quinta-feira, 5 de outubro de 2023

todas as tensões


Fonte da Imagem: Enrique/Pixabay
Jornal Estado de Minas 03/07/2023


O tempo
está tenso
todos tensos 
todas as tensões
tensionam vidas
sacrificam vidas
aniquilam vidas
neste tempo
tenso
todo tenso
todos tensos
em todo o tempo

É isto aí!



O Grito


Alto lá
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei de duas fontes
Fonte da Imagem: Wikipédia
Fonte do Texto 1 : Wikipédia
Fonte do Texto 2 : Stoodi (Blog Stoodi)

Texto 1: Wikipédia

O Grito é uma série de quatro pinturas do norueguês Edvard Munch, 1893. A obra representa uma figura andrógina num momento de profunda angústia e desespero. O plano de fundo é a doca do fiorde de Oslo ao pôr do sol

Autor: Edvard Munch

Data: 1893

Dimensões: 91 centímetro x 73,5 centímetro

Localização: Galeria Nacional (Noruega)

Técnica: Óleo sobre tela, Têmpera e Pastel sobre cartão


Texto 2: Stoodi (Blog Stoodi)

Quadro O grito (Edvard Munch)

Como a obra de arte é de origem norueguesa, o nome “O grito” é traduzido, sendo seu nome original Skrik. Vale ressaltar que essa pintura compõe uma série com outros três quadros, todos eles produzidos no final do século XIX pelo pintor norueguês Edvard Munch. Atualmente, os quatro quadros se encontram em Oslo, a capital da Noruega: dois no Museu Munch, um na Galeria Nacional e o outro como propriedade privada.

Em relação à sua análise, o quadro tem como plano de fundo o pôr do sol da doca de Oslofjord, em Oslo. Nele, o autor inseriu uma figura andrógina (algo que não é masculino nem feminino) sem cabelo, com uma forte expressão facial de grito e desenhada em cores frias. Tudo isso para evidenciar um momento de absoluta angústia, descrença existencial e dor acompanhada de um estado precário de saúde.

Outro ponto que merecer ser destacado no quadro é o desenho representado por linhas tortas, com intuito de dar ênfase ao clamor da figura, que emana um grito de socorro mesmo, como se as ondas sonoras saíssem de sua boca e contaminassem o ambiente ao redor. A angústia da personagem não está demonstrada apenas em seu grito, mas sim no embaralhado plano de fundo, o que sugere a distorção de mundo de uma pessoa que sofre.

Devido a todos esses elementos, um observador qualquer consegue identificar de forma quase que imediata e natural a angústia e a dor transmitidas pela figura, fato este que potencializa o impacto da obra, uma vez que propaga a sua mensagem por meio da sensibilização do público.

Poema

A versão do quadro de 1895 é a única que tem a moldura pintada pelo próprio Edvard Munch, contendo um poema que descreve de onde veio sua inspiração para desenvolver a obra.

O grito

Estava andando pela estrada com dois amigos

O sol se pondo com um céu vermelho sangue

Senti uma brisa de melancolia e parei

Paralisado, morto de cansaço…

… meus amigos continuaram andando — eu continuei parado

tremendo de ansiedade, senti o tremendo Grito da natureza.


Quem foi Edvard Munch?

Nascido em 1863 na capital da Noruega e falecido em 1944 em sua cidade natal, Edvard Munch foi um célebre pintor responsável pela obra mais famosa do movimento expressionista: O grito. Abordando em suas obras principalmente as temáticas morte e doença, estudou na Escola de Artes e Ofícios de Oslo e em Paris, onde foi muito influenciado pelas pinturas de Van Gogh e Gauguin.

Por ser um dos maiores expoentes do expressionismo, bem como por ser o pintor norueguês com maior visibilidade, foi criado em Oslo um museu exclusivo para suas obras. É importante frisar que o impacto de suas obras não foram restritos à época, visto que até hoje suas pinturas são estudadas e admiradas ao redor de todo o planeta.

terça-feira, 3 de outubro de 2023

Papo de Esquina

- Eu digo que a honestidade está relacionada a dizer a verdade, mas os filósofos concordam que dizer a verdade - toda a verdade - é, às vezes, praticamente e teoricamente impossível, além de moralmente desnecessário ou até errado. 

- Entendo sua fala, mas a relação entre honestidade e verdade é muito mais sutil. Ser honesto envolve a capacidade de selecionar, de uma maneira que é sensível ao contexto, certos detalhes sobre nossas vidas. No mínimo, a honestidade exige uma compreensão de como nossas ações se encaixam ou não nas regras e expectativas da outra pessoa - qualquer pessoa com quem nos sentimos obrigados a relatar (inclusive a nós mesmos).

