segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Minta para mim


Minta para mim,
mesmo com a voz embargada.
Conte uma mentira 
inverossímil,

Narre uma história 
sem contexto,
que afogou-se 
numa chuva torrencial,

que sentiu-se impedida 
por um êxtase,
que foi sufocada 
pela falta,

que sentiu-se além da capacidade 
de compreender o universo.
Conta que o cheque voltou,
que o cartão venceu,

que a conta foi bloqueada,
que a embreagem entravou,
que foi prejudicada na fila,
que sentiu-se sustada, interrompida

que foi desviada 
pelo destino ingrato.
Conta que estava atravancada,
dificultada, embaraçada ou obstada.

Minta para mim,
pelo amor de Deus, minta para nós,
pelos santos e anjos, 
faça uma oração reversa

uma narrativa 
onde venceremos no fim,
conta uma história linda
e deixe eu deitar no seu colo,

chorar até dormir,
deitado no seu colo,
deixe-me sentir que há no sonho
candura em nossas culpas.

Por favor, 
minta para mim.


É isto aí!

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Sinto sua falta


Sinto 
sua falta

Sua presente
saudade malta 
a retém em mim

Sinto-a 
muito


É isto aí!
          
          
          



terça-feira, 8 de agosto de 2023

Estou cansado, é claro, (Fernando Pessoa)


Estou cansado, é claro (Álvaro de Campos)

Fonte: Arquivo Pessoa

Álvaro de Campos¹ é um dos principais heterônimos do autor português Fernando Pessoa. Partidário do sensacionismo² e do futurismo, Campos é o poeta da modernidade.

Sensacionismo² é a manifestação radical do pensamento empirista, desenvolvida especialmente  por Condillac³ (1715-1780), segundo o qual todo conhecimento e todas as faculdades cognitivas humanas provêm de sensações; sensualismo.

Condillac³ desenvolveu uma teoria do conhecimento baseada no empirismo onde as sensações são o principal instrumento que nos permitem conhecer. Este filósofo formulou os fundamentos da teoria do conhecimento na época do iluminismo.


Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,

Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...

E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente: eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto me dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.


24-6-1935

Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993). - 78.

Lapso corrigido segundo: Álvaro de Campos - Livro de Versos. Fernando Pessoa. (Edição crítica. Introdução, transcrição, organização e notas de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Estampa, 1993

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Coluna Social da Marquesa - O casamento da filha da amiga da amiga

 

Coluna Social da Marquesa
Diário da Cidade DC 
Em sociedade tudo é brilho - DC 21 Maio

Em evento de núpcias realizado ontem no acolhedor e pitoresco (sqn) sítio da Família Cherosky Talha, imperou empadas e coxinhas empanadas. Entre pessoas comuns e canapés baratos, rolou cervejinha tépida e guardanapos reutilizados para cerca de trinta indivóduos (sim, indivóduos) de pouco glamour para aqueles já foram... já tiveram... etc e tal, você entendeu ou finge de besta ou é retardado.

Se ainda assim não entendeu, a Marquesa explica em juridiquês: Reza a lei que Falência é uma situação jurídica decorrente de uma sentença decretatória proferida por um magistrado onde uma empresa ou sociedade comercial se omite quanto ao cumprimento de determinada obrigação patrimonial e então tem seus bens alienados para satisfazer seus credores.

Nota de Esclarecimento
Diário da Cidade DC 
Por determinação extrajudicial - DC 28 Maio

Senhor diretor, tendo em vista a nota medíocre, malvada, inescrupulosa, insidiosa, espúria, publicada num estado de mau-caratismo pela pusilânime doublé de colunista social auto denominada Marquesa, pessoa sem caráter, na página intitulada Em sociedade tudo é brilho, de DC 21 maio, nós a tradicional família Cherosky Talha temos a declarar que:

1 - Ela não foi convidada
2 - Ela invadiu nossa propriedade 
3 - Ela será processada 
4 - Está proibida de se aproximar da nossa residência. 

Coluna Social da Marquesa
Diário da Cidade DC 
Em sociedade tudo é brilho - DC 04 Junho

Recebi a notificação extrajudicial da intrigante e falida Clã Cherosky Talha, que ainda acha que quem já teve, já foi, já isto e já aquilo, ainda o é, olhe bem no espelho. Então estes indivóduos enviam notificação extrajudicial, entrem na fila.

Nota de Esclarecimento
Diário da Cidade DC 
Por determinação extrajudicial - DC 11 Junho 

Olha aqui, sua marquesinha de merda, sua avó só teve aquela casinha por que meu avô era um homem de bom coração, se é que me entende. Sua tia casou e eu discretamente a acompanhei na lua, ajudando no quesito do mel, se é que me entende. Seu pai ... bem, você já sabe o que vou dizer com provas materiais e testemunhas idôneas.

Coluna Social da Marquesa
Diário da Cidade DC 
Em sociedade tudo é brilho - DC 04 Junho

Nossa, gentem, fui brincar com a mais amada família do Reino da Pitangueira, e fui mal compreendida por alguns. Entendo que há indivíduos e indivóduos. E como sempre afirmei e confirmo, a família Cherosky Talha é a nata da nata, crème de la crème da nossa mais fina e casta alta sociedade.

