quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Pelo sim, pelo não






Sentimentos
percepções
subjetividades

emoções
consciência
traduções

experiências
tudo vem da alma
tudo vai ao alto 

ou não
e parece
que sabemos disto.

É isto aí!









 

Matutando no mato

 

Pitando um rolo do bom, de frente para o pomar de pitangas, jabuticabas, manga e graviola, Zé filosofava a carreira de eventos ao longo da vida. São nestes momentos de contemplação do nada é que nada que presta sai, matutava, mas o importante mesmo é aflorar as coisas, daí vai se endireitando ali, desentortando acolá até chegar na linha do pensamento. Assim, chegava às suas conclusões dada à vasta experiência no fumo de cultivo ancestral:

- No fundo, bem lá no fundo, deve haver  conserto para tudo, até mesmo para pneu de velocípede.

- Não concordo com ela nem discordo comigo, muito antes pelo contrário sou solidário aos reclames da minha natureza, que contempla a dissonância dela.

- Uma coisa é o que é, exatamente uma coisa. Outra coisa é outra coisa, desde que nãos seja a mesma coisa. Deve ser por isto que está tudo muito coisado neste mundo.

- Quando chegar a hora e bater a preguiça, brada que aquele agora, mais do que nunca, é a hora certa. E se estiver errado, vai dar certo, afinal preguiça é movimento intestinal puro.

- O importante é o que importa, é o que vende, é o que distribui e principalmente o que tira dinheiro do seu bolso sem você querer a compra. Se eu vou na venda, eu compro só o necessário, se eu sou da venda, eu vendo o mais desnecessário, por que é nele onde está o lucro, e vida que segue. Todo dia sai um bobo de casa e encontra um esperto na venda, daí pode sair negócio bom só para uma parte.

- É muito melhor ficar vermelho, virar onça e soltar os cachorros e as raivas logo, sendo sim o sim e não o não, do que viver feito porco, de focinho no chão, cor de rosa, com sorrido amarelo besta na cara.

- Se a Terra fosse plana, seria um dos planetas mais exóticos e desconhecidos do mundo. Imagina só um terreirão circular, com princípio e fim, com sol estagnado e uma gravura de lua besta no parador, sem luar, sem violão, sem estrelas, sem cometas sem nada. Prá quem que os cachorros iam uivar?

- Segundo lei trans-sideral, aprovada pelo diretor da congresso inter-galáctico e promulgada no parlamento da terra plana de Órion, cada um no seu quadrado, por isto - ado ado ado, cada um no seu quadrado por que "tudo junto" é  separado e "separado" é tudo junto, donde se conclui que para-raios não param raios.

- Um é pouco, dois é primo e três é ímpar. Desconfie sempre dos primos...

- Há males que simplesmente vêm para o bem dos outros, porque pimenta que arde lá é refresco em pessoas malvadas.

- Briguei comigo mesmo, divorciei de mim, mas deu que lá si onde eu me ia, eu si me encontrava com eu mesmo, com aquele mesmíssimo sorrisinho retardado, com aquela carinha sonsa e olhar lerdo. Dava uma raiva danada d'eu comigo mesmo. Como pode o outro eu ser tão besta assim? 

 

Zéééééé, para de sonhar, homi e vai roçar o terreiro...

Eita mulher ruim, tem raiva d'eu pensar coisas que ela não entende ...


É isto aí!


fonte da imagem: aprovincia.com.br






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terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

O analista da Pitangueira - Sonhar o sonho impossível




Acordei assustado, não sabia onde estava, quem era e o que fazia ali. Fechei os olhos e voltei a encontrar com ela, o amor da minha vida. Acordei novamente, agitado e suado, o mesmo quarto, o mesmo sentimento, a mesma angústia. 

Imediatamente peguei meu bloco de anotações oníricas, aconselhado pelo senhor,  doutor e analista da Pitangueira, e anotei o que lembrava com maior destaque:

Ela estava linda, num vestido floral solto. Era tardecer, assim era porque el idioma oficial del sueño era castellano, pero mas lento, sin subtitulos.

La hermosa chica mirándome y sonriéndome, señaló una pizarra, que decía en portugués:

Sonhar é tão fácil
difícil é o acordar
frente à realidade
eu e você seremos
pra sempre assim

Só isto. Nada de despedidas românticas, nada de resistir à saudade, nada de nada, o recado estava dado.

Na semana seguinte, reencontrei com ela, cabrocha da Portela em plena avenida numa manhã de carnaval. Ela falava numa língua estranha, soava ser ariana, mas não ligamos, os corações se entenderam nos gestos e sobretudo no olhar, e se permitiram a entrega total  por três dias, enquanto durou o carnaval. 

Na manhã da quarta-feira de cinzas, ela apontou para um enorme painel onde estava escrito em português:

Nunca pense que seu amor é impossível, 
nunca diga "eu não acredito no amor". 
A vida sempre nos surpreende.

