terça-feira, 6 de novembro de 2012

Afinal, o que é o Mensalão?




FONTE: http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2012/10/22/interna_politica,324747/cristiano-paz-relata-participacao-nos-fatos-que-o-levaram-a-ser-reu-do-mensalao.shtml


A entrevista reproduzida abaixo, publicada no jornal Estado de Minas em 22 de outubro último é uma das mais impressionantes de todo este processo que envolveu dezenas de personagens no caso mensalão. Deveria ter maior repercussão. Embora uma defesa pessoal de Cristiano Paz, o publicitário revela os detalhes da entrada de Marcos Valério nos seus negócios e o envolvimento direto do senador Clésio Andrade, indicando forte relacionamento dos dois últimos. O quebra-cabeças, portanto, fica mais complexo e confuso, envolvendo grandes nomes da política tupynambá.

Vamos ao relato:

"Sou um profissional de criação publicitária. O cliente me entrega um briefing e eu devolvo uma solução de comunicação. Nesse campo recebi o reconhecimento do mercado publicitário brasileiro.Como tantos outros criativos, meu talento nunca foi para números, planilhas ou administração financeira. Esse defeito de origem me levou ao pior drama da minha vida, uma tempestade que hoje enfrento, cujo horizonte é somente a minha fé em Deus. Comecei minha carreira em 1969 e em 1972 fui convidado para ser diretor de criação da Standard, Ogilvy & Mather, em Belo Horizonte. Onze anos mais tarde, tornei-me sócio da agência. Surgia a SMP&A, meu primeiro negócio. Em 1983, incorporamos a P&B e assim surgia a SMP&B, já totalmente independente do grupo multinacional.

Essa agência foi um sonho. Ganhamos todos os prêmios do mercado. Jovens e ambiciosos que éramos, partimos para uma iniciativa que descapitalizou a agência. Em 1990, abrimos um bem montado escritório em São Paulo, centro da economia nacional. Gastamos tudo que tínhamos em um prédio incrível, afinal o mercado paulista não admite erros. Terminamos a empreitada descapitalizados.
No início dos anos 90, enfrentamos o Plano Collor. As dívidas que tínhamos ganharam juros estratosféricos. Administramos essa dívida galopante por quase uma década. Fazíamos um empréstimo para pagar o outro. Perdemos crédito, sem perder a confiança. Éramos uma marca forte no mercado publicitário, com quase 30 clientes e, sob minha direção, a criação brilhava. Já a conta bancária padecia.

Em setembro de 1994, meu sócio Maurício Moreira, responsável pelas áreas administrativa e financeira, apresentou-me um resumo dos resultados. Foi um susto. Ele me poupava no dia a dia do negócio, diante da situação de crescente endividamento. No mesmo mês, Maurício sofreu um acidente motociclístico e morreu tragicamente. A morte do sócio e amigo e a crise na agência me tomaram de assalto.
Nos últimos meses de vida, Maurício, tentando encontrar uma solução para o que vivíamos, conversava muito com um consultor financeiro, chamado Marcos Valério. Não sei como eles se conheceram. Mas a intenção era salvar o nosso negócio.

Algum tempo após a morte de Maurício, Valério procurou a mim e meu sócio, Ramon Hollerbach. O consultor se propôs a ajudar, buscando soluções financeiras para a crise. Já estávamos, Ramon e eu, há quase um ano sem fazer retiradas da empresa. Vendi o meu carro e o da minha esposa. Cheguei a vender tapetes e quadros da minha casa para me manter. Qualquer um que surgisse com alguma possibilidade de solução seria muito bem recebido."

Operação salvamento

"De fato, não acreditava que algum investidor entraria como sócio da agência. Mas Valério conseguiu o que seria quase impossível. O empresário Clésio Andrade aceitou a sociedade e salvou a SMP&B.
A estratégia foi a criação de uma segunda empresa, a SMP&B Comunicação. A empresa deficitária ficaria em hibernação e a nova pagaria as dívidas com os seus resultados. O fato é que Valério negociou com todos os fornecedores e os débitos foram rolados. Ele foi de uma habilidade incrível e conquistou nossa confiança.

Na nova empresa, Clésio tinha 40% da sociedade. Ramon e eu ficamos com 50%. Valério ganhou os 10% restantes, como uma demonstração de gratidão e uma forma de responsabilizá-lo pela negociação construída.

O drama vivido por nós não era nenhuma novidade no mercado. Outra agência mineira, nossa concorrente, a DNA, passava pelas mesmas dificuldades. Daniel Freitas, reconhecido publicitário, me procurou para saber como conseguimos sair daquele momento difícil. Daniel procurou Valério e a ele foi oferecida uma solução parecida.

Clésio Andrade comprou metade da DNA, mas não participava de nada em nenhuma das duas empresas. Era um sócio capitalista típico. Entrou com dinheiro e recebia os dividendos da operação. Valério ficou como diretor financeiro e administrativo e atuava nesta posição nas duas empresas.
Em 98, Clésio decidiu entrar na vida pública. Não poderia, de forma alguma, continuar como sócio de ambas as agências. Na sua saída da DNA, negociou suas ações com Marcos Valério que as transferiu para a Grafitti, da qual Marcos, Ramon e eu já éramos sócios. Tornamos então sócios indiretos de uma empresa na qual tanto eu quanto Ramon estávamos impedidos de atuar, inclusive por determinação do contrato social. Éramos considerados concorrentes da DNA.

O Brasil aprofundava sua democratização e as agências de publicidade tinham um olhar muito atento para a possibilidade de trabalhar em campanhas políticas. Em curtíssimo prazo, uma agência poderia se capitalizar, algo impossível na gestão de contas de publicidade com custos operacionais altos. Afinal, o que se vende em campanhas eleitorais são a capacidade criativa da agência e o talento de seus profissionais em um período curto e preestabelecido.

Eu já havia trabalhado, em 1984, na campanha vitoriosa de Sérgio Ferrara, para a Prefeitura de BH e tive a honra de convidar e receber na agência para gravar mensagens de apoio à candidatura, figuras políticas históricas como Ulisses Guimarães, Mário Covas e Franco Montoro e em 1986, atuamos na campanha para a candidatura de Itamar Franco ao Governo de Minas."

O começo das transações

"Quando o PT venceu as eleições em 2002, nenhum empresário em sã consciência se negaria a aproximar-se do partido. Seria uma porta certa para campanhas eleitorais do PT em todo o país.

Conheci Delúbio Soares, responsável pela administração financeira do partido, uma pessoa que me pareceu simples. Nós nos encontramos poucas vezes, sempre em conversas cordiais. Ele pedia opiniões sobre a linha de comunicação adotada pelo Governo, análises de pesquisas e coisas sobre as quais eu tinha opinião formada, como homem de comunicação que sou. Nunca discutimos sobre dinheiro, verbas ou qualquer assunto do gênero.

A única coisa que eu sabia, através de Marcos Valério, é que o partido precisava de dinheiro para pagar dívidas de campanha e modernizar sua sede em Brasília. Ainda, segundo Valério, estava em negociação a possibilidade de a SMP&B ser uma empresa intermediária para um empréstimo bancário com essa finalidade.

Ainda pagávamos dívidas da agência antiga e não tínhamos a menor condição econômica de contrair qualquer empréstimo. Aquilo não fazia sentido.
Foi quando então o principal executivo do Banco Rural, José Augusto Dumont - havia alguns anos um dos mais importantes clientes da SMP&B e um dos maiores e mais respeitados bancos do Estado de Minas Gerais nos convocou, a mim e ao Ramon, para explicar e pedir nosso endosso.

Disse que faria o empréstimo em nome da agência e que isso não representava nenhum risco para a empresa. Explicou que isso estava sendo feito desta forma porque o partido não preenchia as condições legais para contrair o empréstimo.

O Banco Rural confirmou que a operação era legal e estava dentro das normas do Banco Central. Estas eram as nossas garantias.

Tendo assegurado pelos advogados sobre a legalidade da operação, como dizer não a um partido que crescia e se despontava na política nacional?

