segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Obedecendo às Vozes do coração! (Marjorie Dawe)



Obedecendo às Vozes do coração! (Marjorie Dawe)

Nem tudo que imaginamos ser erro 
pode ser considerado como tal. 
Diríamos que são aprimoramentos 
necessários para trilharmos uma longa
e penosa caminhada individual, 
até sermos reunidos 
sob uma Única Orientação! 

Diversas são as características 
de um coração atento no evoluir 
de suas qualidades e virtudes. 
Sentir-se falho e inseguro, 
com certeza faz parte 
de um crescimento interior, 
que naturalmente machuca e causa dor!... 

É a constatação de que nem tudo 
seremos capazes de assimilar, 
apesar das Luzes que se derramam 
em nossas mentes. 
A fé será sempre 
o elemento fundamental 
na perseverança rumo à Santidade almejada!... 

Não deseje a perfeição; 
mas o trilhar na sua estrada!!... 
Se a intenção é reta 
e mesmo assim existem pequenas falhas, 
o que importa é o saber-se limitado, 
mas determinado a prosseguir fielmente 
obedecendo às Vozes do coração!...

Professora de Português dando aula





Alto lá
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei

Vamos conversar com a tia. Não sou homofóbica, transfóbica, gordofóbica. Eu sou professora de português.

Eu estava explicando um conceito de português e fui chamada de desrespeitosa por isso (ué).

Eu estava explicando por que não faz diferença nenhuma mudar a vogal temática de substantivos e adjetivos pra ser "neutre".

Em português, a vogal temática na maioria das vezes não define gênero. Gênero é definido pelo artigo que acompanha a palavra. Vou mostrar pra vocês: 

O motorista. Termina em A e não é feminino.

O poeta. Termina em A e não é feminino.

A ação, depressão, impressão, ficção. Todas as palavras que terminam em ção são femininas, embora terminem com O.

Boa parte dos adjetivos da língua portuguesa podem ser tanto masculinos quanto femininos, independentemente da letra final: feliz, triste, alerta, inteligente, emocionante, livre, doente, especial, agradável, etc.

Terminar uma palavra com E não faz com que ela seja neutra.

A alface. Termina em E e é feminino.

O elefante. Termina em E e é masculino.

Como o gênero em português é determinado muito mais pelos artigos do que pelas vogais temáticas, se vocês querem uma língua neutra, precisam criar um artigo neutro, não encher um texto de X, @ e E.

E mesmo que fosse o caso, o português não aceita gênero neutro. Vocês teriam que mudar um idioma inteiro pra combater o "preconceito".

Meu conselho é: ao invés de insistir tanto na coisa do gênero, entendam de uma vez por todas que gênero não existe, é uma coisa socialmente construída. O que existe é sexo.

Entendam, em segundo lugar, que gênero linguístico, gênero literário, gênero musical, são coisas totalmente diferentes de "gênero". Não faz absolutamente diferença nenhuma mudar gêneros de palavras. Isso não torna o mundo mais acolhedor.

E entendam em terceiro lugar que vocês podiam tirar o dedo da tela e parar de falar abobrinha, e se engajar em algo que realmente fizesse a diferença ao invés de ficar arrumando pano pra manga pra discutir coisas sem sentido.

sábado, 21 de novembro de 2020

Geraldinho e o sexo-covid




Escrever não é tão difícil quanto cantar, filosofou do sofá velho e desbotado, diante de uma cena de amor romântico passando num canal aberto numa sessão de chuva-covid. Tudo agora fazia sentido. Emprego-covid; vestuário-covid; banhodesol-covid; sexo-covid ... opa, então é isto. Sexo-covid, este sim veio para ficar, completou o pensamento.

- Geraldinho, vem aqui, faz favor, escutou gritar em uma característica voz estridente, destas que saem num megafone, a sua cara-metade. 

- Espera aí consciência - cara-metade o caralho, cara-covid. Mas que mulherzinha chata, putaqueopariu-covid. 

- Geraldinhoôôôôô, vem cá, porra, seu merda, estou chamando desde ontem. Acorda, cretino. - Já vou, covid 

- O que que você disse?

- Nada demais, Everalda, mas antes irei lavar as mãos com água e sabão e vou passar o higienizador à base de álcool para matar vírus que podem estar nas mãos, pés, pescoço e o escambau. 

- Vem, logo, Geraldinho, vem ...

