Naquele dia, que poderia ser apenas mais um dia na repartição pública, deu de ler o horóscopo, coisa que não fez sistematicamente durante toda a vida. Leu que seu signo estava Ascendente em Áries, o que lhe proporcionaria capacidade de realização, independência, coragem, energia, agressividade, competitividade, impulsividade.
Logo adiante estava escrito que Sol também estava em Áries, de onde concluía a astróloga que sua missão seria a de um pioneiro, com muita iniciativa, independência, coragem, impaciência, precipitação e agressividade.
No final, já emocionado, leu que Lua em Áries o deixaria emocionalmente agressivo, com extrema necessidade de independência e iniciativa.
Levantou lentamente e cheio de si olhou pela primeira vez com uma coragem desconhecida para a imensa e vazia solidão à sua volta, tocou-se para cientificar-se da sua existência e se encontrar ainda vivo no meio daquele deserto árido da sua nulidade diante o mundo. Fez a mala, vestiu uma roupa simples, calçou um sapato velho, e partiu para a conquista da sua liberdade e da felicidade perdida. Nunca mais voltou, ninguém o procurou, não havia a quem dar notícias e viveu infeliz para sempre em busca do tempo perdido em lugar nenhum.
O escritor argentino Júlio Cortázar (1914-1984) é considerado um dos autores mais inovadores e originais de seu tempo, mestre do conto curto e da prosa poética, comparável a Jorge Luis Borges e Edgar Allan Poe.
Rezou a noite toda pedindo a graça. Chorou, implorou, fez o Ofício de Nossa Senhora pelo menos umas três vezes, rezou o rosário com os quatro mistérios, fez a ladainha de São José, fez a Ladainha de Nossa Senhora, clamou em voz alta os salmos 28; 35 e 57. Explicou detalhadamente a cada santo, a cada anjo, a cada arcanjo, ao menino Jesus, a Deus, a Jesus Ressuscitado, enfim, deu todas as coordenadas para encontrar a sua cara metade.
As pernas já estavam dormentes, as câimbras iam e vinham, e ele ali, no sentido que achava reto. Era agora ou nunca, o o céu dava o que queria ou estaria com muita má vontade. Fez a campanha do quilo da Conferência São Vicente de Paulo, participou de cinco missas na semana, todas às seis da manhã, fez boas ações, ajudou idosos, visitou hospitais, foi nos asilos, nas creches, distribui sorrisos e palavras de consolo, enfim fez todas as bem-aventuranças que conhecia.
Sete horas da manhã, mal se aguentando pela dor nas pernas refletindo na coluna, tomou um banho frio, intenso, sem dar um gemido, pois fazia parte da conclusão da penitência. Tomou dois copos de água benta, benzeu-se três vezes antes de cada gole. Glorificava o Altíssimo, dava graças à vida e sentiu-se finalmente fortalecido. Vestiu o terno de cambraia azul claro, por sobre uma camisa gelo e uma gravata borboleta de azul marinho com minúsculas bolinhas também em tom gelo. Calçou o sapato social de verniz preto sobre uma meia preta e saiu sem olhar para trás.
Na porta lembrou-se de escovar os dentes. Voltou ao banheiro, retirou o paletó, as botoaduras de prata, desabotoou os dois botões do punho e dobrou parcimoniosamente a manga da camisa e caprichou na higiene bucal como nunca fizera antes, utilizando um dentifrício branqueador dessensibilizante. Reconstituiu-se e saiu à porta. A barriga fez um movimento conhecido, e era fiel ao horário. Foi ao quarto, retirou toda a roupa, peça por peça, colocando em cabides postados numa arara entre dois suportes da parede. Nu, voltou ao banheiro. Sentiu a necessidade de ler algo, travou a vontade e correu na sala, escolhendo Os Miseráveis, achou grosso demais, desistiu, o travamento estava estuporando, pegou um fininho, de contos machadianos e correu ao vaso.
