quinta-feira, 12 de setembro de 2019

No colapso do caos conheceu a paz.


Imagem: Centaurus A (NGC 5128)

Um gravíssima e irreversível crise familiar, o salário atrasado, as contas vencidas, a despensa em declínio, dívida na padaria, na farmácia, no açougue, no sacolão, no mercadinho, na barbearia, no bar e na banca. Luz, água e telefone cortados, o que não deixava de ser um conforto, pois não geravam despesa e o telefone mudo evitava as cobranças constantes.

No quintal uma horta, no fundo um riacho com piabanha e num tanque cavado uma coleção de traíras. A fome não era o problema. O salário atrasado o arremessava para todos os colegas na mesma situação e o patrão em desespero por ter avalizado um parente, motivo da sua falência. O parente teve morte súbita e não pode honrar o compromisso e o credor do parente, também falido, desapareceu na história numa tragédia pessoal. O carrossel girava no sentido da dor.

A tarde entrava na noite, e enquanto observava os vagalumes no ritual da luminescência, viu seu corpo do alto da casa, viu os vagalumes se transformarem em estrelas, as estrelas dançavam, giravam, faziam evoluções gravitacionais aglomerando-se em constelações, as constelações em galáxias e as galáxias infinitamente majestosas entravam e saíam da sua mente. Entravam e saiam, entravam ... e saiam ...

Experimentava um som relaxante misturado com barulho de vento e chuva. As batidas biauriculares aumentavam sua cognição, foco e concentração, e as galáxias internas estimuladas pelo som, operavam com o fluxo máximo de informações possível entre os dois hemisférios cerebrais, numa sincronização do cérebro inteiro e, quando atingiu a sincronização completa, encontrou-se consigo e ao seu lado a mulher de todos os seus sonhos.

Não queria sair dali - eu amo você, falou, gritou, pensou, murmurou, e ao mesmo tempo que experimentava este amor incondicional - ela verdadeiramente sorria. Com os dois hemisférios do cérebro sincronizados, todo o potencial de percepção do real fora destravado e os recursos em sua mente subconsciente (conectados ao hemisfério direito) se tornaram despertos nessa sincronização. Permitiu-se primeira vez auto-perdoar por tê-la perdido - nunca se perdoou até aquele dia.

Retornou ao corpo inerte, choro de paz, a consciência tridimensional estava agora conectada ao universo, conhecera sua nova realidade. Sentiu-se leve, feliz como a muito não sentira. Era agora um homem livre. No colapso do caos conheceu a paz.

É isto aí!





terça-feira, 10 de setembro de 2019

As sacanagerais na Constelação de Lyra

Resultado de imagem para Constelação de Lyra

No domingo de noite limpa, visitei, na Colina do Bom Senso, o Centro Avançado de Observação Espacial através de  um dos mais potentes putoscópios do mundo, capaz de observar o cotidiano dos exoplanetas.

Um exoplaneta nada mais é que um planeta que orbita uma estrela que não seja o nosso Sol e, desta forma, pertence a um sistema planetário distinto do nosso. Segundo a Agência Espacial Apache, até agosto de 2019, já foram confirmados 4109 exoplanetas em 3059 sistemas detectados, com 667 sistemas tendo mais de um planeta. Há ainda 2.724 candidatos à espera de confirmação.

Bem, devido à alta tecnologia do Reino da Pitangueira, graças ao nosso putoscópio, somos capazes de voltar os olhos para a Constelação de Lyra, onde está o exoplaneta Kepler-20, irmão gêmeo da Terra.

O Putoscópio não só localiza e identifica o planeta, como também penetra no seu espaço de superfície, observando as ações sociais, espirituais, antropológicas, polimórficas, laborais e sacanagerais da sua população. O último estudo deu-se sobre uma imensa região, deitada eternamente e esplendidamente em Posição de Trendelemburg. 

Na região central há um grande marco onde se lê - Bananaland, terra onde jorra o leite e o mel, mas só para a diretoria!

Nosso Putoscópio detectou que Bananaland está repleta de templos místicos e tem aqueles eleitos que se servem do poder central e se declaram  oficialmente porta-voz das milícias angelicais, fazendo daquele reino um paraíso tal qual um reino celestial. Ora, ora, ora ... como pode um reino ser uma das dez potências econômicas de Kepler-20 e deixar a maioria dos seus habitantes (cerca de 60%) excluída desta realidade? 

Como pode um reino se julgar Celestial, locupletado de santos e santas e ter um altíssimo índice de criminalidade? 

Como uma milícia celestial permite uma educação tão precária e bastarda para a maioria (negros, pobres e excluídos)?

Como uma doutrina revisionista pode permitir que a sorte trate e cure os enfermos desassistidos, descamisados, esfomeados e caquéticos?

