É isto aí!
sexta-feira, 17 de julho de 2026
Uanga, meu Ego Groenlandês.
terça-feira, 14 de julho de 2026
A Vaca triste
A vaca triste
A vaca parou no pasto,
travou, pensou, mugiu,
olhou para o lado de cá
e abanou o rabo para lá.
Chamou seu bezerro
com bramidos do mar,
com bramidos do vento
e expressou lamentos.
Berrou com medo,
deu por falta, ainda cedo,
do seu filhote peralta
e chorou de soluçar.
segunda-feira, 13 de julho de 2026
Cartas de Amor 125
Planeta Terra & Lua,
3º do Sistema Solar,
Via Láctea, Zona Sul
Cartas de Amor 125
Epistulae Amoris CXXV
Querida,
Jurei que não voltaria e acabei desconjurando o dane-se. O caso é que não há mais como frear este cérebro em movimento acelerado, ladeira abaixo, no presente contínuo.
Tudo bem. Disse a mim mesmo que a vida é isto que se vê em 15% e aquilo que não se vê em 84%. O restante, esse intrigante 1%, deve ser a força que faz girar a vida e que não joga os dados, como dizia Einstein.
Quantas vezes morri sem saber que estava convicto de haver errado e, no fundo, no fundo, duvidava disso. Quando me reencontrava, ressuscitava com aquele terrível sentimento de que fizera uma enorme besteira.
Saiba, meu bem, que, falando em fundo, há dias em que minha vida entra nas vagas de Nazaré, aquelas ondas gigantes ao norte de Portugal, formando paredões que podem ultrapassar os 25 metros de altura. E só então, no desespero da luta, vejo você, eu e tanta gente tentando manter o equilíbrio para não se afogar nas próprias mágoas.
É inútil fugir desses paredões para abdicar dos problemas, pois isso apenas piora as coisas, provoca novas tempestades e potencializa a ondulação desse imenso oceano de seres e problemas vivos. A solução para uma vida sem sentido não é fugir, mas encará-la e vivê-la em sua totalidade, lutando contra o absurdo com revolta.
Cansei. Envelheci. Enfrentei árduos combates; alguns venci, muitos me machucaram. Hoje tomei uma decisão que, por enquanto, apenas toca um dos pontos mais sensíveis da minha existência.
Querida, descobri que não sei escrever cartas de amor. Não sei explicar esta luta que me habita. Não sei dizer coisas fáceis, escrever coisas óbvias, ler livros chatos, assistir a filmes hipócritas...
Não sei. Não, não sei mesmo.
Só sei que você é esta profusão de amor em mim.
É isto aí!
sexta-feira, 3 de julho de 2026
Sobre Picles e o sentido da vida
— Querida, sabia que já viajei de trem bala?
— Amor, você está tergiversando.
— Querida, nunca usei e jamais recorro a subterfúgios para com você.
— Amor, dar desculpas e fazer rodeios é mister da sua existência.
— Querida, nunca evitei dar uma resposta direta e clara sobre quaisquer assuntos levantados por você.
— Amor, você, com esta voz macia e este tom melodioso, está está a evasivar para evitar uma resposta clara.
— Querida, longe de mim ganhar tempo ou enganar você com ferramentas de fuga de diálogos que nos alimentam.
— Amor, Onde você gosta mais de me beijar? Fala a verdade.
— Querida, gosto de toda a sua pela, suas mucosas, seus relevos, sua doçura ...
— Amor, onde você não gosta de me beijar. Fala a verdade ou...
— Querida, tudo bem, não faltarei com a verdade. Não gosto de beijar a sua boca em tempo integral.
— Amor, está brincando, não é?
— Querida, não estou brincando.
— Amor... é brincadeira, não é? (choramingando).
— Querida ... (silêncio)
— Amor, fala o motivo, diz a verdade, pelamordedeus (gritando e chorando)
— Querida, sua boca tem gosto de picles.
— (Silêncio sepulcral entre as partes.)