Vitorioso e aliviado pela obra, dirigiu-se ao banho novamente, pois era de costume banhar-se após a batalha naval em águas profundas de vasos comunicantes. Enxugou calmamente, foi ao quarto, sentou-se à cama, e enxugou em detalhes ritualísticos e anatômicos, os pés. Findo o processo, revestiu o terno de cambraia azul, mas não gostou da gravata. Trocou-a por uma longa, clássica, vermelha com diagonais azuis escuras, e aquilo pedia uma camisa creme. Trocou a camisa, colocou a gravata, vestiu a calça, o paletó, prendeu o suspensório, afivelou o cinto e saiu à rua. Lembrou-se de que não havia se barbeado.
Retornou à casa, foi ao quarto, tirou toda a roupa, foi ao banheiro, ligou o chuveiro elétrico, aguardou a água superaquecer, ensopou uma toalha com aquela calda quente e colocou sobre o rosto, com um gemido contido e uma expressão de dor. Aguardou 6 minutos e 18 segundos, vigiado no relógio do corredor, estrategicamente de frente para a porta. Fechou a janela e a porta do banheiro para não pegar ar frio, retirou lentamente a toalha, passou um creme de barbear importado mentolado, e solenemente, quase em êxtase, escanhoou a face para que ficasse glabra, definitivamente glabra ao toque suave das suas mãos. Ao fim passou uma loção de hamamelis refrescante que inibia infecção e promovia coagulação rápida dos pequenos vasos sanguíneos atingidos.
Voltou ao quarto, e desejou trocar a camisa para uma vermelha, achou mais jovial, e a gravata deveria então ser fina e longa em tons pasteis. Deu um laço inglês perfeito, vestiu a calça, as meias, o sapato de verniz, o suspensório e então deu-se pela necessidade do colete. Colocou-o, Abotoou os punhos da camisa, colocou abotoaduras douradas combinando com o alfinete da gravata, ajeitou o cinto, vestiu o paletó e ao olhar o relógio no pulso, percebeu que ainda não o colocara. Abriu a segunda gaveta do lado esquerdo da cômoda, escolheu o relógio folheado a ouro, herança do avô, com pulseira corrente maciça também banhada em ouro.
Olhou para o relógio do avô e percebeu que estava sem os óculos, guardados cuidadosamente em estojo herdado do pai, visto que a armadura também fora herança paterna. Estava atrasado, pensou. Chegou à porta e percebeu uma fina garoa sobre a nublada cidade. Voltou, vestiu um sobretudo impermeável, britânico, bem como o guarda-chuva longo e colocou o chapéu panamá de enorme valor passional.
Ao chegar na calçada, não se lembrava do lugar, das casas, das pessoas, da rua, nem da sua própria personalidade. Manteve a calma, respirou fundo. Viu uma moça linda, do outro lado da rua, também com olhar perdido, sob uma sombrinha e uma capa floral, por sobre um elegante vestido rendado. Ela também o viu, acenou com leveza imperial e foi ao seu encontro. Foram se aproximando, se aproximando, se aproximando, até que o espaço entre os dois deixou de existir e passasse a ser o espaço entre suas vidas.
Estou sonhando, perguntou ele?
Sim, estamos sonhando, mas por favor, não acorde, disse a moça quase sussurrando.
E beijaram-se e abraçaram-se e amaram-se e defenestraram o real pelo onírico até que o sonho se deu por satisfeito.
Meu museônico Nokia agita no criado mudo. Três horas da manhã. Acordo assustado, macambuzio, depois de uma noite de queijos e vinhos (devido à crise houve pequena alteração, na ordem - queijo frescal e suco de uva integral). Do outro lado da célula está Odete, a desputada pudica de Brasília.
Reza a lenda que nos idos do verde-oliva, Odete com o mandato de desputada biônica tinha livre trânsito pelo imenso salão verde da Câmara, onde seduzia com apenas com um discreto olhar e voluptuoso decote os delirantes e devotos velhinhos congressistas , levando-os ás cegas para os badaladíssimos points Kako e Shalako ao som erótico de Donna Summer, Diana Ross, Gloria Gaynor, Barry White, ABBA e, claro, Bee Gees onde tudo se resolvia, se consumia e se fazia em nome da ordem e do progresso.
