando. O olhar continuava vago, focado no vazio. No quinto dia, mais calmo, embora repetindo e/ou chamando incessantemente pela moça, sentou para sua primeira refeição. Alimentou pouco e sussurrava Juliana, Juliana ... Em seguida deitou. Naquela tarde fez uma convulsão e entrou em coma, mas tinha uma expressão facial de paz inexplicável. 

No décimo quarto dia, às duas horas de uma madrugada atormentada por uma forte tempestade fora de época, senão a maior já registrada no Reino, a enfermeira ligou para a nossa delegacia, sussurrando, que uma moça desconhecida invadira o prédio pela portaria principal, neutralizara os dois seguranças e caminhara rapidamente até a UTI. No tumulto e correria dos funcionários e equipe de enfermagem para barrá-la, tudo que viram foi uma explosão silenciosa de luzes dentro da UTI que culminou com o desaparecimento dos dois. 

É interessante salientar que assim que começou a tempestade, toda a cidade ficou no escuro e no Hospital o gerador foi acionado para as luzes de emergência e manutenção dos equipamentos, mesmo assim as câmeras de segurança não registraram a moça no corredor ou na UTI.

Desta forma o tempo foi passando, passando, passando e o caso virou lenda, como se nunca houvera ocorrido. O mais curioso, se é que existe algo mais curioso que isto, é que o carro, que se encontrava no depósito da prefeitura, também despareceu naquela mesma madrugada.  

Aí vou tomar a liberdade de comentar mais um fato inusitado, meus amigos, que muitos, inclusive vocês dois, desconhecem. No leito onde ficou internado, foram encontradas as tais meias. A equipe do hospital me entregou lacradas dentro de um envelope pardo. Fotografei-as e guardei na caixa do processo. Uma semana depois recebi um telefonema de Brasília, onde um certo Dr Parreira informava que o Inspetor Federal Grey Thompson apareceria para verificar o caso. Este homem apareceu, fez perguntas por aí e sumiu tão misteriosamente quanto veio. Ninguém em Brasília sabia dele nem do Dr Parreira, e deu que um mês depois as meias sumiram. Abrimos sindicância que está até hoje inconclusiva. 

Mas você ainda tinha as fotos?

Sim, claro. De posse das fotos pensei que poderia ter uma pista, já que constava o fabricante. Descobri pela Interpol que se tratava de uma centenária indústria têxtil alemã que não produzia nem possuía tecnologia para produzir tal meia em 2003.

Acompanhei o mistério da meia por anos a fio e apenas vim a descobrir recentemente que somente a partir de 2013 que esta indústria passou a produzi-la, sendo que em 2013 produziu, pasmem, raríssimos e caríssimos 10 pares. Descobri que a lã de vicunha  é produzida a partir da pelagem da vicunha, um animal parente dos lhamas e das alpacas, que habita os alpes sul-americanos. São, inclusive, o animal nacional do Peru. O elevado preço desta lã prende-se com a sua raridade e o difícil processo de obtenção.

Mas  e o Inspetor federal? 

Ah! Isto é assunto tenso e ficará para outra ocasião. 

É isto aí!


quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Palavrões, usar ou não usar? (Millôr Fernandes)



Alto lá!!!
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
Autor da Crônica:  Millôr Fernandes

São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos.

É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia.

"Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que "Pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?

No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não!" e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, absolutamente não!" o substituem. O "Nem fodendo" é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida.

Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.

Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um "é PhD porra nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "porra nenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos "aspone", "chepone", "repone" e, mais recentemente, o "prepone" - presidente de porra nenhuma.

Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um "Puta-que-pariu!", ou seu correlato "Puta-que-o-pariu!", falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba...Diante de uma notícia irritante qualquer um "puta-que-o-pariu!" dito assim te coloca outra vez em seu eixo.

Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cu!"?

E sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cu!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta:

"Chega! Vai tomar no olho do seu cu!".

Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar:

"Fodeu!".

E sua derivação mais avassaladora ainda:

"Fodeu de vez!".

Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar:

O que você fala?

"Fodeu de vez!".

Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta.

"Não quer sair comigo? Então foda-se!".

"Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!".

O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal.

Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se.

terça-feira, 30 de agosto de 2022

Papo de esquina - O estranho


Você se lembram daquele estranho que morava no Beco da Lavoura?

Rapaz, aquilo é que foi acontecimento. A moça que trabalhava lá na minha mãe era vizinha dele. Dizia que acordava pontualmente às 05 horas e 38 minutos. Fazia uma pequena reflexão sobre a vida e caminhava no escuro ao banheiro, sempre contando os passos para certificar de que estava no lugar certo, pois às vezes seus preceptores e hierarcas celestiais o deixavam em outro local. Já ocorrera de acordar em varias partes do planeta e até em outro planeta; nestes casos dormia novamente e reacordava em casa. 

Após o banho, abençoava o Óleo de Melaleuca e ungia a si mesmo com o sinal Alfa e Ômega, na testa, sobre as sobrancelhas, sempre o Alfa sobre a sobrancelha direita e o Ômega sobre a sobrancelha esquerda. Após esta unção de abertura da mente, benzia a Água de Rosas (colhidas no sereno, em noite de lua nova), entoava um cântico ofertando aos seres celestiais a sua santidade e aspergia por sobre a cabeça, sobre a fontanela anterior, para despertar os seres benignos que habitavam seu coração. 

Vestia sua calça branca de algodão cru alvejado, bem como a bata. Por sobre a cabeça um turbante revestido com papel alumínio, justaposto bem enlaçado, cuja finalidade era não perder seus pensamentos e guardar suas percepções do mundo só para si. Sandálias de couro cru completavam o vestuário espartano.  