- Eu vou, Everalda, mas manterei pelo menos 1 metro de distância de você para observar se estiver tossindo ou espirrando. Sabia que quando alguém tosse ou espirra, pulveriza pequenas gotas líquidas do nariz ou da boca, que podem conter vírus? A menos de um metro, eu poderia inspirar o vírus da covid.

- Geraldinho, para de sacanagem. Quando a gente namorava o que menos importava eram as gotículas ... e vem logo, meu amor.

- Everalda, tinha covid passando na TV na hora que passei a mão na tela. Depois disto toquei nos olhos, nariz e boca. Minhas mãos, compulsivamente tocaram muitas superfícies minhas e da casa e podem ter infectado o ambiente por vírus. 

- Geraldinho, você é bobo demais. Tem nada disto. Vem logo, que estou preparadinha, vem, caralho.

- Tudo bem, Everalda, eu irei cumprir o compromisso matrimonial, mas antes irei me prevenir seguindo uma boa higiene respiratória. 

- Mas o que você está falando, Geraldinho? Vem logo, que o Jornal Nacional vai começar

- Estou falando, Everalda, estou achando que vou tossir, então para que possa estar no nosso leito nupcial, terei que cobrir a boca e o nariz com a parte interna do cotovelo ou lenço quando tossir ou espirrar. 

- Geraldinho, pode deixar, o Bonner já fez a chamada, agora nem por decreto você interfere no meu canal.

- Obrigado São Covid, já não tinha mais argumentos. 

- O que você falou, Geraldinho???

- Alimentos, Everalda, vai faltar alimentos ...

É isto aí!


sexta-feira, 13 de novembro de 2020

A Artista, o Filósofo, o Professor e o Poeta


*imagem da Artista profª Dra em Belas Artes, escultora, pintora, desenhista e gravadora Ana Maria Pacheco . 

O Filósofo  Albert Camus nasceu dia 7 de novembro de 1913 na Argélia, à época da ocupação francesa, mais de um século atrás portanto. A morte de seu pai combatendo na primeira guerra e a condição pobre de sua família tornavam difícil o estudo. Camus, entretanto, mostrava grande talento com as palavras e paixão com a filosofia. Sua família não tolerava bem o fato de que ele seguia na escola secundária, pois o seu destino era trabalhar com seu tio fabricando tonéis e barris. O apoio de um Professor, Louis Germain, fez a diferença. Quando ganhou o prêmio Nobel em 1957, Camus enviou-o uma carta agradecendo a mão afetuosa que havia estendido ao garoto pobre que era.

O Discurso do Nobel de Literatura de Albert Camus, em 1957

"Cada geração se sente, sem dúvida, condenada a reformar o mundo. No entanto, a minha sabe que não o reformará. Mas a sua tarefa é talvez ainda maior. Ela consiste em impedir que o mundo se desfaça. Herdeira de uma história corrupta onde se mesclam revoluções decaídas, tecnologias enlouquecidas, deuses mortos e ideologias esgotadas, onde poderes medíocres podem hoje a tudo destruir, mas não sabem mais convencer, onde a inteligência se rebaixou para servir ao ódio e à opressão, esta geração tem o débito, com ela mesma e com as gerações próximas, de restabelecer, a partir de suas próprias negações, um pouco daquilo que faz a dignidade de viver e de morrer.”



O poema "Mãos Dadas" (O Poeta Carlos Drummond)

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.


Devemos ler Drummond, que não quer usar suas poesias como escapismo, tal qual não devemos evitar o inevitável. O poeta não quer desviar das coisas absurdas do mundo, quer confrontá-las, no seu tempo, na sua geração.. - "O tempo é minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente."

É isto aí!


quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Almeida e o outro eu



Chegou tarde, alcoolizado e desnorteado. Perdera o emprego naquela tarde e resolveu beber uma para relaxar. Uma puxou outra, veio um sambinha de roda, veio outra, outra até que tudo acabou e sentiu que deveria voltar ao lar. Custou para abrir a porta da entrada do condomínio. A chave acabou por roçar pelo esforço e a fechadura ficou inválida.

Subiu as escadas com muita dificuldade, três andares intermináveis. A chave deu uma travadinha, mas a porta abriu. Tomou um banho demorado, enxugou com a única toalha que estava no box e foi deitar nu. Acordou com uma mesa de café posta no quarto, toalha bordada e um bilhete - Almeida, uau - que noite foi esta? Sempre te amo, te amei e te amarei. Volto às 15 horas.

