segunda-feira, 1 de janeiro de 2024
Resolvendo problemas velhos no ano novo
domingo, 31 de dezembro de 2023
02 - Odete, a mítica de Brasília
Apareceu uma mensagem no meu potente RPC Xiaomi, desta vez enigmática, pedindo para que atendesse ao número tal, que já bloqueara pela insistência. Desbloqueei e aguardei não tão ocioso quanto deveria, até mesmo porquê o prefixo era de Brasília. Acabei de liberar e tocou em frenesi. Era Odete.
Reza a lenda que nos primórdios da nova democracia ainda engatinhando no Planalto Central, Odete ganhou a alcunha de Vitória Régia. A Vitória Régia, na mitologia amazona, representa o amor impossível, aquele que buscamos, mas que a cada dia torna-se mais difícil de encontrar. Além disso, trás na figura da mulher a vontade de mudança para agradar e ser aceita pelo ser amado. Deu que alto cacique do Plano Piloto perdeu-se tanto de amor pela musa, que empoderados deram a ela um longo exílio em Viena, com estações de verão em Málaga, sem limite de crédito, até tudo passar.
- Amore, quanta má vontade com esta amiga que te ama mais do que sala vip de aeroporto. Pelo menos um Feliz Ano Novo eu mereço.
- Odete, querida, puxa vida, nem sei o que dizer, Odete, caramba, Odete ...
- Gostei das múltiplas Odetes, amore, sinal de que estou na sua boca de maneira ímpar.
- Não tenho como resistir, querida.
- Então, amore, larga de ser bobo e vem me ter em Brasília. Tem chuva, os palácios ficam desertos e os palacianos vagueiam pela tríade Disney/Miami/Acapulco, enfim, tudo na normalidade. Ah! Vem amore, que lhe custa me ter no Eixo Monumental?
- Uau, Odete, você me deixa sem ar. Mas e aí? O que vai rolar na capital neste ano que se inicia?
- Ai, amore, nem te conto o babado, mas vem, deixa eu te contar muitos segredos bem pertinho, coladinha, juntinha, todo o babado...
- Puxa vida, Odete, já estou ... alô, alô, alô?! Odete? Caramba, caiu a ligação justo quando eu recuperava o fôlego...
É isto aí!
A anunciação do Ano Novo
quinta-feira, 28 de dezembro de 2023
Cartas de Amor LXXIX
Querida, nosso destino é a singularidade,
E esta singularidade que é nosso destino, é o ponto do universo em que as equações da física param de funcionar, por algum motivo (quem sabe o amor?). A Ciência Astrofísica não cita, por precaução, o nosso amor como causa e diz que normalmente é porque as quantidades físicas como a massa ou a densidade crescem, vão para o infinito.
Consegue imaginar isto? Um amor tão grande que se contrai, esvazia em si, gerando um só em nós dois, eu e você, a mais bela luz a brilhar na galáxia da minha vida, neste rol infinito do horizonte de eventos deste maravilhoso e fantástico cosmos. Este fenômeno (horizonte de eventos), conhecido como ponto de não retorno, é a fronteira teórica ao redor de um buraco negro a partir da qual a força da gravidade é tão forte que, nada, nem mesmo a luz, pode escapar.
Consegue ver a analogia neste ballet da física e nós? Sabe, querida. gostaria muito de saber dizer palavras destas as quais você gosta, que geram poesias, rimas ricas ou emoções, mas não sei dize-las, nem criá-las. O fato é que eu não sei não amar você. Saudades, mande notícias do planeta Terra, da Lua, das estrelas que te dei e dos grãos de areia que resistem à eternidade.
Hoje serei breve. Um beijo, um abraço em milhões de anos-luz.,
Feliz 2024, que seja o melhor ano das nossas vidas!
É isto aí!
quarta-feira, 27 de dezembro de 2023
Pequenas coisas para colher grandes alegrias em 2024
Estamos quase em 2024. Este ano não passou rápido, passou na velocidade dos seus desejos. 24 também não passará rápido nem lento. O Tempo é movido pela felicidade, quanto mais feliz, mais vc vê o tempo passar.
Escreva duas cartas para você. Uma para 31 janeiro e a outra para o dia do seu aniversário, desde que não seja Janeiro. Escreva nesta carta o que fará para ser feliz a partir de janeiro e na outra descreverá o presente que está concedendo a si mesma. Vá a luta, e pare de reclamar que o Tempo passa rápido. Lembre-se sempre que somos nós que passamos por ele.