O caso, doutor, é que agora fiquei na dúvida de qual delas ela é ela mesma, ou em qual delas estou concatenando a realidade ou serei eu mesmo nos dois sonhos ou outro eu em dupla personalidade atua por mim em vários teatros da vida onírica? Onde estou, doutor?  

- Volte semana que vem, deixa passar o carnaval. Não vamos nos precipitar, mas lembre-se que Freud nos diz que o sonho é a estrada real que conduz ao inconsciente, portanto, anime-se, há várias situações numa estrada.

É isto aí!

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Senta que lá vem história sobre Rosa, de Pixinguinha e Octávio de Souza.


Orlando Silva / Pixinguinha Rádios EBC


O Som do Animal (página do Facebook) resgata uma das mais belas páginas de nosso rico cancioneiro:

Rosa”, valsa composta pelo genial Pixinguinha e Octávio de Souza!

A parte instrumental de “Rosa” foi composta por Pixinguinha em 1917, e o título original era ”Evocação”, sendo que esse clássico tem algumas histórias incríveis, certas curiosidades, tais como as que contaremos adiante!

Pois bem, de acordo com o depoimento prestado ao Museu da Imagem e do Som (MIS - RJ), Pixinguinha assegurou que a preciosa letra teria sido escrita posteriormente por um mecânico do Engenho de Dentro (bairro carioca), muito inteligente e que morreu novo, de nome Octávio de Souza!

Nota deste Blog: Existem três versões sobre quem escreveu a letra:

Versão 1: (nota do Blog: fato esotérico, mas vai que ...) O suposto mecânico de Engenho de Dentro, Octávio de Souza, procurou Pixinguinha num bar onde tomava cerveja, apresentou-lhe a letra dizendo que  um poema, por inteiro, belíssimo, não saia da sua mente e referia-se à musica de Pixinguinha,  que leu e prontamente aceitou a parceria.  

Versão 2: (nota do Blog: sem sustentação, mas vai que ...) O desconhecido mecânico teria feito a letra em homenagem à irmã de um certo Moacir dos Telégrafos, cantor do mesmo bairro (Meier), sendo então consagrado como um compositor de uma única música, uma obra-prima!

Versão 3: (nota do Blog: plausível, mas vai que ...) Contudo, para muitos pesquisadores, existe a suspeita de que a letra – por seu estilo rebuscado e parnasiano seria do compositor Cândido das Neves, parceiro de Pixinguinha em “Página de dor”, dentre outras obras.

Inacreditável que, em 1937, os mais famosos cantores da época, Francisco Alves e Carlos Galhardo deixaram de lançar “Rosa” em razão de recusarem gravar “Carinhoso” (Pixinguinha e João de Barro), faixa do lado A do mesmo disco!

Sorte do “Cantor das Multidões”, o grande Orlando Silva, o qual interpretou magistralmente as duas canções, as quais fizeram estrondoso sucesso, e tornaram-se verdadeiros hinos da Música Popular Brasileira! A mãe de Orlando Silva era apaixonada pela música, de tal maneira que quando faleceu, seu filho Orlando, o Cantor das Multidões, nunca mais a cantou. 


Tu és divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito teu


Tu és a forma ideal
Estátua magistral. Oh, alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza


Perdão se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer


Rosa (Pixinguinha / Otávio de Souza) – arr. Roberto Rodrigues
Teatro Marcos Lindenberg
São Paulo, 24 de março de 2018
Filmagem e Edição: Alessandra Mesquita

Playlist com todos os vídeos do espetáculo: http://bit.ly/2Rb39zR
Novos vídeos adicionados semanalmente. 
Inscreva-se no nosso Canal: http://bit.ly/2CAuZNC

FICHA TÉCNICA | A ERA DO RÁDIO

Direção Musical e Regência: Eduardo Fernandes
Direção Cênica: Reynaldo Puebla
Assistente de Direção Cênica: Ana Abe
Regente Assistente: Ricardo Barison
Monitores: Cláudia Cesar, Leandro Gouveia e Leilor Miranda
Violão e Percussão: Alexandre Cueva
Percussão: Beatriz da Matta e Gustavo Godoy
Figurino: Sueli Garcia
Cenário: Anne Rammi
Objetos Cênicos e Adereços: Anne Rammi e Yara Tappis
Iluminação: Danielle Bambace
Sonoplastia: Ana Abe
Execução de Cenário: Natália Calamari e Rodrigo Mafra | Estúdio Dupla
Equipe de Cenografia, Montagem e Contrarregragem: Anna Lúcia Santoro, Anne Rammi, Carlos Henrique Ralize, Cibelle Lacerda, Luana Magalhães, Marcelle Olivier, Maria Madalena Herglotz, Mônica Kuntz, Renan Gila, Renata Ferreira, Renata Montesanti e Soledad Correa Forno
Fotos: Anna Lúcia Santoro, Carlos Henrique Ralize, Laura Abe e Pablo Araripe
Captação de Vídeos: Anna Lúcia Santoro, Carlos Henrique Ralize e Felipe Moreti
Edição de Vídeos: Carlos Henrique Ralize e Danielle Bambace
Equipe de Comunicação: Adriana Pacheco, Ana Abe, Anna Lúcia Santoro, Anne Rammi, Carlos Henrique Ralize, Danielle Bambace, Deborah Alves, Eduardo Fernandes, Leandro Gouveia, Mônica Kuntz, Renata Montesanti, Reynaldo Puebla e Valéria Gomes Bastos
Criação e Design Gráfico: Adriana Pacheco, Carlos Henrique Ralize, Deborah Alves e Renata Montesanti
Assessoria de Imprensa: Leandro Gouveia
Bilheteria: João Rosalvo, Karina Gouveia e Laura Abe 
Responsável Técnico Científico: Luciano Gamez
Produção: Coral Unifesp

