quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Noa Peled - Pressentimento - תחושת בטן



To buy the CD click: http://www.noa-peled.com

Filming & editing: Tzofit Damari.
Composers: Elton Medeiros & Hermínio Bello De Carvalho.
Voice & translation to hebrew: Noa Peled.
Violão 7 cordas: Gian Correa.
Cavaquinho: Henrique Araújo.
Tamborim, Pandeiro, Surdo, Ganzá, Cuíca, Repique de mão, Reco-reco de mola: Luiz Guello.
Special guests - chorus & joy: The LightKids, Tel Aviv. 
Recording & mixing: Estudio 185 Sao Paulo.
Kids recording: Daniel Ring.
Dancers: Aviv, Roy, Oren, Michal X 2, Noa X 2, Yaron, Itay, Alon, Maya, Efrat, Zahara, Galia, Noga.
LightKids: Maor, Yael, Daria, Romi, Tair, Nadav, Eitan, Guri, Talia.
Production assistants: Aviv, Gilad.
A track from the album "20​:​13", released on 25 September 2013.
Filmed near Jerusalem, Tel Aviv & Heifa, Israel.

A prophetic optimistic song that closes the album "20:13", which we have recorded in São Paulo. Afterwards in Tel Aviv we have taught the "LightKids" whom Noa works with, to sing the "La-la-ya" like in Brasil. The time has come to be happy!

שיר נבואה קוסמי עליז לסיום האלבום, שהקלטנו בסאו פאולו. אח"כ בבית בתל אביב לימדנו את "ילדי האור" שאיתם נועה עובדת, לשיר "לה-לה-יה" כמו בברזיל.
הגיע הזמן לשמוח!

Uma música profética e otimista para finalizar o álbum "20:13", que nos gravamos em São Paulo. Mais tarde em Tel Aviv, ensinamos as "Crianças da luz" com quem a Noa trabalha cantarolar o "La-la-ya" como no Brasil. Chegou a hora de se ter felicidade!

לב שלי קודח
מיהו שיבין את סודותיך
מיהו שיבוא בשעריך
ובאש אהבתך יכלה

מי אלי יגיע
כל העת אני שואלת
ועונה לי רק השקט
הפולח את הלילה

בוא אהוב שלי
כבר פתחתי את הדלת
כי שמעתי צעדיך
מבקשים את מעוני

הנה עולה האור
הגנים פורחים בצבע
והכל כבר מבשר לי
שהאושר מחכה לי
והגיע זמן לשמוח


Ai, ardido peito
Quem irá entender o seu segredo
Quem irá pousar em teu destino
E depois morrer de teu amor

Ai, mas quem virá
Me pergunto a toda hora
E a resposta é o silêncio
Que atravessa a madrugada

Vem meu novo amor
Vou deixar a casa aberta
Já escuto os teus passos
Procurando o meu abrigo

Vem que o sol raiou
Os jardins estão florindo
Tudo faz pressentimento
Que este é o tempo ansiado
De se ter felicidade

*

To buy the 20:13 album:


FB : Noa Peled Music

Contact for shows: 

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Classificados Líquidos

Diário da Pitangueira

Classificados de Classe


Vende-se milagres para dívidas e encostos. Tratar com Jamelão da Caixeta, Rua Maricota, 547, Vila Sete.

Vende-se felicidade. Novas, seminovas e virgens. Dispenso curiosos . Tratar com Filó da Ladeira, Avenida Franz, 232, Gambá Velho.

Vende-se ovos galados de Dinocephalosaurus, oriundos de um grupo de antigos répteis chamado de archosauromorpha domesticados e úteis nos afazeres do campo. Favor trazer chocadeira com temperatura de 42°. Tratar com Johnson Magaiver Rick Cristal, na Alameda das Botas, 564, Sarna Ardente,

Vende-se suspiros de amor em excelente estado de conservação. Conquiste sua amada ou seu amado em apenas três sessões. Estoque baixo, favor não insistir para escolher. Não aceito troca nem dou desconto, Tratar com Amelinha Melosa, no Beco das Salamandras, 386, Bairro do Despacho.

Vende-se ou troca-se por uma Kombi em bom estado de conservação, um pé de manga com mais de vinte anos de produção, em excelente estado. O comprador terá direito à produção anual do pé, no local e no estado em que se encontra. Não assumimos frete, não fazemos colheita, não nos responsabilizamos por intempéries e furtos, e alimentação das aves. Tratar com Carlinhos Xuxu, Beco do Linguiça, A4, Bairro da Baronesa.

Troco um celta 2003 por duas cabritas, doze galinhas poedeiras, duas vacas prenhas e um vaso de flor. A pessoa a negociar deverá ser do sexo masculino, carinhoso, bem afeiçoado, educado, solteiro e ter entre 50 e 60 anos, com disponibilidade para compromisso sério.

É isto aí!






 

 


quinta-feira, 22 de setembro de 2022

O ET da madrugada



Neguinho, acorda..., Neguinho ... acorda ..., acorda merda desgraça praga

Ahn?! Humm!? Que foi neguinha?

(sussurrando) Tem um ser alienígena dentro do quarto.

O que? Para de sussurrar e fala direito.

Tem um ET aqui debaixo da nossa cama.

Dorme que ele vai embora. Logo é manhã e tudo se resolve.

É sempre assim. Você nunca acredita em mim. Insensível.

