terça-feira, 11 de julho de 2017

Orgulho danado destas senadoras!


O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB), suspendeu a sessão aberta para discutir a reforma trabalhista após senadoras da oposição ocuparem a mesa do plenário, onde fica a cadeira do senador, e se recusarem a deixar o local; as senadoras oposicionistas que ocuparam os lugares na mesa são: Gleisi Hoffmann (PT-PR), Lídice da Mata (PSB-BA), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Fátima Bezerra (PT-RN) e Regina Sousa (PT-PI); as luzes da Casa foram desligadas e a transmissão também foi suspensa; oposição acusa Eunício de impedir o debate




Smile (a cappella)


Smile is one of my favorite songs of all time, and I’ve always wanted to arrange it. Today seemed like a particularly apt day to bring a little sunshine to everyone, so at the last minute I decided to get a little crew together to make it happen. 

Please enjoy our video, you can download the track and sheet music for free here: https://app.box.com/s/97tirdfji9bucmt...

I’ll be donating to Planned Parenthood, ACLU, and Everytown for Gun Safety in honor of this song and I hope you'll join me by donating to an organization of your choice. Here are some ideas: http://www.papermag.com/progressive-c...
Much love to everyone!

Soprano: Erin Bentlage
Alto: India Carney
Tenor: Kenton Chen
Bass and arrangement: Ben Bram

Filmed by Ryan Parma
Mixed by Ed Boyer
Edited by Alex Green

segunda-feira, 10 de julho de 2017

O mel, o céu e o lagar

Eles só dormem agarrados
num quarto e sala conjugado
de um conjunto popular

Ele de bermuda rasgada
ela de cabelo escovado
e camisola noir

Ele tem sono pesado
Ela sonha acordada
e gosta de namorar

Ele tem ideias fixas
ela sonha ser bailarina
e viver livre a bailar

Ele gasta tudo em cerveja
Ela dá um pouco na igreja
ajoelha e põe-se a rezar

Ele saiu mudo da casa
Ela ficou calada na muda
Resolveram conversar

Ele descobriu que a ama
Ela desconfiou da fama
Mas se espremeram no lagar

Ele jurou pelo céu
Ela deliciou-se do mel
E deram-se a lambuzar

É isto aí!

domingo, 9 de julho de 2017

Jesus te salvou do que, afinal?

Alto lá
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
Autor: Padre Beto*
Fonte: Caros Amigos

Quem já não ouviu de um fanático religioso a frase coercitiva "Jesus morreu pelos seus pecados!”, uma frase que parece nos colocar em dívida com Deus. A frase parece ter a intenção de nos fazer sentir em falta com o “Criador” se não frequentamos uma determinada religião. De fato, no início da vida de Jesus (Mt 1, 18-24), o evangelista deixa claro que quem irá nascer será aquele “que vai salvar seu povo de seus pecados”. Mas sejamos sinceros: Jesus nos salvou do que?

Se analisarmos o desenvolvimento da humanidade depois de Jesus Cristo encontraremos uma história de derramamento de sangue em nome ou não de Deus, de escravidão negra, de extermínio de povos na América e África, de duas grandes guerras somente no século 20 e hoje não temos uma sociedade sem pecados, sejam eles individuais ou sociais. Então, do que Jesus nos salvou?

O problema está na pergunta formulada e não na resposta. A pergunta não pode ser feita no pretérito, mas no presente: Jesus nos salva do que? Esta pergunta possui muito mais relação conosco do que com Deus. Deus já fez a sua parte. Jesus é um paradigma, um modelo a ser seguido, o caminho, a verdade de Deus e, portanto, a vida. Cabe a cada um de nós seguir ou não este modelo, viver como salvo ou como condenado. E quando eu falo em seguir ou não este modelo não está falando em ser adepto de uma religião ou não. A questão está relacionada a valores. Se lermos com atenção os Evangelhos veremos que ao vivermos os valores pregados e vividos por Jesus encontraremos um caminho de salvação não somente individual, mas também coletiva.

Ao vivermos como Jesus somos salvos de muitos aspectos destrutivos da vida. Jesus nos salva da hipocrisia. Jesus é uma pessoa verdadeira e que critica (principalmente os religiosos da época) todos que constroem relações baseadas na falsidade ou nas conveniências sociais. Jesus nos ensina que, ao vivermos na sinceridade e na veracidade, construímos uma vida segura para todos. Jesus nos salva do individualismo, pois Ele se envolve em todas as circunstâncias que lhe aparecem pela frente. Jesus mostra que não existe neutralidade, esta é uma ilusão criada pelo ser humano. A partir do momento em que tomo ciência de algum fato, estou envolvido e, a partir deste momento, cabe a mim a decisão de ser omisso ou me comprometer com ele. Jesus nos salva da indiferença social. Ele se coloca do lado dos pobres, marginalizados, miseráveis, moralmente excluídos, ao lado das mulheres e crianças. Jesus nos salva do “pré-conceito”de qualquer espécie nos mostrando que cada ser humano deve ser respeitado e nenhum deve ser excluído por ser estrangeiros, mulher, portador de deficiências ou qualquer outro motivo. Jesus chega ao ponto de dizer aos fariseus que as prostitutas os precederão no Reino dos Céus.