Nossos recebíveis foram usados como garantia para a tomada de dinheiro. Vivíamos um momento de aquecimento nos negócios, sempre na vanguarda da publicidade mineira. Tínhamos uma carteira de clientes que nos dava base para a conquista de reconhecimento e para a evolução da agência no mercado.
O empréstimo foi contraído e essa operação foi o início do meu calvário.
Não tinha o menor envolvimento nas operações financeiras da agência. Não conhecia o assunto, não me interessava por ele e nem tinha competência para isso. Além do mais, confiava no sócio que tirou a minha empresa da insolvência.
O dinheiro entrou. Perto de R$ 30 milhões. Esperava que o fato seguinte fosse uma saída volumosa para o partido, com um contrato de mútuo que seria firmado entre o partido e a agência. Mas isso não aconteceu.
As saídas eram feitas em cheques que variavam de 15 a 70 mil, nominais à própria SMP&B, assinados e endossados sempre por Marcos Valério e um dos outros sócios ou alguém da área financeira. Na prática, eram cheques ao portador, que qualquer pessoa poderia descontar na boca do caixa bancário.Na folha de controle da empresa, apenas duas letras: PT.

Os cheques chegavam juntos a outros tantos, para pagamentos de despesas administrativas, fornecedores, veículos e impostos.

Nas reuniões administrativas da empresa não se discutia repasses ou saques em dinheiro para o PT. Os temas eram corriqueiros de uma empresa ou de uma agência de publicidade: mercado, contratações de equipe, custos e ajustes operacionais.

Mas essa situação começou a me tirar o sono. Certa vez, quando tive que assinar alguns cheques, chamei a diretora financeira, Simone Vasconcelos, e disse a ela que aqueles cheques não tinham clareza na informação de destino. Mais pareciam saques da própria agência. Ela me respondeu que a orientação era essa; o que não me tranquilizava.

Na DNA, as coisas aconteciam da mesma forma. Na ausência do representante da Graffiti, os cheques eram enviados para assinatura do Ramon ou minha. Em janeiro de 2004, recebi para assinar um cheque no valor de 326 mil reais da DNA, com o formulário "Pagamento a Fornecedor". Valério se recuperava de uma cirurgia e Ramon estava viajando. Assinei em conjunto com um dos sócios da DNA.

Para minha surpresa, sei agora pelo STF, que este cheque terminou, segundo as investigações, nas mãos de Henrique Pizzolato. Funcionário do Banco do Brasil, cliente da DNA. Pessoa que conheci mas nunca tive relacionamento.

Outros cheques chegaram poucos dias depois. Desta vez, de valores também altos, já com as assinaturas dos sócios da DNA. Quando fui chamado para assinar um cheque de R$ 500 mil, recusei-me. Deixei claro que não colocaria minha assinatura em mais nada em que eu não soubesse o destino.

No dia seguinte, Valério me procurou na presença de Simone e Rogério Tolentino, para saber se era uma decisão definitiva. Nesse momento, ele me disse que isso inviabilizaria minha permanência na sociedade da Graffiti, consequentemente, a minha saída da DNA. Concordei imediatamente e deixei estas empresas."

A ascensão de Valério

"Valério, a esta altura, ganhava notoriedade. Circulava entre políticos e empresários o tempo todo. Pouco permanecia na agência. E o resultado não era o que eu desejava para minha empresa. Esse excesso de exposição incomodava alguns clientes da SMP&B.

Nunca troquei uma palavra com José Dirceu ou qualquer integrante da cúpula do Governo Federal. Estive com o ministro apenas duas vezes, na última fila de cadeiras, em reuniões que tinham a presença de quinze a vinte pessoas, em seu gabinete. Tenho certeza de que José Dirceu não seria capaz de se lembrar do meu rosto. Não dirigiu a mim sequer um olhar.

A primeira reunião dizia respeito a um empreendimento de mineração de nióbio na Amazônia. Compareci a convite do Dr. Sabino, patriarca do Banco Rural, já falecido, que pediu a minha presença. Eu gostava dele e atendi o seu pedido.

Na segunda, seria feito um convite ao Chefe da Casa Civil para a inauguração de uma moderna indústria de enlatados em Luziânia, Goiás. Da minha parte, via ali a possibilidade de conquistar um novo cliente para minha agência: a maior indústria do segmento estava para começar sua operação e precisaria de uma agência de publicidade. O que fiz, qualquer publicitário faria: uma oportunidade de estar com os empresários e buscar a conta da Brasfrigo.

Mas na SMP&B a situação estava se tornando insustentável. As discussões eram ríspidas e decidi também me retirar da empresa e encerrar a sociedade na SMP&B. Confidenciei isso a apenas duas pessoas, além de meus sócios: à minha esposa e a Álvaro Teixeira da Costa. Minha esposa me apoiou e Álvaro, com quem trabalhei diretamente naquele período, atendendo e criando campanhas para os Diários Associados, me aconselhou a refletir melhor sobre a decisão, já que a SMP&B era a síntese da minha história profissional.

Em reunião com os sócios, decidimos que permaneceríamos juntos até o final do ano de 2005. Eu continuaria cuidando apenas do que era minha responsabilidade, a qualidade dos trabalhos da agência; Ramon se dedicaria à operação da agência e Marcos assumiu que os empréstimos seriam quitados até o final do ano. Não sei ainda se foi a decisão correta, mas mesmo que eu tivesse saído da SMP&B naquele maio de 2005, não estaria livre dos ônus que carrego."

Tarde demais

Achei que tinha resolvido a situação. Mas no dia 12 de junho de 2005, Roberto Jefferson, pessoa que nunca viu meu rosto, estava no Jornal Nacional dizendo que a minha empresa protagonizou um esquema criminoso, o chamado mensalão.

A minha fé e consciência me deram o equilíbrio que precisava para conduzir aquela situação junto a meus familiares, aos funcionários da empresa e aos clientes.

Vivi momentos difíceis. Num sábado, às 5 da madrugada, a cozinheira me acordou. Quando abri a porta, dez policiais encapuzados e armados de fuzis invadiram o quarto em que dormia com minha esposa, na casa da fazenda, próxima a Ouro Preto. Tiraram a mim e minha esposa da cama, acordaram meus filhos. Fomos todos reunidos na sala sob a mira de fuzis e vistoriaram a propriedade em busca de supostos documentos enterrados. Emissoras de TV acompanharam a operação com helicópteros.

Ao final de uma situação assustadora, os policiais e o próprio Promotor, com a ordem de apreensão em punho, ficaram constrangidos com o ocorrido. Saíram sob pedidos de desculpas.

Levado à CPMI, cheguei a admitir ter assinado 20 cheques de R$ 300 mil sob ataques verbais de parlamentares que me interrogavam com câmeras e luzes ligadas. Fui convencido de que os tais cheques passaram pelo meu crivo.
Mais tarde, quando as cópias chegaram às minhas mãos, ficou comprovado que nunca havia visto os cheques e que nenhum deles tinha a minha assinatura.

Com o final da CPMI, comecei a organizar a minha defesa. Contratei advogado, mas não consegui convencer a Justiça sobre a verdade do que aconteceu na minha vida.

No julgamento do mensalão, vejo condenações repetidas e o meu nome citado como um criminoso.

Dívidas e dificuldades

Para o brasileiro comum, deve restar a impressão de que desviei verbas e participei de negociatas no Planalto, tramando compra de votos e vantagens políticas.

Escrevo este depoimento não mais para me defender, porque já fiz tudo nesse sentido. Apenas para que fique claro, não para meus familiares, amigos ou ex-funcionários que me conhecem e sabem a verdade, mas para a opinião pública que, após essa história, só colecionei dívidas e dificuldades.

A agência que criei com muito trabalho e ajuda de muitos colaboradores se desmantelou do dia para noite. Depois disso, sobraram dívidas que se tornaram ainda maiores com o financiamento da minha própria defesa, na tentativa inglória de minimizar os danos de um esquema que passou longe, muito longe da minha influência.

Minha história profissional de 33 anos junto à Usiminas, criando campanhas para a empresa e trabalhando diretamente com seus presidentes, Dr. Amaro Lanari, Rondon Pacheco e Ademar de Carvalho, Paulino Cícero, Luiz André Ricco Vicente e Rinaldo Campos Soares, está agora sendo questionada e colocada em uma vala comum.

Convivi com cada um deles, conheci de perto todas as dificuldades e vitórias desta grande empresa. Relacionei-me com Rinaldo Campos Soares, homem íntegro e bom. Acompanhei sua trajetória de engenheiro e técnico em Ipatinga, passando a chefe da usina, até se tornar presidente. Rinaldo brifava diretamente comigo as campanhas da Usiminas. Por esse relacionamento construído ao longo de 16 anos, atendi a um pedido seu. Não fiz repasses ou corrompi um político ou partido. Pedi à área administrativa que fizesse a doação e cuidasse das providências necessárias. Nada mais.