Presentes que posso dar para ser feliz:
1 perdoar. Este é um dos maiores presentes. A vantagem é que a pessoa não precisa saber. Isto é apenas entre vc e seus valores. Pare de lamentar-se do que esta pessoa fez com você, por que isto está destruindo sua alegria de viver. Se você quiser saber as técnicas de Perdão, peça aqui nos comentários. Se desejar que fique anônima/o é só solicitar que eu não publique e envie seu email para resposta
2 cuidar do corpo
3 parar de comer o que mais gosta
4 Conversar com Deus (não precisa gritar, afinal Ele é Deus). Pode pensar em silencio, só para agradecer
5 Ouvir quem sofre, sem juízo de valores
6 Olhar pelo espelho, em silencio profundo, no fundo dos seus olhos. Pela física, a imagem refletida no espelho é passado e seu inconsciente sabe disto. Olhe para os olhos do seu passado e perdoe tudo que está engasgado. Diga que vc não tem medo do seu passado, e sim amor.
É isto aí!
terça-feira, 26 de dezembro de 2023
Quando o Amor é peculiar
quinta-feira, 21 de dezembro de 2023
A Noite escura da alma (São João da Cruz)
De amor em vivas ânsias inflamada
Oh! Ditosa aventura!
Saí sem ser notada,
Estando já minha casa sossegada.
Na escuridão, segura,
Pela secreta escada, disfarçada,
Oh! Ditosa aventura!
Na escuridão, velada,
Estando já minha casa sossegada.
Em noite tão ditosa,
E num segredo em que ninguém me via,
Nem eu olhava coisa alguma,
Sem outra luz nem guia
Além da que no coração me ardia.
Essa luz me guiava,
Com mais clareza que a do meio-dia
Aonde me esperava
Quem eu bem conhecia,
Em lugar onde ninguém aparecia.
Oh! noite, que me guiaste,
Oh! noite, amável mais do que a alvorada
Oh! noite, que juntaste
Amado com amada,
Amada, já no amado transformada!
Em meu peito florido
Que, inteiro, para ele só guardava,
Quedou-se adormecido,
E eu, terna o regalava,
E dos cedros o leque o refrescava.
Da ameia a brisa amena,
Quando eu os seus cabelos afagava,
Com sua mão serena
Em meu colo soprava,
E meus sentidos todos transportava.
Esquecida, quedei-me,
O rosto reclinado sobre o Amado;
Tudo cessou. Deixei-me,
Largando meu cuidado,
Por entre as açucenas olvidado.
Poema e Tratado de São João da Cruz
(Wikipédia)
segunda-feira, 18 de dezembro de 2023
A minha mentira
malversada, maledicente,
e que mareje sem fim
Uma farsante história
Que seja suave
e amarga nas garras
Maldita, fraudulenta,
incolor, insípida,
será a minha mentira
Guardada para sempre,
Sobre a imagem: O casal inglês Tim Noble e Sue Webster criaram arte com ajuda de projetores de luz e lixo. As imagens feitas de sombras são oriundas da iluminação correta em esculturas de lixo aparentemente abstratas.
domingo, 17 de dezembro de 2023
Papo de esquina - Minha lista de Natal
Como sabem, se não sabem compreendo plenamente, que é pela boa causa pessoal que faço anualmente a minha tradicional lista excludente de Natal. A questão é evitar a surpresa de ser agraciado por alguma embrulho ao pé da Pitangueira no dia 25 pela manhã com objetos os quais não coaduno simpatia. Então, neste ano, seguindo a tradição que não esqueço, vou postar uma relação de dez presentes e similares que jamais desejo ganhar:
01 - Bola de futebol, de basquete, de vôlei, handebol ou pingue-pongue, etc.
02 - Tênis para caminhada, para correr, para atividades desportivas.
03 - Roupa social, camisa de malha neon, bermuda e sandália havaiana.
04 - Óculos de sol "alternativo", caneco, chaveiro, imã, etc. escrito "lembrei de você".
05 - Livros de auto ajuda e similares
06 - Uma corrente de oração, livro das profecias pra 24, preces, simpatias, etc.
