quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Nunca mais outra vez

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Nunca mais 
outra vez!
Este poema 
dorido e rápido 
rapta e capta
o findo sim.
 Acabei sem você.

É isto aí!

Lá vai a vida a rodar

O Trenzinho do Caipira é uma composição de Heitor Villa-Lobos e parte integrante da peça Bachianas Brasileiras nº 2. A obra se caracteriza por imitar o movimento de uma locomotiva com os instrumentos da orquestra.

Anos depois, a melodia recebeu letra composta por Ferreira Gullar em Poema Sujo:

Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade noite a girar
Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra, vai pela serra, vai pelo mar
Cantando pela serra do luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar, no ar, no ar... 






terça-feira, 10 de dezembro de 2019

60 coisas que pretendo realizar em 2020, além de vive-lo intensamente

Felix Baumgartner out2012 

Coisas para se fazer em 2020:

1 — Viajar no feriado do carnaval

2 — Não passear em um balão

3 — Apreciar a vista do jardim daqui de casa

4 — Nada por 24 horas

5 — Ler livros de escritores dos cinco continentes.

6 — Fazer um check up

7 — Usar a máquina de datilografia que está guardada (rá rá rá)

8 — Pescar

9 — Andar descalço

10 — Passar um dia escrevendo coisas que não farei em 2021

11 — Estreitar a amizade comigo mesmo.

12 — Trocar de carro

13 — Deville

14 — Praticar a memória mais vezes

15 — Visitar algum vizinho

16 — Andar de bicicleta

17 — Ficar uma semana sem assistir TV

18 — Nomear as sete maravilhas do meu mundo

19 — Observar de perto formigas trabalhando

20 — Doar sangue

21 — Assistir pelo menos três espetáculos de teatro

22 — Passar em um lugar deserto (deserto mesmo)

23 — Ir ao velório de um desafeto sem ódio

24 — Não subir numa roda gigante

25 — Ir ao Rio de Janeiro e tomar um chopp no Leblon

26 — Escrever um livro

27 — Comemorar o dia de Santa Gemma Galgani

28 — Ter uma conversa séria com o passado

29 — Ir a um circo

30 — Comer em um restaurante seis estrelas

31 — Andar de ônibus

32 — Ver meu sonho mais perto

33 — Não fechar o Blog

34 — Viajar para Natal RN

35 — Abandonar de vez o facebook

36 — Assistir um espetáculo do Cirque du Soleil

37 — Passear no Bairro da Liberdade SP

38 — Escrever uma carta, à mão, legível (e postar?)

39 — Criar uma hora vazia

40 — Dormir cedo e acordar tarde

41 — Ser palestrante de sucesso

42 — Conhecer pelo menos 3 pessoas legais

43 — Beber o vinho português Porca de Murça, tinto seco.

44 — Assistir uma maratona

45 — Aprender uma frase em árabe

46 — Assistir  um jogo do Cruzeiro

47 — Fazer um mexidão de madrugada

48 — Beijar sob uma chuva intensa (intensa mesmo)

49 — Fazer trabalho pastoral

50 — Visitar um asilo

51 — Dar um presente sem nenhum motivo

52 — Ver o sol nascer e morrer no Solstício de Verão

53 — Ver o sol nascer e morrer no Solstício de Inverno

54 — Comprar um livro no sebo

55 — Conhecer uma comida exótica

56 — Fazer um pedido de desejo numa Fonte

57 — Comer um tradicional Fondue com queijo Suíço

58 — Dizer eu te amo mais vezes

59 — Postar uma palestra minha no Youtube

60 — Escrever um poema poemáximo


sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Sou Coach

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Eu ajudo você a superar obstáculos, vencer medos e a conquistar autoconfiança.


terça-feira, 3 de dezembro de 2019

A lógica da coisa


Saiu de casa cedo, passou na venda, comprou um cigarro picado, passou na Preta e tomou um gole do resto de café da noite, pelo qual não paga, atravessou a rua, leu as manchetes nos jornais esticados feito corpos nus sendo revistados por uma força da curiosidade. Celular sem crédito, sem cartão para o ônibus, sem recursos para um carro de aplicativo, fez o que se faz quando o deslocamento exige - iniciou a marcha de duas horas até chegar ao centro.

Desta vez resolveu cortar caminho pela marginal do Córrego Novo, que recebeu este nome quando transpuseram o Córrego Velho para dar lugar a avenida das Águas. Sempre que pensava nisto, ria sozinho da falta de criatividade. Passou pelos galpões da antiga fábrica têxtil, depois uma casas grandes e maltratadas, depois a zona boêmia, depois o mercado municipal, e a marcha ia dando sentido ao rumo.

Atravessando o Beco da Jandira, foi barrado por um sujeito alto, muito alto, forte, muito forte e com cara boa, destes que parecem ser amigos para sempre. 

- Olá, disse o homem muito grande.
- Olá, respondeu.
- Sabe quem sou eu? perguntou o estranho.
- Olha, não sei, tenho dúvidas, mas eu te conheço.
- Sim, você me conhece. Faz um esforço ... Lembrou agora?
- Rapaz, você me é familiar, mas não... não  lembro mesmo.
- Tudo bem. Vou te ajudar. Lembra da Creuzinha, uma menina loirinha que você passava as tardes na casa dela, só por que ela tinha um computador com Second Life instalado?
- A Creuzinha, puxa vida, era isso mesmo. Isto é piada, não é? Olha só, a Creuzinha... bem, nós dois criamos um avatar para cada um. Mas eu nunca ... olha, eu nunca, quer dizer...
- Fique tranquilo, sim, eu sei disto. Por isto mesmo estou aqui.
- Como assim?
- Você me criou para ser seu avatar, e um dia sumiu e eu segui adiante com a Creuzinha movimentando a minha vida e me seduzindo por toda a Matrix.
- Ah!! Agora lembro de tudo, eu criei você e ficávamos descolando umas meninas por aí. Mas espera lá, se você era um avatar, como está aqui?
- Senta, que lá vem história: A Creuzinha era louca por você e se apaixonou comigo por que eu era você, e eu era você só que numa outra dimensão, aí ela conseguiu me convencer no jogo a casar com ela, senão seria defenestrado.
- Rapaz, que história sinistra.
- Você ainda não ouviu tudo. Agora você é pai de três crianças, e vai ter que passar lá para assumir, porque a Creuzinha cansou de ser mãe matrix e fugiu com o Góia, lembra do Góia?
- Góia era um amigo avatar que ela criou para ...
- Isto, para fazer ciúmes em você ou em mim, não sei mais.
- Mas, como você saiu de lá? 
- Rapaz, presta atenção, eu nunca sai de lá, não existe o "lá". Eu sou você dissociado na Matrix para você entender que você sou eu. Assim que cair a ficha fundimos novamente e a realidade abre suas cortinas de nove dimensões.