Sentou à cadeira, fez o desjejum, procurou alguma roupa, e viu a que usara na véspera, lavada e passada, suavemente dobrada ao pé da cama. Vestiu-se, foi ao banheiro e saiu sem entender muito o que acontecia. Na portaria estava o porteiro, um chaveiro e dois militares. 

Um deles perguntou colocou a mão como sinal de parada. 

- O senhor mora aqui?
- O porteiro logo adiantou afirmando. Sim, este é o Almeida do 304.
- O senhor notou algo suspeito na madrugada, já que arrombaram a porta do prédio? Ouviu ou viu algo?
- Disse que não, tudo estava tranquilo e na perfeita ordem.

Saiu dali sentindo-se meio esquisito, atravessou a avenida, entrou no ônibus para o centro e só quando chegou na porta da empresa, deu conta que estava desempregado. Ao dar meia volta, uma moça linda, sorridente e perfumada o abraçou - você é tudo que sonhei, Almeida. Nossa noite foi maravilhosa. Voltou com ela para o apartamento e a vida fluiu. Arrumou outro emprego, se deram ao amor e passou a aceitar que se chamava Almeida e o outro eu havia desaparecido ou achado outro rumo. 

Um dia encontrou consigo mesmo na calçada em frente ao novo emprego.

- Olá! Lembra de mim? perguntou o outro.
- Olha, hummmmm,  não! Não lembro!
- Não tem problema. Você agora é o Almeida, certo?
- Sim, isto, sou o Almeida. E você?
- Ninguém. Apenas um velho conhecido seu antes de você ser Almeida.

Sentiu-se mal com aquela confusão e só recobrou os sentidos no hospital. Passou dois meses internado desde o encontro. Assim que teve alta, ainda confuso, saiu cambaleante até chegar à rua. A moça linda, sorridente e perfumada misteriosamente o aguardava; o abraçou, pegou-o pela mão levando-o até o carro. Abriu aporta de trás, e esperou que sentasse. O motorista virou-se, sorriu e cumprimentou-o

- Muito prazer, meu nome é Almeida, disse o motorista. Nós vamos levá-lo para casa.

Não conseguiu falar nada. Olhou para o homem que agora era ele e balançou a cabeça num gesto afirmativo e contemplativo. O carro seguiu até uma rua triste, parou e frente a um prédio triste e sujo, e uma garoa fria e úmida surgiu do nada. A moça desceu, abriu a porta e o abraçou novamente, a seguir o conduziu até a portaria imunda e triste. Sentou à porta, pediu um cigarro ao zelador. Fumou pausadamente, entrou e nunca mais foi visto. 

É isto aí!





Brancaleone, Seabra e a descoberta da pólvora



Dia destes subi a Colina do Bom Senso, onde está instalado um Putoscópio de 5ª geração All incluse Master, fabricado pela Hermandad de Consejeros de Su Majestad, na simpática República Guarani catequisada. Liguei seu moderno comando eletro-eletrônico quântico e mirei para as terras de Pindorama.

Pindorama adora sigilos desde abril de 1500. Já naquela época, as informações sigilosas eram submetidas à restrição de acesso público em razão de sua imprescindibilidade para a segurança da sociedade e do Estado, como lei da corte imperial, do bom e velho Portucale, originado do Reino dos Suevos (mas isto é outra história, que agora não cabe no enredo). O fato é que a Carta de Caminha, famosa por ser a certidão de nascimento de Pindorama, só veio a público em 1773, pelas mãos do simpático José de Seabra da Silva.

José de Seabra da Silva é precursor da turma do do grande acordo nacional com o supremo, com tudo. Há de caber o registro que era  Secretário de Estado Adjunto do Marquês de Pombal no reinado de D. José I (6 de junho de 1771 - 6 de maio de 1774), quando a República Guarani foi dizimada. É de sua autoria a Petição de recurso apresentada em audiência publica à Majestade de El Rey Nosso Senhor, sobre o ultimo, e critico estado desta monarquia, uma nefasta Sociedade chamada de Jesus, que solicitou ser desnaturalizada, e proscrita dos domínios da Corte.

Seabra também fez surgir uma carta desconhecida por 273 anos, certificando que Pindorama era coisa e propriedade lusitana, e poucos anos depois, a corte desembarca na pátria amada idolatrada salve salve. Coincidências, apenas, claro, longe de mim achar o contrário.

