quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Patsy Cline - Crazy
"Crazy" é uma balada composta pelo cantor americano Willie Nelson. A canção foi regravada por diversos artistas, como Patsy Cline, cuja versão chegou ao segundo lugar nas paradas de música country em 1962.
Patsy Cline nasceu em Winchester, na Virgínia, Estados Unidos. Assinou seu primeiro contrato como cantora country em 1953 e, apesar de sua vida curta, tornou-se uma das intérpretes mais influentes da história da música popular norte-americana.
Seu primeiro sucesso foi "Walkin' After Midnight" (1957), escrito por Don Hecht e Alan Block. Embora tenha começado a carreira gravando rockabilly, era evidente que sua voz combinava mais com os sucessos pop/country. Outros de seus sucessos foram "Crazy", "She's Got You" e "I Fall To Pieces".
Cline morreu em um acidente de avião em Camden, Tennessee, aos 30 anos, em 1963. No avião com ela estavam outras figuras conhecidas do country na época, como Hawkshaw Hawkins, Randy Hughes e Cowboy Copas. Hughes, namorado e empresário de Cline, era o piloto do avião. Ela foi sepultada no cemitério Shenendoah Memorial Park, em sua cidade natal.
Música Crazy (Live)
Artista Patsy cline
Compositores Willie Nelson
Licenciado para o YouTube por
UMG (em nome de MCA Nashville); LatinAutor, LatinAutorPerf, LatinAutor - UMPG, UNIAO BRASILEIRA DE EDITORAS DE MUSICA - UBEM, Abramus Digital, CMRRA, Sony ATV Publishing, LatinAutor - Warner Chappell, Kobalt Music Publishing, SOLAR Music Rights Management, Warner Chappell, LatinAutor - SonyATV, União Brasileira de Compositores e 9 associações de direitos musicais
Se o vídeo não abrir, clique aqui
Fonte Youtube: Curtis Hayden
Crazy (Willie Nelson)
Crazy
I'm crazy for feeling so lonely
I'm crazy
Crazy for feeling so blue
I knew
You'd love me as long as you wanted
And then someday
You'd leave me for somebody new
Worry
Why do I let myself worry
Wondering
What in the world did I do
I am crazy
For thinking that my love could hold you
I'm crazy for trying and crazy for crying
And I'm crazy for loving you
Crazy
For thinking that my love could hold you
I'm crazy for trying and crazy for crying
And I'm crazy for loving you
Você me acha gostosa?

Claro amor, você é a mulher mais gostosa que já conheci.
Como assim já conheceu? Teve tantas assim? Você também tem tara por comparações? Eu apenas fiz uma pergunta. Como não respondeu com um simples sim, você só pode me achar gorda. É isto. Você me chamou de gorda.
Você está levando para o outro lado, amor, eu nem falei que você é gorda.
Viu? Viu? Eu sabia.. seu... seu .. seu monstro... seu grosso... seu estúpido...
Mas o que está acontecendo aqui?
Nada, não está acontecendo nada, aliás eu sou nada para você mesmo. Eu sou apenas uma mulher gorda que você deve ridicularizar nas conversas entre seus dois amigos bêbados.
Não coloca meus amigos nesta conversa. Não tem nada disto.
Bonito, defende eles, defende... vai que um deles me deseja e você nem sabe, por que acha que sou apenas uma gorda a mais na sua vida.
Algum deles te deseja? Qual deles?
Está com ciúme, é lindinho? Que bonitinho, nenenzinho tem ciuminho. Eu nunca disse que algum deles me deseja. Mas se você está com dúvidas é por que tem alguma coisa nisto.
Mas que saco! Eu não estou com ciúmes de você.
Eu sabia. Você não me ama, só me quer ter para extravasar suas taras primitivas.
Minhas taras primitivas? Você é que é uma ninfomaníaca paranóide.
Viu? Nem negou que não me ama. Você é um monstro insensível. Um animal bruto, violento, tarado, depravado. Eu sou apenas uma carne suculenta na sua mente doentia.
Puta que o pariu! Cansei, quer saber? Cansei. Você é louca. Você é doida! Você é maluca! Conseguiu me levar ao extremo da ira. Fui...
Não! Espera, me perdoa, espera... por favor, escute minha última pergunta, só quero saber a sua resposta.
Então faça a merda da pergunta.
Você me acha gostosa?
Sim, você é gorda!
