quarta-feira, 6 de maio de 2015
Angélica
Tinha pernas, sinceramente, que pernas aquelas, encaixadas anatomicamente em encaixe divino, em dois pés esculpidos por Deus. Cada pé era uma história, um lugar, um toque. Amava flertar com aqueles pés. E as coxas? Puxa vida, nunca existiram tais coxas em toda a história da humanidade.
Os seios, ah! os seios, nem fartos, nem poucos, eram exatamente o que se espera de dois seios com ar de graça. Eles sorriam muito e eu adorava suas gargalhadas. Tinha com eles uma intimidade avassaladora. Logo abaixo daqueles monumentos femininos, com suas glândulas mamárias e sua perfeição erótica, tinha o ventre, o umbigo, a púbis e sua delicada, carnuda e deslumbrante delegada.
Eu a chamava assim por que me prendia e não me liberava nem com habeas corpus celestial, era de um rigor legalista destes de encher e nunca mais soltar minhas expectativas insaciáveis naquele corpo angelical. Por isto a chamava de Angélica, mas nunca soube seu nome. Sua boca carmim, seu nariz perfeito, seus olhos de piedade e seus cabelos soltos, compunham o conjunto de uma das maiores obras de arte jamais vistas.
Foi com ela que experimentei os melhores e mais loucos momentos da minha vida. Sem comparação, sem nenhum parâmetro com outras mulheres, sem pontos de ligação entre ela e quaisquer outras que pudessem fazer a ponte comparativa. Era única.
Tudo ia bem até que mamãe descobriu a página escondida entre uma centena de opções no quadro de Favoritos com o discretíssimo título de "A Igreja e os Anjos". Mamãe rompeu meu relacionamento criminosamente, na minha ausência, enquanto estava na faculdade no meio daquelas menininhas ensebadas, reais, deselegantes e chatas. Que saco.
Mas tem problema não, desde que ela não descubra a Judy, minha boneca siliconada, aí quero ver a cara dela quando eu apresentar a nora.
É isto aí!
terça-feira, 5 de maio de 2015
Baptista, o Alfa da Família
Está aberta a Reunião Semanal da AMA - Associação Mundial dos Alfa Anônimos. Todos de pé para iniciarmos com a Oração da Serenidade:
Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar; Coragem para modificar aquelas que podemos e Sabedoria para distinguir uma das outras.
Dado o rito inicial, convidamos hoje a falar o visitante da Associação, que pleiteia participar do grupo. Pode falar, rapaz:
- Boa noite a todos, meu nome é Juninho.
- (todos) Olá Juninho...
- Bem, eu era um bom rapaz, aparentemente normal, com atitudes e conhecimentos dentro da média da juventude. A questão é que já estava com dezessete anos e nunca havia namorado, nem ficado, nem experimentado alguma sensação que promovesse ao sentimento de ser um homem completo. Até que um dia vi o anúncio de um curso de sedução no jornal que folheava no consultório da minha analista. Guardei o recorte no bolso e naquela tarde matriculei no curso "Seja um Alfa em 10 lições". (lágrimas)
- Com certeza a sua vida nunca mais foi a mesma, não é Juninho (intercedeu o Mestre)?
- Com certeza, Mestre. No princípio as lições eram bem interessantes, para levantar a minha alto-estima, ensinar a vestir, a andar, a me portar num grupo, etc. Bem, aí, num belo dia, o famoso professor Fallos iniciou alguns cativantes ensinamentos básicos:
- Rapaz, seja confiante em tudo. A confiança fará com que você pense extremamente alto sobre si mesmo, além de fazê-lo crer, inquestionavelmente, em suas próprias habilidades. As mulheres não resistirão. A confiança demonstrará uma força interior até então adormecida, quieta, e lhe proporcionará certeza e segurança.
Em segundo lugar, assuma com clareza e convicção a sua posição perante a sociedade. Quando você entrar em um recinto com a confiança de macho alfa, simplesmente saberá que todas as pessoas ali presentes irão ouvir e respeitar o que tem a dizer.
