Quantas coisas
vidas passando;
ora agonizantes,
ora frenéticas.
Será que o fácil
é fácil para todos?
Será que o difícil
é difícil para outros?
Pitando um rolo do bom, de frente para o pomar de pitangas, jabuticabas, manga e graviola, Zé filosofava a carreira de eventos ao longo da vida. São nestes momentos de contemplação do nada é que nada que presta sai, matutava, mas o importante mesmo é aflorar as coisas, daí vai se endireitando ali, desentortando acolá até chegar na linha do pensamento. Assim, chegava às suas conclusões dada à vasta experiência no fumo de cultivo ancestral:
- No fundo, bem lá no fundo, deve haver conserto para tudo, até mesmo para pneu de velocípede.
- Não concordo com ela nem discordo comigo, muito antes pelo contrário sou solidário aos reclames da minha natureza, que contempla a dissonância dela.
- Uma coisa é o que é, exatamente uma coisa. Outra coisa é outra coisa, desde que nãos seja a mesma coisa. Deve ser por isto que está tudo muito coisado neste mundo.
- Quando chegar a hora e bater a preguiça, brada que aquele agora, mais do que nunca, é a hora certa. E se estiver errado, vai dar certo, afinal preguiça é movimento intestinal puro.
- O importante é o que importa, é o que vende, é o que distribui e principalmente o que tira dinheiro do seu bolso sem você querer a compra. Se eu vou na venda, eu compro só o necessário, se eu sou da venda, eu vendo o mais desnecessário, por que é nele onde está o lucro, e vida que segue. Todo dia sai um bobo de casa e encontra um esperto na venda, daí pode sair negócio bom só para uma parte.
- É muito melhor ficar vermelho, virar onça e soltar os cachorros e as raivas logo, sendo sim o sim e não o não, do que viver feito porco, de focinho no chão, cor de rosa, com sorrido amarelo besta na cara.
- Se a Terra fosse plana, seria um dos planetas mais exóticos e desconhecidos do mundo. Imagina só um terreirão circular, com princípio e fim, com sol estagnado e uma gravura de lua besta no parador, sem luar, sem violão, sem estrelas, sem cometas sem nada. Prá quem que os cachorros iam uivar?
- Segundo lei trans-sideral, aprovada pelo diretor da congresso inter-galáctico e promulgada no parlamento da terra plana de Órion, cada um no seu quadrado, por isto - ado ado ado, cada um no seu quadrado por que "tudo junto" é separado e "separado" é tudo junto, donde se conclui que para-raios não param raios.
- Um é pouco, dois é primo e três é ímpar. Desconfie sempre dos primos...
- Há males que simplesmente vêm para o bem dos outros, porque pimenta que arde lá é refresco em pessoas malvadas.
- Briguei comigo mesmo, divorciei de mim, mas deu que lá si onde eu me ia, eu si me encontrava com eu mesmo, com aquele mesmíssimo sorrisinho retardado, com aquela carinha sonsa e olhar lerdo. Dava uma raiva danada d'eu comigo mesmo. Como pode o outro eu ser tão besta assim?
Zéééééé, para de sonhar, homi e vai roçar o terreiro...
Eita mulher ruim, tem raiva d'eu pensar coisas que ela não entende ...
É isto aí!
fonte da imagem: aprovincia.com.br
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Freud explica:
Ao evitar o sofrimento, privamo-nos para mantermos a nossa integridade, poupamos a nossa saúde, a nossa capacidade de gozar a vida, as nossas emoções, guardamo-nos para alguma coisa sem sequer sabermos o que essa coisa é. E este hábito de reprimirmos constantemente as nossas pulsões naturais é o que faz de nós seres tão refinados.
Por que é que não nos embriagamos?
Porque a vergonha e os transtornos das dores de cabeça fazem nascer um desprazer mais importante que o prazer da embriaguez.
Por que é que não nos apaixonamos todos os meses de novo?
Porque, por altura de cada separação, uma parte dos nossos corações fica desfeita. Assim, esforçamo-nos mais por evitar o sofrimento do que na busca do prazer.
Saiu o índice de poliglossia de Pindorama. Segundo fontes fidedignas que obtiveram dados e metadados de fontes governamentais, abaixo estão relacionadas os cinco idiomas mais falados em terras brasilis:
01 - O Português (com pelo menos 10 variações para melhor ou para pior)
Carioca: Exclusividade da Cidade Maravilhosa e por indução, as cidades que compõem o Grande Rio
Baiano: De Teófilo Otoni (MG) até Natal (RN)
Mineiro: Começa logo ali e vai até onde se diz diz Trem, Uai e Arreda. O resto é dialeto de fronteira.
Gaúcho: Envolve os gaiteiros do sul, o chimarrão, a picanha, o bife ancho, o colorado e o tricolor. Tem também as tradições, as prendas, piás, guris, índio velho, barbaridades, tchê e outras buenas além fronteira.
Paulista: Falam que é português, mas não sei não. Não estou seguro para afirmar.
Cearense: Há uma baianidade serena na fala cearense, parece baiano mas no vocabulário se desfaz a dúvida. Tem uma quase imperceptível expressão linguística lusitana.
Pernambucano: Só de ter festa junina já está bom demais.
Catarinense: Entende razoavelmente bem o português.
02 - O Alemão
Falado por 2% da população de Pindorama (quatro milhões de pessoas), do Paraná ao Chuí, se prolifera em dialetos da língua alemã, além da cultura.
No Sudeste, existem colônias preservadas no Espírito Santo e no Vale do Mucuri em Minas, ainda se encontram núcleos de preservação da língua pátria.
Ao ultrapassar a divisa de São Paulo com o Paraná é bom ficar atento, pois o trem é doido demais, com dezenas de dialetos aqui e ali. Segundo a wikipédia , o idioma alemão é notável por seu amplo espectro de dialetos, com muitas variedades únicas existentes na Europa e também em outras partes do mundo.
Devido à inteligibilidade limitada entre certas variedades e o alemão padrão, bem como a falta de uma diferença indiscutivelmente científica entre um "dialeto" e uma "linguagem", algumas variedades alemãs ou grupos de dialetos (por exemplo baixo-alemão ou Plautdietsch) são alternativamente referidas como "línguas" e "dialetos".
03 - O Italiano
Veja só, você aí acreditando que a língua do norte estaria pelo menos aqui, esqueça. Das cantinas de massas de Minas, com pão de queijo e café aos pampas gaúcho, a colonada manda bem em seus dialetos e no italiano convencional. Tem quase a mesma percentagem dos alemães.
04 - O Japonês
Com quase dois milhões de falantes, o Japonês, discretamente, tem sido a quarta língua mais falada no país desde o início do século passado, de São Paulo até o Rio Grande do Sul.
05 - Espanhol
Língua quase oficial de toda a fronteira da extensão continental da pátria amada, o espanhol é imprescindível para a boa e estreita relação social e comercial com nossos vizinhos. Há dezenas de cidades na fronteira divididas apenas por ruas, pontes ou avenidas.
O número oficial é entre 500 mil e 1 milhão, mas com as crises aqui e ali no continente, é provável, apesar de não termos dados oficiais (só uma percepção mesmo) que este número chegue próximo ao alemão.