quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Em Minas, só o PT votou pela Educação - depois reclamam

Este blogueiro fica impressionado: Só o PT de Minas votou pela Educação. Depois os opositores conversam fiado até secar a boca:


Para surpresa do governo Federal,  a Câmara aprovou nesta terça-feira (6), por 286 votos a 124, o projeto de lei elaborado no Senado para definir uma nova fórmula para divisão dos royalties do petróleo. A medida vale para os contratos já existentes e para os que forem assinados em regime de partilha. Aprovado na íntegra, ele segue para a sanção presidencial de Dilma Rousseff. Ao contrário do texto que tramitava na Câmara, a proposta não tem a previsão de destinação dos lucros para a educação.

A partir de um requerimento apresentado pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), os deputados decidiram retomar o projeto na forma como ele foi aprovado no Senado, onde foi relatado pelo senador Vital do Rego (PMDB-PB). O projeto do senador Vital do Rego, aprovado no dia 19 de outubro de 2011 no Senado, havia sido vetado por Lula na época.

Após intensas discussões, e em votação nominal, o projeto do Senado foi aprovado. Assim, caíram pontos previstos no projeto do governo como, por exemplo, a destinação de 100% dos recursos dos royalties da União para a Educação.

Quem votou SIM, aprovou o projeto que não destina 100% dos lucros para a educação. Os deputados que votaram NÃO, rejeitaram a proposta aprovada, pois apoiavam o projeto do governo de repasse integral para a educação.


Antônio Andrade (PMDB) – Sim
Aracely de Paula (PR) – Sim
Bernardo Santana de Vasconcellos (PR) – Sim
Bonifácio de Andrada (PSDB) – Sim
Carlaile Pedrosa (PSDB) – Sim
Diego Andrade (PSD) – Sim
Dimas Fabiano (PP) – Sim
Domingos Sávio (PSDB) – Sim
Eduardo Azeredo (PSDB) – Sim
Eduardo Barbosa (PSDB) – Sim
Fábio Ramalho (PV) – Sim
George Hilton (PRB) – Sim
Geraldo Thadeu (PSD) – Sim
Gilmar Machado (PT) – Não
Isaias Silvestre (PSB) – Sim
Jaime Martins (PR) – Sim
Jairo Ataide (DEM) – Sim
João Bittar (DEM) – Sim
João Magalhães (PMDB) – Sim
José Humberto (PHS) – Sim
Júlio Delgado (PSB) – Sim
Lael Varella (DEM) – Sim
Leonardo Monteiro (PT) – Não
Leonardo Quintão (PMDB) – Sim
Lincoln Portela (PR) – Sim
Luis Tibé (PTdoB) – Sim
Luiz Fernando Faria (PP) – Sim
Marcos Montes (PSD) – Sim
Marcus Pestana (PSDB) – Sim
Mauro Lopes (PMDB) – Sim
Miguel Corrêa (PT) – Sim
Newton Cardoso (PMDB) – Sim
Padre João (PT) – Não
Paulo Abi-Ackel (PSDB) – Sim
Paulo Piau (PMDB) – Sim
Reginaldo Lopes (PT) – Não
Renzo Braz (PP) – Sim
Saraiva Felipe (PMDB) – Sim
Toninho Pinheiro (PP) – Sim
Walter Tosta (PSD) – Sim
Weliton Prado (PT) – Não
Total Minas Gerais: 41


Não há mais segredo entre quatro paredes





Já ouviu falar no "teclado espião/keylogger"?


Muitos maridos, esposas, namorados(as), funcionários, servidores públicos, administradores, executivos,  etc., andam monitorando e/ou sendo monitorados uns aos outros mutuamente através de softwares chamados "keyloggers", que são instalados discretamente no PC e monitoram constantemente o que é digitado pelo teclado, permitindo acesso às paginas, etc.. Inclusive podem ser programados para enviarem discretamente sem o usuário saber, relatórios diários por E-mail.

Porem, muitos antivírus acusam o keylogger por conter "código malicioso" e o neutralizam. Agora, inventaram o adaptador PS/2 ou USB para teclado, que é um dispositivo de hardware (uma peça), que vai plugada entre o PC e o TECLADO. Ele possui uma memória interna de 2 MB ou mais e consegue "gravar" tudo o que é digitado pelo teclado! 