Como é possível que nem disfarcem o total desprezo para com os aposentados, racismo, misoginia, feminicídio, estupros cada vez mais violentos contra  mulheres e crianças, corrupção ativa, prevaricação, abominação, homofobia e outros problemas tão claramente anticelestiais? 

Graças a Deus que Kepler-20 está a mil anos-luz daqui, senão vai que contamina nosso planetinha azul.

É isto aí!


domingo, 8 de setembro de 2019

Salmo da saudade



Às margens dos processos da vida, 
assentava-me lamentando as lembranças.
Nos ramos da saudade, a conotar tristeza,
pendurava, então, os nossos dias,
aqueles dias que os céus haviam confiado 

Tempos que mereceriam um cântico. 
Mas a tristeza evita ritos de alegria.
Cantai um cântico novo, pensava.
Como poderia existir cântico novo
entoado num coração estéril?

Se esquecer de você, murmurava, 
que minha mão direita se paralise!
Que minha memória se esvaneça, 
Que minha sina seja o desterro

Se eu não mais me lembrar, 
se não a puser acima dos desconsolos.
Sentarei às margens da dobra do tempo  
onde muitas muitas vezes estive 
só para encontrá-la sorrindo.  

É isto ai!

sábado, 7 de setembro de 2019

Inibidores do Raciocínio Lógico que dificultam amar e ser feliz


O Amor e o Ceticismo 

O ceticismo como uma atitude permanente deve ser evitado. Em seu lugar, deve-se usar o ceticismo seletivo, ou seja, aquele que procede de uma reação apropriada.

A Felicidade e o Agnosticismo evasivo 

Agnóstico é o indivíduo que diz não ter elementos suficientes para um julgamento preciso. Há uma diferença entre o cético e o agnóstico. O cético nega a existência da verdade; o agnóstico diz não ter elementos suficientes para proclamar a verdade. O agnosticismo evasivo é a atitude que tenta tratar a ignorância superável como se ela fosse insuperável. Uma coisa é dizer "Eu não sei" depois de uma longa e assídua pesquisa em relação a um determinada assunto, outra é dizer "Eu não sei' quando nem mesmo se importou em investigar sobre o assunto.

A tragédia de um desamor pelo Cinismo e da infelicidade pelo otimismo ingênuo 

Cínico é uma pessoa que faz enfaticamente uma proposição negativa sem evidência suficiente. Um otimista ingênuo é alguém que faz enfaticamente uma estimativa positiva sem evidência suficiente. Ambos representam posições ilógicas, que levam ao preconceito. Em vez de ver as coisas como são, eles as veem de acordo com sua predisposição.

Como perder um grande amor por Mentalidade estreita  

Afirma-se que o objetivo da lógica, do raciocínio bem fundado. é descobrir a verdade. A mentalidade estreita é claramente enfraquecedora em seus efeitos, mas existe um tipo de mentalidade aberta que é ainda mais enfraquecedora. Uma mente aberta, como uma boca aberta, deve eventualmente se fechar para alguma coisa. Uma abertura de mente saudável não significa uma abertura indiscriminada.

Emoção e julgamento 

Quanto mais intenso é o emocional, mais difícil se torna pensar claramente e comportar-se com moderação. Há um método empírico simples a ser seguido: Nunca apele diretamente para as emoções da pessoa amada.

Raciocinar com a razão em qualquer momento, sempre.

Usar raciocínio para qualquer objetivo que não seja o de alcançar a verdade é fazer mau uso dele.

Argumentar não é disputar, e só a argumentação sustenta o amor.  

Argumento é uma conversação racional: seu objetivo é chegar à verdade. O objetivo da disputa é atingir a outra pessoa.

Os limites da sinceridade 

Sinceridade é uma condição necessária ao raciocínio lógico, mas não é suficiente.

É isto aí!

Fonte de consulta: Dicionário de Filosofia

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Por princípio poético, não acho que o amor é só aquele (Amanda Machado)

Alto lá, 
Este poema não é meu
Confesso que copiei e colei
Autora: Amanda Machado*

La-Chapeliere-Folle


Por princípio poético 
não me levanto logo ao acordar; 
preciso, antes, olhar ao redor, 
sentir a cama quente.

Olhar alguns minutos para o teto, 
para as paredes e a beirada da cortina 
encontrando com o lençol na cama. 

Preciso dar nitidez ao sonho 
e deixar que ele se liberte 
pelos meu olhos abertos.

Tenho que olhar
nos olhos do gato 
e não dizer nada.

Esperar que ele suba na cama 
e nós dois contemplamos o nada, 
cada um à sua maneira.

Tenho que olhar para os livros nas prateleiras 
e amá-los; não como objetos, 
mas como partes do que sou agora.