Vera Windsor, para com isto. Não tem nada a ver uma coisa com outra coisa.

Aí, me chamando pelo nome. Você é horroroso. Por que você é tão mau comigo?

Que isto, eu amo você. Está tudo bem, mas vamos dormir que ele vai embora.

Uma hora depois: Neguinho, acorda, já chamei a polícia, o corpo de bombeiros e a guarda municipal

Você o quê?

(sirenes, luzes vermelhas, azuis e brancas, vozes e tumulto na rua)

Você ficou louca? Está doida? Está surtada? Está maluca? 

(sussurrando) Fala baixo, ele está aqui bem embaixo da cama.

O que? Para de sussurrar e fala direito.

(gritando) A merda da porra do caralho do ET está aqui, em pé, bem atrás de você. Não faça movimentos bruscos, se vire lentamente e verá o que estou dizendo.

E agora está gritando.

(batidas fortes na porta Pam Pam, Pam) Polícia, abre a porta, o que está acontecendo? Abram ou vamos arrombar.

O marido vai até a sala, acende a luz, abre a porta. Vê a rua tomada de curiosos, vizinhos e policiais e bombeiros e guarda municipal e ambulância, num grande exercício de garantia da segurança e do interesse à vida alheia pela população.

Boa noite, desculpe o incômodo, mas recebemos uma chamada de que vocês estavam sendo invadidos. Podemos entrar para averiguarmos? Tem mais alguém em casa?

Podem entrar e sim, minha esposa está no quarto. Nisto ouve-se um grito agudíssimo vindo do aposento, seguido de um barulho de impacto. Correram todos para acudir a mulher.

No quarto, em pé sobre a cama, a esposa apontava pálida, em pânico, para uma terrível, insensível e tenebrosa barata no chão, acuada e emparedada pela violência de um chinelo.

É isto aí!






segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Fechado por preguiça




Bateu preguiça, sei lá, 
algo tipo assim uma, 
humm, vejamos um termo bom 
para definir a preguiça, 
esta coisa de ficar estático 
parado, encostado, aquietado

Bateu preguiça 
este sentimento de falta de vontade 
ausência de motivação 
e desejo perpétuo
de nunca mais realizar 
(com vontade) tarefas e atividades.

É isto aí!



quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Papo de Esquina - Caiu na real


 - E a Beth, hem! Que coisa.

- Saiu sem despedidas e deixou o Carlinhos no comando.

- E o Carlinhos, hem!!!! Que coisinha ...

É isto aí!


segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Papo de Esquina - Uma bicicleta no céu


- Rapaz, sabe de quem eu lembre hoje? Do Geraldinho Caolho.

- Conheci bem. Contam que depois da mulher fugir com o Zé Gaiteiro, ficou quase um ano dentro de casa, até que um dia decidiu mudar o rumo da sua história e fez as preces conhecidas e decoradas, diante da imagem de uma santinha miúda, descorada, de sua grande devoção e predileção, que recebera como herança da avó materna.

- Lembro que como não sabia mais do que as duas rezas, dava-se por satisfeito e selava tudo num sinal da cruz invertido, da direita para a esquerda, segundo aprendera com o avô paterno, um cristão ortodoxo.

- Dona Aparecidinha da Venda, uma viúva que vigiava e agarrava o Geraldinho mais que tango argentino, revelou que naquele domingo o homem vestiu a melhor roupa, exclusiva para ocasiões especiais. Passou gel no cabelo, abusou do desodorante perfumado, calçou o melhor sapato com uma meia nova. Fez o café do jeito que gostava, forte, seco, sem açúcar. Sentou na cadeira da ponta anversa à imagem da cruz colocada por sobre a cristaleira centenária, herdada da família. 

- Ela disse para mim que ele comeu solenemente um pão brioche com manteiga e mussarela compradas na Venda ainda de manhãzinha. Degustou cada gole da bebida quente e forte. Sentia o coração apertar, mas a hora chegara. Era agora ou nunca, repetia dezenas de vezes para auto-afirmar o comando mental. Era agora ou nunca ... era agora ou nunca ...

- Chica das Dores, outra cheia de graça e assanhamento pelo Geraldinho, comentou que por coincidência, enquanto por acaso passava em frente da casa, resolveu dar uma espiadinha pela fresta da janela, e viu que ele levantou-se da cadeira com ares de quem não se preocupava com mais nada.  Retornou aos cômodos, verificou se as janelas e a porta dos fundos estavam trancadas. Verificou o gás; colocou os dois gatos para fora, passou pela sala, pegou seu chapéu estilo Fedora, clássico, com aba larga, trancou a porta que dava para um alpendre florido. Deu a volta, foi no quintal e soltou quinze passarinhos presos num viveiro, além do cachorro que o acompanhara por pelo menos dez anos. Olharam-se com ternura e tristeza.

- Terezinha da Sossó, a graciosa e fogosa vizinha do lado, que devorava de todas as formas o moço sempre com esperança de casar, viu quando ele pegou sua bicicleta sueca Raybar, de quadro duplo e aro 28, intacta tal qual o pai descrevera quando a comprou em 1958, levou-a até o portão, abriu o cadeado, saiu com seu veículo, trancou o portão, olhou para os gatos assustados, para o cachorro correndo pelas ruas descalças, para a dúzia de vasos pendurados no alpendre, para as bananeiras e laranjeiras entre o abacateiro e a graviola. Daí suspirou fundo. Alguém passou e deu bom dia; sem se virar respondeu pausadamente com um bom dia fraco e discreto.