Por fim, Jesus nos salva da alienação. Por isso, Jesus coloca como mandamento maior amar ao próximo como a ti mesmo. Para viver isso é necessário que eu reflita o que é amar  e como expressar o meu amor em cada circunstância. Como desejo ser amado? Assim devo amar as pessoas. Amar é deixar que o outro possa se desenvolver da sua forma e não da maneira que eu gostaria que fosse. Enfim, para amar eu preciso me conhecer melhor, conhecer o outro, conhecer a lógica de nossa economia capitalista, o sistema de corrupção em nosso país, a política educacional que temos o sistema único de saúde pública, a política do governo atual, etc.

Amar ao próximo não é romantismo ou uma ideia platônica. Amar ao próximo começa com um processo sério de desalienação e termina na ação concreta, na atitude política, no posicionamento contra toda forma de exploração e a favor da vida. Isso é salvação.


Padre Beto é escritor, cronista e filósofo. Formado em direito pela Instituição Toledo de Ensino (ITE), em história pela Universidade do Sagrado Coração (USC) e em teologia pela Ludwig-Maximillian, de Munique (Alemanha).

É isto aí!

A Mulher Mais Bonita do Mundo (José Luís Peixoto)


Estás tão bonita hoje ...
Quando digo que nasceram 
flores novas na terra do jardim,
quero dizer que estás bonita. 

Entro na casa ...
entro no quarto ...
abro o armário.
abro uma gaveta,
abro uma caixa
onde está o teu fio de ouro. 

Entre os dedos,
seguro o teu fino fio de ouro,
como se tocasse a pele do teu pescoço. 

Há o céu ...
a casa ...
o quarto ...
e tu estás dentro de mim. 

Estás tão bonita hoje. 

Os teus cabelos ...
a testa ...
os olhos ...
o nariz ...
os lábios ... 

Estás dentro de algo
que está dentro de todas as coisas,
a minha voz nomeia-te
para descrever a beleza. 

os teus cabelos ...
a testa ...
os olhos ...
o nariz ...
os lábios ... 

De encontro ao silêncio,
dentro do mundo, 
estás tão bonita
é aquilo que quero dizer.

sábado, 8 de julho de 2017

Mala vem aí!

Cidadãos e cidadelas, hoje nessa querida e próspera cidade deste grande país lanço a pedra fodamental que assolará o mais rigoroso dia de lua de nova. Teremos-nus brilho nos olhos, teremos lágrimas nos olhos, teremos olhos nos olhos de toda a gente honesta, funesta, cafajesta, etccesta etcesta e tal e testa, que comece logo a festa.

Nosso pogresso deve-ce muito mais ao que aqui falamos por assim dizer do que aquilo que não fazemos à vistas de vocês. Temos que lutar para tirar os ladrões, os fascínoraxos, os bandidos de fraque e bengala que se fingem de vivo mas são mortos de cemitério clandestino enterrados feito endegentes prolixos da querência clássica segundo disse a firmou o grande filósifo Calógeras Marconedes, que se assim não o disse nestas palavars, deveria te-las feito pois se dão bem com nossa pátria.

Eu se lá vá me vou acabar com as maracutaias dos adversários, vai tudo preso na prisão da penitenciária que tem lá no presídio da cadeia municipal da nossa cidade. Aqui basta ser nosso adversário para a gente saber que é ladrão. Nós somos a história viva desta cidade, nós somos bons, nós somos do bem, nós somos legais, nós somos ricos.

E para encerrar no fim e indo aos finalmente, vote-se em mim, por que seu eu ganhar eu vou transformar esta cidade naquilo que sempre fiz, só que com mais novidades, e se eu perder, não tem descanso, eu volto pela vontade das ruas amarelas, eu quebro tudo pelo força dos patos, eu arrebento e assumo pela vontade do meu povo. Amém

É isto aí!

sexta-feira, 7 de julho de 2017

E por vezes (David Mourão-Ferreira)



E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos    E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites      não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos

David Mourão-Ferreira, in 'Matura Idade' 

Uma pequenina luz (Jorge de Sena)



Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumiére
just a little light
una piccola…em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
entre o bafo quente da multidão
a ventania dos cerros e a brisa dos mares
e o sopro azedo dos que a não vêem
só a advinham e raivosamente assopram.
Uma pequena luz
que vacila exata
que bruxuleia firme
que não ilumina apenas brilha.
Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.
Muda como a exatidão como a firmeza
como a justiça
Brilhando indefectível.
Silenciosa não crepita
não consome não custa dinheiro.
Não aquece também os que de frio se juntam.
Não ilumina também os rostos que se curvam.
Apenas brilha bruxuleia ondeia
Indefectível próxima dourada.
Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.
Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.
Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.
Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.
Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não:
brilha.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
Como a exatidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância. Aqui
No meio de nós.
Brilha.

