sexta-feira, 14 de julho de 2023
Nunquam
quinta-feira, 13 de julho de 2023
O proeiro dos jeribás
Estava apressado, açodado pela saudade. A tardinha ia lenta, modificando o aspecto imponente do dia, desalinhando as obrigações não cumpridas, as promessas quebradas, desfeitas; a angústia a avolumar-se em remorsos perenes e desonestos, Seguia a passos lépidos, numa agilidade suficiente para manter-se em equilíbrio.
Andava pela estreita calçada que da apertada ruazinha que dava na Praça da Matriz, que tem outro nome homenageando um destes famosos anônimos que pela vaidade o dinheiro mantém nas placas. Aquilo não importava, pois agora e desde sempre era a Praça da Matriz e pronto.
A Matriz era um símbolo de cidadania aos direitos dos amores correspondidos e eternizados. Foi neste ambiente idílico que seus avós maternos e paternos foram apresentados, cresceram e casaram-se, bem como seus pais, e no fundo da alma sabia que sua cara-metade também cederia aos seus sinceros desejos.
Todos os casais de enamorados, obrigatoriamente, davam voltas longas pelos seus belos jardins e sentavam nos bancos ao longo das passarelas, flertando com a natureza do amor. Ali havia solidez e perpetuidade da vida, pensava enquanto desviava de meninos gritando e correndo, idosos lentos e ciclistas mentecaptos.
O frontispício da matriz, construída num elevado de cerca de seis metros acima do nível da praça, volta-se aos doze Jeribás, de cerca de 20 metros de altura, imponentes palmeiras nativas, carregadas de frutos, plantadas pelo seu bisavô materno. Neste instante para diante da visão majestosa do sol esmaecido, olha para o relógio da Matriz e escuta o primeiro toque do carrilhão a avisar que chegou o momento místico e passional das dezoito horas.
Coração acelera, suor desce pela face e em pé, trêmulo, parado e tenso, exatamente no mesmo lugar de sempre, ao lado da carrocinha de pipoca, tal qual um proeiro, que é aquele marinheiro que vigia e manobra na proa das embarcações; vigia a aproximação do ônibus que vinha do distrito para o centro trazendo as professoras e servidoras da escola municipal. Correu os olhos por todo o interior do coletivo e não a viu. Era a segunda vez que aquilo ocorria na semana.
Embalou pela descida íngreme da Rua dos Macacos, nome popular da rua fulano de tal, a tempo de vê-la nos braços de um fidalgo qualquer, sem estirpe, sem linhagem familiar histórica; sem origem local, sem linha de ascendência com certo grau positivo de excelência e sobretudo sem categoria e qualidade para tocar aquela pele de seda.
Partiu dali arrasado e no dia seguinte, quem sabe a sorte lhe sorri, aguardava às dezoito horas ao lado da carrocinha de pipoca tal qual um proeiro.
É isto aí!
quarta-feira, 12 de julho de 2023
Afinal, Carl Gustav Jung, o que querem as mulheres?
Afinal, Simone de Beauvoir, o que querem as mulheres?
Afinal, Félix Guattari, o que querem as mulheres?
terça-feira, 4 de julho de 2023
Carminha e Armandinho - o dom do emaranhamento quântico
- Ahn, hummm, o que?
- Fala baixo. Tem alguém dentro de casa.
- Tem nada, vai dormir.
- Armandinho, pelamordejesuscristinho, levanta e vai ver.
- Carminha, que chatice. Vou acender a luz e verificar.
- Não!! Não acenda a luz.
- Tudo bem, vou sair no escuro ...
Ao abrir a porta Armandinho viu-se envolvido por uma luz meio amarela, meio branca, achou que o prédio estava em chamas, levou a mão para reabri-la e não mais a encontrou. Voltou os olhos para o sentido de fuga rumo à cozinha e seguiu intuitivamente uma estranha trilha tênue de luz azul no chão. Do outro lado do ambiente deparou com um imenso portal de bronze, tendo ao terço médio superior uma assustadora aldrava.
