quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Ciclo - Paulinho Moska/Jorge Vercillo



Eu não sei o que me domina
E mesmo assim
Não penso em me livrar
Num fascínio de alma gêmea
Você em mim constrói o seu lugar

O amor se fez, me levando além
Onde ninguém mais
Criou raiz, ancorou de vez
Fez de mim seu cais
Lendo a rota das estrelas

Nesse abraço se fez um ciclo
Que não tem fim e é todo o meu viver
É como alcançar o infinito
Reflete em mim e volta pra você

O amor se fez, me levando além
Onde ninguém mais
Criou raiz, ancorou de vez
Fez de mim seu cais
Lendo a rota das estrelas

O amor surgiu como um em mil
Por você eu vim
E assim será a me conduzir
Sem mandar em mim
Como o vento e o barco à vela
Que nos leva sem fim

Compositores: Jorge Vercillo (Jorge Luiz Sant'anna Vercillo)
                         Dudu Falcão   (Carlos Eduardo Carneiro de Albuquerque Falcão)

Você nunca mais esquecerá de mim.


Entrou cabisbaixo no restaurante, procurou discretamente por uma mesa vazia, preferencialmente no fundo do salão. Encaminhou-se lentamente, sem dar vazão ao mundo exterior, quando uma voz desconhecida chamou-o pelo nome. Voltou-se e viu uma moça, destas lindas e sedutoras a convidá-lo para juntar-se a ela.

Arredio e desconfiado, olhou olhou olhou e a memória não acusava aquela face em nenhum momento da sua vida. Sorriu sem querer sorrir, numa expressão interrogativa e ela sorriu em completa harmonia - vem, pode sentar aqui comigo, não tem problema, eu sei que mudei muito. Venha, vamos atualizar nossas vidas.

- Você sabe meu nome, mas eu com certeza não me recordo de você, desculpe a franqueza.

- Estou acostumada com isto, imagina. Só queria mesmo era matar a saudade.

- Você é a ...

- Hummm, está curioso, hem!!!

- Claro, não é todo dia que uma moça linda me convida para sentar com ela num restaurante.

- Sempre gentil com as palavras. Você não muda nunca. Mas conta, o que você faz?

- Hoje sou Trader, casei com a  Beth...

- A Bethinha Biscuit?

- É... ela mesma. Você a conhece?! 

- Claro, e sei que ela odiava este apelido.

- Verdade, era por que a mãe fazia bonecas de biscuit para vender. Engraçado, nunca te vi.

- Mas desculpa a minha ignorância no tema, mas o que faz um Trader?

- Ah! Achei que também soubesse o que faço. Faço Day Trading. Sou especulador autônomo numa modalidade de negociação utilizada em mercados financeiros, que tem por objetivo a obtenção de lucro com a oscilação de preço, ao longo do dia, de ativos financeiros. 

- Nossa, estou orgulhosa de ver você trabalhando com capital de risco. Podemos pedir? Não se preocupe com preço, a vida foi gentil comigo, hoje faço questão de pagar este encontro.

- Poderá ser o primeiro de uma série de encontros?.

- Olha, vou pedir o 2, a sobremesa 4 e este vinho aqui. E assim que chegar o vinho, quem sabe respondo esta pergunta para você? Está bom assim?

- Mas eu nem sei seu nome, e este almoço vai ficar em mais de três mil reais.

- Eu vou pagar. Você é amigo que eu precisava ver. Saudades, sabe? Durante o almoço a gente vai conversando, vai se abrindo um pouco e apreciando este cardápio dos deuses. Acontecerão duas coisas aqui, disse sorrindo e piscando charmosamente o olho esquerdo: você não se arrependerá e nunca mais esquecerá de mim.

- Uau ...

...e a conversa foi circulando em órbitas ora elípticas, ora circulares até que enquanto almoçavam, ela pediu licença para ir ao banheiro e desapareceu. Usou todo o crédito ainda disponível no cartão para pagar a despesa. 

Riu da sua ingenuidade. Caramba ... quem é esta mulher?? Estou apaixonado por ela! Juntos seríamos imbatíveis ...

É isto aí!



O Agora e o Amanhã (com aporte do Salmo 37)



É tempo de silêncio
que rufem os tambores
se deem e dancem abraçados
se mordam, gritem e alardeiem.