Mimi Talha abriu os salões da sua suntuosa mansão para tomarmos seu tradicional Afternoon Tea, que a plebe rude denomina de Chá da Tarde. Como sabem, se não sabem Marquesa explica, esta tradição na fantástica família Cherosky Talha vem desde os tempos onde o braço britânico do Clã participava dos famosos chás  junto à Duquesa de Bedford, Sua Graça Anna Russell.

Em sociedade, bobinhos, tudo é brilho!!!!

É isto aí!

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

As Mentiras, o Malandro e os Otários


Fonte da imagem: Toda Matéria 

As Mentiras, O Malandro e os Otários: 

01 - A construção do personagem "Dr. Klaus": 
Marquinhos Bolado resolveu fazer das suas mentiras meias verdades, a fim de ganhar respeito, dinheiro e fama. Logo percebeu que falseando as verdades com meias verdades ou meias mentiras, com toque de eloquentes e brilhantes teses de supostos valores científicos, obteria pleno êxito no seu plano. 

Foi desta forma pérfida que criou um personagem e o batizou de Otto Wolfgang Klaus, vulgo Dr. Klaus. Criou uma página nas redes e passou a divulgar o grande cientista e assim conseguiu levar seu plano adiante.

Após elaborar o nome do pseudo-famoso professor doutor, criou sua carreira acadêmica e científica na famosa e conceituada Universidade de Heidelberg, no estado de Baden-Württemberg, ao sudoeste da Alemanha. Era importante citar uma instituição real para passar a ideia de que o personagem existira. sabe como é - meias verdades misturadas com meias mentiras sempre parecem verdades integrais..

02 -  A formação acadêmica do personagem
O próximo passo era criar a formação do personagem, algo que fosse convincente. Era formado em Física e Filosofia, com mestrado e, doutorado e pós doutorados na mesma instituição, e teve como seus discípulos grandes nomes da ciência, tais como Michael Faraday, Nikola Tesla e James Maxwel.

Era necessário criar um tipo neutro: solteiro, celibatário, de hábitos discretos, de tradicional família católica. Perdeu os pais cedo, logo aos seis anos, vitimados por cólera e tifo, respectivamente. Desde então foi criado pelo seu tio num  antigo mosteiro beneditino em Baden-Württemberg, 

03 - Antecipar a Justificativa para o desconhecimento das suas descobertas: 
No século XIX, o catedrático e mítico professor Dr. Klaus havia se convertido no centro do pensamento democrático e de intelectuais humanistas independentes, tendo sido adotado como modelo para universidades americanas, francesas, inglesas e italianas. Foi o criador de praticamente todas as descobertas da Física Moderna e suas implicações na revolução humana.

Devido às suas ideias libertárias e liberais, durante o tenso período de 1933 a 1945 na Alemanha, com a universidade atravessando um enorme período de dificuldades, todos os escritos, documentos, publicações e citações do Dr Klaus fora destruídos.

04 - A descoberta de um grande segredo oculto por cem anos:
Em 1981 foi descoberto durante uma reforma, no porão da casa da família Grass, a cerca de 36 Km da Universidade, dezenas de manuscritos do Dr. Klaus, destinados a um certo Dr. Schwarz, que em abril de 2028 entraria em contato naquele endereço, para recebe-los. Nestes documentos estão revelados todos os segredos e profecias do Mundo para o Século XXI.

05 - O Estado e as especulações :
Vizinhos da família Grass afirmaram que eles foram levados na madrugada do dia 06 de maio de 1981 para local incerto e nãos sabido, apenas uma semana após a história sair na imprensa local. Nunca mais foram vistos. O Ministro da Inteligência negou veementemente este fato, apesar de não saber explicar o que aconteceu com a família. 

Uma pessoa que pediu para não ser identificada, afirmou que conseguiu tirar umas fotografias de algumas das profecias e disse que são aterradoras. São 12 fatos que mudarão a história da humanidade.

06 - Enfim o golpe: A postergação para angariar fama e dinheiro com os curiosos:
Marquinhos Bolado recebeu alguns contatos e pessoas que juravam serem descendentes do Dr. Klaus. Também recebeu o contato com o neto da família Grass e finalmente o contato do Dr. Schwarz. 

Marquinhos Bolado, que de repente ficou muito rico, mudou de nome, sumiu das redes sociais e da cidade e do país; Dr. Klaus virou uma lenda urbana e a vida seguiu.

É isto aí! 

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

O Louco (Khalil Gibran - 1918)

Perguntas-me como me tornei louco. Aconteceu assim:

Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente, gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.

E, quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”

Assim me tornei louco.

E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.


Sobre o autor:
Gibran Khalil Gibran (6 de janeiro de 1883 – Nova Iorque, 10 de abril de 1931), também conhecido como Khalil Gibran (em inglês, referido como Kahlil Gibran) foi um ensaísta, prosador, poeta, conferencista e pintor de origem libanesa, também considerado um filósofo, embora ele mesmo rejeitou esse título, e alguns tendo-lhe descrito como liberal. Seus livros e escritos, de simples beleza e espiritualidade, são reconhecidos e admirados para além do mundo árabe.

Sobre a interpretação filosófica do Texto: 
Ensinamentos filosóficos de "O LOUCO" e "DEUS" de Khalil Gibran - Prof Lúcia Helena Galvão.

Sobre a imagem:
O Louco do Tarot Cary - Yale segura o cajado com um balão de ar (despreocupação) e é mordido por um felino, que nas imagens posteriores virou um cão. Os mendigos e loucos podiam ser mordidos por animais em suas caminhadas ou quando iam pedir comida, como acontece hoje em dia. Quem tem cachorro sabe que ele ataca quando sente uma presença intrusa em seu território.

