quarta-feira, 10 de novembro de 2021
Fé demais
terça-feira, 9 de novembro de 2021
Manhã de Carnaval (Com Isaac e Nora)
sábado, 6 de novembro de 2021
Lagrimas negras ( Miguel Matamoros)
Aunque tú has muerto todas mis ilusiones
En vez de maldecirte con justo encono
En mis sueños te colmo
En mis sueños te colmo de bendiciones
Sufro la inmensa pena de tu extravío
Siento el dolor profundo de tu partida
Y lloro sin que sepas que el llanto mío
Tiene lágrimas negras
Tiene lágrimas negras como mi vida
Sufro la inmensa pena de tu extravío
Siento el dolor profundo de tu partida
Y lloro sin que sepas que el llanto mío
Tiene lágrimas negras
Tiene lágrimas negras como mi vida
Tú me quieres dejar
Yo no quiero sufrir
Contigo me voy, mi santa
Aunque me cueste morir
Assim caminha-se para o nada.
Estava com os pés inchados, muito inchados. Toda vez que isto ocorria era por que sua dose de tristeza tinha sido muito elevada. Dor na nuca indicava tensão, zumbido nos ouvidos ocorria quando estava sob forte stress, joelhos estalando significava que não estava andando na direção certa.
Quando ouvia o canto a sabiá, sabia que estava entrando no tempo das águas. Quando as andorinhas faziam ninho no forro da casa, sabia que o verão era seria bom. Quando recebia os anus brancos no muro, observava se iriam cantar e dançar. Se assim fosse, informavam morte na família.
Quando o céu amarelava no poente, viria o frio. Quando a lua cheia promovia um halo ao seu redor, sabia calcular as chuvas. Quando as corujas piavam na sua janela, sabia que tinha que pensar mais sobre alguma coisa. Quando as formigas enlouqueciam atrás de alimentos, sabia que a chuva seria prolongada e perigosa.
Hoje ninguém sabe mais nada sobre isto, a não ser que saia nas redes sociais. Têm medo de tanajura, que trás o fim da primavera, têm medo das baratas, que anunciam chuvas torrenciais, tem medo de cigarras que anunciam o raiar de uma nova vida.
Agrotóxicos agora são defensivos agrícolas. Inseticidas são protetores da qualidade de vida, pqp, até quando tudo isto?
É isto aí!
quarta-feira, 3 de novembro de 2021
Qual o proposito da vida?
O sentido da vida consiste em que não tem sentido nenhum dizer que a vida não tem sentido.(Niels Bohr)
O físico dinamarquês Niels Bohr foi um dos seletos gênios criadores da Mecânica Quântica, nos primórdios do século XX. Visto assim, logo imaginamos um cientista sisudo, preso num laboratório envolvido por papeis, pesquisas, livros e bancadas de equipamentos, aparelhos e vidrarias.
O que poucos sabem é que Bohr era um apaixonado pela Filosofia. A sua biografia o descreve como um filósofo humanista, seguidor da corrente existencialista do século XIX. Comecei trazendo Bohr para o núcleo deste tema, por que tem este aforismo dele, postado acima que acho muito pertinente ao tema.
Dito e visto um pouco de filosofia, vamos ao que nos trouxe aqui nesta tarde de primavera:
Afinal, qual é o proposito da sua vida?
O fato é que temos medo de perguntar a nós mesmos qual é o nosso propósito. O que de fato queremos? O que de fatos somos? Onde vamos chegar? Existe a felicidade? Existe a plenitude da vida?
Ao olhar para a maneira com a qual você estrutura seus planos, pensamentos e ideias, poderá perceber que na maioria do tempo está focado em um propósito aqui, ali ou lá na frente.
Poderá, a partir deste momento notar que para algumas pessoas conhecidas, essa meta pode ser unicamente o dinheiro, para outros uma vida de prazer, para outros ainda uma combinação dos dois.
Numa apurada atenção, descobrirá no seu meio social (não necessariamente amigos/amigas) que apenas para uma parcela ínfima há espaço para ver que existem coisas que não são prazeres físicos e sensoriais diretos, mas um prazer sutil, uma sensação de paz que vem de levar uma vida correta e ter um papel no esquema do mundo.
E ainda raros são aqueles que vendo que tudo que nos circunda tem um prazo de validade muito curto, questionam o próprio objetivo da vida. Não como uma indagação curiosa ou casual, mas com a força de alguém que busca um sentido para si mesmo na roda do mundo.