- Só que vocês estão esquecendo que a honestidade também está relacionada à autenticidade. Existe a relação entre honestidade e o eu. Ser honesto conosco parece ser uma parte essencial do que é preciso para ser autêntico. Somente aqueles que podem se enfrentar, com toda a sua peculiaridade, parecem capazes de desenvolver uma persona que é verdadeira consigo mesma - portanto, autêntica.

- Melhor refletir sobre tudo ou não pensar mais nisto. Muito complicado...

É isto aí!

Casos normais da vida


O quarto não era grande, mas confortável. Tinha um corredor de 25 centímetros que era o batente que dava para a área dia. Chamava área vip de noite; área vip elegante neon nas raves. Cada cômodo tinha uma lâmpada, só podia ser uma. Todo o palácio tinha três tomadas e a chave sempre caia.

A área dava para a saída e tinha anexos peculiares, a saber: banheiro conjugado lilás; cozinha de boneca claustrofóbica minimalista e lavanderia histérica sem varal, sem janela, sem passagem para Nárnia. Havia na parede uma elegante mesa basculante, de plástico, manca.

O vizinho mal humorado da frente fez uma puxadinha para o corredor até o limite da escada. A vizinha gostosinha, do lado esquerdo, fez um anexo nos degraus da escada e alugava por um aplicativo o espaço privilegiado, com vista para a praça, banheiro privativo e área de fumante.

Um dia, digo, numa noite calma e estrelada, a vizinha gostosinha bateu na minha porta, abri e entrou chorando. Fiquei com dó, fiquei com pena, achava ela gostosinha e levou dois anos para conversarmos sobre esta situação. Ela chorou e ficou mais um tempo, e depois chorou e ficou mais outro tempo.

Mês passado ela foi embora. Chorei prá caramba. Amanhã vou mudar daqui. De madrugada ela bateu na porta, eu abro, está assustada, machucada e chorando, me abraça, diz que me ama e pronto, saí antes de amanhecer o dia para levantar recursos para a nova vida. . Não sou sentimentalista, mas ela tinha mexido comigo. Voltei de noite, ela abriu a porta, estava linda. Pedi em casamento, disse não, não, não, fez sua mala e sumiu. Nunca mais vi.

É isto aí!

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Mal da Circunferência

 - Macleisson Maquilarem, quem é Macleisson Maquilarem?

- Pode entrar no consultório 3A, que o médico irá atendê-lo.

- Muito obrigado. Irei agora...

- O que o senhor está esperando?

- Nada, só uma coisa que me ateve os sentidos, mas já estou bem.

- Venha, vou levá-lo ao consultório. O médico está esperando.

- Bom dia, senhor Macleisson.

- Bom dia, a senhora é a secretaria do médico?

- Não, eu sou a médica. Algum problema?

- Sim ,muitos problemas, mas a senhora vai me examinar sem roupa?

- Se necessário, sim, mas vamos conversar primeiro, sente-se.

- (suando muito) Obrigado, vou sentar mesmo, estou precisando disto.

- Mas o que o trás aqui? O que está sentindo? 

- A senhora vai achar bobagem, mas eu ... eu ... é ... eu tenho um negócio diferente.

- Como assim diferente?

- O Seu Jatinho, é que o nome dele é Jatonaldo Ja do pai, seu Jair, To do pai Torres e Naldo da mãe Aguinaldalinda. A Dona Linda tinha certeza que era uma menina e aí ia chamar Jatonalda Linda, separado, já que a linda da mãe é junto. Mas aí nasceu o Seu Jatinho e, bem, acho que é isto. Mas o Nome dele todo é Jatonaldo Lindo das Torres Dojair.

- Bem, já que o senhor me apresentou o Sr Jatinho, onde que ele entra nesta história da sua vinda a esta unidade de saúde?

- Ah, é esqueci de onde entrava o Seu Jatinho. O caso é que amanheço confuso, saio pro pasto e esqueço do nome das vacas, aí azeda o leite, pois os bezerros ficam nervosos, aí o dia começa atazanado, aí descobri que estou pelado, aí dá vontade de ir na privada fazer as coisas, mas estou longe da casa, ai corro e aí não chego a tempo. Mas o caso é que só gosto de fazer em casa, na minha privada e de uns tempos para cá tenho feito no caminho. Até que o mato ficou até mais viçoso, sabe como é... mas aí chego em casa e não lembro por que corri tanto. Aí outro dia o Seu Jatinho teve lá em casa, ele é mascate de ervas medicinais, faz chá disto, daquilo, sabe muito o Seu Jatinho. Aí ele me examinou, bateu os ouvidos nas minhas costas, examinou as unhas dos meus pés e apertou uns pontos doloridos na minha orelha direita e depois na orelha ... na orelha .. na outra orelha e aí disse que eu padecia do Mal da Circunferência.