Corta para a volta para casa:

Então, Sandra, foi assim que eu fui parar dentro do Second Life, e tive que trazer estes catarrentos  ... papai papai ... sai prá la moleque ... e não é que as porqueiras parecem comigo? Aí a Creuzinha sumiu do nada, como quem não fez nada de errado, estes terroristazinhos inquietos foram entregues a mim e aí eu negociei com um cracker “Black Hat” a saída da Matrix ...

Sei, Júlio César, sei ... você é um safado, um tarado, um sem vergonha, eu vou, eu vou ... te deletar, seu vagabundo ...- Que papo é este rapaz? Qual é a lógica da coisa? Eu, hem?!?!

- Sandra ... volta aqui, pelamordedeus, é a pura verdade, eu fui abduzido por um programa Beta  experimental ultra-secreto e só hoje que descobri que meu avatar era casado e pai de trés crianças num mundo virtual, Sandra ... amor, volta ... Sandra, eu te amo ... a Creuzinha não é nada para ... não, para, não aperta este botão, Sandra, nããããããooooooooo ... nããããããaããããõoooooo ... zapt puff tchum

É isto aí!

sábado, 30 de novembro de 2019

Coluna Social da Marquesa - A Festa da Ilha Azul



Coluna Social da Marquesa
Diário da Cidade DC 
Em sociedade tudo é brilho 
Reino da Pitangueira 23 março

Foi um estrondoso sucesso do Clube Real Sociedade a Festa da Ilha Azul "Fashion & light", promovida pela locomotiva Naná Vintém, crème de la crème da sociedade que interessa de fato para nós outros e talvez (o que não nos diz respeito)  para os proletários da decadente e operária civilização pitangui, quando ficam sem assunto em noites de tempestades e apagões.

Em tempo: como educada que sou, ofereço a tradução para a choldra apedeuta da palavra "Pitangui", que em tupi-guarani significa literalmente: "o rio das pitangas", e a Ilha Azul, lógico - é uma ilha - fica no rio Pitangueira, que cruza o portentoso reino governado, com magistral sabedoria, pelo nosso soberano e real monocrata  imperial, que permite civilizadamente nossa existência por estas terras.

Aqui para nós, tudo bem, tudo certo, mas chega, não é? Naná Vintém já deu tudo que tinha que dar para tudo e para todos e além disto estava vestida com uma cortina enrolada no tronco. E pelo calendário romano é da época de Locomotiva a vapor, faz muita fumaça, ocupa muito espaço, é lenta, pesada e tem pouca bagagem neste mundo high-tech, além de uns tempos para cá ter como foguistas, sempre que aparece, uns rapazinhos elegantemente vestidos na Scia do Terno.


Nota de esclarecimento - DC 24 de Março

Prezado Sr. Diretor do Diário da Cidade.
Nós, da diretoria Clube Real Sociedade, que promovemos um grande evento junto à grande mulher da sociedade regional, Dra Naná Vintém, vimos por meio desta repudiar a nota da infame coluna da Sra. Maquete, que contém inverdades, além de agredir gratuitamente a classe operária proba e honesta da nossa cidade.


Coluna Social da Marquesa
Diário da Cidade DC 
Em sociedade tudo é brilho
Reino da Pitangueira 25 março

Gentem!! Nada como um dia após o outro. Ontem os velhinhos e velhacos do decadente Clube Real Sociedade deram de fieis depositários da moral e da ordem pública, saindo em estranha defesa prévia da cafetina mais antiga da área, que em alguns casos conheceu até a terceira geração dos rábulas ofendidinhos. Morri de medinho, ai, que dó! ai, que dó! Reparem, leitores e leitoras amigas, não omiti fatos, apenas descrevi o ambiente.

Nota de esclarecimento - DC 26 de Março

Eu estou repassando estas graves acusações levianas da Madama Maquete para que meus advogados tomem as devidas previdências.

Coluna Social da Marquesa
Diário da Cidade DC 
Em sociedade tudo é brilho
Reino da Pitangueira 27 março

Gentem!!! Cansei destes ex-ricos. Aff.
Hoje vou falar do jantar servido na imponente mansão dos Jacatés. Mercedinha Jacaté abafou com seu vestido branco esvoaçante, com manchas exóticas e herdado da sua tia avó, Apolínia Jacaté, que usou quando era moda em 1955, desenhado na época pela estilista Vivi de Trivela, avó de Carminha Trocoly, que para a surpresa geral, arrasou de mulher para mulher com Marisa, se é que me entende.

Na mesa dos empoderados homens de negócios estava o superfantásticomáximo Jean Tyllofola, o alfa-power responsável pela serena sensação de segurança armada no ambiente, acolhendo carinhosamente ao seu lado a ninfeta supersugarbaby Pérola Plaarsten, filha do magnata do recursos maviosos, Kaká Plaarsten (maviosos - eu escrevi maviosos), um agropromoter de fogos e artifícios neurosensoriais de grande envergadura internacional. Adoro estes empresários destemidos.