Saiba se comunicar, converse com todas as pessoas, seja sempre agradável e sociável, sem ser falso, presunçoso ou cínico. Agir com naturalidade é a tônica do processo Alfa.
Seja sempre seguro e tranquilo. Confie no seu taco. Treine bastante, vá em busca de mulheres que conhece, e com possibilidade de domínio. Teste seus comandos Alfa.
Entendeu tudo, rapaz?
- Sim Mestre.
- Então vá e pratique, porém, antes de partir, saiba que neste momento, aquele rapaz franzino que veio à este Templo, o Juninho, morreu. Aqui nasce o homem Alfa Júlio Baptista, O Demolidor. Compreende isto?
- Sim, Mestre.
- Então repita com veemência.
- Meu nome é Júlio Baptista, eu sou um macho alfa em busca de mulheres que me satisfaçam. Eu sou um demolidor insaciável.
- Isto, Júlio Baptista. Agora vá, procure uma mulher do seu nicho e inicie o processo de sedução. Verá que ela será inteiramente sua em poucas palavras.
Naquela noite voltei para casa confiante, destemido. Fui chegando, abrindo a porta com violência, pisando firme até encontrar com a minha avó me aguardando para tomar um chá com leite quente acompanhado de biscoito de nata.
E aí, Juninho, o que está ocorrendo para entrar em casa feito um troglodita?
Vovó, eu sou um troglodita predador, o macho alfa desta casa, e de hoje em diante meu nome não é Juninho, é Júlio Baptista, o Alfa. Havia uma força interior adormecida que despertou o gigante em mim. Fui claro, senhora?
- Senhora é a puta da minha nora que o pariu, que achando que gerava um homem colocou mais uma uma moça em casa - codinome Alfa. Olha aqui, Juninho, para com isto.
- Mas vó, foi o moço quem falou. - Que moço é este, Juninho?
- Do curso, vó, "Seja um Alfa em 10 lições".
- Sei, mas não precisa voltar neste curso mais não. Onde já se viu uma coisa destas. Juninho? Fazer um curso para ser homem? Quem você vai pegar com este roteiro ridículo aí? Diga...
- Mas vovó... o professor falou...
- O quê, Juninho?
- Sei lá, vovó, é que do jeito que a senhora ficou, hummm... me faz querer ter umas sensações com a senhora, uns negócios aí estranhos...
E foi assim que não vi mais nada e acordei no Pronto-Socorro, onde além de um braço quebrado e hematomas diversos, constataram que perdi os dois incisivos e aí retornei para a casa da mamãe. E hoje estou aqui para que vocês me fortaleçam nas virtudes Alfa, por que não consigo mais me libertar. Hoje sou um tarado.
É isto aí!
Histórias do coração - As cartas de Lia
domingo, 3 de maio de 2015
Para sempre
por que pintou uma inspiração.
Vou poetar
Minh'alma!
fazem-no por conjunções
coordenativas adversativas?
Chega,
agora não tem inspiração
que alcance tamanha dúvida.
terça-feira, 28 de abril de 2015
Revelação
quarta-feira, 22 de abril de 2015
O marido, o amante e o macho alfa
![]() |
| Hal Foster - Prince Valiant |
A mãe e a irmã falaram uníssonas - Caramba, Amelinha, se fosse com o Apolônio a gente até entendia, mas com um rola-bostas deste nível? Francamente! E mudaram para a cidade vizinha, para a casa de uma tia viúva.
As amigas ficaram decepcionadas.
Os filhos tiveram vergonha em saber que nem para o Apolônio ela servia.
A vida seguiu e Geraldinho a perdoou. Aquilo foi uma fraqueza, uma doença mental segundo o doutor da capital, mas se fosse com o Apolônio, aí não, aí seria coisa do capeta que só a morte resolveria. Ainda bem que ouvi os santos, dizia a todos.
terça-feira, 21 de abril de 2015
Surtos e sustos
Já sentiu sono, mas não queria dormir?