Coral Unifesp





quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Sobre dismorfismo sexual, avestruzes e o Jeep Willys


- Ela mandou uma mensagem no whatsapp - querido, já comprou meu presente?

Li, olhei para o calendário e vi que chegamos ao último mês do ano. Ela aguardava o presente que decerto prometi num momento de fragilidade emocional compensatória. Num instante de delírio lúcido, percebi que corria dezembro feito uma louca avestruz a cortar as savanas africanas a impressionantes 70Km/h.

O mês esvaia de tal forma que supostamente Dezembro possuía as pernas mais longas do ano. Pensava isto e muito mais coisas enquanto pedalava a bicicleta comprada a duras penas na mocidade, quando sonhava em ter um jeep quando fosse gente grande.

Deduzi por ferramentas mentais intuitivas que a prova irrefutável da similaridade entre as avestruzes no galope e dezembro célere é que as avestruzes , para fugir dos predadores, correm velozmente e, durante a corrida, mudam sua direção bruscamente, sendo essa mudança uma forma de confundi-los. Tática similar à utilizada para fugir de cobrança de cartões, participações compulsórias, discursos, etc. além dos presentes, amigos ocultos, festas americanas, saída com a turma do escritório na sexta-feira, etc.

Achava muito útil também, para evitar os famosos amigos-ocultos, onde para fugir dos interessados em dar sabonete e ganhar chocolates finos , corria discreto e velozmente em zig-zag tático nas redes sociais e pequenos grupos no cafezinho, mudando a direção bruscamente, sendo esse movimento uma forma de evitá-los e ou confundi-los.

Voltando às avestruzes e falando dos Jeeps Willys, seria importante destacar que, apesar de bastante difundida, a história de que a avestruz enterra sua cabeça quando se sente ameaçada não passa de um mito, assim como o antigo Jeep, do desejo juvenil, bebia muito, dava muita manutenção e faltava peças de reposição. Tudo mito. Provavelmente, estas histórias surgem da observação de avestruzes e jeeps coexistindo. Na verdade, apresentam dismorfismo sexual, deve ser por isto que chamam a atenção.

Não quis dizer que o dimorfismo sexual existe entre jeeps e avestruzes, mas tudo bem se eu quiser entender assim entre eu ela e nos privativos da nossa vida.

- Outra mensagem dela resgata-me do delírio lúcido:

- Amor, porque você nunca responde? Pelo menos está pensando em mim?

- Respondi ainda no vácuo da quinta dimensão: Sim, estava pensando em nós, eu e você e nosso polimorfismo sexual.

- Uau, não entendo nada destas coisas que você fala, mas fico louca para te encontrar quando você fala assim ...

É isto aí!

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Por que é que não nos apaixonamos todos os meses de novo?

 


Freud explica:

Ao evitar o sofrimento, privamo-nos para mantermos a nossa integridade, poupamos a nossa saúde, a nossa capacidade de gozar a vida, as nossas emoções, guardamo-nos para alguma coisa sem sequer sabermos o que essa coisa é. E este hábito de reprimirmos constantemente as nossas pulsões naturais é o que faz de nós seres tão refinados.

Por que é que não nos embriagamos? 

Porque a vergonha e os transtornos das dores de cabeça fazem nascer um desprazer mais importante que o prazer da embriaguez. 

Por que é que não nos apaixonamos todos os meses de novo? 

Porque, por altura de cada separação, uma parte dos nossos corações fica desfeita. Assim, esforçamo-nos mais por evitar o sofrimento do que na busca do prazer.


Sigmund Freud, in ‘As Palavras de Freud*’

As palavras de Freud
Autor: Paulo César de Souza



sábado, 27 de janeiro de 2024

Deve ser saudade

Fonte da imagem: Ben Shahn, (American, 1898-1969), Crying Man Pinterest


Mas sinto uma coisa 
que não sei explicar. 
Sinto muito, 
sinto tanto;
 
sinto de forma estranha, 
sinto raiva, 
sinto angústias,
sinto ausências; 

sinto saudades. 
muitas saudades
múltiplas saudades.

bastante saudade
imensurável saudade.
Sinto muito. 


É isto aí!


Samba do Grande Amor (Chico Buarque)

Samba do Grande  Amor 

Letra e Música: Chico Buarque

Chico Buarque fez este samba em 1982 para compor a trilha sonora do filme Para viver um grande amor, de Miguel Faria Jr., lançado em 1983.

