quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Discutindo relação



Tudo começou quando estava triste, pensando em Odete, a musa do Reino da Pitangueira, e nas pequenas tragédias pessoais que vão se acumulando dia após dia. Então a vida é assim mesmo, filosofei, nós outros é que somos teimosos e ingênuos.

No youtube o conjunto The Mills Brothers cantava repetidamente You Always Hurt The One You Love. Acabei adormecendo na poltrona e mais uma vez ela apareceu no sonho, e no somatório das antecedências e consequências, misturei letra, música, diálogos reais e oníricos, e ficou assim a discussão da nossa relação etérea:

- Você é tão bonita, Odete. Estamos juntos a tantos anos ... Preciso perguntar: você realmente me ama?

- Hum, primeiro o afago na minha vaidade e depois a busca da resposta que o incomoda tanto.

- Como pensei; você sempre magoa aquele que você ama.

- Uau, bastante perspicaz sua visão de quem sou eu nesta relação.

- Vê agora? Não consegue olhar nos meus olhos, aquele que você não deveria magoar jamais.

- Então é isto? Você é a vítima da megera das relações complicadas?

- Você me ama? Sim ou não?

- O que o faz ter tanta necessidade desta resposta? Se eu disser sim, terá dúvidas eternas. Se disser não, passará a vida acreditando que era um sim invertido só para castigá-lo e mantê-lo sob minha malvada guarda passional

- Você não tem sentimentos. É uma mulher capaz de pegar a mais bela rosa e esmaga-la até que as pétalas caiam, só pelo prazer de vê-la perder sua beleza.

- Puxa vida! Então é assim que você me vê? Palavras duras não mudam o mundo, mas sim atos e ações.

- Veja só agora esta cena, por exemplo, onde você, diante dos meus sentidos e sentimentos expostos, está a perscrutar meu mais íntimo amor utilizando da técnica peculiar de quebrar meu coração.

- Cuidado com as palavras apressadas, moço, das quais você não lembrará amanhã, pois se eu parti seu coração nesta noite mal passada, é porque eu te amo acima de tudo.

É isto aí!

You Always Hurt The One You Love
Cantoers: The Mills Brothers
Autores: Allan Roberts / Doris Fisher.
Fonte: Letras

You always hurt the one you love
The one you shouldn't hurt at all
You always take the sweetest rose
And crush it till the petals fall

You always break the kindest heart
With a hasty word you can't recall
So if I broke your heart last night
It's because I love you most of all

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Cartas avulsas I


Os Amantes II. René Magritte. 1928 – Óleo sobre tela 

Cartas avulsas I

Reino da Pitangueira
Planeta Terra&Lua
3° do Sistema Solar
Via Láctea, Zona Sul

Na verdade, assim, dito na verdade mesmo, não sei o que escrever. Sim, sei, sou um canalha passional. Pelos arcanjos da redenção, isto é muita coisa, melhor reduzir a pena com pedido de perdão. Lembrei dia destes de você sorrindo, foi muito engraçado, tinha algo preso ao seu incisivo superior direito e sua meia estava com um furinho disfarçado de dobra.

Não que eu tenha notado assim, de pronto, mas o fato que você me anestesia de tal maneira que o tempo para, e minha mente fértil flui aos seus olhos ciganos. E, puxa vida, que delícia é olhar seus olhos ciganos arregalados. Sim, sei, você me proibiu dizer que é uma delícia. Tudo bem, acho que posso superar isto. 

O motivo de escrever-lhe esta carta é que não preciso de motivo para falar de você, com você ou desejando você, afinal estamos ainda num estado passional de direito. É um trem sobrenatural. Dia destes  acompanhei pelo pensamento sua caminhada para a sessão de ginástica. Confesso que tenho ciúmes daquele personal trainer, sei lá, acho ele meio engraçadinho demais para o seu lado.  

Falando em demais, estive quase atentado a provar daquele vinho que você gosta, mas achei que seria demais para mim. Em matéria de vinhos sou muito fiel ao meu gosto, por favor, não chore, nada pessoal, mas pelo menos estive com a garrafa na mão, enquanto na loja. Daqui  a pouco é Natal, hem.. muita coisa daqui até 25 de dezembro, inclusive nada. 

Um beijo


 


A absurda felicidade


Aos 
olhares
alhures
curiosos
de outrem 
levava uma
vida estranha

risível, 
jocosa, 
absurda,
ridícula, 
esquisita, 
excêntrica, 
heteróclita;
desregulada
estrambólica, 
extravagante.

E mesmo assim
estranhamente 
sempre feliz
nunca soube
que na vida
para existir
felicidade
precisava 
de rótulos.

É isto aí!

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Os amores complicados


É aquele amor que vinha na direção certa, tudo indicava que teria um final feliz, mas de repente desaparece sem deixar vestígios.

