
A doida vai pela rua nua

Nota² Álvaro de Campos é um dos heterônimos (e talvez o mais importante) de Fernando Pessoa. Foi criado em 1915, nasceu em Tavira, no extremo sul de Portugal, a 15 de outubro de 1890. Estudou Engenharia Naval, na Escócia. No entanto, não exerceu a profissão por não poder suportar viver confinado em escritórios.
Talvez seja o poema mais conhecido de Álvaro de Campos. Oscilando entre o mundo interior e a realidade cósmica, universal, o poeta trata, ao mesmo tempo, da angústia com o quotidiano e dos sonhos de libertação. Isso pode ser observado a partir dos primeiros versos, cujo sentido vai se constituir na base de todo seu poema.
Repare que o poeta é absolutamente niilista em relação a si próprio (“não sou nada./ Nunca serei nada./ Não posso querer ser nada”), mas, em compensação, ele sabe que tem “todos os sonhos do mundo”.
Fechado em seu quarto, solitário, o eu-poético contempla uma rua, onde percebe um mistério, que é a morte e o destino que ninguém vê. Essa percepção extraordinária das coisas se dá devido à sua grande capacidade imaginativa, que o faz ver o que os outros não podem ver.
02 - A utopia inútil
Vivendo seus sonhos, ele procura esquecer toda aprendizagem (isto é, aquilo tudo que aprendeu com os homens) e parte em busca da natureza, contudo essa solução não o satisfaz, na medida em que se sente desconfortável em qualquer lugar que esteja (“estrangeiro aqui, como em toda parte”, dirá o poeta em outro poema).
Álvaro de Campos é radicalmente diferente de Alberto Caeiro (e mesmo de Ricardo Reis); a sua angústia, a sua lucidez não permitem que seja inocente, natural. Voltar à natureza torna-se uma utopia inútil.
Na sequência, o poeta volta a opor a fantástica capacidade de sonhar à limitação do mundo exterior. Mas a sensação de euforia com o sonho não dura muito; mais adiante do poema, ele toma consciência de que os sonhos nada valem, pois as aspirações altas e nobres e lúcidas talvez nem vejam a luz do sol, nem atinjam ouvidos de gente.
Na verdade, “O mundo é para quem nasce para o conquistar / E não para quem sonha que pode conquistá-lo”, ainda que tenha razão. Por isso, apesar de ter conquistado mais do que o grande conquistador Napoleão, de ter amado mais do que Cristo e de ter filosofado mais que Kant, isso de nada vale, na medida em que tudo se processou na imaginação.
Para expressar essa sua impotência perante a realidade, Álvaro de Campos serve-se da imagem do homem que espera que lhe abram a porta numa parede sem porta, ou do homem que tenta fazer que sua voz chegue até Deus, cantando dentro de um poço tapado.
03 - O Pensar é doloroso
Assim, o poeta vê-se como um “escravo cardíaco de estrelas”, ou seja, uma pessoa que sonha com as estrelas e sofre de uma doença cardíaca, que o impede de ter emoções fortes, ou como quem só conquista tudo em sonhos. O resultado é um distanciamento cada vez maior da realidade, do mundo visível.
A consciência disso causa-lhe um cansaço, um sofrimento, de maneira que passa a invejar uma menina que come chocolates inocentemente. Nesse momento, Álvaro de Campos toca num aspecto que é uma constante na obra de Fernando Pessoa: pensar é doloroso, por impedir o homem de ser feliz.
Na outra estrofe, ao sentir o vazio dentro se si, o poeta procura alguma coisa que o inspire. Por isso recorre a musas inspiradoras do passado, mas a sensação de vazio continua a mesma, já que seu “coração é um balde despejado”.
04 - A angústia
Na realidade, Álvaro de Campos expressa aqui a angústia do homem moderno, que não encontra mais ponto de apoio para as suas inquietações e, por isso mesmo, se entrega ao desespero. Essa consciência da inutilidade de tudo leva Campos a sentir-se um exilado, um ser à parte em relação à humanidade.
Ele imagina o mundo como se fosse um teatro, onde todos representam e o “eu” é o único que não sabe nem pode representar. Devido a isso, o seu lugar no teatro é no vestiário e nunca no palco.