Depois de "descobrir esta carta oculta, foi preso, deportado e perdoado pela Corte Imperial, sem nenhuma acusação. Aí, livre, veio para o Rio de Janeiro e, em 15 de Dezembro de 1788, foi nomeado Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Reino da Rainha Maria I. Foi ele também quem redigiu o despacho através do qual o Príncipe D. João assumiu a regência, na sequência da doença de sua Mãe, em 10 de Fevereiro de 1792, tendo na ocasião proferido uma exortação aos seus Colegas de Governo.

Do Putoscópio observo que a República Guarani não só ressuscitou como também quer fazer guerra contra a Corte, armado de pólvora, chumbo e bala. Nada de novo sob o céu de Caratinga, diria o Santos Dumont, que nasceu por obra do acaso em Minas e cresceu no trecho entre Ribeirão Preto e Paris.

Só para lembrar que segundo Seabra, assim suplicou Caminha, no último parágrafo da carta, quando apelou a D. Manuel para que libertasse do cárcere o seu genro, casado com sua filha Isabel, preso por assalto e agressão, sugerindo que desde aquela época, toda questão poderia ser ajeitada ou acordada, pedindo com carinho, com supremo jeito em tudo.

"E pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro—o que d'Ela receberei em muita mercê. Beijo as mãos de Vossa Alteza. Deste Porto Seguro, da vossa Ilha da Vera Cruz, hoje, sexta-feira, 1º dia de maio de 1500."

É isto aí!


quarta-feira, 11 de novembro de 2020

O deserto (Paulo Abreu)



Sob o mesmo teto
teso
palavreio no intento
tácito
de falar do novo
tédio
adiando jogar fora
tudo
que há seu em mim

Na sombra seu corpo
tenso
carícias e desejos
tépidos
sem siso aforado
trilham
num deserto de saudade
estúpida
adeus agora sempre
tardio

É isto aí!

 


domingo, 8 de novembro de 2020

O analista da Pitangueira - O boêmio e a viúva



- Fale sobre você.

- Boêmio, profissional liberal, passando dos quarenta anos, solteiro e desprendido de emoções maiores desde a mocidade, quando comecei  a me perceber solitário. Passei a procurar com olhar mais atento alguma moça que pudesse preencher este vazio existencial. Aquele vazio que me trás hoje ao analista da Pitangueira.

- Tem mais alguma coisa que o trás aqui?

- Doutor, não sei o que tenho. Estou numa crise sem precedentes, a ponto de repensar minha vida, revisando tudo aquilo que para mim era verdade absoluta.

- Como por exemplo?

- Como por exemplo o casamento, doutor. O casamento!

- Interessante. Fale sobre seus pais.

- Meus pais? Como assim. Tem nada a ver com meus pais. Estou numa crise existencial onde estou me dando conta de que vivi uma vida vazia, a qual nunca quis, mas seguindo os passos da sociedade, entende? Carros, trabalho, mulheres, trabalho, viagens, trabalho, diversão, trabalho, enfim, coisas que sempre achei normal. Meus pais não cabem neste contexto. 

- Entendo. Quando percebeu que se privou de viver naturalmente feliz?

- Interessante sua pergunta, por que sei a resposta.

- E qual a resposta?

- Foi em um velório.

- Quer falar sobre isto?

- Sim, por que desde então só penso nisto. Era o velório do Freitas. Fizemos faculdade juntos, fomos contratados pela mesma empresa, crescemos lá dentro até sairmos e montarmos nosso próprio escritório. Freitas nunca foi de farra, fiel à Lili, sua esposa, e era uma pessoa discreta e tranquila. 

- E vocês eram amigos?

- Claro. Eu contava tudo para ele. Ficava ali escutando, escutando ... aí dizia - tenho isto tudo lá em casa. Eu nunca fiz uma leitura destas palavras. Achava que era uma maneira dele dizer que era feliz. Mas aí, do nada, o sujeito tem um infarto agudo, sem beber, sem fumar, sem fazer nem 10% do que eu faço.

- Então ele teve uma morte natural. Pode ser que já tivesse algo nunca investigado.

- Foi o que pensei, doutor. Mas aí fui no velório. Cheguei lá por volta das seis horas da manhã. Primeiro tive o impacto do corpo inerte no caixão. Enquanto chorava, levantei os olhos e vi Lili. Não da forma como a via, mas com olhar de caçador e ela caça, sabe? Senti um forte impacto em minha existência.