Fiquemos em silêncio
Um pouco de tempo,
e os ímpios não mais existirão;
por mais que você os procure, não serão encontrados.

Já vi homens ímpios e cruéis
florescendo como frondosa árvore nativa,
mas logo desapareceram e
embora eu os procurasse, já não existiam mais.

Os ímpios tramam contra os justos
e rosnam contra eles;
o Senhor, porém, ri dos ímpios,
pois sabe que o dia deles está chegando.

Façamos silêncio
permitamos que destruam tudo
que se engalfinhem e se devorem
o tempo deles está esgotado.

Fonte da imagem: Wikipédia - Batalha de Berlim 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

A violência contra a mulher é o atestado de insanidade da humanidade

Foto: Dalva de Oliveira


Mulheres cada vez mais têm cada vez menos espaço de tempo entre as agressões físicas, químicas, espirituais e psicológicas. Cedo ou tarde, as sobreviventes apresentam traumas psicológicos, depressão, transtorno de ansiedade e dissociação da realidade, numa espécie de Síndrome de Estocolmo.

Numa corrida de olhos nos principais meios de comunicação nacional, apenas nesta manhã, visualizei mais de uma dezena de assassinatos, e muitas ocorrências de espancamento. Neste rol estão representados todos os homens agressores, quer sejam políticos, pastores, empresários, servidores públicos, empresários, pobres, miseráveis e anônimos.

Um dos maiores riscos de falar sobre este tema é a armadilha de um efeito disrruptivo da psicanálise, aquela denominada "psicanalhice", justificando tal violência através de um academicismo ou teorização precipitada e preconceituosa, encontrando na mulher, por exemplo, traços de um masoquismo estrutural, tal como proposto por Freud (1924/2010) no texto O problema econômico do masoquismo. (leia uma síntese aqui)

Há ainda a lenda, hoje representada e incorporada num dos ícones da sociedade alienada, vulgarizando mais e mais a mulher, e o pior é que neste caso as histéricas vão ao delírio (silencioso) em defesa do seu mito.

 Inevitável falar da herança e colaboração de Nelson Rodrigues. Em seus trabalhos, o escritor volta e meia pesou a mão no tratamento às mulheres, mostrando-as como loucas, inconsequentes, frívolas, insensatas e destruidoras de lares e corações. Uma de suas frases mais icônicas "Nem todas as mulheres gostam de apanhar, só as normais" não só induz à normatização da violência doméstica como ainda sugere que a mulher provoca a agressão porque se julga merecedora dela.

Dalva de Oliveira, uma das grandes cantoras do século XX, foi uma das maiores vítimas deste machismo barato, idiota e misógino, defendida pela mesma sociedade que recusava Nelson Rodrigues à luz do dia e se deleitava em gozo nas suas peças de teatro, livros e crônicas, à noite.

Quanto à novidade da primeira linha - As agressões químicas:

A ansiedade é, com a depressão, o transtorno de saúde mental mais comum no diagnóstico das mulheres. É o dobro do que é diagnosticado nos homens, segundo a Organização Mundial da Saúde. Os hipnosedantes –tranquilizantes e soníferos – são os únicos psicoativos mais consumidos pelas mulheres do que pelos homens. 

Esta é uma violência silenciosa (mas não quer dizer que é pequena), opressora e misógina, que elas aprendem ainda na puberdade/adolescência, quando analgésicos cada vez mais potentes são introduzidos nas suas cólicas (algumas severas) e dores diversas, comuns aos humanos. Poderia tirar várias conclusões aqui, mas há um recado principal que a sociedade passa neste discreto movimento - dor se cura com remédio, e não com diálogo, franqueza, verdade, humanização e respeito..  

É isto aí!



terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Originais do Yahoo (Mulher grava aula de aeróbica em meio ao golpe militar em Mianmar)

 Mulher grava aula de aeróbica em meio ao golpe militar em Mianmar

Assista ao vídeo clicando aqui abaixo:

Originais do Yahoo

Atualizado seg., 1 de fevereiro de 2021 3:49 PM

Uma mulher flagrou o exato momento em que o comboio militar chega ao parlamento em Mianmar para aplicar um golpe de Estado nesta segunda-feira (1). Sem perceber a movimentação que estava acontecendo, a mulher continua a aula normalmente, enquanto os veículos militares passam em direção ao Legislativo.

ou aqui  , em vídeo BBC, pelo youtube







segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Sobre a palavra Amém

Fonte da imagem: Sci*News


A palavra “Amém” é um acróstico. Os acrósticos são formas textuais onde a primeira letra de cada frase ou verso formam uma palavra ou frase.

