quarta-feira, 12 de março de 2014

Chapadão de Tom Jobim



Assisti a um documentário sobre o Tom Jobim na Tv, ontem, em um destes canais que ninguém acessa, e cujo nome nunca sei. Começa assim:

Vou Fazer a minha casa
No alto do chapadão
Vou levar o meu piano
Que ficou no Canecão.

Vou fazer a minha casa
No alto do Chapadão
Vou levar a don´aninha
Pra me dar inspiração

Vou fazer a minha casa
No alto de uma quimera
Vou criar um mundo novo
Inventar nova megera...

Esse poema é fio condutor deste documentário "A Casa do Tom - Mundo,Monde, Mondo", idealizado por sua esposa Ana Jobim. O filme mostra o lado humano e pessoal de Tom Jobim. O mesmo conta o envolvimento do cantor e compositor com a música, família e a natureza. Daí foi feito um DVD, já à venda, com um livro com histórias e músicas de Tom, além de fotos.

Durante o filme, o poema Chapadão intercala falas, fotos, filmes caseiros, filmes profissionais e uma entrevista com Tom Jobim. Tem, claro, as músicas, algumas delas com participações especiais como Dorival Caymmi, Chico Buarque, Paulo Jobim, entre outros e poemas, dois na realidade, um é o citado acima.

Uma coisa que chamou a minha atenção foi que Tom Jobim está triste. Em uma cena editada fala da impossibilidade de ser feliz neste mundo.

Cita Villa Lobos, de uma forma interessante,  e afirma o que na corte sempre se soube, que Villa Lobos era um pobretão moleque, que dizia um monte de coisas que para nós outros eram engraçadas. De Villa Lobos falarei outro dia.

Lógico que fala da Bossa Nova, que denomina como o grande esforço da música nacional. Segundo Tom, eles foram mandados ao USA pelo Itamaraty. Nunca havia saído do Brasil, e foi contra a vontade. "NY não tinha nada a não ser batata para comer; ninguém comia arroz".

Fala dos urubus, da ciência dos urubus, e em determinado momento tira do bolso um amarrotado papel, onde havia a muito escrito um pequeno poema para a ave. Não posso deixar de comentar que seu disco CD "Urubu" é uma das obras primas da natureza humana.

Segundo Tom, certamente Deus tem muitas planetas, com muitos brasis, e a destruição do mundo comprovará a nossa enorme incompetência.

Entre prosas e músicas, confessa sua admiração pela obra de Guimarães Rosa e Carlos Drummond de Andrade.

E dentre tantas palavras ditas, libera um aforismo que merece ser guardado:

"Intelectual não vai à praia, intelectual bebe."

Encerro esta postagem com outra frase dita por Tom, do poeta Drummond, que é para encerrar com classe:

"Os senhores me desculpem,mas devido ao adiantar das horas, sou anterior às fronteiras"

Abaixo, para registro, publico o Poema Chapadão na íntegra, que levou oito anos para ser concluído.

Chapadão - Tom Jobim

Vou fazer a minha casa
No alto do chapadão
Vou levar o meu piano
Que ficou no Canecão

Vou fazer a minha casa
No alto do Chapadão
Vou levar don'Aninha
Prá me dar inspiração

Vou fazer a minha casa
No alto de uma quimera
Vou criar um mundo novo
Inventar nova megera

Vou fazer a minha casa
Com largura e comprimento
E peço ao Paulo uma sala
Pra botar Aninha dentro

Vou botar minha biruta
No taquaruçu de espinho
Vou fazer cama macia
Pra te amar devagarinho

Seremos dois belezudos
Neste mundo de feiosos
As noites serão tranquilas
E os dias tão radiosos

Quero minha casa feita
Com régua prumo e esmero
Quero tudo bem traçado
Quero tudo como eu quero

Quero tudo bem medido
De largura em comprimento
Não quero que minha casa
Me traga aborrecimento

Vou fazer a minha casa
Do alto de uma canção
E agradecer a Deus Pai
A sobrante inspiração

Sob a axila do Christo
Neste sovaco christão
Vou fazer a minha casa
No alto do Chapadão

E vou dar festa bonita
Com bebida e com garçon
E ao Lufa que foi amigo
Dou champagne com bombom

Vou fazer a minha casa
No centro do ribeirão
Quero muita água limpa
Pra lavar meu coração

Minha casa não terá
Nem sábado nem domingo
Todo dia é dia santo
Todo dia é dia lindo

Todo dia é sexta-feira
Sexta-feira da paixão
Vou convidar o Alberico
Para o peixe com pirão

E dentro da minha casa
Nunca vai juntar poeira
Pelo meio dela passa
Uma enorme cachoeira

Quero água com fartura
Quero todo o riachão
Quero que no meu banheiro
Passe inteiro o ribeirão

Quero a casa em lugar alto
Ventilado e soalheiro
Quero da minha varanda
Contemplar o mundo inteiro

Vou fazer o meu retiro
Na grota do chororão
A minha casa será
Uma casa de oração

Vou me esquecer do pecado
Entrar em meditação
E não saio mais de casa
Só saio de rabecão

Vou entrar pra Academia
Vou comer muito feijão
E acordar à meia-noite
Pra vestir o meu fardão

Mas na minha Academia
Sem chazinho e sem garçom
Só entra Mário Quintana
Só entra Carlos Drummond

Que já chega de besteira
Já basta de decoreba
Que a cultura verdadeira
Tá na asa do jereba

Porque tem urubu-rei
E tem urubu-ministro
Dois de cabeça amarela
E um preto que registro

Registro neste debuxo
Os dois condores também
Embora urubus de luxo
Têm direito no além