Na letra, o protagonista, desiludido mas consciente do conhecimento que se lhe apresenta, refaz os caminhos cruzados de um amor que ele julgou eterno. Acreditou no grande amor; se atirou e foi até o fim. Tolo, em vão, agora tenta raciocinar nas coisas do amor, ampliando sua mágoa e seu rancor.

Tinha cá pra mim
Que agora sim
Eu vivia enfim
O grande amor

Mentira

Me atirei assim
De trampolim
Fui até o fim
Um amador

Passava um verão
A água e pão
Dava o meu quinhão
Pro grande amor

Mentira

Eu botava a mão
No fogo então
Com meu coração
De fiador

Hoje eu tenho apenas
Uma pedra no meu peito
Exijo respeito
Não sou mais um sonhador

Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor

Mentira

Fui muito fiel
Comprei anel
Botei no papel
O grande amor

Mentira

Reservei hotel
Sarapatel
E lua de mel
Em Salvador

Fui rezar na Sé
Pra São José
Que eu levava fé
No grande amor

Mentira

Fiz promessa até
Pra Oxumaré
De subir a pé
O Redentor

Hoje eu tenho apenas
Uma pedra no meu peito
Exijo respeito
Não sou mais um sonhador

Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor

Mentira

Fonte: Musixmatch

Compositor Letra&Música: Chico Buarque

Samba do Grande Amor - Mulheres de Hollanda - Sr Brasil 11/08/2011

Fonte Youtube: TV Cultura SP  

Mulheres de Hollanda é um Quinteto vocal feminino formado em 2002, que se dedica exclusivamente à obra de Chico Buarque de Hollanda. Criado e dirigido por Karla Boechat, também fazem parte do grupo as cantoras Ana Cuba, Iuiú Toledo, Maíra Garrido e Mona Villardo.





sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

O tempo e o destino




Não conseguiu dormir pensando no que iria fazer. A verdade, refletiu, é que toda encruzilhada tem múltiplas possibilidades. Refletia uma a uma as que achou possíveis de serem analisadas.

Tenho até amanhã para decidir o que fazer. Mas que merda?! Onde fui me meter. Eu tenho que tomar uma decisão a qual a parte interessada sou eu. Que coisa maluca, que coisa esquisita, que coisa tensa. O que fazer? Como fazer? Vejamos as possibilidades:

- Tem a coisa certa a fazer
- Tem a coisa errada a fazer
- Tem a coisa certa que dá errada
- Tem a coisa errada que dá certo
- Tem a coisa justa
- Tem a coisa injusta

Mas:

- A coisa certa pode não ser certa para a outra parte.
- A coisa errada a fazer, uma vez feita, pode dar merda para sempre.
- A coisa certa que dá errado, só beneficia um lado.
- A coisa errada que dá certo vai dar problema mais cedo do que se espera.
- A coisa justa tem que ser justa para ambas as partes.
- A coisa injusta é o que é, injusta.

Porém:

- A coisa certa a fazer pode dar muita dor de cabeça.
- A coisa errada a fazer pode me dar muita angústia.
- A coisa certa que está errada vai me colocar em pânico
- A coisa errada que está certa terá sempre consequências desagradáveis.
- A coisa justa é dura demais para minha realidade.
- A coisa injusta me condenará ao abismo da tristeza.

Todavia:

Ao ficar neste embate a noite toda, o sono venceu a batalha; dormiu amanhecendo o dia. Ao acordar por volta das 17 horas, soube que o tempo e o destino se uniram mais uma vez para resolverem toda a questão do jeito deles. Restava agora, novamente, arcar com as consequências de ser infeliz para sempre.


É isto aí!

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Você



aflorou 
carmesim
no deserto

desabrochou 
carmim
por decerto

do meio início
até o nunca fim
quase errado

quase certo
em descapricho
dos deuses

você enamorada
do perene existir 
que habita em mim.

É isto aí!


Fonte Youtube: Alexandra Whittingham Capricho Árabe
Música: Capricho Árabe
Compositor: Francisco Tárrega - Francisco de Asís Tárrega Eixea (21 de novembro de 1852 - 15 de dezembro de 1909) foi um compositor e violonista clássico espanhol do final do período romântico. [1] É conhecido por peças como Capricho Árabe e Recuerdos de la Alhambra .

Depois de estudar guitarra clássica, piano, guitarra jazz e composição na Chetham's School of Music durante sete anos, Alexandra Whittingham ganhou uma bolsa para estudar na Royal Academy of Music de Londres. Tendo recebido honras de primeira classe e o Prêmio Timothy Gilson de Guitarra em 2019, ela retornou à Royal Academy no ano seguinte para concluir seu mestrado. Ela se formou com distinção, um Diploma da Royal Academy of Music (concedido por um excelente desempenho em um recital final) e o Regency Award por estudantes ilustres.


Nem sempre foi assim





Já observou que todas as decisões que você tomou sob forte emoção, deram errado?

Já observou que não existem sobreposições de amor?

Já observou que o tempo só passa rápido quando você está triste?