Visitei o banheiro feminino da mansão Jacaté. Jacáteve muita coisa ... pelas deusas do Olimpo, aquilo era o paraíso de reabastecimento e massagem no ego e em todos os poros passíveis de acesso. Tinha de tudo, desde mocinhas e rapazinhos, até filmes da ordem das coisas inimagináveis e hoje em franca decadência com papel higiênico barato e sabonete requissona nas pias.

Num canto da sala de estar estava Madame Temalia (sem acento, corretor, não é Temália). Nossa, tenho que contar, o ambiente estava todo em neon azul, com malabaristas subindo e descendo por tecidos finos - uau. Madame Temalia, ex-tudo hoje vive de ler a mão, Tarot, íris, e em casos muito específicos lê pensamentos e prevê coisas. Temida pelos invejosos e amada pelos poderosos, não erra uma das suas maravilhosas previsões. Tudo que acontece na alta nata passa, literalmente, pelas suas mãos. Uau ... Madame Temalia canaliza Ishtar, humm, esta tenho que contar para o deleite e a delícia de ser o que é quem é da nata da sociedade.

Madame Temalia reúne o crème de la crème da alta sociedade num paiol escondido e promove o culto aos deuses com rituais Psi-Gamma. Quando canaliza Ishtar, o ritual é de caráter íntimo, digamos assim, uma vez que é a deusa da sexualidade e da fertilidade, e Ishtar faz em corpos olímpicos a libação do vinho e do mel para que os presentes possam sorver o alimento de que precisam. Assim fica garantida a libido de perpetuação do poder.

Em sociedade tudo é brilho!
Por hoje só amanhã!

É isto aí!







sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Paciência, Angústia e Tristeza




Tenho feito estudo em várias fontes para trazer à Pitangueira uma visão mais abrangente sobre a Angústia, mas não tenho  encontrado nada que seja surpreendentemente novo.

O que temos para hoje:

A Angústia é uma resposta às ações externas, principalmente a Tristeza. Sim, sei que você aprendeu o contrário, mas você nunca fica triste, a Tristeza é uma emoção que vem do exterior para dentro de você. Ela não é um sentimento.

Quando você se depara com esta energia negativa, seu corpo sofre uma alteração no seu estado físico que provoca, entre tantas outras coisas, a libertação de um hormônio: a Norepinefrina, que tem a capacidade de vasoconstrição, ou seja, reduz o fluxo sanguíneo nos órgãos vitais, diminuindo a abertura dos vasos sanguíneos. 

A Norepinefrina, é uma das monoaminas, também conhecidas como catecolaminas, que mais influencia o humor, ansiedade, sono e alimentação junto com a Serotonina, a Dopamina e a Epinefrina.

Quando este fenômeno físico acontece, há menos circulação sanguínea e mais pressão, os pulmões recebem menos sangue e diminuem o ritmo respiratório, o cérebro recebe menos oxigênio e diminui as suas funções. São estes efeitos físicos que produzem a sensação de Angústia.

Assim, sempre que o mundo exterior nos oferece uma emoção que chamamos de Tristeza, nós sentimos, percebemos, imaginamos ou vivemos uma experiência onde nosso cérebro cria um estado introspetivo para nos resguardar, que chamamos de Angústia.

É isto aí!



quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Evidências (Faz 30 anos em 2019) José Augusto e Moska ( Paulo Sergio Valle / Jose Augusto )



Compositores: Paulo Sergio Valle / Jose Augusto *

Quando eu digo que deixei de te amar
É porque eu te amo
Quando eu digo que não quero mais você
É porque eu te quero

Eu tenho medo de te dar meu coração
E confessar que eu estou em tuas mãos
Mas não posso imaginar o que vai ser de mim
Se eu te perder um dia

Eu me afasto e me defendo de você
Mas depois me entrego
Faço tipo, falo coisas que eu não sou
Mas depois eu nego

Mas a verdade é que eu sou louco por você
E tenho medo de pensar em te perder
Eu preciso aceitar que não dá mais
Pra separar as nossas vidas

E nessa loucura de dizer que não te quero
Vou negando as aparências
Disfarçando as evidências
Mas pra que viver fingindo
Se eu não posso enganar meu coração

Eu sei que te amo

Chega de mentiras
De negar o meu desejo
Eu te quero mais que tudo
Eu preciso do seu beijo
Eu entrego a minha vida
Pra você fazer o que quiser de mim

Só quero ouvir você dizer que sim

Diz que é verdade, que tem saudade
Que ainda você pensa muito em mim
Diz que é verdade, que tem saudade
Que ainda você quer viver pra mim

Eu me afasto e me defendo de você
Mas depois me entrego
Faço tipo, falo coisas que eu não sou
Mas depois eu nego

Mas a verdade é que eu sou louco por você
E tenho medo de pensar em te perder
Eu preciso aceitar que não dá mais
Pra separar as nossas vidas

E nessa loucura de dizer que não te quero
Vou negando as aparências
Disfarçando as evidências
Mas pra que viver fingindo
Se eu não posso enganar meu coração

Eu sei que te amo

Chega de mentiras
De negar o meu desejo
Eu te quero mais que tudo
Eu preciso do seu beijo
Eu entrego a minha vida
Pra você fazer o que quiser de mim

Só quero ouvir você dizer que sim

Diz que é verdade, que tem saudade
Que ainda você quer viver pra mim

Diz que é verdade, que tem saudade
Que um dia você vai viver pra mim

Diz que é verdade, que tem saudade
Que um dia você vai voltar pra mim

Leonardo Sullivan, foi o primeiro a gravar a canção antes de todo mundo. A composição, no entanto, foi descartada pela gravadora quando apresentada. A justificativa era a que a letra era “complicada” e que, por isso, jamais faria sucesso. Xororó escutou um áudio de José Augusto, em 1990, no caminho de Campinas para São Paulo - apaixonou pela música e o sucesso logo a abraçou.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

ANAVITÓRIA - Singular (acústico)


ANAVITÓRIA aka As Meninas do Tocantins

SINGULAR
(Música e letra de Ana Clara Caetano)