05 - A solidão
Os versos finais do poema colocam frente a frente o eu-poético e o dono da tabacaria que representa o homem comum, o homem sem inquietações metafísicas. Ao vê-lo, o poeta experimenta uma sensação de desconforto e passa a ter a sensação da absoluta inutilidade de tudo, até da própria poesia. O poema fecha com a absoluta solidão do poeta, que tem consciência de que nada vale a pena, enquanto o dono da tabacaria, sem consciência alguma do que o rodeia, apenas sorri.
Como a pornografia distorce o sexo e incita violência contra mulheres
1ª Parte
Fonte: Jornal Estado de Minas
Tapa na cara, garganta profunda, simulações de estupro e mulheres sendo violentadas das mais diversas formas são roteiros padrões de um filme pornô. Performances que acabam educando de forma distorcida sobre o que é sexo e consentimento, além de normalizar a violência contra mulher.
Na reportagem da série Violências para o canal #PRAENTENDER, o jornal Estado de Minas conversa com uma psicóloga e ativistas antipornografia para debater os efeitos desses conteúdos na nossa sociedade. E, acredite: assistindo ou não pornografia, ela pode afetar seu namoro, casamento e qualquer relação sexual.
Assistir a um vídeo pornô pode até parecer um gesto inofensivo, algo só para entretenimento e prazer. Mas, não é. O consumidor desses conteúdos não só contribui com uma indústria bilionária, que lucra com a exploração do papel da mulher e até de crianças, como aprende que aquilo é sexo.
“A pornografia afeta o sexo em tudo. Quando falamos que a indústria da moda influencia a nossa roupa, todo mundo concorda. Quando falo que a indústria do sexo influencia no nosso sexo, as pessoas falam 'não'. Mas, sim. Os nossos padrões do que é legal ou não no sexo foram moldados pela indústria pornográfica”, afirma Izabella Forzani, advogada e administradora da página Recuse a Clicar, que atua na conscientização sobre os impactos da pornografia na sociedade.
No Brasil, 22 milhões de pessoas assumem consumir pornografia, segundo pesquisa divulgada pelo canal Sexy Hot. A maioria (76%) são homens e 24% mulheres. Os números também revelam que mais da metade desse público (58%) é composta por jovens abaixo dos 35 anos. Durante a pandemia, os acessos a vídeos pornográficos dispararam.
Levantamento do Pornhub, site mais visitado no mundo, mostra que na primeira quinzena de março, mês que marcou o início do isolamento social em várias cidades brasileiras, o número de pessoas que viram vídeos no Pornhub subiu 13% em relação ao começo de fevereiro. A média diária de acessos no Brasil aumentou desde então e, até meados de julho, o uso apenas desse site de pornografia já havia crescido quase 40%. A taxa de aumento varia conforme o país, em maior ou menor escala, mas a alta foi geral.
Como a pornografia distorce o sexo e incita violência contra mulheres
2ª Parte
Fonte: Jornal Estado de Minas
Prazer ou performance?
Quantas vezes você já reproduziu posições desconfortáveis ou usou de agressividade como inspiração no sexo só por que viu em um vídeo pornô? Agora, você já se perguntou e perguntou para sua parceira se aquela performance toda dá e proporciona prazer? Pois é, por trás dos malabarismos de posições sexuais do pornô se escondem armadilhas que só distanciam os enredos eróticos da vida real.
“O filme pornô ensina uma performance sexual que é péssima. O homem aprende a sentir prazer ao gozar com a sua própria performance. O homem transa com a performance dele. É um monólogo narcísico. E a mulher finge muito para devolver o espelho de masculinidade dele para ele se sentir bom, para ele continuar a desejando. E, normalmente, o que se ensina no filme pornô não proporciona prazer à mulher”, afirma Valeska Zanello, professora do Departamento de Psicologia Clínica da Universidade de Brasília.
Fonte do vídeo no Youtube: Portal Uai
Vídeo: PraEntender: A pressão estética sobre as mulheres
Como a pornografia distorce o sexo e incita violência contra mulheres
3ª Parte
Fonte: Jornal Estado de Minas
Erotização da violência
O carioca Lamartine Babo, compositor de tantas marchinhas de carnaval, é considerado um dos maiores expoentes da música popular brasileira. É autor de hinos de clubes de futebol, como o do Flamengo, Vasco e Botafogo, além da célebre canção “Serra de Boa Esperança”, que tornou a cidade sul mineira conhecida em todo o país.