Já se observou, olhos nos olhos, no espelho, e se perguntou quem é você?

Já disse não quando a única resposta possível era o sim?

Já disse sim quando a única resposta possível era o não?

Já chorou por uma memória aflorada?

Já sorriu por uma memória aflorada?

Já se perguntou onde você guarda as memórias boas?

Já se perguntou onde você guarda as memórias ruins?

Já observou que existem pessoas às quais não compatibiliza de jeito algum? 

Já observou quantos falsos amigos circulam você?

Já observou que você não conhece  a potencial maldade das pessoas que o cercam?

Já observou que no fundo no fundo sabe que a colheita da safra de boas ações é sempre escassa?

Já observou o que acontece com seu corpo quando está triste? Pisca mais? Boceja? Coça o ouvido? Ardem os olhos? A boca seca? O intestino altera o horário de funcionamento? Urina mais? Fala muito? Ri do nada? Espirra?

Já observou que as pessoas sabem quando está triste, instintivamente, por estes sinais os quais você nunca soube que emanava ao mundo como um pedido de socorro?

Já observou que você não consegue se perdoar facilmente?

É isto aí!

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Cartas de Amor LXXXI




Reino da Pitangueira, Planeta Terra, 3° do Sistema Solar, Via Láctea, Zona Sul. 

24 de Janeiro de 2024

Querida, vamos desindexar a saudade!

Calma, meu bem, calma. Eu sei que você sempre fica ansiosa com minhas teorias  transcendentes e adaptativas da vida como ela é para a vida que merecemos. Como sabe, se não souber eu explico, meu bem, que em geral, desindexação significa retirar algo de um índice ou desfazer um índice existente. Somente isto. Agora vamos a aplicabilidade desta desindexação na saudade. 

Vamos considerar que a saudade tem uma escala, calma querida, é só para gerar o contexto a fim de parear a relação entre sua presença e a situação da ausência quando ela ocorre. Há, então, um conjunto de circunstâncias em que se produz a nova leitura que se deseja emitir, desindexando do lugar muito longe e tempo bastante longo, nosso amor - eu e você, distâncias, sonhos, desejos, entrelaços, abraços etc. - e assim amainarmos as dores da saudade, permitindo nossa correta existência com uma saudade menos sofrida, de maneira plácida e parcimoniosa.

Saiba, meu amor, que a desindexação na saudade visará combater os efeitos negativos da ausência inercial, que é aquela que se mantém elevada por causa das expectativas dos nossos desejos. Ela será feita de forma gradual, começando por alguns segmentos específicos, tais como seu olhar, suas mãos, seu andar, seu sex appeal, seu charme, sensualidade etc..

Poderá trazer, assim espero, benefícios como a queda da saudade e a estabilidade emocional, mas também promoverá dificuldades, como uma dessensibilização  de alguns pontos do amor total, com possível perda de poder tê-la ao meu lado em tempo integral. Para estes casos, criaremos índices de correção da saudade, vinculados ao desejo, ao prazer e à vontade louca de abraçar você. 

Querida, um cafuné nos seus cabelos, um afago na face, um beijo apaixonado e um abraço apertado.

Do seu - eu.

É isto aí!

 

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

01 Odete fala da língua pátria e outras reflexões



Saiu o índice de poliglossia de Pindorama. Segundo fontes fidedignas que obtiveram dados e metadados de fontes governamentais, abaixo estão relacionadas os cinco idiomas mais falados em terras brasilis:


01 - O Português (com pelo menos 10 variações para melhor ou para pior)

Carioca: Exclusividade da Cidade Maravilhosa e por indução, as cidades que compõem o Grande Rio 

Baiano: De Teófilo Otoni (MG) até Natal (RN)

Mineiro: Começa logo ali e vai até onde se diz diz Trem, Uai e Arreda. O resto é dialeto de fronteira.

Gaúcho: Envolve os gaiteiros do sul, o chimarrão, a picanha, o bife ancho, o colorado e o tricolor. Tem também as tradições, as prendas, piás, guris, índio velho, barbaridades, tchê e outras buenas além fronteira. 

Paulista: Falam que é português, mas não sei não. Não estou seguro para afirmar. 

Cearense:  Há uma baianidade serena na fala cearense, parece baiano mas no vocabulário se desfaz a dúvida. Tem uma quase imperceptível expressão linguística lusitana. 

Pernambucano: Só de ter festa junina já está bom demais.

Catarinense: Entende razoavelmente bem o português.


02 - O Alemão 

Falado por 2% da população de Pindorama (quatro milhões de pessoas), do Paraná ao Chuí, se prolifera em dialetos da língua alemã, além da cultura.

No  Sudeste, existem colônias preservadas no Espírito Santo e no Vale do Mucuri em Minas, ainda se encontram núcleos de preservação da língua pátria.

 Ao ultrapassar a divisa de São Paulo com o Paraná é bom ficar atento, pois o trem é doido demais, com dezenas de dialetos aqui e ali. Segundo a wikipédia , o idioma alemão é notável por seu amplo espectro de dialetos, com muitas variedades únicas existentes na Europa e também em outras partes do mundo. 

