quinta-feira, 29 de setembro de 2022
Noa Peled - Pressentimento - תחושת בטן
quarta-feira, 28 de setembro de 2022
Classificados Líquidos
quinta-feira, 22 de setembro de 2022
O ET da madrugada
segunda-feira, 19 de setembro de 2022
Fechado por preguiça
domingo, 18 de setembro de 2022
quarta-feira, 14 de setembro de 2022
Papo de Esquina - Caiu na real
- E a Beth, hem! Que coisa.
- Saiu sem despedidas e deixou o Carlinhos no comando.
- E o Carlinhos, hem!!!! Que coisinha ...
É isto aí!
segunda-feira, 12 de setembro de 2022
Papo de Esquina - Uma bicicleta no céu
- Ela disse para mim que ele comeu solenemente um pão brioche com manteiga e mussarela compradas na Venda ainda de manhãzinha. Degustou cada gole da bebida quente e forte. Sentia o coração apertar, mas a hora chegara. Era agora ou nunca, repetia dezenas de vezes para auto-afirmar o comando mental. Era agora ou nunca ... era agora ou nunca ...
- Chica das Dores, outra cheia de graça e assanhamento pelo Geraldinho, comentou que por coincidência, enquanto por acaso passava em frente da casa, resolveu dar uma espiadinha pela fresta da janela, e viu que ele levantou-se da cadeira com ares de quem não se preocupava com mais nada. Retornou aos cômodos, verificou se as janelas e a porta dos fundos estavam trancadas. Verificou o gás; colocou os dois gatos para fora, passou pela sala, pegou seu chapéu estilo Fedora, clássico, com aba larga, trancou a porta que dava para um alpendre florido. Deu a volta, foi no quintal e soltou quinze passarinhos presos num viveiro, além do cachorro que o acompanhara por pelo menos dez anos. Olharam-se com ternura e tristeza.
- Terezinha da Sossó, a graciosa e fogosa vizinha do lado, que devorava de todas as formas o moço sempre com esperança de casar, viu quando ele pegou sua bicicleta sueca Raybar, de quadro duplo e aro 28, intacta tal qual o pai descrevera quando a comprou em 1958, levou-a até o portão, abriu o cadeado, saiu com seu veículo, trancou o portão, olhou para os gatos assustados, para o cachorro correndo pelas ruas descalças, para a dúzia de vasos pendurados no alpendre, para as bananeiras e laranjeiras entre o abacateiro e a graviola. Daí suspirou fundo. Alguém passou e deu bom dia; sem se virar respondeu pausadamente com um bom dia fraco e discreto.
Subiu na bicicleta e sem olhar para trás partiu ao infinito que acreditava existir atrás das montanhas que cercavam o vale. Nunca mais foi visto. Quanto à casa, três meses depois da sua partida, Zé Gaiteiro parou o caminhão de leite na porta e despejou a mulher, devolvendo para quem de direito. Para surpresa dela, ninguém morava mais ali, e assim descobriu que voltou para o que definitivamente acabou..
As prosas sobre Geraldinho Caolho foram se esvaindo até inexistir alguma história nova. Seu nome virou lenda e dizem que de certa forma achou um jeito de entrar com a bicicleta no céu. De quebra deixou três viúvas de nariz torcido para a ex-esposa reaparecida e devolvida, para contarem as qualidades do Geraldinho, mas aí já é outra história.
É isto aí!
quinta-feira, 8 de setembro de 2022
Paulinho Moska "Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor" (Lô Borges/Marcio Borges)
Explicando o inexplicável
- Dia destes, navegando pela rodovia no meu bólido indefectível, incontestável, infalível, sólido, fiel e possante Uno Mille 93 modelo 94, com teto solar e farol de milha, eu avistei ...
- Já que você tocou no assunto, sem querer interromper interrompendo, por que ter um farol de milha em Pindorama, se por aqui contam-se as coisas aos metros?
- Não sei se você sabe, mas a vida quis assim - em Pindorama em se plantando, tudo se exporta, pois o importante é o que se importa e não o ... bem, já entendeu.
- Entendi mais ou menos.
- Bem, depois explico. Aí, rapaz, na hora que pedi a conta ela entrou no restaurante. Parecia uma estrela lindíssima a brilhar no céu dos meus olhos.