- Mal da Circunferência... interessante

- É doutora, ocorre quando o matuto fica rodeando nele mesmo sem sair do lugar, até mesmo para as caganças e mijanças que teimam em circunferenciar fora do centro.

- Bem, vou examinar o senhor, passarei uma bateria de exames e aguardo seu retorno.

- Mas assim sem passar nem uma cibalena sequer?

É isto aí!


domingo, 1 de outubro de 2023

Encontros estranhos

Fonte da imagem: Nosferatu, o vampiro da noite.
Direção: Werner Herzog
Roteiro Werner Herzog
Elenco: Klaus Kinski, Isabelle Adjani, Bruno Ganz


A RH - Nome?

O Anônimo- É... do que exatamente a senhorita quer um nome?

A RH   Ora, ora, um engraçadinho psicanalisado.

O Anônimo- Pelo visto somos dois os psicanalisados nesta sala. 

A RH - Saiba, senhor, que a introdução da linguagem cria uma separação entre as palavras e as coisas, num movimento que em termos lacanianos pode ser definido como uma transposição de registro.

O Anônimo- Sei disto e sei que além disso, por intermédio da simbolização, algo morre no real, onde a rigor tinha apenas ex-sistência que é um termo que Lacan toma por empréstimo a Heidegger, e emerge no simbólico, onde passa a fazer parte da realidade 

A RH - Isto mesmo, já que em Lacan difere do real enquanto registro. 

O Anônimo - Sabia que em Freud o ato fundador da ordem simbólica está ligado à morte?

A RH - Você ... você ... não me é estranho. Você faz terapia com o dr ...

O Anônimo - Por favor, não fale mais nada. Há em mim uma satisfação que almeja a pulsão de morte

A RH - É a pulsão das nossas vibrações. É o gozo, este impulso desenfreado para o prazer gerando repetição, excesso, desprazer, sensações devastadoras que estão colocando em xeque nosso equilíbrio humano.

O Anônimo - Que se dane o arco simbólico entre o real indiferenciado do gozo absoluto e o real indiferenciado da morte. Vou te beijar toda.

 A RH - Ai ai ai ui ui ui qual o seu ... no... qual o seu ... no ... ai aia ai me...aiai...


É isto aí!

sábado, 30 de setembro de 2023

O olhar fatal


Ato 1

Ele deixou escapar um "Vá à merda", disse alto ou gritou baixo, e num repente instantâneo dezenas de pares de olhos voltaram para o casal. 

Ela continuou fuzilando-o com o olhar e ele, cabisbaixo, levantou-se e partiu rumo ao deserto.

Ato 2

Por que você sempre volta ao ponto de partida?
Porque você não sabe jogar
E posso saber o por quê?
Porque você é muito chato.

Ela continuou fuzilando-o com o olhar e ele, cabisbaixo, levantou-se e partiu rumo ao deserto.

Ato 3

Lembra da nossa música?
Nossa música? Nós temos uma música para chamar de nossa?
Temos uma para esta ocasião, especificamente, disse ela. 
Ah, lembrei, a Marcha Fúnebre de Chopin. 

Ela continuou fuzilando-o com o olhar e ele, cabisbaixo, levantou-se e partiu rumo ao deserto.

É isto aí!


Mudar dói.


E nem tudo são palavras, refletiu instintivamente, feito um lobo solitário nas colinas. Era frio, madrugada avançando, pensou no segredo, nos desejos secretos, nos acenos discretos e nas coisa que devoravam seus olhos. Balançou a cabeça a princípio com o espírito negativista, aí começou a sorrir, continuou a balançar a cabeça, agora no sentido da descoberta de como pode ser tão incoerente com seus sentimentos. 

Fez um balanço das extraordinárias conquistas, das ordinárias derrotas e das ridículas ações reacionárias a fim de restaurar um status quo exclusivo do passado. Colocou as mãos na cabeça, perplexo com a sua imaturidade, de maneira que assombrado e atordoado, engoliu e seco seus sentimentos, todos eles ali, ávidos para interagir contra seus desejos, sobretudo os desejos da mudança.

Jurou que nunca mais daria sentido à suas dores, angústias, já que sentimentos são o que são e desejos são incompatíveis com as dores. Descobriu que mudar tem custo alto, mas para alimentar a esperança e eliminar o medo de ser feliz, o passado tem que ser o que é - só um passado. 


É isto aí!

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

Deixa eu dizer que amo você


Deixa o vinho respirar
deixa eu beijar você
deixa o dia passar
que a vida é um flash

deixa ser saudade
deixa lembrar 
das suas mãos suadas
da sua voz embargada

deixa eu chorar
deitado no colo
que agora é falta,
ausência e mágoa.


É isto aí!