Devido à inteligibilidade limitada entre certas variedades e o alemão padrão, bem como a falta de uma diferença indiscutivelmente científica entre um "dialeto" e uma "linguagem", algumas variedades alemãs ou grupos de dialetos (por exemplo baixo-alemão ou Plautdietsch) são alternativamente referidas como "línguas" e "dialetos".


03 - O Italiano

Veja só, você aí acreditando que a língua do norte estaria pelo menos aqui, esqueça. Das cantinas de massas de Minas, com pão de queijo e café  aos pampas gaúcho, a colonada manda bem em seus dialetos e no italiano convencional. Tem quase a mesma percentagem dos alemães.


04 - O Japonês

Com quase dois milhões de falantes, o Japonês, discretamente, tem sido a quarta língua mais falada no país desde o início do século passado, de São Paulo até o Rio Grande do Sul.


05 - Espanhol

Língua quase oficial de toda a fronteira da extensão continental da pátria amada, o espanhol é imprescindível para a boa e estreita relação social e comercial com nossos vizinhos. Há dezenas de cidades na fronteira divididas apenas por ruas, pontes ou avenidas. 

O número oficial é entre 500 mil e 1 milhão, mas com as crises aqui e ali no continente, é provável, apesar de não termos dados oficiais (só uma percepção mesmo) que este número chegue próximo ao alemão.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

A Sorte passa na sua porta



Tocou o despertador, o celular, a campainha de sino da porta, cantou o galo no quintal, as maritacas e os pardais. Latiram os cachorros, miaram os gatos e grasnaram os patos. Mugiram as vacas, berraram os bezerros e relincharam o cavalos. Nada de acordar, enquanto sonhava com todos os seus desejos realizados. 

Tocou o celular, a campainha de sino da porta, cantaram as maritacas e os pardais. Latiram os cachorros, miaram os gatos e grasnaram os patos. Mugiram as vacas, berraram os bezerros e relincharam o cavalos. Nada de acordar, enquanto sonhava com todos os seus desejos realizados. 

Tocou a campainha de sino da porta, cantaram os pardais. Latiram os cachorros, miaram os gatos e grasnaram os patos. Mugiram as vacas, berraram os bezerros e relincharam o cavalos. Nada de acordar, enquanto sonhava com todos os seus desejos realizados. 

Tocou a campainha de sino da porta, latiram os cachorros, miaram os gatos e grasnaram os patos. Mugiram as vacas, berraram os bezerros e relincharam o cavalos. Nada de acordar, enquanto sonhava com todos os seus desejos realizados. 

Tocou a campainha de sino da porta, miaram os gatos e grasnaram os patos. Mugiram as vacas, berraram os bezerros e relincharam o cavalos. Nada de acordar, enquanto sonhava com todos os seus desejos realizados. 

Tocou a campainha de sino da porta, grasnaram os patos mugiram as vacas, berraram os bezerros e relincharam o cavalos. Nada de acordar, enquanto sonhava com todos os seus desejos realizados.  

Tocou a campainha de sino da porta, mugiram as vacas, berraram os bezerros e relincharam o cavalos. Nada de acordar, enquanto sonhava com todos os seus desejos realizados. 

Tocou a campainha de sino da porta, berraram os bezerros e relincharam o cavalos. Nada de acordar, enquanto sonhava com todos os seus desejos realizados. Nada de acordar, enquanto sonhava com todos os seus desejos realizados. 

Tocou a campainha de sino da porta e relincharam o cavalos. Nada de acordar, enquanto sonhava com todos os seus desejos realizados. 

Tocou a campainha de sino da porta. Nada de acordar, enquanto sonhava com todos os seus desejos realizados. 

Tocou a campainha de sino da porta. Nada de acordar, enquanto sonhava com todos os seus desejos realizados. 

Tocou a campainha de sino da porta, até que o Anjo da Sorte cansou de esperar e partiu para outra boa alma disposta a mudar de vida e ter atendidos os seus desejos.

Acordou, o sol já ia alto. Levantou cambaleando, chegou até o sino de campainha da porta e arrancou violentamente. Bradou com fúria - que merda de vida!

É isto aí!








quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Serenidades



Essa
acuidade
densa

Essa
alteridade
tensa

Essa
infelicidade
infensa

Chama-se
saudade
de você

É isto aí!


segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

GPS celestial com software bugado.


Olhei por uma janela espiritual que criei na UTI, e conclui que devia ser umas 17 horas, eu acho, por que o sol ainda se equilibrava no horizonte e o céu alaranjava meio neon. Vi dois anjos se aproximando. Nunca vi anjos, mas intuí que estavam vindo na minha direção. Então é verdade mesmo, os anjos vêm buscar a gente, pensei. Sim e não, ecoou a resposta numa fusão tridimensional dentro da minha mente.