- Estávamos sós. Aproximei, achei a Lili uma ninfa do olimpo a abracei e nos beijamos loucamente. De repente, num instante de lucidez, me afastei e sai correndo pelo cemitério, esquecendo inclusive do carro, que voltei para buscar após o enterro.

- E depois?

- Senti um vazio enorme nos dias que se seguiram. Desconsiderava o imponderável por acreditar que não consegui ver lógica naquilo. Um estranho sentimento começou a conquistar meus desejos. Passei a fazer questionamentos interiores mas evitava respondê-los. 

- E como lidou com este vazio?

- Com revolta. Aquele sentimento me queimava por dentro e eu passei a rejeitar meus pensamentos.

- Muito interessante. E esta revolta? Está aí dentro de você?

- Bem, aos poucos fui aceitando a realidade e parei de correr tanto atrás do que não estava acabado. Reconstruí meus objetivos em cima do que realmente precisava, e descobri que precisava da Lili. Encontrei todas as repostas nela,  e isto me tornou mais consciente com a vida.

- A procurou?

- Sim, claro. Liguei, marcamos um encontro e desde então estamos juntos.

- Então encontrou a felicidade?

- Veja só doutor. Sim e não.

- Como assim?

- Lembra que disse que o Freitas sempre falava que todas as minhas aventuras ele tinha em casa? Pois é, é verdade! Lili é um furacão em constante movimento. Ninguém fala isto ao vê-la, tão quieta, pacata, recatada e silenciosa.

- Então você encontrou o que exatamente, se não a felicidade?

- Doutor, estou apaixonado por esta mulher e só agora entendo o que matou o Freitas, e acho que sou o próximo ... eu é que era a caça e ela a caçadora

- Calma, semana que vem falaremos mais sobre isto.

É isto aí!

Lágrimas negras - Así Somos (5teto) - 2013




La agrupación puertorriqueña ASÍ SOMOS interpreta LÁGRIMAS NEGRAS, del compositor cubano MIGUEL MATAMOROS.

Todo se toca en vivo. Para algunos instrumentos se utilizan EMULADORES ELECTRÓNICOS DE SONIDO.

En el caso del BAJO, lo hace el guitarrista, a la vez que toca la guitarra; la cual suena como tal justo hasta el minuto 1:11, cuando el músico activa el EMULADOR (mediante un pedal). En adelante las 3 cuerdas graves sonarán, simultáneamente, como de guitarra y como de BAJO. Fíjese en el dedo pulgar del guitarrista, a la vez que escuche los sonidos del BAJO.

La SEGUNDA VOZ, en los coros, se logra también mediante un módulo electrónico, que duplica al tono correspondiente la voz principal, cuando el cantante lo activa mediante un pedal.

En el caso del TRES CUBANO y el de la TROMPETA CON SORDINA, los toca el músico de los vientos, con ese instrumento que parece un clarinete electrónico y que se llama EWI (Electronic Wind Instrument). El músico selecciona (mediante la Laptop que tiene a su izquierda) el sonido que quiere ejecutar. Puede hacer muchos otros, como el de trombón, saxofón, flauta, piano, teclado, etc., lo cual nos brinda la oportunidad de hacer un repertorio más variado.

Violín: DUAMED COLÓN CARRIÓN
Voz, Guitarra, Bajo: ISMAR COLÓN CARRIÓN
Electronic Wind Instrument: SAVIEL O. CARTAGENA ACEVEDO
Batería: PABLO RIVERA NÚÑEZ
Percusión: MIGUEL J. RIVERA RAMÍREZ

Vídeo cortesía de Puerto Rico en Tenderete.

Para mejor imagen y sonido seleccione verlo en Alta Definición (HD).

Suscríbase a nuestro canal en YouTube.

ASÍ SOMOS Web: http://www.grupoasisomos.com/

sábado, 7 de novembro de 2020

La Barca

https://www.youtube.com/watch?v=AXgDXTqjwZQ






Cartas ao Papai Noel



Prezado Senhor Papai Noel

Corre à boca miúda nos becos, guetos, vielas, favelas e marginais que o senhor é antitético ao que está aí, daí o boicote das forças ocultas ao seu trabalho de semear esperanças neste 2020 prá lá de complexo. Também falam que o senhor é uma lenda urbana, uma invenção fértil para engabelar a choldra. Mas há registros de repressão à sua persona por passagens pelo mundo.

