domingo, 17 de setembro de 2017

Villa-Lobos: Bachianas Brasileiras 4 - Orquesta Simón Bolívar & Roberto ...

Bachianas brasileiras é uma série de nove composições de Heitor Villa-Lobos escritas entre 1930 e 1945. Nesse conjunto, escrito para formações diversas, Villa-Lobos fundiu material folclórico brasileiro (em especial a música caipira) às formas pré-clássicas no estilo de Bach, intencionando construir uma versão brasileira dos Concertos de Brandemburgo. Esta homenagem a Bach também foi feita por compositores contemporâneos como Stravinski. Todos os movimentos das Bachianas, inclusive, receberam dois títulos: um bachiano, outro brasileiro.

São trechos famosos de Bachianas a Tocata (O Trenzinho do Caipira), quarto movimento das n° 2; a Ária (Cantilena), que abre as de n° 5; o Coral (O Canto do Sertão) e a Dança (Miudinho), ambos nas n° 4.

Bachianas brasileiras n° 4 para piano (1930-1941, tendo sido orquestrada em 1942):

Foi composta para piano a partir de 1930, mas estreada somente em 1939. Recebeu novo arranjo para orquestra em 1941, estreando em meados do ano seguinte. Esta obra contém quatro movimentos:

Prelúdio (Introdução) - Lento
Coral (Canto do Sertão) - Largo
Ária (Cantiga) - Moderato
Dança (Miudinho) - Muito animado

Non pensare a me




Non Pensare a Me
Composição: Claudio Villa

Non pensare a me,
Continua pure la tua strada senza mai pensare a me.
Tanto, cosa vuoi, c'è stata solo una parentesi fra noi.
Forse piangerò ma in qualche modo, bene o male, tu vedrai,
Mi arrangerò
Anche se mai più sarò felice come quando c'eri tu.
La vita continuerà, il mondo non si fermerà.

Non pensare a me,
Il sole non si spegnerà con te.
Non pensare a me,
Continua pure la tua strada senza mai pensare a me.

Forse piangerò ma in qualche modo, bene o male, tu vedrai,
Mi arrangerò
Anche se mai più sarò felice come quando c'eri tu.
La vita continuerà, il mondo non si fermerà.
Non pensare a me,
Il sole non si spegnerà con te


Não Pense Em Mim
Não pense em mim
Tradução livre

Não pense em mim,
Continue no seu caminho
sem jamais pensar em mim.
Então, como você desejou,
houve apenas um monento entre nós.

Talvez eu vá chorar,
mas de alguma forma,
bem ou mal, você verá,
Eu me arranjarei
Mesmo que nunca mais
fique tão feliz quanto quando você estava comigo.
A vida continuará, o mundo não vai parar.

Não pense em mim,
O sol não vai acabar por você.
Não pense em mim,
Continue no seu caminho sem jamais pensar em mim.

Talvez eu vá chorar,
mas de alguma forma,
bem ou mal, você verá,
Eu me arranjarei
Mesmo que nunca mais
fique tão feliz quanto quando você estava comigo.
A vida continuará,
o mundo não vai parar.
Não pense em mim,
O sol não vai acabar por você


Fonte Youtube - Trio Irakitan

Provided to YouTube by Universal Music Group

Não Pense Em Mim (Non Pensare A Me) · Trio Irakitan

Nova Bis - Trio Irakitan

℗ 1967 EMI Music Brasil Ltda

Released on: 2005-01-01

Composer: Alberto Testa
Composer: Eros Sciorilli
Composer: Nazareno de Brito

Auto-generated by YouTube.

domingo, 10 de setembro de 2017

Papo de Esquina XL

- Mas e o Fri-boy, hem?!?!? O que foi aquilo? Enquadraram o homem ...

- Eu diria que foi picado pela mosca azul  ...

- E abobado com a possibilidade caiu no conto do Paco do Janotinha ....

É isto aí!

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Este é um conto de ficção - só acontece em livros, filmes e romances baratos.

Sistemáticos
Conta a lenda que os tempos eram difíceis no velho oeste. O sistema tinha várias formas de manter a lei e a ordem natural das coisas, utilizando recursos disponíveis em todas as castas da sociedade.