A história dessa música surgiu na década de 30, quando Lamartine passou a receber cartas de uma pessoa que se identificava como Nadir e dizia ser sua fã. Um dia ele foi até Boa Esperança para conhecer a suposta enamorada e descobriu que ela não existia. Na verdade que se correspondia com ele era o dentista Carlos Neto, morador de Boa Esperança.
Segundo relatos da história, Lamartine teria se divertido com a situação e os dois passaram a ser amigos. Lamartine ficou 20 dias em Boa Esperança e foi aí que surgiu a canção para a cidade.
Lamartine morreu em junho de 63, mas se tornou um ilustre cidadão de Boa Esperança. Uma sala na Casa da Cultura guarda relatos, fotos, cartas e partituras do compositor. E as homenagens não param por aí, uma rua recebeu o nome do músico e um monumento em forma de um violão foi construído em 1969 em reverência ao compositor, este foi tombado como patrimônio histórico da cidade em 97. Ele ainda inspirou o nome do troféu do Festival Nacional da Canção, que leva o nome Lamartine Babo desde sua criação.
Maria Lúcia Godoy, que aniversariou mês passado - 97 anos, nasceu no dia 2 de setembro de 1924, em Mesquita-MG, cidade do interior de Minas localizada no Vale do Rio Doce. Considerada a maior intérprete da obra do maestro Heitor Villa-Lobos, mudou ainda criança para Belo Horizonte, onde se formou em Letras na Universidade Federal de Minas Gerais.
Consagrou-se como cantora de câmara e solista sinfônica, fazendo recitais em grandes metrópoles do Brasil e do mundo e é considerada uma das maiores cantoras brasileiras de sua geração, pois reúne exímia técnica vocal a seus dons de interpretação, que lhe permitem entoar tanto obras clássicas elaboradas quanto as populares.
Iniciou seus estudos musicais com Honorina Prates e, no Rio de Janeiro, estudou com Pasquale Gambardella. Ao ganhar uma bolsa, foi para a Alemanha aperfeiçoar seus estudos. Maria Lúcia venceu inúmeros concursos e chegou a ser solista principal do Madrigal Renascentista.
Ligada culturalmente momentos marcantes da história brasileira, cantou em homenagem ao translado dos restos mortais de dom Pedro 1º ao Brasil, no Mosteiro dos Jerônimos (Lisboa). Convidada pelo presidente Juscelino Kubitschek, apresentou-se na cerimônia de inauguração de Brasília. No enterro do Diretor Glauber Rocha cantou Bachianas brasileiras nº 5, de Villa-Lobos.
É condecorada com a Grã-Cruz da Inconfidência, pelo governo de Minas Gerais. No dia 19 de dezembro de 2002 recebeu a Medalha de Honra da UFMG em cerimônia presidia pela reitora Ana Lúcia Almeida Gazzola no auditório da reitoria da universidade. No dia 15 de setembro de 2016 recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela UFMG, em cerimônia presidida pelo Magnífico Reitor Jaime Arturo Ramírez no auditório da Reitoria da Universidade
Fonte¹ - Wikipédia
Fonte² - Rádio Itatiaia
Procurou pelo celular e não o encontrou, bateu nos bolsos promovendo uma pequena nuvem de partículas que se agarraram à roupa. Sua boca, narina, olhos e ouvidos também estavam repletos daquele estranho pó. Mal sentia a saliva, que expulsava da boca eliminando o gosto de terra.
Que lugar é este? - se perguntava - sem querer saber a resposta. O sol estava ao meio dia, mas sem vida, sem graça, sem calor e sem brilho. Olhou lá longe, num canto de infinitude sem definição do ponto cardeal, um ponto escuro. Fechou os olhos para ampliar a captação de luz, e de fato era um ponto, numa distância que acreditou ser algo em torno de 500 metros.
Caminhou naquela direção, numa jornada que levou horas, apesar de não ter parâmetros, já que o sol deu de desmilinguir mantendo-se a pino. Achou estranho, mas era apenas mais uma coisa estranha. Sentiu sede, cansaço, fome e dores erráticas, porém a esperança de que aquele ponto poderia salvá-lo, era a motivação única.
Com os pés afundando na poeira fofa, via o ponto criar forma. Ficou animado. Não quis precipitar a percepção do que representava, mas à medida que ia andando, as incertezas iam se dissipando. O ponto foi tomando forma e cor. Esboçou um sorriso cada vez mais largo como que via.
