sexta-feira, 4 de dezembro de 2020
Tem como ser feliz ano novo em 2021?
quinta-feira, 3 de dezembro de 2020
Julgamento no Céu
quarta-feira, 2 de dezembro de 2020
Uma valsa vienense ao seu adeus
segunda-feira, 30 de novembro de 2020
Motivo para se estar vivo! (Marjorie Dawe)
Motivo para se estar vivo!
Olha para o Céu! (Marjorie Dawe)
Olha para o Céu! (Marjorie Dawe)
sexta-feira, 27 de novembro de 2020
Há o brilho do seu olhar! (Paulo Abreu)
Guardo em Mim (Paulinho Moska e Teresa Cristina)
quinta-feira, 26 de novembro de 2020
Pensando em você ( Paulinho Moska)
Milagres, abduções e fatos inusitados
João sentiu-se tocado por um anjo assim que saiu à rua. Viu um flash de luz, um clarão e não se lembra de mais nada. Acordou dias depois na UTI do hospital, com fortes queimaduras pelo corpo. As línguas ferinas, os invejosos e os falaciosos comentaram à época que supostamente foi atingido por um raio, mas jurou por anos ter sido um encontro celestial. João faturou milhões em monetização nas redes sociais, contando sua experiência com os céus.
Antônia tinha acabado de ter uma severa discussão com seu marido, o Nogueira, e saiu sem rumo quando subitamente sentiu-se abduzida por um Disco Voador, que tornaria a repetir o processo por quatro meses seguidos. Dentro da espaçonave teve contatos extraterrestres de quarto grau com um ser luminescente, que a levava a sofrer doze vezes orgasmos consecutivos e intensos, de um tipo inimaginável no planeta Terra. A história, que lhe rendeu monetização milionária nas redes sociais, permitiu que mudasse de patamar da periferia para semi-centro, levando junto o Nogueira. Saiu do transe oito meses depois da ultima abdução, com o parto normal de Dudu. As línguas ferinas, os invejosos e os falaciosos comentaram à época que supostamente Dudu era incrivelmente parecido com Nestorzinho do armazém, mas jurou eternamente o contato inter-galáctico, sempre confirmado pelo Nogueira.
Juca Triste sentiu-se ressuscitado a ponto de sair de dentro da caverna onde estava, atendendo num chamado do Senhor, quando já se encontrava no Hades pareado, digamos assim, com Teresinha, seu amor da juventude. Acordou ainda envolto em panos, numa maca fria de um pronto-socorro de poucos recursos, onde uma técnica de enfermagem trocava seus curativos espalhados pelo corpo todo. Ao seu lado, Teresinha, tão machucada quanto. Jurou o resto da vida que aquilo tudo foi milagre divino. As línguas ferinas, os invejosos e os falaciosos comentaram à época que supostamente sua esposa os flagrou numa barraca, acampados na lagoa e incendiou a área. Juca Triste e Teresinha sempre negaram, esta história e foram convidados para vários eventos religiosos, onde ganhavam cachês gordos, além dos milhões com a monetização nas redes sociais.
Cresolina Guil sentiu-se iluminada pelo inexplicável quando tocou na franja da túnica do homem que passava em tumulto num baile de carnaval na pequena e pacata Santa Ultima dos Moicanos. Naquele momento seu corpo tremeu de tal maneira que sentiu-se penetrada por um grande poder etéreo. Tímida, recatada e do lar, de posse da manifestação de cura procurou por algum médico para conseguir a constatação de que um milagre a voltara à vida normal, depois de anos de hemorragia uterina e cólica terríveis. As línguas ferinas, os invejosos e os falaciosos comentaram à época que supostamente Cresolina nascera naturalmente sem útero, mas a moça, vencendo a timidez, faturou milhões em monetização, palestras motivacionais e entretenimentos sociais, narrando sempre a sua dramática história.
Zequinha Abrantes é fanho, manco, gago, 80% surdo, tem 60% de acuidade visual e não tem olfato. Nasceu no meio do mato, de mãe desconhecida, foi deixado na porta da casa de Dona Jamelinha que o acolheu e criou. Trabalhou desde criança na roça, serviço bruto, fez escola pública até atingir a maioridade, foi trabalhar com serviço braçal na cidade, casou-se com Maria F, tiveram três filhas, abriu um escritório de representação, depois uma quitanda, depois um bar, depois um churrasquinho na praça, depois um algodão doce, faliu muitas vezes. Nunca parou em emprego no intervalo entre suas empresas pois julgava ter o verdadeiro espírito empreendedor. Tem a convicção de que fala três línguas (ininteligíveis) que acredita serem inglês, francês e alemão. Também acredita que toca Oboé e Acordeon, e por incrível que pareça, até hoje sua página nas redes sociais contando a sua história de sucesso e superação tem entre 3 a 5 acessos por mês. As línguas ferinas, os invejosos e os falaciosos nunca comentaram sobre Zequinha Abrantes...