Este dispositivo grava tudo digitado no teclado com saída PS/2 e USB. Ele armazena os dados em memória flash interna. Este equipamento é 100% explicativo e nenhum software ou drivers são necessários.

 Características:

- grande espaço de memória 2MB

- menu de texto avançado para visualização de dados gravados, frase de pesquisa, Chave de filtragem, desligue Contador e muito mais!

- Sistema super rápido de recuperar o conteúdo da memória (125 kB/s) com o Download Accelerator USB (incluído no dispositivo)

- Compativel com todos os teclados PS/2 e USB

- Não necessita de software

Aplicações:

- Monitorar o uso da Internet

- Controlar a produtividade dos funcionários

- Monitor de tentativas de acesso não autorizado

- Detectar Backup texto digitado

- Coletar estatísticas de uso do computador

- Monitor atividade de computador de seus filhos.

- Monitorar E-mail, chat, MSN entre outros.

- Salvar uma cópia dos documentos escritos

Utilização

Basta conectá-lo entre o teclado e a porta de entrada do teclado na parte de traz do seu computador. Nenhum software ou drivers são necessário. O dispositivo imediatamente começa a gravar tudo que é digitado. O dispositivo é completamente explicativo.

Esta publicação foi feita em nov 2012. Estamos em nov 2024, já se passaram doze anos. Assista no vídeo abaixo o que estava acontecendo em 2021:

Fonte: https://blog.starti.com.br/keylogger-o-que-e/


 


Não estamos sós...



Você, provavelmente, está incluido entre os 99,99% da população mundial que desconhece as palavras Ad Networks; Web Analytics e Social Buttons, mas você anda com regularidade na Internet. E eles têm a missão de saber onde você anda, com quem você anda, o que você faz (inclusive aqueles passeios em sites pornô que você vê escondido de você mesmo).

E para que eles fazem isto? A resposta é simples: Dinheiro$$$$$Muito dinheiro$$$$. Nós somos nada mais do que a real possibilidade de lucro destas empresas.

O mercado mundial de Ad networks é avaliado em US$ 2,5 bilhões em faturamento de mídia (dados do Interactive Advertising Bureau – IAB) e os programas de afiliados devem faturar US$ 6,5 bilhões em vendas (segundo a eConsultancy).

Uma empresa que abranja toda a cadeia das Ad Networks, significa que ela domina todos os formatos de advertising para internet, para mobile, vídeo, mídias sociais e outros.

Normalmente, os fornecedores de redes de publicidade (bem como os operadores ou editores de sites na Internet) colocam cookies (testemunhos de conexão) no disco rígido dos visitantes, sobretudo no programa de navegação dos utilizadores da Internet, quando estes acessam pela primeira vez a sites da Internet que contêm anúncios que fazem parte da sua rede.

Uma vez instalados no computador, os “cookies” (testemunhos de conexão) monitoram o comportamento dos utilizadores individuais quando navegam na Internet, a fim de catalogar os seus prováveis compradores. A política de privacidade deste processo não nos pertence.

Desta forma, uma empresa, ou mesmo um governo, consegue identificar quem está naquele momento utilizando do sistema, pelos dados armazenados, tais como hora, acessos freqüentes, sites visitados, etc. Alguns cookies podem captar certas informações demográficas (certas informações anônimas sobre você enquanto usuário, como idade, altura, peso, gosto musical, literatura, etc.) com certos provedores de redes de anúncios, para ajudá-los a publicar anúncios mais relevantes em suas redes de anúncios.

 O cookie permitirá que o fornecedor da rede de publicidade reconheça um antigo visitante que regresse a esse site da Internet ou visite qualquer outro site que seja parceiro desta rede. Também permite que a rede de publicidade (responsável pelos anúncios) reconheça o seu computador cada vez que lhe envia um anúncio on-line.

Estas informações permitem que a rede de publicidade entregue anúncios direcionados que julgue ser de maior interesse para você, como por exemplo, priorizar anúncios de perfumes quando o visitante é mulher, artigos infantis quando é uma criança, etc.