Sob a axila christã
Neste sovaco christão
Vou fazer de telha-vã
A casa do Chapadão

Vou dormir meu sono velho
Neste sovaco do Christo
Vou comprar muito sossego
Vou regar o meu hibisco

Vou viver na minha casa
Vou viver com a minha gente
Vou viver vida comprida
Prá não morrer de repente

Vou contemplar grandes pedras
Vazio de compreensão
Vou esquecer o meu nome
No alto do Chapadão

Vou plantar um roseiral
Vou cheirar manjericão
Vou ser de novo menino
Vou comprar o meu caixão

E vou dormir dentro dele
Bem relax tranqüilão
Dormir de banho tomado
Já pronto para a extrema-unção

Vou fazer a minha casa
No alto do cemitério
Vou vestir a beca negra
E exercer o magistério

Vou vestir a roupa lenta
Que leva ao desconhecido
E eis que chego aos sessenta
Como um homem sem partido

Nesta passagem de vento
Nesta eterna viração
Vou fazer a minha casa
Com as pedras do ribeirão

Vou fazer a minha toca
No bico d'urubutinga
No pico da marambaia
Lá na ponta da restinga

Será no rastro das antas
Na trilha da sapateira
Que é pra onça do telhado
Cair dentro da fogueira

Que eu gosto de onça assada
Mas na brasa da lareira
Conversando ao pé do fogo
A conversa rotineira

Das queixadas dos macucos
Conversa pra noite inteira
Da memória das caçadas
Na floresta brasileira

Deste planalto central
Este projeto christão
A ninguém faltará teto
A ninguém faltará pão

Desta prancheta ideal
Na luminosa manhã
Dr. Lúcio faz o risco
Do projeto telha-vã

Nesta oficina serena
Carpintaria christã
Dr. Lúcio mais Oscar
No projeto telha-vã

Neste canteiro de obras
Onde manda mestre Adão
Os milhares de operários
Colocar as telhas vão

Neste desvão principal
Nesta branca e azul manhã
Vou erguer a minha casa
De vermelha telha-vã

Vou fazer a minha casa
No meio da confusão
Que o jereba se alevanta
No olho do furacão

Vou fazer a minha casa
Na asa d'urubu peba
Que casa só é segura
Feita em asa de jereba

Vai ser na vertente seca
Na virada da chapada
Onde o peba se suspende
Na fumaça da queimada

Não quero mais ter galinha
Vendo toda a capoeira
Vou mandar cortar o mato
E vender toda a madeira

Mas quem pôs fogo no mato ?
E espontânea a combustão ?
Esse fogo vem de longe
Esse fogo é de balão

Inda que mal lhe pergunte
Esse fósforo aí grandão
O compadre me desculpe
E só de acender balão ?

Vou botar fogo no mato
Comandar rebelião
Incendiar a floresta
Tacar fogo no sertão

E o urubu de queimada
Vai surgir na ocasião
Pra comer todas as cobras
Sapos ratos pois então !

Caracóis e lagartixas
e todos bichos do chão
Urubu santo lixeiro
Tu és da Comlurb então ?

Trabalhando o ano inteiro
Tem décimo terceiro não ?

Camiranga meu amigo
Obrigado meu irmão
Que limpa toda sujeira
Desse povo porcalhão

Q'inda por cima te xinga
De feioso e azarão
«Doação ilimitada
A uma eterna ingratidão»

E vou viver no deserto
Quero o ar puro do sertão
Não quero ninguém por perto
E nem que passe avião

Não pode ter venda perto
Nem estrada de caminhão
Não quero plantas nem bichos
Nem quero mulher mais não

Quero vestir meu pijama
Smith e Wesson na mão
Quero ler na minha cama
Papo-amarelo no chão

As histórias do corisco
Vividas nesse sertão
Que Sérgio Ricardo e Glauber
Cantavam ao violão

«Eu não sou passarinho
Prá viver lá na prisão
Não me entrego ao tenente
Nem me entrego ao capitão
Eu só me entrego na morte
De parabelum na mão»

Minha casa é por aí
E no mundo monde mondo
Que eu só durmo no sereno
Quem faz casa é marimbondo

Vou cerzir a minha asa
Na casa do Sylvio então
Pra voar que nem jereba
Bem longe do Chapadão

Vou vender o meu pandeiro
Vou levar meu violão
Favor mandar meu piano
De volta pro Canecão

Vou-me embora vou-me embora
Aqui não fico mais não
Adeus minha bela morena
Vou pegar meu avião

Adeus minha roxa morena
Minha índia tupiniquim
O meu amor por você
É eterno até o fim

Não quero partir chorando
Já tá tudo tão ruim
Não chore meu bem não chore
Não me deixes triste assim
Adeus minha moreninha
Não vá se esquecer de mim

Mas não vou ficar solteiro
Você pára de chorar
Que com a sobra do dinheiro
Mando logo te buscar

Avião papa jereba
Passa mal e cai no chão
Avião foge do peba
Peba derruba avião

Por favor seu urubu
Me deixe passar então
Não entre em minha turbina
Não derrube o avião

Eu já tô tão tristezinho
E tantos outros já estão
Não derrame meu uisquinho
Não abata o meu jatão

Vou-me embora desta terra
Meu desgosto não escondo
O afeto aqui se encerra
Quem faz casa é marimbondo

Vou-me embora vou-me embora
Você não me leve a mal
Se Deus quiser fevereiro
Venho ver o carnaval

E não quero mais ter casa
Precisa de casa não
Quem tem casa é marimbondo
Minha casa é o avião

Telefonei pro aeroporto
Não tinha avião mais não
Vou fazer minha viagem
Na asa do peba então

(Acho asa de jereba mais segura que avião)


O amor na poesia

Terceiro Amor

Francis Hime

O primeiro amor já passou
O segundo amor já passou
Como passam os afluentes
Como passam as correntes

Que desencontram do mar
Como qualquer atitude
Também passa a juventude
Que nem findou de chegar.

