quinta-feira, 16 de março de 2023

A Rosa de Paracelso (Jorge Luis Borges)

Fonte imagem: Rádio Câmara - Congresso Nacional

Nota: Numa narrativa repleta de simbolismos, o conto “A Rosa de Paracelso”, de Jorge Luís Borges, fala sobre a relação entre o mestre e o aprendiz. Afinal, qual é o caminho para a verdadeira sabedoria? A ética e a negação ao Jogo de aparências são dois temas do conto. O pano de fundo da obra é a busca da pedra filosofal.

Fonte original do Texto:  O texto é reproduzido do volume “Nove Ensaios Dantescos & A Memória de Shakespeare”, de Jorge Luis Borges, Companhia das Letras, SP, copyright 1995-2008 by María Kodama/Editora Schwarcz, 102 pp. A tradução é de Heloisa Jahn. 


A Rosa de Paracelso (Jorge Luis Borges)

Em sua oficina, que ocupava os dois aposentos do porão, Paracelso pediu a seu Deus, a seu indeterminado Deus, a qualquer Deus, que lhe enviasse um discípulo. A tarde caía. O escasso fogo da lareira projetava sombras irregulares. Levantar-se para acender a lamparina de ferro era demasiado trabalho. Paracelso, distraído pelo cansaço, esqueceu sua súplica. A noite apagara os alambiques empoeirados e o atanor quando alguém bateu à porta. O homem, sonolento, levantou-se, subiu a breve escada em caracol e abriu uma das folhas. Entrou um desconhecido. Também estava muito cansado. Paracelso lhe indicou um banco; o outro se sentou e esperou. Durante algum tempo não trocaram palavra.

O mestre foi o primeiro a falar.

– Lembro-me de rostos do Ocidente e de rostos do Oriente – disse, não sem certa pompa. -Não me lembro do teu. Quem és e o que queres de mim?

– Meu nome é o de menos – replicou o outro. – Três dias e três noites caminhei para entrar em tua casa. Quero ser teu discípulo. Tudo o que possuo, trago para ti.

Puxou um taleigo e emborcou-o sobre a mesa. As moedas eram muitas e de ouro. Fez isso com a mão direita. Paracelso lhe dera as costas para acender a lamparina. Quando se virou, percebeu que a mão esquerda segurava uma rosa. A rosa o perturbou.

Recostou-se, uniu as pontas dos dedos e disse:

– Acreditas que sou capaz de elaborar a pedra que transforma todos os elementos em ouro e me ofereces ouro. Não é ouro o que procuro, e se o ouro te interessa, nunca serás meu discípulo.

– O ouro não me interessa – respondeu o outro. – Essas moedas não são mais que uma prova de meu desejo de trabalhar. Quero que me ensines a Arte. Quero percorrer a teu lado o caminho que conduz à Pedra.

Paracelso disse com vagar:

– O caminho é a Pedra. O ponto de partida é a Pedra. Se não compreendes essas palavras, ainda não começaste a compreender. Cada passo que deres é a meta.

O outro fitou-o com receio. Disse com outra voz:

– Mas existe uma meta?

Paracelso riu.

– Meus detratores, que não são menos numerosos que tolos, dizem que não e me chamam de impostor. Não lhes dou razão, mas não é impossível que seja uma ilusão. Sei que “existe” um Caminho.

Houve um silêncio, e o outro disse:

– Estou disposto a percorrê-lo contigo, mesmo que tenhamos de caminhar muitos anos. Deixa-me atravessar o deserto. Deixa-me divisar mesmo de longe a terra prometida, ainda que os astros não permitam que eu a pise. Quero uma prova antes de empreender o caminho.

– Quando? – disse Paracelso inquieto.

– Agora mesmo – disse o discípulo com brusca determinação.

Haviam começado a conversa em latim; agora, falavam alemão.

O rapaz ergueu a rosa no ar.

– Corre – disse – que és capaz de queimar uma rosa e fazê-la ressurgir da cinza, por obra da tua arte. Deixa-me ser testemunha desse prodígio. É o que te peço, e depois te darei minha vida inteira.

– És muito crédulo – disse o mestre. – Não tenho uso para a credulidade; exijo a fé.

O outro insistiu.

– Precisamente por não ser crédulo quero ver com meus olhos a aniquilação e a ressurreição da rosa.

Paracelso pegara a rosa e brincava com ela enquanto falava.

– És crédulo – disse. – Dizes que sou capaz de destruí-la?

– Ninguém é incapaz de destruí-la – disse o discípulo.

– Estás enganado. Imaginas, porventura, que alguma coisa possa ser devolvida ao nada? Imaginas que o primeiro Adão no Paraíso poderia ter destruído uma única flor ou um talo de relva?

– Não estamos no Paraíso – disse o jovem, teimoso -; aqui, sob a lua, tudo é mortal.

Paracelso se erguera.

– Em que outro lugar estamos? Acreditas que a divindade é capaz de criar um lugar que não seja o Paraíso? Acreditas que a Queda é outra coisa que não ignorar que estamos no Paraíso? 

– É possível queimar uma rosa – disse o discípulo, desafiador.

– Ainda há fogo na lareira – disse Paracelso. – Se atirasses esta rosa às brasas, acreditarias que foi consumida e que a cinza é verdadeira. Digo-te que a rosa é eterna e que apenas sua aparência pode se transformar. Bastaria uma palavra minha para que voltasses a vê-la.

– Uma palavra? – disse o discípulo, estranhando. – O atanor está apagado e os alambiques estão cheios de pó. Que farias para que reaparecesse?

Paracelso olhou para ele com tristeza.

– O atanor está apagado – repetiu – e os alambiques estão cheios de pó. Neste ponto de minha longa jornada utilizo outros instrumentos.

– Não ouso perguntar quais são – disse o outro, com astúcia ou humildade.

– Falo do utilizado pela divindade para criar os céus e a terra e o invisível Paraíso em que estamos e que o pecado original nos oculta. Falo da Palavra que ensina a ciência da Cabala.

O discípulo disse com frieza:

– Peço-te a mercê de mostrar-me o desaparecimento e o aparecimento de uma rosa. Para mim não faz diferença que utilizes alambiques ou o Verbo.

Paracelso refletiu. Depois disse:

– Se eu o fizesse, dirias que se trata de uma aparência imposta pela magia de teus olhos. O prodígio não te daria a fé que procuras. Deixa, pois, a rosa.

O jovem o fitou, sempre receoso. O mestre ergueu a voz e lhe disse:

– Além disso, quem és tu para entrar na casa de um mestre e exigir dele um prodígio? Que fizeste para merecer semelhante dom?