Ao longo do julgamento, vejo a minha competência criativa e de todos os profissionais que trabalharam na agência ser desmerecida quando dizem que houve desvio de verba no contrato da Câmara dos Deputados. Criamos peças de comunicação para as diversas comissões; desenvolvemos estratégias e campanhas para momentos importantes no país: o Estatuto do Desarmamento, o Estatuto do Idoso e Igualdade Racial e a abertura da comunicação da Câmara junto ao público infantil.

O trabalho desenvolvido foi sério, compromissado e foi entregue. Não houve subcontratação; não houve desvio. Está tudo documentado, com seus originais e comprovantes, nos autos.

Não tive a chance de ser interrogado diretamente pelos meus julgadores. Para mim, teria sido importante responder diretamente aos que hoje me julgam, que eles pudessem me dar a oportunidade de olhar nos meus olhos e conhecer a verdade sobre a minha participação em tudo isso.

Me vejo na iminência da condenação em um julgamento em única instância e, só o que me resta é dizer o que houve, com o coração apertado. Confiei cegamente em profissionais que dominavam a complexidade das operações financeiras. Não sou quadrilheiro, nem tomei parte de nenhum grande esquema de poder no país. Sou um criador publicitário que não soube enxergar os riscos.

Se assim não o fosse, talvez como muitos, estaria na sala de casa, assistindo ao julgamento e, no escuro dos fatos reais, das verdades individuais, concordando com cada decisão. Mas hoje, acima de tudo, agradeço a Deus pela oportunidade desse pequeno testemunho da verdade que vivi.

A inveja londrina

O jornal Financial Times, em texto assinado por um dos editores do jornal especializado no setor bancário, Patrick Jenkins, cita a recente intervenção do Banco Central no banco BVA e diz que ela "aponta para um problema mais amplo - nos últimos meses, um punhado de outros bancos brasileiros vêm encontrando dificuldades na medida em que a economia do país patina".

Segundo o jornal, os bancos no Brasil, principalmente os pequenos, vêm sofrendo com uma redução nos lucros, por conta de uma demanda menor por empréstimos, e com o aumento da inadimplência. Além disso, observa o artigo, o governo vem pressionando os bancos a reduzir suas taxas de juros para empréstimos - para níveis mais compatíveis com o mercado internacional.

O interessante é que o jornal londrino não cita por que, por exemplo, o Banco Central  promoveu a intervenção no BVA um mês depois da liquidação dos bancos Cruzeiro do Sul e Prosper, em 14 de setembro, que estavam sob administração do BC desde junho.

Segundo a Agência  Reuters, o BC detectou que o BVA tinha provisões insuficientes para ativos com riscos elevados, resultando em informações contábeis não fidedignas e a instituição precisava de um aporte de 1 bilhão de reais para recompor o patrimônio, mas seus controladores não conseguiram a injeção de capital. O BVA e o BC também tentaram, sem sucesso, uma solução de mercado para o banco.

Já no Cruzeiro do Sul, o BC encontrou uma diferença de R$ 3,1 bilhões no balanço do banco. Descontando o patrimônio líquido do banco, de cerca de R$ 870 milhões, o "buraco" nas contas é de R$ 2,236 bilhões.

Também, estranhamente, o Financial Times não citou o Itaú. O Itaú Unibanco, maior banco privado do Brasil, anunciou nesta terça-feira um lucro líquido de R$ 3,4 bilhões no terceiro trimestre, batendo, no acumulado do ano, um valor recorde que corresponde ao segundo maior lucro da história para um banco brasileiro entre janeiro e setembro.

Também não comentou nada sobre o espanhol Santander, cujo lucro no 3° trimestre da filial brasileira representa mais de 25% do resultado mundial. (fonte http://www.feebpr.org.br/lucroban.htm )

Quer saber de uma coisa Financial Times? Vão à merda!

É isto aí!


Cinco perguntas e respostas sobre Enxaqueca

Este texto não é meu, tem dono e endereço:
Dr. Mario Peres
http://cefaleias.com.br/livro-dor-de-cabeca-o-que-ela-quer-com-voce


http://fineartamerica.com/featured/migraine-aura-pet-serrano.html
AS CINCO PERGUNTAS MAIS FREQUENTES DOS PACIENTES SOBRE REMÉDIOS PARA DOR DE CABEÇA E TRATAMENTO PREVENTIVO DE ENXAQUECA
ESCRITO POR MARIO PERES EM 17/05/2009. PUBLICADO EM CEFALEIAS, DORES DE CABEÇA, ENXAQUECA, MEDICAMENTOSOS, PERGUNTAS FREQUENTES, TRATAMENTOS

Muitas opções de tratamento para enxaqueca, cefaleias, dores de cabeça existem. Remédios para dor de cabeça podem ter dois focos principalmente: prevenção e tratamento da crise. O conceito mais importante do tratamento da enxaqueca é o preventivo, mas quem sofre de dor de cabeça acaba pensando mais nos analgésicos para diminuir ou cortar a dor na hora que ela aparece, e o tratamento muitas vezes não evolui por esta razão, porque a causa da dor de cabeça não foi atingida, e sim apenas a consequência do processo da enxaqueca. As dúvidas sobre os remédios para tratar a enxaqueca ocorrem tanto no tratamento preventivo como agudo.


Os medicamentos preventivos mais usados são da classe dos neuromoduladores (chamados anteriormente de anticonvulsivantes, topiramato e divalproato), antidepressivos (amitriptilina, nortriptilina, venlafaxina, inibidores de recaptação de serotonina), beta-bloqueadores (atenolol, propranolol, metoprolol, nadolol) ou bloqueadores do canal de calcio (flunarizina). Estas classes são as mais recomedadas nos consensos e guidelines de tratamento de sociedades de especialidade, mas outras classes podem ser usadas também como antihipertensivos (candesartan, lisinopril), vitaminas e minerais (melatonina, riboflavina, coenzima q10, magnésio), fitoterápicos (petasitis hibridus, tanacetum parthenium), toxina botulínica, neurolépticos (olanzapina, quetiapina, aripiprazol, clorpromazina)

Os analgésicos podem ser de diversos compostos, as classes de medicamentos para tratamento agudo são os analgésicos simples (paracetamol, dipirona), antiinflamatórios (naproxeno, diclofenaco, inibidores de cox-2, ketorolaco, ibuprofeno, tenoxicam), ergotaminas, triptanos (rizatriptano, sumatrpitano, zolmitrpitano, naratriptano). Com cautela e absoluto rigor de controle médico, a terapêutica com opióides pode ser uma alternativa a ser considerada.


Vejamos os questionamentos mais frequentes.


1. ESTE REMÉDIO ENGORDA?

A preocupação com o peso é uma verdadeira fobia na nossa sociedade, mais enfática na mulher, há uma verdadeira corrida à perda de peso, regimes, dietas se proliferam. Qualquer tratamento que seja iniciado para a prevenção da enxaqueca deve considerar-se a aderência do paciente. Se um medicamento tem um perfil de aumentar o peso, as chances de o tratamento ser descontinuado, do paciente parar o remédio é grande. O médico deve monitorar o peso do pacienteno tratamento, pesar na primeira consulta e nos retornos de reavaliação do quadro. Alguns remédios realmente apresentam um potencial para aumentar o peso do paciente, ou por aumentar a fome, ou por obstipação intestinal (intestino preso), e restrição de líquidos. Há medicamentos com mais potencial para aumento de peso, alguns remédios com menos chance, outros tratamentos neutros para mudança do peso, e ainda há a opção de um medicamento que possa diminuir o peso. A flunarizina é a que mais aumenta peso, seguida dos antidepressivos tricíclicos (amitriptilina), e do divalproato. O topiramato é um medicamento que pode diminuir o peso, pois controla a compulsão alimentar, o ataque voraz a alimentos, como doces, chocolate.

O paciente com enxaqueca deve ser orientado a fazer exercícios físicos que vão favorecer o controle da dor e também ajudar à perda de peso. Mesmo que a escolha do medicamento seja algum com potencial de aumento de peso, a pessoa deve se cuidar para não deixar o ingesta de calorias na dieta aumentar e também fazer exercícios físicos. Muito cuidado com os remédios para regime, pois muitos pioram a dor de cabeça, podem agravar a irritabilidade, ansiedade, gerar insônia, tremores. Sibutramina e anfetaminas não são recomendadas em pacientes com dor de cabeça recorrente, pois podem agravar muito a dor, crises de dor de cabeça podem aparecer mais fortes e mais frequentes.