- Odete, puxa vida, que alegria receber uma chamada sua ...
- Amore, alegre fico euzinha se você vier para Brasília, vem amor me ter em Brasília em nome dos velhos tempos ...
- Uau, Odete, falando assim desta maneira fico até querendo votar em quem você mandar.
- Vota em mim, amore, deposita logo este voto na minha urna e me eleja sua...
- Caramba, Odete, estou sem palavras ... mas além desta volúpia envolvente, o que mais a trouxe aos meus ouvidos.
- Amore, como sabe, tudo que conto tem provas, contraprovas, documentos e testemunhas.
- Claro, Odete, nunca duvidei da sua idoneidade.
- Nossa, amore, agora você me tocou, mas bem, outro dia euzinha estava na casa da Beth, sabe, já te falei da Beth?
- Não que me lembre.
- Bobinho, você é que esqueceu. Beth é minha personal trainer ananga-ranga, namoradinha da Condessa Mercy, esposa do Conselheiro Amaral, amante de Creuzinha, uma dançarina meia-boca da Boate Azul, bancada pelo cafetão e Duque de Le Coq, Dom Ery do ramo TroXylon, primo do barão amigo do amigo do amigo do Nestorzinho. Beth me confidenciou em sigilo secreto e absoluto que ouviu da Condessa, que escutou escondida uma conversa telefônica do surdo Conselheiro com a Creuzinha, que tirou esta confidência do insaciável Duque de que Nestorsinho é o cara que controla a pátria amada, junto com mais uma dezena de outros corretores sem voto, mas devotos, se é que me entende.
- E quem é Nestorzinho, Odete?
- Puxa vida, amore, achei que queria detalhes da ananga-ranga que pretendo explorar junto a você nas noites estreladas do planalto, mas vamos lá - Nestorsinho é um ... digamos assim ... humm... corretor de coisas e atualmente ocupa a 5ª secretaria da 4ª câmara do 3º staff da 2ª coordenadoria do grupo de frente de blindagem e apoio ao Grande e Poderoso Dom Golpeon, o Velho.
- Corretor de Coisas? Como assim, Odete?
- Credo, amore, hoje está difícil falar com você, pergunta da ananga-ranga, vai, pergunta, vai, pergunta ...
- Isto está cheirando a sacanagem, Odete.
- Ufa, finalmente estamos em sintonia. É da ananga-ranga que você falou, não é amore?
- Não Odete, eu falei deste ... deste, hummm ... corretor de coisas.
- Está bem, está bem. Nestorsinho não aparece e é um corretor, por que esta é a denominação analógica que a famiglia cristã do Paranoá dá ao lugar-tenente que atua como a peça em que gira a roda do moinho de vento. Ninguém vê o corretor do moinho, mas nada acontece sem a presença dele.
- Caramba, Odete, quer dizer então que por trás dos holofotes existem corretores anônimos fazendo a roda girar para onde o vento toca, sem direito a voz e voto popular?
- Ai, delícia!!!! Vem amore, ser o corretor do meu moinho, vem fazer girar a roda da nossa alegria, vem amore me ter em Brasília ...
- Puxa vida, Odete, você falando assim, puxa vida, eu ... eu ... alô? alô? - merda travou a roda do moinho bem na hora que eu ia bater o grão ...
Música neste vídeo Juventude Transviada - Luiz Melodia
Artista Luiz Melodia
Álbum Maravilhas Contemporâneas - Luiz Melodia - Digital
Licenciado para o YouTube por
WMG, Som Livre, UMG (em nome de Som Livre); LatinAutor - Warner Chappell, Warner Chappell, LatinAutorPerf, UNIAO BRASILEIRA DE EDITORAS DE MUSICA - UBEM e 4 associações de direitos musicais
Juventude transviada é uma das obras-primas do cancioneiro de Melodia. A bela e melancólica melodia deste samba-canção é tão envolvente que o Brasil cantou os versos surrealistas da letra de "Juventude transviada", propagados em escala nacional na trilha sonora da novela Pecado Capital, exibida pela TV Globo em 1975 e 1976.