Após o desjejum, jogava os dois dados sobre um veludo negro, até dar sequência dupla de soma Sete. Cada possibilidade, sua sequencia e a ordem na qual caia, 6/1, 5/2, 4/3 tinha uma leitura, assim poderia prever quais os eventos que o aguardariam no decorrer daquele dia.

E quando saia, então? Caminhava para a porta, tocava a sineta três vezes, abria e tocava outras quatro ao fechar. Como sua casa fora construída no sentido Norte/Sul, onde Sul era a porta da entrada e o Norte a porta dos fundos, sabia exatamente que à sua esquerda estaria o Leste e à sua direita o Oeste. Desta forma, fazia o ritual de percepção energética. Erguia a mão direita espalmada para o Sul e aguardava as vibrações planetárias. A seguir erguia a mão esquerda espalmada para o Oeste e fazia também a leitura das vibrações energéticas vindas daquele ponto cardeal. Com isto determinava a frequência mais positiva e seguia neste rumo.

Fazia sua jornada sem olhar para os lados e conversando incessantemente com seus amigos não visíveis nesta dimensão. Dava a volta em duas quadras à frente que o levava na  Praça da Matriz. Sentava no mesmo banco e contemplava o vazio por três horas até que um dia, enquanto meditava subiu numa escada neon aos céus à vista de todos, boquiabertos, estupefatos e abestalhados.

É isto aí!


terça-feira, 23 de agosto de 2022

Só uma oração (Caio Fábio)

Só uma oração (Caio Fábio)

Cada um aqui, cada um 
- significando você - 
é amado, é amada. 

Parece uma coisa estranha 
de que o que eu nunca vi me ama, 
mas é também aquEle que você nunca viu, 
que te criou. 

É aquEle que você nunca viu 
que criou todas as coisas! 
E que é percebido, 
 também, por meio das coisas que foram criadas. 

Ele ama você, 
e todas as coisas existem, também, 
 como manifestação desse Amor, 
em meu favor, em seu favor. 

É água, é pão, é comida, 
é semente que brota do chão, 
 é flor, é cor, é luz, 
é tudo quanto seja necessário à nossa vida, 
 que nos cerca, e que está à nossa volta. 

Obrigado, Senhor, 
porque existir, 
 para quem caminha com fé, 
 esperança e amor, é um ato de treino, 
de melhoramento da consciência, 
de chance de superação 
da nossa própria pequenez, 
e de projeção do nosso espírito 
para dimensões mais elevadas.

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Alma Gêmea


tudo que queria
era estar no lugar
onde deveria estar
e encontrarem-se
numa alameda florida

é dezembro
a chuva lavou as ruas
as árvores, as calçadas
vento folhas vendavais
desejo alvejo perene

olhar profundo no
ar transcendente a
expressar na alma
a alma gêmea e
o pacto celestial

abraçar no silêncio
o cafuné no cabelo
o afago na face
polegar deslizando os lábios
e o beijo selando a paz

Fonte da imagem: Vecteezy/Sandro Lima

É isto aí!

terça-feira, 16 de agosto de 2022

Ho’oponopono (Sinto muito, me perdoe, eu te amo, sou grato)


Sinto muito
Me perdoe
Eu te amo
Sou grato

Já falei do Ho’oponopono uns dois anos atrás, mas deu vontade de postar de novo sobre ele. A simples repetição dessas qutro frases é capaz de ativar a liberação de bloqueios, lembranças negativas e traumas para que você assuma um controle mais tranquilo sobre o próprio corpo e a própria vida. 

Em suma, é possível afirmar que o ho’oponopono é um processo de solução de problemas, que deve acontecer inteiramente dentro de você.

A palavra “ho’o” significa “causa” em havaiano, enquanto “ponopono” quer dizer “perfeição”. O termo “ho’oponopono” pode ser traduzido como: “corrigir um erro” ou “tornar certo”.

Trata-se de uma prática que não requer muitos ensinamentos, mas é poderosa para purificar o próprio corpo e se livrar de memórias ou sentimentos ruins, que prendem a mente em uma sintonia negativa. 

O termo se tornou conhecido a partir de uma experiência vivenciada pelo terapeuta e professor, Ihaleakala Hew Len. Por mais inacreditável que a história possa parecer, este homem conseguiu curar um pavilhão inteiro de criminosos que sofriam de doenças mentais no Havaí, sem sequer conversar ou interagir com nenhum deles. 

Por meio da análise das fichas de cada paciente, o terapeuta aplicava as palavras-chave do ho’oponopono, e a repetição da técnica mudava o seu estado de espírito. Consequentemente, a atividade mental dos detentos também se alterava.

Fonte do texto: zenwellness
Fonte da imagem: Lappui

domingo, 14 de agosto de 2022

Bem aventurados sejam os pais


Benditos sejam todos os pais
que abraçam seus filhos e filhas
que beijam seus filhos e filhas
que se doam aos seus filhos e filhas

Benditos sejam todos os pais
que amam seus filhos e filhas
que abençoam seus filhos e filhas
que sorriem com seus filhos e filhas

Benditos sejam todos os pais
que brincam com seus filhos e filhas
que educam seus filhos e filhas
que honram seus filhos e filhas

Benditos sejam todos os pais
que são o passado dos seus filhos e filhas
que são o presente dos seus filhos e filhas
que são o futuro dos seus filhos e filhas
 
Benditos sejam todos os pais
que abençoam seus filhos e filhas
que oram por seus filhos e filhas
que ensinam o bom caminho aos seus filhos e filhas

Bem aventurados sejam os pais
que são amigos dos seus filhos e filhas
que os amam com ama a si mesmo
que os perdoa e por eles é perdoado

Bem aventurados sejam os pais
que ensinam a verdade aos seus filhos e filhas
que ensinam o caminho do amor aos seus filhos e filhas
que dignificam a vida dos seus filhos e filhas

Pois estes herdarão os reinos dos céus
conviverão com anjos e santos
e por toda a eternidade serão pais
assim na Terra como no Céu

É isto aí!


quarta-feira, 10 de agosto de 2022

A vida não é um conto de fadas.