John Legstorm Sunford estava convencido que as dificuldades nunca abandonaram o povo. Naquela tarde, diante do púlpito, conteve as lágrimas para dar uma palavra de conforto à família do amigo, as frases foram saindo mais pelo sentimento de impotência do que pela coragem de dize-las: 

Joe Malcom Smith era um homem bom, tranquilo, trabalhador que naquele dia saiu cedo de casa e deu-se conta de ter esquecido a carteira no criado mudo. Resolveu voltar quando foi abordado por pessoas sistemáticas e sem documento foi detido para averiguação. 

Na empresa especializada em sistemas para receber pessoas abordadas constava uma ordem de prisão para um homônimo de significativa periculosidade. Imediatamente foi transferido para a capital. Levado ao Abrigo Sistemático de alta segurança, pensando na esposa, nos filhos e no que o aguardava, desesperado, com medo, pânico e aflição, atentou contra a vida ao se jogar sob o automóvel que partia. 

O treinamento aguçado dos agentes sistemáticos impediram a "tentativa de fuga". Imediatamente seguro pelo cós da calça, foi a custo de tapas, chutes e agressões diversas sendo enxotado até o calabouço, onde encontrou paz, isolado de tudo e de todos. 

Enquanto seu corpo doía e seu raciocínio lógico dava sinais de loucura, explodiu uma rebelião com dezenas de mortos e feridos no ambiente ao nível do solo. Não morreu "pela sorte" de estar na solitária, apesar de ter sido sufocado pela fumaça dos colchões e panos queimados. Encontrado três dias depois em estado de confusão mental, finalmente foi identificado, não constando nenhum crime à sua história de vida. Entrou na fila de espera pelo alvará de soltura, e dois anos depois estava livre.

Ao sair do ambiente sistemático, teve uma bala "perdida" atravessando o cérebro - alguém colocou sobre seu frágil corpo o pensamento do dia - "A nice bandit is a dead bandit"

Alguns dias depois da despedida do amigo, John Legstorm Sunford foi abordado por umas pessoas, sistemáticas - foi levado a local incerto e não sabido ...

É isto aí

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Tim Maia (Como Uma Onda - Zen Surfismo)


Em 1993, a Rider ganhou um comercial com Tim Maia cantando Zen Surfismo - Como Uma Onda. A música foi um fator que ajudou a manter muitas das criações da W/Brasil no imaginário popular – e com esse filme não foi diferente. Sempre muito bom poder relembrá-lo!

Ficha Técnica: Agência W/Brasil / Cliente Grendene S/A / Produto Rider / Título "Como uma Onda" / Produtora: Jodaf. Prod. Cin. Ltda
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Ouça por onde preferir: http://wcast.hubmidia.com/ 
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Acompanhe o W/Cast em todas as plataformas: 
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O W/Cast é uma produção original HUB Mídia.


“Como uma Onda” é um dos resultados da parceria Lulu Santos (1953) e Nelson Motta(1944).

Lulu foi Roqueiro precoce, aos 12 anos tocava com os Cave Man, banda de cover dos Beatles. Ao longo dos anos de 1970, emprestaria sua guitarra ao Albatroz, Veludo Elétrico, Veludo e Vímana, no qual tocou com o então flautista Ritchie e o baterista Lobão. Depois de um tempo como músico free-lancer, estreou carreira solo, com o nome de Luís Maurício, lançando um compacto. Na ´decada de 80, já com o nome de Lulu Santos emplaca um sucesso atrás do outro., inclusive “Como uma onda”.

Devido ao grande sucesso, Lulu foi convidado para participar da primeira edição do Rock In Rio, em 1985. Sua apresentação cantando “Como Uma Onda”, acompanhado pelo coro da multidão, foi um dos momentos memoráveis do evento.

A música, enorme sucesso na voz de Tim Maia, foi gravada por cantores dos mais diferentes estilos musicais (Zizi Possi, Roupa Nova, Ângela Maria, Nelson Gonçalves) e nacionalidades (Richard Clayderman, Bia).