(in FIDELIDADE, 1958)


"Manual de Despedida para Mulheres Sensíveis" de Filipa Leal


Declamada por Pedro Lamares:

Ser digna na partida, 
na despedida, 
dizer adeus com jeito,
não chorar para não enfraquecer o emigrante, 
mesmo que o emigrante seja o nosso irmão mais novo,
dobrar-lhe as camisas, 
limpar-lhe as sapatilhas
com um pano úmido, 
ajudá-lo a pesar a mala
que não pode levar mais de vinte quilos
(quanto pesará o coração dele? e o meu?),
três pares de sapatos, 
um jogo de lençóis, 
o corta-vento,
oferecer-lhe a medalha 
que a Mãe usava 
sempre que partia
e que talvez não tenha usado 
quando partiu para sempre,
ter passado o dia 
à procura da medalha 
pela casa toda
(ninguém sai mais daqui sem a medalha, ninguém sai mais daqui),

pensar que a data escolhida 
para partir é a da morte da Mãe,
pensar que a Mãe 
não está comigo 
para lhe dobrar as camisas
e mesmo assim não chorar, 
nunca chorar,

mesmo que o Pai esteja a chorar, 
mesmo que estejam todos a chorar,
tomar umas merdas, 
se for preciso: 
uns calmantes, uns relaxantes,
uns antioxidantes para não chorar; 
andar a pé para não chorar,
apanhar sol para não chorar, 
jantar fora para não chorar, 
conhecer gente,
mas gente animada, 
pintar o cabelo 
e esconder as brancas, 
que os grisalhos são mais chorões, 
dizer graças para não pôr também
os amigos a chorar, 
os amigos gostam é de nós a rir, 
ver séries cômicas até cair, 

acordar mais cedo 
para lhe fazer torradas antes da viagem,
com manteiga, 
com doce de mirtilo, 
com tudo o que houver no frigorífico,
e não pensar 
que nunca mais 
seremos pequenos outra vez,
cheios de Mãe e de Pai no quarto ao lado,
cheios de emprego no quarto ao lado 
quando ainda existia Portugal.

É tanto o que se pede a um ser humano do século vinte e um.
Que morra de medo e de saudade no aeroporto Francisco Sá Carneiro.
Mas que não chore. 

Papo de Esquina XXXIX

- Vi pessoas vinculadas à Leva Leva clamarem pelo amor de Deus para as pessoas apoiarem suas mais sinceras intenções de bom mocismo.

- Enfim, se tudo der errado a culpa é dos crentes e tementes a Deus que não oraram decentemente pelos paladinos.

- No fundo no fundo, o buraco é mais embaixo, a Leva Leva nasceu e morreu pelas mesmas mãos ... mesmas mãos ... as mesmas.

- É, como dizia meu avô ... apenas mais dos mesmos de sempre ...

É isto aí!

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A única sincera

Seis pessoas circulavam o féretro do Doutor Juquinha, proeminente advogado da pequena e pacata Cachoeira da Curva, um distinta vila nos confins do paraíso do Reino da Pitangueira. Foi juiz de paz, escrivão juramentado, delegado, prefeito, vereador, professor, coroinha, diácono, empresário do setor de secos&molhados, conselheiro matrimonial, jornalista e procurador municipal.

Casado, pai de seis filhos, avô de treze netos e duas bisnetas, nunca foi homem de dar carinho aos seus, os filhos homens eram os meninos, as filhas - as meninas, e os netos eram netos e netas. Não sabia nomes, datas de aniversário, batizados, festas familiares, etc. Enfim, era um estranho no lar.

Quase não saia de casa, tinha poucos amigos, não emprestava dinheiro, não fazia favores, não levava recado, não participava de reuniões além da Conferência Vicentina, da qual foi presidente por 45 anos. Detestava cachorros, gatos, crianças brincando, barulho de festas e aglomerações.

Enquanto as pessoas circulavam no salão, aguardando ansiosamente o coveiro avisar que o túmulo estava pronto, discretamente permanecia sentada num banco da praça, em frente ao portão do cemitério, Verinha Couto, uma viúva prá lá de voluptuosa, de grandes virtudes e caridades na sociedade local, respeitada pela história da família e pela sua própria de ter mantido intacta toda a fortuna herdada do pai, sem permitir que o falecido marido a destruísse com mulheres, bebida e jogo.