O outro replicou, trêmulo:

– Sei que nada fiz. Peço-te em nome dos muitos anos que passarei estudando à tua sombra que me deixes ver a cinza e depois a rosa. Não te pedirei mais nada. Acreditarei no testemunho dos meus olhos.

Num gesto brusco, empunhou a rosa que Paracelso deixara sobre a mesa e lançou-a às chamas. A cor sumiu e restou somente um pouco de cinza. Durante um instante infinito esperou as palavras e o milagre.

Paracelso não se movera. Disse com curiosa singeleza:

– Todos os médicos e boticários da Basileia afirmam que sou um embuste. Talvez estejam certos. Aí está a cinza que foi a rosa e que não a será.

O rapaz sentiu vergonha. Paracelso era um charlatão ou um mero visionário, e ele, um intruso, transpusera sua porta e agora o obrigava a confessar que suas famosas artes mágicas não existiam.

Ajoelhou-se e lhe disse:

– Agi de forma imperdoável. Faltou-me a fé, que o Senhor exigia dos fiéis. Deixa que eu continue vendo a cinza. Voltarei quando estiver mais preparado e serei teu discípulo, e no fim do Caminho verei a rosa.

Falava com genuína paixão, mas essa paixão era a piedade que lhe inspirava aquele velho mestre tão venerado, tão agredido, tão insigne e afinal tão oco. Quem era ele, Johannes Grisebach, para descobrir com mão sacrílega que por trás da máscara não havia ninguém?

Deixar-lhe as moedas de ouro seria uma esmola. Recolheu-as ao sair. Paracelso o acompanhou até o pé da escada e lhe disse que sempre seria bem-vindo naquela casa. Ambos sabiam que não tornariam a ver-se.

Paracelso ficou só. Antes de apagar a lamparina e de sentar-se na cansada poltrona, recolheu o tênue punhado de cinzas na mão côncava e disse uma palavra em voz baixa. A rosa ressurgiu.

quarta-feira, 15 de março de 2023

Sin Ti - Los Panchos

Fonte Youtube: Los Panchos - Sin Ti



Sin Ti (Compositor: Pepe Guizar)

Sin ti
No podré vivir jamás
Y pensar que nunca más
Estarás junto a mi

Sin ti
Que me puede ya importar
Si lo que me hace llorar
Está lejos de aquí

Sin ti
No hay clemencia en mi dolor
La esperanza de mi amor
Te la llevas al fin

Sin ti
Es inútil vivir
Como inútil será
El quererte olvidar


Los Panchos - Fonte Biografia: Last fm

Los Panchos (conhecidos também como Trio Los Panchos) é o nome de um trio musical de México constituído por um porto-riquenho e dois mexicanos radicados em Nova York. O trio criado em 1944, era formado por Alfredo Gil e Chucho Navarro, mexicanos e Hernando Aulez, de Porto Rico.

O Bolero, em princípio, parecia destinado somente a solistas, até que em 14 de de maio de 1944, no Teatro Hispânico de Nova York, dois mexicanos e um porto-riquenho interpretam o bolero de maneira diferente, a três vozes, com o máximo requinte.

O êxito não se faz esperar e o grupo ganha fama com o pseudônimo de "Trio Los Panchos". Entre 1945 a 1948 cantam por todas as Américas, onde em intervalos, cantam também na Radio City Music Hall(1946).

Em 1948 realizam sua primeira viagem ao Brasil que dura três meses. Ao regressarem para Nova York seus discos não paravam de tocar nas ilhas de Cuba, Porto Rico, Santo Domingo, norte do México e sul dos Estados Unidos, começando a época de ouro para esse trio.

Depois desse triunfo nos Estados Unidos, mudam-se para o México, onde a emissora XEW, que era então a mais poderosa nesse país, lhes dá espaço (Programa Nestlé) e apresentações em diversos centros noturnos de categoria como "El Patio" e Teatro T’ivoli simultaneamente; desta forma captam a admiração e o coração dos mexicanos.

Em 1951 começam uma longa turnê pelo Caribe e América do Sul; visitam o Panamá, Guatemala, Cuba, Porto Rico, Santo Domingo, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Chile . Durante seus cinqüenta anos de história participaram em mais de 35 filmes.

A cantora americana Eydie Gorme (Nova York) que estreou como cantora em 1950 com a orquestra de Tommy Tucker, se agregou ao conjunto musical TRIO LOS PANCHOS, e se apresentaram por décadas no Brasil, aonde tinha um grande publico para apresentações e para gravações, sendo um dos principais interpretes da canção romântica latino-americana no Brasil.

Em 1957 Eydie casou-se com o apresentador de shows de TV Steve Lawrence. Eydie Gorme ganhou o GRAMMY e o EMY, os dois principais prêmios da musica pop nos EUA e tinha como grife musical duas canções símbolos:
"Sabor a Mi" e "Piel Canela".

Cuidado com a matemática financeira

Fonte Youtube: irmãoseletronics


 

terça-feira, 14 de março de 2023

Astros conjugados


Segundo uma testemunha metafísica, que conhecia a moça e sabia da existência do rapaz, a moça tinha uns vinte anos, talvez menos, e o rapaz 20 anos, talvez mais. Não se conheciam, não sabiam da existência um do outro, não moravam na mesma cidade, não tinham laços de parentesco, não tinham os mesmos gostos, nunca se encontraram. Mas os astros, ah! o astros! - estavam alinhados em sincronicidade e espelhamento no dia das suas respectivas fecundações e posteriormente os nascimentos.

Segundo um profissional da parapsicologia esotérica do 3° grau, que teve a oportunidade de consultar aos dois em tempos distintos, a Combinação da Numerologia revelava desafios, gostos e qualidades muito similares. Entretanto, os posicionamentos mais evidentes e perceptíveis na vida dos dois eram os Números de Motivação (relativos à soma das vogais do nome completo de nascimento), Números de Impressão (soma das consoantes do nome completo de nascimento) e Números de Expressão (soma das vogais e consoantes do nome completo de nascimento).

Segundo uma observadora furtiva e anônima, um dia, destes que o acaso leva à superfície do planeta, graças aos anjos e potestades, encontraram-se num evento social, onde foram colocados frente à frente. Ela o achou um retardado e ele teve a certeza de que ela era senil. Ela percebeu nele uma antipatia ímpar. Ele teve náuseas pelo sorriso singular dela. Ela detestou o cabelo dele, ele não conseguiu sequer disfarçar a inconveniência do encontro.