Como passam as gaivotas
Como passam as derrotas
Ilusões de pedra e cal
Como passam os perigos
E tantos muitos amigos
Sem deixar nenhum sinal.

Como passam os conselhos
Como passam os espelhos
Fantasias carnavais
Inocências perdidas
Como passam avenidas
Corredores, temporais
A correnteza dos rios
Como passam os navios
E a gente acena do cais.
Consolo na Praia

Carlos Drummond de Andrade

Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento…
Dorme, meu filho.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Alguma coisa está fora da órbita

Li ontem, na rede social, uma piada que relata o diálogo entre um filho adolescente e sua mãe. Ele pede dinheiro através de um bilhete e lembra de um macabro episódio onde a filha e o namorado assassinaram os pais dela, em um dos muitos episódios tristes da crônica policial, que ficou famoso pelas peculiaridades e pelo status social dos envolvidos. A mãe, por sua vez, responde com um bilhete onde recorda um triste assassinato de uma criança, pelo pai e madrasta, também em São Paulo, para negar-lhe o dinheiro solicitado.

Num primeiro momento, ao ler a "piada", tive ânsia de vômito. Senti aquela estranha sensação de que ser humano é de uma complexidade dolorida, que dependendo da óptica, será também inexorável. Como pode uma pessoa brincar com o sofrimento e a tragédia dos outros? Com qual direito se julga capaz de fazer do sofrimento de familiares e amigos das vítimas um caso para risos?

O lamentável disto tudo é que pessoas outras curtiram, postaram estímulo à piada macabra, e acharam que aquilo era o máximo. Claro que teve pessoas que bateram no aspecto ético, religioso, sensato, mas foram vilipendiados. É esta a juventude que chegará ao poder?

Poderia ser pior? Sim, alguém conseguiu que fosse pior, ao lançar, por coincidência, um "game online" onde você pode ser um dos personagens do trágico evento parricida da jovem contra seus pais, em outubro de 2002, em São Paulo.

Segundo o autor, o game  tenta mostrar e entender a motivação por trás do crime, tendo entre suas pérolas, 
uma das cenas mais chocantes, onde você joga como uma das vítimas e tem que se defender de um dos assassinos.

O jogo, classificado como "adventure game" pode ser terminado em poucas horas (é recomendado jogar tudo de uma vez só, inclusive) e tenta expor e entender as motivações de todos os envolvidos na história. Há diálogos e minigames ao longo do caminho que leva até a prisão dos culpados.

É isto aí!

terça-feira, 4 de março de 2014

Nelson sabia das coisas


A vida como ela é, bonitinha, mas ordinária.

Na República Tupynambá vizinha do Reino da Pitangueira, há uma mulher bonitinha, mas ordinária, na faixa dos quarenta anos, que não conheço, que se apresenta diariamente, diante das câmeras de um tele-jornal soltando um ódio visceral contra os pobres, os pretos e as putas. Bate impiedosamente. Seu olhar tem a marca da maldade, seu sorriso é draconiano e sua voz é luciferina.

Não bastasse expelir toda a sua fúria, merecedora de uma análise psicanalítica mais afinada, passou agora a querer ser objeto de desejo total, convocando o povo para segui-la em uma marcha triunfal pelas cinzas ruas de São Paulo.

Sempre que a vejo, recordo do Nelson Rodrigues - aquela mulher pudica, com roupas comportadas e pregação sobre a moralidade e com um civismo exacerbado que excita a massa, pois "o pudor é a mais afrodisíaca das virtudes".

"Toda mulher bonita leva em si, como uma lesão da alma, o ressentimento. É ressentida contra si mesma", e deve ser esta a razão dela ter tanta mágoa,

E ela fala com tanta veemência, que Nelson deve te-la conhecido em uma visão futurística: "Desconfio muito dos veementes. Via de regra, o sujeito que esbraveja está a um milímetro do erro e da obtusidade."

E a sua pose de honesta, determinada e convicta está explicada também por ele: "A prostituta só enlouquece excepcionalmente. A mulher honesta, sim, é que, devorada pelos próprios escrúpulos, está sempre no limite, na implacável fronteira."

Além disto, passa a mensagem de que ela é uma pessoa histérica, fria e histérica, como uma neurótica idealista e obsessiva - "Nem todas mulheres gostam de apanhar, só as normais, as neuróticas reagem."

É isto aí!



domingo, 2 de março de 2014

O Dossiê de Brentwood



O agente secreto Ronald, John Ronald, foi chamado às tres horas e quinze minutos de uma fria madrugada londrina a um sinistro endereço, já conhecido de outras reuniões com os contatos internacionais da Central de Inteligência Européia. Entrou pelo portão lateral após minuciosa revista, identificação e confirmação da presença, e foi levado à uma pequena sala sem janelas, fracamente iluminada e com uma vitoriana mesa com quatro cadeiras.

Entraram três senhores, sobretudo e luvas de lã negra, chapéu coco e óculos grossos, e sem nenhum comentário, entregaram-lhe um dossiê. Despediram e partiram. Acostumado a estes rituais, aguardou um telefonema. O celular tocou e uma voz grave cavernosa determinou que fosse para um Bentley Mulsanne cinza-chumbo, estacionado no pátio interno do casarão. Ao entrar no veículo, deparou com uma mulher de rara e estonteante beleza, séria, enigmática e vestida com conjunto vermelho, sendo a saia no formato de tulipa, valorizando todas as suas curvas, deixando sua graciosas coxas em aparente sedução.