Subiu na bicicleta e sem olhar para trás partiu ao infinito que acreditava existir atrás das montanhas que cercavam o vale. Nunca mais foi visto. Quanto à casa, três meses depois da sua partida, Zé Gaiteiro parou o caminhão de leite na porta e despejou a mulher, devolvendo para quem de direito. Para surpresa dela, ninguém morava mais ali, e assim descobriu que voltou para o que definitivamente acabou..   

As prosas sobre Geraldinho Caolho foram se esvaindo até inexistir alguma história nova. Seu nome virou lenda e dizem que de certa forma achou um jeito de entrar com a bicicleta no céu. De quebra deixou três viúvas de nariz torcido para a ex-esposa reaparecida e devolvida, para contarem as qualidades do Geraldinho, mas aí já é outra história. 

É isto aí!

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Paulinho Moska "Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor" (Lô Borges/Marcio Borges)






Fonte Youtube¹: Paulinho Moska (Mar Azul)
Fonte Youtube²: Paulinho Moska / Lô Borges (Zoombido)

Esta versão (Mar Azul)¹ de “Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor” (Lô Borges/Marcio Borges), arranjada e executada por Moska, é a faixa 10 de “Mar Azul”, tributo produzido por Fernando Neumayer e Luís Martino, com músicas dos mineiros do Clube da Esquina. (link para os outros vídeos abaixo)

As versões 2 (Zoombido) e 3 (Pardelion Music) também são imperdíveis.

Também disponível em versão digital “Mar Azul – Sons de Minas Gerais Vol. 1” (Slap):


Mar Azul é uma produção tocavideos
Direção: Fernando Neumayer e Luís Martino
Direção de fotografia: Thiago Britto
Gravação e mixagem de som: Bruno Giorgi e Elísio Freitas
Câmeras: Fernando Neumayer, Luís Martino, Thiago Britto, Raul Stefano e Bruno Giorgi
Idealizado e produzido por Fernando Neumayer e Luís Martino
Coproduzido por Bruno Giorgi e João Vitor
Direção artística: Fernando Neumayer
Gravado no Bituca Estudio, Rio de Janeiro, em novembro de 2013
Apoio: slap, Casa Black Bullet, Deu Zebra, Godofredo Rio, Denis Borges Barbosa Advogados 
Assessoria jurídica: Allan Rocha de Souza

Agradecimentos especiais: Nascimento Música, Milton Nascimento, Paulo Monte e equipe Som Livre, Allan Rocha de Souza, Denis Borges Barbosa Advogados, Naná Karabachian, Selo Casulo e Paula Catunda.

CURTA //


História da Música Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor

Composta pelos Irmãos Márcio Borges e Lô Borges, e gravada por Lô em 2003, Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor é uma das canções mais bonitas da dupla, que emplaca grandes sucessos desde o surgimento do Clube da Esquina.

Apesar de ter sido cantada por Lô e gravada no disco Um Dia e Meio, de 2003, a canção ganharia o Brasil na voz única de Milton Nascimento, quando a lançou um ano antes, no álbum Pietá, de 2002, fazendo com que se tornasse uma das músicas mais queridas de sua carreira, antes mesmo de ser cantada na voz do seu compositor.

Cheguei a tempo de te ver acordar
Eu vim correndo à frente do sol
Abri a porta e antes de entrar
Revi a vida inteira

Pensei em tudo que é possível falar
Que sirva apenas para nós dois
Sinais de bem, desejos vitais
Pequenos fragmentos de luz

Falar da cor dos temporais
De céu azul, das flores de abril
Pensar além do bem e do mal
Lembrar de coisas que ninguém viu

O mundo lá sempre a rodar
Em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor
Estrada de fazer o sonho acontecer

Pensei no tempo e era tempo demais
Você olhou sorrindo pra mim
Me acenou um beijo de paz
Virou minha cabeça

Eu simplesmente não consigo parar
Lá fora o dia já clareou
Mas se você quiser transformar
O ribeirão em braço de mar

Você vai ter que encontrar
Aonde nasce a fonte do ser
E perceber meu coração
Bater mais forte só por você

O mundo lá sempre a rodar
Em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor
Estrada de fazer o sonho acontecer

Eu simplesmente não consigo parar
Lá fora o dia já clareou
Mas se você quiser transformar
O ribeirão em braço de mar

Você vai ter que encontrar
Aonde nasce a fonte do ser
E perceber meu coração
Bater mais forte só por você

O mundo lá sempre a rodar
Em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor
Estrada de fazer o sonho acontecer
Estrada de fazer o sonho acontecer


Explicando o inexplicável

- Dia destes, navegando pela rodovia no meu bólido indefectível, incontestável, infalível, sólido, fiel e possante Uno Mille 93 modelo 94, com teto solar e farol de milha, eu avistei ...

- Já que você tocou no assunto, sem querer interromper interrompendo, por que ter um farol de milha em Pindorama, se por aqui contam-se as coisas aos metros?

- Não sei se você sabe, mas a vida quis assim - em Pindorama em se plantando, tudo se exporta, pois o importante é o que se importa e não o ... bem, já entendeu.

- Entendi mais ou menos.