Aqui é que fica interessante, pois quando uma pessoa busca por essa resposta e encontra alguém com o qual se conecta, confia e aprofunda sua angústia, seus valores, seu amor, existe uma transformação completa dessa pergunta: “Qual o propósito da vida?”
Nota do Blog¹: Este Texto é baseado e modificado a partir da publicação Qual o propósito da vida do site Satsanga
Nota do Blog²: Acho que voltaremos ao tema.
É isto aí!
segunda-feira, 1 de novembro de 2021
Frequência de ouro da abundância (Germán Coppola e Gabriel Picone)
Música de cura infinita, muitas vezes de um poder de cura que eleva a abundância na luz dourada da 5ª dimensão.
Equilibrar nossa cura é a meditação de acalmar a mente e sentir a energia infinita que existe dentro de nós.
Sinta seu corpo, sua mente e espírito observando a vida em cada Respiração.
Faça seu desejo e abra seu coração.
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Bem-vindo ao Evolution Mind, nosso cérebro faz parte da transcendência humana conectada ao universo. Ao longo de nossa vida, não paramos de criar conexões sinápticas entre nosso hemisfério esquerdo Racional e nosso direito de Arte Criativa. Somos Seres de Luz vivendo uma experiência Humana.
Nossa missão na Evolution Mind é criar conteúdo original relacionado a diferentes filosofias e religiões do mundo da espiritualidade, a fim de despertar seu eu superior conectado à linguagem universal que é a música.
Junte-se à cura por meio de sons que aumentam a vibração e conecte-se com o seu verdadeiro Eu. Nossa música é uma jornada que o leva à meditação e a uma reunião com a natureza do universo dentro de você.
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✨ Namaste
A evolução da mente se manifesta, no som que nos leva à conexão do nosso Ser. Reconecte a nossa essência nas frequências vibratórias do despertar da consciência.
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EVOLUTION MIND (sons do seu interior)
SOBRE ESTE VÍDEO: © A música é uma criação 100% original de Germán Coppola e Gabriel Picone e Graphic Designs pelo canal Evolution Mind no YouTube intitulado "Infinite Abundancia Dorada".
Se o Vídeo não abrir, basta clicar aqui e ir direto na Fonte: Frequência de Ouro da Abundância
E se o de cima não abrir, clique aqui que vai dar certo: Evolution Mind
Queria dizer que te amo
Eu gostaria muito de falar das emoções. São elas que nos impulsionam para cima, para baixo, para frente ou para trás, desviam também em diagonal. Nós somos nossas emoções, apesar de você encontrar por aí contestações, umas bacanas e válidas, outras histéricas e outras histriônicas.
Mas vou falar de uma forma pedagógica Emoção e sentimento são coisas diferentes. A emoção já existe dentro de nós de uma forma atávica. Sendo assim é uma reação imediata a um estímulo, é algo que mexe com você e que não envolve pensamento. Já o sentimento envolve um alto grau de componente cognitivo, de percepção e avaliação de algo. Emoção é reação enquanto que sentimento é construção.
Emoção é paixão, mas a poesia teima em puxar a brasa da paixão para o amor. O amor se constrói no dia a dia, nos gestos, nas conversas, nos diálogos, no carinho das palavras, dos ato e dos tatos. Mas aí Camões declarou que "Amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói, e não se sente; é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer". Se estivesse escrito Paixão é ... acho que não faria o sucesso que fez por séculos até os dias atuais. Assim, desta forma emocional, todo mundo acha que ama todo mundo.
Não vou aqui entrar no mérito de classificar as emoções, nem explicar a formação do pensamento para promover os sentimentos, mas saiba que as emoções vão e vêm e passam na mesma velocidade que surgiram, e o amor permanece como o mais intimo dos sentimentos.
É isto aí!
domingo, 31 de outubro de 2021
Novembro, chega com notícia boa, faz favor
Fonte da Imagem: Antonio Cruz - Agência Brasil - EBC
Ore na sua fé, reze na sua crença, nada promete que será um mês calmo. Novembro finge de bonzinho, véspera de dezembro, mas é só isto, tem mais nada. E não se esqueça de Mariana:Foi na tarde de 05/novembro de 2015 que um tsunami de lama matou mais de uma dezena de pessoas, devastou povoados e provocou o maior desastre ambiental da história do país em Mariana (aqui)¹, na região Central de Minas.