Visto e dito isto, estou escrevendo esta carta, apesar de acreditar que o senhor não existe. Tudo bem, milhares de pessoas céticas, crédulas, sépticas ou assépticas do mundo inteiro vão até o norte da Finlândia, na Lapônia (Korvatunturi – em filandês, que quer dizer “monte com ouvidos”)   nesta época do ano, para certificar se alguém que supostamente seria verdadeiro Papai Noel existe, com sua esposa e suas renas.

Sei também que é marketing dos bons sua roupagem vermelha, barba branca e corpo com excesso de peso. Aquela importante indústria alimentícia da área de refrigerantes, desde a década de 20 do século passado, tem investido pesado nesta marca. Só a título de curiosidade, o senhor, se existir, é vinculado a alguma agência publicitária ou é free-lancer? 

Tenho alguns pedidos para fazer, mas aquela exigência de ter feito boas ações o ano todo, caramba, Papai Noel, é uma puta falta de sacanagem. Por que não explica se se pode fazer ações que eu pontuo como boas, indiferente do que pensa a sociedade elegantemente trajada para eventos maquiavélicos pró-auto-ajuda em benefício de si, em si e por si. 

Veja bem, eu fui bom e fui mau. Eu briguei, apanhei e bati. Eu chorei, gritei e sorri. Eu tomei porre, pileque e gin, e no entanto, quando olho pelo retrovisor, não consigo achar que tive um saldo tão positivo assim de exclusividade benigna. Acho que se o senhor existisse, entenderia. Mas por via das dúvidas a carta será mandada.

Ser uma boa pessoa é relativo, não é mesmo? 
Ser paciente, amigo e sincero. Fala sério, Papai Noel.
Assistir aquele jornal na TV e acreditar que tudo ali é verdade. Isto sim é atestado de ingenuidade.
Ser honesto não seria obrigação?
Não contar mentiras - ah! Papai Noel, me poupe. Quem nunca?
Respeitar as autoridades - o que faz de uma pessoa ser autoridade? Ser autoritário não denota este sentido.

Visto isto e outras coisas censuradas que não posso escrever por que não tenho dinheiro para bancar advogados que estupram a moral das pessoas, pergunto (caso seja real):

Posso fazer minha lista de Natal?

Se sim, digite 1, 
se não digite 2, 
com ressalvas digite 3,
com censura prévia digita 4,
com habeas corpus preventivo, digite 5 

Mais uma coisa: Quantos pedidos posso fazer na mesma lista?

E se existir, aguardo sua resposta.

É isto aí!


sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Besos (Gabriela Mistral)

 Besos - Gabriela Mistral


Hay besos que pronuncian por sí solos

la sentencia de amor condenatoria,

hay besos que se dan con la mirada

hay besos que se dan con la memoria.


Hay besos silenciosos, besos nobles

hay besos enigmáticos, sinceros

hay besos que se dan sólo las almas

hay besos por prohibidos, verdaderos.


Hay besos que calcinan y que hieren,

hay besos que arrebatan los sentidos,

hay besos misteriosos que han dejado

mil sueños errantes y perdidos.


Hay besos problemáticos que encierran

una clave que nadie ha descifrado,

hay besos que engendran la tragedia

cuantas rosas en broche han deshojado.


Hay besos perfumados, besos tibios

que palpitan en íntimos anhelos,

hay besos que en los labios dejan huellas

como un campo de sol entre dos hielos.


Hay besos que parecen azucenas

por sublimes, ingenuos y por puros,

hay besos traicioneros y cobardes,

hay besos maldecidos y perjuros.


Judas besa a Jesús y deja impresa

en su rostro de Dios, la felonía,

mientras la Magdalena con sus besos

fortifica piadosa su agonía.


Desde entonces en los besos palpita

el amor, la traición y los dolores,

en las bodas humanas se parecen

a la brisa que juega con las flores.


Hay besos que producen desvaríos

de amorosa pasión ardiente y loca,

tú los conoces bien son besos míos

inventados por mí, para tu boca.


Besos de llama que en rastro impreso

llevan los surcos de un amor vedado,

besos de tempestad, salvajes besos

que solo nuestros labios han probado.


¿Te acuerdas del primero...? Indefinible;

cubrió tu faz de cárdenos sonrojos

y en los espasmos de emoción terrible,

llenáronse de lágrimas tus ojos.


