segunda-feira, 7 de dezembro de 2020
Lembro-me bem do seu olhar (Fernando Pessoa)
E a vida continua (Evaldo Gouveia e Jair Amorim)

domingo, 6 de dezembro de 2020
A mulher dos meus sonhos II
— Heitorzinho, acorda! Vamos, levante-se do box, coloque uma roupa e vamos conversar. Eu quero, ordeno e determino que explique tudo agora, de forma inteligível, clara e convincente e explique por que não atendeu o celular e deixou uma vaca atender no seu lugar?
— Heitor, para de mentir e fala sério
— Como é que é? Seu cachorro, safado, medíocre. Fala a verdade, eu quero a verdade.
— E você quer que eu acredite que uma vaca loira atendeu sozinha o seu celular? Quem era? Como sabia sua senha?
— Continua, Heitor. Ai, que ódio desta safada.
— Você está me dando nos nervos, Heitor. Não estou entendendo nada. Que mais aconteceu neste covil?
— Te enquadrando Heitor? Eu esfolarei vocês dois vivos, Heitor, pelo menos umas três vezes, aí depois eu te castro antes de raspar o cabelo dela. Antes vou pintar vocês dois de piche, ai, que ódio, que ódio... que mais?
— Heitor, que cara de pau, hem! Não se lembra de nada? Será que fui só um joguinho de faz de conta? Você ficou meses suspirando por mim, me desejando, me querendo, e era tudo mentira? Eu só vim por que uma piranha atendeu o telefone e disse que você estava ocupado tomando banho com ela. Cheguei, toquei a campainha, resolvi verificar se a porta estava aberta, por que eu queria bater nos dois, mas aí encontrei você dormindo sozinho no chão do box, com esta cara de retardado e sorriso ridículo, abraçado à toalha. Adeus, Heitor, não suporto mais suas mentiras.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2020
Tudo se cumprirá (Marjorie Dawe)
Filha, não gosta nada desse assunto,
Tudo que foi anunciado nas Escrituras
Desejo filha, que sua lucidez e equilíbrio
Hoje, diria que está apenas
Perdi seu olhar. (Paulo Abreu)
Tem como ser feliz ano novo em 2021?
quinta-feira, 3 de dezembro de 2020
Julgamento no Céu
quarta-feira, 2 de dezembro de 2020
Uma valsa vienense ao seu adeus
segunda-feira, 30 de novembro de 2020
Motivo para se estar vivo! (Marjorie Dawe)
Motivo para se estar vivo!
Olha para o Céu! (Marjorie Dawe)
Olha para o Céu! (Marjorie Dawe)
sexta-feira, 27 de novembro de 2020
Há o brilho do seu olhar! (Paulo Abreu)
Guardo em Mim (Paulinho Moska e Teresa Cristina)
quinta-feira, 26 de novembro de 2020
Pensando em você ( Paulinho Moska)
Milagres, abduções e fatos inusitados
João sentiu-se tocado por um anjo assim que saiu à rua. Viu um flash de luz, um clarão e não se lembra de mais nada. Acordou dias depois na UTI do hospital, com fortes queimaduras pelo corpo. As línguas ferinas, os invejosos e os falaciosos comentaram à época que supostamente foi atingido por um raio, mas jurou por anos ter sido um encontro celestial. João faturou milhões em monetização nas redes sociais, contando sua experiência com os céus.
Antônia tinha acabado de ter uma severa discussão com seu marido, o Nogueira, e saiu sem rumo quando subitamente sentiu-se abduzida por um Disco Voador, que tornaria a repetir o processo por quatro meses seguidos. Dentro da espaçonave teve contatos extraterrestres de quarto grau com um ser luminescente, que a levava a sofrer doze vezes orgasmos consecutivos e intensos, de um tipo inimaginável no planeta Terra. A história, que lhe rendeu monetização milionária nas redes sociais, permitiu que mudasse de patamar da periferia para semi-centro, levando junto o Nogueira. Saiu do transe oito meses depois da ultima abdução, com o parto normal de Dudu. As línguas ferinas, os invejosos e os falaciosos comentaram à época que supostamente Dudu era incrivelmente parecido com Nestorzinho do armazém, mas jurou eternamente o contato inter-galáctico, sempre confirmado pelo Nogueira.