É tão singular
O jeito que me observa acordar
E meu cabelo não parece te assustar
Você, incrivelmente, não se importa
Se eu te chutar a noite inteira

É singular
Sua vergonha e sua forma de pensar
O teu abraço que me enlaça devagar
E enfeita todos os meus dias e horas

É tão particular o meu encontro quando é com você
O meu sorriso quando tem o teu pra acompanhar
As minhas histórias quando você para pra escutar
A minha vida quando tenho alguém pra chamar
De vida

É tão singular
A habilidade que eu tenho em montar
Um arsenal de clichês pra te cantar
Na intenção de te fazer não esquecer
Que eu nunca vou parar de te chutar a noite inteira
Mesmo se você brigar
Eu te enlaço
E não me permito soltar
Pro nosso nós não deixar de ser assim: tão singular

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Já é ano passado e eu ainda não te beijei de verdade (Paulo Abreu)

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E eu era tão absurdamente feliz 
porque tinha saudades... 
E te olhava assim 
esparramada nas minhas memórias, 
com o cabelo liso penteado
e o sorriso desarmado. 


e eu era tão absurdamente feliz 
porque eu tinha certezas
do jeito dengosamente terno 
que você me olhava
e a sua respiração calma 
e quentinha no meu abraço... 


e eu era tão desesperadamente feliz 
porque tinha boas lembranças
Dava pra passar um ano de memórias
enumerando cada coisa 
que eu gosto em você. 
Você é metade da minha história!

É isto aí!

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

O homem da memória desprogramada

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Deixou a família na praia e viajou mais 300 Km até chegar sozinho na nova cidade onde iriam morar. Chegou à rua A, 56, que constava no contrato de locação, e desde já encantou-se com a casa. - Puxa, as crianças vão amar! Na manhã seguinte apresentaria na empresa e no final de semana buscaria a família para o novo lar.

Acordou cedo, viu que dava tempo, deu uma olhada melhor na casa, tudo novo e cheiroso, e a casa mobiliada, achou aquilo interessante. Tudo certo, já na porta da garagem, mas deixa eu conferir novamente. Humm, carteira, documento de identidade, cartões com data de validade em dia, cartão do convênio médico, cartão de visitas. Isto, está tudo aqui. 

Mas falta algo. O que que falta agora? Chegou à porta do carro, bateu a mão nos bolsos, ah! a chave do carro. Voltou e pegou o molho de chaves. Chegou no carro, e pensou - o que falta agora? O que falta? Falta alguma coisa. Já sei - o documento do carro.

Voltou na casa, abriu a porta, subiu as escadas e pegou o documento no criado mudo, junto com a ... carteira. Puxa vida, quase saio sem a carteira, e ei - que cartões são estes dentro da carteira? Ah! São os válidos, então os que estão no bolso são vencidos. Na dúvida levarei todos.

Saiu da casa, entrou no carro, bateu a chave - estou esquecendo alguma coisa. Mas o que? O que? Fechar a casa. Isto, esqueci de fechar a porta. Voltou à casa, a porta aberta e viu que as janelas estavam abertas. Foi até o fundo da casa e percebeu que a porta dos fundos também estava aberta. 

Fechou a porta da cozinha, colocou uma cadeira inclinada e uma cunha segurando a porta, em seguida fechou as janelas de baixo, subiu, todas as janelas estavam abertas, fechou uma a uma. Aproveitou que sentiu uma necessidade, foi ao banheiro, e depois do serviço completo tomou uma ducha rápida,  desceu as escadas, abriu a porta, certificou-se de que a trancou e ao entrar no carro, aquela sensação - o que estou esquecendo? Ah! Esqueci a torneira da pia do banheiro aberta. 

Voltou, abriu a porta, subiu a escada, fechou a torneira da pia, quando deu conta de que o ar condicionado estava ligado. Ao desligar o ar, lembrou que ligou por que estava muito quente e como ligou o ferro de passar roupa, o ar resfriou, ah! esqueceu de desligar o ferro. Desceu as escadas, foi à cozinha e fechou a torneira.

Ao sair, certificou-se três vezes de que trancou a porta da casa e o portão da garagem. Espera, pensou, já sei - foi no Padrão de luz e desarmou a chave - ufa! Foi no Hidrômetro e fechou a água da rua. Entrou no carro, bateu a chave e ao olhar para os pedais, viu suas pernas nuas, e foi descobrindo que estava nu ... tentou abrir o portão da garagem, mas estava sem energia. Desceu, a porta do carro bateu, as chaves dentro, a casa trancada. 

Correu para a casa do novo vizinho, e a vizinha o recebeu aos berros, aos gritos e à pauladas, acudida por transeuntes que o imobilizaram até a chegada da polícia e foi assim, ao chegar na delegacia, envolto num lençol surrado é que soube que aquela não era a cidade para a qual tinha mudado.

É isto aí!

domingo, 24 de novembro de 2019

Eu declaro que amo você.

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Eu, monocraticamente auto-declarado e auto-proclamado Rei deste vasto Reino da Pitangueira, que se estende até onde o pensamento alcança,  usando da atribuição que a mim confiro por todos os artigos já postados neste Reino, e

Considerando que a evolução aos tempos de paz é um imperativo da consciência universal;

Considerando que a conduta cabal de todos os povos do mundo contém preceitos tendentes a esse fim;

Considerando que a tradição moral, cívica e cultural é contrária à prática e à exploração de coisas que limitam a paz e coíbem o amor;

Considerando que, das exceções abertas à lei geral, é recorrente esta paixão assustadoramente deliciosa e enriquecedora de felicidade, da alegria, do gozo e dos bons costumes;

Considerando que a saudade é uma das legítimas concessões para a prática e permissão de poder dizer que você é meu amor, em todas as instâncias de recursos;

Considerando que o sentimento sincero permite a insistência, veemência, persistência, empenho, perseverança, determinação, firmeza, obstinação, teimosia, teima, pertinácia, contumácia e ânimo;

DECRETO:

Aos meus 86 bilhões de neurônios, declaro e determino que todos são, a partir da data desta publicação, compulsoriamente capazes de mantê-la em mim pela vida toda daqui até a eternidade, de todas as formas e maneiras possíveis, no interior do meu interior, para todo o sempre, custe o que custar.