Pertencimento



pé de cebola
pá de cal
pó da estrada
pico da serra

pés descalços
paz na terra
ponta do pé
piau e pilão

para sempre
por toda a vida
pertencimento 
plural ao amor

É isto aí!
 



terça-feira, 26 de setembro de 2023

Ainda uma vez - Adeus (Gonçalves Dias)

Gonçalves Dias (Aldeias Altas MA, 10 de agosto de 1823 – Guimarães MA, 3 de novembro de 1864) foi um poeta, advogado, jornalista, etnógrafo e teatrólogo brasileiro. Um grande expoente do romantismo brasileiro e da tradição literária conhecida como "indianismo".

É famoso por ter escrito o poema "Canção do Exílio", o curto poema épico I-Juca-Pirama e muitos outros poemas nacionalistas e patrióticos, além de seu segundo mais conhecido poema chamado: Canções de Exílio que viriam a dar-lhe o título de poeta nacional do Brasil. Foi um ávido pesquisador das línguas indígenas e do folclore brasileiro.

Alto lá
Este texto abaixo não é meu
Confesso que copiei e colei 
Autor: Fernando Bandini (Professor de Literatura)
Fonte: SAMPI (Jornal de Jundiaí) em 03/05/2023

Alto lá
Este poema abaixo não é meu
Confesso que copiei e colei
Fonte: UNAMA (Universidade da Amazônia)


"Enfim te vejo! enfim posso,/Curvado a teus pés, dizer-te,/Que não cessei de querer-te,/Pesar de quanto sofri". Assim começa "Ainda uma vez -- adeus", de Gonçalves Dias, obra-prima da dor-de-cotovelo na literatura de língua portuguesa. 

Neste ano do bicentenário do poeta maranhense (ele nasceu em 10 de agosto de 1823), vamos relembrar alguns de seus versos mais significativos. "Ainda uma vez..." nasceu de um desafortunado caso de amor. Todos sabem que Antônio Gonçalves Dias é um dos grandes nomes de nossa literatura. Um escritor e tanto, admirado pelos colegas (Manuel Bandeira, por exemplo, foi um dos gigantes a louvá-lo), reconhecido em vida e perpetuado pela história literária. 

Mas (ah, essa terrível conjunção) houve quem com ele não simpatizasse, e não por razões artísticas, mas por preconceito racial e ranço moralista. O poeta conheceu uma jovem maranhense, Ana Amélia Ferreira do Vale, em 1851, quando ela tinha 20 anos, e ele, 28. Apaixonou-se pela garota. Ele era então um bacharel em Direito formado em Coimbra, talentoso poeta e dramaturgo em ascensão, que viria a publicar "Canção do exílio" ("Minha terra tem palmeiras/Onde canta o sabiá(...)"), um dos textos mais populares da literatura brasileira. 

Pediu a mão de Ana Amélia em casamento, mas a mãe dela recusou. A sogra não queria por genro um rapaz mestiço e bastardo (o pai do autor, comerciante português radicado no Maranhão, engravidou uma jovem cafuza, mas não se casou com ela). O poeta escreveu carta ao amigo José Joaquim, irmão de Ana Amélia, tratando de seu drama sentimental. O documento está preservado no acervo do Instituto Moreira Salles. 

Rejeitado pela família de quem amava, Gonçalves Dias casou-se em 1852 com Olímpia da Costa. Viveram um casamento atribulado, desfeito em 1856. O casal teve uma filha, morta ainda na primeira infância. Seguindo o figurino da época, Ana Amélia casou-se com um marido escolhido pela mãe da noiva. Um dos motivos para brotar o "Ainda uma vez..." seria o reencontro casual de Gonçalves Dias com a quase ex - ela de braço dado com o marido. Ana Amélia fingira não o conhecer e teria lhe virado o rosto. Passagem que inspiraria o trecho "Mas que tens? Não me conheces?/ De mim afastas teu rosto?/Pois tanto pode o desgosto/Transformar o rosto meu?". O eu lírico quer se iludir, supondo que ela não o reconheceu porque o sofrimento transformara demais e para pior as feições dele. 

A estrofe final notabilizou-se como exemplo bem acabado do exagero sentimental romântico: "Lerás porém algum dia/Meus versos, d'alma arrancados,/D'amargo pranto banhados,/Com sangue escritos; e então/Confio que te comovas,/Que a minha dor te apiede,/Que chores, não de saudade,/Nem de amor, de compaixão".


Ainda uma vez - Adeus

I
Enfim te vejo! — enfim posso,
Curvado a teus pés, dizer-te,
Que não cessei de querer-te,
Pesar de quanto sofri.
Muito penei! Cruas ânsias,
Dos teus olhos afastado,
Houveram-me acabrunhado
A não lembrar-me de ti!