Juca Triste sentiu-se ressuscitado a ponto de sair de dentro da caverna onde estava, atendendo num chamado do Senhor, quando já se encontrava no Hades pareado, digamos assim, com Teresinha, seu amor da juventude. Acordou ainda envolto em panos, numa maca fria de um pronto-socorro de poucos recursos, onde uma técnica de enfermagem trocava seus curativos espalhados pelo corpo todo. Ao seu lado, Teresinha, tão machucada quanto. Jurou o resto da vida que aquilo tudo foi milagre divino. As línguas ferinas, os invejosos e os falaciosos comentaram à época que supostamente sua esposa os flagrou numa barraca, acampados na lagoa e incendiou a área. Juca Triste e Teresinha sempre negaram, esta história e foram convidados para vários eventos religiosos, onde ganhavam cachês gordos, além dos milhões com a monetização nas redes sociais.
Cresolina Guil sentiu-se iluminada pelo inexplicável quando tocou na franja da túnica do homem que passava em tumulto num baile de carnaval na pequena e pacata Santa Ultima dos Moicanos. Naquele momento seu corpo tremeu de tal maneira que sentiu-se penetrada por um grande poder etéreo. Tímida, recatada e do lar, de posse da manifestação de cura procurou por algum médico para conseguir a constatação de que um milagre a voltara à vida normal, depois de anos de hemorragia uterina e cólica terríveis. As línguas ferinas, os invejosos e os falaciosos comentaram à época que supostamente Cresolina nascera naturalmente sem útero, mas a moça, vencendo a timidez, faturou milhões em monetização, palestras motivacionais e entretenimentos sociais, narrando sempre a sua dramática história.
Zequinha Abrantes é fanho, manco, gago, 80% surdo, tem 60% de acuidade visual e não tem olfato. Nasceu no meio do mato, de mãe desconhecida, foi deixado na porta da casa de Dona Jamelinha que o acolheu e criou. Trabalhou desde criança na roça, serviço bruto, fez escola pública até atingir a maioridade, foi trabalhar com serviço braçal na cidade, casou-se com Maria F, tiveram três filhas, abriu um escritório de representação, depois uma quitanda, depois um bar, depois um churrasquinho na praça, depois um algodão doce, faliu muitas vezes. Nunca parou em emprego no intervalo entre suas empresas pois julgava ter o verdadeiro espírito empreendedor. Tem a convicção de que fala três línguas (ininteligíveis) que acredita serem inglês, francês e alemão. Também acredita que toca Oboé e Acordeon, e por incrível que pareça, até hoje sua página nas redes sociais contando a sua história de sucesso e superação tem entre 3 a 5 acessos por mês. As línguas ferinas, os invejosos e os falaciosos nunca comentaram sobre Zequinha Abrantes...
É isto aí!
O caminho! (Paulo Abreu)
Quando vier a primavera (Fernando Pessoa)
“Poemas Inconjuntos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993).
1ª publ. in “Poemas Inconjuntos”. In Athena, nº 5. Lisboa: Fev. 1925.
Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
Fonte Youtube
Cicatrizes (Miltinho/Paulo César Pinheiro)
terça-feira, 24 de novembro de 2020
Você me enlouquece! (Paulo Abreu)
Sou feita de retalhos (Cris Pizzimenti)
Hoje teremos dois ALTO LÁ!
Alto lá 1 - Óbvio - Este poema não é meu
Alto lá 2 - Autora - este poema não é da Cora Coralina como circula nas redes sociais
Autora: Cris Pizzimenti
Fonte: Facebook página da autora - poema publicado em 2013
Sou feita de retalhos.
Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma.
Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou.
Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior...
Em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho, uma saudade...
Que me tornam mais pessoa, mais humana, mais completa.
E penso que é assim mesmo que a vida se faz: de pedaços de outras gentes que vão se
tornando parte da gente também.
E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados...
Haverá sempre um retalho novo para adicionar à alma.
Portanto, obrigada a cada um de vocês, que fazem parte da minha vida e que me permitem
engrandecer minha história com os retalhos deixados em mim. Que eu também possa deixar
pedacinhos de mim pelos caminhos e que eles possam ser parte das suas histórias.
E que assim, de retalho em retalho, possamos nos tornar, um dia, um imenso bordado de
"nós".