2. VOU FICAR DEPENDENTE DO MEDICAMENTO? VOU TER QUE TOMAR ESTE REMÉDIO PARA O RESTO DA VIDA ?

Não, o uso de qualquer dos medicamentos preventivos para enxaqueca e outras dores de cabeça não causa dependência. O que ocorre é uma resposta boa, o remédio funciona e o paciente por conta própria decida parar o remédio precocemente, e aí a dor realmente volta, pois não foi feito adequadamente o tratamento. Isto não quer dizer dependência e sim eficácia do tratamento. Costumamos exemplificar tratamentos da enxaqueca com paralelos a outros tratamentos na medicina. Uma coisa que não ocorre na enxaqueca é o padrão de tratamento com antibióticos, toma-se um remédio por 2 semanas ea infecção está curada, com a enxaqueca isto simplesmente não funciona, os tratamentos devem ser mais prolongados. O padrão mais semelhante é o tratamento da hipertensão arterial, pressão alta, ou da depressão. O hipertenso ou diabético não é dependente do remédio, e sim faz um tratamento para controlar o seu problema de saúde,se ele não tomar o remédio pode mesmo agravar o seu problema, mas estenão é o conceito de dependência.

Os sofredores de enxaqueca sempre perguntam se o tratamento deverá ser realizado para o resto da vida, a resposta é não, mas não há um prazo limitante para parar o tratamento. De novo lembrando dos tratamentos de hipertensão, depressão ou diabetes, se a pessoa perder peso, ou fazer exercícios físicos, ou fazer psicoterapia, o remédio pode ser diminuído e eventualmente retirado, esta retirada deve ser julgada pelo médico pois é mais complexo retirar um remédio do que iniciá-lo. Portanto, é fundamental que o paciente com enxaqueca se envolvano tratamento e inicie alguma medida não medicamentosa como controle dos desencadeantes, sono regular, exercícios físicos, psicoterapias e outros.

3. VOU FICAR SEDADA(O) , SONOLENTA(O) COM ESTE REMÉDIO?

Alguns remédios para dor de cabeça, tanto preventivos quanto analgésicos para crisespode dar sono. O paciente deve ser alertado pois o início do tratamento pode necessitar de uma paciência para que ocorrauma adaptação. Antidepressivos tricíclicos como a amitriptilina, nortriptilina, e outros antidepressivos como a trazodona e mirtazapina podem dar sono. É frequente que com a enxaqueca ocorra uma dificuldade com o sono, ou uma demora para pegar no sono, ou manter o sono durante a noite, ou mesmo um sono não reparador, quando o paciente acorda cansado. Nestes casos a escolha de um tratamento preventivo que cause mais sono é adequada.

Há outros medicamentos na hora do dor que podem causar sono, como os compostos que contenham relaxantes musculares, muitos destes remédios contém também cafeína, o que pode reverter esta sonolência. A própria dor de cabeça faz com que a sonolência possa aparecer, independente do remédio.Triptanos (rizatriptano, sumatrpitano, zolmitrpitano, naratriptano) podem cusar raramente sono após sua ingesta mas está relacionada a melhora da dor, ou seja, há um relaxamento após a crise passar. Deve ser tomado um cuidado com os remédios que contenham cafeína ou outros estimulantes como o isometepteno (neosaldina), pois o paciente pode ter insônia, ou mais ansiedade com a ingesta excessiva do medicamento. Lembrar que o isometepteno é considerado doping esportivo pelo seu efeito estimulante.

4. POSSO BEBER ÁLCOOL COM ESTE MEDICAMENTO?

Bebida alcoólica pode por si só causar dor de cabeça, quando se receita um medicamento preventivo, deve se ter um cuidado especial com o efeito do alcool, se a cefaléia é desencadeada frequentemente após o uso de álcool este deve ser retirado, ou minimizado. Quanto às interações com medicamentos temos o efeito na mucosa do estômago quando associado ao uso de antiinflamatórios. A digestão de alimentos e metabolização de remédios compete com o álcool no fígado, então seu efeito é dose dependente, ou seja, quanto mais uso de álcool pior o efeito colateral. Pode ocorrer também mais tontura, enjôos, sonolência com o uso de álcool. Não vai explodir nada no organismo com o consumo de alguma bebida, uma dose de destilado, ou uma lata de cerveja, ou uma taça de vinho não é ameaçadora a vida da pessoa, mas o melhor é, sem dúvida, evitar.

5. SE TOMAR ANALGÉSICOS DEMAIS POSSO TER COMPLICAÇÕES? ESTE REMÉDIO ATACA O FÍGADO OU ESTOMAGO?

Uso excessivo de remédios analgésicos podem causar um série de complicações. Antiinflamatórios podem gerar gastrite, esofagite, e até sangramentos digestivos se usados abusadamente e sem recomendação e acompanhamento. O fígado pode ser sobrecarregado com muitos analgésicos, as pessoas podem questionar se o uso de remédio preventivo pode afetar o fígado, mas não se importa com a quantidade de analgésicos que toma. Os remédios preventivos não são lesivos ao fígado, o divalproato pode raramente afetar o fígado elevando as enzimas hepáticas, e eventualmente estas enzimas podem ser monitoradas periodicamente.

O uso abusivo de analgésicos causa cefaleia rebote, quer dizer que se a tomada de analgésicos for frequente, diária ou quase diária, a dor de cabeça pode aparecer por causa da tomada de analgésicos. Os analgésicos que contém cafeína podem gerar insônia, tremor, ansiedade e agravar também a dor de cabeça.

Pedofilia com Habeas Corpus




 Lei 8072 de 25 de Julho de 1990,

 Art. 1º São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou tentados: (Redação dada pela Lei nº 8.930, de 1994):
VI - estupro de vulnerável (art. 217-A, caput e §§ 1o, 2o, 3o e 4o); (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)

O  então vice-presidente diretor da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) A. D. V, 62 anos, foi preso na manhã da sexta-feira passada, pela Polícia Federal no Acre acusado de pedofilia. A prisão do pecuarista é decorrente da Operação Delivery, desencadeada em outubro pela Polícia Civil, que desarticulou uma quadrilha especializada na arregimentação de menores para exploração sexual.

A. D. V., 62 anos, seria um dos clientes de uma quadrilha que aliciava crianças e adolescentes para exploração sexual. As polícias Civil e Federal investigam se as seis pessoas presas na Operação Delivery, deflagrada em outubro deste ano, integravam uma rede internacional de tráfico de mulheres para países vizinhos. De acordo com a delegada Elenice Frez, a Bolívia é o principal destino das vítimas.

A. D. V. era até então braço direito da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que imediatamente o desligou da entidade. Em evento ocorrido no Acre, quando ainda estavam juntos, ela chegou a afirmar que A.D.V. é uma "referência extraordinária" em meio ambiente, tema que ela considera “importante e doloroso”.

-" Pode existir alguém no país que conheça de meio ambiente igual ao A.D.V.. Nunca ninguém mais do que ele. Há 13 anos este homem luta incansavelmente para ver a legislação ambiental modificada. Quero declarar ao Acre a gratidão de 5 milhões de produtores rurais a um acreano de coração, que é o A.D.V. "

Mas, porém todavia, um Desembargador, em decisão monocrática, MANDOU SOLTAR os pecuaristas, ontem, segunda-feira, que estavam PRESOS SOB ACUSAÇÃO DE ABUSO SEXUAL DE MENORES, sendo que na véspera a desembargadora Denise Bonfim já havia negado o provimento a liminar. Agora o  processo correrá em segredo de justiça.

Fonte G 1

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A Rosa de Damasco



Este blogueiro tem a convicção de que o provável e cada vez mais evidente corpo celeste que se aproxima da nossa residência galáctica, não será capaz de promover nenhum fim de mundo. Nem agora, nem daqui a 3.600 anos, quando retornará em seu ciclo de passeio espacial.

Mas hoje estava pensando em Maquiavel, analisando com meus reduzidos recursos de interpretação, a situação tensa que vai do Japão ao Mar Mediterrâneo.


Maquiavel, que sempre se deve ler quando se trata de ver o lado mais obscuro das coisas, disse que "Quem queira perscrutar o futuro deve consultar o passado; porque os eventos humanos assemelham-se sempre. Isso se deve a que eventos humanos são produzidos por seres humanos que sempre foram e sempre serão animados pelas mesmas paixões; por isso, necessariamente, sempre levam aos mesmos resultados." 