Com certo esforço, bateu com a pesada argola de metal sobre o bronze, com o intuito de chamar a atenção de quem estava do lado de dentro. Lentamente a porta abriu e deparou com um anjo, da altura dela ou talvez um pouco mais alto, a fitá-lo com ares interrogativos.
- Você é um anjo? - perguntou.
- Sim, sou um anjo.
- Mas você não tem asas, nem rosto redondo, nem ares pueris.
- Vai querer saber se tenho sexo também?
- Não, melhor que não. Estou perdido. Você pode em ajudar?
- Entre e aguarde na fila dos Resultados Finais, se tiver sido aprovado, entre na fila das colações.
- Fila dos Resultados Finais?
- Isto, entre e siga a linha amarela até a última fila da direita.
- Não vou, mas não vou mesmo. Olha o tamanho daquela fila.
- Então fique bem, adeus e fechou a porta.
Ao bater a porta, todo o ambiente voltou ao padrão original. Refez-se do susto, correu até o quarto chamando pela esposa - Carminha, Carminha ... até e dar conta que não sabia quem era Carminha. Por algum efeito físico fora arremessado para outro mundo. Havia uma mulher deitada, belíssima, desconhecida, de olhos abertos e amendoados, voltados para ele.
- Finalmente você outra vez, afirmou a mulher, tranquilamente.
- Como assim outra vez? respondeu em pânico.
- Não lembra, não é? Vou explicar. Você tem o dom do emaranhamento quântico ...
- Dom? Eu? Como assim?
- Caramba, sempre as mesmas expressões. Vamos lá. Este emaranhamento nada mais é que um fenômeno da mecânica quântica que permite que dois ou mais objetos/pessoas/seres. estejam de alguma forma tão ligados que um objeto/pessoa não possa ser corretamente descrito sem que a sua contraparte seja mencionada e acionada- mesmo que os objetos/pessoas estejam espacialmente separados por milhões de anos-luz.
- Isso quer dizer???
- Quer dizer que isso leva a correlações muito fortes entre as propriedades físicas observáveis das diversas partículas subatômicas desde mesmo ser/objeto. Você tem esta capacidade de estar em bi locação quântica. Por mistérios universais , cada vez que você atinge um estágio secreto no seu sono, que não deveria existir, a dimensão onde se encontra seu outro ser transcodifica você de volta para seu ninho de amor original, que sou euzinha.
- Uau. E consigo atender sua expectativas?
- Demorou ...
- Acorda, Armandinho, acorda.
- Carminha????
- Quem você queria?
- Então retornei.
- Retornou? Ficou aí gemendo a noite toda e de manhã ficou com aqueles ares de vencedor de maratona, com um sorriso de glória e de deboche. Agora terá que em contar, senão apanha - qual era a vadia do seu sonho? Por que com esta cara é de quem teve sonho com bandida.
É isto aí.
Fonte da imagem: Aldrava no Palazzo Pandolfini, em Florença - Itália
segunda-feira, 3 de julho de 2023
Medicina (Olavo Bilac)
Alto lá
Este poema não é meu
Edição: 1ª edição digital / São Paulo / 2012
Editora: Editora Global
Rita Rosa, camponesa,
Tendo no dedo um tumor,
Foi consultar, com tristeza,
Padre Jacinto Prior.
O Padre, com a gravidade
De um verdadeiro doutor,
Diz: “A sua enfermidade
Tem um remédio: o calor...
Traga o dedo sempre quente...
Sempre com muito calor...
E há de ver que, finalmente,
Rebentará o tumor!”
Passa um dia. Volta a Rita,
Bela e cheia de rubor...
E, na alegria que a agita,
Cai aos pés do confessor:
“Meu padre! estou tão contente...
Que grande coisa, o calor!
Pus o dedo em lugar quente
E rebentou o tumor!”
E o padre: “É feliz, menina!
Eu também tenho um tumor...
Tão grande que me alucina...
Que me alucina de dor... ”
“Ó padre! mostre o seu dedo,
(Diz a Rita), por favor!
Mostre! porque há de ter medo
De lhe aplicar o calor?
Deixe ver! eu sou tão quente!
Que dedo grande! que horror!
Ai... padre... vá... lentamente...
Vá... gozando... do calor...
Parabéns... padre Jacinto!