- Bem, depois explico. Aí, rapaz, na hora que pedi a conta ela entrou no restaurante. Parecia uma estrela lindíssima a brilhar no céu dos meus olhos. 

- Rapaz, que papo é este. Você estava na estrada como seu combalido Uno, e de onde surgiu esta mulher?

- Que mulher, rapaz? Que mulher? Esta mulher não existe, entendeu? Ela não existe. O que vi naquele tempo/espaço é que temos que ter sempre em mente que o fenômeno da Interplanetariedade extraordinária nos obriga à análise das regras de percepção normativas.

- Para com isto! Está fumando erva estragada? Bebendo destilado paraguaio? Você estava no Uno, viu uma estrela em forma de mulher e surtou? Foi isto?

- Mas que obsessão por esta mulher, hem! Salvo engano foi Lacan quem disse, logo depois do ocorrido no Paraíso, naquela coisa de comeu maçã e deu bode, numa entrevista para a descolada filha de Noé, que fazia as vezes de jornalista historiadora universal, que o desejo inconsciente se acompanha então de inconvenientes não negligenciáveis de que a Mulher não existe. É claro que ela existe, mas tem variáveis, entende?

- Entendi. Vocês não estão se falando mais.

- Ufa, que bom que você entende minha dor.

É isto aí!


segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Papo de esquina o Caso da Velha do Lado

Lembrei de outra lenda da Pitangueira, inexoravelmente o maior caso de mistério e suspense deste Reino, com provas materiais e testemunhais.

Falando desta maneira, você, só pode estar se referindo ao caso da Velha do Lado.

Exatamente! A Velha do Lado.

Sabia que ela era feiticeira? Dizem até que tinha pacto e relacionamento íntimo com coisas ruins.

Isto não é verdade. Ela era uma mulher muito boa, muito atenciosa, a questão é que as pessoas tendem a julgar os diferentes com certa precipitação.

Diferentes? Como assim?

Eu fui criado na casa ao lado deles, do seu Lado e dela, a Dona Lada. Ela veio refugiada ainda criança, do leste europeu, cresceu num gueto com os parentes, até que o pai morreu e a mãe veio parar aqui, onde poderia cria-la com mais liberdade.

É mesmo, você cresceu no Córrego da Porta, onde ela sempre morou. Tinha esquecido isto. 

Sim, ela sempre foi uma pessoa fantástica, conhecedora profunda de ervas medicinais, fazia fila na porta da casa dela. Minha família sempre levou todos nós para tratar febre, caxumba, sarampo, quebranto, mal olhado, espinhela caída, lumbago e um monte de coisas do mundo espiritual.

Rapaz, sabe que eu nunca soube disto?

Pois é, e ainda era minha madrinha.

Mas e aquele negócio de falar línguas estranhas?

Tem nada disto. Ela era de uma linhagem Romani, e tinha orações que ela fazia na língua ancestral. Segundo ela, desta forma sentia mais poder para que suas palavras chegassem ao céu. 

Tudo bem, não vou discutir este lado da história, mas por outro lado...

Sim, sei, tem o Lado, o senhor Ladislau, que ela não conseguia pronunciar e passou a chama-lo de Lado, assim ficou Lado e Lada. 

Pois é, então me explica isto. O Lado faleceu no ano 1996, e foi enterrado no cemitério administrado por religiosos, apesar dos protestos da Lada, que desejava enterrá-lo no Monte Oreru, que considerava sagrado, no fim da Rua dos Mártires, numa elevação de pouco mais de 200 metros. Quando faleceu em 2005, ao ser levada para a sepultura, descobriram que Lado não estava lá e que estava completamente vazia. Mas mesmo assim a enterraram no mesmo sepulcro. 

Sim, foi isto mesmo. Na época acreditaram que ela retirou o corpo com a ajuda do Tião Coveiro e sepultaram no monte. Vasculharam e escavaram dezenas de buracos e nada de Lado.  

Mas em 2006 o povo fez um alvoroço para retira-la de lá, ou pelo menos seu corpo. Em 2008, depois de muitos abaixo-assinados, passeatas, carreatas e manifestações de lideranças políticas e da sociedade, a justiça autorizou abrir o sepulcro e para surpresa de todos, nada do corpo da Lada, que havia sumido tanto quanto o do Lado. Isto com o sepulcro lacrado e selado como manda a tradição da fé, de maneira que era impossível um ato daquela monta.

E tem mais; Tião Coveiro teve que dar vários depoimentos, perdeu o emprego e a serenidade e como castigo, ao morrer de desgosto, foi enterrado na mesma sepultura, que foi selada e lacrada, e pela primeira vez teve reza, ladainha e discurso. Só que quando Comadre Filó, a viúva de Tião, no ano de 2010 veio a óbito, por desgosto segundo dizem, abriram a sepultura  e para espanto, cadê Tião Coveiro??. 

O reboliço foi tão grande que a justiça mandou  imediatamente lacrar o caixão da Comadre Filó. O prefeito chamou um embalsamador italiano e depois do serviço concluído,  deixaram exposto numa cuba anaeróbica de vidro, dentro da capela blindada, sobre o túmulo. Ou seja, Dona Filó, santa em vida passou a virar centro de romarias e rezas até, dizem, começou a  realizar milagres depois de morta.

Graças a dona Lada.