Segundo dados colhidos em pesquisa de satisfação pessoal, pelo brilhante Instituto de Opinião Pública Publicável do Reino da Pitangueira, o famoso IPOPP, nada os obrigariam a serem felizes para sempre entre si. Afinal nada é eterno ou dura para sempre. Sabe como é - conjunções são apenas os que são.

É isto aí!

 

sábado, 11 de março de 2023

Barcelona Gipsy Klezmer Orchestra - Shalom Alechem (Official Video)

MÚSICA Hévenu Shalom Aléchem
ÁLBUM
LICENÇAS The Orchard Music (em nome de Satélite K); UNIAO BRASILEIRA DE EDITORAS DE MUSICA - UBEM, Sony Music Publishing, Abramus Digital, LatinAutor, LatinAutorPerf e 9 associações de direitos musicais
FONTE YOUTUBE: Satélite K 




Fonte: Wikipédia:

Shalom alechem como canção da vinda do shabat

Shalom alechem é uma canção tradicional judaica que é entoada logo após os serviços religiosos de sexta-feira, Cabalat Shabat, como canção de boas vindas aos anjos.[1][2] Costuma-se, segundo a tradição e ensinamento rabínico, cantar logo antes de se fazer a bênção sobre o vinho e o pão, em casa, como forma de convidar não apenas as pessoas como os anjos que estiverem próximos, no fito de aumentar a alegria do evento.

Texto em hebraico
שָלוֹם עֲלֵיכֶם מַלְאֲכֵי הַשָרֵת מַלְאֲכֵי עֶלְיוֹן
מִמֶלֶךְ מַלְכֵי הַמְלָכִים הַקָדוֹשׁ בָרוּךְ הוּא
בּוֹאֲכֶם לְשָׁלוֹם מַלְאֲכֵי הַשָּׁלוֹם מַלְאֲכֵי עֶלְיוֹן
מִמֶלֶךְ מַלְכֵי הַמְלָכִים הַקָדוֹשׁ בָרוּךְ הוּא
בָרְכוּנִי לְשָלוֹם מַלְאֲכֵי הַשָּׁלוֹם מַלְאָכִי עֶלְיוֹן
מִמֶלֶךְ מַלְכֵי הַמְלָכִים הַקָדוֹשׁ בָרוּךְ הוּא
צֵאתְכֶם לְשָלוֹם מַלְאֲכֵי הַשָּׁלוֹם מַלְאָכִי עֶלְיוֹן
מִמֶלֶךְ מַלְכֵי הַמְלָכִים הַקָדוֹשׁ בָרוּךְ הוּא

Transliteração
Shalom aleikhêm malakhê hasharet malakhê el-yon
mimêlekh malkhê hamelakhim haqadosh baruch hu.
Boakhêm leshalom malakhê hashalom malakhê el-yon,
mimêlekh malkhê hamelakhim haqadosh baruch hu.
Barekhúni leshalom malakhê hashalom malakhê el-yon,
mimêlekh malkhê hamelakhim haqadosh baruch hu.
Tsetekhêm leshalom malakhê hasharet malakhê el-yon,
mimêlekh malkhê hamelakhim haqadosh baruch hu.

Tradução
Paz sobre vós, anjos servidores, anjos do Altíssimo,
Do supremo rei dos reis, o Santo, bendito é ele.
Que sua vinda seja em paz, anjos da paz, anjos do Altíssimo,
Do supremo rei dos reis, o Santo, bendito é ele.
Abençoe-me com a paz, anjos da paz, mensageiros do Altíssimo,
Do supremo rei dos reis, o Santo, bendito é ele.
Que sua partida seja em paz, anjos servidores, anjos do Altíssimo,
Do supremo rei dos reis, o Santo, bendito é ele.

ANA MOURA + IDAN RAICHEL - "SABE DEUS"

Fonte imagem*2013 Quarter to Six #6*

Música  Sabe Deus (God Knows)
Cantores: Ana Moura / Idan Raichel
The Idan Raichel Project
Album Quarter to Six
Licenças: 
Helicon Music, PIAS, [Merlin] Virtual Label LLC (em nome de Cumbancha); LatinAutorPerf, LatinAutor e 8 associações de direitos musicais

Sabe Deus
Tudo o que me vai na alma.
Sabe Deus
Onde encontro a minha calma.

Só Deus sabe
Como calma era a manhã em que saíste
Nesse dia em que me deixaste
E para sempre partiste.

Sabe Deus
Como é fria a nossa cama.
Sabe Deus
Como a minha voz te chama.

Só Deus sabe
Como posso eu viver nesta tristeza
De saber que não vais voltar
É esta a minha certeza.

Mas se Deus quiser
Tu estarás à minha espera
Onde é sempre primavera.
Mas se Deus quiser
Voltarei para junto a ti
Renascendo onde...

Sabe Deus
Como é fria a nossa cama.
Sabe Deus
Como a minha voz te chama.

Só Deus sabe
Como calma era a manhã em que saíste
Nesse dia em que me deixaste
E para sempre partiste.

Mas se Deus quiser
Tu estarás à minha espera
Onde é sempre primavera.
Mas se Deus quiser
Voltarei para junto a ti.





quinta-feira, 9 de março de 2023

Se se morre de amor! ...

 

Hoje vou abrir este espaço para falar de literatura. Vou postar abaixo a publicação de "Treze Linhas Para Viver" – uma homenagem a Gabriel García Marquez – feita pelo escritor Fred Elboni (eoh.com.br) logo após o falecimento de Gabo em abril 2014. Elboni fez um compilado de treze frases escritas por ele no decorrer da sua vida e de certa forma as transformou numa prosa muito bonita, imperdível.

Como eternizou  Gonçalves Dias: Se se morre de amor! Não, não se morre, quando é fascinação que nos surpreende . Portanto, permita-se surpreender seu coração.

1. Gosto de você não por quem você é, mas por quem sou quando estou contigo.

2. Ninguém merece tuas lágrimas, e quem as merece não te fará chorar.

3. Só porque alguém não te ama como você quer, não significa que este alguém não te ame com todo o seu ser.

4. Um verdadeiro amigo é quem te pega pela mão e te toca o coração.

5. A pior forma de sentir falta de alguém é estar sentado a seu lado e saber que nunca vai poder tê-lo.

6. Nunca deixes de sorrir, nem mesmo quando estiveres triste, porque nunca se sabe quem pode se apaixonar por teu sorriso.