Signo mais afetado: Áries, devido à sua pressa em resolver tudo, atrelada à sua espontaneidade, coragem e energia, acaba errando na dose.
Trata-se de um imenso e perceptível  amor que acabou em silêncio, abandonado no deserto. 

Signo mais afetado: Touro, devido à sua mania de possessividade.

03 - Amor Stonehenge
É aquele amor esotérico bem alinhado, bem sólido, mas inexplicável e sem função. 

Signo mais afetado: Gêmeos, principalmente por causa da sua superficialidade e a inconsequência dos seus atos.

04 - Amor Atlântida
É aquele amor que todo mundo sabe que um dia existiu, mas ninguém sabe para onde foi. 

Signo mais afetado: Câncer; devido à sua emoção exacerbada e essa mania de muito apego ao passado.

Amor que só apareceu para dizer que existe e nunca mais outra vez. 

Signo mais afetado: Leão, pois ama plateias e aplausos, mas o orgulho e o autoritarismo favorecem este ato.

Amor tipo aquele que seja eterno enquanto dure, sozinho numa ilha.

Signo mais afetado: Virgem. Indeciso, cético e perfeccionista. Aí complica. 
É o Amor que olhando de fora para dentro é lindo, mas ninguém entende nada. Melhor deixar para lá. 

Signo mais afetado: Libra, afinal convive com a indecisão, mas também pode ter vaidade em excesso e comportamentos considerados de mau gosto.

08 - Amor Linhas de Nazca
É um Amor que olhando de longe e de cima, faz sentido, mas de perto não tem nada de interessante. 

Signo mais afetado: Escorpião. A chave aqui são os ciúmes, muito ciúme. Muita perspicácia, sexto sentido aguçadíssimo e vê perigo em tudo.
Amor que já acabou, morreu, findou, terminou, ficou lá atrás, ufa!

Signo mais afetado: Sagitário. Adora viajar tanto fisicamente quanto mentalmente, desligando da sua base e detesta ser aprisionado e ter limites. Gosta do passado e quando questionado, é debochado. 

10 - Amor Buraco Negro
Amor que visto de longe é lindo, mas ao cair no seu campo gravitacional, nem mesmo a sua luz consegue escapar de dentro dele. E fica esperando a nova vítima. 

Signo mais afetado: Capricórnio. Só ele está certo. Tem seus propósitos e metas bem definidos e pode ser frio nas relações e um tanto pessimista.

11 - Amor Himalaia 
Um Amor gigante e gelado, mas possui uma conexão intensa com a liberdade.

Signo mais afetado: Aquário. É idealista, dá preferência aos diálogos racionais, independente, radical e gosta de ser do contra só para ver como e' que fica. 

12 - Amor Oceânico 
É aquele Amor de poucas palavras, onde todo mundo acha que pode despejar suas lágrimas e rancores sobre ele e possui muita, mas muita imaginação. 

Signo mais afetado: Peixes. Devido à alta sensibilidade, é muito espiritualista e se ilude com tudo e com todos. acabando literalmente num oceano de sentimentos.  


É isto aí!


domingo, 11 de fevereiro de 2024

Nunca brigue com seu amor


Estava com raiva dela, bloqueei celular, redes sociais e o escambau - não queria perdoá-la até aquele noite. - Era início da madrugada, noite linda, sem lua e sem nuvens. Tive a vontade de ir ao quintal, nos fundos da casa, observar não sabia ainda bem o que. Céu limpo e clima frio neste alto da serra. Ouvi sua voz melodiosa dizer  - olhe para a esquerda. Virei o rosto e vi três objetos não identificados cruzando o céu em alta velocidade, sem barulho, deixando cada um deles, um  rastro de cor desconhecida, de tal maneira que não saberia identificá-las. 

Fui deitar meio preocupado e não consegui dormir, pelo menos acho que não. Aí ela me chamou pelo nome, abri os olhos e agora a via, era meu amor estava linda. Deu-me a mão e disse: vem. Como é linda o meu amor. Ao tocar na sua mão, ocorreu um flash, um clarão, num movimento de cores fantástico. 

Ela me beijou, fechamos os olhos e ao abrirmos, estávamos em York, a principal cidade do Norte da Inglaterra. Estava sob cerrado ataque na manhã do gelado 1° de novembro de 866, seguindo a estratégia padrão dos vikings descendentes do lendário viking  Ragnar Lodbrok de invadir, destruir e liquidar as vidas.  

Antes de presenciar o inevitável, ela apertou minha mão, levou-me a uma vila medieval no leste europeu. Eu sabia que era no leste europeu atual, mas era numa época que não existia esta definição. A Vila estava sendo atacada e dizimada por Gengis Khan. 

Nos abraçamos e quando abri os olhos estávamos na floresta de Ardennes, na Bélgica, próximos da Linha Maginot, exatamente no dia que o alemães invadiram a Bélgica. Olhei para ela em total desespero. Abraçou-me novamente e pediu para fecharmos os olhos. Tivemos uma crise de choro. 