Enquanto o motorista manobrava para sair, deu-se o diálogo, quebrando o silêncio da noite.

- Agente Ronald, prefere continuar olhando minhas coxas ou vamos começar a trabalhar?
- Desculpe, mas ainda não fomos apresentados.
- Sou a Major Heigl, Marie Heigl, da Royal M18.
- Royal M18? Santo Deus, isto é sério, então!
- Agente Ronald, por favor, não temos tempo. O Dossiê que está em suas mãos não contém cópia, não está salvo em nenhum computador e possui todas as informações pessoais, profissionais, econômicas e governamentais de altas personalidades do sistema bancário mundial. A princípio todos suicidaram, e sua missão será entregá-lo ao Agente Red Sun, que o encaminhará para a Agência Matrix obter informações que possam chegar a um senso comum:

01 - No dia 10 de Junho de 2013 o Sr. Daniel suicidou em Berna, na Suiça.
02 - No dia 23 de Dezembro de 2013 o Sr. Robert  suicidou em New York.
03 - No dia 23 de Julho de 2013, o Sr, Carsten suicidou por enforcamento, na Suiça.
04 - No dia 26 de Agosto de 2013 o Sr.Pierre enforca-se em casa, em Zurique, também na Suiça.
05 - No dia 19 de Janeiro de 2014 o Sr. Tim teve uma morte súbita por causa desconhecida, em Londres.
06 - No dia 26 de Janeiro de 2014, o Sr. William suicidou por enforcamento em Londres.
07 - No dia 27 de Janeiro de 2014, o Sr. Gabriel suicidou em um salto mortal de mais de 30 andares da sede da empresa onde trabalhava, em Londres.
08 - No dia 29 de Janeiro de 2014, o Sr. Mike suicidou em um penhasco no estado de Washington - USA.
09 - No dia 06 de Fevereiro de 2014, o Sr. Richard suicidou com um pistola de pregos, no Colorado-USA.
10 - No dia 12 de Fevereiro de 2014, O Sr. Morgan teve uma morte súbita por causa desconhecida, em New York-USA.
11 - No dia 18 de Fevereiro de 2014, O Sr. Li J. suicidou com um salto da pequena janela do 30º andar em Hong-Kong.

O carro parou, e deu uma última olhada nas coxas da Major antes de descer. Estava em frente a uma cabine telefônica. Atendeu ao terceiro toque - outra voz, com um forte sotaque escocês determinou que entrasse no táxi. Desligou e ao olhar para a rua, o automóvel já estacionava. Entrou e o silêncio permaneceu por cerca de meia hora até o final da corrida, tempo mais que suficiente para colocar um envelope dentro do forro da porta esquerda do passageiro. E seguiram para Notting Hill, no mercado de Portobello Road.

Uma moça de etnia oriental, de batom dourado e roupa de couro justa ao corpo, debaixo de um grosso casaco, abriu a porta. Enquanto saia, ela entrou rapidamente, promovendo um rápido encontro. Foi andando devagar, com o Dossiê dentro do sobretudo marrom, observando  aquelas filas de casas geminadas, algumas coloridas, que são a cara de Notting Hill. Pela primeira vez sentiu-se observado. Não gostou de saber da possibilidade.

Ao chegar no cruzamento com a Chepstow Villas, onde começa a feira de antiguidades, viu um homem em uma barraquinha cheia de bules e xícaras de chá fazer-lhe um sinal secreto imperceptível, que consistia em coçar a testa levemente com o dedo mínimo da mão esquerda. Não era um sinal qualquer, era um alerta de que algo deu errado. Seu contato não estava mais ali. Agora estava sozinho correndo contra o tempo.

Continuou a descer a rua, agora passando pelas barracas de alimentos, já lotadas pelo avanço da hora daquele sábado frio. Outra vez a sensação de ser observado e desta vez seguido. Já quase debaixo do viaduto Westway, uma moça que escolhia peças em uma estranha barraca, entre bugigangas em geral perguntou-lhe as horas. Agora sabia que a situação era de risco iminente de morte. Questão de horas. Andou devagar e mais poucos passos chegou ao final da feira.

Chegar até o final do mercado foi tenso. Caminhou lentamente para pegar o metrô na estação Ladbroke Grove, sem olhar para trás e nem para os lados. Ao entrar no metrô sentiu uma fisgada abaixo da costela esquerda, e acordou em um ambiente estranho, sujo, em algum lugar desconhecido. Usava uma roupa surrada de mendigo, com botas sem meias. A cabeça doía e latejava, o corpo estava como hematomas em várias partes. Além disto estava visivelmente com as roupas urinadas.

Percebeu que sangrava na boca, e tinha dois ou três marcas de arranhado nos braços. Tentou se levantar e caiu novamente. Desacordou. Acordou com frio e fraqueza. Havia um beagle lambendo seu rosto. Trêmulo, olhou para os sapatos de um homem, que o manteve deitado, com a sola por sobre sua cabeça. Outra pessoa colocou ao seu lado pão, café, leite, água e dois jornais londrinos. Saíram. Desacordou até a tarde. Percebeu que não tivera um sonho, os alimentos e os jornais estavam lá.

Comeu devagar, e aos poucos foi sentindo-se melhor. Levantou segurando em uma cadeira, e deu-se conta que estava em um apartamento abandonado. Chegou à janela e identificou a região com sendo Brixton, ao sul de Londres.