Nossa, adoro quando você fica bravinho, você me deixa louca com este olhar de ódio. Vem... vem cá na sua gordinha, vem...
Mas que menina safada esta ...
Meu taradinho, vem, um tapinha não dói, só um tapinha, vem...
É isto aí!
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
O reclame do reclame.
Olá, bom dia, eu comprei este aparelho aqui, com você, não sei se lembra, foi semana passada. Aí eu disse que iria viajar em seguida, e ao chegar da viagem ao abrir...
Um momento, por favor. Não lembro do senhor, não sei do que se trata o assunto, mas faça o favor de me acompanhar que vou encaminhá-lo ao setor responsável. Ei, Frances, atende este senhor, por favor.
Olá Frances, bom dia, eu comprei este aparelho aqui, foi semana passada. Aí eu viajei logo em seguida, e ao chegar da viagem ao abrir...
Primeiro, é Dona Frances. Segundo, a nota fiscal, por favor.
Ah, claro, a nota fiscal. Está aqui, Dona Frances.
Pronto, de posse deste carimbo na sua nota fiscal, dirija-se ao guichet 3, e apresente-o à Geraldinha.
Mas e quanto ao aparelho, Dona Frances?
Por favor, senhor, dirija-se ao Guichet 3.
Olá Geraldinha, eu estou com...
Dona Geralda, por favor, mantenha os pés na linha amarela, e coloque a nota fiscal na janela de vidro rente ao balcão.
Desculpe, aqui está a nota.
Perfeito, estou anexando à sua nota o Protocolo Alfa-T.104, com o carimbo de originalidade do documento e o carimbo confirmando que o tramite está em perfeita ordem. Por favor, siga a linha azul no chão do corredor à sua esquerda, e procure por Lisbela, no Guichet 8.
Linha Azul, Guichet , Lisbela, sei... ok, irei lá. Bom dia Dona Lisbela.
Que isto de dona? Belinha, amor. Deixa ver o que tem nas mãos. Humm, tudo certo, a nota fiscal, os protocolos burocráticos, tudo certinho. Olha, está vendo esta linha amarela no piso? Siga até o Guichet 6 e procure por Flora, e espere, tenho que carimbar e dar o visto com a ciência de que está tudo certo.
Amarela? Piso? Flora? Guichet 6?
Isto amor, siga a linha amarela... rs.
É aqui o Guichet 6?
O senhor é analfabeto? Não está lendo?
Eu posso falar com a dona Flora?
Não, não pode. Aguarde aí que ela já irá te atender. E não ultrapasse a linha de segurança.
Quer saber? Vou embora e tem mais, isto aqui é uma palhaçada.
Espere senhor, por favor, espere, já estou liberada para atende-lo.
Atender? Você vai mesmo me atender?
Bem, como o senhor disse que estava indo embora, preciso que preencha este questionário sobre a nossa qualidade de atendimento, antes de partir ...
É isto aí!
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Quarto em desordem
Autor - Carlos Drummmond de Andrade
Quarto em desordem
derrapei neste amor. Que dor! que pétala
sensível e secreta me atormenta
e me provoca à síntese da flor
que não sabe como é feita: amor
na quinta-essência da palavra, e mudo
de natural silêncio já não cabe
em tanto gesto de colher e amar
a nuvem que de ambígua se dilui
nesse objeto mais vago do que nuvem
e mais indefeso, corpo! Corpo, corpo, corpo
verdade tão final, sede tão vária
a esse cavalo solto pela cama
a passear o peito de quem ama.
Visita (Virna G. Teixeira)
criado-mudo:
bíblia e
rosário de contas
na cama, ao lado
a nudez
sem nome
domingo, 12 de outubro de 2014
Infeliz para sempre
Eis que na mocidade os pais apresentaram-lhe um franzino e estranho rapaz, primo de segundo grau, residente num vilarejo próximo. Passaram compulsoriamente das apresentações ao namoro oficial.
Nas semanas seguintes namoraram na sala, diante de vários pares de olhos, discretos ou destemperados. Achou que poderia ser feliz, de alguma forma.
Tinha desejos secretos e pessoais. O maior sonho era viajar com um grande amor, conhecer lugares e pessoas. Queria um companheiro que pudesse tocar sem pudor, morder, beijar, apertar, amassar, arranhar, virar, volver, enfim, sonhava em ser a protagonista de uma história perfeita.
