quarta-feira, 2 de agosto de 2023
O Louco (Khalil Gibran - 1918)
O Shoá — o Holocausto: foi humanamente criminoso
sexta-feira, 28 de julho de 2023
Quem há de
Discutindo relação
quinta-feira, 27 de julho de 2023
As profecias de ocasião
quarta-feira, 26 de julho de 2023
528 Hz - Ondas Alfa (Relaxing Meditation)
terça-feira, 25 de julho de 2023
Trechos da minha autobiografia não autorizada (2)
segunda-feira, 24 de julho de 2023
Samuel Rosa e Paulinho Moska - "Resposta" | Zoombido
quinta-feira, 20 de julho de 2023
Padre Antônio Pinto - Urucânia- MG
quarta-feira, 19 de julho de 2023
Declare a vitória de Deus (Cadu Isnard)
Vou com Deus
e Ele é quem determina tudo na minha vida.
Eu sou guerreiro, eu posso.
Porque o Senhor está comigo
e Ele fará as minhas vitórias
porque o Senhor assim o quer.
O Rato roeu a roupa do raio que o parta
segunda-feira, 17 de julho de 2023
Dona Rosinha
Vestiu a roupa que estava na cadeira, passou a mão na barba, percebeu que dava para mais um dia, escovou rapidamente os dentes e desceu para a copa, onde beliscou um pedaço de pão e saiu rápido em direção à garagem. Entrou no carro e ao tentar ligar, percebeu que estava sem as chaves, todas, inclusive as do escritório. Voltou pela porta dos fundos, procurou na copa, na cozinha, na sala, e só então lembrou que estava na estante da sala, onde sempre fica.
Refez o trajeto, sentou no carro, deu a partida, deu uma conferida no painel, que achou embaçado. Levou a mão aos olhos e percebeu que estava sem os óculos. Respirou fundo, pediu calma ao seu eu interior e buscou mentalmente onde estavam os óculos.
Riu do fato de lembrar outra vez da Dona Rosinha, professora do ensino fundamental, cujo corpo deliciava seus pensamentos pecaminosos da pré-adolescência, perdoados várias vezes nas confissões. Recordou dela quando falava, com uma boca deliciosamente articulada, sobre o pluralia tantum para explicar a pluralidade dos óculos. Suspirou mais uma vez pelas pernas e pela boca da professora.
Enquanto fazia seu ato de contrição, lembrou que os óculos estavam no banheiro do corredor, onde sempre deixava previamente obras clássicas da literatura universal, muito em função da influência da Dona Rosinha. Voltou à casa, pegou os óculos e retornou, agora oficialmente atrasado, para trabalhar. Sentou, verificou se não estava esquecendo mais nada, quando deu por falta da carteira. Bateu a mão em todos os bolsos, olhou no porta-luvas, no porta-trecos.
Começou a rir. Lembrou mais uma vez de Dona Rosinha, a professora mais linda do mundo, escrevendo no quadro sobre “flexão de número”, e explicando com aquela voz sedosa que em substantivos compostos, vão para o plural, apenas as palavras que forem substantivo ou adjetivo. Despertou do transe e mergulhou na lembrança do corpo da Dona Rosinha, que desde aquela aula passou a referi-lo como o modelo clássico dos substantivos compostos e só então lembrou que a carteira estava na primeira gaveta da cômoda da sala.
Desta vez voltou sorrindo, acalmou e suspirou em gratidão à Dona Rosinha, a melhor e mais linda professora do mundo ...
Fonte da Imagem: Pinterest
É isto aí!
Ilusão do fim da história (David Robson, BBC)
David Robson
Role,BBC Future
15 julho 2023
* David Robson é escritor de ciências e autor do livro O efeito da expectativa: como o seu pensamento pode transformar sua vida (em tradução livre do inglês), publicado no Reino Unido pela editora Canongate e, nos EUA, pela Henry Holt. Sua conta no Twitter é @d_a_robson.
Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Future.
- extrovertidos, entusiasmados
- críticos, briguentos
- confiáveis, autodisciplinados
- ansiosos, facilmente perturbados
- abertos para novas experiências, complexos
domingo, 16 de julho de 2023
Uma Oração (Jorge Luís Borges)
Alto lá
Esta crônica não é minha
Confesso que copiei e colei
Título: Uma Oração
Autor: Jorge Luís Borges
Fonte: Marcia P Fleger
sábado, 15 de julho de 2023
As colisões inelásticas
sexta-feira, 14 de julho de 2023
Nunquam
quinta-feira, 13 de julho de 2023
O proeiro dos jeribás
Estava apressado, açodado pela saudade. A tardinha ia lenta, modificando o aspecto imponente do dia, desalinhando as obrigações não cumpridas, as promessas quebradas, desfeitas; a angústia a avolumar-se em remorsos perenes e desonestos, Seguia a passos lépidos, numa agilidade suficiente para manter-se em equilíbrio.
Andava pela estreita calçada que da apertada ruazinha que dava na Praça da Matriz, que tem outro nome homenageando um destes famosos anônimos que pela vaidade o dinheiro mantém nas placas. Aquilo não importava, pois agora e desde sempre era a Praça da Matriz e pronto.
A Matriz era um símbolo de cidadania aos direitos dos amores correspondidos e eternizados. Foi neste ambiente idílico que seus avós maternos e paternos foram apresentados, cresceram e casaram-se, bem como seus pais, e no fundo da alma sabia que sua cara-metade também cederia aos seus sinceros desejos.
Todos os casais de enamorados, obrigatoriamente, davam voltas longas pelos seus belos jardins e sentavam nos bancos ao longo das passarelas, flertando com a natureza do amor. Ali havia solidez e perpetuidade da vida, pensava enquanto desviava de meninos gritando e correndo, idosos lentos e ciclistas mentecaptos.
O frontispício da matriz, construída num elevado de cerca de seis metros acima do nível da praça, volta-se aos doze Jeribás, de cerca de 20 metros de altura, imponentes palmeiras nativas, carregadas de frutos, plantadas pelo seu bisavô materno. Neste instante para diante da visão majestosa do sol esmaecido, olha para o relógio da Matriz e escuta o primeiro toque do carrilhão a avisar que chegou o momento místico e passional das dezoito horas.
Coração acelera, suor desce pela face e em pé, trêmulo, parado e tenso, exatamente no mesmo lugar de sempre, ao lado da carrocinha de pipoca, tal qual um proeiro, que é aquele marinheiro que vigia e manobra na proa das embarcações; vigia a aproximação do ônibus que vinha do distrito para o centro trazendo as professoras e servidoras da escola municipal. Correu os olhos por todo o interior do coletivo e não a viu. Era a segunda vez que aquilo ocorria na semana.
Embalou pela descida íngreme da Rua dos Macacos, nome popular da rua fulano de tal, a tempo de vê-la nos braços de um fidalgo qualquer, sem estirpe, sem linhagem familiar histórica; sem origem local, sem linha de ascendência com certo grau positivo de excelência e sobretudo sem categoria e qualidade para tocar aquela pele de seda.
Partiu dali arrasado e no dia seguinte, quem sabe a sorte lhe sorri, aguardava às dezoito horas ao lado da carrocinha de pipoca tal qual um proeiro.
É isto aí!






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