Chegou ao fundo do poço. Deixou para trás a família, o casamento, a empresa, os amigos, o clube, a casa na praia, o sítio e Maristela, o amor da sua vida, que o abandonou assim que entrou no poço. Logo logo percebeu que o poço era sem forma e vazio. A escuridão cobria tanto o alto quanto a parede que envolvia toda a estrutura.

Gritou por socorro e voz não saia. Levou a mão ao bolso e sacou o celular que estava descarregado. Tateou as paredes e nenhuma saliência dava-lhe o sentido de fuga. Agachou e começou a apalpar o piso. Foi uma ação instintiva. Percebeu algo feito uma alça - eu sabia - graças ao meu instinto achei uma saída.

Puxou a alça e clanc, o piso se abriu e caiu em queda livre por pelo menos três anos, sem achar um gancho, sem perceber uma mão amiga, sem se agarrar a nenhuma saliência, até que a queda foi abruptamente interrompida por um piso macio no fundo. Achara o fim do poço. agora tinha certeza. Tateou as paredes e nenhuma porta dava-lhe o sentido de fuga. Agachou e começou a apalpar o chão úmido. Foi uma ação instintiva. Percebeu algo feito uma alça - eu sabia - graças ao meu instinto achei uma saída.

Puxou a alça e plact tchup, caiu num imenso tubo cilíndrico liso e escorregadio. Desta vez desceu rápido, mas ordenado, dentro de um tobogã cilíndrico, de modo que sentia o deslocamento, via a luz, mas não tinha onde se apegar. Levou uns dois anos nesta viagem louca. A velocidade foi diminuindo até parar sobre um banco de areia. Pela primeira vez depois de anos viu estrelas e deitou para descansar daquela maratona de poços e quedas.

Acordou e o dia já ia pela metade. Percebeu-se num imenso deserto. Por instinto iria tomar a rota norte, conforme aprendera na infância, achando o sol, a sombra, etc. Refletiu com sua solidão que toda vez que se viu diante de um poço, agiu só com seus conhecimentos e instinto. Percebeu, finalmente, que seus conhecimentos foram inúteis para sair de uma crise. Sentou à sombra de si mesmo e aguardou alguém passar. Precisava de ajuda e estava disposto a ser ajudado.

Ninguém passou, o tempo passou e quatro anos depois veio a óbito, só e fraco, numa casa simples no meio do nada. Moral da História - a vida não é um conto de fadas.

Fonte da imagem: FALA!

É isto aí!

quarta-feira, 27 de julho de 2022

Só pensando


As letras estão morosas hoje, não querem sair do atoleiro ao qual as joguei quando decidi aprender uma nova língua, e foi aí num destes embates entre a culpa, mea culpa e mea culpissima culpa que comecei a entender que a metonímia era o enredo do embate gravíssimo entre os povos que habitam minha mente. Sou o resultado de um conjunto de povos, pessoas, hábitos estranhos agora, neste presente momento, mas comuns outrora e vive versa.

Metade de mim veio do meu pai, metade da minha mãe. Até aí tudo bem. Mas o mundo que habito me formou em personalidade, emoções e percepções do mundo. Quando ao processo genético, meu pai teve pai e mãe e minha mãe teve mãe e pai. Em rápida conta, em apenas - aleatoriamente - dez gerações que me antecederam, tiveram que existir pelo menos mil e vinte quatro pessoas, sendo  512 pais e 512 mães. É claro que este número poderá ter personagens duplicados, dependendo dos costumes, guerras, estupros, interesses e hábitos de cada geração, mas não ocorrerá a variação do número de envolvidos para cada ato sexual gerador de vida.

Considerando a possibilidade de que nas culturas primitivas, quando os humanos acasalavam mais jovens e as expectativas de vida eram mais curtas, essa duração média de geração teria sido de cerca de 20 anos. Logo, dez gerações estarão apenas duzentos anos uma das outras.

Estamos no anos de 1822. Naquele tempo, além das aventuras do Imperador, 526 mulheres, em dezenas de locais espalhados pelo mundo, gerariam quinhentas e vinte seis crianças, pelo ato consentido ou não, por cerca de 526 homens. Estas minhas avós estão espalhadas pelos cinco continentes, a maioria na África, Europa, Oriente Médio e Américas.

Caramba, este deve ser o medo oculto para o cuidado com as palavras, pois ao empregar a metonímia, talvez não tenha entre elas algum tipo de ligação. Uma mulher germânica, uma sudanesa, uma árabe, outra palestina, uma portuguesa, outra guarani, uma lusitana, outra bretã, uma tupinambá, outra romena, uma crioula, outra galega, uma senegalesa, outra sudanesa, gaulesas, nórdicas, cretenses, moçambicanas, indianas, eslavas, enfim, uma mulher assim, fértil, sorri para sua cria pela cultura e raízes fixadas no chão de um canto do planeta. 

E esta mulher guardou consigo parte do que tem em mim do seu DNA. Rogou bênçãos e pragas, foi feliz ou infeliz, mas semeou, fez sua parte. Escreveu sua história no livro da vida celestial.