Aliás, a música foi lançada no LP com a trilha sonora da novela, ainda em 1975, meses antes da edição do segundo álbum de Melodia no ano seguinte.
Paget nasceu em Denver, no estado do Colorado e mudou-se com sua família para Los Angeles, na Califórnia para estar perto do mercado cinematográfico americano. Com 11 anos, entrou para Escola Profissional de Hollywood para formação de atores.
Aos 8 anos teve seu primeiro emprego profissional e aos 13 anos adquiriu experiência no palco quando em 1946 atuou na peça As Alegres Comadres de Windsor, de Shakespeare.
Carreira
20th Century Fox
O primeiro trabalho notável de Paget foi a personagem Teena Riconti, namorada do personagem interpretado por Richard Conte, no filme Uma vida marcada dirigido por Robert Siodmak para a 20th Century Fox.
Para Fox, ela trabalhou em outros filmes: Mother Is a Freshman (1949), It Happens Every Spring (1949) e House of Strangers (1950).
Os dez mandamentos
A produtora Paramount Pictures, a contratou emprestada da Fox, para fazer o filme de maior sucesso em sua carreira Os dez Mandamentos, filme épico bíblico do diretor americano Cecil B. DeMille. Ela tinha que usar lentes de contato marrom para esconder seus olhos que eram azuis. Ela disse que "Se não fosse pelas lentes eu não teria conseguido o papel no filme".
Ama-me com ternura
Seu filme de maior sucesso na Fox foi Ama-me com Ternura do diretor Robert D. Webb de 1956, estrelado pelo cantor Elvis Presley. Paget e Richard Egan foram anunciados com seus nomes acima de Elvis, mas foi a popularidade do cantor que fez o filme ser tão bem sucedido.
Se você não conseguir abrir o vídeo, clique em qualquer um dos dois endereços abaixo:
Debra Paget in Fritz Langs epic The Indian Tomb (1959) English Dub
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O ruído da abelha provoca aqui a picada do dardo que desperta Gala. Toda biologia criativa surge da romã reinventada. No fundo, o elefante de Bernini leva um obelisco com os atributos papais. (Dalí)
Esta obra possui um pomposo nome, do tamanho do ego do pintor espanhol Salvador Dalí: Sonho causado pelo voo de uma abelha em torno de uma romã um segundo antes de acordar. Foi inspirada num sonho de Gala.
Gala, nua e com os cabelos molhados, é a figura central da composição. Encontra-se levitando sobre uma estrutura rochosa plana, que também levita acima de um mar azul e tranquilo. À sua esquerda, levitam uma romã e duas gotas de água, conforme comprova a sombra das mesmas. É o zumbido da abelha, que provoca o delirante sonho, com imagens que parecem querer agredi-la.
À direita de Gala está uma enorme romã madura, símbolo do erotismo e da paixão, da qual nasce um enorme peixe que, por sua vez, lança para fora dois grandes tigres enfurecidos, símbolo de paixão e violência vital da natureza. À esquerda de tais figuras, um elefante com enormes pernas, desloca-se carregando um obelisco nas costas, que se trata de uma alusão fálica. Para o pintor, esse animal representa a força, a longevidade e a sabedoria. Quase tocando o braço de Gala encontra-se uma baioneta, também simbolizando a abelha que está prestes a picá-la e despertá-la.
Em primeiro plano está uma pequena romã levitando. Sua sombra forma um coração, simbolizando o amor do pintor por sua mulher. Uma abelha voa em torno da romã. Duas sementes da grande romã, à direita de Gala, estão caindo em direção ao mar. Como a romã é o símbolo da Virgem Maria e está relacionada com a fertilidade, Dalí disse se tratar de “biologia criativa”.