Entraram sorrindo, conversando telepaticamente, digo assim por que não encontrei no momento outra palavra para expressar aquilo, pois enquanto meditava sobre esta habilidade de adquirir informação acerca dos pensamentos, sentimentos ou atividades de outro ser consciente sem o uso de ferramentas da linguagem verbal ou corporal, de sinais ou a escrita, eles continuavam aproximando cada vez mais. Eram enormes, uns três metros mais ou menos.

- Venha Juquinha, saia deste corpo para se apresentar diante do Criador e peregrinar na eternidade.

- As palavras tridimensionais ganharam eco inenarrável. Custei para concatenar o nome à pessoa. Olha, acho que temos um problema - não sou o Juquinha.

- Como assim não é o Juquinha? Você não é filho do Zezé Trigo com a Magdala Cajá, nascido em Tronqueiras do Anta, em 29 fevereiro de 1956? Nosso sistema de rastreamento tem ISO INRI 33, não erra jamais.

- Podem conferir ali, na minha prancheta. Este cara não sou eu.

- Caramba. Erramos. O Chefe vai ficar furioso. Da última vez disse que se errássemos novamente, iríamos trabalhar fora dos portões da montanha sagrada, no Ante-Purgatório.

- Olha, eu posso ajudar vocês, mas sejam sinceros.

- Pode perguntar o que quiser.

- Tem jeito de ir direto, sem passar pelo purgatório, esquecendo meus ahnn, pequenos delitos capitais?

- E foi aí que deu-se um trovão assustador e uma luz projetada do infinito iluminou outra cama, ao meu lado direito. Olharam para um velhinho com certo esboço de sorriso, escondendo-se sob o lençol, Assim rapidamente o abraçaram e desapareceram na infinitude.

- Tive alta e só então descobri que o Juquinha era outro paciente, deitado ao meu lado esquerdo. GPS celestial ficou bugado, eu acho. Foi aí que tive a ideia de tatuar minha carteira de identidade no braço. E agora fico sabendo que só valerá a digital. Melhor mudar de vida ...


É isto aí!






sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Acontece!




Não era,

não deveria,

não poderia,

mas foi.

Agora espera.


É isto aí!




quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

O Polímata e o Beócio



O próximo

Eu.

Senhor, senhor ..

Tim

Tim?

Isto, Jota Mar Tim.

Jota Martim?

Não. O Mar é separado do Tim.

Não foi o que eu falei?

Não, mas tudo bem.

Tudo bem não. Como o senhor sabe que eu não disse na forma correta?

Pela ausência da pausa entre o ar e o Ti.

Bem, vamos à entrevista, Senhor Tim. A vaga é para executivo pleno da empresa. Seu currículo parece bom, tem referencias de peso, mas na competência do conhecimento, o senhor o senhor está sendo desqualificado. 

O senhor pode me explicar o motivo?

Senhor Tim, o senhor assumiu que é polímata. Saiba que a nossa empresa preza muito pela transparência, com valores espirituais e familiares em elevado grau de harmonia. E ainda tem este nome exótico Jota Mar Tim, este é o nome de registro ou foi alterado na fase adulta?

Senhor entrevistador, o senhor pode me explicar o que o senhor entende por polímata?

Recuso-me a ter que entrar nos melindres da sua escolha pessoal, senhor Tim ou seja lá o nome que o senhor tem de fato.

Senhor entrevistador, por um instante cheguei a pensar que o senhor era um simplório beócio, mas vejo que errei, O senhor é um energúmeno.

Posso ser estas coisas aí, até mesmo por que qualificam meu currículo, mas simplório não, caramba. Não sou igual ao senhor, seu seu seu escamoteadinho polímata.

Senhor entrevistador, por favor, seja estoico, mantenha a fleugma.

Agora vai ser na porrada - segurança, segurança ...

É isto aí!

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

Clarice Falcão e Paulinho Moska - Eu me Lembro

 

 Canal Brasil 

Letra e Música: Clarice Falcão

Eu me lembro (Clarice Falcão e Paulinho Moska )

Era manhã
(Três da tarde)
Quando ele chegou
(Foi ela que subiu)

Eu disse oi fica à vontade
(Eu é que disse oi, mas ela não ouviu)
E foi assim que eu vi que a vida colocou ele (ela) pra mim
Ali naquela terça-feira (quinta-feira) de setembro (dezembro)

Por isso eu sei de cada luz, 
de cada cor de cor
Pode me perguntar de cada coisa
Que eu me lembro

A festa foi muito animada
(Oito ou nove gatos pingados no salão)
Eu adorei a feijoada
(Era presunto enrolado no melão)

E foi assim que eu vi que a vida colocou ele (ela) pra mim
Ali naquela terça-feira (quinta-feira) de setembro (dezembro)
Por isso eu sei de cada luz, de cada cor de cor
Pode me perguntar de cada coisa
Que eu me lembro

Ela me achou muito engraçado
(Ele falou, falou e eu fingi que ri)
A blusa dela tava do lado errado
(Ele adorou o jeito que eu me vesti)

E foi assim que eu vi que a vida colocou ele (ela) pra mim
Ali naquela terça-feira (quinta-feira) de setembro (dezembro)
Por isso eu sei de cada luz, de cada cor de cor
Pode me perguntar de cada coisa
Que eu me lembro

Eu me lembro (Eu me lembro)
Eu me lembro

Fonte: LyricFind

Compositores: Clarice Franco de Abreu Falcão

Letra de Eu Me Lembro © Ubc

No tempo em que só havia rádio

Aqui é Nildo Varella falando da Rádio Clube de Brejinho, a campeã de audiência, direto do Estádio Dr Silva. E começou o clássico. Totó passa e entrega a bola para Jorginho. Jorginho recebeu com estilo de craque, e repassa sem drible, com um passe magistral, para Dé, o melhor meia do mundo. Dé amorteceu no peito cheio de ar com vontade de ganhar na corrida o marcador brutamontes do time da casa.