Esses provedores de redes de anúncios usam cookies, web beacons ou tecnologias semelhantes para ajudar a apresentação, direcionar e medir melhor da efetividade de seus anúncios, usando dados coletados ao longo do tempo e em suas redes de páginas web para determinar ou prever as características e preferências do público.

Atualmente, nós podemos utilizar as definições dos programas de navegação e as declarações de privacidade para informar aos utilizadores que permitimos consentir ou rejeitar os cookies, notifique os websites que não desejamos ser rastreados (usando o cabeçalho de http Do Not Track).

Abaixo estão listados os 40 principais captadores da sua vida na Rede, até a presente data:


01
24/7 Real Media
Ad Networks
02
33Across
Ad Networks
03
[x+1]
Ad Networks
04
Accelerator Media
Ad Networks
05
AddtoAny
Ad Networks
06
Adition
Ad Networks
07
AdReady
Ad Networks
08
Aggregate Knowledge
Ad Networks
09
Baynote Observer
Ad Networks
10
Bizo
Ad Networks
11
Brightcove
Ad Networks
12
BTBuckets
Ad Networks
13
Collarity
Ad Networks
14
Comscore Beacon
Web Analytics
15
Connextra
Ad Networks
16
Criteo
Ad Networks
17
Crowd Science
Ad Networks
18
Dedicated Media
Ad Networks
19
Didit Blizzard
Ad Networks
20
Etology
Ad Networks
21
Facebook Connect
Web Analytics
22
Facebook Social Plugins
Social Buttons
23
Fetchback
Ad Networks
24
Google +1
Social Buttons
25
Google Analytics
Web Analytics
26
Gunggo
Ad Networks
27
IndieClick
Ad Networks
28
iPerceptions
Ad Networks
29
LinkedIn
Web Analytics
30
LinkedIn Button
Social Buttons
31
NetSeer
Ad Networks
32
OrangeSoda
Ad Networks
33
Reinvigorate
Ad Networks
34
Spot200
Ad Networks
35
Twitter Button
Social Buttons
36
Veruta
Ad Networks
37
ViziSense
Ad Networks
38
WidgetBox
Ad Networks
39
Yahoo Analytics
Web Analytics
40
Ybrant Media
Ad Networks

SEMANCOL - Tratamento para falta de noção!


Alto lá, este texto é excelente, bate com o que penso, mas tem dono: Nelson Jonas
E também tem fonte: http://raroevoce.blogspot.com.br/2012/02/semancol-o-respeito-ao-outro.html



Ainda não é nada fácil para mim, lidar com a alheia falta de coerência, bom-senso, falta de respeito e capacidade de dar satisfação. Ainda me azeda o estômago ter meu espaço invadido e limitado. Acho um pé no saco ter que procurar ser assertivo - com quem não é assertivo - para ter que estabelecer limites saudáveis de relacionamento sem causar melindres.

Fico me questionando: eu é que sou egoísta ou é o outro que carece de boas doses de semancol?
Por que para os outros é tão difícil - antes de tomar uma iniciativa - tentar analisar como os outros diretamente afetados pela mesma, poderão se sentir? O que fizeram com a empatia?

Por que antes de tudo, não tentam se colocar na pele do outro? Com certeza, essa simples atitude poderia prevenir uma série de inconveniências, inclusive a de ser vista como uma pessoa "espaçosa".

É o fim da picada me sentir constrangido por ter que defender o meu espaço. O fato é que essa falta de visão alheia me deixa profundamente irritado, enquanto que o outro, não está nem aí.

O que está claro para mim, parece que ainda é escuro para o outro: o meu espaço, não é público e o espaço público não é meu.

Se já não é nada fácil amar o seu vizinho, imagine só, quando o mesmo insiste em invadir suas cercas.
Fazer o que quando se vive na sociedade da incoerência? Hoje, como o que mais conta é o bem estar pessoal e não é mais o bem-estar comum, infelizmente, parece que só os loucos e brutos é que são respeitados. E a maior das incoerências: não pelo respeito em si, mas sim, pelo medo.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Afinal, o que é o Mensalão?