O noivo era, além de tímido, uma pessoa limitada intelectualmente. Lá no fundo do coração, ainda acreditava que poderia ser feliz..
Jurava a si mesma, entre lágrimas, que não casaria com ele, mas a inevitabilidade aliada ao destino forjado, arrumado entre os pais, pessoas da mais alta casta da moral e dos bons costumes, era fatal. Passou a rezar desesperadamente para ser feliz, à sua maneira de entender a felicidade.
O pânico instalou-se sem pedir licença. Faltavam três semanas e tudo que tinha era um noivo medíocre e uma família inflexível. Sem amigas, sem um diálogo confiável com a mãe, sem segurança alguma, a tragédia era cada vez mais presencial. Não queria aquela vida, não gostava daquele lugar, não tinha nenhum sentimento nobre pelo noivo.
Sua mãe, faltando duas semanas, chamou-a para uma conversa, onde através de confissões, delegou à filha a missão de manter a integridade e a educação que recebera. Confessou que nunca beijou seu pai na boca, nunca ficou nua na frente dele, dormia no chão, quando ficava menstruada e só fazia uma única posição no ato sexual, ficando por baixo, onde era proibida de mexer e/ou gemer, e nas poucas vezes que fugiu à esta regra, apanhou do marido e do seu pai, que soube através do genro.
Naquela noite chorou. Pediu a morte, clamou pelo fim e acabou conformando-se com uma centelha de esperança de que sua mãe poderia ser apenas um caso isolado, e a felicidade seria diferente consigo. No momento certo, pensou, saberia reivindicar seu direito a ser feliz.
Sua mãe, faltando duas semanas, chamou-a para uma conversa, onde através de confissões, delegou à filha a missão de manter a integridade e a educação que recebera. Confessou que nunca beijou seu pai na boca, nunca ficou nua na frente dele, dormia no chão, quando ficava menstruada e só fazia uma única posição no ato sexual, ficando por baixo, onde era proibida de mexer e/ou gemer, e nas poucas vezes que fugiu à esta regra, apanhou do marido e do seu pai, que soube através do genro.
Naquela noite chorou. Pediu a morte, clamou pelo fim e acabou conformando-se com uma centelha de esperança de que sua mãe poderia ser apenas um caso isolado, e a felicidade seria diferente consigo. No momento certo, pensou, saberia reivindicar seu direito a ser feliz.
Entrou na igreja usando o mesmo vestido da avó materna e foi infeliz para sempre!
É isto aí!
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
As eleições, a paz e o progresso
Aproxima-se o dia de definirmos quem governará esta grande nação pelos próximos quatro anos. Disputada com extrema rudeza, ódio e rancor, poderá fazer a diferença entre o Brasil que desejamos e o Brasil que não queremos.
Os dois partidos que chegaram ao segundo turno, trazem consigo a história da redemocratização, e claro, cada um em seu berço e seu modo original de ver as coisas. Para os eleitores de Neves, o país está atrasado, atolado, endividado, inviável, etc, etc, etc e eles virão salvar o povo das garras da Rousseff.
Para os eleitores de Rousseff, Neves e sua turma representam o que de pior há na administração pública nacional. Ao pesquisarmos quadros comparativos entre as partes no Google, cada qual apresentará números e argumentos contestando o outro. Assim, cada eleitor pega seus dados e esbraveja pela sua verdade.
O país é pobre em distribuição de renda desde 1808, e de certa forma vem melhorando a qualidade de vida da população a partir do fim do regime militar, que não teve objetivos sociais claros. Neves tem voto da maioria do topo da pirâmide e Rousseff. tem voto da maioria da base da pirâmide. Isto inverteu a lógica do coronelismo que manteve o padrão de votos até vinte anos atrás, aproximadamente. Era normal termos estados pobres e paupérrimos elegendo sempre grandes fortunas para administrar suas misérias.
Este é o grande nó que está promovendo cenas de ódio e racismo - há uma clara intenção de frear este crescimento dos pobres na legitima defesa dos interesses públicos, tal qual era nas oligarquias desde o império.
O discurso de Neves e suas posições neoliberais são passiveis de serem compreendidas como uma ação capaz de bloquear estes avanços de inclusão social dos menos favorecidos. Se for eleito, será pela vontade destes mesmos que estão no olho do furacão deste pleito. Se Rousseff for eleita, deverá sentar e negociar com as bases políticas destas oligarquias, para evitar tensões futuras.