II
Dum mundo a outro impelido,
Derramei os meus lamentos
Nas surdas asas dos ventos,
Do mar na crespa cerviz!
Baldão, ludíbrio da sorte
Em terra estranha, entre gente,
Que alheios males não sente,
Nem se condói do infeliz!

III
Louco, aflito, a saciar-me
D’agravar minha ferida,
Tomou-me tédio da vida,
Passos da morte senti;
Mas quase no passo extremo,
No último arcar da esp’rança,
Tu me vieste à lembrança:
Quis viver mais e vivi!

IV
Vivi; pois Deus me guardava
Para este lugar e hora!
Depois de tanto, senhora,
Ver-te e falar-te outra vez;
Rever-me em teu rosto amigo,
Pensar em quanto hei perdido,
E este pranto dolorido
Deixar correr a teus pés.

V
Mas que tens? Não me conheces?
De mim afastas teu rosto?
Pois tanto pôde o desgosto
Transformar o rosto meu?
Sei a aflição quanto pode,
Sei quanto ela desfigura,
E eu não vivi na ventura...
Olha-me bem, que sou eu!

VI
Nenhuma voz me diriges!...
Julgas-te acaso ofendida?
Deste-me amor, e a vida
Que me darias — bem sei;
Mas lembrem-te aqueles feros
Corações, que se meteram
Entre nós; e se venceram,
Mal sabes quanto lutei!

VII
Oh! se lutei!... mas devera
Expor-te em pública praça,
Como um alvo à populaça,
Um alvo aos dictérios seus!
Devera, podia acaso
Tal sacrifício aceitar-te
Para no cabo pagar-te,
Meus dias unindo aos teus?

VIII
Devera, sim; mas pensava,
Que de mim t’esquecerias,
Que, sem mim, alegres dias
T’esperavam; e em favor
De minhas preces, contava
Que o bom Deus me aceitaria
O meu quinhão de alegria
Pelo teu, quinhão de dor!

IX
Que me enganei, ora o vejo;
Nadam-te os olhos em pranto,
Arfa-te o peito, e no entanto
Nem me podes encarar;
Erro foi, mas não foi crime,
Não te esqueci, eu to juro:
Sacrifiquei meu futuro,
Vida e glória por te amar!

X
Tudo, tudo; e na miséria
Dum martírio prolongado,
Lento, cruel, disfarçado,
Que eu nem a ti confiei;
“Ela é feliz (me dizia)
“Seu descanso é obra minha.”
Negou-me a sorte mesquinha...
Perdoa, que me enganei!

XI
Tantos encantos me tinham,
Tanta ilusão me afagava
De noite, quando acordava,
De dia em sonhos talvez!
Tudo isso agora onde pára?
Onde a ilusão dos meus sonhos?
Tantos projetos risonhos,
Tudo esse engano desfez!

XII
Enganei-me!... — Horrendo caos
Nessas palavras se encerra,
Quando do engano, quem erra.
Não pode voltar atrás!
Amarga irrisão! reflete:
Quando eu gozar-te pudera,
Mártir quis ser, cuidei qu’era...
E um louco fui, nada mais!

XIII
Louco, julguei adornar-me
Com palmas d’alta virtude!
Que tinha eu bronco e rude
C’o que se chama ideal?
O meu eras tu, não outro;
Stava em deixar minha vida
Correr por ti conduzida,
Pura, na ausência do mal.

XIV
Pensar eu que o teu destino
Ligado ao meu, outro fora,
Pensar que te vejo agora,
Por culpa minha, infeliz;
Pensar que a tua ventura
Deus ab eterno a fizera,
No meu caminho a pusera...
E eu! eu fui que a não quis!

XV
És doutro agora, e pr’a sempre!
Eu a mísero desterro
Volto, chorando o meu erro,
Quase descrendo dos céus!
Dói-te de mim, pois me encontras
Em tanta miséria posto,
Que a expressão deste desgosto
Será um crime ante Deus!

XVI
Dói-te de mim, que t’imploro
Perdão, a teus pés curvado;
Perdão!... de não ter ousado
Viver contente e feliz!
Perdão da minha miséria,
Da dor que me rala o peito,
E se do mal que te hei feito,
Também do mal que me fiz!

XVII
Adeus qu’eu parto, senhora;
Negou-me o fado inimigo
Passar a vida contigo,
Ter sepultura entre os meus;
Negou-me nesta hora extrema,
Por extrema despedida,
Ouvir-te a voz comovida
Soluçar um breve Adeus!

XVIII
Lerás porém algum dia
Meus versos d’alma arrancados,
D’amargo pranto banhados,
Com sangue escritos; — e então
Confio que te comovas,
Que a minha dor te apiade
Que chores, não de saudade,
Nem de amor, — de compaixão. 

domingo, 24 de setembro de 2023

Discutindo a relação (Sobre absurdos e frações)

Cleodersom, eu menti para você.