FONTE: http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2012/10/22/interna_politica,324747/cristiano-paz-relata-participacao-nos-fatos-que-o-levaram-a-ser-reu-do-mensalao.shtml


A entrevista reproduzida abaixo, publicada no jornal Estado de Minas em 22 de outubro último é uma das mais impressionantes de todo este processo que envolveu dezenas de personagens no caso mensalão. Deveria ter maior repercussão. Embora uma defesa pessoal de Cristiano Paz, o publicitário revela os detalhes da entrada de Marcos Valério nos seus negócios e o envolvimento direto do senador Clésio Andrade, indicando forte relacionamento dos dois últimos. O quebra-cabeças, portanto, fica mais complexo e confuso, envolvendo grandes nomes da política tupynambá.

Vamos ao relato:

"Sou um profissional de criação publicitária. O cliente me entrega um briefing e eu devolvo uma solução de comunicação. Nesse campo recebi o reconhecimento do mercado publicitário brasileiro.Como tantos outros criativos, meu talento nunca foi para números, planilhas ou administração financeira. Esse defeito de origem me levou ao pior drama da minha vida, uma tempestade que hoje enfrento, cujo horizonte é somente a minha fé em Deus. Comecei minha carreira em 1969 e em 1972 fui convidado para ser diretor de criação da Standard, Ogilvy & Mather, em Belo Horizonte. Onze anos mais tarde, tornei-me sócio da agência. Surgia a SMP&A, meu primeiro negócio. Em 1983, incorporamos a P&B e assim surgia a SMP&B, já totalmente independente do grupo multinacional.

Essa agência foi um sonho. Ganhamos todos os prêmios do mercado. Jovens e ambiciosos que éramos, partimos para uma iniciativa que descapitalizou a agência. Em 1990, abrimos um bem montado escritório em São Paulo, centro da economia nacional. Gastamos tudo que tínhamos em um prédio incrível, afinal o mercado paulista não admite erros. Terminamos a empreitada descapitalizados.
No início dos anos 90, enfrentamos o Plano Collor. As dívidas que tínhamos ganharam juros estratosféricos. Administramos essa dívida galopante por quase uma década. Fazíamos um empréstimo para pagar o outro. Perdemos crédito, sem perder a confiança. Éramos uma marca forte no mercado publicitário, com quase 30 clientes e, sob minha direção, a criação brilhava. Já a conta bancária padecia.

Em setembro de 1994, meu sócio Maurício Moreira, responsável pelas áreas administrativa e financeira, apresentou-me um resumo dos resultados. Foi um susto. Ele me poupava no dia a dia do negócio, diante da situação de crescente endividamento. No mesmo mês, Maurício sofreu um acidente motociclístico e morreu tragicamente. A morte do sócio e amigo e a crise na agência me tomaram de assalto.
Nos últimos meses de vida, Maurício, tentando encontrar uma solução para o que vivíamos, conversava muito com um consultor financeiro, chamado Marcos Valério. Não sei como eles se conheceram. Mas a intenção era salvar o nosso negócio.

Algum tempo após a morte de Maurício, Valério procurou a mim e meu sócio, Ramon Hollerbach. O consultor se propôs a ajudar, buscando soluções financeiras para a crise. Já estávamos, Ramon e eu, há quase um ano sem fazer retiradas da empresa. Vendi o meu carro e o da minha esposa. Cheguei a vender tapetes e quadros da minha casa para me manter. Qualquer um que surgisse com alguma possibilidade de solução seria muito bem recebido."

Operação salvamento

"De fato, não acreditava que algum investidor entraria como sócio da agência. Mas Valério conseguiu o que seria quase impossível. O empresário Clésio Andrade aceitou a sociedade e salvou a SMP&B.
A estratégia foi a criação de uma segunda empresa, a SMP&B Comunicação. A empresa deficitária ficaria em hibernação e a nova pagaria as dívidas com os seus resultados. O fato é que Valério negociou com todos os fornecedores e os débitos foram rolados. Ele foi de uma habilidade incrível e conquistou nossa confiança.

Na nova empresa, Clésio tinha 40% da sociedade. Ramon e eu ficamos com 50%. Valério ganhou os 10% restantes, como uma demonstração de gratidão e uma forma de responsabilizá-lo pela negociação construída.