7. Pode ser que você seja somente uma pessoa para o mundo, mas para uma pessoa você seja o mundo.

8. Não passes o tempo com alguém que não esteja disposto a passar o tempo contigo.

9. Quem sabe Deus queira que você conheça muita gente errada antes que conheças a pessoa certa, para que quando afinal conheças esta pessoa saibas estar agradecido.

10. Não chores porque já terminou, sorria porque aconteceu.

11. Sempre haverá gente que te machuque, assim que o que você tem que fazer é seguir confiando e só ser mais cuidadoso em quem você confia duas vezes.

12. Converta-se em uma pessoa melhor e tenha certeza de saber quem você é antes de conhecer alguém e esperar que essa pessoa saiba quem você é.

13. Não se esforce tanto, as melhores coisas acontecem quando menos esperamos.

terça-feira, 7 de março de 2023

O chato de galochas


Ele - WhatsApp Sábado Três horas da manhã 

Querida, apenas ingeri uma porção etano etano etamos e, ah! entendeu, fou poca porca poyca, enfim, sp um golhe.Naum quieu precisasse de corretivo fdp fica vermeçhando tudo. É o ceguinte mariposa, digo arquiprincequesa, um term destes aí princinabababababababescos. Vô mijáevolto.
Querida, vorta para eu em mimde si mesma. 


Ela - WhatsApp de resposta quinze dias depois, ao meio dia

Arnaldinho, vou escrever de forma clara, concisa, sucinta e resumida: Adeus


Ele - WhatsApp de réplica quinze segundos depois

Quinze dias? Quinze dias? Você disse que me amava e leva quinze dias para envolver deus na conversa? Logo ele, tão cheio de problemas no mundo todo.


Ela - WhatsApp de tréplica doze dias depois

Arnaldo, vá à merda, vá ao inferno, vá se danar, vai ver se estou na esquina.


Ele - WhatsApp domingo sete horas da manhã 

Istouu mucho feliche com a dimi dimin diminoir redussçao de 15 para 12 dias para euminhaocenossos bicos se entrelaçara, sara? quem é sara? Que merda, naum tive nada com a saura. A laura foi so um tetixe getixe, festich, ah, foi fato, ams acabou. Eu teamoocê. AH, quiero contarrrr que fuindo fuindo fuindo e checheu na merda comocê mandou, conhessi o inferninho da dolores, nossa, a dolores, ams só mizade só izade, me daneime e agora tôna  esuqina para de modevê ocê. este maledeto corretor avremelha tudo, deve sde ser consumista ...

Ela - WhatsApp domingo sete horas da manhã  

Na esquina, sério? Olha, Arnaldinho, querido, lindinho, fica aí na esquina que daqui a exatos 20 anos passo aí.


Ele - WhatsApp domingo dezenove horas  

Graças a Deus, você reacendeu minha esperança ... pediu tempo, remarcou o encontro. Achei isto lindo. Estarei lá naquele dia e naquela hora. No fundo no fundo eu sei que você me ama. Vinte anos é logo ali.

É isto aí!






Como ser feliz e rico

 Alegria oposto de Tristeza - emoções

Felicidade oposto de Depressão

qual é a sua missão?

Felicidade é um estado, uma construção

qual é o sentido da sua vida?

estamos aqui para evoluir e não para ser feliz

quando está no caminho da sua missão, está feliz






segunda-feira, 6 de março de 2023

Aplicando alguns princípios fundamentais da Física na sua vida.


01 - Princípio da impenetrabilidade da matéria.

Dois corpos distintos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço e ao mesmo tempo. Ou do mesmo gênero, se diz que: Um corpo não pode ocupar ao mesmo tempo dois lugares distintos no espaço.

Acredite - Muitos motociclistas desconhecem esta lei bem como ignoram  a Lei da Gravidade.


02 - Princípio da conservação das massas. 

A Lei da Conservação das Massas ou Lei de Conservação da Matéria proposta por Lavoisier postula que: "A soma das massas das substâncias reagentes é igual à soma das massas dos produtos da reação."

Acredite - Balanças mentem - para mais ou para menos, depende dos interesses 


03 - Princípio da conservação do momento total.

Isto significa que a variável de uma equação que representa uma grandeza conservada é constante ao longo do tempo. A variável tem o mesmo valor antes e depois de um evento.

Acredite - Você nunca vai mudar aquela pessoa nem antes nem depois do casamento. 


04 - Princípio da conservação da energia.

Em física, o termo conservação refere-se a algo que não muda. Isto significa que a variável de uma equação que representa uma grandeza conservativa é constante ao longo do tempo. A variável tem o mesmo valor antes e depois de um evento. A energia é uma grandeza que se conserva. Em suma, a energia normalmente varia em colisões. 

Acredite - Aquela raiva que se transformou em mágoa pode até ter sido coroada com um perdão, mas não muda, e é coisa que não vai embora nunca mais.

É isto aí!


sábado, 4 de março de 2023

Magenta, a cor que não existe

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Author,Archie Crofton

O magenta oficialmente não existe.

Não há comprimento de onda de luz para o magenta, o que significa que é o cérebro humano que cria essa cor. Mas como?

Nós o percebemos apenas quando os cones S e L captam um sinal de luz vermelho e azul puro.

Não sabemos ainda porque o cérebro o cria. O mecanismo pode ter sido, contudo, muito útil a nossos ancestrais primatas que viviam em florestas verdes.

Frutas e flores da cor magenta teriam maior contraste contra um fundo verde, e vê-las tornou mais fácil para nossos ancestrais encontrar alimentos.

Nosso cérebro faz todos esses tipos de saltos cognitivos estranhos o tempo todo. Você pode se surpreender com o quanto do mundo ao seu redor não é exatamente o que parece ser.



quarta-feira, 1 de março de 2023

Interocepção e Propriocepção

Alto lá
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
Autora: Alejandra Martins
Fonte: BBC - 
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cxx79170863o

Temos sete sentidos e os cinco mais conhecidos são os menos importantes

Article information
Author,Alejandra Martins
Role,BBC News Mundo
26 fevereiro 2023

Nossa postura e as expressões do nosso rosto enviam sinais importantes ao cérebro - informações às quais ele reage, diz a neurocientista espanhola Nazareth Castellanos, que estuda o que a ciência tem chamado de ‘interocepção’ e ‘propriocepção’.


Nazareth Castellanos: 'Se faço uma cara de raiva, o cérebro interpreta que essa cara é típica de raiva e, portanto, ativa os mecanismos de raiva'

Enquanto você lê esta reportagem, como está seu corpo? Ereto ou curvado? E seu semblante, está relaxado? Ou você está franzindo a testa?