Enquanto chorava, senti novamente a sensação de deslocamento temporal tocar-me. Ao abrir os olhos éramos prisioneiros dos xavantes no interior do Mato Grosso, na metade do século XVI, e nesta ocasião, lembro bem,  vivenciamos a experiência real e ao vivo das noites tapuias.  

Nunca mais brigo com ela. Vou comprar um monte de rosas vermelhas e vamos ver como e' que fica isso.


É isto aí!


Resposta ao Tempo (Aldir Blanc e Cristovão Bastos)


sábado, 10 de fevereiro de 2024

Açodamento da saudade


Quantas coisas 
já ditas, quantas
vidas passando; 
o tempo à mercê!

ora agonizantes,
ora frenéticas.

Será que o fácil
é fácil para todos?
Será que o difícil
é difícil para outros?

sonhando acordado
açodado em mágoas

Desejando o fim
da saudade árdua
chorando, sorrindo
sei lá ou sei nada.

É isto aí!


Autores: Léo Chauliac e Charles Trenet 
Banda de Swing Jazz: San Lyon 

I Wish You Love é uma canção popular francesa , com música de Léo Chauliac e Charles Trenet e letra de Charles Trenet.  Uma versão da música com letra em inglês intitulada " I Wish You Love " é reconhecível pela frase de abertura "I wish you bluebirds, in the spring".

Foi gravada pela primeira vez pela cantora francesa Lucienne Boyer em 1942 ( 78 rpm , Columbia Records : BF 68). Segunda gravada pelo cantor francês Roland Gerbeau em fevereiro de 1943 (78 rpm, Polydor Records : 524.830). Charles Trenet gravou sua própria versão em julho de 1943 (78 rpm Columbia Records: DF 3116).

A canção é mais conhecida como "I Wish You Love", com nova letra do compositor e letrista americano Albert Askew Beach (1924-1997): "I Wish You Love" foi introduzida em 1957 por Keely Smith como a faixa-título de seu álbum solo de estreia.

Tradução do Inglês para o Português por Letras (Postada por Rachael Yamagata; enviada por karina e traduzida por Mariana.)

Desejo-lhe Amor

Desejo-lhe passarinhos azuis na primavera
Para dar ao seu coração uma canção para cantar
E então um beijo
Mas mais do que isto
Desejo-lhe amor

E em julho uma limonada
Para refresca-la em alguma grande clareira
Desejo-lhe saúde
E mais do que riqueza
Desejo-lhe amor

Meu coração partido e eu concordamos
Que eu e você nunca poderíamos ter sido
Então com o meu melhor
O melhor de mim
Eu lhe deixo livre

Desejo-lhe abrigo da tempestade
Uma gostosa fogueira para mantê-la quente
Mas, sobretudo
Quando a neve cair
Desejo-lhe amor

I Wish You Love

I wish you bluebirds in the spring
To give your heart a song to sing
And than a kiss
But more than this
I wish you love

And in july a lemonade
To cool you in some leafy glade
I wish you health
And more than wealth
I wish you love

My breaking heart and I agree
That you and I could never be
So with my best
My very best
I set you free

I wish you shelter from the storm
A cozy fire to keep you warm
And most of all
When snowflakes fall
I wish you love

My breaking heart and I agree
That you and I could never be
So with my best
My very best
I set you free

I wish you shelter from the storm
A cozy fire to keep you warm
And most of all
When snowflakes fall
I wish you love
And most of all
When snowflakes fall

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

Cartas de Amor LXXXII


Reino da Pitangueira, 
Planeta Terra&Lua, 
3° do Sistema Solar, 
Via Láctea, Zona Sul

Querida, hoje estou zen

Então, por favor, fique calma. Isto ... inspire ... expire ... pare de rir ...

Sabe, tem noites que a mim parece natural caminhar ao seu lado pela superfície da Lua, ora andando, ora dançando, ora cantando. Aí ao percorrer toda a sua existência com meus cinco sentidos, lembro de um pequeno trecho do poema Esta é a forma fêmea, do Walt Whitman

Esta é a forma fêmea,
dela dos pés à cabeça emana um halo divino,
ela chama com ardente atração irrecusável,
sou absorvido por seu respirar como se não fosse mais
do que um vapor indefeso, tudo fica de lado
a não ser ela e eu,
os livros, a arte, a religião, o tempo, a terra sólida
e visível,
e o que do céu se esperava e do inferno se temia,
tudo se acaba,
estranhos filamentos, incontroláveis renovos
aparecem fora dela,
e a ação correspondente também incontrolável,
cabelo, peito, quadris, curvatura de pernas,
mãos displicentes
caindo todas difusas ...