Por princípio de poesia,  
o tempo é meu amigo, 
o gato é o meu relógio

E as cortinas
não me apartam do mundo lá fora; 
a liberdade é um legado que eu tento cultivar 
no mesmo canteiro dos alecrins e das hortênsias 

E o amor escolhe as xícaras, 
chama a verdade e a coragem, 
sentadas ainda no quintal, para o chá
e juntos nos aquecemos.

Fazemos planos 
e achamos que o instante durará 
tanto quanto os livros.


*Conheci o blog Pareço louca de Amanda Machado há alguns anos, quando garimpava na rede poemas de Wislawa Szymboska. Desde então acompanho suas postagens. Não só encontrei o material que precisava como enriqueci com a qualidade e a leveza dos contos postados no Blog. 

Amanda  é mineira e melhor que isto, é de Juiz de Fora. É escritora, poetisa, contista e fiel depositária dos coisas boas do mundo. Narra o universo do ponto de vista feminino, e esta é a sua marca registrada. 
Suas principais obras, além do seu excelente Blog Pareço louca:

Livros publicados:






quinta-feira, 5 de setembro de 2019

O amor obnubilado


Sentado desde a manhã com as costas tocando suavemente o encosto, o olhar vago, desejara partir para algum lugar onde ela não existisse . Era noitinha e ainda estava ali, só o corpo imóvel, pois a alma vagava pelos umbrais, talvez. Era uma morte de um não sei o que de fim da resistência. Resistiu o quanto pode, mas o amor gritava, gritava, gritava muito no peito, na cabeça, nas pernas, gritava nos braços, o amor gesticulava suas mãos com o nome da moça.

O nome da moça ... da moça linda das coxas lindas, da boca linda, das mãos lindas, dos seios lindos, a moça linda tinha nome, endereço e personalidade, mas a moça estava em outra dimensão, na dimensão dos que aceitam que a vida segue, doendo, doendo, moendo a carne e ferindo todo o interior, onde não fica o vazio da dor, cabe a ferida da dor.

Só o corpo, inerte, e a cabeça sendo testemunha das visões da mente, do racional e do surreal, do lógico e do onírico, do possível e do impossível. Contemplava nas nuvens das ideias, o andar dela, seus braços bailando, suas mãos em poesia, seus pés que não tocavam o chão, seus olhos tristes, ah! seus olhos tristes. Quanta luz havia naquele sedutor olhar triste.

Dali a pouco levantou-se, espreguiçou preguiçosamente sem emitir um único som. Lenta e gradualmente acordava cada músculo, cada ligamento, trazia a ciência do tempo presente ao encontro do seu corpo. De repente, num lance de genialidade, subiu à mesa, bateu o copo na garrafa vazia, chamou a atenção para si, e bradou:

Fica decretado para todos os homens deste planeta que somente àqueles que verdadeiramente amam estão doravante proibidos sumariamente de conjugar o amor e todos os verbos aliados, no Futuro do Pretérito.

Aplaudido em êxtase pela platéia anônima, evocou ar de autoridade gramatical, e de peito estufado marchou rumo ao futuro do presente. 

É isto aí!

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Valsa e a moça pálida


Vestiu a única camisa surrada, dobra da gola puída, tipo social lisa em tecido cetim 100% algodão, uma calça social batida,  com tecido Oxford vincado 100%  poliéster. Colocou o cinto gasto de couro preto, calçou a meia social, remendada, de algodão, preta, calçou o surrado sapato social preto, olhou-se no espelho e começou a rir. Riu até a barriga doer de tanto rir.

Olhou para si, dentro dos seus olhos e não se reconheceu. Face glabra, cabelo curto e penteado, sobrancelhas alinhadas. Não se viu na seriedade - aquilo era uma metonímia mal formulada, pensou, pois afinal tomarão este abstrato pelo concreto, que sou eu.

Valsa era um batedor profissional de carteiras do porto. Na realidade, não havia um porto para embarcações de navegação. Porto era a região dos indigentes, das prostitutas, dos desvalidos e das apanhadoras de xepa da cidade.

Todo mundo conhecia o Valsa. Ganhou o apelido ainda rapazote, devido à leveza, a delicadeza e a agilidade para adquirir as objetos adormecidos em bolsos de seda, como dizia.

Era a enciclopédia do Porto - Valsa, quanto dá 10% de 36 mais 14? 5, respondia  ao feirante; Valsa, qual o dia da Bandeira? Valsa, quantas cidades no Piauí que existem e começam com P? Valsa, quem te deu este apelido? Valsa isto, Valsa aquilo, dia após dia.

Valsa havia assumido um casamento. Ganhou dos desvalidos a roupa exclusiva para o dia fatídico. Sentado na cama de colchão de palha, não se viu naquele homem. Este não sou eu - saiu à porta e uma metade seguiu triste para a cerimônia e a outra ficou esquálida, torcendo para que a moça pálida não comparecesse ao evento.