A nossa postura e o nosso rosto enviam sinais importantes ao cérebro, e é uma informação à qual nosso cérebro responde, como explica a neurocientista espanhola Nazareth Castellanos, pesquisadora do Laboratório Nirakara-Lab e professora da Universidade Complutense de Madri, na Espanha.

"Se faço uma cara de raiva, o cérebro interpreta que essa cara é típica de raiva e, portanto, ativa os mecanismos de raiva", diz Castellanos.

Da mesma forma, "quando o corpo está em uma postura típica de tristeza, o cérebro começa a ativar mecanismos neurais típicos da tristeza".

Isso porque "não temos apenas cinco sentidos — mas, sim, sete", afirma a cientista. E os cinco sentidos mais conhecidos — olfato, visão, audição, tato e paladar — "são os menos importantes para o cérebro".

Nazareth Castellanos conversou com a BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, sobre como a postura e as expressões faciais influenciam o cérebro, qual é o poder de um sorriso e o que podemos fazer para aprender a ouvir "os sussurros do corpo".


BBC News Mundo - Como você começou a investigar a relação entre a postura e o cérebro?


Nazareth Castellanos - Comecei a repensar a neurociência depois de passar 20 anos pesquisando apenas o cérebro. Parecia estranho para mim que o comportamento humano se apoiasse apenas em um órgão, que era o que está na cabeça. Antes disso, havia começado a estudar a influência de órgãos como o intestino no cérebro. E dizia: 'Não pode ser igual para o cérebro se meu corpo está curvado ou se meu corpo está ereto'. Então comecei a investigar, para ver o que a literatura científica dizia. Descobri coisas que me pareceram absolutamente surpreendentes e pensei: 'Todo mundo precisa saber disso'.


BBC - Você poderia nos explicar então por que a postura é importante e como ela influencia o cérebro?


Castellanos - O importante é entender que a neurociência já reconhece que temos sete sentidos. Na escola, sempre nos ensinaram que temos cinco — olfato, visão, audição, tato e paladar — que são os sentidos da exterocepção, ou seja, do exterior. E isso é muito simbólico, porque até agora a ciência se interessou mais por estudar a relação do ser humano com o exterior.

Agora, a neurociência diz há cerca de cinco anos que isso precisa ser expandido. Não temos apenas cinco sentidos, temos sete. E acontece que os cinco sentidos da exterocepção — audição etc. — são os menos importantes. O número um, o sentido mais importante, é a interocepção. Os dois sentidos mais importantes para o cérebro são a interocepção e a propriocepção


BBC - O que significa interocepção?


Castellanos - É a informação que chega ao cérebro sobre o que acontece dentro do organismo. O que está acontecendo dentro dos órgãos. Estamos falando do coração, da respiração, do estômago, do intestino. É o sentido número um porque, de todas as coisas que acontecem, é aquela a que o cérebro vai dar mais importância, é prioridade para o cérebro. E o número dois em prioridade é o sentido da propriocepção, a informação que chega ao cérebro sobre como está meu corpo por fora, a postura, os gestos e as sensações que tenho por todo o corpo.

Por exemplo, as sensações na barriga quando ficamos nervosos, ou um nó na garganta, ou os olhos pesados quando estamos cansados. A propriocepção é o segundo sentido mais importante. E, na sequência, vêm os outros cinco.


BBC - O que significa dizer que a interocepção e a propriocepção são o primeiro e o segundo sentidos (em ordem de prioridade) para o cérebro?


Castellanos - Já era conhecido que o cérebro precisa saber como está todo o corpo, mas antes se pensava que era uma informação passiva, a mudança agora é que isso é um sentido. Ou seja, um sentido é aquela informação que o cérebro recebe e à qual deve responder. Dependendo do que está acontecendo, o cérebro tem que agir de uma forma ou de outra, e essa é a grande mudança. Por exemplo, Quando eu franzo a testa, estou ativando minha amígdala (amigdala cerebelosa)


BBC - Em qual parte do cérebro percebemos nossa postura ou gestos?


Castellanos - Em nosso cérebro, existe uma área que é como uma tiara, como aquela que você usa para colocar no cabelo. Ela se chama córtex somatossensorial, e meu corpo está representado ali. Ele foi descoberto em 1952, e o que se pensava é que as áreas que são maiores em nosso corpo possuem mais neurônios no cérebro. Portanto, o que se pensava é que o cérebro dedicava muito mais neurônios às costas, que são muito grandes, do que, por exemplo, ao meu dedo mindinho.

Mas descobriu-se que não, que o cérebro dá mais importância a algumas partes do corpo do que a outras, e que as partes a que o cérebro dá mais importância no corpo são o rosto, as mãos e a curvatura do corpo.

Então, meu dedo mindinho tem cerca de cem vezes mais neurônios dedicados a ele do que as costas inteiras, do que a perna inteira, porque as mãos são muito importantes para nós. Observe que quando falamos estamos usando nossas mãos, estamos ativando essas áreas do cérebro.


BBC - Como os gestos faciais influenciam no cérebro?


Castellanos - O cérebro atribui uma importância tremenda ao que acontece no rosto. Aqui foram observadas coisas que são muito importantes. Por um lado, foi observado que as pessoas que franzem a testa — e isso é algo que fazemos muito com celulares que têm telas pequenas — estão ativando uma área relacionada à amígdala. É uma parte do cérebro que está em zonas profundas e que está mais envolvida na emoção.

Quando eu franzo a testa, estou ativando minha amígdala, portanto, se surgir uma situação estressante, vou ficar mais estimulado, vou reagir mais, porque já tenho essa área preparada. A amígdala, que é como uma amêndoa, é uma área que quando acontece uma situação de estresse, se ativa, cresce mais. Então, é uma área que é melhor manter calma. Mas se já estiver ativada, quando chegar uma situação estressante, ela vai hiperativar, e isso vai gerar uma hiper-reação. Tentar relaxar essa parte, o cenho, desativa um pouco a nossa amígdala, relaxa.


BBC - Em uma palestra, você mencionou um estudo fascinante com canetas que mostra como franzir a testa ou sorrir muda a maneira como interpretamos o mundo. Você poderia nos explicar este estudo?


Castellanos - Além da musculatura ao redor dos olhos, a segunda parte mais importante do rosto para o cérebro é a boca. Não temos noção do poder que ela tem, é impressionante. Então, o que os estudos fizeram, para analisar a hipótese da retroalimentação facial, foi pegar um grupo de pessoas e colocar uma caneta na boca delas. 