Agora acho que entendo o risco da palavra dita, mal ou mau ou bem dita. São muitas vozes que habitam, muitos pais, muitas mães e todos guardados em mim. É muita responsabilidade. Melhor guardar as palavras.

Fonte da imagem: Geledes

É isto aí!

terça-feira, 26 de julho de 2022

Diário do sonho



Acordou meio dormindo, sonhando que acordava atrasado. De súbito, tomado pelo impulso do tempo esgotado, saltou da cama, vestiu o que deu para vestir, pulou pela janela para o quintal, atravessou a cerca num salto acrobático, subiu na bicicleta e pedalou rumo ao futuro.

Tomou a rua de maneira rápida e desceu  a ladeira em curvas e longa, que fluía inclinadíssima até a avenida que dava na praça que dava na igreja, que dava no altar, que dava no encontro marcado com a mulher dos seus sonhos. O galope e a gravidade logo ascenderam um sinal de alerta, pois aquilo estava chegando nos limites da ingovernabilidade. 

Deu que se viu num local aprazível, com uma enorme sensação de gozo. Tudo esplendorosamente belo. Um mulher de luz aproximou-se e sem falar nada, tocou seu pensamento com o convite para acompanha-la. Seguiu-a por um passeio de terracota assentado sobre um gramado de um verde indefinível, com flores e arbustos indescritíveis. No horizonte árvores frondosas e exuberantes. O céu era uma arte sem igual.

Ao longe uma voz feminina o chamava - Zécarlos ... Zécarlos ... acorda Zécarlos, levanta, tem que ir na padaria, tem que levar o lixo para fora, em que arrumar a cerca ... caramba, mas que mulher ruim é esta, hem?! Acordou, olhou bem para a mulher e a reconheceu dos seus sonhos. Ela recuou um ou dois passos - espera, você não é o Zécarlos ... você é o sujeito dos meus sonhos.

Riram e sonharam felizes para sempre.

É isto aí

sábado, 23 de julho de 2022

BBC - Como 'nude' ajudou a desvendar 'maior roubo' da história do Reino Unido


Ladrões invadiram em 2019 uma mansão em uma das ruas mais caras do mundo e fugiram com mais de R$ 165 milhões em dinheiro, diamantes e relógios. A investigação policial revelou que se tratava de uma gangue que havia assaltado as casas de vários milionários de Londres em poucos dias.

Em uma tarde de janeiro de 2020, o detetive policial Thomas Grimshaw entrou em um hotel barato em uma rua no sudeste de Londres com um palpite de que a visita ao local poderia ajudá-lo a resolver um caso importante.

Grimshaw perguntou à recepcionista sobre os hóspedes que haviam ficado no local em meados de dezembro. Ela contou a ele sobre um grupo do qual se lembrava vividamente — um dos homens havia enviado mensagens inapropriadas para sua colega, incluindo uma foto de seu pênis. Elas registraram seu número na lista de contatos como "tarado".

Era o que o detetive estava procurando. Encontrar esse número de telefone ajudou a polícia a identificar o primeiro suspeito do maior roubo doméstico da história legal do Reino Unido.

Faltavam menos de duas semanas para o Natal de 2019 quando Tamara Ecclestone, seu marido Jay Rutland e a filha Sophia viajaram para a Lapônia. A filha do ex-chefe da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, postou uma foto no Instagram antes da decolagem.

Naquela noite, uma gangue de ladrões havia invadido sua casa no Kensington Palace Gardens — rua no oeste de Londres que é considerada uma das mais caras do mundo — e fugido com mais de 25 milhões de libras (R$ 165 milhões, em valores atuais) em dinheiro e joias, incluindo diamantes e relógios.

Um dos seguranças da mansão abordou três intrusos desmascarados logo após as 23h. Eles estavam no closet de Ecclestone, apelidado pela família de cofre, porque é protegido por uma porta de aço reforçado, que não estava trancada.

Os ladrões passaram correndo por ele, derrubando os enfeites de Natal da casa enquanto fugiam. Um deles atirou um extintor de incêndio quando tentava escapar por uma pequena janela.

A investigação foi apelidada como Operação Oakland pelo Esquadrão Voador, formado por detetives de elite da Polícia Metropolitana de Londres. No início, eles não tinham muito com o que trabalhar.

Dois telefones descartáveis ​​e uma chave de fenda foram encontrados em um dos quartos da mansão.

Havia também imagens capturadas pelas câmeras de segurança dos ladrões passeando pelo jardim dos fundos da casa de Ecclestone antes do ataque e, posteriormente, fugindo do local.

Eles foram filmados passando pela casa de bonecas da família — considerada uma das maiores do mundo e que, segundo a revista Hello!, custou cerca de 10 mil libras (R$ 66 mil). As câmeras flagraram ainda as três figuras entrando em um táxi em uma rua próxima.

Os detetives começaram a rastrear todos os táxis que operavam em um raio de cerca de 2 km da casa naquela noite — eles identificaram 1.006. Eles então passaram a ligar para os taxistas e perguntar se eles se lembravam de pegar três homens que pareciam ser do Leste Europeu.

As câmeras de segurança ainda flagraram três homens carregando malas — que mais tarde foram identificadas como sendo de Ecclestone e Rutland — e depois entrando em outro táxi.

O carro desapareceu então na escuridão. Os detetives rastrearam o motorista, chamado Jimmy, que não conseguia se lembrar onde havia deixado seus passageiros naquela noite — sabia apenas que fora próximo da fronteira entre Londres e o Condado de Kent.