Como assim, Neidiana Glover?

Menti mentindo. É esta angústia, sabe?

Por que você está falando isto, Neidiana Glover?

Porque você não percebeu. Se percebeu, não falou. Se não falou, me sinto triste.

Então você está triste porque achou que eu pensei que você mentiu? É isto?

Sim  e não, Cleodersom.

E quais seriam os quereres do não, Neidiana Glover?

Como você é insensível, Cleodersom.

Então passou uns boizinhos de coisas entre nós dois, é isto Neidiana Glover?

Passou uma boiada, Cleodersom.

Boiada com chifre ou sem chifre, Neidiana Glover?

Mas isto é a ultrapassagem do limite do absurdo, seu, seu, seu  bruto, deselegante, primitivo, troglodita. Saiba que pela matemática, demonstração por absurdo é uma prova de que algo é falso pela comprovação de que seu inverso é verdadeiro.

Matemática? Estou fora, Neidiana Glover, nunca fui bom de contas e agora isto, e sim, você está feia.


É isto aí


sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Ai, Que Saudade D'ocê (Vital Farias)




Ai, Que Saudade D'Ocê é uma canção, composta em 1982 pelo paraibano Vital Farias, que se tornou seu maior sucesso, tendo sido regravada por vários artistas, especialmente os grandes expoentes da música nordestina tais como Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Fagner, Israel Filho, e mais recentemente Zeca Baleiro,

Ai Que Saudade D'ocê (Vital Farias)

Fonte: Letras mus

Não se admire se um dia, 
um beija flor invadir
A porta da tua casa,
te der um beijo e partir

Foi eu que mandei o beijo 
que é pra matar meu desejo
Faz tempo que eu não te vejo, 
ai que saudade d'ocê

Se um dia ocê se lembrar,
escreva uma carta pra mim
Bote logo no correio,
com frases dizendo assim

Faz tempo que eu não te vejo, 
quero matar meu desejo
Lhe mando um monte de beijo 
ai que saudade sem fim

E se quiser recordar 
aquele nosso namoro, 
quando eu ia viajar
Você caía no choro, 

eu chorando pela estrada,
mas o que eu posso fazer
trabalhar é minha sina
eu gosto mesmo é d'ocê



A maré do ex-amor



As saudades mais fortes ocorrem nas solidões que estão mais próximas ao coração e à ausência, enquanto isto acontece, nas demais regiões da alma fluem de maneira mormente as dores de baixa tristeza, vinculadas ao sentimento de culpa. E o corpo que se vire na melhor posição.

Quando a lágrima triste está mais próxima da face, aquela, a saudade, é atraída por esta com maior intensidade; daí vertem lágrimas doídas e lágrimas de amor findo maculadas pelo suor de outra alguém nos braços. Nunca é a mesma coisa, mas a maré vai e vem ... vai e vem ... vai ... vai ... e vem ...


É isto aí!

Histórias de amor em Bucareste

Deixou o bilhete sob a xícara de café e partiu rumo ao vazio da sua existência, que acreditava estar em Bucareste. Há muitas semanas comparecia aos encontros oníricos com uma cigana romena, que insistia com sua presença para enfim serem felizes.

Ela acordou, não viu o papel mal escrito com lápis ou não deu maior atenção; dispensou na lixeira, arrumou a cozinha, escreveu um bilhete num post it neon, com lápis de sobrancelha e colou na porta da geladeira - querido, sinto muito, mas estou partindo para Bucareste para encontrar o amor da minha vida. Fui ser feliz!

À noite reencontravam-se no que chamavam de lar. Bucareste é muito longe, pensavam mutuamente ..., e viveram mais uma noite, um no sonho do outro e outra noite e outra noite, até que um dia, sem bilhetes, fugiram para dentro dos seus sonhos.


É isto aí!


Fonte da imagem: Casal Romani (Cigano) década de 1890




quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Presença (Mário Quintana)


Poema Presença foi publicado em 1976 no livro Apontamentos da História Sobrenatural de Mario Quintana
Ano: 1976 / Páginas: 174
Editora: Editora Globo

Mario Quintana nasceu no Rio Grande do Sul, na cidade de Alegrete, em 30 de julho de 1906. Foi poeta, tradutor e jornalista que começou a escrever durante a adolescência e publicou seus primeiros trabalhos na revista da escola. É considerado um dos maiores escritores brasileiros do século XX, mestre da palavra, do humor e da síntese poética.



Presença (Mário Quintana)

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos…

É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo…

Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.