O Talmud nos revela que, a palavra hebraica “Amém” que significa “que assim seja” foi criada a partir da expressão: “Deus, Rei Fiel” que em hebraico se diz: “El Melech Neeman” (נֶאֱמָן מֶלֶךְ אֵל). Tomando as letras iniciais de cada palavra obtêm a palavra:

“Amém (que assim seja)” (אָמֵן)

Na raiz desta palavra temos o temor hebraico "emuna" que significa "confiança"; significa também "confirmar aquilo que está escrito".

Toda vez que afirmamos em algum momento dizendo Amém, estamos declarando que colocamos nossa confiança, fé e esperança no Único que pode realizar tudo em todos e em qualquer circunstancia.

Deus, Meu Rei é Fiel e Justo (para cumprir o que prometeu)


sábado, 30 de janeiro de 2021

A mulher desmedida

 

Fonte da imagem: USP

Quando entrou em casa percebera o inusitado fato de que não estava na sua casa. Ficou confuso, desorientado e deu dois passos para trás, abriu a porta, saiu e fechou-a sem bater. Ainda de costas para a rua, foi girando sobre seu próprio eixo comedidamente, em movimentos bem lentos, enquanto petrificado podia verificar que não estava mais na sua rua.

Dirigiu-se ao carro azul, que comprara em 96 parcelas, das quais já pagara seis. Experimentou a chave uma, duas, três e muitas outras vezes, e o carro não abriu. Deu de verificar a placa, era outra placa. Mão no queixo, indicador atravessando a boca, contemplou o impossível diante de si.

Apalpou-se nervosamente para verificar se estava num sonho, talvez num projeto experimental ultrassecreto do poder oculto internacional, de quem ouvira falar. Só então percebeu que estava nu. Olhou-se até os pés, rodou o tronco, curvou a cabeça e verificou in loco que estava sem nada a não ser a si próprio.

Deu-se conta da solidão com ares variando de perdido à confuso. Começou  fazer pequenos exercícios de memória, mas não lembrava mais seu nome. Só o nome de uma mulher linda lhe vinha à mente. Não apenas o nome, mas toda a memória do seu corpo, seus cabelos, sua boca e seu perfume. 

Olhou para o céu, abriu os braços e começou a questionar aos anjos que por ali sobrevoavam, sobre as medidas corporais dela, pois no seu raciocínio lógico, naquele instante, somente estes dados seriam de suma importância para desvendar aquele mistério no qual mergulhara.

Começou a chorar em desconsolo Deitou num canto da cerca viva que separava as casas e dormiu. Acordou num ambiente de luz, sem definição de espaço e tempo. Sentia dores e desconforto. Alguém segurava a sua mão. Era a mulher desmedida. Olhou para ela, sorriu e voltou a dormir. 

Acordou numa casa de barro e forro de palha, simples e espartana. Estava numa cama estreita, colchão de palha e  travesseiro de paina. Sorriu, levantou, tomou um café frio e partiu no mundo buscando perguntas para as respostas que agora, sabiamente, poderia dar.

É isto aí!


sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Mistérios são Mistérios (Marjorie Dawe)



Alto lá
Estes versos não são meus
Confesso que copiei e colei

Você sabe muito pouco 
do que lhe acontecerá. 
Mistérios são Mistérios 
e nada poderá desvendar 
o que não é para ser desvendado. 

A vida muitas vezes 
não faz sentido algum;
em coisa nenhuma 
existe coerência ou razão. 

Porém quem está acima 
comanda a Orquestra com perfeição 
e a melodia acaba sempre 
de forma prevista. 

Não é a sinfonia ideal, 
nem a mais melodiosa... 
Mas de qualquer forma são melodias,
 e nós as escutamos 
como louvores ou clamores 
agoniados de súplica e dor. 