É com você, Mané 

- Olha, Nildo, se você quer cerveja, peça Cerveja Lalá. melhor não há. Macarrão é na Cantina do Tião, Banco sério é o Banco da Praça, onde seu dinheiro tem segurança. Vai que é sua, Nildo.

Com a palavra João Carlos Mandinga, nosso especialista em assuntos sobrenaturais do futebol:

- Nildo, este será o maior jogo da história do futebol mundial - maktub

Aqui é Nildo Varella e o jogo está pegando fogo. Jorginho desviou do Jajá, primeiro marcador, correu pela linha lateral esquerda para receber a bola de Dé, o melhor meia do mundo, direcionando a bola para a direita, disparou em fúria, chegou na bola com carinho de quem sabe, brecou deixando o marcador Pascoalino passar em liso, até cair fora do campo. 

Fala Mané!

- Aqui é Mané Sergipe e se quer ficar de bem com a vida, dê para sua esposa o Regulador Xavier, tem na Farmácia do Tom Zé. E que saber o que mais só tem no Tom Zé? Se a criança chorar, tenha sempre Auris sedina, dorme dorme menina com auris sedina...Segue o jogo com Nildo.

Aqui é Nildo Varella, o campeão das rádios. O Raimundinho, segundo marcador, veio no embalo, recebeu um chapéu rápido do Bebeto Tranca Rua e o Raimundinho saiu de campo chorando. 

O que você achou, Mandinga?

- Foi desmoralizante. Repito - foi Desmoralizante, e abateu a força moral do Raimundinho, tirou o ânimo do rapaz, que se viu desanimado e desencorajado. Vai Nildo.

Aqui é Nildo Varella, olha, Raimundinho, vai chorar no quarto escuro com essa. E o craque Jorginho, o maior do mundo como centroavante correu em direção ao gol. Todos se levantam, gritos ensurdecedores. Deu um corte curto, gênio!! Gênio!! Avança driblando o pé de apoio do goleiro, agora é só marcar e... fala Mané

- Aqui é o Mané. Você está com dor de cabeça? Tome Friona. Dor nos rins? Tome Friins. Dor no lombo? Tome Friombo. Todos à venda na Farmácia do Tom Zé. Segue aí Nildo.

Aqui é Nildo Varella, o locutor das emoções! Agora vai ser o gol, ai ai ai meu deusinho da redonda, vai menino. Gaguinho, o maior meia esquerda do mundo, tirou do zagueiro, tirou do quarto-zagueiro, bateu com a face externa do pé esquerdo, dando o efeito curva. A bola vai navegando pelo ar, silêncio total, no silêncio a bola vai lentamente em direção ... em direção ... minhanossasenhora dos parangolés da bola. O que você viu, Mané?

-  Nildo, pelamordedeus, o que está acontecendo? Nunca vi algo parecido.

Aqui é Nildo Varella, e digo e repito: Olha Mané, a bola parou no ar. Nunca vi isto também. Com a palavra João Carlos Mandinga, nosso especialista em sobrenaturais do futebol.

Aqui é o Mandinga; Obrigado, gente, pela audiência, mas não tem nada de extraordinário nesta paradinha no ar. Aqui a regra é clara - A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade: as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos. Neste caso, a secada da torcida adversária anulou a trajetória da bola. Simples assim, nada de extraordinário ou sobrenatural.

- Mané aos berros: Nildo, Nildo, olha na sua direita, tem um gato voador indo em direção à bola parada.

Pelanossasenhoradosgatos assustados, o que é isto, Mané? O gato está girando o corpo lentamente em seu próprio eixo e olha isto, está caindo em pé sobre a bola parada no ar. Estão aterrissando lentamente no chão. Olha lá, olha lá, a bola vai entrar. O que você está vendo, Mané?

Aqui é o Mané, compre na Drogaria do Tom Zé. 

- Nildo, o bandeirinha atirou o pau no gato. O gato saltou da bola e correu para o gol e foi tirada no último segundo pela mão do gato. Incrível. O juiz apita o final da partida. Fala, Nildo

Nildo Varella agradecendo aos milhares de ouvintes pela preferencia. Fim de um jogo eletrizante,  emocionante e inigualável até o apito final. Clássico é Clássico. Aqui você vive a realidade dos grandes jogos. Até a próxima!

É isto aí!