O que jamais souberam e nunca terão o privilégio de saber é que Verinha e Juquinha foram amantes desde a mocidade dela, aos 18 anos, naquela época já trinta anos mais nova do que ele, e foi seu amante que a instruiu passo a passo como ocultar e manter a herança paterna, para desgosto e ódio do marido, que quando a par da situação, sofreu um estranho acidente em trágico passeio nunca investigado nem reclamado pelas partes.    

Verinha, naquela tarde nebulosa e fria, era a única com lágrimas, discretas mas sinceras, na despedida do Doutor Juquinha.

É isto aí!

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Na depressão o foco é invertido

Resumo do resumo do resumo para extrair o sumo:

No texto Luto e Melancolia, de 1917, Freud realiza um estudo comparativo entre os dois estados: o estado de ter perdido alguém (luto) e o estado depressivo – como chamamos hoje – ou melancolia.

Vou ficar só na melancolia, que hoje acha-se depressão e daqui a um século será outro nome para a mesma coisa:

Freud respondeu à seguinte pergunta:

– Porque a pessoa, na melancolia, possui esta característica de se auto-criticar? De ter a sua autoestima tão em baixa?

Segundo ele, a resposta é:

“Se se ouvir pacientemente as muitas e variadas auto-acusações de um melancólico, não se poderá evitar, no fim, a impressão de que freqüentemente as mais violentas delas dificilmente se aplicam ao próprio paciente, mas que, com ligeiras modificações, se ajustam realmente a outrem, a alguém que o paciente ama, amou ou deveria amar”.

É isto aí!

sábado, 1 de julho de 2017

A namorada - Casos do Analista da Pitangueira

- Sabe, doutor, tive um sonho de novo com uma moça.

- Interessante. Quer falar sobre ele?

- Bem, desta vez cheguei atrasado para a apresentação da dança da namorada.

- Hummm, apareceu uma namorada. Sabe quem era?

- Sim, no sonho eu sabia bem, não está confusa esta identificação, chamava-se Sara Lúcia. Aí aconteceu algo inesperado - Como cheguei atrasado, as luzes já estavam apagadas, as pessoas acomodadas, então tropecei nas pernas de uma mulher que percebi que não só propiciou como ajudou na minha queda com um forte empurrão nas minhas costas.

- Conseguiu ver esta mulher?

- Engraçado, agora me lembro - parecia com mamãe - nossa era a mamãe.

Com a queda forçada, provocada pela mamãe, cai aos pés de outra mulher, de vestido sedutor, que segurou-me entre suas pernas, enquanto minhas mãos se perdiam no seu vestido preto com corte lateral acentuada. A moça permitiu uma situação sedutora. Cheguei a desejar ficar ali para sempre.

- Para sempre aos pés dela?

- Sim e não, havia mãos nas coxas e o desejo de ...

- Olha Betinho, desejo é apenas o desejo de ter desejo, ele está ali apenas para ser desejado.

- Eu entendo, doutor, mas aquelas coxas, o perfume, o ambiente ...

- A sua mãe ...

- É, tinha  a minha mãe, mas sabe que eu nem liguei para isto. Ao levantar, já me apoiando no braço da poltrona, a moça puxou delicadamente meu braço, conduzindo-me à poltrona ao lado sem tirar os olhos dos meus, e ficamos ali nos observando num olhar quase infindo.

- Foi só isto ou quer falar mais alguma coisa? Tem mais algum detalhe que lembre?

- Bem, veio então um homem imenso, sabe, parecia zagueiro de futebol americano. Ele veio para sentar ao lado da moça, onde eu já estava. Nem olhou para mim, então conversaram algo bem baixinho, e ele acabou sentando ao lado da mulher ... da mulher, caramba, ele sentou ao lado da minha mãe e deu-lhe um beijo escandaloso na boca.

- E isto despertou alguma emoção em você?

- Não tive tempo, pois assim que voltei os olhos ao palco, a moça do lado segurou minha mão e ficou, sabe, meio que apertando, meio que alisando. Aquilo foi ficando bom, tenso e excitante ... bom ... tenso e aí pensei - espera aí rapaz, ficou maluco?

- Não gostou dela?

- Não sei sobre o que está falando, senhor.

- Não se faça de bobo e não me faça perder meu tempo, gostou ou não gostou?

- Que conversa é esta?

- (mantendo a voz baixa e tensa) - gostou ou não gostou?

- Claro que gostei, mas eu não sabia ...

- Do que você não sabia, Betinho?