— Cafajeste, monstro, insensível, adeus, nunca mais outra vez terá meu gosto na sua boca de sapo.
— Boca de sapo quem tem é sua mãe, sua chata.
— Chata é a mocreia da sua irmã.
— Aposto que você nunca beijou outra menina, nem sabe o gosto das minhas amigas.
— Celeste tem sabor de framboesa, Chiquinha tem gosto de glacê e Dadá, tem gosto de cereja.
— Você é um monstro insensível, um pusilânime, só resta o adeus.
— Querida, antes de partir poderíamos ...
— Posso entender o sentido disto?
— Adoro picles na língua...
quinta-feira, 2 de julho de 2026
O Analista da Pitangueira e a Sombra interativa
— Senhor Lindolfo, pode entrar — disse placidamente a secretária.
— Sente-se onde estiver mais confortável, Lindolfo. Vamos conversar.
— Doutor, eu preciso que o senhor acredite em mim — disse, com a voz trêmula.
— Procure ficar calmo. Conte-me o que está ocorrendo com o senhor.
— Começou comigo achando que aquilo era estranho, uma aberração, uma anormalidade. Tinha vergonha de falar para as pessoas; tinha medo de ser mal interpretado. Procurei vários especialistas e já estava desistindo quando me informaram sobre o senhor. Afinal, aquilo já estava passando dos limites.
— (silêncio contemplativo)
— Não sei como dizer isto... (lágrimas)
— (silêncio interrogativo)
— Sabe, as pessoas me acham esquisito...
— (silêncio investigativo)
— Mas eu não sou esquisito. Não me entendem...
— Quem não entende?
— Eles... as pessoas, a família... ninguém compreende.
— Pessoas da família ou pessoas estranhas e a família?
— Faz diferença para o senhor ser incompreendido?
— Não, para mim, não. Mas, para você, parece que isso é importante.
— Como assim, "para mim"?
— Quem o trouxe aqui, Lindolfo?
— Vim sozinho. Por quê? Você acha que ela me trouxe? Como soube?
— Não sou o oráculo das suas dúvidas, Lindolfo. As respostas estão em algum lugar dentro de você.
— Não! Não... Não está dentro de mim...
— O que não está dentro de você?
— Essa sombra. Não percebe? Ela... ela... Meu Deus! Você não vê?
— O que você vê que eu deveria ver, Lindolfo?
— Meu Deus, você não vê essa sombra?
— Fale-me mais sobre isso. O que há nessa sombra?
— Não é o que há... Meu Deus... Como explicar? Olha, eu não sou doido...
— Sim, prossiga. Sei que você não é doido. Fique à vontade para falar o que o aflige.
— Sabe... puxa vida... como falar? Ela... essa sombra... Olha, eu não sou maluco, mas a minha sombra é uma mulher...
— Entendo... prossiga...
— Entende? Você entende? Entende mesmo? Olha, ela... ela... É incrível... ela... ela... (lágrimas escorrem).
— (silêncio estarrecedor)
— Ela é ninfomaníaca. É insaciável. Quer sexo o tempo todo, me provoca, me deixa louco, fico excitado, e ela nunca se sacia.
— Veja bem: essa imagem é um arquétipo, uma projeção do seu subconsciente, composto por um conjunto organizado de imagens, palavras e emoções, formando uma estrutura autônoma e dissociada do eu consciente.
— Você disse que entende, mas não sabe de nada. Não tem nada disso de arquétipo.
— Ouça, Lindolfo. Essa sombra feminina constitui apenas uma "subpersonalidade", comparável a uma personagem de uma peça de teatro: autônoma, independente de você e dotada de personalidade própria, projetada por você.
— Doutor, o senhor está excitando ela com esse papo.
— É? E como você acredita que isso seja possível? Lindolfo? Lindolfo? Cadê você?
— Aqui, embaixo do divã, com meu arquétipo...
— Caramba! Que sombra sedutora é essa? É real? O que é isso? Nunca vi nada parecido.