Escuta, 
o universo está repleto de sons, 
gemidos, cantos e harmonia. 
Dependerá da vontade de cada um 
o que passará cantando para sempre!

Os que louvam e bendizem 
a Deus Pai estarão cercados 
de vozes e corais celestiais 
que entoarão melodias 
jamais ouvidas 
por ouvidos humanos. 
Sua Magnitude a nada se compara!... 

Porém os que despencarem 
nas profundezas, 
berrarão até perderem os sentidos 
pela dor da rejeição, 
pelo afastamento do Pai
do Bem Supremo
e da Paz sem fim!

Seus corpos celestiais 
serão consumidos 
por chamas internas, 
fogo em brasa  que aniquilará 
toda e qualquer esperança de salvação. 
Os que para lá foram jamais sairão.


The guitar is the Concertura Concert made by Scharpach. www.scharpach.com
Music sheet can be optained here: http://kossinskaja.com/produkt/oblivi...
More links: https://www.instagram.com/nadja_kossi...

Música neste vídeo: Oblivion
Artista: Nadia Kossinskaja
Álbum: Guitar Dreams
Licenciado para o YouTube por
TuneCore, Believe Music (em nome de 7Music) e 5 associações de direitos musicais


quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Paulinho Moska e Dalto - Pessoa



Olhar você
E não saber
Que você é a pessoa
Mais linda do mundo
E eu queria alguém
Bem no fundo do coração

Ganhar você
E não querer
É porque eu não quero
Que nada aconteça
Deve ser porque eu não ando bem da cabeça
Ou eu já cansei de acreditar

O meu medo é uma coisa assim
Que corre por fora
Entra, vai e volta sem sair
Não, não
Não tente me fazer feliz
Eu sei que o amor é bom demais
Mas dói demais sentir ... você
E não saber
Que você é a pessoa
Mais linda do mundo
E eu queria alguém
Bem no fundo do coração

Ganhar você
E não querer
É porque eu não quero
Que nada aconteça
Deve ser porque eu não ando bem da cabeça
Ou eu já cansei de acreditar

O meu medo é uma coisa assim
Que corre por fora
Entra, vai e volta sem sair
Não, não (não, não)
Não tente me fazer feliz
Eu sei que o amor é bom demais
Mas dói demais sentir ... você
E não querer
É porque eu não quero que nada aconteça
Deve ser porque
Eu não ando bem da cabeça
Ou eu já cansei de acreditar
Ou eu já cansei de acreditar
Ou eu já dancei...

O meu medo é uma coisa assim
Que corre por fora
Entra, vai e volta sem sair
Não, não
Não tente me fazer feliz
Eu sei que o amor é bom demais
Mas dói demais sentir...


Composição: Claudio Rabello / Dalto. 

Música Pessoa
Artista Dalto, Moska
Álbum Moska Apresenta Zoombido: Dalto
Licenciado para o YouTube por
ONErpm (em nome de Canal Brasil); UNIAO BRASILEIRA DE EDITORAS DE MUSICA - UBEM, LatinAutor - SonyATV, LatinAutorPerf, BMI - Broadcast Music Inc.


Julio Secchin - Jovem (Clipe Oficial)



Jovem,
Me faltou ar, mas quero bis
Me sinto jovem
Só de fazer você feliz

Finge
Que a Pedra da Gávea é um vulcão
'Erupçando' sobre o pecado
E o Leblon

Eu vacilei na primeira regra do rolê
Fiquei doidão
Liguei pra você

Mas quem um dia irá dizer
Que o nosso amor
Precisa se esconder

Ouça também nos apps de música!

Redes Sociais:
▶ Instagram: @juliosecchin

Clipe Oficial
Dirigido por Julio Secchin
com Carol Fabbriani
Direção de Fotografia Daniel Venosa
Produção Executiva Marcos Abeid
Produzido por Julio Secchin
Figurino Chica Capeto
Operador de SteadyCam Bernardo Negri
Focus Puller & Correção de Cor André Andrade
1º Assistente de Câmera Fernando "Dom" Arruzzo
Produtor de Locação Guilherme "Bolo" Meirelles
Catering Sete Colheres
Trainee de Câmera Bia Torres
uma Produção Cosmo™
©MMXIX Julio Secchin