- Rapaz, que papo é este. Você estava na estrada como seu combalido Uno, e de onde surgiu esta mulher?
- Que mulher, rapaz? Que mulher? Esta mulher não existe, entendeu? Ela não existe. O que vi naquele tempo/espaço é que temos que ter sempre em mente que o fenômeno da Interplanetariedade extraordinária nos obriga à análise das regras de percepção normativas.
- Para com isto! Está fumando erva estragada? Bebendo destilado paraguaio? Você estava no Uno, viu uma estrela em forma de mulher e surtou? Foi isto?
- Mas que obsessão por esta mulher, hem! Salvo engano foi Lacan quem disse, logo depois do ocorrido no Paraíso, naquela coisa de comeu maçã e deu bode, numa entrevista para a descolada filha de Noé, que fazia as vezes de jornalista historiadora universal, que o desejo inconsciente se acompanha então de inconvenientes não negligenciáveis de que a Mulher não existe. É claro que ela existe, mas tem variáveis, entende?
- Entendi. Vocês não estão se falando mais.
- Ufa, que bom que você entende minha dor.
É isto aí!
segunda-feira, 5 de setembro de 2022
Papo de esquina o Caso da Velha do Lado
Lembrei de outra lenda da Pitangueira, inexoravelmente o maior caso de mistério e suspense deste Reino, com provas materiais e testemunhais.
Falando desta maneira, você, só pode estar se referindo ao caso da Velha do Lado.
Exatamente! A Velha do Lado.
Sabia que ela era feiticeira? Dizem até que tinha pacto e relacionamento íntimo com coisas ruins.
Isto não é verdade. Ela era uma mulher muito boa, muito atenciosa, a questão é que as pessoas tendem a julgar os diferentes com certa precipitação.
Diferentes? Como assim?
Eu fui criado na casa ao lado deles, do seu Lado e dela, a Dona Lada. Ela veio refugiada ainda criança, do leste europeu, cresceu num gueto com os parentes, até que o pai morreu e a mãe veio parar aqui, onde poderia cria-la com mais liberdade.
É mesmo, você cresceu no Córrego da Porta, onde ela sempre morou. Tinha esquecido isto.
Sim, ela sempre foi uma pessoa fantástica, conhecedora profunda de ervas medicinais, fazia fila na porta da casa dela. Minha família sempre levou todos nós para tratar febre, caxumba, sarampo, quebranto, mal olhado, espinhela caída, lumbago e um monte de coisas do mundo espiritual.
Rapaz, sabe que eu nunca soube disto?
Pois é, e ainda era minha madrinha.
Mas e aquele negócio de falar línguas estranhas?
Tem nada disto. Ela era de uma linhagem Romani, e tinha orações que ela fazia na língua ancestral. Segundo ela, desta forma sentia mais poder para que suas palavras chegassem ao céu.
Tudo bem, não vou discutir este lado da história, mas por outro lado...
Sim, sei, tem o Lado, o senhor Ladislau, que ela não conseguia pronunciar e passou a chama-lo de Lado, assim ficou Lado e Lada.
Pois é, então me explica isto. O Lado faleceu no ano 1996, e foi enterrado no cemitério administrado por religiosos, apesar dos protestos da Lada, que desejava enterrá-lo no Monte Oreru, que considerava sagrado, no fim da Rua dos Mártires, numa elevação de pouco mais de 200 metros. Quando faleceu em 2005, ao ser levada para a sepultura, descobriram que Lado não estava lá e que estava completamente vazia. Mas mesmo assim a enterraram no mesmo sepulcro.
Sim, foi isto mesmo. Na época acreditaram que ela retirou o corpo com a ajuda do Tião Coveiro e sepultaram no monte. Vasculharam e escavaram dezenas de buracos e nada de Lado.
Mas em 2006 o povo fez um alvoroço para retira-la de lá, ou pelo menos seu corpo. Em 2008, depois de muitos abaixo-assinados, passeatas, carreatas e manifestações de lideranças políticas e da sociedade, a justiça autorizou abrir o sepulcro e para surpresa de todos, nada do corpo da Lada, que havia sumido tanto quanto o do Lado. Isto com o sepulcro lacrado e selado como manda a tradição da fé, de maneira que era impossível um ato daquela monta.