— Tira o olho, doutor! Tira o olho! É minha. Isso! Mexe, sua doida! Ai, que loucura! Ela ficou excitada demais com essa conversa.
— Bem, vamos seguir o trajeto dessa sombra desde a origem, nas próximas sessões, Lindolfo.
— O senhor acha que ela tem cura?
— Ela? Sessão dupla. Isso vai ser interessante. Terminou. Semana que vem quero ver os dois, no mesmo horário.
É isto aí!
Sobre faltas e ausências .
quarta-feira, 1 de julho de 2026
Papo de Esquina - O gerente enfezado
O gerente foi se aproximando da minha mesa e, assustadoramente, mirava os olhos sobre um ponto fixo, que parecia ser eu. Logo eu, mudo, calado, reservado e sempre tentando ser invisível. Por experiências anteriores pensei que, nos segundos seguintes, ele se aproximaria e faria da minha vida um caos em queda contínua.
Andava apressado, corpo rígido e ereto, feito um recém nomeado chefe da turma do batalhão de choque, sendo que aqui é a sala da turma de análise de mercado. Mas ele é um imbecil e sempre confunde alhos com bugalhos da mãe dele.
Para evitar o dano causado por não saber, você, sim, você que por agora lê este inventário não profano, saiba que, desde as eras primeiras da criação da nossa pátria-mãe, a querida Portugal, reza a lenda que a analogia entre alhos e bugalhos deu-se por ser o alho bem conhecido, de bulbo em gomos, e bugalho, uma excrescência em formato de bola que se forma nos ramos de certas árvores.
Bem, pelo menos agora você já tem assunto para quando estiver conversando consigo sobre o número que sonhou, mas não jogou, e, para aumentar o sofrimento, e o que é pior, recusa-se a buscar o resultado oficial.
Voltando ao beócio: cada vez mais perto, cada vez mais próximo, até que, diante da minha mesa, foi direto para a caixa da chave do banheiro de uso restrito, mantido sempre limpo. Correu para lá, impulsionado por gases fétidos terrivelmente tóxicos. A contar pelos gemidos e sons diversos, literalmente esvaziou-se em si mesmo.
Moral da História: nem tudo é o que parece. O gerente era um cagão contumaz, e eu, tenso e assustado, havia esquecido disto.
É isto aí!
segunda-feira, 15 de junho de 2026
A Vaca da Pitangueira
Lá vai a vaca mocha
rodando o rabo
espantando mosca
A vaca desequilibra
no barranco molhado
anda meio tonta
e cai para o lado
levanta chacoalhando
cabeça, tronco e sinete
e o leite da meiga
vira iogurte
e o leite que curte
vira manteiga
Esta aula é sobre sexo?
Os alunos ficaram entreolhando quem havia entendido, mas não ocorreu manifestação. Então, virando para a classe, cumprimentou-os e disse:
— Meus queridos alunos, hoje temos uma convidada muito especial: Com vocês, a Tia Gramática (aplausos).
— Olha só, fico comovida em estar aqui para falar da Língua. Você que levantou a mão pode perguntar, mas antes diga seu nome.
— Meu nome é Cândida Alva. Esta aula é sobre sexo?
— Sexo? Como assim? Qual é a ligação entre a estrutura, o funcionamento e as regras gramaticais de uma língua e o sexo?
— Ah, Professora... todo mundo aqui sabe disto.
— Todo mundo? Quem é todo mundo?
— Todos levantaram a mão.
— Humm. Não, a aula não se refere ao sexo. Não necessariamente, mas se vocês dominarem a Língua, portas se abrirão com maior facilidade na sua vida.
— A garotada foi ao delírio. Nunca mais outra vez Tia Gramática conseguiria tamanho êxito numa aula onde a estrutura, o funcionamento e as regras de uma língua foram, em tese, avidamente assimiladas e compreendidas. Foi da Fonologia à Semântica e a moçada saiu convencida de que dominar a Língua era mesmo um dos maiores talentos da humanidade.