Como estamos acompanhando, a China e o Japão vivem o momento mais difícil de suas relações diplomáticas, desde que as mesmas foram reestabelecidas em 1972. A luta pelas Ilhas Diaoyu (Senkaku, em japonês) é atualmente um dos mais delicados conflitos da região da Ásia-Pacifico. A disputa envolve diretamente as três maiores economias do mundo - EUA, China, Japão – e ainda Taiwan.

Para complicar, as Forças Armadas do Japão e dos Estados Unidos começaram nesta segunda-feira (5) manobras militares marítimas nas ilhas de Okinawa, província japonesa que administra as ilhas Senkaku/Diaoyu, disputadas com a China.

Segundo o Japão, os exercícios fazem parte de atividades regulares com previsão de término até o dia 16 de novembro. Inicialmente, estava previsto que as tropas desembarcassem em uma das ilhas do arquipélago de Okinawa, mas ambos os exércitos decidiram cancelá-lo para não aumentar ainda mais a tensão com Pequim. - Gostei disto - "Ainda mais!"

Notícia sempre distorcida da realidade conta que pelo menos 4 mil pessoas morreram na Síria desde o início das revoltas populares contra o presidente Bashar al-Assad, que está no poder há 11 anos. Este é o número mais recente divulgado pelo escritório de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) com relação à repressão no país.

A Síria vinha batendo nas laterais para ver se alguém entrava para esquentar a briga., mas teve que sossegar o ímpeto, pois, por estas e outras, em recente denúncia na ONU, Bashar Jaafari embaixador sírio na Organização das Nações Unidas (ONU), acusou a Turquia de possuir armas nucleares e não respeitar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP). 

A preocupação do Governo é expressamente válida, pois Damasco sabe sobre a instalação de 70 bombas atômicas americanas, tipo B-61, na base militar de Incirlik, no sul da Turquia, colocadas agorinha, agorinha...

Segundo diplomatas americanos, a instalação de armas nucleares dos EUA  na Turquia tem lugar na linha de defesa, para atender interesses de Washington na região, uma vez que dá a militares dos EUA a oportunidade, no caso de um confronto perigoso na área, essas bombas se mudarem para um local apropriado. Você leu isto e entendeu?

Depois deste pequeno deslocamento de ogivas nucleares para a boca do conflito, o assinalado primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se declarou "pronto, se for necessário", para lançar um ataque contra instalações nucleares iranianas, durante entrevista na TV. - "Estamos prontos, se necessário, para apertar o botão' e iniciar um ataque contra instalações nucleares do Irã", disse Netanyahu ao Canal 2 da televisão israelense, referindo-se a uma ação "convencional" e não nuclear.

E para concluir, neste sábado passado as tropas russas realizaram exercícios chamados "tríade nuclear", sem precedente "na história recente da Rússia", comunicou o porta-voz do presidente Putin, Dmitry Peskov. Os exercícios foram encabeçados pelo comandante supremo das tropas do país e chefe de Estado, Vladimir Putin, destacou.

" A tríade nuclear" é composta por bombardeiros estratégicos e mísseis nucleares de longo alcance lançados por terra e mar. Fazem parte das Forças nucleares estratégicas russas.

É isto aí!



A Matrix está entre nós




Após ler o texto, assista ao vídeo, é 9 minutos apenas. A Rede nunca mais será a mesma para você!

Eli Pariser colocou o dedo na ferida. O vídeo dele no TED merece ser visto. O que ele está denunciando, ou inaugurando, é um novo debate político:

Precisamos abrir a discussão democrática dos algoritmos.

Palavras de Eli Pariser:

"Antes da internet, os jornais tinham um código de ética, ou tentavam ter. Filtravam humanamente o mundo para nós. Um editor decidia o que íamos ler, ver e ouvir no jornal, no rádio e na tevê. Vivíamos numa bolha da mídia de massa. E era ela que nos enredava de realidade. Agora, a internet veio com uma promessa muito badalada, mas impossível: sermos livres! 

Não vai haver essa liberdade ampla, geral e irrestrita, por um motivo simples: precisamos de filtros para nos orientar na vida, temos limitações enquanto espécie animal social. Nossa vida – cada vez mais corrida – precisa de alguém (seja gente ou seja máquina) que nos facilite a filtragem da informação. Ou seja, ser gente é ser filtrado. Ponto final! O que temos que discutir agora é como será feito isso. E qual é o grau de interferência que as pessoas terão para controlar esses filtros mecânicos, via algoritmo.

O Facebook, o Google, o Google+ - todos estão, de alguma forma, selecionando aquilo que devemos (ou podemos ver). Acredito que a Web 3.0 será a nossa capacidade de termos um assistente digital, que vai discutir conosco essa personalização, que é feita hoje em massa, dialogar com os algoritmos dos sites que acessamos e nos filtrar de forma mais interativa. Nós teremos mais opções de escolha. Vamos definir em que grau queremos mesmice e em que grau queremos novidades. A preocupação é válida e é em torno dos algoritmos que o debate político se dará no futuro, já que tudo – cada vez mais – será plataforma digital, que regularão nossas vidas."

Fonte Youtube:


"Smartphone é acordo com o diabo", diz super-hacker

 Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/tec/1095933-smartphone-e-acordo-com-o-diabo-diz-super-hacker.shtml

Ele foi chamado de "a peste que envergonha as empresas para que corrijam falhas de segurança", em perfil da revista "Wired", e foi listado como um dos "dez manipuladores da internet" pela "PC World", graças à influência de suas ações na rede. 


O americano Christopher Soghoian, 30, construiu essa reputação --e uma carreira-- denunciando brechas em sistemas de companhias, como Google, Facebook e AT&T, que levavam à exposição dos dados de seus usuários.

Ele virá pela primeira vez ao Brasil nesta semana para participar da conferência de direitos humanos e tecnologia RightsCon, que acontece nas próximas quinta e sexta, no Rio.

[Soghoian diz que a vigilância governamental ficou mais barata e eficiente com o avanço tecnológico e graças ao apoio das empresas privadas.

Até poucos anos atrás, ter um aparato de vigilância era complexo e caro, o que forçava o governo a limitar os alvos. Hoje, todo mundo pode ser alvo, porque é barato vigiar todos -afinal, boa parte de nós leva um "agente secreto" no próprio bolso: o smartphone.

"Eles são um acordo com o diabo. Ganhamos esses aparelhos extremamente convenientes, mas eles não trabalham em nosso benefício. Aplicativos podem vasculhar dados e enviá-los sem nos consultar. As empresas podem pedir para nossos telefones indicarem onde estamos. O smartphone é como um agente secreto do governo, pelo qual pagamos."]

"MODELO TÓXICO"

Ele participará do painel "O Futuro do Modelo de Negócios On-line", na sexta, às 11h45. Sua visão sobre o tema: o atual modelo de negócios na rede não combina com privacidade e, portanto, não deveria ter futuro.

"Esse modelo apoiado em publicidade, no qual recebemos serviços de graça em troca de nossos dados, é tóxico e fundamentalmente incompatível com a proteção da nossa privacidade", diz Soghoian à Folha por telefone, de Washington, onde mora.

"Apesar de estarmos todos usando serviços gratuitos, é um mau negócio, e deveríamos considerar pagar por e-mails da mesma forma que pagamos por ligações."

Com os usuários pagando, crê o americano, as empresas poderiam (se quisessem) deixar de armazenar dados privados, pois não precisariam mais deles para lucrar.

Com isso, deixariam de ser as fontes às quais os governos recorrem regularmente para vigiar seus cidadãos.

"Nossos dados pessoais estão cada vez mais nas mãos de empresas, e elas ajudam governos na vigilância. Seus papéis como facilitadoras não são bem conhecidos. Meu foco tem sido explorar e expor esse relacionamento."

LEVE PARANOIA

Autor do blog Slight Paranoia ("leve paranoia", em inglês; paranoia.dubfire.net), Soghoian se descreve como "basicamente um hippie".

"É o que a maioria das pessoas pensa quando me vê. Sou vegetariano, tenho cabelo comprido, barba, me desloco de bicicleta e sou o único de camiseta e bermuda em todas as minhas reuniões."

O interesse por aspectos legais da privacidade on-line emergiu em 2006, após ter a casa invadida pelo FBI -ele ensinara, num site, a driblar o controle de segurança nos aeroportos, com cartões de embarque falsos; queria expor a fragilidade do sistema. "Sempre tive problemas com autoridades. Não gosto que me digam o que fazer."


ESPIONAR É BARATO

Soghoian diz que a vigilância governamental ficou mais barata e eficiente com o avanço tecnológico e graças ao apoio das empresas privadas.