Mas ele se lembrou de uma ponte com arcos. Isso permitiu reduzir a busca ao subúrbio de St. Mary Cray e iniciar uma varredura das câmeras da área.

Uma das imagens encontradas mostrava figuras caminhando em uma pequena viela.

Em frente a uma delegacia em uma rua próxima, havia um hotel barato chamado TLK Apartments. O detetive Thomas Grimshaw decidiu seguir sua intuição e visitar o local. Lá foi informado sobre o "nude".

"Quando soube disso, senti que tínhamos identificado o grupo certo", disse Grimshaw.

A equipe da recepção havia feito uma cópia do documento de identidade do hóspede quando ele fez o check-in. Seu nome era Jugoslav Jovanovic, um italiano de 23 anos.

Os detetives tinham seu suspeito inicial. Eles descobriram que Jovanovic entrou no Reino Unido em 30 de novembro, a bordo de um voo da Ryanair que saiu de Estocolmo, na Suécia. Ele se registrou no hotel naquele mesmo dia.

Investigações posteriores mostraram que ele partiu de Londres em um voo em 18 de dezembro.

Mais suspeitos seriam identificados em breve, mas antes disso a polícia descobriu evidências de que o roubo à mansão de Ecclestone não foi o único assalto contra celebridades realizado pelos ladrões.

Uma verificação nos sistemas da polícia revelou que foi registrado ainda outro roubo no oeste de Londres em 1º de dezembro. Mais de 60 mil libras (R$ 396 mil) em relógios de luxo, abotoaduras e pulseiras pertencentes ao técnico de futebol Frank Lampard e sua esposa, Christine, foram roubados enquanto o casal estava em um evento anual de Natal no Hyde Park.

As imagens capturadas pelas câmeras da casa mostravam um homem de aparência semelhante à vista nos documentos de Jovanovic.

A polícia sabia que o roubo havia acontecido no dia seguinte à chegada de Jovanovic ao Reino Unido. Eles ampliaram sua busca — quantos roubos de luxo ocorreram em Londres entre 1 e 18 de dezembro? Eles rapidamente identificaram outro em Knightsbridge em 10 de dezembro.

Mais de 1 milhão de libras (R$ 6,6 milhões) em itens foram roubados da casa do falecido proprietário do time Leicester City FC, Vichai Srivaddhanaprabha. Ele morreu em um acidente de helicóptero em 2018.

Sua casa permaneceu intocada desde a morte e se tornou um lugar de oração e luto para quando sua família visitava Londres. Sete valiosos relógios Patek Philippe foram roubados junto com 400 mil euros (R$2,25 milhões) em dinheiro. Os detetives analisaram as imagens das câmeras e viram um rosto familiar, o de Jovanovic.

O caso foi dividido pelos policiais em duas partes. Eles decidiram identificar quatro homens que acreditavam ser os ladrões que realizaram os ataques nas casas de Ecclestone, Lampard e Srivaddhanaprabha.

Eles também identificariam outros quatro que teriam sido o "elenco de apoio" dos assaltantes. Segundo a polícia, seu trabalho envolveu reservar Ubers, hotéis, voos e conduzir veículos. Os acusados negaram saber o que os assaltantes estavam fazendo.

Quando Jovanovic entrou no Reino Unido em 30 de novembro, ele chegou com Daniel Vukovic, um croata de 39 anos. Ambos — identificados pela polícia como dois dos ladrões — se registraram no hotel em St. Mary Cray.

Em 18 de dezembro, os dois homens deixaram o país — Jovanovic para Milão, Vukovic para Belgrado. Ele estava com uma mulher chamada Maria Mester.

Mester tem um filho, Emil Bogdan Savastru, que voou de Tóquio para Londres em 12 de dezembro e partiu no início de janeiro para Milão.

Mester e Savastru foram acusados ​​de fazer parte do "elenco de apoio" junto com outros dois homens — os romenos Alexandru Stan e Sorin Marcovici.

Stan morava na cidade de Harrow, para onde Jovanovic e Vukovic foram depois de invadir a casa de Lampard.

A dupla fugiu do local quando ouviu as sirenes da polícia. Eles pularam uma cerca nos fundos, cortando-se em alguns cacos de vidro no processo.

Stan — que no tribunal mais tarde insistiu que não sabia o que eles estavam fazendo — deu aos homens uma muda de roupa e reservou um táxi para eles voltarem a Orpington.

Marcovici — que disse posteriormente em seu julgamento que não tinha ideia do que os ladrões estavam fazendo — aparentemente foi para o sudeste de Londres para servir como motorista enquanto os ladrões faziam um reconhecimento da área.

Ficou claro, também, que os ladrões usaram transporte público e táxis para se locomover por Londres, misturando-se com moradores e turistas.

Dados do GPS de seus celulares mostraram que, ao longo de 14 dias, eles estiveram nas regiões de Golders Green, London Bridge, New Bond Street, Chelsea, Fulham e Orpington.

Os detetives fizeram outra grande descoberta quando conseguiram identificar alguns dos homens por meio do uso de um trem ao sudeste de St. Mary Cray horas antes do roubo.

Imagens de câmeras de segurança mostraram Jovanovic embarcando para o norte com alguns homens. A estação London Victoria — no fim da linha — tornou-se um local de interesse, e os policiais começaram a analisar as imagens do circuito interno.

Jovanovic e um homem foram vistos saindo de um trem. Mais tarde, os detetives descobririam que esse homem era Vukovic. Pouco tempo depois, os dois foram vistos segurando cafés ao deixar a estação com mais dois homens não identificados.