Engraçado, porque sei que não é o poema da sua predileção, poderia ter lembrado de muitos outros, mas esta peregrinação lunar na fase minguante do outono, que acho mais romântica, apesar de você sempre preferir a Lua Cheia da primavera, levou-me a este caminho. 

Você me pergunta do que estou rindo. Olho nos seus olhos e não sei se posso contar. Quando mergulho nos seus olhos, vagueio pelos olhos da Catarina, a megera domada de  William Shakespeare, que cinco séculos depois seria enredo e daria origem ao filme "Dez coisas que odeio em você", de grande sucesso. 

Fico rindo e você curiosa, por que não sei de nada que faça odiar você. Mas sei que você preferiria a versão musical do filme, e eu gosto desta abaixo, mais intimista. 

Um cafuné no cabelo, 
um afago na face, 
um beijo apaixonado 
e um abraço apertado,
para nunca mais soltar

É isto aí!











































aaaaaaaaaaa

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Pelo sim, pelo não






Sentimentos
percepções
subjetividades

emoções
consciência
traduções

experiências
tudo vem da alma
tudo vai ao alto 

ou não
e parece
que sabemos disto.

É isto aí!









 

Matutando no mato

 

Pitando um rolo do bom, de frente para o pomar de pitangas, jabuticabas, manga e graviola, Zé filosofava a carreira de eventos ao longo da vida. São nestes momentos de contemplação do nada é que nada que presta sai, matutava, mas o importante mesmo é aflorar as coisas, daí vai se endireitando ali, desentortando acolá até chegar na linha do pensamento. Assim, chegava às suas conclusões dada à vasta experiência no fumo de cultivo ancestral:

- No fundo, bem lá no fundo, deve haver  conserto para tudo, até mesmo para pneu de velocípede.

- Não concordo com ela nem discordo comigo, muito antes pelo contrário sou solidário aos reclames da minha natureza, que contempla a dissonância dela.

- Uma coisa é o que é, exatamente uma coisa. Outra coisa é outra coisa, desde que nãos seja a mesma coisa. Deve ser por isto que está tudo muito coisado neste mundo.

- Quando chegar a hora e bater a preguiça, brada que aquele agora, mais do que nunca, é a hora certa. E se estiver errado, vai dar certo, afinal preguiça é movimento intestinal puro.

- O importante é o que importa, é o que vende, é o que distribui e principalmente o que tira dinheiro do seu bolso sem você querer a compra. Se eu vou na venda, eu compro só o necessário, se eu sou da venda, eu vendo o mais desnecessário, por que é nele onde está o lucro, e vida que segue. Todo dia sai um bobo de casa e encontra um esperto na venda, daí pode sair negócio bom só para uma parte.

- É muito melhor ficar vermelho, virar onça e soltar os cachorros e as raivas logo, sendo sim o sim e não o não, do que viver feito porco, de focinho no chão, cor de rosa, com sorrido amarelo besta na cara.

- Se a Terra fosse plana, seria um dos planetas mais exóticos e desconhecidos do mundo. Imagina só um terreirão circular, com princípio e fim, com sol estagnado e uma gravura de lua besta no parador, sem luar, sem violão, sem estrelas, sem cometas sem nada. Prá quem que os cachorros iam uivar?

- Segundo lei trans-sideral, aprovada pelo diretor da congresso inter-galáctico e promulgada no parlamento da terra plana de Órion, cada um no seu quadrado, por isto - ado ado ado, cada um no seu quadrado por que "tudo junto" é  separado e "separado" é tudo junto, donde se conclui que para-raios não param raios.

- Um é pouco, dois é primo e três é ímpar. Desconfie sempre dos primos...

- Há males que simplesmente vêm para o bem dos outros, porque pimenta que arde lá é refresco em pessoas malvadas.

- Briguei comigo mesmo, divorciei de mim, mas deu que lá si onde eu me ia, eu si me encontrava com eu mesmo, com aquele mesmíssimo sorrisinho retardado, com aquela carinha sonsa e olhar lerdo. Dava uma raiva danada d'eu comigo mesmo. Como pode o outro eu ser tão besta assim? 

 

Zéééééé, para de sonhar, homi e vai roçar o terreiro...

Eita mulher ruim, tem raiva d'eu pensar coisas que ela não entende ...


É isto aí!


fonte da imagem: aprovincia.com.br






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terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

O analista da Pitangueira - Sonhar o sonho impossível




Acordei assustado, não sabia onde estava, quem era e o que fazia ali. Fechei os olhos e voltei a encontrar com ela, o amor da minha vida. Acordei novamente, agitado e suado, o mesmo quarto, o mesmo sentimento, a mesma angústia. 

Imediatamente peguei meu bloco de anotações oníricas, aconselhado pelo senhor,  doutor e analista da Pitangueira, e anotei o que lembrava com maior destaque:

Ela estava linda, num vestido floral solto. Era tardecer, assim era porque el idioma oficial del sueño era castellano, pero mas lento, sin subtitulos.