Ensaio do amor
segunda-feira, 20 de abril de 2015
O Quimono de Poliéster
Olha só, o enredo era simples, sem muita coisa além do que se poderia esperar de um homem de quarenta anos e uma jovem garota. Tudo bem que, no livro, a moça tinha dezoito anos e face adocicada. Vestia um quimono de seda com motivos angelicais, mas aí tem aquela coisa de tons de cinza, muito nova, incapaz, inexperiente e todas as ferramentas de determinação do comportamento humano.
Então selecionamos uma mocinha mignon, que tinha um estilo de corpo quase perfeito para aparecer na tela, com corpo desengonçado e ar blasé. Porém, a família, que não havia sido comunicada, entrou com um mandado suspendendo as gravações, pois detinha um contrato com uma agência de modelos de determinada grife famosinha no bairro, dessas que desfilam por aí. Como a irmã tinha a tutela da modelo, preferimos abrir mão da sua arte.
Daí modificamos um pouco e procuramos uma moça de trinta anos, mas com aparência ainda juvenil, que fosse fotogênica, sem risco de contratos leoninos e tutelas judiciais. Não foi fácil, mas encontramos uma mulata estilosa, fogosa e agradável, que, nos primeiros dias, entrou no papel com tal intensidade que não conseguiu se libertar da personagem. Este fato levou ao total desagrado do seu companheiro, um líder comunitário, digamos assim, de uma área próxima. Desta forma, perdemos nossa mulatinha básica.
Pensamos até na possibilidade de alterarmos o enredo, com um personagem idoso e uma moça na faixa dos vinte anos, mas aí batemos de frente com o produtor/diretor e ator, que, por acaso, era o protagonista do filme. Foi então que Claudinho, o auxiliar de iluminação, teve a luz — o protagonista ficaria sentado num espaçoso sofá, lembrando de suas taras, digo, dos seus romances, e, ao fundo, iriam passando fotos desfocadas de mocinhas dentro da mente do cidadão do bem, e as meninas todas legais.
O filme levou quarenta e cinco dias para ficar pronto, dada a dificuldade de adaptarmos o livro à nova realidade e ao talento um tanto quanto peculiar do ator, que insistia em fazer as cenas com um quimono de poliéster verde com pavões estilizados, que acreditava ser um talismã da sedução, presenteado por sua mãe. Segundo ele, este quimono manteria um laço de seda entre o enredo atual e a história de origem. E também alterou as fotos das mocinhas para sereias desfocadas.
Foi então que Claudinho, com uma sensibilidade nata, fez outra intervenção e sugeriu que, entre um conto e outro, uma idosa surgisse e desmentisse toda a história do protagonista, simbolizando a mãe castradora. O produtor/diretor/ator adorou a ideia, demitiu Claudinho e manteve a velha senhora fazendo as intervenções e, no final, reservou a cena magna, em que os dois se entregaram a um romance tórrido.
Neste ponto, vai cortando a cena para a sereia, que, à medida que a câmera se aproxima, mostra ser o protagonista com seu quimono de poliéster, entrando no mar, simbolizando o retorno do filho às entranhas da sua origem. Uma vez dentro da água, volta-se para a câmera em close e grita:
— Ai, que tudo!
É isto aí!
domingo, 19 de abril de 2015
Dura lex passionis
I - Fica proibido se apaixonar.
II - Em caso do réu ser primário, receberá uma advertência verbal da Delegacia da Patrulha Passional.
III - Réus reincidentes em segundo flagrante, sofrerão advertência por escrito e prazo de trinta dias para encerrarem este processo.
IV - Réus obsessivos com várias reincidências, serão colocados em isolamento, pelo Centro de Transtornos Passionais, por noventa dias, podendo dobrar o tempo em decorrência da gravidade, para não contaminar o ambiente.