Por ser verdade, dato e poetiso as Treze linhas para viver (ao seu lado), escritas e eternizadas por Gabriel García Márquez:

Treze Linhas Para Viver (ao seu lado)


1. Gosto de você não por quem você é, mas por quem sou quando estou contigo.
2. Ninguém merece tuas lágrimas, e quem as merece não te fará chorar.
3. Só porque alguém não te ama como você quer, não significa que este alguém não te ame com todo o seu ser.
4. Um verdadeiro amigo é quem te pega pela mão e te toca o coração.
5. A pior forma de sentir falta de alguém é estar sentado a seu lado e saber que nunca vai poder tê-lo.
6. Nunca deixes de sorrir, nem mesmo quando estiveres triste, porque nunca se sabe quem pode se apaixonar por teu sorriso.
7. Pode ser que você seja somente uma pessoa para o mundo, mas para uma pessoa você seja o mundo.
8. Não passes o tempo com alguém que não esteja disposto a passar o tempo contigo.
9. Quem sabe Deus queira que você conheça muita gente errada antes que conheças a pessoa certa, para que quando afinal conheças esta pessoa saibas estar agradecido.
10. Não chores porque já terminou, sorria porque aconteceu.
11. Sempre haverá gente que te machuque, assim que o que você tem que fazer é seguir confiando e só ser mais cuidadoso em quem você confia duas vezes.
12. Converta-se em uma pessoa melhor e tenha certeza de saber quem você é antes de conhecer alguém e esperar que essa pessoa saiba quem você é.
13. Não se esforce tanto, as melhores coisas acontecem quando menos esperamos.


Publica-se, Registra-se e Cumpra-se

É isto aí!





Anúncio nos classificados (Clarice Lispector)



Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la. 

Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. 

Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. 

Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar. 

P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilacerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.

** Clarice Lispector: 
Reconhecida pela crítica literária brasileira e estrangeira como uma das maiores escritoras do século XX, mudou os rumos da narrativa moderna com uma escrita singular, passando por diversos gêneros, do conto ao romance, da crônica à dramaturgia, da entrevista à correspondência e, também, pelas páginas femininas. 

Nasceu em 1920, na Ucrânia. De família judia, chegou ao Brasil com os pais e mais duas irmãs em 1922 com apenas dois anos e foi naturalizada brasileira. Formou-se em Direito, trabalhou como jornalista e iniciou sua carreira literária com o romance Perto do coração selvagem.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Cem mil acessos



Hoje estou aqui para agradecer os cem mil acessos oficialmente registrados que acontecem nesta data. Um blog simples, só com publicações próprias e republicações, sem apelações, sem polemizar as instituições, tendo cem mil acessos.

Muito grato a você que está aqui eventualmente, você que veio sem querer, você que veio por curiosidade, você de frequência bissexta,  a você que aparece com mais frequência. Todos construíram este momento.

Continuemos para a marcha dos 200 mil acessos. 

E para aquelas pessoas que são um amor de pessoas, este blog é de vocês.

Um abraço 

Paulo Abreu

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Agenor e os escambaites da noite.

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Acordou assustado com a movimentação no estreito corredor do avião. Gritos, desespero, desordem e pavor ferviam no pânico do potente Douglas DC8, uma glória imortal dos anos 50 e 60 do século XX. Abriu a maleta, tirou um pincel atômico, desenhou uma porta na parede interna, completou com a maçaneta, abriu e pulou no imenso vazio até atingir o chão do quarto de um hotel.

Levantou assustado, olhou para a cama e duas mulheres exuberantemente lindas riam às gargalhadas e o convidavam para deitar. Nada daquilo fazia sentido. Andou assustado até a porta do banheiro, entrou com dores em todo o corpo, escorregou no piso molhado e num salto onde só via seus pés, estava num emaranhado de corredores coloridos que cortam a parte central de Delhi, na Índia, chamada de “Old Delhi”, um dos mercados mais diferentes e impressionantes do mundo, o Kinari Bazar.

Quatro homens o cercaram com imensos e coloridos lençóis enquanto um desconhecido vestia-o com um tradicional sari masculino de cerimônia religiosa de casamento. Foram entoando um mantra e girando em sua volta, sendo levado ao templo onde a noiva o aguardava ansiosamente. Ameaçado por seguranças nada amistosos, na única oportunidade de fuga que teve, a experimentou numa corrida com obstáculos, na qual tropeçou no primeiro banco, e no voo da queda, retornou ao avião.

Olhou para os lados, tudo calmo, dormiu e acordou aos berros de um monte de gente em cima dele, recebendo soco no peito, choque, e de repente viu seu corpo sendo abandonado, sofrendo todas as investidas para ressuscitar. Quando deu-se conta de que era um feixe de luz, mergulhou no espaço e bateu com a cabeça na cabeceira da cama. Acordou, esperou o mundo parar de girar, olhou as horas, levantou-se e partiu para a aventura de mais um dia no mundo, pois a da noite foi fantástica.

Na cozinha, a esposa o olhava esquisita, cara de raiva, mordendo o lábio inferior. Olhou para ela, baixou a cabeça, e quando ia pedir desculpas, ela bradou:

- Agenor, é a última vez que falo - para de tomar troca-cola de noite. Para com este negócio de refrigerante diet, light, serenight, escambaite, etcteraite. Você me deu trabalho a noite toda. Parece criança. E não tem desculpa que dá barato, por que dá é trabalho, muito trabalho.

É isto aí!