O drama vivido por nós não era nenhuma novidade no mercado. Outra agência mineira, nossa concorrente, a DNA, passava pelas mesmas dificuldades. Daniel Freitas, reconhecido publicitário, me procurou para saber como conseguimos sair daquele momento difícil. Daniel procurou Valério e a ele foi oferecida uma solução parecida.

Clésio Andrade comprou metade da DNA, mas não participava de nada em nenhuma das duas empresas. Era um sócio capitalista típico. Entrou com dinheiro e recebia os dividendos da operação. Valério ficou como diretor financeiro e administrativo e atuava nesta posição nas duas empresas.
Em 98, Clésio decidiu entrar na vida pública. Não poderia, de forma alguma, continuar como sócio de ambas as agências. Na sua saída da DNA, negociou suas ações com Marcos Valério que as transferiu para a Grafitti, da qual Marcos, Ramon e eu já éramos sócios. Tornamos então sócios indiretos de uma empresa na qual tanto eu quanto Ramon estávamos impedidos de atuar, inclusive por determinação do contrato social. Éramos considerados concorrentes da DNA.

O Brasil aprofundava sua democratização e as agências de publicidade tinham um olhar muito atento para a possibilidade de trabalhar em campanhas políticas. Em curtíssimo prazo, uma agência poderia se capitalizar, algo impossível na gestão de contas de publicidade com custos operacionais altos. Afinal, o que se vende em campanhas eleitorais são a capacidade criativa da agência e o talento de seus profissionais em um período curto e preestabelecido.

Eu já havia trabalhado, em 1984, na campanha vitoriosa de Sérgio Ferrara, para a Prefeitura de BH e tive a honra de convidar e receber na agência para gravar mensagens de apoio à candidatura, figuras políticas históricas como Ulisses Guimarães, Mário Covas e Franco Montoro e em 1986, atuamos na campanha para a candidatura de Itamar Franco ao Governo de Minas."

O começo das transações

"Quando o PT venceu as eleições em 2002, nenhum empresário em sã consciência se negaria a aproximar-se do partido. Seria uma porta certa para campanhas eleitorais do PT em todo o país.

Conheci Delúbio Soares, responsável pela administração financeira do partido, uma pessoa que me pareceu simples. Nós nos encontramos poucas vezes, sempre em conversas cordiais. Ele pedia opiniões sobre a linha de comunicação adotada pelo Governo, análises de pesquisas e coisas sobre as quais eu tinha opinião formada, como homem de comunicação que sou. Nunca discutimos sobre dinheiro, verbas ou qualquer assunto do gênero.

A única coisa que eu sabia, através de Marcos Valério, é que o partido precisava de dinheiro para pagar dívidas de campanha e modernizar sua sede em Brasília. Ainda, segundo Valério, estava em negociação a possibilidade de a SMP&B ser uma empresa intermediária para um empréstimo bancário com essa finalidade.

Ainda pagávamos dívidas da agência antiga e não tínhamos a menor condição econômica de contrair qualquer empréstimo. Aquilo não fazia sentido.
Foi quando então o principal executivo do Banco Rural, José Augusto Dumont - havia alguns anos um dos mais importantes clientes da SMP&B e um dos maiores e mais respeitados bancos do Estado de Minas Gerais nos convocou, a mim e ao Ramon, para explicar e pedir nosso endosso.

Disse que faria o empréstimo em nome da agência e que isso não representava nenhum risco para a empresa. Explicou que isso estava sendo feito desta forma porque o partido não preenchia as condições legais para contrair o empréstimo.

O Banco Rural confirmou que a operação era legal e estava dentro das normas do Banco Central. Estas eram as nossas garantias.

Tendo assegurado pelos advogados sobre a legalidade da operação, como dizer não a um partido que crescia e se despontava na política nacional?