Até poucos anos atrás, ter um aparato de vigilância era complexo e caro, o que forçava o governo a limitar os alvos. Hoje, todo mundo pode ser alvo, porque é barato vigiar todos -afinal, boa parte de nós leva um "agente secreto" no próprio bolso: o smartphone.

"Eles são um acordo com o diabo. Ganhamos esses aparelhos extremamente convenientes, mas eles não trabalham em nosso benefício. Aplicativos podem vasculhar dados e enviá-los sem nos consultar. As empresas podem pedir para nossos telefones indicarem onde estamos. O smartphone é como um agente secreto do governo, pelo qual pagamos."






domingo, 4 de novembro de 2012

BBC aponta 10 ‘práticas de corrupção’ comuns no dia a dia do brasileiro





Este texto não é meu. Está postado para sua reflexão. Minha opinião será postada depois.


Quase um em cada quatro brasileiros (23%) afirma que dar dinheiro a um guarda para evitar uma multa não chega a ser um ato corrupto, de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais e o Instituto Vox Populi.

Os números refletem o quanto atitudes ilícitas, como essa, de tão enraizados em parte da sociedade brasileira, acabam sendo encarados como parte do cotidiano.

"Muitas pessoas não enxergam o desvio privado como corrupção, só levam em conta a corrupção no ambiente público", diz o promotor de Justiça Jairo Cruz Moreira.

Ele é coordenador nacional da campanha do Ministério Público "O que você tem a ver com a corrupção", que pretende mostrar como atitudes que muitos consideram normal são, na verdade, um desvirtuamento ético.

Como lida diariamente com o assunto, Moreira ajudou a BBC Brasil a elaborar uma lista de dez atitudes que os brasileiros costumam tomar e que, por vezes, nem percebem que se trata de corrupção.
·         Não dar nota fiscal
·         Não declarar Imposto de Renda
·         Tentar subornar o guarda para evitar multas
·         Falsificar carteirinha de estudante
·         Dar/aceitar troco errado
·         Roubar TV a cabo
·         Furar fila
·         Comprar produtos falsificados
·         No trabalho, bater ponto pelo colega
·         Falsificar assinaturas
"Aceitar essas pequenas corrupções legitima aceitar grandes corrupções", afirma o promotor. "Seguindo esse raciocínio, seria algo como um menino que hoje não vê problema em colar na prova ser mais propenso a, mais pra frente, subornar um guarda sem achar que isso é corrupção."
Segundo a pesquisa da UFMG, 35% dos entrevistados dizem que algumas coisas podem ser um pouco erradas, mas não corruptas, como sonegar impostos quando a taxa é cara demais.

Otimismo
Mas a sondagem também mostra dados positivos, como o fato de 84% dos ouvidos afirmar que, em qualquer situação, existe sempre a chance de a pessoa ser honesta.
A psicóloga Lizete Verillo, diretora da ONG Amarribo (representante no Brasil da Transparência Internacional), afirma que em 12 anos trabalhando com ações anti-corrupção ela nunca esteve tão otimista - e justamente por causa dos jovens.
"Quando começamos, havia um distanciamento do jovem em relação à política", diz Lizete. "Aliás, havia pouco engajamento em relação a tudo, queriam saber mais é de festas. A corrupção não dizia respeito a eles."

"Há dois anos, venho percebendo uma grande mudança entre os jovens. Estão mais envolvidos, cobrando mais, em diversas áreas, não só da política."
Para Lizete, esse cenário animador foi criado por diversos fatores, especialmente pela explosão das redes sociais, que são extremamente populares entre os jovens e uma ótima maneira de promover a fiscalização e a mobilização.

Mas se a internet está ajudando os jovens, na opinião da psicóloga, as escolas estão deixando a desejar na hora de incentivar o engajamento e conscientizá-los sobre a corrupção
"Em geral, a escola é muito omissa. Estão apenas começando nesse assunto, com iniciativas isoladas. O que é uma pena, porque agora, com o mensalão, temos um enorme passo para a conscientização, mas que pouco avança se a educação não seguir junto", diz a diretora. "É preciso ensinar esses jovens a ter ética, transparência e também a exercer cidadania."

Políticos x cidadão comum
Os especialistas concordam que a corrupção do cotidiano acaba sendo alimentada pela corrupção política.
Se há impunidade no alto escalão, cria-se, segundo Lizete, um clima para que isso se replique no cotidiano do cidadão comum, com consequências graves. Isso porque a corrupção prejudica vários níveis da sociedade e cria um ciclo vicioso, caso de uma empresa que não consegue nota fiscal e, assim, não presta contas honestamente.

De acordo com o Ministério Público, a corrupção corrói vários níveis da sociedade, da prestação dos serviços públicos ao desenvolvimento social e econômico do país, e compromete a vida das gerações atuais e futuras.

Revista Veja estimula publicação de fotos do Enem




Atenção - Este texto não é meu.
Foi copiado e colado de: 
http://www.aldeiagaulesa.net/2012/11/revista-veja-estimula-publicacao-de.html


Revista Veja estimula publicação de fotos do Enem

Durante a realização do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), todos os inscritos são comunicados que é expressamente proibido ingressar com celulares ligados e tirar fotos das provas.

No entanto, a revista Veja, em seu perfil no twitter (foto acima) estimulou que os inscritos postassem e compartilhassem fotos do Enem na rede. Alguns incautos seguiram a "dica" da Veja e o resultado não poderia ter sido pior.

O MEC (Ministério da Educação) informou que já são 37 candidatos desclassificados do Enem após terem sido flagrados postando fotos da prova nas redes sociais. Os casos aconteceram em diversos Estados.
No ano passado, ao menos oito jovens foram desclassificados por tuitarem dentro das salas no primeiro dia de provas.

A revista Veja, mais uma vez, mostra o quanto "apoia" a realização do Enem e tentou, mais uma vez, colaborar para criar a falsa noção de que a prova apresenta problemas, em mais uma tentativa de atacar o governo federal.

O ENEM, o MEC-USAID e os Idiotas de Sempre!





E lá se foi o ENEM, o mais democrático método de ingresso nas universidades públicas, nos últimos 50 anos, desde o falido e tendencioso acordo MEC-USAID na época da ditadura. Os acordos MEC-USAID, estabelecidos entre o Ministério da Educação (MEC) e United States Agency for International Development (USAID) tinham como objetivo promover a reforma do ensino brasileiro, para fortalecer a ditadura e estreitar os interesses americanos.

Por isto é que os sequelados da ditadura esperneiam tanto!!!!

Para enriquecer sua informação, e verificar que não desistem nunca, há apenas poucos anos atrás, em 22 de julho de 2005, o Jornal Folha de São Paulo revelou que a mesma USAID, promoveu no Congresso brasileiro um seminário sobre a reforma política brasileira, com a presença de palestrantes estrangeiros. O objetivo, segundo documentos passados à Folha era fazer o seminário coincidir com a véspera da discussão do tema no Legislativo brasileiro e um ano antes da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O evento foi realizado graças a uma parceria com uma conhecida universidade particular do Rio de Janeiro.

Voltando aos anos de chumbo, o tendencioso acordo fez com que os cursos primário (5 anos) e ginasial (4 anos) fossem fundidos, se chamando de primeiro grau, com 8 anos de duração e o curso científico fundido com o clássico passou a ser denominado segundo grau, com 3 anos de duração, e o curso universitário passou a ser denominado terceiro grau. Com essa reforma, se eliminou um ano de estudos fazendo com que o Brasil tivesse somente 11 níveis até chegar ao fim do segundo grau enquanto os Estados Unidos, Canadá e outros países europeus já possuíam no mínimo 12 níveis.

Para a implantação do programa, o acordo impunha ao Brasil a contratação de assessoramento Norte-americano e a obrigatoriedade do ensino da Língua Inglesa desde a primeira série do primeiro grau. Os técnicos oriundos dos Estados Unidos, que desceram por aqui aos borbotões e a peso de ouro para a União, criaram a reforma da educação pública que atingiu todos os níveis de ensino, sem nenhuma discussão, sem nenhum critério e sem querer saber se queríamos aquilo.

Naquela época era comum  que pensadores do mecanismo proposto, como Arnold Toynbee, Gunnar Myrdal, o juiz Douglas, da Corte Suprema americana, Edgar Morin, Bob Kennedy, Paul Rosenstein-Rodan, Georges Lavau, Everett Hagen, Samuel Huntington, Alex Inkeles, Talcott Parsons, transitassem com certa desenvoltura nas universidades públicas e privadas do país, fazendo apologia ao acordo.