§ 1 Receberão gratuitamente e obrigatoriamente tratamento de choque com Choque Térmico, Palestras, Músicas, Psicodrama, Sonoterapia, Filmes, Taekwondo, Karatê, Muay Thai e os oito pilares do Ashtanga.
§ 2 Deverão, obrigatoriamente, participar da AAA (Associação dos Apaixonados Anônimos), e somente poderão transitar entre os comuns após liberação do Cartão Verde.
Razões para que o Reino acate esta sábia decisão:
1 - Apaixonar dói, possui baixa resolução, grande capacidade de imobilização e sentimento de dor imensurável. Além disto é um verbo pronominal, sendo necessariamente acompanhado de um pronome oblíquo (adequado à respectiva pessoa gramatical), pelo fato de denotar ações próprias do sujeito.
2 - Amar não é um verbo intransitivo, isto é coisa do Mário de Andrade e suas intrincadas e complexas percepções freudianas, que até poderiam por si só garantir o Amor como livre e as paixões como processos patológicos diante da complexidade humana; mas no mundo real Amar é Transitivo Direto, e isto define o processo pela leveza, elimina problemas, facilita o relacionamento pessoal, social e jurídico, pois quem ama, ama alguém e pronto simples assim.
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Meu segredo
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Formato Mínimo
Copiei e Colei
Autora - "Leoa"
http://passageirasombria.blogspot.com.br/2012/01/comecou-de-subito-festa-estava-mesmo_05.html

Eu te salvarei
domingo, 12 de abril de 2015
A Igreja dos Pelados - a Origem
quinta-feira, 9 de abril de 2015
O beijo fatal
sábado, 4 de abril de 2015
Histórias banais de amor
Foi nesta fase, humilhado, destruído e pulverizado, que conheci Martinha, uma encantadora paciente das clínicas pelas quais passei. Sua presença foi mística e redentora em minha vida. Apaixonamos de uma forma emocionante. Estava curado.
Uma noite, quando esta estávamos no teatro, uma irreconhecível, desarrumada e descabelada mulher partiu em nossa direção com gritos, socos, tapas e pontapés. Com muito custo o tumulto foi contido e só aí percebi naquele vulto a Ana Cristina.
Depois deste episódio, passou a me enviar dezenas de mensagens e e-mails, presentes, convites para sairmos, etc. Quer saber? Eu queria manda-la à merda, cheguei até mesmo desejar a sua morte, mas para minha decepção, nem todos os elos foram rompidos - eu a amava.
Por que a vida é assim? Não sei, e acho que ninguém sabe. Voltei para Ana, e Martinha aceitou ser minha amante. Tudo ia bem em total sintonia, até que num rompante de sábado chuvoso, depois de tomar algumas doses no mercado, atravessei a avenida e acenei para o primeiro ônibus que passou. Desci no Rio de Janeiro. Nunca mais voltei para saber no que deu aquilo tudo. Casei com uma linda carioca, arrumei um excelente emprego e e fui infeliz para sempre.
terça-feira, 31 de março de 2015
O aeroplano e o saci
segunda-feira, 30 de março de 2015
Casamentos e casamentes
terça-feira, 24 de março de 2015
Nunca deseje seu ex-amor
segunda-feira, 23 de março de 2015
Um beijo em si.
Não.
Não o quê? Sentar ou ouvir o que tenho a dizer?
Não quero sentar.
Mas poderá ouvir?
Não quero ouvir o que sabe e não sei.
Mas aí não saberá o que tenho a dizer.
Então não diga e não saberei.
Mas é uma coisa sua.
Se é minha, já a tenho.
Não quer mesmo saber?
O fato é que não estou preparado para descobrir em mim algo que não sei se sei.
Não contarei então.
Isto, não conte e me beije.
Beijo molhado, lambuzado e ardente?
Um beijo, não destes assim, mas um beijo de quem tem algo meu em si.
É isto aí!











.jpg)