Foi tema de abertura da novela “Como Uma Onda (2004 - Lulu Santos). Esteve ainda nos filmes “Chega de Saudade (2007 - ), “Garota Dourada” (1984–Ricardo Graça Mello) e na novela “Marisol ( 2002 -Lulu Santos)

COMO UMA ONDA
(Lulu Santos / Nelson Motta)

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará

A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo

Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar

Nada do que foi será
De novo do jeito
Que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará

A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo

Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre

Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar




CEO da Corrupção Endêmica.

- Boa tarde, sente-se por favor.

- Obrigado.

- O senhor veio para a entrevista ...

- Sim, para a entrevista.

- Temos três vagas em cargos distintos, e pode ser que o senhor não se adapte ao perfil de um serviço, mas seja providencialmente indicado para outro.

- Tomara que sim, é tudo que preciso, sabe, os tempos estão ruins.

- Vejo aqui que o senhor foi indicado pelo deputado estadual Clepto Filho, pelo deputado federal Dr. Clepto Bandire, o que já nos causou uma excelente impressão.

- Muito obrigado, o senhor é muito gentil.

- Só um momento, preciso atender ao telefone - olá Senador, que surpresa agradável - sim ele está aqui na minha frente, pode deixar, senador, faremos tudo que for possível. - Era o Senador Vil Canaglia, homem finíssimo, de carreira brilhante, ele está recomendando o senhor.

- Nossa, nem sei o que falar. Ele é um pai para mim.

- Bem, vamos direto ao ponto e dispensar as formalidades. Dado ao relevante apoio das principais estrelas que vestem com fé a camisa verde amarela e batem panela pelo bem da pátria, já sei como utilizar o senhor na nossa empresa.

- Me sinto honrado e sou todo ouvidos.

- Bem, para atender a este público da nossas elite, gente branca de alma branca, probos, intelectuais puros, defensores da pátria, da família, da liberdade e da propriedade em nome da fé, eu estou desde já nomeando o senhor como nosso CEO da Corrupção Endêmica. O senhor vai fazer a justiça andar neste país, o senhor vai promover os valores da casta mais alta da sociedade. 

- Nossa, estou emocionadíssimo ...

- Não chore, por favor, por favor ... Dona Marta, Dona Marrrrtaaaa!!! Traga uma água com açúcar, limão e gelo e para o nosso novo CEO ... fique à vontade, doutor, o senhor está em casa. Não chore, doutor, por favor ... Dona Marrrrtaaaaa!!!!! Trás um chá de erva cidreira também ...

É isto aí!


terça-feira, 5 de setembro de 2017

Preciso falar da poesia de Lilian Amadei Sais

Mais uma vez fui no Blog do Itárcio (imperdível) e achei, e conheci ou descobri o que estava coberto desta moça paulistana - Lilian Amadei Sais, que é doutora em Letras, pesquisadora e tradutora da área de grego antigo. 

Paulistana de nascença e fumante assídua por opção, é também leitora voraz da literatura brasileira contemporânea e coeditora da Revista Libertinagem. Participa da organização de diferentes Saraus espalhados pela Pauliceia. Gosta de samba, cerveja e poesia e é defensora da boemia, de piadas ruins e das conversas descompromissadas de mesa de bar. Os amigos dizem que é uma peste, mas que cozinha bem. Ela nega.

Aqui quatro poemas de tirar o fôlego:

1º - "Manual pornodidático para homens - uma amostra"

I

raros são aqueles
que me beijam a sombra
entre as coxas:

pra maior parte sou apenas
buraco penetrável,
boca, cu e cona,

chegam logo me enfiando a rola
em dez minutinhos
de estocada frouxa

e está acabado:
meus caracóis ainda secos
e o macho já vira de lado.

pra um dei um manual
de anatomia, bem explicado,
mas ele entender zona erógena

foi trabalho de parto,
e meu metro de busto
permaneceu intacto.

tudo que digo agora é
vida longa às pilhas,
porque não anda fácil:

esse jeito de foder,
meninos, está todo errado.

II

pra homem tudo é uma questão de falo:
se a vara falha, a noite finda

eu a vida toda me queimando,
ávida, só com dois dedos em riste,

e o menino com dez não faz
nada, me deixa triste.

eu chego em casa frustrada
e mando o burro comer alpiste

- meu bem, de sexo ruim já estou passada,
foi a última vez que me despiste.