E tem mais; Tião Coveiro teve que dar vários depoimentos, perdeu o emprego e a serenidade e como castigo, ao morrer de desgosto, foi enterrado na mesma sepultura, que foi selada e lacrada, e pela primeira vez teve reza, ladainha e discurso. Só que quando Comadre Filó, a viúva de Tião, no ano de 2010 veio a óbito, por desgosto segundo dizem, abriram a sepultura e para espanto, cadê Tião Coveiro??.
O reboliço foi tão grande que a justiça mandou imediatamente lacrar o caixão da Comadre Filó. O prefeito chamou um embalsamador italiano e depois do serviço concluído, deixaram exposto numa cuba anaeróbica de vidro, dentro da capela blindada, sobre o túmulo. Ou seja, Dona Filó, santa em vida passou a virar centro de romarias e rezas até, dizem, começou a realizar milagres depois de morta.
Graças a dona Lada.
Pois é... mais uma lenda para o Reino da Pitangueira ...
É isto aí!
domingo, 4 de setembro de 2022
A Natureza das coisas (Analu Sampaio)
sábado, 3 de setembro de 2022
A vaca no talo
sexta-feira, 2 de setembro de 2022
Anawin
muitas vezes encontrada na Bíblia.
Significa "os pobres de Javé",
ou seja, os pobres de Deus.
Como você pode observar,
anawin é uma palavra
que está no plural.
Os pobres são aqueles desprovidos de bens materiais,
que experimentam o sofrimento e a injustiça
por causa da sua condição de pequenez,
fragilidade e dependência.
Mas anawin são, principalmente,
aqueles que depositam a sua confiança em Deus
e, por isso, são a Ele fiéis,
de modo a buscarem, em tudo, a vontade do Senhor.
Jesus e Maria foram perfeitos anawin,
assim como os santos da Igreja.
Nós também somos chamados a ser verdadeiros anawin,
conforme os ensinamentos da Palavra
Fonte da imagem: Cristãos na Etiópia
quinta-feira, 1 de setembro de 2022
Papo de Esquina: O misterioso Homem Juliana
Agora que tudo já passou, vocês dois poderiam comentar aquela história do viajante que virou assunto em toda a cidade por muito tempo, conhecido como Homem Juliana?
Da minha parte tudo bem. Mas terei que ir e vir nas histórias, pois tem muitas informações truncadas. O fato é que tínhamos poucos elementos para seguirmos uma linha de raciocínio. Era julho de 2003, frio gelado. Recordo que atendi ao chamado onde patrulheiros encontraram o carro logo depois da Curva do Boi. Segui para o local achando que seria mais uma noite de rotina, talvez um bêbado perdido, numa região onde todo mundo conhece todo mundo.
Segundo nossas investigações, o sujeito parou na cidade vizinha, onde ocorria uma festa pública em homenagem ao santo padroeiro, cerca de vinte quilômetros daqui, e que por relatos de diversas testemunhas, proseou, enamorou e ofereceu carona para uma moça linda, misteriosa, inteligente, gentil, educada, completamente desconhecida na pequena cidade com cerca de dois mil habitantes.
Aqui cabe uma observação: O Waltinho Fotógrafo, que sempre prestou serviço para a delegacia, nos procurou assim que soube do ocorrido, um dia depois, eu acho. Estava na festa do arraial, e ao ver aquela mulher linda, diferente, fotografou-a muitas vezes, mais de vinte fotografias, inclusive na calçada, quando a porta do carro abriu para ela, de frente, de lado, de costas, entrando no carro, enfim, pegou todos os ângulos. Inclusive relatou que ao entrar no carro, ela se virou e sorriu para ele.
Então vocês tinham uma pista?
Aí é que a coisa fica estranha, se é que há algo que não seja estranho nesta história. O Waltinho tinha uma Câmera Digital série F de superzoom da Sony modelo F828. Ela possuía sensor de 2/3 de polegada com 8 megapixels de resolução e sua objetiva Carl Zeiss 28-300mm possuía anel de foco e zoom e era bem luminosa, a abertura era f/2.0-2.8 com macro de 2cm que era excelente.
E qual a importância disto no caso?