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Histórias para aquecer o coração - Você é um amor de pessoa



Reencontraram-se depois de anos. Na despedida, na falta do que dizer, para não dizer o óbvio, disse que ela era um amor de pessoa. Cerrou os lábios, olhou para o chão, cruzou a perna esquerda sobre a direita, coçou o tornozelo, procurou a saída lateral e saiu dali com o coração em desalinho.

Na saída, porta estreita em mão dupla, foi barrado pela entrada de um bando de mulheres falantes, conversando entre si e pelo celular, tudo junto e misturado, olhou para trás, os olhos deram-se as mãos, e denunciaram o amor impedido pelas circunstâncias. Ah! Meu olhos sempre foram fieis, pensou, mas desta vez descuidaram pelo capricho do destino.

Voltou, não que quisesse, mas suas pernas se moveram como se uma força de atração às colocassem em marcha. Primeiro a frase, depois o coração em desalinho, depois o olhar e agora os membros inferiores. Estava novamente no ponto de origem. Ela sorria com os olhos brilhando em festa e ele não sentia mais o corpo e nem ouvia a todos os sons do ambiente.

Eu sou realmente um amor de pessoa? - perguntou. Sim, respondeu sem conseguir esconder a emoção. Ela sorria tão lindamente, seus olhos amendoados e outrora tristes, seus cabelos lisos, sedosos, seu corpo, sua boca, tudo nela tão lindamente sensual, mantinham a magia do encantamento através dos olhares atrelados, indissolúveis. 

Levou a mão direita ao encontro da sua face - outra ação involuntária. Ela inclinou a cabeça ao afago. Rodou o polegar, estava em êxtase - e quase sussurrando permitiu que as palavras proibidas saíssem - você é o amor em pessoa, o meu amor, a única mulher que eu amo desde sempre.

Saíram, cada um para seu lado. Na ausência do abandono mútuo, cada qual escreveu um livro diferente do que estava predestinado para os dois, então aquele momento foi o melhor presente que poderiam ganhar em toda a sua vida, desde quando erraram por não se perdoarem. 

Naquele dia fatídico, ela disse - eu te amo, e ele apenas acenou negativamente, de uma forma tão idiota e tão burra que sequer falou que a amava. Nunca mais se perdoou. Se soubessem o quanto aquele dia doeria, se soubessem o quanto um nasceu para ser do outro, se amariam e seriam felizes para sempre.

É isto aí!




quinta-feira, 14 de novembro de 2019

A histérica não sabe o que é ser mulher (http://luzzianesoprani.com.br)

Pablo Picasso - 1938 Portrait de femme au chapeau

A mulher histérica impacta a primeira vista pelo seu perfil: sedutora, vaidosa, extrovertida, extravagante, excêntrica e incisiva nas suas investidas. Demostrando alegria e êxtase em suas conquistas, para em seguida, machucar o sujeito o qual seduziu. Usa e abusa da sexualidade – é sexy e possessiva por natureza. Dissimula um amor romântico na busca de fama. Necessita de palco para representar a sua teatralidade. Mas, o que ela quer mesmo é fama, ser o centro das atenções, inclusive, quando se sente amargurada diante os eventos da vida.

Tudo que ela toca e faz é com muita sensualidade. Mas todo cuidado é pouco. O seu olhar, assim como a sedução sexual da qual ela se utiliza, são um engodo.  Quando ela mira a sua presa – esta o deixa perdidamente sem direção (exceto a sua própria direção). Usa o seu corpo como sua maior arma de provocação – tudo para deixá-lo envolvido e enrolado.

“A questão, justamente, é saber por que, para que uma histérica mantenha um relacionamento amoroso que a satisfaça, é necessário, primeiramente, que ela deseje outra coisa, e o caviar não tem aqui outro papel senão o de ser outra coisa, e em segundo lugar, que, para que essa outra coisa desempenhe bem a função que tem a missão de desempenhar, ela justamente não lhe seja dada”. (LACAN, 1999, p. 376)

A mulher histérica lança seu olhar fulminante e sedutor, mas, que denota também, uma carência de afeto. E mais que isso: possui em seu olhar penetrante a perdição do encantamento na fantasia dos apaixonamentos  – ela é  que podemos chamar de: “o calcanhar de Aquiles,” para a fragilidade de um homem envaidecido. Consegue deixá-lo sentir-se intensamente amado, desejado, quando na realidade, a histérica só sente amor e desejo por si mesma. A histérica é extravagantemente narcisista. Na estrutura histérica, observa-se alguns adjetivos bem demarcados: sedução, dissimulação, egocentrismo, vaidade, exibicionismo, manipulação, possessividade, dramatização, humor oscilante, precipitação e mitomania.

A histérica, na verdade, expressa o seu lado homem, no entanto, não é homossexual – da forma a qual as mulheres que desejam outras mulheres. A histérica apenas se alimenta de uma identificação imaginária com o homem para encontrar as perguntas e respostas, referente à essência da feminilidade. Assim, o ponto nevrálgico da histérica em relação a sua feminilidade é devido o luto pelo pai que não pôde lhe responder o que é ser uma mulher.

Entende-se que à mulher histérica recria um homem e o eleva a condição amo. O homem nesse caso é o significante amo na histérica, o que nos faz entender que o pai é o primeiro dos amos, sendo o pai o amo na maior hierarquia.

Na falta do homem, a mulher histérica sintomatiza e adoece, pois ela necessita do homem para realizar suas fantasias – mas em contrapartida, na presença do homem – ela se coloca numa posição em que possa manipula-lo, mostrando-lhe como um homem deve ser e agir. Pois, na verdade, é ela quem mantém as rédeas na relação.

Atenção, homem envaidecido: o amor da mulher histérica é intenso e ao mesmo tempo falso, forte e frágil, vasto e superficial – ela é imprevisível. A sua mitomania, que é um ato clássico de mentir e acreditar na própria mentira é incisivo, pois é um traço de sua personalidade muito forte.