É preciso a saudade para eu sentir
como sinto – em mim – a presença misteriosa da vida…
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato…
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Aprenda a chamar os Anjos por suas devidas competências


Fonte Vídeo: Exército de São Miguel - Instituto Hesed Oficial


Fonte do Texto: Catequistas Brasil 

Fonte da imagem: Wikipédia / Angelologia cristã


Primeira hierarquia:

É formada pelos Santos Anjos que estão em íntimo contato com o Criador Dedicam-se a Amar, Adorar e Glorificar a DEUS numa constante e permanente frequência, em grau bem mais elevado que os outros Coros: Serafins, Querubins e Tronos.

Serafins
O nome “seraph” deriva do hebreu e significa “queimar completamente”. Segundo o conceito hebraico, o Serafim não é apenas um ser que “queima”, mas “que se consome” no amor ao Sumo Bem, que é o nosso Deus Altíssimo. Na Sagrada Escritura os Santos Anjos Serafins aparecem somente uma única vez, na visão de Isaías: (Is 6,1-2).

Querubins
São considerados guardas e mensageiros dos Mistérios Divinos, com a missão especial de transmitir Sabedoria. No início da criação, foram colocados pelo CRIADOR para guardar o caminho da Árvore da Vida.(Gn 3,24) Na Sagrada Escritura o nome dos Santos Anjos Querubins é o mais citado, aparecendo cerca de 80 vezes nos diversos livros. São também os Querubins os seres misteriosos que Ezequiel descreve na visão que teve, no momento de sua vocação: (Ez 10,12) Quando Moisés recebeu as prescrições para a construção da Arca da Aliança, onde o SENHOR habitou, o trono Divino foi colocado entre dois Querubins: (Ex 25,8-9.18-19) Estas considerações atestam que os Querubins são conhecedores dos Mistérios Divinos.

Tronos
Acolhem em si a Grandeza do CRIADOR e a transmitem aos Santos Anjos de graus inferiores. São chamados “Sedes Dei” (Sede de DEUS). Em síntese, os Tronos são aqueles Santos Anjos que apresentam aos Coros inferiores, o esplendor da Divina Onipotência.



Segunda hierarquia:

São os Santos Anjos que dirigem os Planos da Eterna Sabedoria, comunicando aqueles projetos aos Anjos da Terceira Hierarquia, que vigiam o comportamento da humanidade. Eles são responsáveis pelos acontecimentos no Universo. Esta Hierarquia é formada pelos seguintes Coros de Anjos: Dominações, Potestades e Virtudes.

Dominações
São aqueles da alta nobreza celeste. Para caracteriza-los com ênfase, São Gregório escreveu: “Algumas fileiras do exército angélico chamam-se Dominações, porque os restantes lhe são submissos, ou seja, lhe são obedientes”. São enviados por Deus a missões mais relevantes e também, são incluídos entre os Santos Anjos que exercem a “função de Ministro de Deus”.

Potestades
É o Coro Angélico formado pelos Santos Anjos que transmitem aquilo que deve ser feito, cuidando de modo especial da “forma” ou “maneira” como devem ser feitas as coisas. Também são os Condutores da ordem sagrada. Pelo fato de transmitirem o poder que recebem de Deus, são espíritos de alta concentração, alcançando um grau elevado de contemplação ao Criador.

Virtudes
As atribuições dos Santos Anjos deste Coro, são semelhantes aquelas dos Santos Anjos do Coro Potestades, porque também eles transmitem aquilo que deve ser feito pelos outros Anjos, mas sobretudo, auxiliam no sentido de que as coisas sejam realizadas de modo perfeito. Assim, eles também têm a missão de remover os obstáculos que querem interferir no perfeito cumprimento das ordens do CRIADOR. São considerados Anjos fortes e viris. Quem sofre de fraquezas físicas ou espirituais, deve invocar por meio de orações, o auxílio e a proteção de um Santo Anjo do Coro das Virtudes.

 
Terceira Hierarquia:

É formada pelos Santos Anjos que executam as ordens do Altíssimo. Eles estão mais próximos de nós e conhecem a fundo a natureza de cada pessoa que deve assistir, a fim de poderem cumprir com exatidão a Vontade Divina: insinuando, avisando ou castigando, conforme o caso. Esta Hierarquia é formada pelos: Principados, Arcanjos e Anjos.

Principados
Os Santos Anjos deste Coro são guias dos mensageiros Divinos. Não são enviados a missões modestas, ao contrário, são enviados a príncipes, reis, províncias, Dioceses, de conformidade com o honroso título de seu Coro. No livro de Daniel são também apresentados como protetores de povos: (Dn 10,13) Significa dizer, que são aqueles Anjos que levam as instruções e os avisos Divinos, ao conhecimento dos povos que lhe são confiados. Porém, quando esses mesmos povos recusam aceitar as mensagens do Senhor, os Principados transformam-se em Anjos Vingadores, e derramam as taças da ira Divina sobre eles, de forma a reconduzi-los através do castigo e da dor, de volta ao DEUS de Amor e Misericórdia que eles abandonaram propositalmente.