Música Julio Secchin - Jovem (Clipe Oficial)
Artista Julio Secchin
Licenciado para o YouTube por: Abramus Digital, LatinAutorPerf

sábado, 23 de janeiro de 2021

Não há como fugir de um grande amor



Nunca é assim
um problema
dizer coisas
e tratar de fugir

Sempre há evidencias
digitais únicas
no corpo dolorido
cansado de chorar

Fica lá, absorto
perdido em pensamentos
nas fotos coloridas
e nos filmes B

E o fugidio 
corre em linhas
retas opostas 
circulares e loucas

Para encontrar o amor
que perdeu para sempre
numa tarde chuvosa
sem lembrar o lugar. 

É isto aí!
 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Tem dia que é mais difícil


Tem dia que é mais difícil
então vamos em frente
amanhã será mais difícil ainda
e se isto o consola
depois de amanhã ...
Você falará que ontem 
viver era fácil



segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

1904 (2ª parte) - A revolta da Vacina

Alto lá
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
Autora: Juliana Bezerra
Fonte: A revolta da vacina

A Revolta da Vacina 

Foi uma rebelião popular contra a vacina anti-varíola, ocorrida no Rio de Janeiro, em novembro de 1904.

Quando o presidente Rodrigues Alves assumiu o governo, em 1902, nas ruas da cidade do Rio de Janeiro acumulavam-se toneladas de lixo. Desta maneira, o vírus da varíola se espalhava. Proliferavam ratos e mosquitos transmissores de doenças fatais como a peste bubônica e a febre amarela, que matavam milhares de pessoas anualmente.

Decidido a reurbanizar e sanear a cidade, Rodrigues Alves nomeou o engenheiro Pereira Passos para prefeito e o médico Oswaldo Cruz para Diretor da Saúde Pública. Com isso, iniciou a construção de grandes obras públicas, o alargamento de ruas, avenidas e o combate às doenças.

A reurbanização do Rio de Janeiro, no entanto, sacrificou as camadas mais pobres da cidade, que foram desalojadas, pois tiveram seus casebres e cortiços demolidos. A população foi obrigada a mudar para longe do trabalho e para os morros, incrementando a construção das favelas.

Como resultado das demolições, os aluguéis subiram de preço deixando a população cada vez mais indignada.

Era necessário combater o mosquito e o rato, transmissores das principais doenças. Por isso, o intuito central da campanha era precisamente acabar com os focos das doenças e o lixo acumulado pela cidade.

Primeiro, o governo anunciou que pagaria a população por cada rato que fosse entregue às autoridades. O resultado foi o surgimento de criadores desses roedores a fim de conseguirem uma renda extra.

Devido às fraudes, o governo suspendeu a recompensa pela apreensão dos ratos.

Contudo, a campanha de saneamento realizava-se com autoritarismo, onde as casas eram invadidas e vasculhadas. Não foi feito nenhum esclarecimento sobre a importância da vacina ou da higiene.

Num tempo onde as pessoas se vestiam cobrindo todo o corpo, mostrar os seus braços para tomar a vacina foi visto como "imoral". Assim, a insatisfação da população contra o governo foi generalizada, desencadeando "A Revolta da Vacina".

Vacinação obrigatória

O médico Oswaldo Cruz (1872-1917), contratado para combater as doenças, impôs vacinação obrigatória contra a varíola, para todo brasileiro com mais de seis meses de idade.

Políticos, militares de oposição e a população da cidade se opuseram à vacina. A imprensa não perdoava Oswaldo Cruz dedicando-lhe charges cruéis ironizando a eficácia do remédio.

Agitadores incitavam a massa urbana a enfrentar os funcionários da Saúde Pública que, protegidos pelos policiais, invadiam as casas e vacinavam as pessoas à força. Os mais radicais pregavam a resistência à bala, alegando que o cidadão tinha o direito de preservar o próprio corpo e não aceitar aquele líquido desconhecido.

O descontentamento se generalizou, somando aos problemas de moradia e ao elevado custo de vida, resultando na Revolta da Vacina Obrigatória. Entre 10 e 16 de novembro de 1904, as camadas populares do Rio de Janeiro saíram às ruas para enfrentar os agentes da Saúde Pública e a polícia.