¿Te acuerdas que una tarde en loco exceso

te vi celoso imaginando agravios,

te suspendí en mis brazos... vibró un beso,

y qué viste después...? Sangre en mis labios.


Yo te enseñé a besar: los besos fríos

son de impasible corazón de roca,

yo te enseñé a besar con besos míos

inventados por mí, para tu boca.

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Jamila Falak - All About That {Upright}Bass Cover


Eu gosto de você!

A verdade é que 
eu gosto da sua sinceridade
sóbria
gosto da sua objetividade
explícita
gosto da sua preguiça
dengosa
gosto do seu sorriso
sereno
gosto das suas palavras
claras
gosto da sua paciência 
comigo
gosto das nossas diferenças
contrastantes
gosto de ter notícias suas
e sobretudo
gosto de gostar de você
sempre.

É isto aí!

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Sobre estupro culposo



Do Ministro do Supremo, Dr. Gilmar Mendes:

"As cenas da audiência de Mariana Ferrer são estarrecedoras. O sistema de Justiça deve ser instrumento de acolhimento, jamais de tortura e humilhação. Os órgãos de correição devem apurar a responsabilidade dos agentes envolvidos, inclusive daqueles que se omitiram."

Do Jornal Intercept:

"A excrescência jurídica, até então inédita, foi a cereja do bolo de um processo marcado por troca de delegados e promotores, sumiço de imagens e mudança de versão do acusado. Imagens da audiência as quais o Intercept teve acesso mostram Mariana sendo humilhada pelo advogado de defesa de Aranha."

Da revista Época/Globo:

"Estupro Culposo e Legítima Defesa da Honra: As aberrações jurídicas do machismo".

Do Juka Kfouri:

"O juiz Rudson Marcos, da 3ª Vara Criminal de Florianópolis, acaba de referendar uma nova, e monstruosa, legislação: a do "estupro culposo", ou seja, "o estuprador que estuprou sem intenção de estuprar"....

Do Jornal Correio Braziliense

"o advogado de defesa humilha Mariana sem intervenção do juiz. Em um momento ele diz que "graças a Deus" não tem uma filha do "nível" da modelo. "E também peço a deus que meu filho não encontre uma mulher como você", continua. "A verdade é essa, não é? Não é seu ganha pão a desgraça dos outros. Manipular essa história de virgem", diante de promotor e juiz calados e da protagonista em prantos."

Do Pé da Pitangueira: Vinícius de Moraes (Pátria Minha) Trecho:

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta Lábaro não; a minha pátria é desolação 

É isto ai!




Som do Azerbaijão - Bizimkiler 3.0 HD Chuck Berry(cover) You Never Can Tell


segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Não sei dizer que não amo você! (Paulo Abreu)



Na noite só, lido
com pensamentos etéreos
numa dissociação sóbria
e vem você à mente 

Meiga, traços idílicos
mulher perfumada
pela natureza rósea 
 única do jardim
 
Explícita e terna
linda, serena
beijo de luz poente
extasiante flor.

Amo sua presença
quando você sorrindo
em minha existência
tem boca de luar

Não sei dizer
que não amo você
e sua essência poética
neste sonho sem fim.

Gratidão pelo beijo
que nunca mais senti
todos abraços e ternuras
estão guardados em mim.

É isto aí!

 




domingo, 1 de novembro de 2020

Cuando vuelva a tu lado (María Grever)


Foto/Imagem - Maria Grever

Cuando Vuelva a Tu Lado de María Grever  
María Grever (1885 - 1951) foi a primeira compositora mexicana a alcançar aclamação internacional.  Ela é mais conhecida pela canção "What A Difference A Day Makes" (originalmente "Cuando vuelva a tu lado"), que foi popularizada por Dinah Washington e foi regravada por vários artistas em todo o mundo.
Só por curiosidade, nome real da compositora Maria Grever era María Joaquina de la Portilla Torres Sánchez de la Cruz Torres Peralta Obrador

Recuerdas aquel beso
que en broma me negaste,
se escapó de tus labios sin querer;
asustado por ello buscó abrigo
en la misma amargura de mi ser.

Cuando vuelva a tu lado
no me niegues tus besos,
que el amor que te he dado
no podrás olvidar.

No me preguntes nada
que nada he de explicarte,
que el beso que negaste
ya no lo podrás dar.