Curiosidade
Declaração de Adolf Hitler, 1937, sobre os surrealistas:
“Pintam assim, porque veem as coisas assim, então esses desgraçados deveriam morrer em um departamento do Ministério do Interior, ou ser recolhidos ali para esterilizá-los, a fim de evitar que se propague sua desgraçada herança.”
Como aplicar os conceitos básicos de Harry Potter na sala de aula, ou uma pequena contribuição das palavras mágicas de espírito salvífico contra alunos dementadores e equivalentes:
Abaffiato
Abaffiato é um feitiço relacionado à capacidade de audição.
A finalidade dele é produzir um zumbido no ouvido dos alunos, para impedir que escutem o que é dito por alguém e preste atenção na aula.
Accio
"Accio" é um feitiço Convocatório. É utilizado para atrair as coisas a um professor quando mencionado. Assim não faltarão mais apagadores, pincel, giz, água gelada, as provas, etc.
Estupefaço
O feitiço "estupefaço" é denominado de Estuporante e consiste no poder do professor em deixar um aluno chato inconsciente por algum tempo.
Expectro Patronum
O Feitiço do Patrono, "Expectro Patronum", conjura um patrono, que é um tipo de energia positiva, composto de felicidade, esperança, vontade de viver, do que o mau aluno se alimenta. Logo, o professor que o conjurou não consegue sentir desesperança, então o mau aluno não consegue afetá-lo.
Expelliarmus
Expelliarmus é um feitiço utilizado para desarmar um aluno (de argumentos ridículos). Quando evocado, ele retira os argumentos ou qualquer outra pergunta ridícula da boca do aluno.
Petrificus Totalus
O feitiço Petrificus Totalus é conhecido como o Feitiço do Corpo Preso.
Quando utilizado, o feitiço tem o poder de petrificar o aluno por um certo período de tempo.
E querem estes filhos da puta que a gente lhes dê ouvidos quando nem temos o que comer
porque os filhos da puta se alambazaram antes de nós e deixaram-nos na toalha uma côdea
porque disseram que não era bom que tivéssemos miolos
e querem estes filhos da puta que confiemos neles e na merda dos fatinhos de pronto a vestir que lhes escolheu a amante ou a mulher enquanto ele a encornava
e querem estes filhos da puta que a gente goste deles quando eles não gostam de nós
os cabrões dizem bem de tudo e mal de todos e vão aos urinóis olhar para a cobra cega uns dos outros
só para ver qual é o que tem mais peçonha
o senhor ministro leva aí um belo instrumento
ó Sousa isto não é nada mas já agora sacuda-ma para não me pingar para o fato
e depois fazem um número nas entrevistas do canal cultural em que mostram as fotografias que tiraram na praia numa ilha qualquer miserável do Pacífico
e querem que a gente acredite que eles são humanos só porque andam de fato de banho
grandes filhos da puta
eu queria era que um ciclone desse lá um saltinho e os levasse a todos para o inferno
se bem que o diabo não tem culpa nenhuma porque só está a fazer o trabalho dele e não merece ter que levar com os vossos discursos
ai os discursos
os filhos da puta dos discursos
os discursos dos filhos da puta a dizer que é importante que os grunhos que não sabem ler venham da terrinha para a guerrinha combater lá uns gajos que nem falam português
que um gajo para os matar tem que aprender a ler
e depois ainda tem que aprender a falar estrangeiro
e não é que os filhos da puta mandam a malta para lá sem sequer um curso de línguas
e depois ainda vão ao enterro abraçar os orfãozinhos e comer-lhes os croquetes
e quando a viúva chega a casa e liga a televisão é só paz por uns tempos mas depois
quando o coveiro começa a ganhar o fôlego
trata de comprar mais uma carrada de F17 que se vendem à grosa
mas para os países de terceiro mundo até pode ser avulso
e lá vão mais uns provincianos da terra p’rá guerra
e morrem sem saber ler nem escrever
e matam sem saber ler nem escrever
e depois quem fica por cá sente aquilo tudo pelos noticiários como se fosse connosco
e quem não tem TV sente pelos GNR com metralhadora à porta das embaixadas