Enfim, de hoje até o dia 26 de outubro, terremotos, maremotos e tsunamis baterão nas duas margens da disputa, e que vença a democracia.
É isto aí!
É isto aí!
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
Tetê, a garota de programa
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Craro, Tetê, sempre soube disso.
Ocê sabe tumbém que eu nunca trairia ocê, né Carlosduardo?
Lógico, Tetê, nunca nunquinha.
Então, Carlosduardo, se assim eu se me virasse-se uma garota de pograma?
Garota de pograma? Ixprica isso daí, Tetê, é deste tal de Gugou?
É, amor, tem no Gugol. Mas assim, é hipoteticamente que tem, num sabe?
Tetê, que neg´sso é esse de hipoteticamente? Tem no tal de Gugol ou é desses troços de trabaiá nos trem lá do compiutador?
Então amor, é mais ômenos isso, tem no gugou, a gente pogrâmasse no compiutador e trabaia, ué.
E ocê ganha o que com isso?
Ô, Carlosduardo, as prima tem ganhado muita coisa, a Zefa já tem o tar de Raifone, a Cleuzinha tem istojo chinês de maquiage destes de gaveta, a Martelinda tem uns vistidin coisa mais lindia.
Uai, Tetê, então esse negosso parece bão.
Bão dimaisdaconta, tô te falano Carlosduardo.
É... a Zefa... a Cleuzinha... a Martelinda... óia Tetê, essas minina num era tudo rapariga lá da dona Filó?
Uai, era? Virge creudeuspai, milagre, Carlosduardo, foi milagre intão que sarvô essas menina.
É, mas num vai dá procê trabaiá aí nesse Gugol não, nem no tal de hipoteticamente, que eu nem sei o quequié, nem purucauso de ser bãodimaisdaconta.
Purucauso do que, Carlosduardo?
Cumê que iocê vai companhá Zefa, Cleuzinha e Martelinda se eu vô fica viúvo?
É... seus argumento é bem convincente. Vô vortá prá cozinha.
É isto aí!
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Auto-análise do amor total
Estavam conversando assuntos diversos. O relacionamento não avançava e ela desejava atingir o coração do seu objeto de interesse, de preferência para sempre, e ele esquivava de todas as formas educadas possíveis. Foi então que resolveu perguntar:
- Porquê você está sempre tão distante? Não gosta de mim? Sou chata? Sou feia? Não agrada a minha presença?
Foi aí que ele, pela primeira vez, olhou lá na alma dos seus olhos, e os descobriu azuis e sinceros. Entendeu que deveria se abrir e assim, quem sabe, preencher o imenso vazio que o silenciava.
O que há entre o amor e a solidão? Iniciou com esta pergunta já engatando a resposta - é um mistério que nem poetas, nem analistas da alma e muito menos os românticos sabem responder. Eu já vivi um grande amor e tenho medo de revive-lo. Estávamos juntos há muitos anos, tivemos nossos momentos de felicidade, hiatos de mesmice, entraves de rotina e por fim eternas ondas de tristeza.
- Porquê você está sempre tão distante? Não gosta de mim? Sou chata? Sou feia? Não agrada a minha presença?
Foi aí que ele, pela primeira vez, olhou lá na alma dos seus olhos, e os descobriu azuis e sinceros. Entendeu que deveria se abrir e assim, quem sabe, preencher o imenso vazio que o silenciava.
O que há entre o amor e a solidão? Iniciou com esta pergunta já engatando a resposta - é um mistério que nem poetas, nem analistas da alma e muito menos os românticos sabem responder. Eu já vivi um grande amor e tenho medo de revive-lo. Estávamos juntos há muitos anos, tivemos nossos momentos de felicidade, hiatos de mesmice, entraves de rotina e por fim eternas ondas de tristeza.
Cada um destes processos teve suas atitudes características, algumas marcantes, outras pouco perceptíveis e outras bem ocultas nas sombras da paixão, por isto raramente reveladas.
No princípio amamos como ardentes amantes, depois como eternos apaixonados, em volúpia interminável. À medida que este ciclo se esgotava, experimentávamos novas técnicas, filmes, estimulantes, acessórios e bebidas que mantinham acesa a chama. Parecia que iria ser assim para sempre.