- Eu não sabia nada dela, nem o nome, nem idade, nem a voz, nada e ainda tinha a Sara Lúcia , e eu estava ali por ela ...

- E como conseguiu se controlar?

- Não me controlei (exaltado); não me controlei (babando); não me controlei (vermelho); eu não me controlei, caramba (chorando) ... a gente fez tudo ali, tudo, entende??? tudo ... eu não me controlei (sussurrando).

- Tudo bem, tudo bem, mas e depois do espetáculo? As luzes se acenderam, sua namorada apareceu sob aplausos?

- Mais ou menos.

- Como assim, mais ou menos?

- Mamãe consertou a roupa no corpo, toda revirada, levantou-se abruptamente e berrou histericamente: Olha Júnior, eu não te disse? A Sara Lúcia é uma drag-queen!!! E foi aquela gritaria no auditório do Colégio das Irmãs Devotas da Castidade.

- Mas e você?

- Eu o quê, doutor?

- Você sabia que ela era uma drag-queen?

- Espera, o senhor já me fez esta pergunta ...

- Com certeza não fiz, Betinho.

- Fez sim ... puta que o pariu, o senhor era o homem forte que pegou a minha mãe - quando ela berrou, virou-se para mim  e fez esta mesma pergunta .... aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhh socorro, o senhor quer me destruir ... seu seu ....

- Calma, Betinho, calma ... calma ... muita calma ... um sonho é um sonho, calma. Voltemos a ele, depois discutiremos os detalhes. Calma, ok? Calma ... isto, cal ... ma!!! isto ...

- Bem, com a confusão, a moça desapareceu, o senhor também, bem como a minha mãe e eu fiquei ali, nu, em pé na poltrona gritando - Sara Lúcia ... Sara Lúcia ...

- Humm, interessante

- Aí ela me viu, acenou e veio correndo na minha direção e quanto mais se aproximava mais se ... - não, não, não pode ser ...

- Não pode ser o que, Betinho?

- Ela era eu ... meu deusinho das causas oníricas, ela era eu ...

- Semana que vem no mesmo horário, Betinho, e traga a sua mãe.

É isto aí!

quinta-feira, 29 de junho de 2017

A verdade vos libertará

Alto lá
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
Fonte - Portal A12 

No âmbito sócio-político consagra-se o termo no ano em que a sociedade preferiu boatos aos fatos. Neste momento político brasileiro, diariamente todos os meios de comunicação nos empanturram com notícias a respeito das chamadas “delações premiadas da Odebrecht, chamada operação Lava Jato. 

Esta (a Lava-Jato) mistura intencionalmente doações legais que empresas fizeram a candidatos nas eleições com propinas que pagaram a parlamentares, criminalizando a política como um todo... e o eleitorado vai às ruas para apoiar o juiz Sergio Moro e seus cruzados da moralidade pública, sem fazer qualquer ressalva. É um eleitorado capaz de jurar sobre a Bíblia que o” filho do Lula”, é dono da Friboi e de quase todo no País. 

Estamos num país em que a mídia cultiva o pensamento único, e os brasileiros não têm uma segunda opinião para ouvir e cotejar e acreditar. Uma prática basilar do jornalismo é sempre ouvir o “outro lado”. Não é portanto pelo excesso de versos, que a opinião publica nacional desacredita dos fatos e se nutre de factoides imaginários, cevados na ignorância e no preconceito. (Cf. Carta Capital, Gabriel Priolli – 13/01/2017).

Enfim cria-se uma indústria da pós verdade, das notícias falsas (“fake News”) nas mídias sociais que premiam a mentira e a noticia falsa. O desafio de discernir o que é verdade do que não é verdade aumentou exponencialmente. “A verdade factual” (Hannah Arendt) não pode ser desvalorizada, com checagem de informações, se quisermos uma imprensa ética.

Pesquisa realizadas nos EUA informam que 59% dos leitores só leem as manchetes das notícias (verdadeiras ou falas) e 25% dos leitores não sabem distinguir as noticiais falsas das verdadeiras, e quando o fazem, ainda acham válida a propagação das informações mentirosas. 

A “verdade vos libertará, já disse nosso mestre Jesus. Nunca devemos relativiza-la, toma-la pela metade ou desdenhá-la”. Temos um compromisso ético sério com a verdade dos fatos, da vida e dos acontecimentos.

Premiar a mentira, a meia-verdade ou a notícia falsa, nos cerceia a possibilidade de construir um futuro de uma sociedade democrática, “visto que democracia seria apenas um show de entretenimento”! Acrescentamos que não é a toa que o Marketing bem planejado, tornou-se central nas campanhas políticas, sem compromisso com a verdade, mas turbinado por uma postura falsa e sem escrúpulos, que alimenta o vale tudo para derrubar o inimigo ideológico.