que para nós é um brasileiro a dar toques
mas para os outros é um consolo ou um consulado
e os filhos da puta nem sequer apanham trânsito
nem cheiram o sovaco do autocarro porque têm batedores que lhes fazem as claras em castelo p’ra que cheguem depressa ao palácio e se alambazem com as natas
e depois são os nossos representantes
esses filhos da puta
que falam como quem se peida
que gritam como quem caga mandam nesta merda toda
e a liberdade e o genocídio são irmãos gémeos que vestem de igual e que lambem o mesmo chupa-chupa que é uma terra miserável a nadar em ouro negro
e a gente olha para eles e diz
aquele animal não pode ser o nosso presidente mas é o filho da puta é
aquele animal não pode ser o nosso ministro mas é o filho da puta é
e é vê-los todos a rir que quase lhes saem os dentes fora quando o espectáculo acaba
a gozar com o povinho que anda com eles às costas
e cada vez nos dói mais mas às vezes parece que não
que quando dizemos que nos dói muito os que ainda carregam mais que nós dizem que nem é tanto assim que
agora andamos menos corcundas mas só me sinto sempre de gatas
e os meus irmãos dizem ser psicológico que antigamente é que era
que isto agora não é nada
dantes é que eles eram mesmo filhos da puta
agora disfarçam bem
e é tudo tão claro
estamos todos tão bem informados que já não há lugar para um bufo como eu
um bufo que denuncia os amigos que não prestam
um bufo que aponta o dedo a quem se deixa matar
um bufo que puxa a língua a quem acha que é melhor estar calado
e eu quero sê-lo para que esses filhos da puta não levem sempre a melhor
assim vão levar quase sempre a melhor
e vão beijar menos órfãos e violar menos viúvas
e na tristeza deles encontro a minha razão de viver
é no espaço que vai da relativa felicidade até à felicidade absoluta de um filho da puta que eu me encontro
e vou ficar lá para sempre a fazer barulho como o sino que lembra ao operário que a hora de almoço chegou
e que ele pode comer
mesmo que não tenha fome
mesmo que não saiba mastigar
mesmo que a marmita que trouxe de casa há séculos atrás lhe pareça uma miragem
mesmo que já não se recorde de quem é
de onde vem
e quanto sofreram seus pais na tortura
na prisão
na pobreza
mesmo que já não tenha ideia dos tempos que já passaram
das pessoas que já não estão
e das almas sem corpo que nos pedem todos os dias baixinho para resistir
resistir mesmo sem forças
sem futuro
e sem lembrar o passado
in "luto lento", de João Negreiros
O texto está mantido no formato original, retirado do blog do autor - João Negreiros
Do alto da Colina do Bom Senso escuto o lamento dos berrantes e vejo um gado triste, pacífico, de todas as cores e tipos, sendo tocado para o matadouro da esperança.
"Sweet Memories" é uma canção de Mickey Newbury , levada ao sucesso por Andy Williams. A música alcançou o 4º lugar na parada de adultos contemporâneos e o 75º na parada da Billboard em 1968.
Outras versões incluem as Willie Nelson , Brenda Lee e Ricky Van Shelton, Ray Charles e Mary Ann, Anita Carter , The Everly Brothers e Roy Orbison .
My world is like a river As dark as it is deep Night after night The past slips in and gathers all my sleep
My days are just and endless stream of emptiness to me Filled only by the fleeting moments of her memories
Sweet memories
Sweet memories
She slipped into the silence of my dreams last night Wandering from room to room She's turning on each light Her laughter spills like river From the water to the sea And I'm swept away from sadness Clinging to her memories
Do alto da Colina do Bom Senso, usando meu potente telescópio Orion Dobsoniano N 203/1200 SkyQuest XT8 DOB Classic, percebo como são boas as modificações de terceirização tabajara no 12º planeta do sistema solar, o famoso Pindorama. Está claro daqui que a grande nação tupynambá está feliz, a ponto de não mais bater cuias e atabaques nas suas procissões de manifestação de fé. Ah! tem o povo, ora, direis ouvir estrelas ... o povo é parvo ( e - sic - é pardo).