'Quando tinham a caneta na boca simulando um sorriso, as imagens pareciam mais simpáticas para elas' (imagem do estudo Strack et al. 1988)

Primeiro, elas tinham que segurar (a caneta) entre os dentes — estavam simulando um sorriso, mas sem sorrir, que era o importante. E mostravam para elas uma série de imagens, e elas tinham que dizer o quão simpáticas pareciam. Quando tinham a caneta na boca simulando um sorriso, as imagens pareciam mais simpáticas para elas.

Mas quando tinham a caneta entre os lábios, simulando uma cara de raiva, as mesmas imagens não pareciam mais tão agradáveis. Este é um estudo da década de 1980, mas muitos, muitos estudos foram feitos desde então.

Foi observado, por exemplo, que quando vemos pessoas sorridentes somos mais criativos, nossa capacidade cognitiva aumenta, a resposta neural diante de um rosto sorridente é muito mais forte do que diante de um rosto que não sorri ou uma cara emburrada.

A ínsula, que é uma das áreas do cérebro mais envolvidas na identidade, é ativada quando vemos alguém sorrir ou quando nós mesmos sorrimos. Sorrir não é rir, é diferente. Então vemos o poder que um sorriso tem sobre nós, porque o cérebro, como já dissemos, dedica um grande número de neurônios ao rosto.


BBC - Como o cérebro responde quando estamos sorrindo ou franzindo a testa?


Castellanos - Como dissemos, a propriocepção — que é a informação que chega ao cérebro sobre como está meu corpo e especificamente meu rosto — é uma informação à qual o cérebro deve reagir.

Se estou triste, se fico com raiva, se estou feliz, meu rosto reflete isso, mas também vice-versa. Se estou com uma cara de raiva, o cérebro interpreta "essa cara é característica da raiva, por isso ativa mecanismos de raiva", ou "essa cara é típica de tranquilidade e, então, ativa mecanismos de tranquilidade".

'A resposta neural diante de um rosto sorridente é muito mais forte do que diante de um rosto que não sorri ou uma cara emburrada', ou seja, o cérebro sempre busca o que se chama de congruência mente-corpo.

E isso é interessante porque: o que acontece se eu estiver triste ou com raiva, estressada e começar a fazer uma cara relaxada? A princípio, o cérebro diz "isso não bate, ela está nervosa, mas está com a cara relaxada".

E então começa a gerar algo chamado migração do estado de espírito. O cérebro diz: "tudo bem, então vou tentar combinar o estado de espírito com o rosto".

Em outras palavras, veja que recursos nós temos.


BBC - Você também estava falando sobre outro aspecto da propriocepção, a curvatura do corpo. Hoje, com os celulares, muitas vezes ficamos curvados, como isso afeta o cérebro?


Castellanos - O cérebro — e esta é uma descoberta de três meses atrás — tem uma área que se dedica exclusivamente a 'ler' a postura do meu corpo.

O que se observou é que existem posturas corporais que o cérebro associa a um estado emocional. Se eu, por exemplo, mover os braços para cima e para baixo, o cérebro não tem registro de que levantar a mão é algo emocional, porque não costumamos fazer isso, certo?

No entanto, estar curvado é algo característico da tristeza, isso porque, quando estamos mal, nos curvamos. Ultimamente, todos nós adquirimos posturas curvadas, porque passamos oito horas por dia em frente ao computador, entre outras coisas.


BBC - É a isso que se refere um famoso estudo que você menciona em suas palestras, aquele do computador?


Castellanos - Quando temos uma postura relaxada, isso afeta nossa percepção emocional do mundo e nossa memória. É aqui que entra um famoso experimento em que um laptop foi colocado na altura dos olhos dos participantes, e uma série de palavras aparecia na sequência.

No final, o computador era fechado, e se perguntava às pessoas quantas palavras elas lembravam. (Os pesquisadores) fizeram o mesmo colocando o computador no chão, de forma que obrigasse as pessoas a se curvarem.

O que foi observado? Que quando o corpo estava na posição curvada para baixo, as pessoas se lembravam de menos palavras, ou seja, perdiam a capacidade de memória e lembravam mais de palavras negativas do que positivas.

Ou seja, assim como quando estamos tristes, quando não somos tão ágeis cognitivamente e nos concentramos mais no lado negativo, quando o corpo está em uma postura característica de tristeza, o cérebro começa a ativar os mecanismos neurais típicos da tristeza.

Então, o que a ciência está nos dizendo? Bem, não é que você tenha que estar assim ou assado, mas estar mais consciente do seu próprio corpo ao longo do dia e ir corrigindo essas posturas que fomos adotado.

Eu, por exemplo, me observo muito e, de vez em quando, descubro que voltei a ficar curvada. Você corrige e, com o tempo, vai gradualmente adquirindo menos esse hábito.

Mas se você não tem essa capacidade de observar o próprio corpo, pode ficar horas assim e não se dar conta de que está assim.


BBC - Como então nos treinamos para ouvir mais o nosso corpo? Você costuma dizer que o corpo não grita, sussurra, mas não sabemos escutá-lo.


Castellanos - Acredito que a primeira coisa para saber como está nosso corpo é aprender a observá-lo. E o que os estudos nos dizem é que grande parte da população tem uma consciência corporal muito baixa.

Por exemplo, toda vez que sentimos uma emoção, a sentimos em alguma parte do corpo; as emoções sem o corpo seriam apenas uma ideia intelectual.

Há estudos em que se pergunta às pessoas: quando você está nervoso, onde localizaria em seu corpo essa sensação? Grande parte não sabe responder, porque nunca parou para observar o próprio corpo.

Então a primeira coisa é, ao longo do dia, parar para observar, como está meu corpo? E quando sentimos uma emoção, paramos por um momento e dizer: onde posso encontrá-la? Como sinto meu corpo agora? Ou seja, fazer muito mais observação corporal.

Nazareth Castellanos: 'Antonio Damasio fez muitos experimentos em que foi observado que pessoas que têm uma maior consciência corporal tomam decisões melhores '


BBC - E essa consciência corporal ajuda com as emoções difíceis?


Castellanos - Quando fico nervosa, por exemplo, sinto algo no estômago ou um nó na garganta. Tudo isso está sendo sentido pelo meu cérebro, ele recebe isso. Quando estou consciente dessas sensações, a informação que chega ao cérebro é mais clara e, portanto, o cérebro tem uma capacidade melhor de discernir uma emoção da outra.

Ou seja, uma coisa é esse sussurro quase inconsciente, e outra é transformá-lo em palavras.

