quinta-feira, 17 de agosto de 2023
Haikai de Paulo Leminski
Foi sonho ou realidade?
Sai cedo para o trabalho, senti um mal estar repentino, estacionei o automóvel em frente a uma garagem, mas esta parte entra no fim da história. Senti uma tontura estranha, e frio, um frio chato, apesar do dia estar quente. Vi na calçada, acenando para mim o tio Pascoalino. É o irmão da minha avó, pensei. Quanto tempo não o vejo. Sai do carro e fui ao seu encontro, ao lado dele estava a Naná, sua filha, prima mais velha da minha mãe.
Percebi que andava com muita dificuldade. Minhas pernas estavam pesadas, passo arrastado, e aí, quase em câmera lenta, lembrei que não o via por que ele faleceu há uns 30 anos, mais ou menos e a Naná há uns 20 anos. Será que é uma alucinação? - pensei -. à medida que com muito esforço caminhava na direção deles, apareciam mais pessoas. Vovô e Vovó, tia Catarina, Nestorzinho, Pretinha e Goreth. Até a Eulália, que me fez sentir o gosto da maçã pela primeira vez, ah! Eulália, ainda me lembro daquele beijo.
Senti uma emoção enorme. Pensei em contar tudo para minha mãe, busquei o celular no bolso e estava vazio. Quando estava próximo da Eulália, uma luz intensa nos abraçou, não saberia falar de outra forma. Fui conduzido por duas pessoas altas, até uma espécie de elevador panorâmico, e fui subindo, subindo, vi a Terra toda azul e zapt-zupt, fui transportado de maneira imaterial para um imenso salão medieval. Os dois sujeitos altos do elevador me conduziram até um sofá e um deles fez um gesto com a mão que fez baixar, ou aparecer, uma tela de cinema.
Ouvi uma voz melodiosa feminina dizer - vai ficar tudo bem e logo depois uma voz cavernosa dizer - bandido bom é bandido morto.
A voz melodiosa feminina disse: não ligue para ele.
A voz cavernoso replicou: você é meu, rapaz .... e deu uma gargalhada pavorosa.
Corta para a tela. Gente, passou o filme da minha vida e eu sentia a mesmas coisas de quando ocorreram - medo, tristeza, alegria, raiva e nojo. Chorei muito.
De repente sumiu a tela e apareceu uma mesa, destas de fórum, imensa, alta, com três seres feitos de luz, imponentes, sentados em cadeiras belíssimas. Não identifiquei neles o cara da voz cavernosa nem a dona da voz melodiosa, até os ouvir falar e percebi que falavam apenas dentro da minha cabeça, que loucura. o cavernoso era ácido, mas com grande senso de humor, destes de Stand Up e a melodiosa era sempre terna, elegante e séria. A diferença era que o cavernoso queria me jogar num buraco negro e a melodiosa queria me levar para um jardim celestial.
O sujeito que devia ser o magistrado, perguntou olhando para mim: O que a senhora tem a dizer pela defesa do seu cliente?
Achei aquilo estranho, tratar-me como uma senhora era demais e além disto não emitiu nenhum som e mesmo assim ouvi, como se fosse uma telepatia. Só então percebi que se dirigiu à voz melodiosa que habita minha mente. A delicada voz feminina e melodiosa falou de dentro da minha cabeça - este homem é inocente, Senhor, e posso provar com provas materiais, testemunhais e espirituais.
Enquanto eu tentava entender, aqueles dois do elevador se aproximaram do magistrado e discutiram pelo pensamento. Foi uma conversa tensa pelas expressões faciais e movimentos das mãos. O magistrado, de pé, apontou para mim e disse - fora, volte agora de onde veio.
A voz cavernosa colapsou em gritos hediondos, fazendo-me contorcer como estivesse convulsionando Os dois seres gigantes enfiaram as mãos dentro da minha mente e puxaram uma coisa asquerosa, disforme e agitada feito um histérico gel fosco de maldades que habitava dentro de mim e a trancafiaram numa caixa.
A voz melodiosa feminina disse - não falei que ia ficar tudo bem? Confie mais em mim. Agora vamos para casa.
Acordei dentro do carro, com um senhor batendo no vidro e perguntando se estava tudo bem, pois ele precisava sair com o carro da garagem.
É isto aí!
quarta-feira, 16 de agosto de 2023
segunda-feira, 14 de agosto de 2023
A Sapeca do Taio
Histórias para aquecer o coração
Depois desta rotina, retornava ao edifício onde residia desde a juventude, comprado com certa dificuldade. Ali criou a família, os filhos cresceram e a companheira partiu numa tarde de chuva intensa. Quantos anos foram bons? Quantos anos foram maus? Ria de perguntar a si mesmo, todos os dias o que não sabia como resposta, pois sempre repetia o mantra: depende do ângulo da situação
Como sempre, já praticamente um hábito, ao chegar no hall do edifício, uma senhora muito bonita, com ares esnobes, o aguardava e logo chamava o elevador para subirem em total silêncio. Não que desejasse o silêncio; por muitas vezes tentou puxar assunto, provocar um diálogo e nada ocorria. Ele parava no quinto andar, ela seguia para o sétimo.
Já há dois ou três anos nesse encontro excêntrico, uma vez dentro do elevador, entre o segundo e o terceiro andar, o travou, daí, encorajado pela não resistência, olhou no fundo inebriante dos olhos castanhos da mulher e perguntou-lhe sem hesitação:
- Senhora, eu sei pela portaria que a senhora não dialoga com ninguém deste prédio. Já a vejo por tanto tempo e nunca conversamos, agora eu imploro, responda-me - a quantos anos a senhora morre aqui neste condomínio?
- Só até hoje, gentil cavalheiro, só até hoje .. (com direito a suspiros e sorriso discreto).
Desceram no quinto andar e foram comemorar a vida com vinho e empolgadas incursões nos relevos das suas histórias.
É isto aí!
Fonte da imagem: The Times
Minta para mim
quarta-feira, 9 de agosto de 2023
terça-feira, 8 de agosto de 2023
Estou cansado, é claro, (Fernando Pessoa)
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente: eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
24-6-1935
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993). - 78.
Lapso corrigido segundo: Álvaro de Campos - Livro de Versos. Fernando Pessoa. (Edição crítica. Introdução, transcrição, organização e notas de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Estampa, 1993
sexta-feira, 4 de agosto de 2023
Coluna Social da Marquesa - O casamento da filha da amiga da amiga
quinta-feira, 3 de agosto de 2023
As Mentiras, o Malandro e os Otários
quarta-feira, 2 de agosto de 2023
O Louco (Khalil Gibran - 1918)
O Shoá — o Holocausto: foi humanamente criminoso
sexta-feira, 28 de julho de 2023
Quem há de
Discutindo relação
quinta-feira, 27 de julho de 2023
As profecias de ocasião
quarta-feira, 26 de julho de 2023
528 Hz - Ondas Alfa (Relaxing Meditation)
terça-feira, 25 de julho de 2023
Trechos da minha autobiografia não autorizada (2)
segunda-feira, 24 de julho de 2023
Samuel Rosa e Paulinho Moska - "Resposta" | Zoombido
quinta-feira, 20 de julho de 2023
Padre Antônio Pinto - Urucânia- MG
quarta-feira, 19 de julho de 2023
Declare a vitória de Deus (Cadu Isnard)
Vou com Deus
e Ele é quem determina tudo na minha vida.
Eu sou guerreiro, eu posso.
Porque o Senhor está comigo
e Ele fará as minhas vitórias
porque o Senhor assim o quer.


.jpg)












.jpg)