Porém, quando dei por conta, entregamo-nos em estranha e silente pantomima. Nesta modalidade, sem compreender bem o que ocorria e sem diálogo, buscávamos a forma
perfeita, a estética da linha do corpo, e através de gestos meticulosos, experimentávamos uma transfiguração surpreendente, passando um para o outro, através de ações corporais enviadas e captadas pelos gestos, um ardente ciclo de desejo e orgasmos.
Mas ocorreu que, infelizmente, este período delirante foi apenas uma transição entre a felicidade e os entraves de rotina, que por sua vez trouxe consigo a mesmice, e o relacionamento oscilou entre desejos e dúvidas, daí os hiatos, que surgiam como um tipo de ausência entre dois atos plenos de amor total. Aos poucos fomos caminhando para o fim. Passamos a ter dia da semana para nossos encontros íntimos, sempre com um ritual prévio de autorização; as carícias ficaram reduzidas, os beijos mais técnicos e o olhar se perdendo entre os cada vez mais raros olhares de cumplicidade.
Então ela chegou - a tristeza, sim senhor, ela chegou, e junto com ela a inevitável morte daquele amor. Não havia mais brilho, o corpo já rejeitava o outrora complemento. Os sorrisos eram amarelos e raros. E agora só restou este vazio imenso em mim. Não há solidão, sabe, há um vazio total. Um imenso espaço cheio de nada. Estou repleto de um gigantesco nada.
Houve um silêncio intangível. Ela, em lágrimas discretas, procurou com seus olhos azuis uma porta na vida dele, que pudesse ser aberta. Buscou o seu olhar até que o encontrou. Respirou fundo, e tirando uma segurança que só o amor explica, abraçou-lhe. Que o tempo providenciasse sua história de amor, pensou.
É isto aí!
Houve um silêncio intangível. Ela, em lágrimas discretas, procurou com seus olhos azuis uma porta na vida dele, que pudesse ser aberta. Buscou o seu olhar até que o encontrou. Respirou fundo, e tirando uma segurança que só o amor explica, abraçou-lhe. Que o tempo providenciasse sua história de amor, pensou.
É isto aí!
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
A lira dos quinze anos
Nunca dancei em toda a minha vida. Também sempre fui ridiculamente desafinado, destoado e desencontrado com as notas musicais. Nunca joguei futebol ou pratiquei qualquer outro esporte e nunca namorei uma menina.
Nunca, nunca, nunca ... quantas negações você precisa dar para que eu fique mais interessada em você?
Interessada? Negações? Como assim? Não estou negando, estou relatando minha vida, abrindo segredos há muito lacrados no sub-solo da minha consciência. E foi você que começou a perguntar sobre minha vida e quando me convidou para vir estudar na sua casa, achei que era para estudar.
Sei, sei... e nunca namorou uma menina. E um menino? Já beijou um menino?
Meu único querer são as meninas, e não tenho nenhum preconceito pela opção sexual deste ou daquela pessoa.
Onde você fica quando está sozinho?
Eu? Onde fico? Pois é. Fico guardado em mim, e aos poucos fui construindo um lugar secreto, ensolarado, com flores, árvores, pássaros, bichos e para cada um nomeei uma autoridade, assim tem a árvore Tenente, tem o pato Detetive e por aí afora. Meu Deus, por que estou contando estas coisas? O que você fez comigo?
Nossa, existe uma poesia está dentro de você. Me beija...
Você não pode rir, mas tenho que confessar - eu nunca beijei antes, assim, na boca, eu não sei bem o mecanismo deste processo. Já li muitas vezes as técnicas, mas nunca beijei. E você é uma menina linda, não sei o que viu em mim. Poderia ter qualquer dos garotos do colégio aos seus braços e está aqui. Não entendo.
Você acha que eu poderia ter qualquer um?
Sim, os meninos te acham a mais linda da sala, e algumas meninas torcem o nariz para você. Já reparei isto. Já ouvi também que você já namorou uns rapazes mais velhos, que está sempre na balada, que seu pai é rico, enfim, quem não tem inveja de você, te deseja.
Entendi. Sabe quantas vezes já namorei, beijei, saí para as baladas? Quer mesmo saber quantas vezes? Nunca.
Nunca? Mas estas coisas que falam de você?
Não ligo. E também meu pai não é rico, não sei dançar, nem cantar, nem namorar, nem abraçar eu sei. Me beija.
Eu acho que estou apaixonado por você.
Eu tenho certeza disto, seu bobo. Agora me beija.