O Shoá — o Holocausto: foi humanamente criminoso


Foto: Prisioneiros judeus no campo de concentração em Ebensee, Áustria.

"O holocausto não foi um simples crime cometido por nazistas contra judeus. Foi um crime cometido por seres humanos contra seres humanos.” (Michael Stivelman -1928)

Lembrei deste aforismo acima ao ouvir de um Deputado por Minas Gerais, famosinho, neófito das más causas públicas, afirmar ontem o direito de negar o Holocausto. Tão cruel quanto negar o Holocausto é apoiar e se travestir da ideologia dos assassinos do semitismo no século XX.

Museu do Holocausto: Lembrar e estudar o Holocausto nos permite gerar valiosas lições para a atualidade. Para isso, é fundamental explicar que a Shoá se desenvolveu como um processo histórico gradual que não se iniciou com os campos de concentração e extermínio, mas com atitudes e decisões que, quando analisadas somente pelo seu resultado final, parecem “menores”, como, por exemplo, a discriminação racial, a corrosão da democracia, o desrespeito à pluralidade dentro de uma sociedade e mecanismos burocráticos e impessoais de classificação e exclusão. Esses processos iniciais não determinaram a ocorrência do genocídio, mas criaram as condições que o possibilitaram e demonstram como homens e mulheres comuns puderam, imersos nesse processo histórico, transformarem-se em genocidas.

A História documentada¹, a História da Tradição, a História da Europa ensina que o antissemitismo foi a base do Holocausto. O antissemitismo, o ódio ou preconceito contra os judeus, era um princípio básico da ideologia nazista. Esse preconceito, que já era disseminado, piorou em toda a Europa.

A perseguição dos judeus pela Alemanha nazista evoluiu e se tornou cada vez mais radical entre os anos de 1933 e 1945. Essa radicalização culminou com o assassinato em massa de 6 milhões de judeus.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha nazista, seus aliados e colaboradores mataram quase dois dentre três judeus europeus através da utilização de condições de vida letais, maus-tratos brutais, fuzilamentos e uso de câmaras de gás em massa e campos de extermínio especialmente projetados para tal.

Acredito que negar o assassinato covarde e cruel de seis milhões de judeus entre crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos é a negação da verdade, a negação da História e da crueldade humana, sob a égide de uma coisa estúpida chamada nazismo.

*¹História Documentada: Enciclopédia do Holocausto


sexta-feira, 28 de julho de 2023

Quem há de

Salvador Dali
Já dizia a mim mesmo 
desde sempre, 
em tempos outros 
mais vadios e radicais 

que Amar é livre
só que tem uma trama
é verbo transitivo direto, 
ou seja, quem há de? 

não admite preposição 
alguma, nenhuma, nada  
elimina complementos, 
e por si só faz sentido.

Se é que tem lógica
você ter uma pessoa
em tempo integral
dentro da sua mente

Sem termo de posse
sem intervalo para pensar
sem passado nem futuro
e só no ser estar.

É isto aí!

Fonte¹: todamateria

Cabeça rafaelesca arrebentada (1951) – Óleo sobre tela 43x33cm – se encontra em Edimburgo (Grã-Bretanha) no Museu Scottish National Gallery.

Essa foi a primeira vez que Salvador Dalí fragmenta a figura humana em micro-partículas, que ele designou "partículas paranóicas".

As formas fragmentadas que aparecem nesse quadro, origina-se do estudo da física nuclear por Dalí. Profundamente impressionado com as descobertas que levaram ao desenvolvimento da bomba atômica, ele abraçou a 'pintura nuclear' e o 'misticismo nuclear'.

A cabeça é como de uma Madona de Rafael, classicamente pura e serena. Ao mesmo tempo incorpora o interior do domo do Panteon em Roma, com a luz brilhando através dela. Ambas as imagens são perfeitamente claras, apesar da explosão que destruiu toda a estrutura em pequenos fragmentos na forma de chifres de rinocerontes.

Discutindo relação


Aí ela levanta a questão crucial, aquela que está engasgada, aquela que vai exigir raciocínio lógico numa cabeça quente. Você só tem uma oportunidade de selar a paz, dentre muitas possíveis e/ou impossíveis. Dentre as muitas variáveis, o Núcleo DR da Academia de Análise Comportamental do Reino da Pitangueira selecionou as cinco mais prováveis soluções a que se pode recorrer; dignas de nota.


Concordando sem hesitar, sem levantar a voz, sem queixas posteriores:

A primeira é o sim, sem ressalvas. 
Neste caso ela, possivelmente, perceberá que:
Ela está pensando certo 
e está colocando você no caminho certo

A segunda é o sim, com ressalvas positivas
Neste caso ela, possivelmente, perceberá que:
Você está pensando errado 
embora valha a pena investir num caminho certo

A terceira é o sim, com ressalvas negativas
Neste caso ela, possivelmente, perceberá que:
Ela está pensando certo
e você está na contramão do caminho errado

A quarta é a hesitação
Neste caso ela, possivelmente, perceberá que:
Você pensa muito para falar
e seu caminho pode ser melhorado (e ela está sempre certa)


Discordando sem hesitar, sem levantar a voz, sem queixas posteriores:

A primeira é o não, sem ressalvas.
Neste caso ela, possivelmente, perceberá que:
você está pensando errado
e está no caminho errado.