Arautos da moderninha falácia saudosista deste período falam que nossa educação é medíocre, mas os esquecidinhos escondem que eles mesmos criaram este monstro emperrado e que não se muda um processo destes em 8 ou 10 anos.

Segundo Márcio Moreira Alves (http://www.marciomoreiraalves.com/downloads/beaba-dos-mec-usaid.pdf), crítico do acordo, O MEC-USAID, na verdade tinha como proposta inicial privatizar as escolas públicas. Matérias como História tiverem sua carga horária reduzida para que estudantes da época não tivessem seus olhos abertos em relação à ditadura.

Ainda segundo Márcio Moreira Alves, os defensores dos Acordos MEC-USAID costumam, com incrível cinismo, considerar que todos os  brasileiros são idiotas.
 
A implantação deste regime de ensino também retirou matérias consideradas "perigosas" ao currículo, tais como: Filosofia, Latim, Educação Política, Francês, entre outras.

É isto aí!


O fim do Blog do Pannunzio

Este texto tem dono: Fábio Pannunzio
Este texto tem fonte: http://www.pannunzio.com.br/


O fim do Blog do Pannunzio

Este é o último post do Blog do Pannunzio. Escrevo depois de semanas de reflexão e com a alma arrasada — especialmente porque ele representa um vitória dos que se insurgem contra a liberdade de opinião e informação.

O Blog nasceu em 2009. Veiculou quase oito mil textos. Meu objetivo era compor um espaço de manifestação pessoal e de reflexão política. Jamais aceitei oferta de patrocínio e o mantive exclusivamente às expensas do meu salário de repórter por achar que compromissos comerciais poderiam conspurcar sua essência.

Ocorre que, em um País que ainda não se habituou à crítica e está eivado de ranços antidemocráticos, manter uma página eletrônica independente significa enfrentar dificuldades que vão muito além da possibilidade individual de superá-las.

Refiro-me às empreitadas judiciais que têm como objetivo calar jornalistas que não se submetem a grupos politicos, ou a grupos dei interesse que terminaram por transformar a blogosfera numa cruzada de mercenários virtuais.

Até o nascimento do Blog, enfrentei um único processo judicial decorrente das milhares de reportagens que produzi para a televisão e o rádio ao longo de mais de três décadas. E ganhei.

Do nascimento do blog para cá, passei a responder a uma enxurrada de processos movidos por pessoas que se sentiram atingidas pelas críticas aqui veiculadas. Alinho entre os algozes o deputado estadual matogrossense José Geraldo Riva, o maior ficha-suja do País; uma quadrilha paranaense de traficantes de trabalhadores que censurou o blog no fim de 2009; e o secretário de segurança de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, cuja orientação equivocada acabou por transformar a ROTA naquilo que ela era nos tempos bicudos de Paulo Maluf.

A gota d`água foi uma carta que recebi do escritório de advocacia que representa Ferreira Pinto num processo civil, que ainda não conheço, comunicando decisão liminar de uma juíza de primeiro grau que determinou a retirada do ar de um post cujo título é “A indolência de Alckmin e o caos na segurança pública”. O texto contém uma crítica dura e assertiva sobre os desvios da política adotada pelo atual secretário e pelo governador, mas de maneira alguma contém afirmações caluniosas, injuriosas ou difamatórias.

A despeito dessa convicção, o post já foi retirado do ar. Determinação judicial, no entendimento deste blogueiro, á para ser cumprida. Vou discuti-la em juízo assim que apresentar minha defesa e tenho a convicção de que as pretensões punitivas de Antônio Ferreira Pinto não vão prosperar.

Ocorre que o simples fato de ter que constituir um advogado e arcar com o ônus financeiro da defesa já representa um castigo severo para quem vive exclusivamente de fontes lícitas de financiamento, como é o meu caso. E é isso o que me leva à decisão de paralisar o Blog. A cada processo, somente para enfrentar a fase inicial, há custos que invariavelmente ultrapassam cinco ou dez mil reais com a contratação de advogados — e ainda assim quando os honorários são camaradas.

É por estas razões que esta página eletrônica vai entrar em letargia a partir de agora. O espaço vai continuar aqui, neste endereço eletrônico. O acervo produzido ao longo dos últimos quatro anos continuará à disposição dos internautas para consulta. E eventualmente, voltarei a dar meus pitacos quando entender que isso é necessário. Mas a produção sistemática de textos está encerrada.

Espero voltar a esta atividade quando perceber que o País está maduro a ponto de não confundir críticas políticas com delitos de opinião. Quando a manifestação do pensamento e a publicação de fatos não enseje entre os inimigos da liberdade de imprensa campanhas monstruosas como esta que pretende  ’kirsnhnerizar’ o Brasil,  trazendo de volta o obscurantismo da censura prévia.

Por fim, digo apenas que essa pressão judicial calou o blog, mas não conseguiu dobrar a opinião do blogueiro. E que me sinto orgulhoso por ter conseguido cumprir o compromisso que me impus de respeitar a opinião alheia mesmo quando ela afronta a do editor. Aqui, nunca houve censura a comentários dos leitores que discordavam da minha maneira de ver o mundo. E esta é minha prova de apreço pela liberdade de expressão — inclusive quando ela me desfavorece.

A vocês que me acompanharam deixo meu muito obrigado. A gente vai continuar se encontrando em outra seara, a da televisão.

Muito obrigado. E até breve

sábado, 3 de novembro de 2012

Terceirização sucateia a saúde pública





Este texto tem dono: P. CID CARVALHAES, 66, neurocirurgião e advogado, é presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp). Foi presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia

Este texto tem fonte:

O gerenciamento de unidades de saúde por Organizações Sociais (OSs) é desastroso, antidemocrático e antissocial. A terceirização da saúde pública cria diversos problemas, pois gera a mercantilização de um sistema que por dever é de responsabilidade do poder público e por direito, da população, que deve ter acesso a uma saúde de qualidade, ágil e resolutiva.

Desde que foram implantadas no Estado, em 1998, as OSs tem apresentado fragilidades. Com a privatização dos serviços públicos, os médicos, os profissionais da saúde e os usuários assistiram a um processo acelerado de sucateamento da saúde, artifício utilizado pelo gestor público para justificar a manutenção do serviço de privatização.

A discrepância pode ser vista em números. De acordo com o Tribunal de Contas do Município de São Paulo, somente na capital, em 2011, o governo repassou quase 40% de seu orçamento de mais de R$ 5 bilhões destinados à saúde para as OSs. No Estado de São Paulo, a situação não é diferente: estão sobre gerenciamento de OSs quase 40 hospitais, 44 unidades de saúde.

Temos consciência de que as organizações sociais aprofundaram os problemas da saúde pública do país e de São Paulo. As empresas maquiaram vários pontos de atendimento com pintura de paredes e modificação de pisos, mas o atendimento continua defasado, ineficiente e deficitário. No aspecto da prestação de contas, as OSs têm demonstrado dificuldades em apresentar eficiente controle do destino do dinheiro público para o privado.

Além disso, a terceirização gera uma rotatividade desastrosa nas contratações. Profissionais são contratados sem concurso público, sendo muitos deles sem qualificação adequada, o que gera grande desassistência aos usuários do sistema.

A lei das OSs se assemelha a outra experiência já rechaçada pela população de São Paulo anos atrás: o PAS (Plano de Atendimento à Saúde), do ex-prefeito Paulo Maluf. A alegação de que as empresas não têm fins lucrativos é desculpa para pagar polpudos salários a diretores e criar cargos em comissão por interesses administrativos, levantando a hipótese de benefícios eleiçoeiros e outros não declarados.

Após muitas lutas, em maio deste ano conseguimos sensibilizar a Justiça do Trabalho, que proibiu todas as contratações de funcionários nas parcerias entre a Secretaria de Saúde e as OSs por suposta terceirização irregular de mão de obra, mas a Procuradoria do Estado de São Paulo tenta desde o início de outubro reverter essa decisão.

Desde 1998, tramita uma ação direta de inconstitucionalidade para julgar a validade desses convênios. Nos últimos anos, houve também outras tentativas de impedir judicialmente os contratos com as OSs, mas uma definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF) é aguardada.

O Brasil precisa ter um orçamento realista para a saúde e uma gestão eficiente, focada na melhoria da qualidade dos serviços prestados para todos os brasileiros, sem distinção. Para tanto, é necessário auscultar todos os representantes envolvidos com a saúde e direcionar soluções concretas, eficientes e definitivas de sorte a garantir à população brasileira uma saúde mais sadia.