A verdade é que acreditávamos que as fotografias poderiam nos levar a uma importante pista, só que ao abrir as fotos digitais, descobrimos juntos com o Waltinho que ela não aparecia em nenhuma delas, era como se não existisse. Logo ela que seria a testemunha chave deste que foi um dos maiores mistérios do Reino da Pitangueira. E além disto, tínhamos testemunhas oculares, inclusive com detalhes da roupa cabelo, etc., mas nem o hotel, bares e restaurantes onde ela supostamente hospedou e circulou, tinham imagem ou quaisquer informações ao seu respeito.
Visto esta inserção sobre as fotografias digitais do Waltinho, volto ao caso chegando ao local. O que vi foi um homem desconhecido, desacordado, nu, imenso, sentado na poltrona do motorista, carro ligado, faróis acessos, e trancado por dentro. Ao abrir a porta pelo quebra-vento, pareceu entrar numa espécie de transe, num estado alterado da consciência, falando coisas desconexas e tendo espasmos. Estranhamente calçava meias de natureza desconhecida. Encaminhei ao hospital e pedi para investigarem pelo carro, já que também não tinha documentos, nem tickets, nem recibos, nem bolsa, nem sacola. O carro, um Fusca Fafá 1300L 1979, estava completamente limpo.
Eu o recebi no hospital. Estava de plantão naquela noite. Não deu trabalho e tinha os sinais vitais mantidos. Levou dois dias para recobrar a consciência, se é que posso dizer assim. Só falava um nome - Juliana - às vezes sussurrava, às vezes gritava por ela.
Enquanto isto descobrimos na delegacia que o carro não nos levaria a nenhum lugar, não tinha registro, nem número de chassi, nem identificação alguma que valesse. Mandamos sua impressão digital para a capital a fim de fazerem uma varredura e nada, aquele homem, que passou a ser chamado de Homem Juliana, não existia no sistema nacional nem no internacional.
No hospital apenas observávamos sua aparente melhora. Não respondia a nenhuma pergunta, nem verbalizando, nem sinalizando. O olhar continuava vago, focado no vazio. No quinto dia, mais calmo, embora repetindo e/ou chamando incessantemente pela moça, sentou para sua primeira refeição. Alimentou pouco e sussurrava Juliana, Juliana ... Em seguida deitou. Naquela tarde fez uma convulsão e entrou em coma, mas tinha uma expressão facial de paz inexplicável.
No décimo quarto dia, às duas horas de uma madrugada atormentada por uma forte tempestade fora de época, senão a maior já registrada no Reino, a enfermeira ligou para a nossa delegacia, sussurrando, que uma moça desconhecida invadira o prédio pela portaria principal, neutralizara os dois seguranças e caminhara rapidamente até a UTI. No tumulto e correria dos funcionários e equipe de enfermagem para barrá-la, tudo que viram foi uma explosão silenciosa de luzes dentro da UTI que culminou com o desaparecimento dos dois.
É interessante salientar que assim que começou a tempestade, toda a cidade ficou no escuro e no Hospital o gerador foi acionado para as luzes de emergência e manutenção dos equipamentos, mesmo assim as câmeras de segurança não registraram a moça no corredor ou na UTI.
Desta forma o tempo foi passando, passando, passando e o caso virou lenda, como se nunca houvera ocorrido. O mais curioso, se é que existe algo mais curioso que isto, é que o carro, que se encontrava no depósito da prefeitura, também despareceu naquela mesma madrugada.
Aí vou tomar a liberdade de comentar mais um fato inusitado, meus amigos, que muitos, inclusive vocês dois, desconhecem. No leito onde ficou internado, foram encontradas as tais meias. A equipe do hospital me entregou lacradas dentro de um envelope pardo. Fotografei-as e guardei na caixa do processo. Uma semana depois recebi um telefonema de Brasília, onde um certo Dr Parreira informava que o Inspetor Federal Grey Thompson apareceria para verificar o caso. Este homem apareceu, fez perguntas por aí e sumiu tão misteriosamente quanto veio. Ninguém em Brasília sabia dele nem do Dr Parreira, e deu que um mês depois as meias sumiram. Abrimos sindicância que está até hoje inconclusiva.
Mas você ainda tinha as fotos?