É isto aí!
O caminho! (Paulo Abreu)
Quando vier a primavera (Fernando Pessoa)
“Poemas Inconjuntos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993).
1ª publ. in “Poemas Inconjuntos”. In Athena, nº 5. Lisboa: Fev. 1925.
Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
Fonte Youtube
Cicatrizes (Miltinho/Paulo César Pinheiro)
terça-feira, 24 de novembro de 2020
Você me enlouquece! (Paulo Abreu)
Sou feita de retalhos (Cris Pizzimenti)
Hoje teremos dois ALTO LÁ!
Alto lá 1 - Óbvio - Este poema não é meu
Alto lá 2 - Autora - este poema não é da Cora Coralina como circula nas redes sociais
Autora: Cris Pizzimenti
Fonte: Facebook página da autora - poema publicado em 2013
Sou feita de retalhos.
Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma.
Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou.
Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior...
Em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho, uma saudade...
Que me tornam mais pessoa, mais humana, mais completa.
E penso que é assim mesmo que a vida se faz: de pedaços de outras gentes que vão se
tornando parte da gente também.
E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados...
Haverá sempre um retalho novo para adicionar à alma.
Portanto, obrigada a cada um de vocês, que fazem parte da minha vida e que me permitem
engrandecer minha história com os retalhos deixados em mim. Que eu também possa deixar
pedacinhos de mim pelos caminhos e que eles possam ser parte das suas histórias.
E que assim, de retalho em retalho, possamos nos tornar, um dia, um imenso bordado de
"nós".
segunda-feira, 23 de novembro de 2020
Aguardar o momento certo para o acontecimento certo (Marjorie Dawe)
Obedecendo às Vozes do coração! (Marjorie Dawe)
Professora de Português dando aula
Este texto não é meu
Eu estava explicando um conceito de português e fui chamada de desrespeitosa por isso (ué).
Eu estava explicando por que não faz diferença nenhuma mudar a vogal temática de substantivos e adjetivos pra ser "neutre".
Em português, a vogal temática na maioria das vezes não define gênero. Gênero é definido pelo artigo que acompanha a palavra. Vou mostrar pra vocês:
O motorista. Termina em A e não é feminino.
O poeta. Termina em A e não é feminino.
A ação, depressão, impressão, ficção. Todas as palavras que terminam em ção são femininas, embora terminem com O.
Boa parte dos adjetivos da língua portuguesa podem ser tanto masculinos quanto femininos, independentemente da letra final: feliz, triste, alerta, inteligente, emocionante, livre, doente, especial, agradável, etc.
Terminar uma palavra com E não faz com que ela seja neutra.
A alface. Termina em E e é feminino.
O elefante. Termina em E e é masculino.
Como o gênero em português é determinado muito mais pelos artigos do que pelas vogais temáticas, se vocês querem uma língua neutra, precisam criar um artigo neutro, não encher um texto de X, @ e E.
E mesmo que fosse o caso, o português não aceita gênero neutro. Vocês teriam que mudar um idioma inteiro pra combater o "preconceito".
Meu conselho é: ao invés de insistir tanto na coisa do gênero, entendam de uma vez por todas que gênero não existe, é uma coisa socialmente construída. O que existe é sexo.
Entendam, em segundo lugar, que gênero linguístico, gênero literário, gênero musical, são coisas totalmente diferentes de "gênero". Não faz absolutamente diferença nenhuma mudar gêneros de palavras. Isso não torna o mundo mais acolhedor.
E entendam em terceiro lugar que vocês podiam tirar o dedo da tela e parar de falar abobrinha, e se engajar em algo que realmente fizesse a diferença ao invés de ficar arrumando pano pra manga pra discutir coisas sem sentido.
sábado, 21 de novembro de 2020
Geraldinho e o sexo-covid
Escrever não é tão difícil quanto cantar, filosofou do sofá velho e desbotado, diante de uma cena de amor romântico passando num canal aberto numa sessão de chuva-covid. Tudo agora fazia sentido. Emprego-covid; vestuário-covid; banhodesol-covid; sexo-covid ... opa, então é isto. Sexo-covid, este sim veio para ficar, completou o pensamento.
- Geraldinho, vem aqui, faz favor, escutou gritar em uma característica voz estridente, destas que saem num megafone, a sua cara-metade.
- Espera aí consciência - cara-metade o caralho, cara-covid. Mas que mulherzinha chata, putaqueopariu-covid.
- Geraldinhoôôôôô, vem cá, porra, seu merda, estou chamando desde ontem. Acorda, cretino. - Já vou, covid
- O que que você disse?