A segunda é o não, com ressalvas negativas
Neste caso ela, possivelmente, perceberá que:
você está pensando errado, 
está no caminho errado, mas ela está certa.

A terceira é o não, com ressalvas positivas
Neste caso ela, possivelmente, perceberá que:
você está pensando errado 
e está no caminho errado, esquece.

A quarta é o silêncio
Neste caso ela, possivelmente, perceberá que:
Você acha que está no caminho,
só que não... adeus. 

É isto aí!

quinta-feira, 27 de julho de 2023

As profecias de ocasião


Famoso vidente de fama guanabarina diz que o mar vai invadir a costa da pátria amada. Como sabem, guanabarinos são seres mitológicos feito os nefilins, que habitavam a generosa baia da Guanabara desde a saída do Éden. Meu avô, por exemplo, se achava o máximo por ser natural da Guanabara.

- Nota de roda-teto: Nefilim, no Koiné, antigo grego clássico, significa literalmente: nascido da terra.

O sub-citado acima (sub-citado?) prometeu a tragédia para 2004, depois os astros adiaram para 2012, depois com certeza seria em 2018 e agora (sic) é sério, não haverá mais adiamento - será com certeza em outubro de 2023.

Só para contextualizar, a Baia da Guanabara era, no século XIV, habitada pelos índios Temiminós, que possuíam hábitos, digamos assim, peculiares. Além de serem inimigos dos Tupinambás, praticavam o canibalismo ritual e a agricultura de subsistência baseada em queimadas. Evitarei comentários sobre pessoas - formadoras de opiniões - confessas de comer gente e queimar florestas, oriundos da Guanabara.

Bons tempos aqueles que a única preocupação vindoura era o carnaval, o sábado de aleluia e o réveillon.

É isto aí!

Créditos da imagem: Reprodução/Pexels



quarta-feira, 26 de julho de 2023

528 Hz - Ondas Alfa (Relaxing Meditation)



Fonte Youtube 528Hz - ondas alfa

Relaxing Meditation 




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terça-feira, 25 de julho de 2023

Trechos da minha autobiografia não autorizada (2)



ImagemTúnel da Mantiqueira - Divisa entre Cruzeiro-SP e Passa Quatro-MG

Capítulo 26.2 Sobre Machu Picchu 

Sei que talvez mamãe ainda acredite em mim, por que o que vou contar é a mais crível verdade, mas foge do senso comum. O fato é que ultimamente ando muito saudosista, tanto que dia destes dei conta que há alguns anos escondi minha autobiografia secreta. Lembrei vagamente que a guardara para revisão de uma fase obscura da peregrinação a Machu Picchu, pouco conhecida até mesmo por mim e que durante muitos anos permanecera protegida, esquecida e/ou oculta em algum lugar da minha indelével memória. 

Tudo começou, vejam só prezados leitores e prezadas leitoras, tudo começou em Passa Quatro, uma bucólica cidade no sul de Minas Gerais. No café da manhã, uma moça lindíssima aproximou, fiquei empolgado com aquela visão, e entregou-me um bilhete perfumado onde dizia para encaminhar-me ao ao Túnel da Mantiqueira. Ela sumiu da mesma forma que aparecera. Saí do hotel e segui em direção ao destino proposto, empolgado com tanta beleza. 

O túnel, tem uma extensão de quase um quilômetro sob a Garganta do Embaú, entre Passa Quatro e Cruzeiro (SP). Até aí, tudo bem, até Dom Pedro andou por lá, bem como, de triste memória, a revolução fratricida de 1932. Ao chegar, um ser supostamente humana, de rara beleza e luminescência, fez sinal com o dedo indicador na direção da entrada do túnel e em seguida entrou, me chamando com a mão classicamente abrindo e fechando. Entrei no túnel, sem lanterna ou algo equivalente, veja bem, não existia celular naquela época. 

Na medida que avançava, o túnel ficava levemente claro com uma luz verde sem fonte visível. O ser desaparecera, andei uns dez minutos até avistá-la novamente. De longe percebi que eram três seres agora. Tomado de pânico e medo, segui aterrorizado, afinal aquilo poderia dar uma boa história, num futuro, talvez, se sobrevivesse. Entraram num portal à esquerda do túnel, no sentido Cruzeiro SP, e assim que cheguei, também segui  por aquela estranha rota mística. 

Atravessei um portal dourado e me vi numa corrente anti-gravitacional, adimensional, com uma luz ofuscante de várias matizes, sensações de pavor, pânico e medo alternadas com medo, pavor e pânico e quando dei por conta da minha existência, estava em Aiuruoca, no alto do Pico do Papagaio, que reconheci imediatamente por que já estivera ali antes em dois ou três sonhos premonitórios. Desmaiei e acordei três dias depois numa cabana com aquela moça do café.

Cansei, para não ficar muito longo, descansarei um pouco e amanhã, se tiver autorização galáctica, publico o Capítulo 26.3

Autor do Vídeo - Pino Rossi
Fonte Youtube  -  Túnel da Mantiqueira - Divisa entre Cruzeiro-SP e Passa Quatro-MG




É isto aí!


segunda-feira, 24 de julho de 2023

Samuel Rosa e Paulinho Moska - "Resposta" | Zoombido


Fonte da imagem: Pseudo Plutão

Zoombido é um programa exibido no Canal Brasil e na Lumen FM, que é apresentado pelo músico Paulinho Moska e dirigida pelo uruguaio Pablo Casacuberta. O programa estreou em 2006.