2º - Cremação

tenho dois cinzeiros
e um quarto de cinzas:
sobre o casaco, o chão,
a escrivaninha, a cadeira,
os remédios, o batente
da janela,

- tragada útil porque vírgula, pausa,
hiato, fenda, precipício,
xingamento calado,
suspiro disfarçado,
locomotiva descarrilhada da necessidade de ainda ser gente –

o que o vento leva
a chuva fixa,
cinzas simplesmente cinzas,
feitas de erupção portátil
e dispersas pelo hálito, sopro,
pelo vento,
feito eu.


3º - Trítono

(Para Teofilo Tostes Daniel)

porque grávida
de ausência

urge o sorriso grávido
de alguma falta,

ruído grave, gestando
o impronunciável,

urgem lábios, margens
obscenas da inundação

possível, sorriso
discreto, palavras impressas,

parto, farol de ruas
sem esquinas, ruas-rio,

(quero morar numa cidade sem esquinas,
meus olhos ardem,
tenho uma pasta de artigos urgentes dentro de uma pasta de artigos urgentes dentro de uma pasta de artigos urgentes,
o corinthians foi campeão,
o preço dos tomates & a crise política & a meteorologia)

há meses

(são apenas dois olhos
duas pernas e dez dedos para tantas
urgências no mundo que,)

transbordo.

- porque grávida
de alguma ausência

que o CID
não gera

entre as margens
absurdas da normalidade

o abismo

fere e confunde,
meu bem


4º - Prazos

digo sexta porque
soa longe, digo sexta
como quem diz

outra vida,
porque essa semana
já é bastante,

como a anterior,
a outra, a próxima,
a existência percorrida,

esse correr inexorável
de existir, ser gente
e não criado-mudo,

cômoda de três gavetas,
capa de chuva,
porta-níquel,

- desenho na parede -,

digo sexta porque
não é hoje, e isso,
se não me basta,

já me serve
um bom tanto:
apenas hoje,

não.




Pensamento do dia da pátria tupi-guarany

Sempre foi assim
O povo aduba
agua planta
planta planta
aí subitamente
como um hobby
vem o ladrão
e arranca 
todo o jardim
num só golpe.

É isto aí!

Ray Charles & Mary Ann - Sweet Memories


Sweet Memories " é uma canção de Mickey Newbury , trazida ao sucesso por Andy Williams . A canção alcançou a posição 4 na parada adulta contemporânea e a posição 75 na parada da Billboard em 1968. 

Fonte letra da música: letras mus

Sweet Memories
My world is like a river, mmm, as dark as it is deep
Night after night, the past slips in, and gathers all my sleep
My days are just an endless stream of emptiness to me
Filled only by the fleeting moments of her memories

Sweet memories, oh Lord
Sweet memories, oh Lord

He slipped into the silence of my dreams again last night
Wandering from room to room, turning on the lights
Your laughter spills like a river of water out the sea
I'm swept away from sadness clinging to your memory

Sweet memories (Sing it)
Sweet memories, oh oh

Hey now


Fonte Youtube: Jan Hammer



sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Ela roubou minha ausência

Ela usa meias soquete
uma laranja outra azul
com sapatos oxford
de salto marrom
sob as pernas lindas
e uma cabeça brilhante
sobre um corpo mignon

Na doçura do jazz
flutua nos arranjos
feito Stan Getz
tem olhos profundos
dois olhos dois mundos 
cabelo caramelo cacheado
e boca carmim - linda

Roubou minha ausência
meu non sense de amor
ou me deixei roubar
quando perdi o tom 
pela moça das meias soquete
do jazz profundo
no salto do oxford marron


É isto aí!





Nem tudo são flores

Conheceram-se na infância,
enamoraram na adolescência,
casaram-se na juventude
e viveram tristes para sempre

É isto aí!

The Seagull

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Olhos Cor de Canela - Flores de Plâncton

Tudo passa

Os dois últimos atos que se recorda sentado no banco da praça desconhecida foram antagônicos - Jurou vingança e concomitantemente perdoou a mulher ao entrar na casa e deparar com compadre Oswaldinho a dar prazeres a Dolores, o amor da sua vida. Aquilo moeu sua alma, contorceu suas vísceras, queimou-lhe os olhos e tremeu toa carne do seu corpo. Da forma que entrou saiu, bem devagar, sem ser notado. Vou embora, bradava, vou sumir, dizia, vou partir, murmurava, vou seguir sem rumo, pensava e agitava os braços, ora lentamente, ora abruptamente.