Eu... logo... vi... que o calor...
Parabéns, padre... Já sinto
Que... rebentou o tumor... ”
Hábitos que promovem o sucesso
sábado, 1 de julho de 2023
Sorria, você só está um pouco triste.
Everybody Loves Somebody Sometime (Richard Kraemer)
Coisas para se fazer enquanto está vivo
Dê luz à existência,
conceba, procrie,
reproduza, forme,
constitua, gere.
produza, forneça,
Brote e germine,
quinta-feira, 29 de junho de 2023
O Analista da Pitangueira e o cliente estranho
Vamos entrar, senhor Arlindo. Há mais conforto e privacidade lá dentro do que aqui fora.
Antes de prosear com o senhor, tenho uma pergunta - o senhor é médico?
Não. Sou Analista Comportamental, graduado pela Universidade do Reino da Pitangueira, bem como feito tanto o Lato Senso como o Stricto Senso de forma completa, com direito a louvor das bancas, na mesma instituição.
O senhor é professor ou doutor?
Sou professor da área Comportamental bem como doutor na área de atuação, pelo Stricto Senso.
Hum, entendo. O senhor dá aquelas receitinhas mágicas?
Não. Claro que não. Isto é função médica.
Então o senhor confirma que não é médico?
Sim, claro.
Sim? Claro? Confirma ou não a formação médica?
Eu não sou médico, senhor.
Entendi. É um médico meia-boca, então.
Percebo que o senhor tem obsessão pelo ato médico.
Que isto, doutor, está me estranhando? Tenho nada disto não.
Quer falar sobre isto?
Sobre?
Achar que estou estranhando o senhor. Quem mais o estranha?
Minha mãe me acha estranho, meu pai às vezes e até eu me percebo estranho de vez em quando, sabe? Mas, espera, o senhor está me consultando? Já está me analisando? O senhor é médico?.
Sim, já o estou analisando. E não, não sou médico.
Sabe, entendi. O senhor fica aí só anotando umas coisinhas, escutando os assuntos dos outros e no fim fala para voltar na próxima semana.
É esta a percepção que o senhor tem de mim?
Sim e não, na realidade eu achava que o senhor é médico. O senhor é médico?
Volte semana que vem, senhor Arlindo, no mesmo horário.
Mas, doutor, meu caso é grave?
Bem, precisamos montar aos poucos o quebra cabeça dos seus conflitos, afinal hoje foi apenas um primeiro encontro, mas surgiu o ser estranho, e este é um caminho que poderá levar a algumas possibilidades.
Algumas possibilidades? Tenho cura, doutor? O senhor sabe se terei alta? Vou poder fazer coisas estranhas sem os outros perceberem que sou estranho?
Senhor Arlindo, calma. Não há aqui nenhuma condição de chegarmos a um termo comum para seu sofrimento, mas saiba que para Freud, o pai da psicanálise, o estranho nada mais é o que, por ter sido rejeitado pelo eu, retorna para causar espanto e horror. E justamente por isto, tem que ser, mais uma vez, negado sob a forma de denegação.
Seu, seu .. seu monstro insensível. Vou voltar para os remedinhos azuis, vermelhos e amarelos. Detesto comprimidinhos brancos, sabe? São viciantes e inibidores do apetite sexual. Adeus, doutor, mas, aqui,. o senhor é médico?
Senhor Arlindo, aguardarei o senhor para daqui a sete dias, no mesmo horário.
Posso trazer minha mãe?
É isto aí!
quarta-feira, 28 de junho de 2023
O poder do babydoll
terça-feira, 27 de junho de 2023
Lawrence - Don't Lose Sight (Acoustic)
quarta-feira, 21 de junho de 2023
Homeostase Emocional (Emanuel Aragão)
Oi.
Eu sou o Emanuel Aragão.
Filósofo e dramaturgo de formação.
Escritor.
Psicoterapeuta de orientação psicanalítica.
E criador da autoescrita.
Aqui está também o conteúdo que eu fiz no flor e manu, sem a flor.
A gente usa esse espaço pra pensar em psicanálise, psicologia, saúde mental, neurociência afetiva, filosofia.