Ao chegar na Capelinha de São Jorge, estava fechada, não havia nenhum amigo, nem as moças da Dona Zizi, nem a turma do carteado, nem o Tico Cavaquinho, seu melhor amigo. Aquilo só podia ser um milagre - São Jorge viu seu sofrimento e intercedeu por sua graça. Ajoelhou-se em prantos na porta principal do pequeno templo, agradecendo a graça alcançada. A moça pálida fugira, ainda na madrugada, com Renatinho da Zefa, um delinquente de menor escala na hierarquia do Porto.

É isto aí!

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Escrever é tenso.


O tempo está curto para escrever - sim, é verdade, tenho cerca de cem textos  no rascunho, mas a maioria não merecer ser postado.

Eu pensei em falar do estado atual das coisas no solo da mãe gentil, mas é causa perdida, não há estado.

Escrever é tenso. É quase um atentado.

Pensar numa história, criar ou buscar um personagem para aquela história, e o leitor sempre acaba pensando que o autor é o protagonista com ego inflado.

Parando aqui, nada de rever, nada de guardar, vai sair assim mesmo.

É isto aí!

domingo, 1 de setembro de 2019

Ando desesperado


Ando desesperado
esperando o solstício
da estação feliz
em total desconsolo
desesperançado
viver o esperado
momento do sim
ou nunca ter
aquele sonho  
como fim.
ps - Eu amo você






sexta-feira, 30 de agosto de 2019

07 - Odete, a amazona do Paranoá


Odete, a amazona do Paranoá

Tempos novos exigem mudanças radicais. Perdi meu Nokia original, e mediante a dor da perda, radicalizei e adquiri uma maravilhosa verve tecnológica da dinastia Ming: Núbia. Sim, ela existe. Seu nome de registro é Nubia Lite Snapdragon, e para mim, apenas Núbia - uau.

Desde então, a vida imitando a arte, me apaixonei pela moça. Noite destas, em deleite extraquântico, Núbia começou a vibrar vibrar vibrar e só então percebi que era Odete do outro lado da célula, tentando incorporar-se no corpo frágil da deusa oriental.

Odete, reza a lenda, nos anos dourados incorporava o espírito de Hipólita entre a nata e a sobrenata do poder provinciano do Paranoá, e fazia coisas espantosamente inenarráveis com o seu cinturão mágico, montando em cavalos mancos e senis, promovendo o delírio mundano aos bons velhinhos da corte.

- Odete, que surpresa agradável!

- Olha aqui, seu tarado, continua de caso com a  Nubia Dragão?

- Olha o ciúme, Odete, é Núbia Lite, e não Nubia, e sim, é da família Snapdragon. Núbia da Casa Snapdragon, Primeira de seu nome, Nascida da Huawei, A Nougat, Mãe dos Dragões, Qualcomm das correntes, Mãe dos Gorilla Glass , Khaleesi dos Snapdragons, Rainha Ming, Rainha de Beijing, Dos Macaus, Dos primeiros Hong Kongs, Protetora dos sete reinos da Grande Muralha.

- Mas o que é isto? Você está de caso com a Daenerys Targaryen ou está fumando cigarro afegão?  Para de perder tempo com esta parafernália ultrapassada, vem me ter em Brasília.

- Mudando de assunto, para não perdermos o foco, a que devo a honra, querida?

- Humm... querida...gostei disto. Amore, vem me ter, larga deste objeto frio e insensível, vem sentir a realidade superando o virtual, sou de carne, osso e alma, e sou sua deusa, sua ninfa ...

- Nossa! - falando assim desta maneira ..., bem, vamos aos fatos, Odete, quais as novidades?

Amore, como sabe, detesto fofoca. Eu só conto aquilo que tem prova material, espiritual e consensual.

Claro, querida, eu sempre soube disto. Então, tem muitas notícias depois deste desaparecimento por meses?

Uau, amore, ainda sou sua querida? uau!!! Perdão pelo sumiço, mas os ares de Brasilia estão com densidade no limite previsto para as "atms" que pressionam o solo. Mas dias destes estava com Vivi, prima do Valsa, ah! estou lendo você falar sobre ele - figuraça - Valsa é o Forrest Gump tupy-guarany.
Bem, voltando à Vivi, nós duas estávamos despidas de sentimentos na borda de determinado balneário privê de uma instituição pública onde alguns velhinhos sencientes comparecem para acertar argumentos, digamos assim.

Sencientes, Odete?

Amore, puxa vida, tenho que te ensinar tudo, hem! Você não muda nunca. Ah, amore, vem me ter em Brasília, que eu te faço um doutoramento.

Gratidão, Odete, mas Sencientes?