- Nada demais, Everalda, mas antes irei lavar as mãos com água e sabão e vou passar o higienizador à base de álcool para matar vírus que podem estar nas mãos, pés, pescoço e o escambau.
- Vem, logo, Geraldinho, vem ...
- Eu vou, Everalda, mas manterei pelo menos 1 metro de distância de você para observar se estiver tossindo ou espirrando. Sabia que quando alguém tosse ou espirra, pulveriza pequenas gotas líquidas do nariz ou da boca, que podem conter vírus? A menos de um metro, eu poderia inspirar o vírus da covid.
- Geraldinho, para de sacanagem. Quando a gente namorava o que menos importava eram as gotículas ... e vem logo, meu amor.
- Everalda, tinha covid passando na TV na hora que passei a mão na tela. Depois disto toquei nos olhos, nariz e boca. Minhas mãos, compulsivamente tocaram muitas superfícies minhas e da casa e podem ter infectado o ambiente por vírus.
- Geraldinho, você é bobo demais. Tem nada disto. Vem logo, que estou preparadinha, vem, caralho.
- Tudo bem, Everalda, eu irei cumprir o compromisso matrimonial, mas antes irei me prevenir seguindo uma boa higiene respiratória.
- Mas o que você está falando, Geraldinho? Vem logo, que o Jornal Nacional vai começar
- Estou falando, Everalda, estou achando que vou tossir, então para que possa estar no nosso leito nupcial, terei que cobrir a boca e o nariz com a parte interna do cotovelo ou lenço quando tossir ou espirrar.
- Geraldinho, pode deixar, o Bonner já fez a chamada, agora nem por decreto você interfere no meu canal.
- Obrigado São Covid, já não tinha mais argumentos.
- O que você falou, Geraldinho???
- Alimentos, Everalda, vai faltar alimentos ...
É isto aí!
sexta-feira, 13 de novembro de 2020
A Artista, o Filósofo, o Professor e o Poeta
*imagem da Artista profª Dra em Belas Artes, escultora, pintora, desenhista e gravadora Ana Maria Pacheco .
O Filósofo Albert Camus nasceu dia 7 de novembro de 1913 na Argélia, à época da ocupação francesa, mais de um século atrás portanto. A morte de seu pai combatendo na primeira guerra e a condição pobre de sua família tornavam difícil o estudo. Camus, entretanto, mostrava grande talento com as palavras e paixão com a filosofia. Sua família não tolerava bem o fato de que ele seguia na escola secundária, pois o seu destino era trabalhar com seu tio fabricando tonéis e barris. O apoio de um Professor, Louis Germain, fez a diferença. Quando ganhou o prêmio Nobel em 1957, Camus enviou-o uma carta agradecendo a mão afetuosa que havia estendido ao garoto pobre que era.
O Discurso do Nobel de Literatura de Albert Camus, em 1957
"Cada geração se sente, sem dúvida, condenada a reformar o mundo. No entanto, a minha sabe que não o reformará. Mas a sua tarefa é talvez ainda maior. Ela consiste em impedir que o mundo se desfaça. Herdeira de uma história corrupta onde se mesclam revoluções decaídas, tecnologias enlouquecidas, deuses mortos e ideologias esgotadas, onde poderes medíocres podem hoje a tudo destruir, mas não sabem mais convencer, onde a inteligência se rebaixou para servir ao ódio e à opressão, esta geração tem o débito, com ela mesma e com as gerações próximas, de restabelecer, a partir de suas próprias negações, um pouco daquilo que faz a dignidade de viver e de morrer.”
quinta-feira, 12 de novembro de 2020
Almeida e o outro eu
Chegou tarde, alcoolizado e desnorteado. Perdera o emprego naquela tarde e resolveu beber uma para relaxar. Uma puxou outra, veio um sambinha de roda, veio outra, outra até que tudo acabou e sentiu que deveria voltar ao lar. Custou para abrir a porta da entrada do condomínio. A chave acabou por roçar pelo esforço e a fechadura ficou inválida.
Subiu as escadas com muita dificuldade, três andares intermináveis. A chave deu uma travadinha, mas a porta abriu. Tomou um banho demorado, enxugou com a única toalha que estava no box e foi deitar nu. Acordou com uma mesa de café posta no quarto, toalha bordada e um bilhete - Almeida, uau - que noite foi esta? Sempre te amo, te amei e te amarei. Volto às 15 horas.
Sentou à cadeira, fez o desjejum, procurou alguma roupa, e viu a que usara na véspera, lavada e passada, suavemente dobrada ao pé da cama. Vestiu-se, foi ao banheiro e saiu sem entender muito o que acontecia. Na portaria estava o porteiro, um chaveiro e dois militares.
Um deles perguntou colocou a mão como sinal de parada.