Naquela tarde uma barragem da mineradora Samarco se rompeu e 34 milhões de metros cúbicos de rejeitos inundaram distritos e poluíram o rio Doce e o mar. Desde o início da tragédia, sobram danos à natureza e faltam respostas e punições. Não há dúvidas da responsabilidade da empresa, mas culpados e causas sequer foram apontados.
Os estragos seguem incalculáveis e longe de ser reparados. Multas milionárias foram aplicadas à mineradora. Em meio à dor da perda e à indignação com a tragédia que destruiu histórias e sonhos, as medidas assistenciais de emergência são lentas e mal conduzidas, segundo especialistas (aqui)².
Mudando de assunto, até mesmo por que nosso Rio Doce até hoje está contaminado (aqui)³.
Bem, estamos iniciando Novembro. Isto indica que a primavera está findando, logo logo virá o verão, com ele as chuvas torrenciais e as catástrofes naturais. Novembro também começa no mesmo dia da semana que março e, exceto em anos bissextos, também como fevereiro.
Em novembro, temos o zodíaco ou signo zodiacal de Escorpião (23 de outubro a 21 de novembro), no final do mês vai para Sagitário (22 de novembro a 21 de dezembro).
Não fiquemos tipo assim tão preocupados, mas é importante que você saiba que no geral este mês é representado pelo número 7 (basta somar o ano e o mês assim: 2+0+2+1+1+1 = 7). No ano passado, os meses mais desafiantes na pandemia foram simbolizados pelo número 7. Mas pode ser só coincidência, sei lá, tem tanta coisa acontecendo, puxa vida, e esta agora?
Mês começa com Lua Minguante e muita chuva, que aos poucos vai diluindo as sujeiras aqui e ali. Eu não sei mais o que esperar deste final de ano. Cada dia será vivido no seu tempo por que a vida segue e a fila anda.
É isto aí!
O Mago da Pitangueira e as pedras da colina
O legado
sexta-feira, 29 de outubro de 2021
Sobre nós
O fazedor de amanhecer (Manoel de Barros)
Sou leso em tratagens com máquina.
Tenho desapetite para inventar coisas prestáveis.
Em toda a minha vida só engenhei
três máquinas
Como sejam:
Uma pequena manivela para pegar no sono.
Um fazedor de amanhecer
para usamentos de poetas
E um platinado de mandioca para o
fordeco de meu irmão.
Cheguei de ganhar um prêmio das indústrias
automobilísticas pelo Platinado de Mandioca.
Fui aclamado de idiota pela maioria
das autoridades na entrega do prêmio.
Pelo que fiquei um tanto soberbo.
E a glória entronizou-se para sempre
em minha existência.
Fonte da Imagem: Fast Company (Cortesia Mailchimp)
Fonte do poema: Revista Bula
Sobre o autor: Manoel de Barros (1916-2014) foi um dos principais poetas contemporâneos. Autor de versos nos quais elementos regionais se conjugavam a considerações existenciais e uma espécie de surrealismo pantaneiro.
quinta-feira, 28 de outubro de 2021
Tudo que não invento é falso
quarta-feira, 27 de outubro de 2021
A triste
Finais felizes
terça-feira, 26 de outubro de 2021
O ditado das novas regras
Cidadãos e cidadelas, a verdade é a verdade que afirmo, por que fui ungido por ela, a Verdade. Em verdade, em verdade, de verdade verdadeira afirmo e passa a ser lei:
§ - Eu sou Phoda!
1 - O Sol não existe, é apenas uma miragem mundial
2 - A Lua é base secreta de forças ocultas que me espionam em tempo integral
3 - Nosso planeta foi criado no dia 3 de Thamuz , assim que Eva e Adão vieram parar aqui, bem pertinho da gente.
4 - E como não tinha este negócio de rede, fake, etc, só para saber, hem, só para saber, tinha nada de redondo aqui não. Era tudo feito o Goiás, aquela belezura plana.
5 - Foram os vermelhistas que falaram que a terra era redonda, assim ele ficariam do lado de dentro, no fogo do inferno.
6 - O primeiro homem a chegar ao espaço foi o Albertinho Dumont, o resto é conversa fiada.
Cansei, tem mais quatro aqui, mais de quatro é ruim, hem!
Alto lá! Não, eu não quis dizer mais de quatro, e sim mas de quatro. Isto é a maldade destes vermelhistas. Amanhã vão estampar em todos estes pasquins malévolos que eu pedi mais de quatro. Idiotas, imbecis.