Veja bem amore, nós outros, boderlines do sistema planaltino, denominamos estes vetustos estatutários apegados ao poder como seres sencientes porque supostamente têm a capacidade de sentir. Talvez eles experienciem, de forma consciente, sentimentos de muitos tipos diferentes. A questão que deve ser colocada é sobre se a capacidade que nós, pobres mortais, temos de possuir percepções conscientes dos acontecimentos e da realidade poderá ou não acontecer de igual forma com estes fidalgos, que vivem alienados do povo, do país, da pátria, da nação, de onde fazem jorrar leite e mel apenas e somente apenas para seu deleite.

Caramba, Odete, isto explica tudo. São como a Núbia Lite. Meus deusinhos paraguaios, por que nunca percebi isto? Nossa, estou amazônico, em chamas e partido em pedaços.

Amore, aproveita que está em chamas e vem, vem me ter, vem! Vem, amore, vem!

Eu queria, Odete, alô, alô, Odete? Fora de área ou desligado. Puxa vida, o fogo tomou conta de tudo

É isto aí!








quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Passem logo a faixa para a Anitta

Presidente Anitta

Este blog já sugeriu em 2014 Anitta pra presidente, e agora oficializa: Esta moça vai longe! E tem mais, nunca vai nos decepcionar.

Anitta é competente, trabalhadora, é carioca, compositora, atriz, apresentadora e produtora brasileira.

Começou a trabalhar aos sete anos de idade em um coral de uma igreja, no Rio de Janeiro; na mesma época já fazia aulas de dança de salão e chegou a dar aulas como professora de dança, e hoje se aproveita de sua habilidade como dançarina em seus shows e videoclipes, com o stiletto, a dança do salto alto.

Aos 16 anos, cursou administração e foi estagiar na mineradora Vale. Segundo Anitta, as aulas de marketing que teve durante o curso de administração lhes são úteis até hoje, e se sente elogiada quando a chamam de um "caso de marketing", pois ela mesma é quem planeja e executa seu próprio marketing.

Desde 2010 é sucesso em cima de sucesso, ganhadora por merecimento de vários prêmios internacionais, sem perder a brasilidade (ela é carioca, ela é carioca, basta o jeitinho dela andar ...).




terça-feira, 27 de agosto de 2019

O Epitáfio de cada dia nos dai hoje


Qual o Epitáfio você vai colocar na sua lápide hoje?
Qual a história seu Epitáfio irá contar hoje?
Qual sonho está morrendo com você hoje?
Qual sonho valeu a pena ter sido realizado antes de morrer hoje?
Qual será a última pessoa que você desejaria ver hoje?
Quais seriam as suas últimas palavras hoje?
Qual seria a roupa com a qual desejaria morrer hoje?
Qual seria a sua última refeição antes de morrer hoje?
Qual pessoa você não quer no seu velório hoje?
Qual pessoa você quer no seu velório hoje?
Quem ficará feliz com a sua morte hoje?
Quem ficará triste com a sua morte hoje?
Quem ficará indiferente à sua morte hoje?

Qual o Epitáfio você vai colocar na sua lápide daqui a dez anos?
Qual a história seu Epitáfio irá contar daqui a dez anos?
Qual sonho estará morrendo com você daqui a dez anos?
Qual sonho valeu a pena ter sido realizado antes de morrer daqui a dez anos?
Qual seria a última pessoa que você desejaria ver daqui a dez anos?
Quais seriam as suas últimas palavras daqui a dez anos?
Qual seria a roupa com a qual desejaria morrer daqui a dez anos?
Qual seria a sua última refeição antes de morrer daqui a dez anos?
Qual pessoa você não quer no seu velório daqui a dez anos?
Qual pessoa você quer no seu velório daqui a dez anos?
Quem ficará feliz com a sua morte daqui a dez anos?
Quem ficará triste com a sua morte daqui a dez anos?
Quem ficará indiferente à sua morte daqui a dez anos?

Qual o Epitáfio você vai colocar na sua lápide daqui a trinta anos?
Qual a história seu Epitáfio irá contar daqui a trinta anos?
Qual sonho estará morrendo com você daqui a trinta anos?
Qual sonho valeu a pena ter sido realizado antes de morrer daqui a trinta anos?
Qual seria a última pessoa que você desejaria ver daqui a trinta anos?
Quais seriam as suas últimas palavras daqui a trinta anos?
Qual seria a roupa com a qual desejaria morrer daqui a trinta anos?
Qual seria a sua última refeição antes de morrer daqui a trinta anos?
Qual pessoa você não quer no seu velório daqui a trinta anos?
Qual pessoa você quer no seu velório daqui a trinta anos?
Quem ficará feliz com a sua morte daqui a trinta anos?
Quem ficará triste com a sua morte daqui a trinta anos?
Quem ficará indiferente à sua morte daqui a trinta anos?

Qual a história seu Epitáfio irá contar daqui a cinquenta anos??

Qual a história seu Epitáfio irá contar? A sua história de vitórias ou de derrotas?

Qual será o seu legado?