— Você que levantou a mão pode perguntar, mas antes diga seu nome.
— Herbert Glauber de Windsor.
— Pois não, Herbert, faça a sua pergunta.
— Professora, considerando que a senhora afirmou que a língua é polissêmica, o que vem a ser exatamente a palavra polissêmica? Seria relacionada à poli sexualidade?
— Delírio total na sala.
— A professora pediu calma. Gente, não é nada disso. Polissêmica significa que uma palavra possui múltiplos significados que se relacionam pelo mesmo campo semântico anatômico e sensorial.
— Uau, então isto explica muito, já que, até aqui. nas suas palavras, a língua tem subterfúgios...
— A professora agradeceu pela participação, fechou o livro, recolheu o material e saiu da sala sem responder aos pelo menos quatro braços que ainda permaneciam levantados.
domingo, 14 de junho de 2026
Carminha na Copa - quinta-feira, 19 de junho de 2014
Crônica "Carminha na Copa" - quinta-feira, 19 de junho de 2014
— Abrem as cortinas e começa o espetáculo. Armando avança pela lateral, sobe sem pressa, a esquerda está livre, avança sem contenção, passa pela ala, alcança o flanco, dribla, procura o gol, tem o montinho artilheiro na frente, mas prefere o ataque frontal e ... falta, falta ...
— Calma, Carminha.
— Ah, vai Armandinho, bate logo, o campo já está todo alagado, a bola está pesada...
— Olha só, Carminha, com você narrando não tem artilheiro que marca. É muito complicado.
— Qual é, Armando? Entra no clima da Copa...
— Copa, Carminha? Não podíamos ser iguais aos casais normais, na cama ... no quarto ...?
— Caramba, você é muito conservador. Parece até a Inglaterra! O mesmo jogo desde 1950.
— Ah, não... ah, não!!! Conservador não! Você sabe que por muitas vezes apresentei táticas diferenciadas e várias delas fizeram sucesso.
— Sim, é verdade, apresentou muitas táticas, mas sempre no começo do segundo tempo faltava técnica, talento e folego ...
— Agora fiquei com raiva.
— Isto, Armandinho, põe pra fora esta adrenalina e parte pra cima com seu potencial de destruição da zaga...
— Para com isto, Carminha, vamos voltar ao tradicional...
— Tradição é tudo, Armando, mas sem uma revolução no plantel, não sobe no podium, nem beija a taça.
— Como assim? Revolução?
— Não se faça de bobo, um doping discreto, azulzinho...
— Nunca precisei e não faço uso, só jogo limpo. E com esplendor...
— Armandinho, queridinho, lindinho, amorzinho, não quero saber de esplendor, quero bolas na trave e na rede por noventa minutos e o artilheiro entrando sem humildade no gol, meu bem, e o jogo é meu, o campo é meu, a rede é minha e aceito doping, querido, ninguém vai saber...
— Jura?
— Juro. Agora espera o bandeirinha correr para o meio do gramado, agitar a bandeira e bater para o gol, e ... Armandinho, cuidado para não ficar impedido.
— Puxa vida, Carminha, você sabe tudo de futebol...
— Tudo e mais um pouco, meu bem... tudo e mais um pouco...
A moça do voil rosa
quinta-feira, 11 de junho de 2026
A saga de Waltinho - terça-feira, 24 de setembro de 2013
quarta-feira, 10 de junho de 2026
Cartas Avulsas 32
segunda-feira, 8 de junho de 2026
Nunca mais outra vez
Tudo sobre a minha bicicleta
inverno elegante
promete ser tenso,
intenso e extenso.
A falta das palavras tem incomodado o equilíbrio por sobre a minha bicicleta e o passado que alonga mas nunca acaba. Saudade é um elemento elástico. Quando entrar setembro, pouco antes da primavera, vou plantar menos saudade.
Tem dia que escrever é uma ferramenta de descaso para com a realidade.