"Quem eram esses homens?", a polícia se perguntou. Para saber mais sobre eles, começaram a rastrear o local onde haviam comprado os cafés.

Câmeras capturaram imagens deles em uma cafeteria na estação. O detetive Grimshaw viu um dos homens misteriosos roubando um chiclete do balcão.

Este encontro deu à polícia imagens claras dos homens para circular via Europol, a agência policial da União Europeia.

As imagens das câmeras da estação deram outra pista. Jovanovic foi visto apertando a mão de um quinto homem e atravessando o saguão com ele. A polícia seguiu os movimentos desse homem e percebeu que ele havia usado seu cartão bancário para comprar seu bilhete.

Posteriormente, descobriu-se que esse homem era o filho de Maria Mester, Emil Bogdan Savastru. Com a ajuda da Europol, foi possível identificar os dois últimos suspeitos: os italianos Alessandro Donati e Alessandro Maltese. Os dados mostraram que eles voaram juntos para Londres em 9 de dezembro e partiram em 16 de dezembro a bordo de voos da EasyJet.

A primeira pessoa a ser presa foi Savastru. A polícia observou seus movimentos e sabia que ele havia reservado uma passagem só de ida para Tóquio em 30 de janeiro de 2020.

No dia em que ele fez check-in no aeroporto de Heathrow, na capital britânica, policiais à paisana o seguiram para fora do terminal, onde ele se sentou para fumar um cigarro.

Detetives esperaram que ele desbloqueasse seu celular — isso permitiria que eles conferissem seu histórico de buscas, contatos e dados bancários — e o prenderam.

Ele estava carregando uma bolsa Louis Vuitton que pertencia a Jay Rutland e um relógio Tag Heuer roubado de Vichai Srivaddhanaprabha.

Posteriormente, ele disse no julgamento que tinha ficado com a impressão de que os itens haviam sido deixados para ele como presente. Ele não tinha ideia de que eles foram roubados.

Assim que soube da prisão de seu filho, Mester pegou um avião de Milão para o Reino Unido. Ela foi imediatamente presa no aeroporto de Stansted, enquanto usava um conjunto de brincos parecidos com os de Tamara Ecclestone.

Não era possível ter certeza de que eram exatamente os mesmos brincos, mas o designer que os fez disse que apenas três pares foram confeccionados — e um foi vendido para Tamara.

Fotos de Mester no Facebook mostraram que ela usava um colar semelhante ao feito sob medida para Jay Rutland para sua esposa em Los Angeles.

Ela disse em julgamento que as joias foram um presente e negou saber que haviam sido roubadas.

Savastru e Mester foram acusados, ​​e, enquanto estavam sob custódia, a polícia continuou a fazer novas descobertas sobre as atividades dos ladrões em Londres.

Em novembro de 2020, Marcovici, Stan, Savastru e Mester foram a julgamento no Tribunal da Coroa de Isleworth acusados ​​de conspiração para roubar.

A defesa de Mester alegou que ela era acompanhante de luxo internacional e conheceu Vukovic como cliente em um bar em Milão alguns anos antes. Em dezembro de 2019, ela diz, ele pediu que ela o acompanhasse a Londres e pagou milhares de euros por isso.

Mester disse que não tinha ideia de que Vukovic nem os homens com quem ele estava estavam realizando roubos.

As joias encontradas com ela pela polícia quando ela foi presa, segundo sua versão, foram presentes de Vukovic por seus serviços e por seu aniversário. Ela negou que soubesse que as joias eram roubadas.

"Para mim, Vukovic era como uma galinha dos ovos de ouro como todos os outros clientes generosos", disse ela à BBC. "Não vi nada de errado com aquele idiota!"

Ela também disse que Vukovic lhe deu dinheiro para gastar enquanto ela estava em Londres.

Após ser absolvida, ela disse: "Sou 100% inocente". Ela afirmou que a polícia não foi capaz de provar seu envolvimento e de seu filho nos roubos. "Eles apresentaram ao tribunal apenas o que queriam."

Savastru disse aos jurados durante o julgamento que havia sido apresentado a dois dos suspeitos em dezembro de 2019, mas não sabia de seus supostos negócios criminais. Ele se recusou a ser entrevistado pela BBC.

Stan disse ao tribunal que um amigo o pediu para auxiliar alguns italianos que eram novos em Londres e precisavam de ajuda com um carro para se locomover. Ele os encontrou para um café e trocou números de telefones.

Posteriormente, em 1º de dezembro, recebeu um telefonema pedindo seu endereço. Na noite em que os Lampards foram assaltados, Jovanovic e Vukovic foram à sua casa — embora ele insistisse que não sabia o que eles estavam fazendo.

Um deles estava com um corte e disse a Stan que não queria que suas esposas soubessem que eles haviam brigado, então, ele lhes deu uma muda de roupas e reservou um Uber de volta para St. Mary Cray.

"Tudo, todas as evidências contra mim mostram que eu não poderia estar envolvido", disse Stan à BBC.

Marcovici, um amigo de infância de Maria Mester, insistiu que ele era um inocente envolvido em um esquema do qual não tinha conhecimento.

Ele disse ter aceitado o pedido de Mester para levar os amigos de Vukovic para o oeste de Londres, mas afirma ter sido informado de que os homens estavam indo para um canteiro de obras para pegar algumas ferramentas.

Nenhum dos quatro estava presente dentro das casas que foram assaltadas, mas a Promotoria argumenta que eles teriam ajudado de alguma forma. No entanto, em janeiro de 2021, os quatro foram considerados inocentes de conspiração para roubar.