É isto aí!


segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Valsa, o retorno

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Valsa retornou. Havia esquecido de esquecer que nunca mais outra vez partiria sem antes lembrar-se de procurar por Dadinha, uma mulata louca de amor pela vida. Martinha agora era ontem, passou, acabou, virou retrato em álbum de formatura. O fato é que Valsa soçobrou-se com Martinha

Desceu no ponto conhecido como rodoviária, um ponto com um posto de venda em madeira, ocupando um espaço não definido entre calçada e rua. Em frente, barraquinhas de todas as modalidades de bebidas, tira-gostos e prostitutas.

A chuva, o vento e o sol tímido davam as boas vindas - retornara ao ambiente hostil da vida sem graça, sem relevos e sem assentos marcados na viagem da vida. A casa, a família, os amigos e o amor que perdera, o amor que esquecera e o amor que abandonara o aguardavam como se nunca houvesse partido.

Desceu a rua descalça, passou em frente à casa de Martinha, uma casa comum de um lugar comum, com parede desbotada, janelas mal fechadas e porta empenada. Deu vontade de bater, dizer alguma coisa, sempre haveria algo a dizer, mas as palavras fugiram assim que pensou em fazer esta bobagem.

Dobrou a esquina, entre poças d'água e barro liso, com todo o cuidado. No meio do quarteirão parou diante de uma casa com janelas azuis e flores rosas e vermelhas a beijar o chão pela força dos ventos. Emitiu um quase inaudível som agudo produzido pela passagem do ar entre os lábios comprimidos. Dadinha abriu a porta, sorriu e Valsa retornou ao mundo do qual nunca se deu conta que era seu o tempo todo.

É isto aí!

domingo, 25 de agosto de 2019

Fernanda Young, puxa vida! Você não tinha o direito de partir agora.

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Abro o jornal e leio sua partida deste mundo. Logo você, puxa vida.

Publico aqui, aleatoriamente, um texto seu, e saiba, estou triste pra caramba:

"Para quem me odeia

Eu te amo. E não seria metade do que sou sem você, juro.
É seu ódio profundo que me dá forças para continuar em frente, exatamente da minha maneira.
Prometa que nunca vai deixar de me odiar ou não sei se a vida continuaria tendo sentido para mim.
Eu vagaria pelas ruas insegura, sem saber o que fiz de tão errado.
Se alguém como você não me odeia, é porque, no mínimo, não estou me expressando direito.
Sei que você vive falando de mim por aí sempre que tem oportunidade, e esse tipo de propaganda boca a boca não tem preço.
Ainda mais quando é enfática como a sua - todos ficam interessados em conhecer uma pessoa que é assim, tão o oposto de você.
E convenhamos: não existe elogio maior do que ser odiado pelos odientos, pelos mais odiosos motivos.
Então, ser execrada por você funciona como um desses exames médicos mais graves, em que "negativo" significa o melhor resultado possível.
Olha, a minha gratidão não tem limites, pois sei que você poderia muito bem estar fazendo outras coisas em vez de me odiar - cuidando da sua própria vida, dedicando-se mais ao seu trabalho, estudando um pouco.
Mas não: você prefere gastar seu precioso tempo me detestando.
Não sei nem se sou merecedora de tamanha consideração.
Bom, como você deve ter percebido, esta é uma carta de amor.
E, já que toda boa carta de amor termina cheia de promessas, eis as minhas:
Prometo nunca te decepcionar fazendo algo de que você goste. Ao contrário, estou caprichando para realizar coisas que deverão te deixar ainda mais nervoso comigo.
Prometo não mudar, principalmente nos detalhes que você mais detesta. Sem esquecer de sempre tentar descobrir novos jeitos de te deixar irritado.
Prometo jamais te responder à altura quando você for, eventualmente, grosseiro comigo, ao verbalizar tão imenso ódio. Pois sei que isso te faria ficar feliz com uma atitude minha, sendo uma ameaça para o sentimento tão puro que você me dedica.
Prometo, por último, que, se algum dia, numa dessas voltas que a vida dá, você deixar de me odiar sem motivo, mesmo assim continuarei te amando. Porque eu não sou daquelas que esquece de quem contribuiu para seu sucesso.
Pena que você não esteja me vendo neste momento, inclusive, pois veria o meu sincero sorrisinho agradecido - e me odiaria ainda mais.

Com amor, da sua eterna.

Fernanda Young"

Fernanda Young
   

sábado, 24 de agosto de 2019

Valsa, fala sobre aquilo.


Todo mundo conhecia Valsa. Todo mundo incluindo a voluptuosa Martinha, moça prendada na arte de fazer arte. Valsa era um sujeito meticuloso, andar lento, movimentos calculados, roupa sem vinco e um jeito leve de ganhar a vida. Passos lisos, sorriso matreiro, enfim, um homem sem ponta solta como definiu o Souza da barbearia.