Esta é apenas uma postagem desconectada da minha racionalidade vigente. Para você que não sonha, não delira, não sai dos trilhos, saiba que viver é mais fácil do que parece.
Na dúvida, irei me debruçar sobree este assunto. Hummm, pode ser perigoso, mas aí chamo o Bruce Wayne para explicar a duplicidade pacífica do ser e estar da pessoa perdida dentro de si.
quinta-feira, 4 de junho de 2026
Cartas de Amor 124
3º do Sistema Solar,
Via Láctea, Zona Sul
Cartas de Amor 124
Epistulae Amoris CXXIV
Querida, sou poeta sem sê-lo, sou escritor sem sabê-lo
Sobre mãos e orações
quarta-feira, 3 de junho de 2026
As três lágrimas
Meu pai me ensinou a crença de que o homem só tem três lágrimas, uma quando nasce, outra quando é batizado e a terceira é quando perde a mãe.
Ficou a repetir o pensamento, unhas provocando dor nos cantos das falanges distais. Quando do fechamento da urna, sentindo o mundo ruir ao seu redor pela perda da amada, sussurrou segurando as lágrimas: Eu não vou chorar, sua vadia.
O cortejo adentrou ao cemitério, cachorros latindo, mulheres cantando hinos religiosos, homens saindo do ambiente rumo ao bar do Zé do Bar.
Crianças corriam em volta da capelinha, atrás de uma bola que apareceu do nada no meio deles. As meninas reparavam nas roupas das outras meninas e vice-versa.
Quando chegaram ao túmulo, ele gritou para esperar. Queria dar a última olhada. Abriram o caixão, aproximou-se e sentiu que ela o segurou pela lapela do paletó, e sussurrou: Vadia é a puta que o pariu!
Levantou-se lentamente e chorou por dias até ser encontrado morto sobre a sepultura da companheira.
É isto aí!
terça-feira, 2 de junho de 2026
A moça no supermercado
segunda-feira, 1 de junho de 2026
Cartas avulsas 31
Chegará logo o dia de rever você, quando tudo será melhor, mais bonito, mais doce, mais delicado, mais envolvente, mais feliz. É isto então — tudo indo e vindo em todos os vértices da felicidade, feito ondas apaixonadamente lindas.
Serão como sempre foram — românticas e reluzentes, em todas as formas concêntricas e excêntricas de amar você. Tudo incidirá no ponto de encontro entre nós dois, ora em ondas retas, ora em linhas; dezenas, centenas, milhares delas, em curvas que aqui denomino você: a razão da existência do amor.
Daquele dia, daquela hora que virá, o impacto das nossas vidas. Gritarei como um guerreiro defendendo nossa integralidade, batendo com a mão fechada sobre o coração, gritando impropérios contra o... puxa vida, isto é tão estranho, pois nos meus sonhos funcionavam muito bem estas ações e estes eventos primevos.
De repente, ainda bradando, mas abaixando o tom e deixando cair o tacape, não vejo mais você. Não que não esteja aqui, pois está em todos os lugares e dentro de mim, feito a mais perfeita pérola. Percebo estar, verdadeiramente, numa outra dimensão que não tangencia meu querer. Tudo é tão lindo quanto exótico ou inefável, e todas as coisas acontecendo ao mesmo tempo.
Pássaros ou algo do tipo, em plena cantoria, sobrevoam para um ponto infinito. Sinto um frio glacial. E seres indescritíveis, como se estivessem dobrando o universo, seguem no mesmo rumo das aves, como se todos soubessem para onde ir, menos eu. Há medo, e agora lágrimas que aparecem do nada preenchem um imenso vazio em mim. Acho que morri.
Este silêncio, os olhares alhures de pessoas que não são exatamente pessoas. Mas minha consciência ainda me banca; ainda posso ver minhas mãos. Não, espera, não posso ver minhas mãos, mas posso senti-las. Então é aqui a Eternidade. Vou caminhar para ver onde dará esta estrada.
É isto aí!
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