A ideia principal do programa é desvendar os processos por trás da composição musical. De acordo com o apresentador, o Zoombido serve para que ninguém mais possa ouvir uma canção sem pensar em como ela foi feita. Para isso, Moska traz um convidado para cada programa e eles conversam e tocam algumas músicas compostas pelo convidado. Em um clima descontraído, de bate-papo, os compositores revelam os segredos da composição, como cada música é construída, as influências, as histórias por trás de cada canção e como ela se transforma ao chegar ao público.

Abaixo o fantástico encontro de Paulinho Moska com Samuel Rosa, em 2020, no Zoombido:



Música: Resposta
Fonte: Musixmatch
Compositores: Samuel Rosa De Alvarenga / Jose Fernando Gomes Reis (Nando Reis)
Letra de Resposta © Warner/chappell Edicoes Musicais Ltda, Sam Music Edicoes Musicais Ltd

Assista aqui abaixo, no Youtube, Samuel Rosa explicando como fez essa canção - Resposta


No vídeo ele conta a história da composição de  "Resposta", música que fez em parceria com o querido amigo Nando Reis e que foi precursora de uma vertente musical diferente do que o Skank já tinha feito.

Acompanhe Samuel Rosa nas redes sociais:


Bem mais que o tempo
Que nós perdemos
Ficou pra trás também o que nos juntou
Ainda lembro o que eu estava lendo
Só pra saber o que você achou
Dos versos que eu fiz
E ainda espero resposta

Desfaz o vento
O que há por dentro
Desse lugar que ninguém mais pisou
Você está vendo o que está acontecendo
Nesse caderno sei que ainda estão...

Os versos seus
Tão meus que peço
Nos versos meus
Tão seus que esperem
Que os aceite
Em paz
Eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante

Bem mais que o tempo
Que nós perdemos
Ficou pra trás também o que nos juntou
Ainda lembro o que eu estava lendo
Só pra saber o que você achou...
Dos versos seus

Tão meus que peço
Nos versos meus
Tão seus que esperem
Que os aceite
Em paz
Eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante
Em paz
Eu digo que eu sou

O antigo do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante

Desfaz o vento
O que há por dentro

Desse lugar que ninguém mais pisou
Você está vendo o que está acontecendo
Nesse caderno sei que ainda estão...
Os versos seus
Tão meus que peço
Nos versos meus
Tão seus que esperem
Que os aceite

Em paz
Eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante

Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante

Em paz
Eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante

Sem mais
Eu fico onde estou
Prefiro continuar distante

Em paz
Eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante

Sem mais
Eu fico onde estou
Prefiro continuar distante

Fonte: Musixmatch
Compositores: Samuel Rosa De Alvarenga / Jose Fernando Gomes Reis
Letra de Resposta © Warner/chappell Edicoes Musicais Ltda, Sam Music Edicoes Musicais Ltd

Abaixo, Nando Reis conta a história da letra da música:
Fonte: Nando Reis





quinta-feira, 20 de julho de 2023

Padre Antônio Pinto - Urucânia- MG


Fonte²: PUCSP 


Padre Antônio Ribeiro Pinto, filho de uma escrava,  nasceu em 2 de abril de 1879 em Rio Piracicaba-MG, localidade próxima à futura capital Belo Horizonte, a qual, no período, ainda era o arraial de Curral del Rei. nascendo livre em função da Lei de 1871. 

Foi criado com a ajuda dos tios, que o levaram, aos seis anos de idade, juntamente com a mãe, para Abre Campo-MG, na Zona da Mata, onde estudou. Não foram encontradas referências sobre a forma como a sua mãe pode mudar para a localidade: Pode ter sido por compra da alforria ou fuga ou venda para algum proprietário de Abre Campo-MG.

Permaneceu nesta região durante toda a sua vida. Aos vinte e um anos, o jovem Antônio se mudou para Alvinópolis-MG a fim de ingressar no seminário, onde se ordenou, em 9 de abril de 1912, voltando a Abre Campo-MG para celebrar a sua primeira missa como padre.

Tornou-se vigário no município vizinho de Santo Antônio do Grama-MG, onde atuou por vinte e seis anos, até se mudar para Urucânia-MG, em 11 de fevereiro de 1947, então já com 67 anos de idade, a pedido do Padre José Henrique de Souza Carvalho, onde faleceu em 22 de julho de 1963.

Em 2009, um grupo de devotos iniciou a mobilização em prol da abertura do Processo de Beatificação do Padre Antônio Ribeiro Pinto, reunindo, juntamente com a coleta de assinaturas e as provas de seus milagres, um material sobre a vida e a obra do sacerdote.

O Padre Antônio Ribeiro Pinto era devoto de Nossa Senhora das Graças e fiel ao dogma da Imaculada Conceição, tratando logo de propagar o culto mariano e se empenhando na construção do santuário. Ainda hoje as Medalhas Milagrosas são distribuídas no santuário de Nossa Senhora das Graças, que recebe, segundo informação da Prefeitura Municipal, disponível na rede mundial de computadores, cerca de 40 mil visitantes por ano, inclusive de
outros países, destacando-se mexicanos, canadenses, franceses e ingleses. Estes, além do santuário, encontram no local o Museu Padre Antônio Ribeiro Pinto e a Casa dos Milagres, onde tem acesso aos objetos pessoais e correspondências do sacerdote, assim como os ex-votos deixados pelos romeiros.