E fazemos isso com a consciência, que também é uma aliada no gerenciamento das emoções. Porque quando estamos envolvidos em uma emoção, seja ela qual for, se pararmos naquele momento e desviarmos nossa atenção para as sensações do corpo, isso nos alivia muito.

É uma das formas de relaxar, de frear esse turbilhão em que nos metemos quando temos uma emoção. Isso se chama consciência corporal.

Já nos anos 1990, Antonio Damasio, o grande neurocientista do nosso tempo, falava dos benefícios deste marcador somático. Ele fez muitos experimentos em que foi observado que pessoas que têm uma maior consciência corporal tomam decisões melhores.

Na minha opinião, isso acontece porque não é que o corpo te diga para onde você deve ir — mas, sim, onde você está. E se estamos em uma situação complexa e há emoções envolvidas, e nem sequer eu sei onde estou ou que emoção estou tendo, é mais difícil para eu saber para onde devo ir.

As emoções são muito complexas e normalmente estão misturadas. Conseguir identificar uma emoção apenas com uma análise mental é mais difícil do que observando meu próprio corpo.

Mas é claro que para isso precisamos nos treinar, observar ao longo do dia as sensações do corpo, quando estou cansada, quando estou feliz, quando estou mais neutra, quando estou com raiva, quando estou sobrecarregada. Onde eu sinto isso? Isso nos ajuda muito a nos conhecer.


BBC - A postura curvada nos faz respirar pior, você poderia falar sobre a respiração e o cérebro?


Castellanos - A respiração é uma aliada que temos completamente em nossas mãos, mas não sabemos respirar.

A postura e a respiração estão intimamente relacionadas. Se você cuida da sua postura, cuida da sua respiração, então o que se observou na neuroanatomia da respiração é que a respiração influencia na memória, na atenção e no gerenciamento das emoções. Mas cuidado, isso se (a respiração) for nasal, se a inspiração for pelo nariz

Se inspiramos pela boca, e grande parte da população respira pela boca, não temos tanta capacidade de ativar o cérebro.

O cérebro precisa que marquem os ritmos para ele, e a respiração é um dos marca-passos que nosso cérebro possui para que os neurônios gerem seus ritmos, suas descargas elétricas. Se respiramos pela boca, é um marca-passo atenuado. Tem que ser a inspiração pelo nariz.

O momento em que mais temos memória é o momento em que estamos inspirando pelo nariz, nesse momento o hipocampo está ativado.

Se te disseram algo, uma palavra, no momento em que coincidiu com a inspiração, tem mais chance de ser lembrado do que se te dissessem quando você estava expelindo o ar, na expiração.

Isso nos remete a uma coisa muito interessante que é a respiração lenta. Normalmente respiramos muito rápido.

Para escutar os sussurros do corpo, temos que nos treinar — 'observar ao longo do dia as sensações do corpo, quando estou cansada, quando estou feliz, quando estou mais neutra, quando estou com raiva, quando estou sobrecarregada'


BBC - Qual a importância da respiração lenta?


Castellanos - Acabamos de publicar um estudo científico sobre o poder da respiração lenta como analgésico em casos de dor crônica por discopatia (deterioração dos discos entre as vértebras). 

E para as emoções, o importante é que o tempo que levamos para expirar, para tirar o ar, seja maior do que o tempo que levamos para inspirar. Olha que importante, quantas coisas podemos fazer com nosso próprio corpo.

Nosso corpo é o instrumento pelo qual soa nossa vida, mas é um instrumento que não sabemos tocar. Temos que aprender primeiro a conhecê-lo e, depois, a tocá-lo.




- Este texto foi originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/articles/cxx79170863o

domingo, 26 de fevereiro de 2023

Boubacar Traoré & Ali Farka Touré - Duna Ma Yelema


Fonte da Imagem (Wikipédia): Antiga cidade de Djenné (Mali) declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco

Música: Duna ma yelema (with Ali Farka Touré)

Artistas: Boubacar Traoré, Ali Farka Touré 

Compositor: Boubacar Traoré

Álbum: Je chanterai pour toi 

Boubacar Traoré (nascido em 1942 em Kayes, Mali) é um conhecido cantor, compositor e guitarrista malinense. Traoré é também conhecido como Kar Kar, "aquele que dribla muito" em Bambara (um dos idiomas do Mali), em referência ao seu modo de jogar futebol: "um apelido que tenho desde quando era jovem, quando as pessoas gritavam 'Kari, Kari' - drible, drible - o termo acabou pegando"

Ali Ibrahim "Farka" Touré (Kanau, Mali, 31 de outubro de 1939 – Bamako, 7 de março de 2006) foi um cantor e guitarrista malinês e um dos músicos mais internacionalmente reconhecidos do continente africano

Letra (Boubacar Traoré)

Duna ma yelema, bi ma de yelema la
Ni kokè mousso mi yé, o bi maflé nalomayé
Ni kokè tié ba mi yé, o bi maflé fiyentoyé

Tradução Livre https://aopedapitangueira.blogspot.com/

O mundo não mudou, é o povo de hoje que mudou
Se você faz algo por uma mulher, ela acha que você é um idiota
Se você faz algo por um homem, ele acha que você é cego





sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

A doença social do ódio


Subi a Colina do Observatório do Reino da Pitangueira e cheguei ao maior putoscópio do reino - O Putoscópio Imperial. Ao acessar e acionar suas lentes vi que o reino vizinho ainda está dividido, numa situação onde a parte derrotada permanece mergulhada num niilismo que exalta radicalmente a concepção materialista e positivista e retira do âmbito do Estado, da Religião e da Família todo poder e a capacidade de reger os passos do país.

Daí para eclosão de violência gratuita é um passo apenas, pois para seus seguidores toda e qualquer possibilidade de sentido, de significação da existência humana, inexiste. Não há forma alguma de se responder às questões levantadas. Eles simplesmente desprezam convenções, verdades absolutas, normas e preceitos morais. É a força motriz do ódio.

A doença social do ódio é contagiosa e destrói a vida, porque tudo o que produz é feito com ódio, ou seja, a economia, a ciência, a arte, a política, a ecologia e a religião. Já a harmonia se consegue trabalhando por uma economia ao serviço da vida, por uma ciência que busca a verdade, por uma política comprometida com o bem comum e por uma crença que seja um instrumento de reconciliação e de paz. 

O Reino em questão deveria voltar a amar a vida, superar a indiferença e o pessimismo, para que se possa tomar uma nova direção pacificadora, pois somente a amizade social supera o ódio, dá lugar ao perdão, ao diálogo, à aceitação, ao maravilhamento com a criação, ao cuidado mútuo e à convivência no amor.