Mas esse não foi o fim da história. Stan — que morava em Harrow — entrou em contato com a BBC para compartilhar sua história. Ele afirmou que estava sem ter onde morar. "Perdi tudo, minha casa, meu emprego", disse ele. "Minha vida inteira virou de cabeça para baixo."

Mester e seu filho ainda foram julgados por outros crimes. Mester foi condenada por não entregar seu telefone à polícia, enquanto Savastru foi condenado por uma acusação não relacionada de posse de cédulas de dinheiro falsas.

Eventualmente, os detetives ainda conseguiram levar para o Reino Unido três dos ladrões que haviam fugido para o exterior. Donati e Maltese foram presos em Milão e extraditados em 2020. Jovanovic foi preso na costa italiana de Santa Marinella, nos arredores de Roma, no mesmo ano. Ele lutou muito contra sua extradição, mas acabou sendo deportado para o Reino Unido em abril de 2021.

Todos os três se declararam culpados de conspiração para roubar e foram presos em novembro de 2021. A polícia italiana disse à BBC que a gangue morava no norte de Milão em um acampamento cigano.

Mas um dos suspeitos ainda está foragido. A polícia acredita que ele tenha sido o mentor dos roubos.

Durante as audiências do julgamento, ele foi identificado como Daniel Vukovic, um cidadão croata de 39 anos que teria pegado um voo com Jovanovic de Estocolmo para Stansted e posteriormente deixado o Reino Unido com Mester com destino a Belgrado.

Em novembro de 2021, uma investigação da BBC mostrou que ele era conhecido pela polícia italiana e usava mais de 17 identidades diferentes.

Documentos judiciais aos quais a BBC teve acesso sugerem que seu nome verdadeiro é Alfredo Lindley — um peruano nascido em Miraflores, um subúrbio de Lima, em 1981. Ele tem antecedentes criminais que remontam a 1995, e, em 2017, seus vários pseudônimos tinham ligações com Sarajevo, Belgrado, Zagreb e Milão.

A polícia também o vinculou aos supostos roubos dos jogadores Patrick Vieira e Sulley Muntari em 2009, de acordo com os documentos judiciais.

Um homem cercado de mistérios que a imprensa italiana — que apelidaram de "o Lupin da vida real" — sugere que pode estar morando na Sérvia.

A BBC encontrou uma 19ª identidade. De acordo com documentos emitidos pelo governo sérvio, seu último pseudônimo é Ljubomir Romanov, dono de uma empresa no centro de Belgrado e uma propriedade na cidade vizinha de Obrenovac.

Foram feitas tentativas de extraditá-lo, mas todas foram recusadas pelas autoridades sérvias. A investigação do Reino Unido sobre os roubos continua, e o suspeito restante permanece, na verdade, um homem livre.

Quanto às joias roubadas, os detetives insistem que os relógios, colares, brincos e anéis não foram derretidos. Eles creem que um dia os diamantes reaparecerão. Como disse o detetive Andrew Payne, que trabalhou na Operação Oakland: "É um tesouro enterrado".


sexta-feira, 22 de julho de 2022

Se você jurar (Ismael Silva, Nilton Bastos, Francisco Alves)


Ismael Silva / Nilton Bastos

História da Música Se você jurar: CIFRANTIGA

O samba adotou uma nova forma, livrando-se da herança do maxixe, no final da década de 1920. Para isso concorreu decisivamente a necessidade, percebida por compositores ligados à pioneira escola de samba Deixa Falar, de "amaciar" o ritmo usado na época, adaptando-o a um padrão menos sincopado que facilitasse a fluidez do desfile. Dessa chamada "Turma do Estácio" faziam parte Ismael Silva e Nílton Bastos, autores de "Se Você Jurar", composição que, sintetizando as novas características, iria se tornar um dos principais modelos dos sambas dos anos trinta.

Grande sucesso do carnaval de 31, nas vozes de Francisco Alves e Mário Reis, "Se Você Jurar" tem uma melodia expressiva, especialmente na segunda parte, que retorna à primeira através de dois acordes preparatórios de passagem, incomuns nas canções da época. Já a letra explora o tema da regeneração do malandro, muito em moda na ocasião. Só que neste caso o malandro não parece muito seguro do motivo da mudança, considerando-o um jogo meio arriscado: "A mulher é um jogo / difícil de acertar / e o homem como um bobo / não se cansa de jogar / o que eu posso fazer / é se você jurar / arriscar a perder / ou desta vez então ganhar..."

Baseado em informação de Ismael, Hermínio Bello de Carvalho assegura em artigo publicado em 1963: "A primeira parte é do Nilton, com a ajuda de Ismael, e a segunda toda de Ismael". Contrariam essa informação Orestes Barbosa (no livro O Samba) e Mário Reis, que afirmam ser a composição somente de Nilton, enquanto Francisco Alves (em sua autobiografia) atribui o estribilho a Nilton mas se diz autor da segunda parte.

Adendo de Marcelo Bonavides: No final dos anos 20, Francisco Alves expôs a Ismael Silva o desejo de gravar suas músicas, com a seguinte condição: que seu nome constasse nos créditos como co-autor das mesmas. Ismael impôs o seguinte: que o nome de Nilton Bastos, seu parceiro habitual, também fosse incluído. Segundo o Dicionário Ricardo Cravo Albin da Música Popular Brasileira, “esse episódio deu margem a que a autoria de diversos sambas assinados pelos três causasse polêmica”. Entre eles, estaria o antológico Se Você Jurar, que foi sucesso no Carnaval de 1931, gravado no final de 1930 na Odeon por Francisco Alves e Mário Reis.