Pois é... mais uma lenda para o Reino da Pitangueira ...

É isto aí!

domingo, 4 de setembro de 2022

A Natureza das coisas (Analu Sampaio)


Analu Sampaio é uma adolescente de 14 anos que apresenta uma pré-disposição incrível para a música. Além de cantar, compõe e toca vários instrumentos. O ótimo gosto musical tem influenciado muito positivamente outros jovens e crianças da sua geração.

Já dividiu o palco com vários artistas da MPB, dentre eles temos Roupa Nova, Ivete Sangalo, Toquinho, Sandra de Sá, Baby do Brasil, Tiago Iorc, Sidney Magal, Jorge Vercilo, Daniel, Caçulinha, Palavra Cantada e O Teatro Mágico. Além disso, Analu dividiu canções com Ivan Lins, Rosa Passos, Roberto Menescal, Leila Pinheiro e Flávio Venturini.

Música: A Natureza Das Coisas
Compositor: Accioly Neto

Ô chá, lá, lá, lá, lá
Ô chá, lá, lá, lá, lá

Se avexe não...
Amanhã pode acontecer tudo
Inclusive nada.

Se avexe não...
A lagarta rasteja
Até o dia em que cria asas.

Se avexe não...
Que a burrinha da felicidade
Nunca se atrasa.

Se avexe não...
Amanhã ela pára
Na porta da tua casa

Se avexe não...
Toda caminhada começa
No primeiro passo
A natureza não tem pressa
Segue seu compasso
Inexoravelmente chega lá...

Se avexe não...
Observe quem vai
Subindo a ladeira
Seja princesa, seja lavadeira...
Pra ir mais alto
Vai ter que suar.

Ô coisa boa é namorar,
Ô coisa boa é namorar.

sábado, 3 de setembro de 2022

A vaca no talo



O senhor sabe porque está aqui?

- Não senhor. Apenas sei que ao chegar no serviço, estes dois gentis cavalheiros neandertais me pediram para acompanhá-los compulsoriamente, mas com muita educação, até este recinto.

Queremos, digamos assim, ensina-lo a ter bons modos no comportamento para com a sociedade.

- E como farão isto?

Comece lendo a crônica que seria publicada hoje pelo senhor. Segundo a nossa fonte fidedigna e suprapartidária de monitoramento global, que obedece o Artigo 3984, seu texto vai contra a liberdade de expressão conforme o Inciso CLIV, Alínea f. Além disto, a sua crônica contém e ou induz ter comandos subliminares de atentados contra as matas, os bosques, os passarinhos e o céu azul. Dai vamos ensinando como contornar e eliminar problemas.

- Só isto?

Se o senhor for educado, gentil  e obediente, sim. Agora por favor, comece a ler  a porra da sua crônica.

- É uma crônica simples, quase pueril, mas vou ler

Se fosse simples e quase pueril, o senhor não estaria aqui, seu traíra enrustido.

- Ah, agora está claro.

E pode ficar melhor ainda. Comece a ler enquanto pode ler.

- Meu compadre tinha uma vaca imensa de gorda

Espera aí, só um instantinho, vamos aguardar o corretor de revisão do editor para ver se vaca gorda não é termo agressivo, ou pejorativo, ou depreciativo para qualificar a vaca.

Falou nada. Então continua, por favor.

- Meu compadre tinha uma vaca imensa de gorda, tinha umas tetas que eram uma braçada e meia no talo.

É... aguarde um momento que nosso serviço de proteção à tradição, família e propriedade, conforme consta no Decreto Federal Nº 245, de 10 de Junho de 1914, está averiguando se o senhor pode narrar e expressar a palavra teta vinculada ao talo.

- Mas isto é ridículo

Senhor, contenha-se e controle-se. Nosso Serviço de Qualificação e Classificação de Posturas Públicas, também conhecido com SQCPP-X9H, considerando o politicamente correto no contexto sociopolítico vigente, não permite esta vinculação entre tetas e talos, portanto, o senhor deverá rever sua comparação, pois esta decisão é de caráter irrevogável.

- Puta merda!

Puta merda pode, mas desde que vinculada a um contexto plausível.

- Tudo bem, tudo bem, vou recomeçar: Meu compadre tinha uma vaca imensa de gorda ...

Muito bem, o senhor está indo bem na narrativa, agora pense bem no que vai falar. O senhor tem que alterar o sentido e as palavras que ofendam o povo e a família.

- Meu compadre tinha uma vaca, ai eu comprei ela e matei ela.

Uau! O senhor entendeu o espírito da coisa. Matar o mal pela raiz. O próximo!!!!

É isto aí!

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Anawin


Anawin é uma palavra hebraica, 

muitas vezes encontrada na Bíblia. 

Significa "os pobres de Javé", 

ou seja, os pobres de Deus. 

Como você pode observar, 

anawin é uma palavra 

que está no plural. 

Os pobres são aqueles desprovidos de bens materiais, 

que experimentam o sofrimento e a injustiça 

por causa da sua condição de pequenez, 

fragilidade e dependência. 

Mas anawin são, principalmente, 

aqueles que depositam a sua confiança em Deus 

e, por isso, são a Ele fiéis, 

de modo a buscarem, em tudo, a vontade do Senhor. 

Jesus e Maria foram perfeitos anawin, 

assim como os santos da Igreja. 