Nossos recebíveis foram usados como garantia para a tomada de dinheiro. Vivíamos um momento de aquecimento nos negócios, sempre na vanguarda da publicidade mineira. Tínhamos uma carteira de clientes que nos dava base para a conquista de reconhecimento e para a evolução da agência no mercado.
O empréstimo foi contraído e essa operação foi o início do meu calvário.
Não tinha o menor envolvimento nas operações financeiras da agência. Não conhecia o assunto, não me interessava por ele e nem tinha competência para isso. Além do mais, confiava no sócio que tirou a minha empresa da insolvência.
O dinheiro entrou. Perto de R$ 30 milhões. Esperava que o fato seguinte fosse uma saída volumosa para o partido, com um contrato de mútuo que seria firmado entre o partido e a agência. Mas isso não aconteceu.
As saídas eram feitas em cheques que variavam de 15 a 70 mil, nominais à própria SMP&B, assinados e endossados sempre por Marcos Valério e um dos outros sócios ou alguém da área financeira. Na prática, eram cheques ao portador, que qualquer pessoa poderia descontar na boca do caixa bancário.Na folha de controle da empresa, apenas duas letras: PT.

Os cheques chegavam juntos a outros tantos, para pagamentos de despesas administrativas, fornecedores, veículos e impostos.

Nas reuniões administrativas da empresa não se discutia repasses ou saques em dinheiro para o PT. Os temas eram corriqueiros de uma empresa ou de uma agência de publicidade: mercado, contratações de equipe, custos e ajustes operacionais.

Mas essa situação começou a me tirar o sono. Certa vez, quando tive que assinar alguns cheques, chamei a diretora financeira, Simone Vasconcelos, e disse a ela que aqueles cheques não tinham clareza na informação de destino. Mais pareciam saques da própria agência. Ela me respondeu que a orientação era essa; o que não me tranquilizava.

Na DNA, as coisas aconteciam da mesma forma. Na ausência do representante da Graffiti, os cheques eram enviados para assinatura do Ramon ou minha. Em janeiro de 2004, recebi para assinar um cheque no valor de 326 mil reais da DNA, com o formulário "Pagamento a Fornecedor". Valério se recuperava de uma cirurgia e Ramon estava viajando. Assinei em conjunto com um dos sócios da DNA.

Para minha surpresa, sei agora pelo STF, que este cheque terminou, segundo as investigações, nas mãos de Henrique Pizzolato. Funcionário do Banco do Brasil, cliente da DNA. Pessoa que conheci mas nunca tive relacionamento.

Outros cheques chegaram poucos dias depois. Desta vez, de valores também altos, já com as assinaturas dos sócios da DNA. Quando fui chamado para assinar um cheque de R$ 500 mil, recusei-me. Deixei claro que não colocaria minha assinatura em mais nada em que eu não soubesse o destino.

No dia seguinte, Valério me procurou na presença de Simone e Rogério Tolentino, para saber se era uma decisão definitiva. Nesse momento, ele me disse que isso inviabilizaria minha permanência na sociedade da Graffiti, consequentemente, a minha saída da DNA. Concordei imediatamente e deixei estas empresas."

A ascensão de Valério

"Valério, a esta altura, ganhava notoriedade. Circulava entre políticos e empresários o tempo todo. Pouco permanecia na agência. E o resultado não era o que eu desejava para minha empresa. Esse excesso de exposição incomodava alguns clientes da SMP&B.

Nunca troquei uma palavra com José Dirceu ou qualquer integrante da cúpula do Governo Federal. Estive com o ministro apenas duas vezes, na última fila de cadeiras, em reuniões que tinham a presença de quinze a vinte pessoas, em seu gabinete. Tenho certeza de que José Dirceu não seria capaz de se lembrar do meu rosto. Não dirigiu a mim sequer um olhar.

A primeira reunião dizia respeito a um empreendimento de mineração de nióbio na Amazônia. Compareci a convite do Dr. Sabino, patriarca do Banco Rural, já falecido, que pediu a minha presença. Eu gostava dele e atendi o seu pedido.

Na segunda, seria feito um convite ao Chefe da Casa Civil para a inauguração de uma moderna indústria de enlatados em Luziânia, Goiás. Da minha parte, via ali a possibilidade de conquistar um novo cliente para minha agência: a maior indústria do segmento estava para começar sua operação e precisaria de uma agência de publicidade. O que fiz, qualquer publicitário faria: uma oportunidade de estar com os empresários e buscar a conta da Brasfrigo.