Dessa forma, a religiosidade permanece como um forte dado cultural do município de Urucânia-MG, onde se celebra a Festa de Nossa Senhora do Bom Sucesso, em 11 de outubro; a Festa de Nossa Senhora das Graças, em 27 de novembro; e a Páscoa com grandes encenações. Em homenagem ao Padre Antônio Ribeiro Pinto, a data de 22 de julho foi escolhida como o Dia da Cidade, comemorado com um feriado municipal.



Postado em 30 de out. de 2008 por João Mattos
Vídeo histórico que mostra os milagres do Padre Antônio Pinto junto à Nossa Senhora das Graças em Urucânia - MG.


Fonte Youtube: João Mattos


quarta-feira, 19 de julho de 2023

Declare a vitória de Deus (Cadu Isnard)


Eu sou de Deus,
quem como Deus?
Vou com Deus
e Ele é quem determina tudo na minha vida.

Eu sou guerreiro, eu posso.
Porque o Senhor está comigo
e Ele fará as minhas vitórias

e eu andarei com o Senhor 
por longos dias
porque o Senhor assim o quer.



O Rato roeu a roupa do raio que o parta

Um rato 
roeu a roupa 
do rei de Roma 
e morreu de repente.

Outro rato
roeu a roupa
do rei da Romênia
e ralou no ralo

Um rato
roeu a roupa 
do rei de Ruanda
e riscou a porta

Outro rato
roeu a roupa 
do rei da Rússia
e flertou a porca

Um rato
roeu a roupa
do Rei da Romênia
e arranhou o jarro

Aí um rato
roubou a coroa
do rei de Roma
e rumou à rua

Este rato
roeu a roupa
do raio
que o parta


É isto aí!




segunda-feira, 17 de julho de 2023

Dona Rosinha


Acordou assustado, olhou no relógio, levantou depressa para compensar o tempo do atraso. Dormiu uma hora além do despertador. Como pode ter acontecido? Olhou para a esposa e pensou em acordá-la para brigar com ela, caso tenha ouvido e voltado a dormir também. Resolveu não incomodá-la, pois ela tinha naquela manhã um semblante que lembrava muito Dona Rosinha.

Vestiu  a roupa que estava na cadeira, passou  a mão na barba, percebeu que dava para mais um dia, escovou rapidamente os dentes e desceu para a copa, onde beliscou um pedaço de pão e saiu rápido em direção à garagem. Entrou no carro e ao tentar ligar, percebeu que estava sem as chaves, todas, inclusive as do escritório. Voltou pela porta dos fundos, procurou na copa, na cozinha, na sala, e só então lembrou que estava na estante da sala, onde sempre fica.

Refez o trajeto, sentou no carro, deu a partida, deu uma conferida no painel, que achou embaçado. Levou a mão aos olhos e percebeu que estava sem os óculos. Respirou fundo, pediu calma ao seu eu interior e buscou mentalmente onde estavam os óculos. 

Riu do fato de lembrar outra vez da Dona Rosinha, professora do ensino fundamental, cujo corpo  deliciava seus pensamentos pecaminosos da pré-adolescência, perdoados várias vezes nas confissões. Recordou dela quando falava, com uma boca deliciosamente articulada, sobre o pluralia tantum para explicar a pluralidade dos óculos. Suspirou mais uma vez pelas pernas e pela boca da professora.

Enquanto fazia seu ato de contrição, lembrou que os óculos estavam no banheiro do corredor, onde sempre deixava previamente obras clássicas da literatura universal, muito em função da influência da Dona Rosinha. Voltou à casa, pegou os óculos e retornou, agora oficialmente atrasado, para trabalhar. Sentou, verificou se não estava esquecendo mais nada, quando deu por falta da carteira. Bateu a mão em todos os bolsos, olhou no porta-luvas, no porta-trecos. 

Começou a rir. Lembrou mais uma vez de Dona Rosinha, a professora mais linda do mundo, escrevendo no quadro sobre  “flexão de número”, e explicando com aquela voz sedosa que em substantivos compostos, vão para o plural, apenas as palavras que forem substantivo ou adjetivo. Despertou do transe e mergulhou na lembrança do corpo da Dona Rosinha, que desde aquela aula passou a referi-lo como o modelo clássico dos substantivos compostos  e só então lembrou que a carteira estava na primeira gaveta da cômoda da sala. 

Desta vez voltou sorrindo, acalmou e suspirou em gratidão à Dona Rosinha, a melhor e mais linda professora do mundo ...


Fonte da Imagem: Pinterest


É isto aí!

Ilusão do fim da história (David Robson, BBC)


Alto lá
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
Fonte Texto: BBC 
Como 'ilusão do fim da história' afeta nossas escolhas sociais e profissionais

David Robson
Role,BBC Future
15 julho 2023

* David Robson é escritor de ciências e autor do livro O efeito da expectativa: como o seu pensamento pode transformar sua vida (em tradução livre do inglês), publicado no Reino Unido pela editora Canongate e, nos EUA, pela Henry Holt. Sua conta no Twitter é @d_a_robson.

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Future.



Se você examinar sua história de vida, provavelmente irá identificar uma série de transformações que fizeram com que você se tornasse a pessoa que você é hoje.