Desceu a rua no sentido centro, sem se preocupar com tráfego, pessoas e movimentos urbanos, enfim , sem maiores preocupações, inclusive esqueceu até o motivo de ter ido  à casa naquela hora da manhã. Os passos foram reduzindo a velocidade, o pensamento foi sendo retardado, a paz foi dominando o ambiente do grande salão mental enquanto andando andando ainda não se deu conta onde estava indo.

Perdeu completamente a noção do tempo, chegou num lugar onde achou as casas diferentes, as pessoas diferentes, tudo muito estranho. Sentou no banco de uma praça florida, muito bem cuidada, olhou em volta e não tinha a menor ideia de onde estava. Enquanto isto na porta da casa estava o Samu tentando reanimar o corpo sem vida, mas o infarto foi fulminante, segundo o médico da equipe.  
Oswaldinho mudou de cidade, Dolores ficou só e o cachorro fugiu. Oswaldinho perdeu o brilho de conquistador, Dolores perdeu o corpo sedutor e o tempo seguiu. Tudo passa, tudo tudo passa.

É isto aí!

sábado, 26 de agosto de 2017

Tecendo a teia da ausência

                                      

Traço de memória 
sua silhueta delgada
com braços longos
corpo delicado
em quintessência 

Nela teço a vida
em quatro terços
parte menino
parte homem
parte você
parte ausência

teço o menino
em três terços
parte sonhos
parte medos
parte viver

teço o homem
em três terços
parte trabalho
parte desejo
parte sofrer

teço você
em três terços
parte mulher
parte amada 
parte haver

teço com a dor
sua ausência
em muitos terços
partes tristeza
partes solidão
partes jazer.

É isto aí!

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Sonhos estranhos ...

Sabe, doutor, estou tendo sonhos estranhos. Na segunda-feira sai correndo nua pela calçada, aos gritos de "pega, pega". Uma multidão prontificou-se a acompanhar-me e uníssonos gritavam "pega, pega". Atravessei a avenida, subi a ladeira, desci na primeira à esquerda, cansada, suada e não conseguia mais alcançar meus ex-seguidores, que me ultrapassaram, aí cai em um buraco e desapareci.

Entendo, mas o que foi estranho?

Como assim? Ninguém me pegou, nada aconteceu, só passaram por mim. Eu  queria uma mão suada em minha pele nua, subindo e descendo aquela ladeira e nada aconteceu. Isto é estranho. Mas na terça-feira recebi a bola na intermediária do meu campo, dominei, corri com a equipe toda ao meu lado, os adversários estavam paralisados, só meus companheiros corriam ao meu lado. Eram todos homens, estavam nus e eu vestida de noiva, tocando a bola até o gol adversário. Quando cheguei, sozinha, sem nenhuma marcação, chutei para fora e um buraco abriu onde entrei por ele e acordei na cama toda suada.

Interessante. Quer falar mais sobre isto?

Então, na quarta-feira...

Não quer voltar ao vestido de noiva e o buraco?

Sim, mas na quarta-feira estava dentro do banheiro, no final do corredor de um Boeing 747-8, a mais moderna aeronave comercial do mundo, com cerca de 450 passageiros, em uma viagem entre Fortaleza e Porto Alegre. Nisto um estridente alarme soou, e fui chamada imediatamente à cabine. Saí correndo completamente nua, imensa de gorda, seios caídos, e só tinha mulher nas poltronas, histéricas, descompensadas, tipo assim.

Interessante, pode falar mais sobre isto?

Claro, pois me deu um ódio danado. Todas, inclusive mamãe e minhas duas irmãs, além de uma dúzia de primas estavam dando nota para mim em uma tabuleta e nenhuma foi maior que três - aliás só mamãe me deu três, fora as vaias. Cheguei à cabine suada, arfando, desesperada e sob intensos protestos, gritaria, vaias, peguei o manche e pousei a aeronave em Caratinga. Fiquei arrasada com as notas ... 