O centro do Rio de Janeiro foi transformado numa praça de guerra com bondes derrubados, edifícios depredados e muita confusão na Avenida Central (atual Avenida Rio Branco). A revolta popular teve o apoio de militares que tentaram usar a massa insatisfeita para derrubar, sem sucesso, o presidente Rodrigues Alves.

A capitulação e o povoamento do Acre

O movimento rebelde foi dominado pelo governo, que prendeu e enviou algumas pessoas para o Acre. Em seguida, a Lei da Vacina Obrigatória foi modificada, tornando facultativo o seu uso.


1904 - Os caçadores de ratos (1ª parte)

Alto lá
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
Autor: Lorenzo Tiesca
Fonte: Caçador de Ratos



1904 marca o início dessa reforma urbano-sanitária da cidade do Rio de Janeiro, capital federal. Foi implantada pelo prefeito Pereira Passos e pelo sanitarista Oswaldo Cruz. Com alta insalubridade, ruas estreitas e cortiços, a condição da cidade à época era de fato deplorável. Sua elevada concentração urbana, intrinsecamente ligada à transição da mão-de-obra no país de uma recém abolida escravatura pra o trabalho assalariado dos imigrantes europeus.

O que poucos sabem é que essa relação não foi em sua totalidade de beligerância (violenta). Na intenção de erradicar doenças como a devastadora peste bubônica (proveniente da pulga dos ratos), o governo encontrou uma solução um tanto curiosa: pagaria 300 réis por cada ratinho capturado e entregue aos sanitaristas!

Mas, espera aí: 300 réis era muito dinheiro? De acordo com algumas fontes, o valor daria para comprar 2 kg de feijão, ou 4 kg de farinha de mandioca. Pensando em uma população cada vez mais marginalizada após a demolição dos cortiços e sem colocação social bem definida após a abolição da escravidão, ou ainda estrangeiros que vinham para o Brasil atrás de oportunidades, pode ser sim um bom dinheiro. E pensem comigo: imagina capturar 40 ratinhos? Já paga as compras de um mês!

E no Brasil essa prática foi bem sucedida? Foi sim. Conseguimos erradicar a peste, só não conseguimos erradicar a malandragem carioca: que tendo em vista a elevada concorrência nesse novo mercado de trabalho e a consequente falta de mercadoria, passam a capturar ratos da cidade vizinha Niterói, ou, os mais empreendedores, trazendo ratos estrangeiros para a cidade. É...viva nossa cidade, que sobrevive em sua malandragem até mesmo nos momentos de mais dificuldade.


domingo, 17 de janeiro de 2021

Francisco de Vitoria e o Direito das Gentes



Francisco de Vitoria (c. 1483-1546), foi teólogo tomista e fundador do movimento escolástico denominado Escola de Salamanca, foi talvez o primeiro jurista filósofo a propor discussões sobre a liberdade natural dos indígenas. Sua principal contribuição foi trazer para a filosofia questões antes relativas à teologia. Ao questionar se os indígenas seriam naturalmente livres ou escravos, concluiu que eram livres e, portanto, possuíam o direito de se afirmarem como senhores de seus bens. Em pleno processo de colonização, Vitoria inovou o pensamento da época ao colocar em questão o direito de conquista dos europeus, defendendo o princípio da "guerra justa".

Segundo ele, o "direito das gentes" seria algo inalienável, aquilo que todos os povos reconhecem como necessário, um direito natural ou dele decorrente, - daí o seu entendimento de que nada justificaria o domínio europeu sobre outros povos. Desse modo, os indígenas teriam o legítimo direito de defender seu território da tentativa de ocupação estrangeira por meio da guerra, se necessário.

Vitoria contestou a pretensa superioridade europeia e questionou o poder religioso do papa. Na sua concepção, era ilegítimo o direito que os colonizadores tinham de subjugar povos nativos sob a alegação de que estes seriam bárbaros. O processo de colonização implica anular o outro e, para ele, os conceitos de civilização e barbárie tinham significados diferentes para cada cultura, portanto, era preciso respeitar o princípio da alteridade - ideia que seria retomada por Montaigne. Nesse sentido, Vitoria defendia que a comunicação entre os povos era possível.

O direito natural, ou jusnaturalismo, supõe a existência de um direito universal, estabelecido pela natureza. Seu fundamento é o da lei natural, e não o da lei humana, que rege os acordos e contratos sociais.