Ganhou este apelido na juventude, parecia uma valsa, diziam, era leve demais, harmônico. mas o tempo passa, os reclames ficam mais apurados e Martinha, a moça prendada e voluptuosa, entrou na sua vida. Certa noite estavam lado a lado, ombro a ombro, sentados no banco da praça da Matriz, e deu-se o diálogo que mudou tudo.

- Valsa, a gente não deveria estar conversando sobre alguma coisa?

- Martinha, concordo, fale sobre qualquer coisa.

- Sobre o que nós ainda não conversamos, Valsa?

- Olhou profundamente nos olhos de Martinha, mordeu o lábio inferior, coçou o queixo com a mão direita, respirou fundo e sussurrou - sobre aquilo.

- Sim, tem razão Valsa, nestes três anos, aquilo sempre nos deixou sem palavras.

- Sim, Martinha, você tem razão.

- Valsa, vamos comemorar o desaniversário de nunca falar sobre aquilo com uma gargalhada?

- Não sei, Martinha, não sei se deveríamos rir.

- Então começa, Valsa. Dê a sua gargalhada contagiante.

- Martinha ...

- Valsa, você está chorando? Valsa? Fala comigo! Valsa ... para, Valsa ...

- Martinha ...

- Valsa ...

- Martinha, eu, eu, eu ... perdi meu relógio.

- Perdeu aquele relógio? Ah, tadinho ... Valsa, não precisa se preocupar. Eu vou fazer hora para você.

- Jura?

- Juro. Mas só se você parar de chorar e conversarmos sobre aquilo.

- Valsa levantou-se chorando, despediu polidamente da voluptuosa Martinha e nunca mais foi visto.

É isto aí!

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

O Putoscópio orientado para Káon

Plêiades

Dia destes era noite, e sob a luz de uma noite sem luar subi no Monte do Bom Senso, onde há o Planetário Imperial do Reino da Pitangueira. Neste Planetário encontra-se um Putoscópio que permite que eu investigue nas Plêiades o Káon, o interessante planeta onde os bósons são nulos.

Argonautas transcenderam este conceito quando descobriram que estes bósons  violam a simetria, pois os anti-Káon transformam-se em Káon-0 (Káon Zero) com uma frequência um pouco menor que o inverso.

Aproximando mais a potente lente putástica percebi que, graças aos bósons, há um poço de mágoas que foram se acumulando durante anos de denuncismos, agressões, inverdades, falácias, jornalismos cretinos, jornalistas infames, empresários pusilânimes, políticos medíocres e crenças limitantes, conforme documento VYK389/32 registrado sob o código KPTA, na Junta Maior do Movimento Circular.

É provável que o número de Káon-Zero não tenha atingido a mítica imagem méson por que uma vez que os bósons, neo-bósons, full-bósons, enfim, a maior parte da massa dos bósons provém da energia de ligação e não da soma das massas dos seus componentes, todos os bósons são instáveis, daí cada dia que passa precisam de um escânfalo (Em Káon seria uma corruptela de escândalo fálico) novo para se manterem percebidos.

No canto inferior esquerdo de Káon, há o famoso e incógnito Ponto Estóico, onde a mitologia kaóntica afirma que ali existem pessoas imbecilizadas, gentalhas esquizoides que prezam a fidelidade ao conhecimento, desprezando todos os tipos de sentimentos externos, como a paixão, a luxúria e demais emoções.

É isto aí!

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

O encontro das águas ( Jorge Vercillo / Jota Maranhão)


Sem querer
te perdi tentando te encontrar
Por te amar demais sofri, amor
Me senti traído e traidor

Fui cruel
sem saber que entre o bem e o mal
Deus criou um laço forte, um nó
E quem viverá um lado só?

A paixão veio assim
afluente sem fim
Rio que não deságua

Aprendi com a dor
nada mais é o amor
Que o encontro das águas

Esse amor
Hoje vai pra nunca mais voltar
Como faz o velho pescador
Quando sabe que é a vez do mar

Qual de nós
Foi buscar o que já viu partir
Quis gritar, mas segurou a voz,
Quis chorar, mas conseguiu sorrir?

Quem eu sou
Pra querer
Entender
O amor


quarta-feira, 21 de agosto de 2019

A verdade é que você nunca vem aqui, e tudo isto é seu

Princess punk rock

Mensagens que não deveriam ser mandadas quando escritas em momentos ridiculamente passionais:

Geladeira, liquidificador, cafeteira, panela de pressão ...

Panela de pressão ... de pressão ... depressão ... puxa vida, agora sim consigo entender esta dor, estando só na cozinha. Sinto sua ausência.