A importância de Ismael Silva na formação cultural do povo brasileiro:

A primeira escola de samba do Brasil foi criada por Ismael Silva (1905 - 1978), um jovem negro, pobre, nascido na praia de Jurujuba, em Niterói (RJ). Essa escola foi a "Deixa Falar". 

Ismael Silva, autor de grandes clássicos do samba como "Se você jurar" e "Antonico", foi, também, quem cravou o termo "Escola de samba". A ideia brotou em sua cabeça, pois no bairro carioca onde ele morava, o Estácio, havia uma "Escola Normal" que formava professores. Segundo Ismael, a turma do Estácio eram os verdadeiros "professores do samba".

Se você jurar

Se você jurar que me tem amor
Eu posso me regenerar
Mas se é para fingir, mulher
A orgia assim não vou deixar

Muito tenho sofrido
Por minha lealdade
Agora estou sabido
Não vou atrás de amizade

A minha vida é boa
Não tenho em que pensar
Por uma coisa à-toa
Não vou me regenerar

Se você jurar que me tem amor
Eu posso me regenerar
Mas se é para fingir, mulher
A orgia assim não vou deixar

A mulher é um jogo
Difícil de acertar
E o homem como um bobo
Não se cansa de jogar

O que eu posso fazer
É se você jurar
Arriscar a perder
Ou desta vez então ganhar

Se você jurar que me tem amor
Eu posso me regenerar
Mas se é para fingir, mulher
A orgia assim não vou deixar

Se você jurar que me tem amor
Eu posso me regenerar
Mas se é para fingir, mulher
A orgia assim não vou deixar


Fonte Vídeo Youtube: Paulo Bambu Cunha 
Samba da Gávea em 20 de janeiro de 2020 com Luis Filipe de Lima no violão sete cordas, Alaan Monteiro no cavaquinho e Pedro Miranda, João Cavalcanti, Bruno Barreto e Thiago da Serrinha na percussão.

Sobre mensagens anônimas


Dia destes recebi aqui neste Reino umas mensagens anônimas em páginas postadas (cancelo todas mensagens anônimas desconexas ou SPAM que recebo). Cá para nós, mensagens anônimas são um tanto quanto estranhas, salvo aquelas que falam de amor, as quais nunca recebi. Mas voltemos às mensagens - supostamente da mesma origem: "cadê aquelas postagens políticas?"

Ora, ora, ora ... uma pessoa que se esconde no anonimato deseja que Ao Pé da Pitangueira, publicamente exposto nestes doze anos, que será comemorado em setembro, data constitucional da edificação deste reino, seja agente e elemento de críticas sobre Política, Moral e Ética, que grassam como ervas daninhas em Pindorama.

A única verdade é que nada é eterno e tudo passa. O que hoje é uma crise política aparentemente sem fim e com precedentes - de triste memória - fará crescer mais cedo ou mais tarde algumas reflexões aqui e ali, acumulativas e exponenciais sobre a ética, a justiça social, o mal trato sobre a coisa pública, etc. até que um poder vinculado ao binômio Pátria/Nação venha a ser conduzido à grande tomada de decisões. 

Quanto ao Pé da Pitangueira, resistimos da forma que podemos. Fizemos um risco no chão, criamos parâmetros, levantamos muros (com ou sem lamentações) e delimitamos espaços para que não deixemos nos seduzir pela serpente, enquanto estivermos lutando pelo Paraíso.

Imagem: Cena do filme Cantinflas, o Bombeiro Atômico (1950)

É isto aí!


 


quarta-feira, 20 de julho de 2022

Quando você está sorrindo


ImagemMark Gellineau's photos on Flickr (Pinterest)
Compositores: Fisher Mark / Goodwin Joe / Shay Larry
Letra de When You're Smiling: © Universal/momentum Music 3 Ltd., Emi Mills Music Inc.
Tradução: Google

Quando você está sorrindo, continue sorrindo
Todo o mundo sorri com você
E quando você está rindo, oh, quando você está rindo
O sol vem a brilhar

Mas quando você está chorando, você provoca chuva
Então pare seu soluço e seja feliz novamente
Continue sorrindo pois quando você está sorrindo
Todo o mundo sorri com você

Oh, quando você está sorrindo, continue sorrindo
Todo o mundo sorri com você
Ah quando você está rindo, continue rindo
O sol vem a brilhar

Agora, quando você está chorando você provoca a chuva
Então pare esse suspiro e seja feliz novamente
Continue sorrindo pois quando você está sorrindo
E todo o mundo sorri com você

Com o incrível grande mundo irá sorrir
O mundo inteiro vai sorrir com você

When You're Smiling by Leftover Cuties (with lyrics) 
LICENÇAS: 
INgrooves (em nome de Leftover Cuties); Audiam (Publishing), CMRRA, UMPI, Sony Music Publishing, MINT_BMG, SOLAR Music Rights Management, LatinAutorPerf e 10 associações de direitos musicais



Letra original

When you're smilin', when you're smilin'
The whole world smiles with you
When you're laughin', when you're laughin'
The sun comes shinin' through

But when you're cryin', you bring on the rain
So stop your sighin', be happy again
Keep on smilin', 'cause when you're smilin'
The whole world smiles with you

When you're smilin', when you're smilin'
The whole world smiles with you
When you're laughin', when you're laughin'
The sun would come shining through

But when you're cryin', you bring on the rain
So stop your sighin', be happy again
Keep on smilin', 'cause when you're smilin'
The whole world smiles with you


domingo, 17 de julho de 2022

Quando vier a Primavera (Fernando Pessoa)


Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;

E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.


“Poemas Inconjuntos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993).  - 87.