Há que se fazer valer o direito de todo cidadão a um sistema de saúde de qualidade. Garantir a todos um ambiente de trabalho seguro e consistente. A verdadeira justiça só se faz pela equidade! Afinal de contas, a saúde é um bem público e não deve ter intermediários.


Sacco, Vanzetti e a Súmula Vinculante



Conversas de esquina:

Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti eram dois anarquistas italianos que foram presos, processados, julgados e condenados nos Estados Unidos na década de 1920, sob a acusação de homicídio de um contador e de um guarda de uma fábrica de sapatos. Sobre sua culpa houve muitas dúvidas já à época dos acontecimentos.

Não conseguiram a absolvição nem mesmo depois que um outro homem admitiu em 1925 a autoria dos crimes. Foram condenados à pena de morte e executados por eletrocutação em 23 de agosto de 1927. Lembrei dos dois hoje, aliás, tenho pensado sobre isto a muito tempo. Como sou apenas um rábula, acho que esta tal de Súmula Vinculante veio daí.

Como sabemos, em um reino muito muito distante daqui, em uma ilha acústica, destas onde o som externo não consegue fazer chegar as palavras ao seu minúsculo habitat, a Súmula Vinculante é o mecanismo que impede juízes de instâncias inferiores de decidir de maneira diferente do Supremo Magistrado, nas questões nas quais este já tenha firmado entendimento definitivo. 

Pois bem. Vamos analisar um caso ocorrido neste reino muito muito distante, destes que você nunca imaginou que ocorreria em terras tupynambás:

João era casado com Maria, pai de três filhas, Liberdade, Fraternidade e Igualdade. Era um servidor público muito respeitado em toda a cidade. Maria era muito bonita, educada e elegante. Fiel e parceira de João para tudo. Além disto era uma excelente mãe, e prestava serviços comunitários no bairro.

Um dia, e este dia sempre chega, muda-se para a casa ao lado o José, também casado, sem filhos, e trabalhava com sua esposa em uma empresa destas que emprestam dinheiro para todo mundo. José não era de conversas e nem dava moral para que a vizinhança se aproximasse.

José comprou um carro novo, muito bonito, com toda a tecnologia disponível, e passou a deixar o carro na porta da casa do João. Este, obrigatoriamente tinha que passar pelo carro sempre que saia de casa. João reclamava isto com os amigos

Um dia o carro sumiu de lá. João comentou com amigos que suas preces foram atendidas. Parece finalmente que José tinha arrumado um local para guardar seu carro.

Passado mais uns dias a polícia vai na casa do João, o prende, é julgado e condenado por ter roubado o carro de José. João se desespera, a família se desespera, mas era a lei. Testemunhas afirmaram que João não gostava do carro na sua porta e que falou das preces.

Com a Súmula Vinculante nas mãos, não precisavam de provas, bastavam as suposições e aparentes evidências. João foi preso e José começou desde então a bolinar Maria, que era seu objeto de desejo desde que a viu naquela casa. Liberdade foi banida, Fraternidade se perdeu e Igualdade morreu de desgosto.

É isto aí!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

E se fosse com o Lula?




E se fosse com o Lula? Com certeza os senhores do apocalipse golpista já estariam jogando gasolina no fogo de sua ira.

Cena 1 :

A Promotoria de Justiça da Saúde entrou com uma ação civil pública por ato de improbidade administrativa contra o ex-governador de Minas Gerais e senador eleito Aécio Neves e a ex-contadora geral do estado, Maria da Conceição Barros. Na ação é questionado o destino de R$ 3,5 bilhões que teriam sido declarados na lei orçamentária como dinheiro repassado à Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) para investimentos em obras de saneamento básico.


Cena 2 :

Em três dos mais desenvolvidos e ricos estados do País, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, todos governados pelo PSDB, e no Distrito Federal, durante a gestão do DEM, os recursos do SUS têm sido aplicados, ao longo dos últimos quatro anos, no mercado financeiro.


Cena 3 :

Apenas em Minas Gerais, entre 2003 e 2011, a Fundação Renato Azeredo faturou 212,1 milhões de reais de verbas repassadas diretamente do governo de Minas, graças a contratos firmados em gestões tucanas, duas de Aécio Neves e, desde o ano passado, a de Antonio Anastasia.


Cena 4 :


O Ministério Público de Minas Gerais abriu inquérito civil para investigar repasses feitos pelo governo mineiro entre 2003 e 2010 à rádio Arco-Íris, que pertence à família do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

No período dos repasses, Aécio era governador do Estado e sua irmã, Andréa Neves, também sócia na rádio, comandava o chamado Grupo Técnico de Comunicação, que apontava as diretrizes e planos de comunicação do governo mineiro.


Cena 5 :

O amigão do senador Aécio Neves (PSDB-MG), Dimas Toledo, foi denunciado pela procuradora da República no Rio, Andrea Bayão Ferreira, junto com empresários e políticos, pelo esquema de corrupção chamado Lista de Furnas.


Cena 6 :

No anuário 2011/2012, a Agência BRASIL SUSTENTÁVEL (rede de jornalistas que atuam em mais de 30 países, com sede em Curitiba-PR) publicou denúncia da suspeita de envolvimento da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, desde o Governo Aécio Neves com o ex-ministro José Carlos Carvalho à frente, até seu atual titular, que seria o elo entre indústrias financiadoras de campanha e candidatos do governo, por conta da “omissão” da fiscalização.


Cena 7 :

Assessores do gabinete do senador Aécio Neves (PSDB-MG) estão engordando seus contracheques graças a cargos em estatais mineiras. Três servidores comissionados recebem, além do salário do Senado, remunerações por integrar conselhos de empresas do Estado, governado pelo tucano de 2003 a 2010 e agora sob o comando do aliado Antônio Anastasia (PSDB). Assim, turbinam os rendimentos em até 46%. Ninguém é obrigado a bater ponto no Senado e, nas estatais, são exigidos a ir a no máximo uma reunião por mês.

O alvo agora é Lula na guerra sem fim





Fonte: blog Balaio do Kotscho
Endereço da Fonte: http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2012/11/02/o-alvo-agora-e-lula-na-guerra-sem-fim/


Pouco antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2006, o sujeito viu a manchete do jornal na banca e não se conformou.

"Esse aí, só matando!", disse ao dono da banca, apontando o resultado da última pesquisa Datafolha que apontava a reeleição de Lula.

Passados seis anos desta cena nos Jardins, tradicional reduto tucano na capital paulista, o ódio de uma parcela da sociedade _ cada vez menor, é verdade _ contra Lula e tudo o que ele representa só fez aumentar.

Nem se trata mais de questão ideológica ou de simples preconceito de classe. Ao perder o poder em 2002, e não conseguir mais resgatá-lo nas sucessivas eleições seguintes, os antigos donos da opinião pública e dos destinos do país parecem já não acreditar mais na redenção pelas urnas.

Montados nos canhões do Instituto Millenium, os artilheiros do esquadrão Globo-Veja-Estadão miraram no julgamento do chamado mensalão, na esperança de "acabar com esta raça", como queria, já em 2005, o grande estadista nativo Jorge Bornhausen, que sumiu de cena, mas deixou alguns seguidores fanáticos para consumar a vingança.

A batalha final se daria no domingo passado, como consequência da "blitzkrieg" desfechada nos últimos três meses, que levou à condenação pelo STF de José Dirceu e José Genóino, duas lideranças históricas do PT.

Faltou combinar com os eleitores e o resultado acabou sendo o oposto do planejado: o PT de Lula e seus aliados saíram das urnas como os grandes vencedores em mais de 80% dos municípios brasileiros. E as oposições continuaram definhando.

Ato contínuo, os derrotados de domingo passado esqueceram-se de Dirceu e Genoíno, e mudaram o alvo diretamente para Lula, o inimigo principal a ser abatido, como queriam aquele personagem da banca de jornal e o antigo líder dos demo-tucanos.

Não passa um dia sem que qualquer declaração de qualquer cidadão contra Lula vá para a capa de jornal ou de revista, na tentativa de desconstruir o legado deixado por seu governo, ao final aprovado por mais de 80% da população _ o mesmo contingente de eleitores que votou agora nos candidatos dos partidos por ele apoiados.

Enganei-me ao prever que teríamos alguns dias de trégua neste feriadão. Esta é uma guerra sem fim. Quanto mais perdem, mais furiosos ficam, inconformados com a realidade que não se dobra mais aos seus canhões midiáticos movidos a intolerância e manipulação dos fatos.

O país em que eles mandavam não existe mais.