Nós também somos chamados a ser verdadeiros anawin, 

conforme os ensinamentos da Palavra


Fonte da imagem: Cristãos na Etiópia


quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Papo de Esquina: O misterioso Homem Juliana


Agora que tudo já passou, vocês dois poderiam comentar aquela história do viajante que virou assunto em toda a cidade por muito tempo, conhecido como Homem Juliana? 

Da minha parte tudo bem. Mas terei que ir e vir nas histórias, pois tem muitas informações truncadas. O fato é que tínhamos poucos elementos para seguirmos uma linha de raciocínio. Era julho de 2003, frio gelado. Recordo que atendi ao chamado onde patrulheiros encontraram o carro logo depois da Curva do Boi. Segui para o local achando que seria mais uma noite de rotina, talvez um bêbado perdido, numa região onde todo mundo conhece todo mundo. 

Segundo nossas investigações, o sujeito parou na cidade vizinha, onde ocorria uma festa pública em homenagem ao santo padroeiro, cerca de vinte quilômetros daqui, e que por relatos de diversas testemunhas, proseou, enamorou e ofereceu carona para uma moça linda, misteriosa, inteligente, gentil, educada, completamente desconhecida na pequena cidade com cerca de dois mil habitantes. 

Aqui cabe uma observação: O Waltinho Fotógrafo, que sempre prestou serviço para a delegacia, nos procurou assim que soube do ocorrido, um dia depois, eu acho. Estava na festa do arraial, e ao ver aquela mulher linda, diferente, fotografou-a muitas vezes, mais de vinte fotografias, inclusive na calçada, quando a porta do carro abriu para ela, de frente, de lado, de costas, entrando no carro, enfim, pegou todos os ângulos. Inclusive relatou que ao entrar no carro, ela se virou e sorriu para ele. 

Então vocês tinham uma pista?

Aí é que a coisa fica estranha, se é que há algo que não seja estranho nesta história. O Waltinho tinha uma Câmera Digital série F de superzoom da Sony modelo F828. Ela possuía sensor de 2/3 de polegada com 8 megapixels de resolução e sua objetiva Carl Zeiss 28-300mm possuía anel de foco e zoom e era bem luminosa, a abertura era f/2.0-2.8 com macro de 2cm que era excelente.

E qual  a importância disto no caso?

A verdade é que acreditávamos que as fotografias poderiam nos levar a uma importante pista, só que ao abrir as fotos digitais, descobrimos juntos com o Waltinho que ela não aparecia em nenhuma delas, era como se não existisse. Logo ela que seria a testemunha chave deste que foi um dos maiores mistérios do Reino da Pitangueira. E além disto, tínhamos testemunhas oculares, inclusive com detalhes da roupa cabelo, etc., mas nem o hotel, bares e restaurantes onde ela supostamente hospedou e circulou, tinham imagem ou quaisquer informações ao seu respeito. 

Visto esta inserção sobre as fotografias digitais do Waltinho, volto ao caso chegando ao local. O que vi foi um homem desconhecido, desacordado, nu, imenso, sentado na poltrona do motorista, carro ligado, faróis acessos, e trancado por dentro. Ao abrir a porta pelo quebra-vento, pareceu entrar numa espécie de transe, num estado alterado da consciência, falando coisas desconexas e tendo espasmos. Estranhamente calçava meias de natureza desconhecida. Encaminhei ao hospital e pedi para investigarem pelo carro, já que também não tinha documentos, nem tickets, nem recibos, nem bolsa, nem sacola. O carro, um Fusca Fafá 1300L 1979, estava completamente limpo.

Eu o recebi no hospital. Estava de plantão naquela noite. Não deu trabalho e tinha os sinais vitais mantidos. Levou dois dias para recobrar a consciência, se é que posso dizer assim. Só falava um nome - Juliana - às vezes sussurrava, às vezes gritava por ela. 

Enquanto isto descobrimos na delegacia que o carro não nos levaria a nenhum lugar, não tinha registro, nem número de chassi, nem identificação alguma que valesse. Mandamos sua impressão digital para a capital a fim de fazerem uma varredura e nada, aquele homem, que passou a ser chamado de Homem Juliana, não existia no sistema nacional nem no internacional. 

No hospital apenas observávamos sua aparente melhora. Não respondia a nenhuma pergunta, nem verbalizando, nem sinalizando. O olhar continuava vago, focado no vazio. No quinto dia, mais calmo, embora repetindo e/ou chamando incessantemente pela moça, sentou para sua primeira refeição. Alimentou pouco e sussurrava Juliana, Juliana ... Em seguida deitou. Naquela tarde fez uma convulsão e entrou em coma, mas tinha uma expressão facial de paz inexplicável. 

No décimo quarto dia, às duas horas de uma madrugada atormentada por uma forte tempestade fora de época, senão a maior já registrada no Reino, a enfermeira ligou para a nossa delegacia, sussurrando, que uma moça desconhecida invadira o prédio pela portaria principal, neutralizara os dois seguranças e caminhara rapidamente até a UTI. No tumulto e correria dos funcionários e equipe de enfermagem para barrá-la, tudo que viram foi uma explosão silenciosa de luzes dentro da UTI que culminou com o desaparecimento dos dois. 

É interessante salientar que assim que começou a tempestade, toda a cidade ficou no escuro e no Hospital o gerador foi acionado para as luzes de emergência e manutenção dos equipamentos, mesmo assim as câmeras de segurança não registraram a moça no corredor ou na UTI.