Sim, claro. De posse das fotos pensei que poderia ter uma pista, já que constava o fabricante. Descobri pela Interpol que se tratava de uma centenária indústria têxtil alemã que não produzia nem possuía tecnologia para produzir tal meia em 2003.
Acompanhei o mistério da meia por anos a fio e apenas vim a descobrir recentemente que somente a partir de 2013 que esta indústria passou a produzi-la, sendo que em 2013 produziu, pasmem, raríssimos e caríssimos 10 pares. Descobri que a lã de vicunha é produzida a partir da pelagem da vicunha, um animal parente dos lhamas e das alpacas, que habita os alpes sul-americanos. São, inclusive, o animal nacional do Peru. O elevado preço desta lã prende-se com a sua raridade e o difícil processo de obtenção.
Mas e o Inspetor federal?
Ah! Isto é assunto tenso e ficará para outra ocasião.
É isto aí!
quarta-feira, 31 de agosto de 2022
Palavrões, usar ou não usar? (Millôr Fernandes)
terça-feira, 30 de agosto de 2022
Papo de esquina - O estranho
Você se lembram daquele estranho que morava no Beco da Lavoura?
Rapaz, aquilo é que foi acontecimento. A moça que trabalhava lá na minha mãe era vizinha dele. Dizia que acordava pontualmente às 05 horas e 38 minutos. Fazia uma pequena reflexão sobre a vida e caminhava no escuro ao banheiro, sempre contando os passos para certificar de que estava no lugar certo, pois às vezes seus preceptores e hierarcas celestiais o deixavam em outro local. Já ocorrera de acordar em varias partes do planeta e até em outro planeta; nestes casos dormia novamente e reacordava em casa.
Após o banho, abençoava o Óleo de Melaleuca e ungia a si mesmo com o sinal Alfa e Ômega, na testa, sobre as sobrancelhas, sempre o Alfa sobre a sobrancelha direita e o Ômega sobre a sobrancelha esquerda. Após esta unção de abertura da mente, benzia a Água de Rosas (colhidas no sereno, em noite de lua nova), entoava um cântico ofertando aos seres celestiais a sua santidade e aspergia por sobre a cabeça, sobre a fontanela anterior, para despertar os seres benignos que habitavam seu coração.
Vestia sua calça branca de algodão cru alvejado, bem como a bata. Por sobre a cabeça um turbante revestido com papel alumínio, justaposto bem enlaçado, cuja finalidade era não perder seus pensamentos e guardar suas percepções do mundo só para si. Sandálias de couro cru completavam o vestuário espartano.
Após o desjejum, jogava os dois dados sobre um veludo negro, até dar sequência dupla de soma Sete. Cada possibilidade, sua sequencia e a ordem na qual caia, 6/1, 5/2, 4/3 tinha uma leitura, assim poderia prever quais os eventos que o aguardariam no decorrer daquele dia.
E quando saia, então? Caminhava para a porta, tocava a sineta três vezes, abria e tocava outras quatro ao fechar. Como sua casa fora construída no sentido Norte/Sul, onde Sul era a porta da entrada e o Norte a porta dos fundos, sabia exatamente que à sua esquerda estaria o Leste e à sua direita o Oeste. Desta forma, fazia o ritual de percepção energética. Erguia a mão direita espalmada para o Sul e aguardava as vibrações planetárias. A seguir erguia a mão esquerda espalmada para o Oeste e fazia também a leitura das vibrações energéticas vindas daquele ponto cardeal. Com isto determinava a frequência mais positiva e seguia neste rumo.
Fazia sua jornada sem olhar para os lados e conversando incessantemente com seus amigos não visíveis nesta dimensão. Dava a volta em duas quadras à frente que o levava na Praça da Matriz. Sentava no mesmo banco e contemplava o vazio por três horas até que um dia, enquanto meditava subiu numa escada neon aos céus à vista de todos, boquiabertos, estupefatos e abestalhados.
É isto aí!
terça-feira, 23 de agosto de 2022
Só uma oração (Caio Fábio)
Só uma oração (Caio Fábio)
Cada um aqui, cada umsexta-feira, 19 de agosto de 2022
Alma Gêmea
olhar profundo no