Foi chegando cada vez mais feliz, e à medida que andava, queria correr, e então começou a correr. Foi se aproximando, aproximando, abriu os braços e ela, a moça parada sobre um pedestal improvisado, fez sinal de parte com a mão direita.
Olá, falou alto e ela, respondeu numa língua estranha, da qual nunca ouvira antes.
- Fez uma expressão de susto, e perguntou - você fala a minha língua?
- Ela deu um sorriso enigmático seguido de uma piscada sensual.
- O que você faz aqui? perguntou.
- Ela estalou os dedos das duas mãos e imediatamente mudou o ambiente, que voltou a ser iluminado.
Agora ele estava num imenso jardim, enquanto continuava a conversar com a moça.
Bem ao longe uma voz conhecida chamava - Armandinho, Armandinho, volta Armandinho. Antes de olhar para trás, mandou um beijo na moça que por sua vez retribuiu o beijo e abraçou-o.
Armandinho, volta!! Larga esta estátua, Armandinho. Meu deusinho das vergonhas, que mico é este, Armandinho.
Carminha!!! Você veio participar também?
Não, Armandinho, eu vim te livrar do mico de continuar nu alisando esta estátua no jardim da casa. O que você fumou, bebeu ou aspirou, Armandinho?
Só uns negocinhos aí sem poder de viagem, tipo vinho de garrafão, cachaça de rolha e fumo rolão, só coisa natural, Carminha.
Natural, não é Armandinho? Sei, sei muito bem. Vamos embora, Armandinho, por que a vergonha já está além do grau máximo. Primeira visita na casa dos amigos ricos dos nossos amigos e você faz isto comigo. Seu, seu ... seu tarado.
Espera Carminha, espera pelo menos a gente terminar o que começou ... Ai-ai, Carminha, para, isto dói, ai-ai, socorro ... para de me beliscar, ai-ai, Carminha ...
É isto aí!
"With a Little Help from My Friends" é uma canção originária do álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, de 1967, do grupo inglês The Beatles. Cantada por Ringo Starr e composta por Lennon/McCartney. Fala sobre amizade e como os amigos podem ajudar uns aos outros para transpor as dificuldades da vida.
Fez sucesso a regravação dessa canção com o cantor britânico Joe Cocker; essa regravação seria utilizada mais tarde como música-tema do seriado americano The Wonder Years.
Hoje apresentamos esta música com a Banda Milk'n Blues, de Curitiba-PR cantando e encantando.
Pensei em copiar um texto publicado na grande mídia, mas estou enojado demais para isto. Hoje tenho dor, tenho raiva, tenho impotência diante desta construção, tijolo por tijolo, do mal sobre nós. Malditos sejam todos os que arquitetaram esta maldade.
Seiscentos mil corpos insepultos estarão para sempre nas suas vidas até o dia do Julgamento Final, quando serão a prova das suas maquinações insidiosas. Vocês são muitos, são uma legião, mas saibam que toda fatura vence, todo mal será abatido, toda a crueldade para com o próximo já está condenada.
Perdi pessoas queridas, amigas de infância, colegas, conhecidos, perdi a esperança de acreditar que vocês seriam ao menos capazes de fazer algo, por menor que fosse, de bom.
Eu não conheço vocês. São anônimos, se escondem em endereços elegantes, frequentam lugares luxuosos, viajam para os mais lindos locais do planeta, estudaram nas melhores escolas, falam muitos idiomas, já leram muitos e muitos livros, são educados, bem vestidos, perfumados, possuem empresas, carros, casas e salas bonitas, limpas, muitos funcionários, luxo e riqueza exuberante.
Mesmo com todo este poder político e econômico bem articulados, tudo passa. Tudo isto que são e representam hoje também passará, porém vocês terão para sempre seiscentos mil corpos insepultos que jamais poderão esconder.
Lucas 16:19-31
Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente.
Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele;
E desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas.
E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado.
E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio.
E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.
Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado.
E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá.
E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai,
Pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento.
Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos.
E disse ele: Não, pai Abraão; mas, se algum dentre os mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam.
Porém, Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite.
Fonte da imagem: Blog do QG
É isto aí!
03 - Casal na faixa dos 56 anos, numa tarde em Copacabana:
Ele: Quando você esta sozinha num canto qualquer, o que você pensa?