Você pode ter sido tímido na infância e encontrado mais confiança no ambiente de trabalho. Ou talvez você fosse uma criança rebelde que acabou encontrando a paz interior. Muitas pessoas descrevem estes processos como sua jornada pessoal.

Agora, se você olhar para o futuro, certamente poderá visualizar eventos importantes na sua trajetória, mas pode ser difícil imaginar as transformações futuras das suas principais características.

É como se o seu sentido de si próprio tivesse chegado ao seu destino. Você considera que irá manter as mesmas características, valores e interesses que você tem hoje.

“Nós reconhecemos nossa evolução de quem éramos no passado para quem somos hoje, mas não conseguimos observar que iremos continuar a mudar no futuro”, observa o psicólogo Hal Hershfield, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, nos Estados Unidos, e autor do novo livro Your Future Self (“O seu ‘eu’ futuro”, em tradução livre).

Este viés é conhecido como a “ilusão do fim da história” e pode trazer consequências infelizes para a nossa vida pessoal e profissional.

O estudo científico da ilusão de fim da história começou com o programa de TV Leurs Secrets du Bonheur (“Seus segredos da felicidade”, em tradução livre). Como seu nome sugere, o programa lidava com a ciência do bem-estar e os telespectadores eram frequentemente convidados a participar de estudos pelo website do programa.

Usando esta oportunidade de atingir grande audiência, o professor Jordi Quoidbach (atualmente, na Universidade Esade Ramon Llull, na Espanha) e seus colegas prepararam uma série de questionários, pedindo aos participantes que refletissem sobre o seu passado, presente e futuro. Eles publicaram os resultados da pesquisa na revista Science.

O primeiro estudo concentrou-se na personalidade. Os voluntários avaliaram a si próprios em relação a uma série de características.

Em uma escala de 1 (discordo totalmente) a 7 (concordo totalmente), eles precisaram responder, por exemplo, se consideravam a si próprios:

  • extrovertidos, entusiasmados
  • críticos, briguentos
  • confiáveis, autodisciplinados
  • ansiosos, facilmente perturbados
  • abertos para novas experiências, complexos

Em seguida, os pesquisadores pediram à metade dos participantes que respondesse à mesma pergunta 10 anos no passado e, à outra metade, 10 anos no futuro.

Mais de 7,5 mil participantes responderam, com idades variando de 18 a 68 anos. Isso permitiu que Quoidbach e seus colegas avaliassem o quanto as pessoas percebem sua trajetória de mudanças pessoais em muitos estágios de vida diferentes.

Em seguida, os pesquisadores pediram à metade dos participantes que respondesse à mesma pergunta 10 anos no passado e, à outra metade, 10 anos no futuro.

Mais de 7,5 mil participantes responderam, com idades variando de 18 a 68 anos. Isso permitiu que Quoidbach e seus colegas avaliassem o quanto as pessoas percebem sua trajetória de mudanças pessoais em muitos estágios de vida diferentes.

Faria sentido que um recém-formado, que acabou de entrar na vida adulta, considerasse sua jornada de vida de forma muito diferente de alguém que está chegando à idade de se aposentar. Mas, de forma geral, a idade dos participantes fez pouca diferença.

Embora a média dos participantes observasse mudanças consideráveis de personalidade no passado, eles previram que iriam vivenciar poucas alterações no futuro. Eles pareciam pensar que sua personalidade permaneceria congelada na forma atual pelo resto das suas vidas.

Para testar se a ilusão do fim da história se estenderia aos valores pessoais de cada um, os pesquisadores recrutaram uma nova amostra de 2,7 mil participantes. Eles pediram que os participantes indicassem a importância de conceitos como hedonismo, realização e tradição nas suas vidas. E, em seguida, deveriam imaginar quais seriam suas respostas 10 anos no passado ou 10 anos no futuro.

A conclusão foi que a ilusão do fim da história estava a pleno vapor – as pessoas reconheciam como seus valores mudaram no passado, mas foram incapazes de prever as mudanças futuras.

Mudanças e incertezas

Se você já tiver feito uma tatuagem com um desenho do qual depois se arrependeu, não ficará surpreso ao saber que a ilusão do fim da história também se aplica aos nossos gostos pessoais.

Podemos facilmente reconhecer como nossas preferências musicais evoluíram ao longo das últimas décadas, por exemplo, mas consideramos que nossas músicas preferidas atuais irão manter seu lugar especial nos nossos corações para sempre.

“Tanto os avós quanto os adolescentes parecem acreditar que a velocidade das suas mudanças diminuiu muito e que eles recentemente se tornaram as pessoas que irão permanecer”, concluíram os pesquisadores no seu estudo original. “Parece que a história está sempre terminando hoje.”

No seu novo livro sobre o conceito de si mesmo, Hershfield relaciona a ilusão do fim da história às pesquisas sobre a confiança excessiva em geral.

“A maioria das pessoas gosta de si própria, acreditando que suas personalidades são atraentes para os demais e que seus valores devem ser admirados”, escreve ele. “Pode ser assustador pensar que, se fôssemos mudar, estaríamos abandonando esta posição de nobreza e, por isso, tentamos nos fixar a quem somos agora.”

Hershfield propõe que a ilusão do fim da história também pode reduzir as sensações problemáticas causadas pela incerteza.

“Gostamos de pensar que nos conhecemos bem e a noção de que nossas personalidades, valores e preferências podem vir a mudar talvez produza certa ansiedade existencial. Se não sabemos como podemos ser diferentes no futuro, como sabemos realmente quem nós somos hoje?”, questiona o autor.