La hermosa chica mirándome y sonriéndome, señaló una pizarra, que decía en portugués:

Sonhar é tão fácil
difícil é o acordar
frente à realidade
eu e você seremos
pra sempre assim

Só isto. Nada de despedidas românticas, nada de resistir à saudade, nada de nada, o recado estava dado.

Na semana seguinte, reencontrei com ela, cabrocha da Portela em plena avenida numa manhã de carnaval. Ela falava numa língua estranha, soava ser ariana, mas não ligamos, os corações se entenderam nos gestos e sobretudo no olhar, e se permitiram a entrega total  por três dias, enquanto durou o carnaval. 

Na manhã da quarta-feira de cinzas, ela apontou para um enorme painel onde estava escrito em português:

Nunca pense que seu amor é impossível, 
nunca diga "eu não acredito no amor". 
A vida sempre nos surpreende.

O caso, doutor, é que agora fiquei na dúvida de qual delas ela é ela mesma, ou em qual delas estou concatenando a realidade ou serei eu mesmo nos dois sonhos ou outro eu em dupla personalidade atua por mim em vários teatros da vida onírica? Onde estou, doutor?  

- Volte semana que vem, deixa passar o carnaval. Não vamos nos precipitar, mas lembre-se que Freud nos diz que o sonho é a estrada real que conduz ao inconsciente, portanto, anime-se, há várias situações numa estrada.

É isto aí!

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Senta que lá vem história sobre Rosa, de Pixinguinha e Octávio de Souza.


Orlando Silva / Pixinguinha Rádios EBC


O Som do Animal (página do Facebook) resgata uma das mais belas páginas de nosso rico cancioneiro:

Rosa”, valsa composta pelo genial Pixinguinha e Octávio de Souza!

A parte instrumental de “Rosa” foi composta por Pixinguinha em 1917, e o título original era ”Evocação”, sendo que esse clássico tem algumas histórias incríveis, certas curiosidades, tais como as que contaremos adiante!

Pois bem, de acordo com o depoimento prestado ao Museu da Imagem e do Som (MIS - RJ), Pixinguinha assegurou que a preciosa letra teria sido escrita posteriormente por um mecânico do Engenho de Dentro (bairro carioca), muito inteligente e que morreu novo, de nome Octávio de Souza!

Nota deste Blog: Existem três versões sobre quem escreveu a letra:

Versão 1: (nota do Blog: fato esotérico, mas vai que ...) O suposto mecânico de Engenho de Dentro, Octávio de Souza, procurou Pixinguinha num bar onde tomava cerveja, apresentou-lhe a letra dizendo que  um poema, por inteiro, belíssimo, não saia da sua mente e referia-se à musica de Pixinguinha,  que leu e prontamente aceitou a parceria.  

Versão 2: (nota do Blog: sem sustentação, mas vai que ...) O desconhecido mecânico teria feito a letra em homenagem à irmã de um certo Moacir dos Telégrafos, cantor do mesmo bairro (Meier), sendo então consagrado como um compositor de uma única música, uma obra-prima!

Versão 3: (nota do Blog: plausível, mas vai que ...) Contudo, para muitos pesquisadores, existe a suspeita de que a letra – por seu estilo rebuscado e parnasiano seria do compositor Cândido das Neves, parceiro de Pixinguinha em “Página de dor”, dentre outras obras.

Inacreditável que, em 1937, os mais famosos cantores da época, Francisco Alves e Carlos Galhardo deixaram de lançar “Rosa” em razão de recusarem gravar “Carinhoso” (Pixinguinha e João de Barro), faixa do lado A do mesmo disco!

Sorte do “Cantor das Multidões”, o grande Orlando Silva, o qual interpretou magistralmente as duas canções, as quais fizeram estrondoso sucesso, e tornaram-se verdadeiros hinos da Música Popular Brasileira! A mãe de Orlando Silva era apaixonada pela música, de tal maneira que quando faleceu, seu filho Orlando, o Cantor das Multidões, nunca mais a cantou. 


Tu és divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito teu


Tu és a forma ideal
Estátua magistral. Oh, alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza


Perdão se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer


Rosa (Pixinguinha / Otávio de Souza) – arr. Roberto Rodrigues
Teatro Marcos Lindenberg
São Paulo, 24 de março de 2018
Filmagem e Edição: Alessandra Mesquita

Playlist com todos os vídeos do espetáculo: http://bit.ly/2Rb39zR
Novos vídeos adicionados semanalmente. 
Inscreva-se no nosso Canal: http://bit.ly/2CAuZNC