Na obra publicada pela primeira vez em Lyon, em 1557, Leçon Sur Les Indiens, encontramos as seguintes passagens, nas quais Vitoria pontua as razões da ilegitimidade da dominação espanhola na América, colocando em pauta a discussão valorativa entre hereges e cristãos:

I - O imperador não é o senhor do mundo;

II - Ainda que fosse senhor do mundo, o imperador não poderia ocupar as províncias dos bárbaros, instituir novos senhores, depor os antigos e impor novos tributos;

III - Em se tratando de poder temporal, o papa não é o senhor do mundo;

IV - O papa tem um poder temporal destinado às coisas espirituais;

V - A recusa dos bárbaros em reconhecer um poder atribuído ao papa não autoriza nem a lhes fazer guerra nem a lhes privar de seus bens;

VI - Se os bárbaros não querem receber a lei mesmo que ela lhes tenha sido anunciada de maneira suficiente, não é lícito lhes fazer a guerra e lhes privar de seus bens;

VII - Os príncipes cristãos não têm o direito de punir os bárbaros por seus pecados contra a lei natural, mesmo sob a cobertura da autoridade do papa.

É claro, para Vitoria, que a lei positiva não pode contrariar a lei natural. Por isso, ele defende o direito dos povos da terra às suas diferenças, chamando a atenção para a ótica equivocada do europeu com sua visão eurocêntrica do mundo. Vitoria reformula a "justiça" global da conquista, embora não a negue. A novidade era sua tentativa de propor um novo ponto de vista para o problema.

Certezas.



Das poucas certezas 

que acredito possuir, 

a única que tenho dúvidas 

é aquela onde reflito

se já chegamos 

ao fundo do poço.




É isto aí!

sábado, 16 de janeiro de 2021

Love of my Life (Freddie Mercury)- Queen In Rock In Rio 85 - HD





Love Of My Life
Queen

Love of my life, you've hurt me
You've broken my heart
And now you leave me

Love of my life, can't you see?
Bring it back, bring it back
Don't take it away from me
Because you don't know
What it means to me

Love of my life, don't leave me
You've taken my love
And now desert me

Love of my life, can't you see?
Bring it back, bring it back
Don't take it away from me
Because you don't know
What it means to me

You will remember
When this is blown over
And everything's all by the way
When I grow older
I will be there at your side
To remind you how I still love you
I still love you

Hurry back, hurry back
Please bring it back home to me
Because you don't know
What it means to me
Love of my life
Love of my life
Yeah

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Sobre ilusões e virulências.


Envelheci uns dez anos nestes últimos doze meses, disse a senhora sentada ao meu lado no banco de espera do banco. Ao meu lado, duas cadeiras depois, ou dois xis salteados. Olhei para ela, e ia dizer-lhe que a conheço a pelo menos trinta anos e está com a mesma aparência, mas aí ela contestaria, pois argumentaria que nunca teve aspecto de velha, e ficaria bastante ofendida.

Dias depois, um senhor na minha frente, na fila do supermercado, virou-se para mim, mediu meus cabelos brancos e meu olhar míope e desabafou - sabe, perdi a libido nestes últimos doze meses, não consigo fazer mais  nada, nem com estímulo destes medicamentos milagrosos. Olhei para aquele homem se lamentando e me recordei das muitas vezes que o vi com muitas mulheres, que não a do lar. Apenas acenei com a cabeça, numa negativa de concordância, com aquele olhar de solidariedade antagônica.

No dia seguinte, na padaria, cumprimentei educadamente a senhora de vestido azul, surrado, que estava ao meu lado escolhendo os pães. Deu dois suspiros em falsete, olhou para mim e desabafou - queria tanto que tudo isto acabasse para ver meus filhos e netos de volta à minha casa. Estive para falar que conheço os filhos, moram na cidade vizinha e jamais vieram visitá-la em quaisquer datas importantes, incluindo as festivas. Quantas vezes fui em solidariedade assoprar as velas junto com ela nos seus aniversários solitários?!?! Preferi deixar que a ilusão a faça esperançosa.

Tempos de reflexão são sempre difíceis, porque olhar para dentro de si dói; dói muito! 

É isto aí!