Mas na SMP&B a situação estava se tornando insustentável. As discussões eram ríspidas e decidi também me retirar da empresa e encerrar a sociedade na SMP&B. Confidenciei isso a apenas duas pessoas, além de meus sócios: à minha esposa e a Álvaro Teixeira da Costa. Minha esposa me apoiou e Álvaro, com quem trabalhei diretamente naquele período, atendendo e criando campanhas para os Diários Associados, me aconselhou a refletir melhor sobre a decisão, já que a SMP&B era a síntese da minha história profissional.

Em reunião com os sócios, decidimos que permaneceríamos juntos até o final do ano de 2005. Eu continuaria cuidando apenas do que era minha responsabilidade, a qualidade dos trabalhos da agência; Ramon se dedicaria à operação da agência e Marcos assumiu que os empréstimos seriam quitados até o final do ano. Não sei ainda se foi a decisão correta, mas mesmo que eu tivesse saído da SMP&B naquele maio de 2005, não estaria livre dos ônus que carrego."

Tarde demais

Achei que tinha resolvido a situação. Mas no dia 12 de junho de 2005, Roberto Jefferson, pessoa que nunca viu meu rosto, estava no Jornal Nacional dizendo que a minha empresa protagonizou um esquema criminoso, o chamado mensalão.

A minha fé e consciência me deram o equilíbrio que precisava para conduzir aquela situação junto a meus familiares, aos funcionários da empresa e aos clientes.

Vivi momentos difíceis. Num sábado, às 5 da madrugada, a cozinheira me acordou. Quando abri a porta, dez policiais encapuzados e armados de fuzis invadiram o quarto em que dormia com minha esposa, na casa da fazenda, próxima a Ouro Preto. Tiraram a mim e minha esposa da cama, acordaram meus filhos. Fomos todos reunidos na sala sob a mira de fuzis e vistoriaram a propriedade em busca de supostos documentos enterrados. Emissoras de TV acompanharam a operação com helicópteros.

Ao final de uma situação assustadora, os policiais e o próprio Promotor, com a ordem de apreensão em punho, ficaram constrangidos com o ocorrido. Saíram sob pedidos de desculpas.

Levado à CPMI, cheguei a admitir ter assinado 20 cheques de R$ 300 mil sob ataques verbais de parlamentares que me interrogavam com câmeras e luzes ligadas. Fui convencido de que os tais cheques passaram pelo meu crivo.
Mais tarde, quando as cópias chegaram às minhas mãos, ficou comprovado que nunca havia visto os cheques e que nenhum deles tinha a minha assinatura.

Com o final da CPMI, comecei a organizar a minha defesa. Contratei advogado, mas não consegui convencer a Justiça sobre a verdade do que aconteceu na minha vida.

No julgamento do mensalão, vejo condenações repetidas e o meu nome citado como um criminoso.

Dívidas e dificuldades

Para o brasileiro comum, deve restar a impressão de que desviei verbas e participei de negociatas no Planalto, tramando compra de votos e vantagens políticas.

Escrevo este depoimento não mais para me defender, porque já fiz tudo nesse sentido. Apenas para que fique claro, não para meus familiares, amigos ou ex-funcionários que me conhecem e sabem a verdade, mas para a opinião pública que, após essa história, só colecionei dívidas e dificuldades.

A agência que criei com muito trabalho e ajuda de muitos colaboradores se desmantelou do dia para noite. Depois disso, sobraram dívidas que se tornaram ainda maiores com o financiamento da minha própria defesa, na tentativa inglória de minimizar os danos de um esquema que passou longe, muito longe da minha influência.

Minha história profissional de 33 anos junto à Usiminas, criando campanhas para a empresa e trabalhando diretamente com seus presidentes, Dr. Amaro Lanari, Rondon Pacheco e Ademar de Carvalho, Paulino Cícero, Luiz André Ricco Vicente e Rinaldo Campos Soares, está agora sendo questionada e colocada em uma vala comum.