Diz ainda Janine Ribeiro que esta tendência de fazer passar a mentira como sendo verdade “traz um elemento triste. Não é apenas falar uma mentira. Ao dizer ´pós´, é como se a verdade tivesse acabado e não importa mais. Essa é a diferença entre pós-verdade e todas as formas de manipulam das informações que tiver antes. É a ideia de que teríamos deixado um tempo em que nos preocupamos com isso e passamos então a um tempo em que seria avançado relativizar ou mesmo desdenhar a verdade”.

Que pensar de uma sociedade que a partir de seus líderes maiores, desdenham a verdade dos fatos e cultivam a indústria da mentira para destruir o outro muito bem orquestrada com um custoso Marketing? Não podemos ser cúmplices da manipulação de mentes, e mentiras deslavadas que nos seduzem por se “apresentarem esteticamente como verdades” e que acabam alimentando novos fundamentalismos e fanatismos tanto de direita, quanto de esquerda, tanto no mundo secular quanto no mundo religioso. Curioso que neste cenário a “pós-verdade” é apresentada como sendo uma evolução, um avanço de civilizacional e sinal de salvação!

É preciso insistir e repetir incansavelmente dito do Mestre: “Somente a verdade nos libertará” ... Não existe ética e muito menos bioética em nenhum âmbito da vida humana, sem um compromisso com a verdade!

* Superintendente da União Social Camiliana, entidade Mantenedora do Centro Universitário São Camilo - São Paulo e Espírito Santo desde 1997

sábado, 24 de junho de 2017

Sobre Teorias de Domínio e outras coisas patéticas e crueis

Primeiro vieram
com a Teoria
imoral e truculenta
do Domínio de Fatos

Onde você
se não sabia
deveria se dar conta
da nova pós-verdade

Nela pobres são abstratos
pretos são quase humanos
putas são quase mulheres
honestos são muito chatos

Depois disto
desta teoria abjeta
hedionda cretina
a camarilha projeta

E injeta
já empossados
num golpe
medíocre

Nada mais natural
nada mais normal
nada mais marginal
nada mais banal

Vemos estupefatos
a efetivação real
da Teoria sob
o domínio dos ratos

ratos roem pessoas
roem ratos também
roem roem roem
ratos arrotam amém.

É isto aí!

sexta-feira, 23 de junho de 2017

15 - Odete, a fiel depositária do Paranoá

Seis horas da manhã, já em pé, nos preparativos iniciais do rito diário, meu indefectível Nokia 2004 toca placidamente anunciando Odete no outro lado da célula. Conta a lenda que de certa feita determinada locomotiva socialite da mais alta casta dos corruptos do bem deu uma festa imperdível, e no meio de uma afinadíssima orquestra mandando metal em Blue Velvet, surgiram duas caixas douradas no centro do evento. 

A caixa um abriu-se e saíram propinas missionárias paramentadas ao nível puritano máximo e da caixa dois saiu a propina Odete, somente com plumas coladas por sobre as costas, feito asas angelicais, portando um cartaz que dizia - há mais transparência no caixa dois do que no um. Aplausos, delírios, gritos, hurras - Riram-se aos borbotões os corruptos do bem, dado à coerência convicta da propina transparente do caixa 2.

Odete!!! Adoro te ouvir antes de começar minha rotina ...

Ai ui ai ui amore, desculpe, é que Asuncion, minha pedóloga stripper da República Guarany está me dando ai ui ai ui uma assistência domiciliar, ai ui ai ui, digamos assim ...

Pedóloga stripper paraguaya? Não seria podóloga? Como é isto, Odete?

Não dá para explicar, ai, pelo smartphone, amore, ui, vem aqui, ai,  que te faço, ui, uma demonstração, ai, ...

Tudo bem, tudo bem ... mas a que devo a honra de ouvir sua voz, Odete?

Amore, como sabe, eu só falo sob fontes honestas. Asuncíon, minha pedóloga stripper acabou de me revelar que dia destes estava fazendo um triplo carpado pool party flex na esposa do empresário de alto fausto Dr. Fulano, enquanto este recebia para conversas formais, informais, deformadas e esquisitas de interesses privados os mais respeitados membros de bem do egrégio poder público da pátria amada idolatrada salve salve. 

Triplo o que?

Amore, não me interrompa, venha a Brasília e tudo será criado e renovaremos o céu e a terra, jorrando leite e mel, ai ui ai ui ...

Desculpa, Odete ...

Tudo bem, amore. Tudo bem ... então, onde eu parei? Ah, sim! Enquanto Asuncion prosseguia com seus métodos terapêuticos, aproximou-se dela a Querubinha, uma ex-super stripperdeuta da Coordenação de Áreas Ponderáveis ...