07 - Vinho suave, doce ou sem álcool (sim, existe)
08 - Um vídeo da família de 19etc...
09 - Um convite para o baile de réveillon no clube, com a orquestra da cidade.
10 - Um clip de Feliz Natal de famosos desconhecidos.
É isto aí!
quinta-feira, 14 de dezembro de 2023
Amapola
De amor que sonó en mi corazón
Diciéndome así
Con su dulce canción
Amapola, lindísima Amapola
Será siempre mi alma, tuya sola
Yo te quiero, amada niña mía
Igual que ama la flor la luz del día
Amapola, lindísima Amapola
No seas tan ingrata y ámame
Amapola, Amapola
¿Cómo puedes tú vivir tan sola?
Amapola, lindísima Amapola
Será siempre mi alma tuya sola
Yo te quiero, amada niña mía
Igual que ama la flor la luz del día
Amapola, lindísima Amapola
No seas tan ingrata y ámame
Amapola, Amapola
¿Cómo puedes tú vivir tan sola?
O menino passarinho
Tinha certeza
que era passarinho
e quando perguntavam
por que não voava,
a resposta estava pronta
- não vou de voo
porque não quero.
É isto aí
sábado, 9 de dezembro de 2023
Poema do Olhar (Evaldo Gouveia/Jair Amorim)
Em teu olhar
Busquei perdão
Busquei sorriso e luz
Vivi meu céu
Meu céu em teu olhar
Olhando a ti
Eu me perdi
Pelos caminhos
Quem me chamar
Vai me encontrar
Nos teus olhinhos
Em teu olhar
Estranho olhar
Meu sonho um dia se acabou
Nos olhos teus,
Uma frase perfeita
um parágrafo definido
quinta-feira, 7 de dezembro de 2023
A felicidade não mora perto
Queria poder dizer Paz na Terra aos homens, mulheres e crianças de boa vontade, mas a paz, a paZ a pAZ a PAZ não há de haver.
Neste período sabático de reflexão sobre onde estou, de onde vim e para onde irei, não assenti a nem uma escolha sequer, nenhum caminho. Fiquei mais descrente sobre as possibilidades de um feliz ano novo. Sinto muito e sinto nada ao mesmo tempo. A felicidade não mora perto.
É isto aí!
quarta-feira, 6 de dezembro de 2023
quarta-feira, 25 de outubro de 2023
A natureza das coisas (Accioly Neto)
terça-feira, 24 de outubro de 2023
N'algum lugar do presente seu nome é ausência.
saltei bem do alto do nada,
sábado, 21 de outubro de 2023
O Analista da Pitangueira e os abusos e absurdos do outro
- Sabe, doutor, desconfio que existe um outro eu que habita em mim e que não gosta muito de quem eu sou. Às vezes me faz realizar coisas estranhas, dizer palavras fora da minha linguagem, atrasar para encontros, detonar meu relacionamento etc. etc. etc.
Quer falar sobre isto hoje?
- Não sei se consigo. Neste momento ele está me bloqueando na rede social presencial e também na virtual.
Entendo. Saiba que ao olhar para si, não encontrará você mesmo, mas o Outro que erigiu um ideal em sua história.
- Então eu é quem sou o outro que habita dentro de mim, ou sou parte deste todo como se fôssemos personalidades distintas num mesmo envelopamento humano?
Do ponto de vista da linha psicanalítica que sigo, como membro da Escola Real da Pitangueira de Análises, o outro que habita em você é o resultado das influências das relações que você estabeleceu com as pessoas ao longo da sua vida, especialmente na infância. Esse outro pode ser fonte de conflitos, traumas, desejos e angústias, mas também pode ajudar a se conhecer melhor e a curar as suas feridas.
- E tem outras formas de entender este outro? A igreja, como ela vê isto?
Bem, há uma linha tênue e tensa, quando falamos sobre isto, entrando no campo religioso. Existem as variáveis orientais, as variáveis do oriente médio e as que coabitam o ocidente, que é aquela que aceita tudo junto e misturado, com ilhas de excelência aqui e ali. Vou fazer um apanhado muito, mas muito superficial, sem entrar no mérito desta ou daquela doutrina, do campo ocidental, que de maneira geral diz mais ou menos assim: O outro que habita em você seria o pecado, que o afasta da vontade de Deus e o leva a fazer o mal que não quer. Esse outro é uma consequência da queda da humanidade e da sua natureza carnal, que precisa ser vencida pela graça de Deus e pela fé em Jesus Cristo.