Tomou banho, sentou-se, comeu o resto do pão, bebeu o último gole do café, e só aí lembrou dos jornais. Pegou o primeiro e viu sua foto estampada  em meia página. Assustou-se. Em letras garrafais o enunciado:
"Serviço Secreto identifica e elimina o homem suspeito de matar 11 pessoas do sistema bancário internacional."

Pegou o outro jornal, a mesma foto e o mesmo enunciado. O texto dizia que fora surpreendido ao tentar assassinar mais uma vítima, do alto escalão do maior banco britânico. E conta detalhes da sua vida, etc. e tal.  

Tinha que sair dali, mas para onde? Lembrou de uma ex-namorada caribenha que morava em um porão da Benedict, uns dois ou três quarteirões adiante. Como chegar lá? Com certeza estava sendo monitorado. Procurou e achou micro-localizadores na roupa que usava. Por que não o mataram? Por que foi poupado? Muitas perguntas, mas o tempo e a fome apertavam.

Ao sair, dois agentes da Policia Metropolitana o detiveram por assalto a mão armada na padaria da esquina. Levado sem esboçar reação, foi identificado como o homem que realizou o delito a cerca de uma hora. Levado à  delegacia, ficou detido até a manhã seguinte, quando um advogado o liberou com ordem judicial.

Entraram em um discreto minicab, que seguiu até Brentwood, deixando-os em uma estrada vicinal cerca de três quilômetros antes da cidade. Ali andaram mais uns vinte minutos, e o advogado o conduziu para um automóvel estacionado no canto da estrada. Seguiram por mais uma hora até chegarem em uma típica casa de campo britânica.

Ronald desceu e o misterioso personagem partiu para o caminho de onde vieram. Caminhou com certa dificuldade, com dores e frio, até entrar na casa. Com a fraqueza, sua  capacidade de percepção comprometida e cansado, seguiu para o segundo andar, onde encontrou um belo quarto arrumado, roupas limpas sobre a cama e um banheiro com água quente.

Desceu, acendeu as luzes e dirigiu-se à cozinha, quando a sensação de ter alguém vigiando-o alarmou seu instinto de defesa. Mas a fome era maior. Havia uma farta mesa, com carnes, massas e vinho. Sentou-se e quando começou a comer, levantou os olhos e deparou com a Major Heigl, sentada confortavelmente na poltrona, em um delirante vestido verde.

- Parabéns, sr. Ronald! Tudo está onde deveria. Adeus!
- Adeus, Major Heigl! Mas, espere...
- Sim?
- Fica para o jantar...
- Achei que nunca iria convidar, Agente Ronald.
- Ronald, só Ronald.

É isto aí!


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O apagão moral da oposição


Ex-presidente da pátria amada regressa ao Congresso Nacional e se posiciona como o pai do Plano Real. Mentira mais que safada esta. Chama-se Itamar Franco o pai do Plano Real, contra a vontade desta mesma elite que agora apodera do processo. Mas a mídia que o banca e financia se envaidece - olha, mente tão bem que até convence.

Enquanto isto um bizarro político fluminense foi preso em regime e cela especiais. Graças a ele, mais de quarenta pessoas foram condenadas. Não vou entrar no mérito do julgamento e das condenações. Este blog não tem competência jurídica para tal. Cada qual faça para si sua percepção.

A questão que lamento é verificar que bilhões de reais escoaram por territórios oposicionistas, ao silêncio do mesmo tribunal. Isto é um fator de violência contra os princípios da Lei e da Ordem. Aos que erram e erraram a pena da Lei, mas que seja para todos. E a Mídia, a grande Mídia silencia. E os que atacam os condenados, também silenciam. Só existe ódio mesmo é contra o PT.

Para a Grande Mídia e para a Classe Média que pronuncia tudo aquilo que a elite da Casa Grande denuncia, só o PT é o partido das putas, dos ladrões, dos travestis, dos traficantes, das safadas, dos trombadinhas, dos dependentes de cocaína, dos viciados, dos tortos e dos comunistas. A oposição é uma santa enclausurada em um monastério de ternura e paz.

Sabe quando se dará um julgamento dos roubos da elite republicana que está no comando deste país desde o Baile da Ilha Fiscal? Nunca. E para que perpetue assim esta injustiça, a mídia mantém com suas ferozes hienas a voz do ódio contra tudo que não seja deles. A violência já está semeada na classe média, acostumada até então a  ver negros e pobres apenas como negros e pobres, nada mais além disto.

Ricos não querem pobres graduados, como também não querem pessoas informadas. Lembrando que ser rico não é ser classe média - ricos detestam a classe média, mas a toleram. Para os ricos, o melhor é embotá-las em crenças estapafúrdias e disseminar o medo. Quando Lula foi eleito, a campanha infernal foi por um "Risco Brasil", um tsunami que levaria o país à bancarrota em poucos meses.

Neste 2014 o "Risco Brasil" é a violenta ameaça de um golpe para um regime ditatorial. Ora, todos os filhos de todos os elitizados classe média que apoiam esta ideia sofrerão as agruras e as consequências disto, mas quem liga? Mal sabem que sardinha que acompanha tubarão vive só até acabar o cardume de atum.

Um governo ditatorial destruirá tudo, fechará universidades, Congresso Nacional, Tribunais de Justiça, recolherá o Estado Social (Saúde, Educação e Cultura), abandonará a sociedade civil, e dirá que fez isto para proteger a pátria amada da ameaça comunista. Os ricos permanecerão ricos e os idiotas acreditarão em tudo, até que começarão a perder seus empregos, seus vistos de viagem, seus cartões de crédito e as vagas de seus filhinhos nas universidade públicas.

É isto aí!