O que faz uma stripperdeuta em Brasília, Odete?

Pelo amor entre minhas coxas roliças e seu coração provinciano, não me interrompa. Venha para Brasília que eu te encaixo nestas questões todas, mas só euzinha, hem ... nada de se empolgar com estas vagabundas do planalto.

Foi mal, pode seguir ...

Então, esta coordenadoria de áreas ponderáveis é chefiada pelo Dr. Bigode, subalterno obsessivamente dedicado da Gostosinha do Reitor (aquele mesmo), ocupante por meritocracia da Gerência de Modus Operandis de Panos Quentes. Está me acompanhando, amore?

Sim, Odete, estou atento.

Ai, que lindo, amore. Bem, a Gostosinha do Reitor vinha dando bem para e com o Dr. Panamá Pappers, um chapeleiro maluco da Seção de Critérios Plausíveis, que por sua vez subordinava-se numa relação CID F65.5 com a chefe da Divisão de Desvios de Conduta Plena, ligada por canais, cabos e fios à Secretaria de Assuntos Estratosféricos do Ministério dos Homens de Bem, cujo ministro é o senhor Arcano Felino, amigo do amigo do amigo do amigo do senador Trilano, sócio do senhor Fulano.

Desculpa, Odete, mas o que é um CID F65.5?

Ah, amore, não dá para explicar, pois tem muuuuitas nuances, mas consulte o básico aqui .

Uau, Odete, dei uma olhada rápida ... que coisa, hem ... quem diria isto acontecendo na esplanada dos mistérios ...

Amore, para de babar e foca em mim. Então! Querubinha disse que tudo começou quando o senador Trilano queria abrir uma caixolândia para servir caixas aos mais necessitados, pois tem amigos fora das luzes furnas, na região do escuro, de coração duro e alma abalada e habitam o mundo das sombras, em cavernas escondidas, onde a luz da vida foi quase apagada ...

Odete, isto aí não é Gilberto Gil não?

Credo amore, você não sabe que em certas situações, a vida imita a arte? Foca, amor, foca. Revendo, melhor, recapitulando - o Senador Trilano, cuja alcunha no submund é  Game-Over do Leblon, queria abrir uma caixolândia, e contratou o amigo, que contratou o amigo que contratou o amigo do Ministro dos Homens de Bem.

Interessante ...

Pois é ... daí, o amigo do amigo do amigo para não segurar aquelas caixas escondido, levou a questão para o Ministro dos Homens de Bem.  Só que o Ministro dos Homens de Bem, com sua postura felina angorá não faz nada sozinho-sozinho. Imediatamente, mediante 12,5% sobre o lucro bruto, encaminhou a encomenda à sua Secretaria de Assuntos Estratosféricos, e foi assim então que o assunto circulou secretamente entre os homens de bem e chegou até a superstripperdeuta Querubinha executar, pois ela era a faz tudo sem questionar o mérito, mas com convicção.

Então, Odete, se tudo fluiu, como a casa caiu?

Amore, o rabo do felino angorá é imenso, e isto provoca nele uma extrema devoção de fidelidade a um só deus, o césar da roma brasiliana, o terrível, o temível, o invisível sim .., ele mesmo, o Usurpador de Penicos. E este, o usurpador, tem uma boca deste tamanho - pediu 80% do faturamento da Caixolândia para garantir despesinhas domésticas com a bela e recatada e herdeiros. O senador Trilano Game-Over puxou de cá, o Usurpador de Penicos puxou de lá até que a corda da fossa arrebentou e fedeu prá todo mundo, a ponto do genro do felino angorá receber bosta privada em envelope público.

Uau, Odete, agora vi a luz ...

Ai, amore, vem me terrrrr em Brasília, vem amore, vem me fazerrrr feliz por que te amo ...

Humm, sabe Odete, eu ... alô, alô ... droga, logo agora que eu ia dizer sim a bosta caiu na rede tum tum tum ploft.

É isto aí!




quinta-feira, 22 de junho de 2017

Aqui não!!!!

Tarde fria, vento gelado, cachorro na rua, meninos pelados nas calçadas, mães trocando receitas com as comadres e foi neste cenário, no interior do interior do interior de Pindorama que Cotinha desceu a ladeira esbaforida, batendo seu tamanquinho gasto até chegar na venda e disse alarmada - pai, mãe, estão vendendo tudo com a gente dentro. Dito assim, subiu a ladeira no mesmo galope que desceu.

Foi aquela correria ladeira acima. Seguiram a menina todos que estavam a beber e jogar dama, as beatas da igreja, o barbeiro, o farmacêutico, dois únicos policiais do corpo de segurança do município, um vereador bêbado, duas meninas da Casa da Luz Vermelha, os velhos dos tabuleiros de dama, as lavadeiras do Córrego Alto, duas balconistas do Salim, três cachorros latindo e uma pecha de meninos pelados gritando sem parar.