Desta forma o tempo foi passando, passando, passando e o caso virou lenda, como se nunca houvera ocorrido. O mais curioso, se é que existe algo mais curioso que isto, é que o carro, que se encontrava no depósito da prefeitura, também despareceu naquela mesma madrugada.  

Aí vou tomar a liberdade de comentar mais um fato inusitado, meus amigos, que muitos, inclusive vocês dois, desconhecem. No leito onde ficou internado, foram encontradas as tais meias. A equipe do hospital me entregou lacradas dentro de um envelope pardo. Fotografei-as e guardei na caixa do processo. Uma semana depois recebi um telefonema de Brasília, onde um certo Dr Parreira informava que o Inspetor Federal Grey Thompson apareceria para verificar o caso. Este homem apareceu, fez perguntas por aí e sumiu tão misteriosamente quanto veio. Ninguém em Brasília sabia dele nem do Dr Parreira, e deu que um mês depois as meias sumiram. Abrimos sindicância que está até hoje inconclusiva. 

Mas você ainda tinha as fotos?

Sim, claro. De posse das fotos pensei que poderia ter uma pista, já que constava o fabricante. Descobri pela Interpol que se tratava de uma centenária indústria têxtil alemã que não produzia nem possuía tecnologia para produzir tal meia em 2003.

Acompanhei o mistério da meia por anos a fio e apenas vim a descobrir recentemente que somente a partir de 2013 que esta indústria passou a produzi-la, sendo que em 2013 produziu, pasmem, raríssimos e caríssimos 10 pares. Descobri que a lã de vicunha  é produzida a partir da pelagem da vicunha, um animal parente dos lhamas e das alpacas, que habita os alpes sul-americanos. São, inclusive, o animal nacional do Peru. O elevado preço desta lã prende-se com a sua raridade e o difícil processo de obtenção.

Mas  e o Inspetor federal? 

Ah! Isto é assunto tenso e ficará para outra ocasião. 

É isto aí!


quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Palavrões, usar ou não usar? (Millôr Fernandes)



Alto lá!!!
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
Autor da Crônica:  Millôr Fernandes

São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos.

É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia.

"Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que "Pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?

No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não!" e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, absolutamente não!" o substituem. O "Nem fodendo" é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida.

Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.

Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um "é PhD porra nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "porra nenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos "aspone", "chepone", "repone" e, mais recentemente, o "prepone" - presidente de porra nenhuma.

Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um "Puta-que-pariu!", ou seu correlato "Puta-que-o-pariu!", falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba...Diante de uma notícia irritante qualquer um "puta-que-o-pariu!" dito assim te coloca outra vez em seu eixo.

Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cu!"?

E sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cu!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta:

"Chega! Vai tomar no olho do seu cu!".

Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar:

"Fodeu!".

E sua derivação mais avassaladora ainda:

"Fodeu de vez!".

Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar:

O que você fala?

"Fodeu de vez!".

Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta.

"Não quer sair comigo? Então foda-se!".

"Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!".

O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal.

Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se.

terça-feira, 30 de agosto de 2022

Papo de esquina - O estranho


Você se lembram daquele estranho que morava no Beco da Lavoura?

Rapaz, aquilo é que foi acontecimento. A moça que trabalhava lá na minha mãe era vizinha dele. Dizia que acordava pontualmente às 05 horas e 38 minutos. Fazia uma pequena reflexão sobre a vida e caminhava no escuro ao banheiro, sempre contando os passos para certificar de que estava no lugar certo, pois às vezes seus preceptores e hierarcas celestiais o deixavam em outro local. Já ocorrera de acordar em varias partes do planeta e até em outro planeta; nestes casos dormia novamente e reacordava em casa. 

Após o banho, abençoava o Óleo de Melaleuca e ungia a si mesmo com o sinal Alfa e Ômega, na testa, sobre as sobrancelhas, sempre o Alfa sobre a sobrancelha direita e o Ômega sobre a sobrancelha esquerda. Após esta unção de abertura da mente, benzia a Água de Rosas (colhidas no sereno, em noite de lua nova), entoava um cântico ofertando aos seres celestiais a sua santidade e aspergia por sobre a cabeça, sobre a fontanela anterior, para despertar os seres benignos que habitavam seu coração. 

Vestia sua calça branca de algodão cru alvejado, bem como a bata. Por sobre a cabeça um turbante revestido com papel alumínio, justaposto bem enlaçado, cuja finalidade era não perder seus pensamentos e guardar suas percepções do mundo só para si. Sandálias de couro cru completavam o vestuário espartano.  

Após o desjejum, jogava os dois dados sobre um veludo negro, até dar sequência dupla de soma Sete. Cada possibilidade, sua sequencia e a ordem na qual caia, 6/1, 5/2, 4/3 tinha uma leitura, assim poderia prever quais os eventos que o aguardariam no decorrer daquele dia.

E quando saia, então? Caminhava para a porta, tocava a sineta três vezes, abria e tocava outras quatro ao fechar. Como sua casa fora construída no sentido Norte/Sul, onde Sul era a porta da entrada e o Norte a porta dos fundos, sabia exatamente que à sua esquerda estaria o Leste e à sua direita o Oeste. Desta forma, fazia o ritual de percepção energética. Erguia a mão direita espalmada para o Sul e aguardava as vibrações planetárias. A seguir erguia a mão esquerda espalmada para o Oeste e fazia também a leitura das vibrações energéticas vindas daquele ponto cardeal. Com isto determinava a frequência mais positiva e seguia neste rumo.