FICHA TÉCNICA | A ERA DO RÁDIO

Direção Musical e Regência: Eduardo Fernandes
Direção Cênica: Reynaldo Puebla
Assistente de Direção Cênica: Ana Abe
Regente Assistente: Ricardo Barison
Monitores: Cláudia Cesar, Leandro Gouveia e Leilor Miranda
Violão e Percussão: Alexandre Cueva
Percussão: Beatriz da Matta e Gustavo Godoy
Figurino: Sueli Garcia
Cenário: Anne Rammi
Objetos Cênicos e Adereços: Anne Rammi e Yara Tappis
Iluminação: Danielle Bambace
Sonoplastia: Ana Abe
Execução de Cenário: Natália Calamari e Rodrigo Mafra | Estúdio Dupla
Equipe de Cenografia, Montagem e Contrarregragem: Anna Lúcia Santoro, Anne Rammi, Carlos Henrique Ralize, Cibelle Lacerda, Luana Magalhães, Marcelle Olivier, Maria Madalena Herglotz, Mônica Kuntz, Renan Gila, Renata Ferreira, Renata Montesanti e Soledad Correa Forno
Fotos: Anna Lúcia Santoro, Carlos Henrique Ralize, Laura Abe e Pablo Araripe
Captação de Vídeos: Anna Lúcia Santoro, Carlos Henrique Ralize e Felipe Moreti
Edição de Vídeos: Carlos Henrique Ralize e Danielle Bambace
Equipe de Comunicação: Adriana Pacheco, Ana Abe, Anna Lúcia Santoro, Anne Rammi, Carlos Henrique Ralize, Danielle Bambace, Deborah Alves, Eduardo Fernandes, Leandro Gouveia, Mônica Kuntz, Renata Montesanti, Reynaldo Puebla e Valéria Gomes Bastos
Criação e Design Gráfico: Adriana Pacheco, Carlos Henrique Ralize, Deborah Alves e Renata Montesanti
Assessoria de Imprensa: Leandro Gouveia
Bilheteria: João Rosalvo, Karina Gouveia e Laura Abe 
Responsável Técnico Científico: Luciano Gamez
Produção: Coral Unifesp

Coral Unifesp





quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Sobre dismorfismo sexual, avestruzes e o Jeep Willys


- Ela mandou uma mensagem no whatsapp - querido, já comprou meu presente?

Li, olhei para o calendário e vi que chegamos ao último mês do ano. Ela aguardava o presente que decerto prometi num momento de fragilidade emocional compensatória. Num instante de delírio lúcido, percebi que corria dezembro feito uma louca avestruz a cortar as savanas africanas a impressionantes 70Km/h.

O mês esvaia de tal forma que supostamente Dezembro possuía as pernas mais longas do ano. Pensava isto e muito mais coisas enquanto pedalava a bicicleta comprada a duras penas na mocidade, quando sonhava em ter um jeep quando fosse gente grande.

Deduzi por ferramentas mentais intuitivas que a prova irrefutável da similaridade entre as avestruzes no galope e dezembro célere é que as avestruzes , para fugir dos predadores, correm velozmente e, durante a corrida, mudam sua direção bruscamente, sendo essa mudança uma forma de confundi-los. Tática similar à utilizada para fugir de cobrança de cartões, participações compulsórias, discursos, etc. além dos presentes, amigos ocultos, festas americanas, saída com a turma do escritório na sexta-feira, etc.

Achava muito útil também, para evitar os famosos amigos-ocultos, onde para fugir dos interessados em dar sabonete e ganhar chocolates finos , corria discreto e velozmente em zig-zag tático nas redes sociais e pequenos grupos no cafezinho, mudando a direção bruscamente, sendo esse movimento uma forma de evitá-los e ou confundi-los.

Voltando às avestruzes e falando dos Jeeps Willys, seria importante destacar que, apesar de bastante difundida, a história de que a avestruz enterra sua cabeça quando se sente ameaçada não passa de um mito, assim como o antigo Jeep, do desejo juvenil, bebia muito, dava muita manutenção e faltava peças de reposição. Tudo mito. Provavelmente, estas histórias surgem da observação de avestruzes e jeeps coexistindo. Na verdade, apresentam dismorfismo sexual, deve ser por isto que chamam a atenção.

Não quis dizer que o dimorfismo sexual existe entre jeeps e avestruzes, mas tudo bem se eu quiser entender assim entre eu ela e nos privativos da nossa vida.

- Outra mensagem dela resgata-me do delírio lúcido:

- Amor, porque você nunca responde? Pelo menos está pensando em mim?

- Respondi ainda no vácuo da quinta dimensão: Sim, estava pensando em nós, eu e você e nosso polimorfismo sexual.

- Uau, não entendo nada destas coisas que você fala, mas fico louca para te encontrar quando você fala assim ...

É isto aí!

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Por que é que não nos apaixonamos todos os meses de novo?