Cuando vuelva a tu lado
y esté sola contigo,
las cosas que te diga
no repitas jamás,
por compasión.

Une tu labio al mío
y estréchame en tus brazos,
y cuenta los latidos
de nuestro corazón.


Fonte: LyricFind
Compositores: María Grever
Letra de Cuando vuelva a tu lado © Warner Chappell Music, Inc

Pode escutar a música no Youtube clicando aqui com Dinah Washington

Ou escutar este clássico original com Eydie Gorme Y Trio Los Panchos
Provided to YouTube by Redeye Worldwide




Cuando Vuelva a Tu Lado · Eydie Gorme and Trio Los Panchos

Amor / More Amor
℗ GL Music Co.
Released on: 2018-09-21
Artist: Eydie Gorme
Artist: Trio Los Panchos
Auto-generated by YouTube.






O Mago da Pitangueira e as parábolas secretas



Dia destes subi a Colina para adquirir um pouco da imensurável sabedoria do Mago. Queria entender o que está acontecendo no Planeta e com o Planeta. Deu que desci confuso, mas contemplado com o diálogo.

Mestre, preciso de uma palavra de consolo

Palavra vem do latim "parábola". Não estou com vontade de encontrar palavras para contar parábolas nesta agonizante vigília da morte que nos abraça desde março. 

Mas, mestre?!

A Lei criada pelos filhos de Adão, não da plebe, mas aqueles que ocupam a realeza oculta, já registrou há muito tempo, numa era perdida para os mortais, que se não lavar as mãos - morte. Se não usar máscara - morte. Se sair de casa - morte. Se trabalhar - morte. Então, com exceção da Finlândia, Suécia e do Reino da Pitangueira, a morte passou a ter o maior velório da história da humanidade.

Mestre, está me deixando confuso. O que fazer? Como fazer? O que não fazer? 

Não posso afirmar que sei ou que não sei, mesmo sabendo que sei. Quem tem a palavra? Quem manda em toda a esfera azul? A palavra dita por si só não existe, pois parece que saiu de uma lugar secreto. No labirinto da mente, 2020 é mais que um ano, é um termo, um vocábulo, uma expressão fonética. É uma manifestação simbólica de fonemas com um significado, talvez passível de ser traduzido pela outra pessoa ou decodificado numa mente que não a de quem a revelou.

Mestre ... não estou entendendo nada do que diz.

Então guarde consigo que quando as hordas estiverem em vagas de movimentos erráticos e violentos, expressando a fome, as enfermidades e as ideias que vieram dos pensamentos que também geraram o que foi e o que é, os mesmos que agora estão voltados para você, corra e não olhe para trás.

Mestre, gratidão por ter dispensado seu precioso tempo, apesar de não entendido nada, mas parece que disse que a coisa vai piorar.

Procure o seu amor, diga que a ama, e corra, corra muito e não olhe para trás. As vagas estão chegando cada vez mais fortes. Agora vá e não pense mais nisto - Maktub!

É isto aí!






sábado, 31 de outubro de 2020

Se você me esquecer (Pablo Neruda)


 Eu quero que você saiba de uma coisa

Você sabe como é:

Se eu olhar para a lua cristalina,

para o galho avermelhado do lento outono pela minha janela.

Se eu tocar, próximo ao fogo, a intocável cinza

ou o enrugado corpo da lenha,

tudo me leva a você,

Como se tudo o que existe: perfumes, luz, metais,

fossem pequenos barcos que navegam rumo às tuas ilhas que esperam por mim.


Bem, agora,

se pouco a pouco você deixar de me amar

eu deixarei de te amar, pouco a pouco.

Se, de repente, você me esquecer,

não me procure,

porque eu já terei te esquecido


Se você pensa que é longo e furioso o vento que passa pelas

velas da minha vida

e decidir me deixar na praia do coração, onde tenho raízes,

lembre-se,

que nesse dia, nesta hora, eu levantarei meus braços

e minhas raízes partirão para buscar outra terra.


Mas,

se a cada dia, a cada hora, 

você sentir que é destinada a mim,

com implacável doçura,

se a cada dia uma flor escalar os seus lábios à minha procura,

Aahh meu amor, aahh meu próprio eu,

em mim todo aquele fogo reacenderá,

em mim nada é extinto ou esquecido,

meu amor se alimenta do seu amor, amada.

E enquanto você viver, estará você em seus braços,

sem deixar os meus...