Larissa Riquelme 2014

Eis que minha musa paraguaia dá os ares da graça em 2014, exibindo uma silhueta prá lá de sedutora. Na foto, Larissa Riquelme está patinando na Coreia do Sul. Linda!



domingo, 23 de fevereiro de 2014

Vá à merda, meu amor!


Atenção - Este texto não é meu
Autor desconhecido

O noivo escreveu um poema para noiva um pouco antes do casamento:

Que feliz sou, meu amor!
Domingo estaremos casados,
O café da manhã na cama,
Um bom sumo e pães torrados

Com ovos bem mexidinhos
Antes de ir pro trabalho
Tudo pronto bem cedinho
Pra inda ires ao mercado

Depois regressas a casa
Rapidinho arrumas tudo
E corres pro teu trabalho
Para começares o teu turno

Tu sabes bem que, de noite
Gosto de jantar bem cedo
De te ver toda bonita
Com sorriso lerdo e querido

Pela noite mini-séries
Cineminhas dos baratos
E nada, nada de shoppings
Nem de restaurantes caros

E vais cozinhar pra mim
Comidinhas bem caseiras
Pois não sou dessas pessoas
Que só comem baboseiras...

Já pensaste minha querida
Que dias gloriosos?
Não te esqueças, meu amor
Quem breve seremos esposos!

Como resposta, a noiva escreveu um poema para o noivo

Que sincero meu amor!
Que linguagem bem usada!
Esperas tanto de mim
Que me sinto intimidada

Não sei de ovos mexidos
Como tua mãe adorada,
Meu pão torrado se queima
De cozinha não sei nada!

Gosto muito de dormir
Até tarde, relaxada
Ir ao shopping fazer compras
de Visa, tarjeta dourada

Sair com minhas amigas,
Comprar roupa da melhor
Sapatos só exclusivos
E as lingeries pro amor

Pensa bem... ainda há tempo
A igreja não está paga
Eu devolvo o meu vestido
E tu o fraque de gala

E domingo bem cedinho
Em vez de andar aos "PAIS",
Ponho aviso no jornal
Com letras bem garrafais:

*HOMEM JOVEM E BONITO
PROCURA ESCRAVA BEM LERDA
PORQUE A EX-FUTURA ESPOSA
DECIDIU MANDÁ-LO À MERDA!*****

O Blog, Picasa e eu



Perdi todas as imagens postadas no Blog. Nada sério, tudo bem, foram só imagens que transmitiam minha percepção do texto naquele exato instante.

Ocorre que alguma coisa, talvez um virus, um programa diferente, um processo desconhecido, etc. e tal promoveu esta coisa.

Recorrendo aos que dominam a coisa, a perda é irreversível. Acontece como merdas acontecem.

Vou, aos poucos, recuperando as imagens, e salvando no Picasa, como aprendi hoje. Tudo bem, tudo bem... não estou com pressa.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Tête Raphaëlesque éclatée [Exploding Raphaelesque Head]



Fonte da imagem: Wikipédia Tête Raphaëlesque éclatée Salvador Dali

Após a explosão atômica sobre Hiroshima em 1945, Dalí pintou uma série de cabeças e figuras fragmentadas. Algumas das formas que formam a cabeça nesta pintura são em forma sólida e fálica - inspirado por chifres de rinoceronte. A área superior do quadro, com o halo e nuvens marrons lembra fotografias de explosões atômicas. O rosto feminino, com sua expressão terna e halo fino, é reconhecível como o rosto de uma Madonna de Rafael. Dalí era um grande admirador de pinturas dos Velhos Mestres. A seção de crânio neste trabalho baseia-se no interior da cúpula do edifício Pantheon, em Roma.

Following the atomic explosion over Hiroshima in 1945, Dalí painted a number of fragmented heads and figures. Some of the shapes that form the head in this painting are solid and phallic shaped - inspired by rhinoceros horns. The upper area of the painting, with the halo and brown clouds resembles photographs of atomic explosions. The female face, with its tender expression and thin halo, is recognisable as the face of a Madonna by Raphael. Dalí was a great admirer of Old Master paintings. The skull section in this work is based upon the inside of the dome of the Pantheon building in Rome.



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Noite cheia de estrelas - Martinho da Vila





Página no Youtube: Martinho da Vila
Fonte no Youtube: Noite cheia de estrelas
Provided to YouTube by Sony Music Entertainment

Noite Cheia De Estrelas
Cantor · Martinho Da Vila
Autor:  Cândido das Neves  (Índio) (1932)

Disco Sentimentos
℗ 1981 BMG BRASIL LTDA.
Released on: 1981-09-17
Composer, Lyricist: Indio (Cândido das Neves/ 1932)
Producer: Rildo Hora
Auto-generated by YouTube.

Sobre a música:


Contrastando com o humor irreverente de Noel Rosa e Lamartine Babo, 1932 teve também o romantismo derramado de Cândido das Neves em “Noite cheia de estrelas”. Filho do palhaço, cantor e compositor Eduardo das Neves, Cândido – conhecido como “Índio”, apesar de ser negro – foi um seguidor de Catulo da Paixão Cearense, notabilizando-se como autor de canções seresteiras.

Exemplo disso é “Noite cheia de estrelas”, um tango-canção cheio de imagens rebuscadas e palavras escolhidas no dicionário: “as estrelas tão serenas / qual dilúvio de falenas / andam tontas ao luar / todo astral ficou silente / para escutar / o teu nome entre endechas / as dolorosas queixas / ao luar…”. Gravada por Vicente Celestino, a canção é um clássico dos repertórios do cantor e do autor

Responsável por uma série de serestas antológicas, Cândido das Neves, o Índio (Rio de Janeiro, 24/7/1899-idem, 4/11/1934), “Noite cheia de estrelas” foi impressa como canção, mas o público, para decepção de Cândido, não correspondia às suas esperanças. 