Na histeria há uma miscelânea de fantasia e realidade, não sabendo quando uma começa e a outra finaliza. De imaginação fértil e fantasiosa, pode chegar a calúnia para chamar a atenção sobre si mesma, e sentir-se o centro do universo. A histérica costuma afirmar que o homem (vaidoso e sedutor) foi quem a seduziu, inventando histórias onde é vítima da sedução sexual.

Geralmente, diz ser perseguida pelo amigo do namorado, o parente do marido, o colega de trabalho do namorado, o namorado e/ou marido da irmã etc. Assim, engana e se engana para ser valorizada. A necessidade de público que tem o sujeito histérico é para representar, tanto para si quanto para toda a platéia, que a mesma consegue abarcar.

“Freud vai dizer que a histeria está ligada a uma fixação à fase fálica. Nesta fase, ao se deparar com a percepção de que a mãe não tem falo, o mundo da criança passa a ser dividido entre fálicos e castrados, os primeiros considerados seres superiores e os segundos, inferiores. É ao passar pela resolução do complexo edípico que a criança poderá aprender a diferença entre os sexos e dividir as pessoas em homens e mulheres”.

A histérica não sabe o que é ser mulher, mas, faz uma representação do que é ser mulher, por isso, muitas vezes demonstra um ar teatral e exagerado!

“Freud coloca que o excesso de adereços numa mulher seria uma tentativa de compensação pela sua falta de pênis. Há um jogo que se passa na falicidade, em que há uma ilusão de não estar se perdendo nada”.

“Segundo Silvia Fendrik, do ponto de vista estrutural a histeria supera o âmbito do psicopatológico para ser um modo específico de estruturação do desejo relacionado ao Édipo”.

Alguns homens, dizem preferir as mulheres histéricas, pois elas têm suas vantagens…!

Na visão lacaniana, o desejo da histérica é desejo de desejo do Outro. A histérica vive para ser desejada. Ela necessita do homem, e para isso, ela é pertinente na condição de dar-se como objeto, mas, é da natureza da histérica, sustentar o amor para depois destituí-lo e instituir Outro. Por fim, todo jogo da histérica está na sua sexualidade que envolve o Outro – explora aquele que ela dissimula amar e desejar para depois rejeitar.

FONTE:: http://luzzianesoprani.com.br/site/o-jogo-sedutor-da-histerica/

REFERÊNCIAS

O Recalque (1915) In: Escritos sobre a psicologia do inconsciente, v. 1. Rio de Janeiro: Imago, 2004.

FREUD, S. A interpretação dos sonhos (1900) In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de S. Freud, vol. 4. Rio de Janeiro: Imago, 1987.

ROUDINESCO; PLON, M. Dicionário de Psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Vende-se Tristeza em excelente estado de conservação, único dono.

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Classificados do Diário Virtual Online do Reino da Pitangueira:

- Vende-se Tristeza em excelente estado de conservação, único dono. Preço a combinar.

- Olá, eu li seu anúncio da Tristeza. Ela é proveniente do que, exatamente?

- Desculpe, mas quanto à origem, não posso revelar. É sigilo, sabe?! 

- E ela é negativa?

- Ela é muito negativa.

- E o estado de ânimo? Com está?

- Bastante diminuído, dá até dó. Era tão imponente.

- Entendo. Mas e a atividade cognitiva?

- Olha, é muito difícil até descrever. Experimentou uma redução significativa, tanto quanto a conduta pessoal; é digno de pena.

- E a reputação desta Tristeza perante a sociedade está em alta? 

- Então, apesar da má reputação que geralmente se dá a essa emoção, neste caso específico tem cumprido papéis muito importantes, inclusive mais importantes que o resto das outras emoções periféricas.

- Sério? Esta tristeza então tem um propósito de vida salutar?

- Exatamente. O propósito desta Tristeza é atuar nas situações pelas quais o portador, meu cliente,  se encontra impotente.

- Desculpe, mas pode me responder se ele está capacitado a tomar alguma ação direta?

- Não peça desculpas. Quanto mais souber, menos dúvidas. E quanto à capacidade, a resposta é negativa. Graças a esta tristeza, ele não pode e não consegue tomar nenhuma decisão sequer ou entrar em alguma ação de forma direta.

- Tem apresentado aspectos positivos?

- Olha, é incrível a forma como esta Tristeza reduziu os níveis de atividade física e mental, a fim de evitar esforços desnecessários.

- Hummm, isto em interessa. Mais alguns componentes positivos?

- Então, o que eu vou te falar tem laudo, tem diagnóstico, tem comprovação laboratorial, neurológica e extra-sensorial: Esta Tristeza, puxa vida, acho que você nem vai acreditar, mas eu vou dizer e posso provar isto -  ela tem um papel extraordinário de autoproteção.

- Nossa! Exatamente o que procuro. E qual o mecanismo neuro-fisiológico desta auto-proteção?

- Caramba, você sabe realmente perguntar sobre o produto. Esta Tristeza é a única que já vi que é capaz de gerar um filtro perceptivo que concentra a atenção em um estímulo prejudicial. 

- Só mais uma pergunta. E o mecanismo de preservação da vida?

- Você vai se apaixonar com o que eu direi - por que é o mais importante - ela empurra a pessoa a buscar apoio social, e o ajuda a sair de situações depressivas.

- Eu vou ficar com ela ... é tudo que sonhei para mim... mas, espere, ela é masculina ou feminina?

- Feminina

- Ahnnn, agradeço sua sinceridade, puxa vida, mas não quero mais.

- Mas porquê? Tristeza é tristeza.

- Eu sei, não é preconceito. Entenda, é respeito. O caso é que nossa sociedade acha que a tristeza feminina é encantadora de se olhar de longe, mas desprezível para qualquer uma que ousa senti-la. 

- Mas você será portador de uma grande Tristeza e não uma vítima ou mártir da própria miséria. Alguns ainda acreditam inclusive que as mulheres precisam ser tão fortes quanto os homens.

- Eu entendo, mas homem não chora como uma mulher. 

- Ora, ora, ora! O que esse argumento desconsidera é que o problema não está no choro, mas na representação da dor e da tristeza como fraquezas.