Fazia sua jornada sem olhar para os lados e conversando incessantemente com seus amigos não visíveis nesta dimensão. Dava a volta em duas quadras à frente que o levava na  Praça da Matriz. Sentava no mesmo banco e contemplava o vazio por três horas até que um dia, enquanto meditava subiu numa escada neon aos céus à vista de todos, boquiabertos, estupefatos e abestalhados.

É isto aí!


terça-feira, 23 de agosto de 2022

Só uma oração (Caio Fábio)

Só uma oração (Caio Fábio)

Cada um aqui, cada um 
- significando você - 
é amado, é amada. 

Parece uma coisa estranha 
de que o que eu nunca vi me ama, 
mas é também aquEle que você nunca viu, 
que te criou. 

É aquEle que você nunca viu 
que criou todas as coisas! 
E que é percebido, 
 também, por meio das coisas que foram criadas. 

Ele ama você, 
e todas as coisas existem, também, 
 como manifestação desse Amor, 
em meu favor, em seu favor. 

É água, é pão, é comida, 
é semente que brota do chão, 
 é flor, é cor, é luz, 
é tudo quanto seja necessário à nossa vida, 
 que nos cerca, e que está à nossa volta. 

Obrigado, Senhor, 
porque existir, 
 para quem caminha com fé, 
 esperança e amor, é um ato de treino, 
de melhoramento da consciência, 
de chance de superação 
da nossa própria pequenez, 
e de projeção do nosso espírito 
para dimensões mais elevadas.

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Alma Gêmea


tudo que queria
era estar no lugar
onde deveria estar
e encontrarem-se
numa alameda florida

é dezembro
a chuva lavou as ruas
as árvores, as calçadas
vento folhas vendavais
desejo alvejo perene

olhar profundo no
ar transcendente a
expressar na alma
a alma gêmea e
o pacto celestial

abraçar no silêncio
o cafuné no cabelo
o afago na face
polegar deslizando os lábios
e o beijo selando a paz

Fonte da imagem: Vecteezy/Sandro Lima

É isto aí!

terça-feira, 16 de agosto de 2022

Ho’oponopono (Sinto muito, me perdoe, eu te amo, sou grato)


Sinto muito
Me perdoe
Eu te amo
Sou grato

Já falei do Ho’oponopono uns dois anos atrás, mas deu vontade de postar de novo sobre ele. A simples repetição dessas qutro frases é capaz de ativar a liberação de bloqueios, lembranças negativas e traumas para que você assuma um controle mais tranquilo sobre o próprio corpo e a própria vida. 

Em suma, é possível afirmar que o ho’oponopono é um processo de solução de problemas, que deve acontecer inteiramente dentro de você.

A palavra “ho’o” significa “causa” em havaiano, enquanto “ponopono” quer dizer “perfeição”. O termo “ho’oponopono” pode ser traduzido como: “corrigir um erro” ou “tornar certo”.

Trata-se de uma prática que não requer muitos ensinamentos, mas é poderosa para purificar o próprio corpo e se livrar de memórias ou sentimentos ruins, que prendem a mente em uma sintonia negativa. 

O termo se tornou conhecido a partir de uma experiência vivenciada pelo terapeuta e professor, Ihaleakala Hew Len. Por mais inacreditável que a história possa parecer, este homem conseguiu curar um pavilhão inteiro de criminosos que sofriam de doenças mentais no Havaí, sem sequer conversar ou interagir com nenhum deles. 

Por meio da análise das fichas de cada paciente, o terapeuta aplicava as palavras-chave do ho’oponopono, e a repetição da técnica mudava o seu estado de espírito. Consequentemente, a atividade mental dos detentos também se alterava.

Fonte do texto: zenwellness
Fonte da imagem: Lappui

domingo, 14 de agosto de 2022

Bem aventurados sejam os pais


Benditos sejam todos os pais
que abraçam seus filhos e filhas
que beijam seus filhos e filhas
que se doam aos seus filhos e filhas

Benditos sejam todos os pais
que amam seus filhos e filhas
que abençoam seus filhos e filhas
que sorriem com seus filhos e filhas

Benditos sejam todos os pais
que brincam com seus filhos e filhas
que educam seus filhos e filhas
que honram seus filhos e filhas

Benditos sejam todos os pais
que são o passado dos seus filhos e filhas
que são o presente dos seus filhos e filhas
que são o futuro dos seus filhos e filhas
 
Benditos sejam todos os pais
que abençoam seus filhos e filhas
que oram por seus filhos e filhas
que ensinam o bom caminho aos seus filhos e filhas

Bem aventurados sejam os pais
que são amigos dos seus filhos e filhas
que os amam com ama a si mesmo
que os perdoa e por eles é perdoado

Bem aventurados sejam os pais
que ensinam a verdade aos seus filhos e filhas
que ensinam o caminho do amor aos seus filhos e filhas
que dignificam a vida dos seus filhos e filhas

Pois estes herdarão os reinos dos céus
conviverão com anjos e santos
e por toda a eternidade serão pais
assim na Terra como no Céu

É isto aí!