É isto aí!
sábado, 4 de outubro de 2014
Vai dormir
Na suíte:
Norberto, acorda Norberto, acorrrdaaa...
Hã.. hã... o que foi Amélia?
(sussurrando) Tem alguém aqui dentro do apartamento...
Hã.. como é que é? Alguém aqui dentro?
(sussurrando) fala baixo... pssssch... fala baixo.
Amélia, para de comer muito de noite. Você deve ter ouvido o som dos seus gases.
É assim? É assim? Então eu vou conferir, e provar que tem alguém aqui.
Vai dormir, Amélia. Quem vai entrar neste edifício de portaria tripla, segurança digital nos elevadores com vigilantes 24 horas? Pago um absurdo de condomínio e você acha que um meliante conseguiria passar por uma dúzia de pessoas, metade armada, entraria no prédio sem acionar os alarmes, acessaria o elevador com dezenas de câmeras por todos caminhos, sendo duas dentro dele, digitaria a senha correta de oito números e três letras depois do reconhecimento digital, chegaria ao décimo primeiro andar, conseguiria passar pelo sistema de sensores de movimento, desviaria das câmeras de segurança do andar, e por fim abriria nossa porta de dupla trava eletrônica de comando inteligente? E agora estaria andando aqui dentro? Sinceramente Amélia, este cara merece um prêmio.
É. Eu sei. Você escolheu a dedo este condomínio e me prendeu aqui para que ficasse seguro da sua masculinidade.
Mas o que é isto agora? Está discutindo relação às, que horas são?
Uma e quinze
Esta discutindo relação à uma e quinze, Amélia? Vai tomar um calmante, vai.
Não sei se devo responder a esta provocação falando sobre a sua ineficiente obrigação matrimonial.
Já acabou? Posso dormir agora?
Pode, vou sair e assistir Tv na sala, pode deixar que fecharei a porta do quarto e do corredor para não te acordar. É, quer saber? Você está certo. Devia estar sonhando mesmo. Vou tomar uma água e se encontrar o meliante vou dar um prêmio para ele.
Isto, vai mesmo e me deixa dormir.
Pode dormir, amor, volto logo.
Na cozinha:
Por quê demorou tanto?
Você que danou a fazer barulho e eu achei que tinha acordado o Norberto. Então tive que ter certeza de que voltaria a dormir.
Foi sem querer, pois na pressa para entrar, empurrei a porta com muita força, esbarrei na cadeira, cai segurando na mesa e para completar o susto, o vaso de flor quase foi ao chão, e se não fosse rápido, teria sido pior. Mas vem cá, me beija que isto tudo passa.
Você é muito bobinho, mas é o mais gostoso de todos os vizinhos... Arnaldo...ai, Arnaldo, não para, não para, não para não...
É isto aí!
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Ela me amava tanto !!!
Belinha, te amo. Com todas as letras, palavras e pronúncias. Em todas as línguas e sotaques. Em todos os sentidos e jeitos. Com todas as circunstâncias e motivos. Simplesmente, te amo.
— Nossa, Carlinhos, sou tão sua, que tudo em mim está inserido em você. Sou a mulher mais feliz do mundo, capaz de multiplicar a alegria das pessoas só por você,
Sabe, Belinha, toda história de amor é linda. Você me faz ser a pessoa mais feliz do mundo
— Carlinhos, como consegui sobreviver neste tempo todo, sem ser sua e sem você?
Belinha, nosso amor só é lindo e reluzente porque você é a luz que ilumina nossos corações.
— Carlinhos, que Deus permita que eu nunca te decepcione. Ah, meu amor, te amo tanto, nem sei o quanto...
Isto nunca vai acontecer amor, somos um para o outro, feito o sal e o mar.
— Carlinhos, promete que me respeitará em tudo e em todos os momentos da nossa vida conjugal?
Conjugal? Como assim, Belinha? Eu te amo e você me ama. A vida nos uniu em um só corpo, e isto é que é importante - eu e você, você e eu.
— Promete, Carlinhos? Jura que me amará eternamente? E que respeitará meus sentimentos e toda a minha doação ao nosso amor?
Bem, Belinha, se isto é tão importante assim, vá lá, prometo...
— Olha, Carlinhos, isto para mim é muito importante. Nunca tive alguém em minha vida. Você será o primeiro a poder tocar-me, porque sou sua.
Então o que estamos esperando, Belinha?