É isto aí!
segunda-feira, 25 de outubro de 2021
Sem Tempo no Espaço
Cheguei num imenso campo aberto, de cores surreais, indescritíveis. Árvores lindas de diversas espécies e o imenso vazio campal, florido e gramado. Vejo surgir no chão um caminho de terra batida, que vai oferecendo uma direção para minha jornada. Intuiu-me segui-lo, por que senti uma enorme segurança andando nele. O vazio aos poucos foi sendo preenchido por pessoas ora em grupos, ora duas ou três, sentadas, em pé ou ajoelhadas pelos campos afora. Elas não se importavam muito com minha presença.
Meu olhos, de uma forma singular, estavam fixos num grupo em especial, lá longe, cujas faces não distinguia, mas sentia serem parte de mim. À medida que caminhava, foram se aproximando de mim seres angelicais, cuja fisionomia não terei parâmetros para explicar. Um deles tocou meu ombro e naquele instante estava numa espécie de sala de silêncio absoluto. Nada ouvi e ninguém apareceu.
Olhando para um ponto de luz, comecei a ver imagens que entendi serem minhas. Vi o momento do meu nascimento, minha infância, adolescência, juventude, vida adulta, com todos os detalhes, todas as coisas ali mostrando quem eu verdadeiramente sou, sem máscara, sem ocultação. Senti que não era um julgamento, e sim um ponto de reconsideração e ressignificação das dores.
Vi erros graves, ações que causaram mal a outras pessoas, situações de risco desnecessário, e em cada uma delas experimentava um profundo arrependimento, mergulhando cada vez mais numa misericórdia divina cujo amor eu desconhecia naquela proporção. Chorei profundamente, ajoelhei-me e prostrei diante daquela Luz.
Alguém que não vi, portador de um amor infinito, toucou minha cabeça e abruptamente voltei ao meu corpo, acordei assustado, tateando meu tórax, minha face, olhando meus pés, minhas mãos, abracei a árvore, sei lá por que fiz aquilo. Sonhei? Foi real? Todos aqueles momentos ficaram até hoje colados na minha memória. Repasso cada instante, passo a passo, vejo a Terra azul, vejo o campo, e cada vez mais sinto que alguma coisa aconteceu ali naquela dia e naquela hora.
É isto aí!
quinta-feira, 21 de outubro de 2021
Torturas de Amor (com Maria Creuza)
A baiana Maria Creuza, cantora de uma voz afinadíssima, trafegava nos anos 70/80 entre o samba e Bossa Nova, onde ganhou fama por sua parceria com Vinícius de Moraes, Francis Hime e Toquinho, com os quais excursionou em vários shows internacionais.
Esta música que posto hoje tem uma fato no mínimo curioso - foi censurada pelo Regime Militar em 1974. Abaixo o comentário extraído do site RadarSe
“Torturas de Amor” foi lançada pelo próprio autor Waldik Soriano por volta de 1962, mas não alcançou o sucesso esperado, aos poucos foi sendo incorporada ao repertório de outros cantores – Cauby Peixoto, Altemar Dutra, Nelson Gonçalves, Agnaldo Timóteo, Maria Creuza, Fagner Fafá de Belém e uma promessa de Roberto Carlos: “Certa vez eu encontrei Roberto Carlos no aeroporto e ele disse: ‘Waldik tem uma música sua que um dia eu vou gravar’. É aquela que diz assim ‘apareceste afinal, torturando este ser que te adora...’ “Tortura de Amor” enfrentou problemas com a censura após a regravação do próprio autor em 1974. Proibida a execução em rádio, em locais públicos, enfim, em todo o Brasil. O cantor dizia que a censura daquela época era burra e radical, Tortura é uma palavra poética: ‘não me tortura tanto, meu amor...vivo torturado por ti...’
Tortura de Amor
Hoje que a noite está calma
E que a minh'alma esperava por ti
Apareceste afinal
Torturando este ser que te adora
Volta,
Volta, meu amor
A noite é nossa
Hoje eu quero paz
Quero ternura em nossa vida
Quero viver por toda vida
Pensando em ti
quarta-feira, 20 de outubro de 2021
A doida e eu

A doida vai pela rua nua
terça-feira, 19 de outubro de 2021
Tabacaria (Álvaro Campos) Análise do poema
Nota² Álvaro de Campos é um dos heterônimos (e talvez o mais importante) de Fernando Pessoa. Foi criado em 1915, nasceu em Tavira, no extremo sul de Portugal, a 15 de outubro de 1890. Estudou Engenharia Naval, na Escócia. No entanto, não exerceu a profissão por não poder suportar viver confinado em escritórios.