Convivi com cada um deles, conheci de perto todas as dificuldades e vitórias desta grande empresa. Relacionei-me com Rinaldo Campos Soares, homem íntegro e bom. Acompanhei sua trajetória de engenheiro e técnico em Ipatinga, passando a chefe da usina, até se tornar presidente. Rinaldo brifava diretamente comigo as campanhas da Usiminas. Por esse relacionamento construído ao longo de 16 anos, atendi a um pedido seu. Não fiz repasses ou corrompi um político ou partido. Pedi à área administrativa que fizesse a doação e cuidasse das providências necessárias. Nada mais.

Ao longo do julgamento, vejo a minha competência criativa e de todos os profissionais que trabalharam na agência ser desmerecida quando dizem que houve desvio de verba no contrato da Câmara dos Deputados. Criamos peças de comunicação para as diversas comissões; desenvolvemos estratégias e campanhas para momentos importantes no país: o Estatuto do Desarmamento, o Estatuto do Idoso e Igualdade Racial e a abertura da comunicação da Câmara junto ao público infantil.

O trabalho desenvolvido foi sério, compromissado e foi entregue. Não houve subcontratação; não houve desvio. Está tudo documentado, com seus originais e comprovantes, nos autos.

Não tive a chance de ser interrogado diretamente pelos meus julgadores. Para mim, teria sido importante responder diretamente aos que hoje me julgam, que eles pudessem me dar a oportunidade de olhar nos meus olhos e conhecer a verdade sobre a minha participação em tudo isso.

Me vejo na iminência da condenação em um julgamento em única instância e, só o que me resta é dizer o que houve, com o coração apertado. Confiei cegamente em profissionais que dominavam a complexidade das operações financeiras. Não sou quadrilheiro, nem tomei parte de nenhum grande esquema de poder no país. Sou um criador publicitário que não soube enxergar os riscos.

Se assim não o fosse, talvez como muitos, estaria na sala de casa, assistindo ao julgamento e, no escuro dos fatos reais, das verdades individuais, concordando com cada decisão. Mas hoje, acima de tudo, agradeço a Deus pela oportunidade desse pequeno testemunho da verdade que vivi.

A inveja londrina

O jornal Financial Times, em texto assinado por um dos editores do jornal especializado no setor bancário, Patrick Jenkins, cita a recente intervenção do Banco Central no banco BVA e diz que ela "aponta para um problema mais amplo - nos últimos meses, um punhado de outros bancos brasileiros vêm encontrando dificuldades na medida em que a economia do país patina".

Segundo o jornal, os bancos no Brasil, principalmente os pequenos, vêm sofrendo com uma redução nos lucros, por conta de uma demanda menor por empréstimos, e com o aumento da inadimplência. Além disso, observa o artigo, o governo vem pressionando os bancos a reduzir suas taxas de juros para empréstimos - para níveis mais compatíveis com o mercado internacional.

O interessante é que o jornal londrino não cita por que, por exemplo, o Banco Central  promoveu a intervenção no BVA um mês depois da liquidação dos bancos Cruzeiro do Sul e Prosper, em 14 de setembro, que estavam sob administração do BC desde junho.

Segundo a Agência  Reuters, o BC detectou que o BVA tinha provisões insuficientes para ativos com riscos elevados, resultando em informações contábeis não fidedignas e a instituição precisava de um aporte de 1 bilhão de reais para recompor o patrimônio, mas seus controladores não conseguiram a injeção de capital. O BVA e o BC também tentaram, sem sucesso, uma solução de mercado para o banco.

Já no Cruzeiro do Sul, o BC encontrou uma diferença de R$ 3,1 bilhões no balanço do banco. Descontando o patrimônio líquido do banco, de cerca de R$ 870 milhões, o "buraco" nas contas é de R$ 2,236 bilhões.

Também, estranhamente, o Financial Times não citou o Itaú. O Itaú Unibanco, maior banco privado do Brasil, anunciou nesta terça-feira um lucro líquido de R$ 3,4 bilhões no terceiro trimestre, batendo, no acumulado do ano, um valor recorde que corresponde ao segundo maior lucro da história para um banco brasileiro entre janeiro e setembro.

Também não comentou nada sobre o espanhol Santander, cujo lucro no 3° trimestre da filial brasileira representa mais de 25% do resultado mundial. (fonte http://www.feebpr.org.br/lucroban.htm )

Quer saber de uma coisa Financial Times? Vão à merda!

É isto aí!