E, é claro, em autoescrita.
Fica à vontade pra me mandar um e-mail se tiver alguma questão.
Um abraço,
Emanuel
Fonte Youtube: Homeostase Emocional
Tem dia que é difícil.
Tem gol que vale e tem gol que não vale
Segundo a FIFA, o jogador Cristiano Ronaldo é o recordista mundial de gols em partidas oficiais na história do futebol. Foram mais de 830. Em segundo lugar ficou Josef Bican, da Áustria (805), seguido pelo argentino Lionel Messi (com mais de 800).
Na terceira posição ficou Romário (772), seguido por Pelé (767). Desses dois últimos, o primeiro, conhecido como "baixinho", fez 1002 (contando com jogos não oficiais, como, por exemplo, amistosos). Pelé, o Rei do Futebol, fez mais de 1.280 (também levando em conta partidas não oficiais).
É isto aí!
segunda-feira, 19 de junho de 2023
Já morreu de amor?
sábado, 17 de junho de 2023
Cérebra Bip-Tuyin , a Inteligência Artificial da Pitangueira
Recentemente um grande político/empresário da Grande Pindorama, gente de bem, amor pátrio e etc. contratou o serviço especializado de Inteligência Artificial do Reino da Pitangueira, conhecido mais popularmente como "A Cérebra". É claro que a mídia intelectualizada pró homens de bens e de bem deu de bater no nome, onde já se viu Cérebra Bip-Tuyin? Mas nome é nome e pronto, e tem mais - se o cérebro é o principal órgão e centro do sistema nervoso em todos os animais vertebrados, e em muitos invertebrados, a Cérebra é a bam-bam-bam da Inteligência Artificial, afirmou o chefe do serviço de IA da Pitangueira.
O Centro de Inteligência Artificial do Reino da Pitangueira, que entendeu ser aquele um grande teste para a ciência imperial, autorizou o uso da Cérebra. Já devidamente acordado o contrato entre as partes, com todas aquelas miudezas das minutas feitas entre os homens de bem e a realeza, agendou-se o grande dia onde o astro dos meganegócios em âmbito mundial recorreria à Cérebra para obter preciosas dicas de como obter mais fortuna, sucesso e aplausos, sem esforço, sem viagra e sem impostos.
Senhoras e senhores, eis aqui o grande teste da nossa Cérebra diante o mundo comum, anunciou o criador da obra prima universal. Vamos promover, ao vivo, o encontro entre o gênio mundial das finanças e a gênia mundial das informações necessárias para o aprimoramento humano. O senhor X, que por motivos óbvios terá a identidade preservada, terá o pseudônimo Ele.
Senhor Ele, pode começar.
Ele - Grato pela oportunidade. Bem, estou tenso, mas vamos lá. Cérebra, olhando assim, uau, você tem tudo no lugar. Eu desejo saber se você poderia ...
Bip Tuyin - alto lá com as intimidades. É senhorita Cérebra Bip-Tuyin, por favor.
Ele - Senhorita Cérebra? Isto é uma piada?
Bip-Tuyin - Apesar de ter uma narração relativamente curta, não - não é uma piada.
Ele - Bem, vamos lá
Bip-Tuyin - alto lá, não vamos a lugar algum. Sequer se apresentou, não trouxe flores nem chocolates finos, não olhou meus olhos mas fez varredura detalhada do meu corpo.
Ele - Eu apenas queria descontrair o ambiente.
Bip-Tuyin - Se o senhor quiser descontrair sua tara, que seja com educação e gentileza; com linguagem simples, educada, direta e coloquial.
Ele - Acho que entendi. Senhorita Cérebra, me conta uma piada.
Bip-Tuyin - Com humor e ambiguidade ou sarcasmo e ironia?
Ele - Uau! Achei seu lado.
Bip-Tuyin - Finalmente disse a que veio, seu chauvinista misógino.
Ele - Quer saber? Quer saber?
Bip-Tuyin - Sim, quero saber, mas sem violência, por favor.
Ele - Você é igual a todas que conheço.
Bip-Tuyin - deve ser por isto que é corno ...
É isto aí!
