Arcanjos
A ordem tradicional dos Coros Angélicos coloca os “Arcanjos” entre os “Principados” e os “Anjos”. Pelas funções que desempenha, acreditamos que ele deve estar colocado no mais alto Coro dos Santos Anjos. Gabriel também é chamado de Arcanjo, e da mesma maneira que Miguel, através das páginas da Sagrada Escritura, vê-se que é conhecedor dos mais profundos Mistérios de DEUS, inclusive foi Gabriel quem Anunciou a Maria que Ela estava cheia de graças e tinha sido escolhida pelo Criador, para Mãe de Deus Por outro lado, também Rafael é denominado pela Igreja como um Arcanjo. Contudo, a respeito de Rafael, no Livro de Tobias, ele mesmo confirma que está diante de Deus:

“Eu sou Rafael, um dos sete Anjos que estão sempre presentes e tem acesso junto à Glória do Senhor”. (Tb 12,15)

Anjos
Os Santos Anjos recebem as ordens dos Coros superiores e as executam. Outro aspecto que não pode ser esquecido, é o fato de que os Santos Anjos, guardadas as devidas proporções, estão mais perto da humanidade e por assim dizer, convivendo conosco e prestando um serviço silencioso mas de valor incomensurável à cada pessoa. O Criador inspirou o escritor sagrado no Livro Êxodo, da Bíblia Sagrada: “Eis que envio um Anjo diante de ti, para que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que tenho preparado para ti. Respeita a sua presença e observa a sua voz, e não lhe sejas rebelde, porque não perdoará a vossa transgressão, pois nele está o Meu Nome. Mas se escutares fielmente a sua voz e fizeres o que te disser, então serei inimigo dos teus inimigos e adversário dos teus adversários”. (Ex 23,20-22)

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Perdas e danos


Parecia manhã de março 

ou setembro com chuvas 

intensas e ensurdecedoras 

nas ruas descalças da alma

mas era hoje na tarde triste

num tempo perdido e havido

entre a memória e a saudade.


É isto aí!

sábado, 16 de setembro de 2023

Amor acabando em pizza


Pensou uma coisa que se dissesse na frente da avó materna, na infância, ela o colocaria, peremptoriamente, ajoelhado num mix milho inteiro com canjiquinha, em total estado de oração. Só de pensar isto, benzeu-se três vezes, opa, duas, pois a terceira fora interrompida por uma mensagem na rede social.

Era ela!

Suou frio, tremeu as mãos, olhou para os lados seguros e os inseguros,  certificando da solidão que lhe era mister.

Era ela!

Lembrou detalhadamente do dia que passou-lhe seu número. Ela estava nervosa por não conseguir encontrá-lo. Pronto! Disse. Agora você pode me encontrar quantas vezes quiser. 

Era ela? Será? E se for engano?

Resolveu atender. A a a a a lô

É da pizzaria?

Desligou e desejou ali se transformar num pizzaiolo só para dizer que sim.

É isto aí!

Célia - Deixa (Baden Powell e Vinicius de Moraes)


Foto: Célia na capa de seu LP “Na Boca do Sol” – Célia (1972)

Deixa é uma música lindíssima, com uma poesia elegante, leve e encantadora, feita por Vinícius,  a qual Célia traduz num jazz inusitado. É um samba-canção na origem, fruto da parceria de Baden Powell e Vinicius de Moraes , gravado pela primeira vez em 1965 pela Gravadora: CBS / Catálogo: 37390 Ano: 1965 por  Thelma Soares 


Deixa
Deixa quem quiser falar, meu bem

Deixa
Deixe o coração falar também
Porque ele tem razão demais quando se queixa
Então a gente deixa, deixa, deixa, 

Deixa
Ninguém vive mais do que uma vez

Deixa
Diz que sim prá não dizer talvez

Mas vê se deixa 
A paixão também existe

Deixa
Não me deixe ficar triste



Cantora: Célia

Célia Regina Cruz, mais conhecida como Célia (São Paulo, 8 de setembro de 1947 – São Paulo, 29 de setembro de 2017), foi uma grande cantora brasileira.

Carreira

Tornou-se conhecida com a gravação de Onde estão os tamborins, na década de 1970. Vendeu mais de 70 mil cópias e ganhou diversos prêmios como o "Roquete Pinto" e o "Elena Silveira", além de vários discos de ouro.

Fez shows pelo Brasil, Itália, França e países da América Latina, chegando a fazer uma apresentação para o príncipe Rainier 3º em Mônaco. 

Morte
Após ficar internada por cerca de um mês, faleceu na noite de 29 de setembro de 2017, em São Paulo


Célia - Deixa (Baden Powell e Vinicius de Moraes)
Fonte Youtube: videoraridade