Lentamente, atrás, deslocava-se Dona Genara, gorda de pernas curtas e seios fartos arfando desesperadamente em busca de fôlego para acompanhar a multidão que acompanhava Tavinho, um homem esquelético, de face lisa e cara porca com o qual se ajuntou há seis anos, quando já tinha Cotinha, gerada de um romance de rodoviária..

Chegaram na casa, na verdade um barracão decente, sem as grandezas de uma casa e sem as pequenezas de um cafundó feito os das Oleiras, na saída para o Brejo do Turco.

- Cadê, Cotinha, cadê os homens que estão comprando tudo aqui?

- Ali, ó, disse apontando o dedo da mão com unhas imundas para o antigo aparelho de TV.

- Ali onde, peloamordedeus, Cotinha, disse a  multidão desesperada ...

- Este homem aí, dentro da televisão, escuta só, ele está falando que o sei lá, o ladrão lá, esqueci o nome, aquele velhinho, está vendendo o Brasil com a gente dentro.

- Genara, já soltando o coração pela boca, vermelha feito pimentão, suando bicas, gaguejou quase sem ar para Tavinho - amor, passa urgente uma mensagem para o João Manoel, seu primo, agora, no atzap.

- Genara, meu bem, o João Manoel mora em Portugal ...

- Então, Tavinho, é a nossa chance, vai que eles compram e começam do zero ... passa meu bem, passa, e diz para ele buscar as autoridades galegas mais depressa possível, que aqui não entra gringo não, aqui não, Tavinho, aqui não, gritou batendo a mão direita no muque esquerdo ...

E o povo saiu carregando Genara, a nova heroína, suspensa por dezenas de braços, aclamada, em procissão carnavalesca pelas ruas da cidade.

É isto aí!

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Erro de português (Oswald de Andrade)


Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena! Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

terça-feira, 20 de junho de 2017

O Conde, o Príncipe e o monopólio da força

Subi na Colina do Bom Senso da terra guarany, circunvizinha do reino da Pitangueira, e o que vi foi como sempre surpreendente. Vejamos algumas destas deslumbrantes manifestações nas aldeias: 

- Tribos riram do descuido de determinado oficial ao divulgar o nome e a identidade de um agente secreto apache.

- Tribos deram gargalhadas ao verificar que o Conde Drácula Usurpador registrou o passeio, digo, a viagem oficial desta semana com destino à União Soviética.

- Tribos deliraram com a vitória de 10X9 numa das comissões do senado, que por hora congelou a incrível e fantástica e inenarrável deforma trabalhista. (não, você não leu errado, escrevi deforma mesmo, com d).

- Tribos chiaram com o adiamento da prisão do playboy sukita do Leblon. 

- Tribos chiaram com a soltura de pessoas detidas por estarem vinculadas ao tio sukita do leblon e associados.

- Tribos deliraram com a denúncia de que o Conde é corrupto, feita por um órgão oficial do governo.

Bem, com a vista já cansada, daqui do alto da colina vejo que as tribos ainda não entenderam que o processo político não é para chiar nem para delirar, nem para aplaudir, nem para vaiar. Ainda imberbes e ingênuos acham que política se vence no grito, enquanto os bastidores fazem as peças se moverem. Quais peças? Só aqui citei seis - que sugerem que as partes usurpadoras tomaram duas decisões - só dialogar com vantagens e pressionar os indecisos.

Maquiavel, o autor best-seller do mundo ocidental nunca saiu de moda:

No capítulo 17, defende que é melhor a um príncipe ser temido do que ser amado, mostrando que as amizades feitas quando se está bem, nada duram quando se faz necessário, sendo que o temor de uma punição faz os homens pensarem duas vezes antes de trair seus líderes. Diz também que a morte de um bandido apenas faz mal a ele mesmo, enquanto a sua prisão ou o seu perdão faz mal a toda a comunidade. O líder deve ser cruel quanto às penas com as pessoas, mas nunca no caráter material; "as pessoas esquecem mais facilmente a morte do pai do que a perda da herança".

No capítulo 18, Maquiavel argumenta que o governante deve ser dissimulado quando é necessário, porém nunca deixando transparecer sua dissimulação. Não é necessário a um príncipe possuir todas as qualidades, mas é preciso parecer ser piedoso, fiel, humano, íntegro e religioso já que às vezes é necessário agir em contrário a essas virtudes, porém é necessário que esteja disposto a modelar-se de acordo com o tempo e a necessidade.

Qualquer semelhança não é mera coincidência.

É isto aí!