Querida, eu não desejei escrever esta mensagem, ela apenas fluiu no meio de uma maratona de espetáculos que assisti dentro de mim nos últimos dias. Eu amo você, amo sua voz, seu corpo, seu andar, suas mãos, amo seu cotovelo quando sustenta seu braço a promover um quadro romântico e colorido, com suas mãos segurando seu queixo, e me expiando com um olhar que não é um olhar apenas. É seu interior fitando meu interior.

Querida, eu nunca me perdoei por não ter perdoado você. Não apenas volte, mas volte para mim, eu amo você e me acovardei diante do fato de ter sido um idiota. A verdade é que você nunca vem aqui, e tudo isto é seu. 

Resposta às mensagens que não deveriam ser mandadas quando escritas em momentos ridiculamente passionais:

Foda-se!!!!!!!!
Efe - o - dê - a - se - Foda-se!!!!!
Foda-se, foda-se, foda-se!!!!!!!!!

É isto aí!



quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Valei-me São Boticário


Valei-me São Boticário
protetor dos frascos 
zelador dos comprimidos
ilumina o vale das sombras
destes neurônios feridos
mortais e fragilizados

Permita-me entender 
o caminho por onde passa
ante ao balcão da farmácia
os canalhas idiotizados
que grassam em falácias
e só olham para seus umbigos.

É isto aí!






segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Diante da Lei ( Franz Kafka )

Franz Kafka / Diante la Lei

Fonte: https://farofafilosofica.com

Diante da Lei há um guarda. Um camponês apresenta-se diante deste guarda, e solicita que lhe permita entrar na Lei. Mas o guarda responde que por enquanto não pode deixa-lo entrar. O homem reflete, e pergunta se mais tarde o deixarão entrar.

 – É possível – disse o porteiro -, mas não agora.

A porta que dá para a Lei está aberta, como de costume; quando o guarda se põe de lado, o homem inclina-se para espiar. O guarda vê isso, ri-se e lhe diz:

– Se tão grande é teu desejo, experimenta entrar apesar de minha proibição. Mas lembra-te de que sou poderoso. E sou somente o último dos guardas. Entre salão e salão também existem guardas, cada qual mais poderoso que o outro. Já o terceiro guarda é tão terrível que não posso suportar seu aspecto.

O camponês não havia previsto estas dificuldades; a Lei deveria ser sempre acessível para todos, pensa ele, mas ao observar o guarda, com seu abrigo de peles, seu nariz grande e como de águia, sua barba longa de tártaro, rala e negra, resolve que mais lhe convém esperar. O guarda dá-lhe um banquinho, e permite-lhe sentar-se a um lado da porta. Ali espera dias e anos. Tenta infinitas vezes entrar, e cansa ao guarda com suas súplicas. Com frequência o guarda mantém com ele breves palestras, faz-lhe perguntas sobre seu país, e sobre muitas outras coisas; mas são perguntas indiferentes, como as dos grandes senhores, e para terminar, sempre lhe repete que ainda não pode deixá-lo entrar. O homem, que se abasteceu de muitas coisas para a viagem, sacrifica tudo, por mais valioso que seja, para subornar o guarda. Este aceita tudo, com efeito, mas lhe diz:

– Aceito-o para que não julgues que tenhas omitido algum esforço.

Durante esses longos anos, o homem observa quase continuamente o guarda: esquece-se dos outros, e parece-lhe que este é o único obstáculo que o separa da Lei. Maldiz sua má sorte, durante os primeiros anos temerariamente e em voz alta; mais tarde, à medida que envelhece, apenas murmura para si. Retorna à infância, e como em sua longa contemplação do guarda, chegou a conhecer até as pulgas de seu abrigo de pele, também suplica as pulgas que o ajudem e convençam o guarda. Finalmente sua vista enfraquece-se, e já não sabe se realmente há menos luz, ou se apenas o enganam seus olhos. Mas em meio da obscuridade distingue um resplendor, que surge inextinguível da porta da Lei. Já lhe resta pouco tempo de vida. Antes de morrer, todas as experiências desses longos anos se confundem em sua mente em uma só pergunta, que até agora não formou. Faz sinais ao guarda para que se aproxime, já que o rigor da morte endurece seu corpo. O guarda vê-se obrigado a abaixar-se muito para falar com ele, porque a disparidade de estaturas entre ambos aumentou bastante com o tempo, para detrimento do camponês.

– Que queres saber agora? – pergunta o guarda -. És insaciável.

– Todos se esforçam por chegar à Lei – diz o homem -; como é possível então que durante tantos anos ninguém mais do que eu pretendesse entrar?

O guarda compreende que o homem está para morrer, e para seus desfalecentes sentidos percebam suas palavras, diz-lhe junto ao ouvido com voz atroadora:

– Ninguém podia pretender isso, porque esta entrada era somente para ti. Agora vou fechá-la.

KAFKA, Franz. A colônia Penal. Editora Livraria Exposição do livro. São Paulo. 1965. p. 71 – 72