Talvez seja o poema mais conhecido de Álvaro de Campos. Oscilando entre o mundo interior e a realidade cósmica, universal, o poeta trata, ao mesmo tempo, da angústia com o quotidiano e dos sonhos de libertação. Isso pode ser observado a partir dos primeiros versos, cujo sentido vai se constituir na base de todo seu poema.
Repare que o poeta é absolutamente niilista em relação a si próprio (“não sou nada./ Nunca serei nada./ Não posso querer ser nada”), mas, em compensação, ele sabe que tem “todos os sonhos do mundo”.
Fechado em seu quarto, solitário, o eu-poético contempla uma rua, onde percebe um mistério, que é a morte e o destino que ninguém vê. Essa percepção extraordinária das coisas se dá devido à sua grande capacidade imaginativa, que o faz ver o que os outros não podem ver.
02 - A utopia inútil
Vivendo seus sonhos, ele procura esquecer toda aprendizagem (isto é, aquilo tudo que aprendeu com os homens) e parte em busca da natureza, contudo essa solução não o satisfaz, na medida em que se sente desconfortável em qualquer lugar que esteja (“estrangeiro aqui, como em toda parte”, dirá o poeta em outro poema).
Álvaro de Campos é radicalmente diferente de Alberto Caeiro (e mesmo de Ricardo Reis); a sua angústia, a sua lucidez não permitem que seja inocente, natural. Voltar à natureza torna-se uma utopia inútil.
Na sequência, o poeta volta a opor a fantástica capacidade de sonhar à limitação do mundo exterior. Mas a sensação de euforia com o sonho não dura muito; mais adiante do poema, ele toma consciência de que os sonhos nada valem, pois as aspirações altas e nobres e lúcidas talvez nem vejam a luz do sol, nem atinjam ouvidos de gente.
Na verdade, “O mundo é para quem nasce para o conquistar / E não para quem sonha que pode conquistá-lo”, ainda que tenha razão. Por isso, apesar de ter conquistado mais do que o grande conquistador Napoleão, de ter amado mais do que Cristo e de ter filosofado mais que Kant, isso de nada vale, na medida em que tudo se processou na imaginação.
Para expressar essa sua impotência perante a realidade, Álvaro de Campos serve-se da imagem do homem que espera que lhe abram a porta numa parede sem porta, ou do homem que tenta fazer que sua voz chegue até Deus, cantando dentro de um poço tapado.
03 - O Pensar é doloroso
Assim, o poeta vê-se como um “escravo cardíaco de estrelas”, ou seja, uma pessoa que sonha com as estrelas e sofre de uma doença cardíaca, que o impede de ter emoções fortes, ou como quem só conquista tudo em sonhos. O resultado é um distanciamento cada vez maior da realidade, do mundo visível.
A consciência disso causa-lhe um cansaço, um sofrimento, de maneira que passa a invejar uma menina que come chocolates inocentemente. Nesse momento, Álvaro de Campos toca num aspecto que é uma constante na obra de Fernando Pessoa: pensar é doloroso, por impedir o homem de ser feliz.
Na outra estrofe, ao sentir o vazio dentro se si, o poeta procura alguma coisa que o inspire. Por isso recorre a musas inspiradoras do passado, mas a sensação de vazio continua a mesma, já que seu “coração é um balde despejado”.
04 - A angústia
Na realidade, Álvaro de Campos expressa aqui a angústia do homem moderno, que não encontra mais ponto de apoio para as suas inquietações e, por isso mesmo, se entrega ao desespero. Essa consciência da inutilidade de tudo leva Campos a sentir-se um exilado, um ser à parte em relação à humanidade.
Ele imagina o mundo como se fosse um teatro, onde todos representam e o “eu” é o único que não sabe nem pode representar. Devido a isso, o seu lugar no teatro é no vestiário e nunca no palco.
05 - A solidão
Os versos finais do poema colocam frente a frente o eu-poético e o dono da tabacaria que representa o homem comum, o homem sem inquietações metafísicas. Ao vê-lo, o poeta experimenta uma sensação de desconforto e passa a ter a sensação da absoluta inutilidade de tudo, até da própria poesia. O poema fecha com a absoluta solidão do poeta, que tem consciência de que nada vale a pena, enquanto o dono da tabacaria, sem consciência alguma do que o rodeia, apenas sorri.
