Vicente Celestino então intuiu que o compositor deveria mudar o ritmo. Em sua casa, Índio foi experimentando até acertar com o andamento de tango-canção. Com isso, o êxito foi extraordinário. Saiu pela Columbia em abril de 1932, disco 22105-B, matriz 381199, curiosa e erroneamente rotulada como “valsa-canção”. Até hoje, “Noite cheia de estrelas” é uma das mais admiráveis páginas do cancioneiro nacional, com melodia e versos primorosos. O próprio Vicente Celestino regravaria a composição em outras oportunidades.

Sobre a Letra:

Noite alta, céu risonho
A quietude é quase um sonho
O luar cai sobre a mata
Qual uma chuva de prata
De raríssimo esplendor
Só tu dormes não escutas
O teu cantor
Revelando à lua airosa
A história dolorosa
Deste amor.

Lua, manda tua luz prateada
Despertar a minha amada
Quero matar meus desejos
Sufocá-la com meus beijos
Canto
E a mulher que eu amo tanto
Não me escuta está dormindo
Canto e por fim
Nem a lua tem pena de mim
Pois ao ver que quem te chama sou eu
Entre a neblina se escondeu.

Lá no alto a lua esquiva
Está no céu tão pensativa
E as estrelas tão serenas
Qual dilúvio de falenas
Andam tontas ao luar
Todo o astral ficou silente
Para escutar
O teu nome entre as endeixas
Nas dolorosas queixas
Ao luar.






Manha De Carnaval - Sungha Jung (2nd time)


Fonte da imagem: Sungha Jung Wikipédia 


É a canção mais popular de Luiz Bonfá e Antônio Maria, gravada na trilha sonora do filme Orfeu Negro, em 1959. Esta canção se tornou tradicional nos meios de jazz estadunidense e é tocada regularmente também por muitos artistas internacionais. É considerada uma das mais importantes canções no mercado do jazz brasileiro nos Estados Unidos da América, que ajudou a estabelecer o movimento da bossa nova no final da década de 1950.

Sungha Jung nasceu em 2 de setembro de 1996 na Coreia do Sul. Observando seu pai, começou a tocar aos 9 anos de idade. Costumava não ter partituras para tocar, ouvia as músicas e tirava de ouvido, atualmente toca com partituras e algumas são enviados pelos próprios autores. 

É conhecido pelo seu jeito diferente de tocar, que mesmo tendo partituras originais da música, ele faz modificações. Já fez arranjos de músicas como "Missing You", "Starseeker", "Voyages with Ulli", etc...

Sungha treina aproximadamente 2 horas por dia, e demora 2 ou 3 para aprender uma nova música às vezes até uma semana para as mais difíceis no violão. Seu antigo violão foi feito sob medida para ajustar ao tamanho de seu corpo, e foi autografado por Thomas Leeb que escreveu "Keep on grooving to my friend". 


Fonte Youtube: Manha De Carnaval - Sungha Jung (2nd time)

Adios Nonino - Astor Piazzolla

Fonte da imagem: Bandoneón / Wikipédia


Hoje é considerado o compositor de tango mais importante da segunda metade do século XX, ironicamente, quando começou a fazer inovações no tango, no ritmo, no timbre e na harmonia, foi muito criticado pelos tocadores de tango mais antigos. Ao voltar de Nova Iorque, Piazzolla já mostrava a forte influência do jazz em sua música, estabelecendo então uma nova linguagem, seguida até hoje.

Quando os mais ortodoxos, durante a década de 1960, bradaram que a música dele não era de fato tango, Piazzolla respondia-lhes que era música contemporânea de Buenos Aires. Para seus seguidores e apreciadores, essa música certamente representava melhor a imagem da metrópole argentina.

Piazzolla deixou uma vasta e prolífica discografia, tendo gravado com Gary Burton, Antônio Carlos Jobim, entre outros músicos que o acompanharam, como o também notável violinista Fernando Suarez Paz.

Entre seus mais destacados parceiros na Argentina estão a cantora Amelita Baltar e o poeta Horacio Ferrer, além do escritor Jorge Luís Borges.

Algumas de suas composições mais famosas são "Libertango" e "Adiós Nonino". "Libertango" é uma das mais conhecidas, sendo que esta e constantemente tocada por diversas orquestras de todo o mundo.

A canção "Adiós Nonino", outra das mais conhecidas composições, foi feita em homenagem ao seu pai, quando este estava no leito de morte, Vicente "Nonino" Piazzolla em 1959.



Eladia Blázquez (Gerli, Província de Buenos Aires, Argentina, 24 de fevereiro de 1931 - Buenos Aires, 31 de agosto de 2005) foi uma cantora e compositora argentina de tango. Considerada a poetisa do gênero, soube conquistar o carinho das pessoas com sua arte e sua coerência.


Poema de Eladia Blázquez

Desde una estrella al titilar...
Me hará señales de acudir,
por una luz de eternidad
cuando me llame, voy a ir.
A preguntarle, por ese niño
que con su muerte, lo
perdíiacute;,
que con "Nonino" se
me fue...
Cuando me diga, ven aquí...
Renacereacute;... Porque...

Soy...! la raíz, del país
que amasó con su arcilla.
Soy...! Sangre y piel, del
"tano" aquel,
que me dio su semilla.
Adiós "Nonino"..
que largo sin vos,
será el camino.
Dolor, tristeza, la mesa y el
pan...!
Y mi adiós.. Ay! Mi adiós,
a tu amor, tu tabaco, tu
vino.
Quién..? Sin piedad, me robó
la mitad,
al llevarte
"Nonino"...
Tal vez un día, yo también
mirando atrás...
Como vos, diga adiós No va
más..!