Fonte¹ de referência: infoescola 
Fonte² de referência: Vatican news / Arquidiocese Cascavel

É isto aí!

 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Um dia de cada vez

Mestre Vitalino, Noivos a cavalo, cerâmica


Para tudo, gritou o rapaz do alto da pequena colina, montado num baio triste, magro, marrom-vermelhado com uma coloração de pontas pretas na crina, cauda, pontas das orelhas e pernas.

Todos olharam para a origem do grito e depararam com aquela figura conhecida, determinada, esquálida e longilínea por sobre um animal esbaforido. 

Desceu devagar, aproximou-se da noiva, deu a mão, ela firmou o pé esquerdo no estribo e segura, deu um sobressalto e montou, travando um abraço na cintura do rapaz e fazendo o animal dar um leve gemido. Seguiram o caminho do mundo, com aplausos de metade dos convidados para o casamento. 

O noivo, completamente embriagado, não deu conta da página da vida que estava sendo aberta, transformando destinos e acontecendo à vista de todos. Demorou perceber que algo de errado não estava certo. Assim que tentou dar ares de sobriedade, levou uma sonora vaia dos parentes e amigos da noiva. 

Enquanto isto, lépida e ladina, sentindo o desfecho desfavorável, a mãe do noivo pegou o que pode dos presentes e colocou na pequena charrete, tocando a mula para seu caminho cenoso.

Quando ficaram a sós, os pais da noiva e seus irmãos abraçaram-se agradecendo a bondade e a divina intervenção de Deus nas coisas complexas da natureza humana.

É isto aí!


Fonte da Imagem: Arte popular do Brasil

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Marcha da Quarta Feira de Cinzas (Vinicius de Moraes/Carlos Lyra)

                                                             Fonte da Imagem: Passeata dos Cem Mil Wikipédia


“Marcha da quarta-feira de cinzas” foi composta em 1962 por Carlos Lyra (1936) e Vinícius de Moraes (1913/1980).

A melodia foi composta por Carlos Lyra
Vinícius de Moraes então colocou letra nesta pérola da MPB.

Composta antes de 1964, a “Marcha da quarta-feira de cinzas” é assim uma espécie de protesto premonitório contra a realidade imposta pela ditadura militar. Pertence àquela fase inicial do CPC (Centro Popular de Cultura) em que Carlos Lyra incorpora à sua obra uma temática político-nacionalista, tendo sido feita no mesmo dia em que ele e Vinícius haviam concluído o “Hino da UNE” (“De pé a jovem guarda / a classe estudantil / sempre na vanguarda / trabalha pelo Brasil…”).

Mas, com sua mensagem disfarçada no lirismo melancólico de uma marcha-rancho, a composição pode ser considerada um belo exemplar do gênero música de protesto: “Acabou nosso carnaval / ninguém ouve cantar canções / ninguém passa mais brincando feliz / e nos corações / saudades e cinzas foi o que restou…” A passagem com o acorde de sétima maior de dó antecedendo a frase “e no entanto é preciso cantar”, após a pungente primeira parte, cria um momento mágico, na medida em que envolve a plateia inteira e a faz cantar suavemente embalada por um simples violão.

Um clássico de seu tempo, a “Marcha da quarta-feira de cinzas” é uma daquelas raras canções capazes de encerrar com elevada dose de emoção um espetáculo musical. Embora consagrada pela voz de Nara Leão , teve sua gravação inicial por Jorge Goulart em fevereiro de 1963.

A canção fez parte da trilha sonora da novela “Fera ferida” Vol.2 (1993/94 – Leila Pinheiro).

Fonte: A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34.


Marcha da Quarta Feira de Cinzas
(Vinicius de Moraes/Carlos Lyra)

Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais
Brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas
Foi o que restou

Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando
Cantigas de amor

E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade

A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida
Feliz a cantar

Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe

Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza
Dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando
Seu canto de paz


Provided to YouTube by Universal Music Group

Marcha Da Quarta-Feira De Cinzas · Nara Leão

Nara

℗ 1964 Universal Music International

Released on: 1964-01-01

Associated  Performer, Vocalist: Nara Leão
Producer: Aloysio de Oliveira
Producer, Assistant  Producer: José Delphino Filho
Producer, Assistant  Producer: Peter Keller
Composer  Lyricist: Carlos Lyra
Composer  Lyricist: Vinícius de Moraes




quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Carnaval chegando ...


Insensato destino

Compositores: Acyr Cruz / Francisco Souza / Mauricio Lins
Letra de Insensato destino © Warner Chappell Music, Inc
Imagem: Heitor dos Prazeres / Roda de Samba


Oh, insensato destino
Pra quê?
Tanta desilusão
No meu viver

Eu quero apenas ser feliz
Ao menos uma vez
E conseguir
O acalanto da paixão

Fui desprezado e magoado
Por alguém que abordou
Meu coração

Destino
Porque fazes assim?
Tenha pena de mim
Veja bem - Não mereço sofrer

Quero apenas um dia poder
Viver num mar de felicidade
Com alguém que me ame
De verdade


Fonte Youtube: Samba de Raiz




segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Barrado na porta do ChatGPT


O ChatGPT, a coqueluche do momento, o ORKUT da década de 20, o portal do século XXI, que foi lançado em novembro de 2022, vetou o meu acesso pois cismou que não sou humano. A princípio achei que era somente um mal entendido, fui nas configurações, avaliei tudo que poderia significar aquilo, mas foi em vão. O ChatGPT disse repetidas vezes que sou uma máquina e pronto. 

Conclui que o ChatGPT sabe muito, mas não sabe tudo.

Segundo o NY Times, o entusiasmo em torno da aplicação da tecnologia de OpenAI lembrou outros momentos que "viraram o Vale do Silício de cabeça para baixo, desde a chegada do primeiro iPhone e do mecanismo de busca Google até o introdução do navegador Netscape que preparou o cenário para a comercialização da internet". 

Para Bill Gates, o ChatGPT vai mudar o mundo: "Até agora, a inteligência artificial podia ler e escrever, mas não conseguia entender o conteúdo. Os novos programas como o ChatGPT vão tornar muitos trabalhos de escritório mais eficientes. Isso vai mudar o nosso mundo”.

Para o Reino da Pitangueira, é a prova de que não é bem tudo isto que está por aí.

É isto aí!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Tempo bom


Tempo bom
não é e nem pode
ser aquele
que não volta mais 

Tempo bom
é exatamente aquele
que da sua memória
não sairá jamais.

É isto aí!