E tinha algum buraco?

Buraco, não lembro, espere, engraçado, já que perguntou, a pista era em um enorme buraco. Mas o pior foi na quinta-feira, quando eu era uma abelha, não uma abelhinha, era uma abelha-rainha, gordíssima, comendo doces e favos até entupir a garganta, e não parava de comer. O salão da colmeia era lotado de zangões, mas nenhum deles queria nada comigo e como estava muito gorda, não conseguia apanhá-los. Tentei sair por um estreito buraco e acordei toda suada e chorando ou zumbindo, sei lá.

E a sexta-feira?

Pois é, então, sexta e sábado não sonho nada disto. O que eu tenho que fazer? Estou preocupada. 

Então; estar nu diante de alguém num sonho  não quer dizer que você seja secretamente uma exibicionista ou sedutora; provavelmente significa que você está sendo aberta e vulnerável, sendo você mesma sem máscara, proteção ou condicionalismos culturais. Mas como estes sonhos sempre referem-se à você mesma, pode significar que perdeu ou sente falta de alguma qualidade que é auto representada. Eu sempre peço aos meus pacientes que geralmente nestes sonhos recorrentes de fuga, voos, quedas em buracos ou abismos, recolham os elementos que, ainda que pareçam insignificantes ou incongruentes com o resto do sonho, a fazem individualizar o nó de onde nasce o sonho e o caminho da autodescoberta e das futuras mudanças da própria interioridade. 

Mas no seu caso, o que acho mesmo é que esta mania de começar a louca dieta mágica para emagrecer nas segundas-feiras e abandoná-las na sexta ainda é a maior causa destas suas experiências oníricas ...

PS este conto foi publicado em 09/05/2014, e agora sofreu uma revisão.
É isto aí!

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Um poema sobre coisas tristes e desumanas

Acredito que há dois tipos de Homo sapiens
os humanos e os desumanos  
Há aqueles que amam o próximo
São os humanos
Há os que odeiam o próximo
São os desumanos
Sim, humanos amam de forma centrífuga
indiferente do credo, da cor, 
da opção sexual, da situação financeira 
ou qualquer outro processo existente
inerente ao ser Humano, 
E os desumanos?
Ora ora ora, amam a si mesmos
E só a si e aos seus e mais ninguém.
Desamam centripetamente
Que não mais os nomeemos Racistas 
(eles adoram, amam serem racistas), 
vão para o raio que os parta 
são desumanos, insensíveis ao mundo
são outra coisa diferente da Humanidade
Pois não têm a humanidade em si. 
Chafurdam como porcos, 
e só isto que são - porcos
e que não mais ofereçamos pérolas a estes porcos.

É isto aí!

E as instituições? Tá Tudo Dominado

domingo, 20 de agosto de 2017

Ninguém volta ao que nunca teve

Naquele dia, que poderia ser apenas mais um dia na repartição pública, deu de ler o horóscopo, coisa que não fez sistematicamente durante toda a vida. Leu que seu signo estava Ascendente em Áries, o que lhe proporcionaria capacidade de realização, independência, coragem, energia, agressividade, competitividade, impulsividade.

Logo adiante estava escrito que Sol também estava em Áries, de onde concluía a astróloga que sua missão seria a de um pioneiro, com muita iniciativa, independência, coragem, impaciência, precipitação e agressividade.

No final, já emocionado, leu que  Lua em Áries o deixaria emocionalmente agressivo, com extrema necessidade de independência e iniciativa.

Levantou lentamente e cheio de si olhou pela primeira vez com uma coragem desconhecida para a imensa e vazia solidão à sua volta, tocou-se para cientificar-se da sua existência e se encontrar ainda vivo no meio daquele deserto árido da sua nulidade diante o mundo. Fez a mala, vestiu uma roupa simples, calçou um sapato velho, e partiu para a conquista da sua liberdade e da felicidade perdida. Nunca mais voltou, ninguém o procurou, não havia a quem dar notícias e viveu infeliz para sempre em busca do tempo perdido em lugar nenhum.

É isto aí!

sábado, 19 de agosto de 2017

Você me ama?

Quando estou seu,
enquanto só seu,
quanto está minha
quando caminha
dentro de mim?

É isto aí!