Y hoy mi viejo
"Nonino" es una planta.
Es la luz, es el viento y es
el río...
Este torrente mío lo
suplanta,
prolongando en mi ser, su
desafío.
Me sucedo en su sangre, lo
adivino.
Y presiento en mi voz, su
propio eco.
Esta voz que una vez, me sonó
a hueco
cuando le dije adiós Adiós
"Nonino".

Soy...! La raíz, del país
que amasó con su arcilla...
Soy...! Sangre y piel,
del "tano" aquel,
que me dio su semilla.
Adiós "Nonino"...
Dejaste tu sol,
en mi destino.
Tu ardor sin miedo, tu credo
de amor.
Y ese afán...Ay...! Tu afán
por sembrar de esperanza el
camino.
Soy tu panal y esta gota de
sal,
que hoy te llora
"Nonino".
Tal vez el día que se corte
mi piolín,
te veré y sabré... Que no hay
fin.

Paulinho Pedra Azul - Custe o que custar




Paulinho Pedra Azul, nome artístico de Paulo Hugo Morais Sobrinho (Pedra Azul, Minas Gerais Gerais, 3 de agosto de 1954) é um cantor, escritor, poeta, artista plástico e compositor brasileiro.

Nasceu na cidade de Pedra Azul, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Além de músico, com 27 discos gravados, também é autor de 200 telas a óleo e acrílico e de 17 livros.

Sua carreira artística teve início por volta dos 13 anos de idade, na segunda metade da década de 1960, inicialmente com as artes plásticas. Enveredando pela música participou de um conjunto chamado “The Giants”, em que trabalhou com Rogério Braga, Mauro Mendes, Marivaldo Chaves, Salvador, Edmar Moreira e André, interpretando canções dos Beatles, The Fevers, Os Incríveis, Erasmo e Roberto Carlos, dentre outros.

Iniciou a carreira artística como guitarrista e violonista fazendo apresentações em boates, festas e reuniões empresariais. Passou também a acompanhar diferentes artistas em programas de televisão. Por volta de 1961, fez uma excursão de 65 dias com o cantor Cauby Peixoto e, ao retornar, teve sua primeira música gravada, a balada “Meu amor minha maldade”. Foi um dos precursores do rock brasileiro apresentando com seu grupo The Blue Jeans Rock nos programas apresentados por Jair de Taumaturgo, na Rádio Mayrink Veiga e na TV Rio. 

Em 1961, compôs com Renato Corte Real a canção "Só você", a primeira de várias a serem gravadas por Roberto Carlos. Em 1965, conheceu seu maior sucesso com a balada "Aquele beijo que eu te dei", lançada no LP "Roberto Carlos canta para a juventude". Em 1966, teve gravada a música "Não precisa chorar", que foi bastante tocada nas Rádios. Em 1967, novo sucesso, desta vez com "Você deixou alguém a esperar" lançada no LP "Roberto Carlos em ritmo de aventura".

Em 1968, Roberto Carlos lançou o LP "O inimitável" que teve como um de seus principais sucessos a balada "Ninguém vai tirar você de mim", parceria com Hélio Justo. No ano seguinte, foi gravada pelo Rei da Juventude a música "Não adianta".

Em 1970, fez em parceria com Helena dos Santos "O astronauta", também sucesso na voz de Roberto Carlos. Teve ainda gravadas por Roberto Carlos as músicas "Agora eu sei", com Helena dos Santos em 1972, "Custe o que custar", com Hélio Justo, em 1976; "Recordação", com Helena dos Santos em 1982 e "Custe o que custar", com Hélio Justo, regravada em 1994.


Custe o que custar
Helio Justo, Edson Ribeiro

Já não sei dizer se sou feliz ou não
Já nem sei a quem eu dou meu coração
Preciso acreditar que gosto de alguém
E essa tristeza

Vai ter que acabar, e custe o que custar
As vezes sinto até vontade de chorar
Preciso ter alguém que possa compreender
Minha desilusão

Até pensar que nunca mais vou ter alguém pra mim
Eu já pensei assim, até sofri demais
Será meu Deus enfim
Que eu não tenho paz






Gisele Goes


Não é fácil dizer adeus a uma pessoa que partiu sem dizer adeus. Em sua página na rede social está a citação deste salmo. Faz sentido, mas é um sentido que não desejamos nos aprofundar nele. 

Às margens dos rios de Babilônia,
nos assentávamos chorando,
lembrando-nos de Sião.

Nos salgueiros daquela terra,
pendurávamos, então, as nossas harpas,
porque aqueles que nos tinham deportado pediam-nos um cântico.

Nossos opressores exigiam de nós um hino de alegria:
Cantai-nos um dos cânticos de Sião.
Como poderíamos nós cantar um cântico do Senhor em terra estranha?

Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém,
que minha mão direita se paralise!
Que minha língua se me apegue ao paladar,
se eu não me lembrar de ti,
se não puser Jerusalém acima de todas as minhas alegrias.

Contra os filhos de Edom,
 lembrai-vos, Senhor, do dia da queda de Jerusalém,
quando eles gritavam:
Arrasai-a, arrasai-a até os seus alicerces!

Ó filha de Babilônia, a devastadora,
 feliz aquele que te retribuir o mal que nos fizeste!
Feliz aquele que se apoderar de teus filhinhos,
para os esmagar contra o rochedo!

Tem dia que é duro