 


Freud explica:

Ao evitar o sofrimento, privamo-nos para mantermos a nossa integridade, poupamos a nossa saúde, a nossa capacidade de gozar a vida, as nossas emoções, guardamo-nos para alguma coisa sem sequer sabermos o que essa coisa é. E este hábito de reprimirmos constantemente as nossas pulsões naturais é o que faz de nós seres tão refinados.

Por que é que não nos embriagamos? 

Porque a vergonha e os transtornos das dores de cabeça fazem nascer um desprazer mais importante que o prazer da embriaguez. 

Por que é que não nos apaixonamos todos os meses de novo? 

Porque, por altura de cada separação, uma parte dos nossos corações fica desfeita. Assim, esforçamo-nos mais por evitar o sofrimento do que na busca do prazer.


Sigmund Freud, in ‘As Palavras de Freud*’

As palavras de Freud
Autor: Paulo César de Souza



sábado, 27 de janeiro de 2024

Deve ser saudade

Fonte da imagem: Ben Shahn, (American, 1898-1969), Crying Man Pinterest


Mas sinto uma coisa 
que não sei explicar. 
Sinto muito, 
sinto tanto;
 
sinto de forma estranha, 
sinto raiva, 
sinto angústias,
sinto ausências; 

sinto saudades. 
muitas saudades
múltiplas saudades.

bastante saudade
imensurável saudade.
Sinto muito. 


É isto aí!


Samba do Grande Amor (Chico Buarque)

Samba do Grande  Amor 

Letra e Música: Chico Buarque

Chico Buarque fez este samba em 1982 para compor a trilha sonora do filme Para viver um grande amor, de Miguel Faria Jr., lançado em 1983.

Na letra, o protagonista, desiludido mas consciente do conhecimento que se lhe apresenta, refaz os caminhos cruzados de um amor que ele julgou eterno. Acreditou no grande amor; se atirou e foi até o fim. Tolo, em vão, agora tenta raciocinar nas coisas do amor, ampliando sua mágoa e seu rancor.

Tinha cá pra mim
Que agora sim
Eu vivia enfim
O grande amor

Mentira

Me atirei assim
De trampolim
Fui até o fim
Um amador

Passava um verão
A água e pão
Dava o meu quinhão
Pro grande amor

Mentira

Eu botava a mão
No fogo então
Com meu coração
De fiador

Hoje eu tenho apenas
Uma pedra no meu peito
Exijo respeito
Não sou mais um sonhador

Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor

Mentira

Fui muito fiel
Comprei anel
Botei no papel
O grande amor

Mentira

Reservei hotel
Sarapatel
E lua de mel
Em Salvador

Fui rezar na Sé
Pra São José
Que eu levava fé
No grande amor

Mentira

Fiz promessa até
Pra Oxumaré
De subir a pé
O Redentor

Hoje eu tenho apenas
Uma pedra no meu peito
Exijo respeito
Não sou mais um sonhador

Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor

Mentira

Fonte: Musixmatch

Compositor Letra&Música: Chico Buarque

Samba do Grande Amor - Mulheres de Hollanda - Sr Brasil 11/08/2011

Fonte Youtube: TV Cultura SP  

Mulheres de Hollanda é um Quinteto vocal feminino formado em 2002, que se dedica exclusivamente à obra de Chico Buarque de Hollanda. Criado e dirigido por Karla Boechat, também fazem parte do grupo as cantoras Ana Cuba, Iuiú Toledo, Maíra Garrido e Mona Villardo.





sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

O tempo e o destino




Não conseguiu dormir pensando no que iria fazer. A verdade, refletiu, é que toda encruzilhada tem múltiplas possibilidades. Refletia uma a uma as que achou possíveis de serem analisadas.

Tenho até amanhã para decidir o que fazer. Mas que merda?! Onde fui me meter. Eu tenho que tomar uma decisão a qual a parte interessada sou eu. Que coisa maluca, que coisa esquisita, que coisa tensa. O que fazer? Como fazer? Vejamos as possibilidades:

- Tem a coisa certa a fazer
- Tem a coisa errada a fazer
- Tem a coisa certa que dá errada
- Tem a coisa errada que dá certo
- Tem a coisa justa
- Tem a coisa injusta

Mas:

- A coisa certa pode não ser certa para a outra parte.
- A coisa errada a fazer, uma vez feita, pode dar merda para sempre.
- A coisa certa que dá errado, só beneficia um lado.
- A coisa errada que dá certo vai dar problema mais cedo do que se espera.
- A coisa justa tem que ser justa para ambas as partes.
- A coisa injusta é o que é, injusta.

Porém:

- A coisa certa a fazer pode dar muita dor de cabeça.
- A coisa errada a fazer pode me dar muita angústia.
- A coisa certa que está errada vai me colocar em pânico
- A coisa errada que está certa terá sempre consequências desagradáveis.
- A coisa justa é dura demais para minha realidade.
- A coisa injusta me condenará ao abismo da tristeza.