- Concordo com tudo que você disse, mas a minha masculinidade foi forjada num princípio de brutalidade. Não saberei comportar e suportar a dor da alma de uma mulher.

É isto aí!

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Histórias para aquecer o coração - Um amor celestial

Chegou ao Templo no início da tarde. Um calor extraordinário. Talvez em função disto a igreja estava deserta. Sentou na última fila, do lado esquerdo, contra o sol e escondido por uma imensa coluna. Numa placa na coluna consta que a igreja foi iniciada em 1789 e a obra foi concluída em 1864, restaurada em 1923, 1945 e 1970. Nas laterais, sob o piso, dezenas de sepulturas dos homens que comandaram o lugar, entre párocos, bispos e pessoas da mais alta relevância local.

Ajoelhou-se e transcendeu por um caminho nem estreito nem largo, entre dezenas de pessoas, todas reluzentes e não conseguiu, a princípio, entender a situação, mas diante do todo, deduziu que estava morto e não seria a única exceção da fila. Anjos esculturais em forma de moças, com imensas asas e uma túnica branca justa no corpo, iam orientando o bando de luz para uma gigante porta dourada no fim do caminho.

Percebeu que seus pés estavam descalços, depois sentiu que estava sem roupa sob a túnica e ao olhar para si, viu que era uma túnica verde-água larga e confortável que cobria seu corpo estranhamente mais jovem. estranhamento perdeu a noção de tempo e espaço. Ao seu lado uma moça linda e assustada olhou nos seus olhos a gritar e chorar, apontando o indicador direito para ele e cobrindo a boca com a mão esquerda. Imediatamente um rufar de asas desceu ou apareceu, e quatro pessoas aladas a levaram para algum lugar.

A imagem da moça linda ficou colada na memória. Achou engraçado. E ali não havia tumulto, nem conversas, nem nada. Todos chegavam calmamente em dezenas de guichets nas laterais do caminho, antecedendo ao grande portão. Chegou a sua vez. A atendente era uma senhora bem idosa, com cabelo azul e asas douradas. Olhou-o por cima do pincenê preto com lentes rosas, sem haste, e preso ao seu fino e delicado nariz por uma mola azul-turquesa e indagou:

- Seu nome, por favor?

- Olha, senhora, deve haver um engano, eu estava na igre...

- pluft-flash - a mulher desapareceu e imediatamente voltou ao final da fila.

Ao seu lado, novamente, aquela moça linda e assustada que começou a chorar anteriormente. Parecia calma, olhou para ele, deram um leve sorriso entre-lábios e seguiram em silêncio, não sem trocarem olhares de interesse.

Chegou novamente a sua vez. A atendente era uma mocinha bem jovem, com cabelo amarelo e asas prateadas. Olhou-o delicadamente e indagou com uma voz melodiosa:

- Seu nome, por favor?

- Olha, moça, eu não estou entendendo ... deve haver um engano, eu ...

- pluft-flash, a moça desapareceu e novamente retornou ao final da fila.

Ao seu lado, de novo aquela moça linda e assustada que começou a chorar anteriormente e  na segunda vez esforçou um sorriso. Estava calma, entreolharam-se, deram um sorriso largo um ao outro, foram se aproximando e se abraçaram demoradamente. Teve uma sensação de paz inexplicável.

Chegou novamente a sua vez. A atendente era uma mulher madura, muito linda, pele negra brilhante, com cabelo ruivo encaracolado e asas em tom pastel. Olhou-o delicadamente, sorriu, e indagou:

- Seu nome, por favor?

- Olha, dona angélica, meu nome é ... olha, antes pode me dizer o que está ...

- pluft-flash, mais uma vez a mulher desapareceu e mais uma vez retornou ao final da fila.

Ao seu lado, de novo aquela moça linda e assustada que começou a chorar anteriormente,  na segunda vez esforçou um sorriso e na última se abraçaram. Ficou muito feliz ao revê-la, aquiesceram a aproximação pelo olhar, e deram-se a uma expressão de amor universal. Abraçaram-se e beijaram tão humanamente possível com divinamente permitido. Não havia tempo nem espaço, só os dois e seus corações excitados.

Ao esgotarem a delícia do beijo, viram que estavam sós. Caminharam até um portão discreto, guardado por dois anjos gigantes, com espadas enormes. Cada um abriu uma metade e os convidaram a passar. Assim que passaram, passou um filme na memória de cada um, um zunido ensurdecedor e mais uma vez aquele pluft-flash, o clarão inexplicável, o portão fechou-se imediatamente e voltaram cada um ao seu mundo. Ele voltou à igreja e ela em coma num leito de hospital a mais de mil quilômetros dali.

46 anos se passaram. A vida cumpriu sua missão. Combateu o bom combate, acabou a carreira e guardou a fé com a qual venceu as batalhas, e  finalmente transcendeu pelo antigo caminho nem estreito nem largo, surgindo entre dezenas de pessoas, todas reluzentes. Deparou com as mesmas duas esculturais moças com imensas asas e uma túnica branca justa no corpo que iam tocando o bando de luz para uma gigante porta dourada.

Lembrou-se da moça. Procurou em volta, ela não estava. Chegou a sua vez. A atendente era a mesma senhora bem idosa, com cabelo azul e asas douradas. Olhou-o por cima do pincenê preto com lentes rosas, sem haste, e preso ao seu fino e delicado nariz por uma mola azul-turquesa e indagou:

- Seu nome, por favor?

- Fulano Tal de Tal 

- Engraçado, já era para o senhor ter entrado há 46 anos. Mas tudo bem, é raro, mas acontece. Tome seu crachá e se dirija ao portão dos Anjos.

Os anjos abriram o portão. Ela foi a primeira pessoa que o aguardava do lado de dentro. Deram-se de tal forma um ao outro que suas luzes se fundiram. Te espero aqui todos os dias, ela disse. E amaram-se ali ,de forma luminescente, nos jardins do Senhor!

É isto aí!