Através de sinais claros e nítidos enviados pela Nave Estelar da Classe Res publicae I-VII-I, podemos por exemplo observar um modelo de humanização da choldra a ser seguido pelo universo infinito. Vamos traduzir estas questões para os apedeutas, leigos, limitados e adeptos do sofrimento fetal de uma forma didática. Observe a parábola abaixo, leia, absorva, prove da sua sabedoria, e será salvo:
Vamos imaginar que numa manhã de uma ensolarada, bela e recatada segunda feira o ativista pseudo-moderninho anti-paz-social de um ex-desgoverno foi merecidamente, dentro do ofício da lei, detido por perturbação da ordem pública por respirar ar puro em local designado apenas aos homens de bem, pelo elegante, bravo, aguerrido, inteligente, fantástico, incorruptível, globalizado, forte, másculo, etc, agente sideral terceirizado Décio Machado.
Na terça-feira, pela manhã, o perturbador da paz social é levado da cela da delegacia para obviamente prestar depoimento ao delegado, onde terá direitos preservados do corpo e do delito de ser ativista. Quem é o delegado sideral? Elementar, choldra, elementar - só há um homem capaz de deter a maldita esquerzóide (uma corruptela clássica) - o único elegante, bravo, aguerrido, inteligente, fantástico, incorruptível, globalizado, forte, másculo, etc, delegado sideral terceirizado Décio Machado.
Na quarta-feira, logo pelo final da manhã, considerando a gravidade do delito, o delegado sideral encaminha o processo ao mistério público sideral (sim, você leu mistério). O impávido promoter sideral da lei da justiça da ordem e do progresso é ninguém mais do que o único ser daquele planeta capaz de servir ao mito (sim, lá também tem iSSo) com sabedoria e pudor , ele, o intrépido, elegante, bravo, aguerrido, inteligente, fantástico, incorruptível, globalizado, forte, másculo, etc, promoter sideral terceirizado Décio Machado.
Na quinta-feira, na parte da tarde (sempre nas tardes, ainda que tardias), o mistério sideral provocado encaminha o processo (mantenhamos e convenhamos, caberia pelas leis daquele planeta outro processo, mas o Mistério é composto só por homens de bem) ao juizado sideral de pequenas causas. Ali são consideradas pequenas todas as questões que envolvem os esquerzóides, este câncer a ser extirpado da sociedade dos homens de bem.
No 12º Planeta só existe uma pessoa capaz de suportar tamanha pressão sem ter hipertensão, nem diarréia, nem tremuras, nem ejaculações precoces, nem desejos por sorvetes exóticos. Senhoras e senhores, o homem de Krypton, o invencível, o homem de aço, o inenarrável, o homem cujo nome não se revela, o elegante, bravo, aguerrido, inteligente, fantástico, incorruptível, globalizado, forte, másculo, etc, O Master Sideral Terceirizado das pequenas causas especiais, o temido Dr. Décio Machado.
Na sexta-feira o planeta tem festas, bailes nas ilhas fiscais, odes a Baco, Tupã e Dionísio, e tudo se resolve num elegante e editado jornal que vai ao ar capitaneado pelo locutor das multidões, o único elegante, bravo, aguerrido, inteligente, fantástico, incorruptível, globalizado, forte, másculo, etc, jornalista sideral terceirizado Décio Machado Filho.
Ele anuncia todos os atos dos homens de bem no decorrer na semana e prenuncia o que acontecerá na semana seguinte, através de análises do especialista Thomas Turbando Aquino Rego, por que Décio Machado Pai só de segunda a quinta, senão perde a liderança da audiência dos homens de bem, afinal eles têm sentimento humano, no fundo no fundo, bem lá no fundo., mas la no fundo do fundo do fundo, a ponto de banhar pobres com jatos d´água, purificando-os, batizando-os, salvando-os para receberem o salvador dos homens de bem - o deus da prosperidade, o bom, o puro, o branco de olhos azuis, o maravilhoso Décio Machado.