Mas o conforto psicológico que isso oferece, às vezes, pode ter um custo, se prejudicar o nosso julgamento em decisões importantes da vida. Hershfield sugere que a ilusão do fim da história pode nos levar a postergar experiências agradáveis até não as querermos mais.

Se você anseia viajar, por exemplo, poderá postergar constantemente seus planos até que tenha economizado dinheiro suficiente para pagar por uma viagem de luxo. Mas, quando você conseguir o dinheiro, pode já ter perdido o anseio de explorar novos locais – porque aquele momento já passou. Talvez tivesse sido melhor aproveitar um dia de cada vez.

O mais importante é que a ilusão do fim da história pode nos colocar em caminhos profissionais que não nos ofereçam realização a longo prazo.

Um dia, você pode ter considerado que o alto salário era mais importante que o seu interesse inerente pelo trabalho que você faz – o que pode muito bem ter sido verdade naquela época.

Mas, quando você chega à casa dos 30 anos de idade, esses valores podem ter mudado e, agora, você talvez anseie por paixão e não por um holerite com altos valores.

“Aqui está o problema: quando nos deparamos com novos rumos na carreira ou perspectivas de emprego, se cometermos erros levando em conta o que achamos que terá importância, podemos decidir seguir (ou não) caminhos de que nos arrependeremos mais tarde”, escreve Hershfield.

Por isso, embora certamente não haja nada de errado em celebrar nossa “jornada”, todos nós faríamos bem em examinar um pouco mais de perto todos os possíveis caminhos à nossa frente.

As mudanças podem ser inevitáveis e, se nos esforçarmos mais para tentar reconhecer este fato, poderemos aproveitar ao máximo nossa incrível capacidade de crescimento.

domingo, 16 de julho de 2023

Uma Oração (Jorge Luís Borges)


Alto lá
Esta crônica não é minha
Confesso que copiei e colei
Título: Uma Oração
Autor: Jorge Luís Borges
Fonte: Marcia P Fleger
Caricatura: Kyriakos Mavridis

Minha boca pronunciou e pronunciará, milhares de vezes e nos dois idiomas que me são íntimos, o pai-nosso, mas só em parte o entendo. Hoje de manhã, dia primeiro de julho de 1969, quero tentar uma oração que seja pessoal, não herdada. 

Sei que se trata de uma tarefa que exige uma sinceridade mais que humana. É evidente, em primeiro lugar, que me está vedado pedir. Pedir que não anoiteçam meus olhos seria loucura; sei de milhares de pessoas que vêem e que não são particularmente felizes, justas ou sábias. 

O processo do tempo é uma trama de efeitos e causas, de sorte que pedir qualquer mercê, por ínfima que seja, é pedir que se rompa um elo dessa trama de ferro, é pedir que já se tenha rompido. Ninguém merece tal milagre. 

Não posso suplicar que meus erros me sejam perdoados; o perdão é um ato alheio e só eu posso salvar-me. O perdão purifica o ofendido, não o ofensor, a quem quase não afeta. 

A liberdade de meu arbítrio é talvez ilusória, mas posso dar ou sonhar que dou. Posso dar a coragem, que não tenho; posso dar a esperança, que não está em mim; posso ensinar a vontade de aprender o que pouco sei ou entrevejo. 

Quero ser lembrado menos como poeta que como amigo; que alguém repita uma cadência de Dunbar ou de Frost ou do homem que viu à meia-noite a árvore que sangra, a Cruz, e pense que pela primeira vez a ouviu de meus lábios. O restante não me importa; espero que o esquecimento não demore. 

Desconhecemos os desígnios do universo, mas sabemos que raciocinar com lucidez e agir com justiça é ajudar esses desígnios, que não nos serão revelados.

Quero morrer completamente; quero morrer com este companheiro, meu corpo.

[Borges, Jorge Luis – Elogio da Sombra – Uma oração – Obras Completas, Tomo II, Editora Globo Rio de Janeiro, 1999, página 416]

sábado, 15 de julho de 2023

As colisões inelásticas


- Querida, tomei um decisão drástica, radical, decisiva e enérgica.

- Que bom! Posso saber do que se trata, querido? 

- Não, querida.

- Como assim? Não pode ou não quer, querido?

- Até que posso, mas prometi que era segredo de mim para comigo, querida.

- Isto quer dizer que eu não sou sua amiga, querido?

- Sim, você é minha amiga, mas isto é questão pessoal, querida.

- Você está se tornando um homem mau, querido. Isto não se faz.

- Nunca prometi ser um homem integralmente bom, querida.

- Ah! A questão aqui é acima da lei e da ordem natural das coisas. É de foro íntimo, querido?

-  Sim, mas meu foro íntimo é o tribunal da minha consciência, de maneira que não confunda com o da lei constitucional, nem com sua opinião, querida.

- Ok, tudo bem, fica aí com seu foro íntimo, que vou dar uma volta no shopping, querido.

- Como é isto, querida? Vai sair assim?

- Assim como, querido?

- Com estes trajes exclusivos da intimidade do lar, querida.

- A lei entende que estou vestida, querido - levo comigo um cartão de crédito, shortinho, topper, tiara e sandália havaiana.

- Qual lei, querida?

- A mesma que garante a você ter segredos para comigo, querido.

- Pensando melhor, vou contar a você, querida ...


É isto aí