- O senhor acredita nisto?
É você o analisado aqui, retorno a pergunta a você.
- Perdoe-me doutor, data venia, em assim sendo, como tudo que eu disser poderá constituir elemento para a formação do convencimento de juízo sobre mim, rogo meu direito de permanecer calado. E, se me permite, transfiro a pauta para uma pergunta que mais atende meus interesses neste momento: - há ou haveria uma terceira possibilidade mais, digamos assim, mais parecida comigo?
Bem, há a linha filosófica Existencialista, que não entro muito, pois temos divergência históricas, onde o outro que habita em você é o reflexo da sua liberdade e da sua responsabilidade diante da sua existência. Esse outro é uma parte essencial do seu ser, que permite escolher quem você quer ser e como quer viver. Esse outro também o confronta com os limites e as possibilidades da sua condição humana, que é marcada pela angústia, pela solidão e pela morte.
- Não teria uma forma mais fácil de coexistir com este outro eu em mim?
Veja bem, não há uma resposta única ou fácil para essa questão, pois coexistir com o outro em si mesmo envolve um processo de autoconhecimento, aceitação e transformação.
- E isto dói?
Muito, dói muito, mas só até achar o caminho que o conecte com sua essência, com seu propósito e com o sentido da sua existência. Estamos encerrando, posso agendar a próxima sessão?
- Pensando bem, até estou gostando do sujeito. Eu não virei, já me dei por satisfeito.
Você é quem decide.
- Por favor, doutor, não seja ingênuo, não fui eu quem disse. Pode agendar e não se preocupe por que eu virei, e vou mostrar quem manda aqui.
É isto aí!
sexta-feira, 20 de outubro de 2023
Sobre tudo que não falei naquele dia
O velório e as conversas paralelas.
Não gosto de velórios, disse ele repetidas vezes, quase para si mesmo, enquanto caminhava por um tortuoso e ascendente percurso que só os arquitetos veem necessidade, da entrada do cemitério até a Capela Velório. Pensava initerruptamente a mesma ladainha - Não gosto, acho difícil ver a viúva ali chorando, os filhos cabisbaixos, pessoas tristes e o que me irrita é ver cerca de 80% dos presentes na parte externa do salão onde está o féretro, conversando sobre coisas outras, piadas, moda, política, futebol e outras obviedades da vida.
Chegou à praça de conversas atualizantes, atravessou todo o tumultuado território dos que fazem a visita social de cumprimento do dever cívico do velório ao morto. Duas mulheres falavam da viúva, outros falavam do jogo de ontem, outros riam de algo, outros eram mudos e alguns poucos com ares de pesar. Entrou no salão, praticamente vazio. Logo avistou a viúva, e enquanto se dirigia a ela, foi interrompido por uma desconhecida moça muito simpática, que o cumprimentou pelo nome. Sorriu, permitiu-se ser abraçado e seguiu até a viúva.
Ela ali praticamente só naquele lado do esquife. Cumprimentou-a, deu suas condolências sinceras. Não se falaram, eram anos de amizade, sabia o quanto ele significava para ela. Havia ali uma grande história de amor. Deu a volta na urna, e despediu-se do amigo com palavras amenas, de forma rápida e discreta. Percebeu que duas moças, muito bonitas, olhavam para ele de forma insistente.
A mais bela aproximou-se, e ele ali começando a se empolgar. Ela não parava de sorrir. Apenas quarentas anos o separavam, refletiu, coisa pouca e irrelevante, pensou. Até que ela chegou perto, e ainda sorrindo, perguntou:
- você lembra de mim?
A experiência da vida o ensinou a sempre negar quando esta pergunta é feita.
- Não, não lembro.
Entreolharam-se as duas e disseram em uníssono:
- puxa vida, meu pai era seu grande amigo.
A experiência da vida o ensinou a nunca perguntar como está quem você não sabe quem é.
- Olha, sinto muito, mas não lembro de vocês.
O sorriso despareceu e saíram do alcance do diálogo. Deu de ombros e partiu, já cumprira sua missão social e admirado com a beleza das moças, mas vai ver que sei lá, vai ver nada.
É isto aí!



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