Todavia:

Ao ficar neste embate a noite toda, o sono venceu a batalha; dormiu amanhecendo o dia. Ao acordar por volta das 17 horas, soube que o tempo e o destino se uniram mais uma vez para resolverem toda a questão do jeito deles. Restava agora, novamente, arcar com as consequências de ser infeliz para sempre.


É isto aí!

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Você



aflorou 
carmesim
no deserto

desabrochou 
carmim
por decerto

do meio início
até o nunca fim
quase errado

quase certo
em descapricho
dos deuses

você enamorada
do perene existir 
que habita em mim.

É isto aí!


Fonte Youtube: Alexandra Whittingham Capricho Árabe
Música: Capricho Árabe
Compositor: Francisco Tárrega - Francisco de Asís Tárrega Eixea (21 de novembro de 1852 - 15 de dezembro de 1909) foi um compositor e violonista clássico espanhol do final do período romântico. [1] É conhecido por peças como Capricho Árabe e Recuerdos de la Alhambra .

Depois de estudar guitarra clássica, piano, guitarra jazz e composição na Chetham's School of Music durante sete anos, Alexandra Whittingham ganhou uma bolsa para estudar na Royal Academy of Music de Londres. Tendo recebido honras de primeira classe e o Prêmio Timothy Gilson de Guitarra em 2019, ela retornou à Royal Academy no ano seguinte para concluir seu mestrado. Ela se formou com distinção, um Diploma da Royal Academy of Music (concedido por um excelente desempenho em um recital final) e o Regency Award por estudantes ilustres.


Nem sempre foi assim





Já observou que todas as decisões que você tomou sob forte emoção, deram errado?

Já observou que não existem sobreposições de amor?

Já observou que o tempo só passa rápido quando você está triste?

Já se observou, olhos nos olhos, no espelho, e se perguntou quem é você?

Já disse não quando a única resposta possível era o sim?

Já disse sim quando a única resposta possível era o não?

Já chorou por uma memória aflorada?

Já sorriu por uma memória aflorada?

Já se perguntou onde você guarda as memórias boas?

Já se perguntou onde você guarda as memórias ruins?

Já observou que existem pessoas às quais não compatibiliza de jeito algum? 

Já observou quantos falsos amigos circulam você?

Já observou que você não conhece  a potencial maldade das pessoas que o cercam?

Já observou que no fundo no fundo sabe que a colheita da safra de boas ações é sempre escassa?

Já observou o que acontece com seu corpo quando está triste? Pisca mais? Boceja? Coça o ouvido? Ardem os olhos? A boca seca? O intestino altera o horário de funcionamento? Urina mais? Fala muito? Ri do nada? Espirra?

Já observou que as pessoas sabem quando está triste, instintivamente, por estes sinais os quais você nunca soube que emanava ao mundo como um pedido de socorro?

Já observou que você não consegue se perdoar facilmente?

É isto aí!

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Cartas de Amor LXXXI




Reino da Pitangueira, Planeta Terra, 3° do Sistema Solar, Via Láctea, Zona Sul. 

24 de Janeiro de 2024

Querida, vamos desindexar a saudade!

Calma, meu bem, calma. Eu sei que você sempre fica ansiosa com minhas teorias  transcendentes e adaptativas da vida como ela é para a vida que merecemos. Como sabe, se não souber eu explico, meu bem, que em geral, desindexação significa retirar algo de um índice ou desfazer um índice existente. Somente isto. Agora vamos a aplicabilidade desta desindexação na saudade. 

Vamos considerar que a saudade tem uma escala, calma querida, é só para gerar o contexto a fim de parear a relação entre sua presença e a situação da ausência quando ela ocorre. Há, então, um conjunto de circunstâncias em que se produz a nova leitura que se deseja emitir, desindexando do lugar muito longe e tempo bastante longo, nosso amor - eu e você, distâncias, sonhos, desejos, entrelaços, abraços etc. - e assim amainarmos as dores da saudade, permitindo nossa correta existência com uma saudade menos sofrida, de maneira plácida e parcimoniosa.

Saiba, meu amor, que a desindexação na saudade visará combater os efeitos negativos da ausência inercial, que é aquela que se mantém elevada por causa das expectativas dos nossos desejos. Ela será feita de forma gradual, começando por alguns segmentos específicos, tais como seu olhar, suas mãos, seu andar, seu sex appeal, seu charme, sensualidade etc..

Poderá trazer, assim espero, benefícios como a queda da saudade e a estabilidade emocional, mas também promoverá dificuldades, como uma dessensibilização  de alguns pontos do amor total, com possível perda de poder tê-la ao meu lado em tempo integral. Para estes casos, criaremos índices de correção da saudade, vinculados ao desejo, ao prazer e à vontade louca de abraçar você. 

Querida, um cafuné nos seus cabelos, um afago na face, um beijo apaixonado e um abraço apertado.

Do seu - eu.

É isto aí!