— Não é assim, Carlinhos, tem toda uma corte que sonhei por toda a vida. Você não se arrependerá, prometo.
E esta corte, Belinha? Corte de que? Você me beija, eu te beijo, você fica pelada...
— Olha, eu te amo muito, Carlinhos, e quero na fidelidade irrestrita de um relacionamento duradouro amar-te e ser capaz de realizar seus sonhos mais loucos, oferecer-me como uma gueixa, ser sua morada carnal e espiritual, sua santa e sua vadia.
Hummm, adorei saber. É justamente disto que estou falando.
— Carlinhos, para que está se despindo?
Para te fazer a corte de uma forma democrática, Belinha, sua vadia safadinha. Eu bem que desconfiava! Espere, onde você vai, Belinha? Espere... Expressei mal, espere... e assim terminou nosso grande amor.
É isto aí!
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Você conhece o seu vizinho?
Viviam aparentemente em harmonia. Ocupavam o apartamento 502 desde a inauguração do condomínio , e nunca dali saiu algum som, alguma bagunça, enfim, totalmente discretos. Nunca souberam o nome dos porteiros, zeladores, síndicos e prestadores de serviços. Raramente chegavam com compras pela garagem.
Nunca foram a reuniões, nem participaram de datas comemorativas, nem de correntes de oração, nem da festa de natal. Eram muito reservados. Nunca recebiam visitas, raramente saiam e mais raro ainda, viajavam. E não recebiam correspondências nenhuma - sequer as contas ordinárias - água, luz, telefone, gás, etc. Nada chegava para eles.
Ela, sempre séria, ainda esboçava um leve sorriso no elevador, e ele, do tipo executivo, nunca sequer olhou para algum dos moradores. Na realidade, ninguém sabia seus nomes, onde trabalhavam, de onde vieram, enfim, eram fechados em seu mundo.
14 de setembro de 2012, três horas da manhã - forte estrondo, seguido de portas batidas, baixelas ao chão, gritos, vidros quebrados, sons graves e agudos estranhíssimos, saíram do 502. Acordou todo o prédio. A sensação era de que tudo estava sendo destruído - a mulher gritava, o homem gritava e o som característico de vidros, panelas e utensílios sendo atirados com forte impacto, provocou a chamada da polícia.
Três horas e trinta e dois minutos - a patrulha sobe ao quinto andar, o sargento bate na porta e imediatamente há um silêncio gélido. Abram a porta, é a polícia. Silêncio. Bate mais forte e... silêncio. Faltando onze minutos para as quatro horas da manhã, o sargento decide ir embora, já que o motivo da sua presença ali cessara, não justificando nenhum ato coercitivo, conforme informou ao síndico que constaria no seu relatório.
27 de dezembro de 2012, nove horas da manhã - o zelador vai ao apartamento do síndico para informar que desde o dia 14 de setembro, os dois carros do 502 estão estacionados na garagem da mesma forma. O síndico pediu a análise dos filmes de segurança no quinto andar, elevador e garagem e descobriu já na segunda quinzena de janeiro de 2013, que o casal não saiu do apartamento desde aquela data fatídica. Apesar disto o condomínio e todas as outras taxas continuaram sendo regiamente pagas por débito automático.
Em abril de 2013 o síndico solicita à prefeitura a situação fiscal do imóvel e tem a informação que tudo está em perfeita ordem, inclusive o IPTU e taxa de lixo e esgoto do corrente ano foram pagos à vista na semana anterior, dentro da data limite. Mesma informação obtêm no Detran referente aos carros - tudo correto.
Em maio de 2013 o síndico consegue um mandato para abrir o apartamento. O corredor ficou lotado, tinha gente de todos os andares, além dos curiosos. O chaveiro, suando pela falta de ar e excesso de gente levou quase uma hora para romper a fechadura. Empurra-empurra, corre-corre e ... nada. O apartamento estava completamente vazio.
A polícia técnica fez a perícia, e não encontrou ali nenhuma possibilidade de ter sido habitado desde a fundação do condomínio. Aí o síndico lembrou dos carros, cobertos com lona, como sempre fizeram quando chegavam da rua. Desceram alucinados pela escada e elevadores. Foi um tumulto imenso na garagem. O policial puxou a lona do primeiro veículo, e abaixo dele o vazio, o mesmo ocorrendo com o segundo.
E você? Acha seu vizinho estranho?
É isto aí!
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