segunda-feira, 26 de julho de 2021
Carminha e Armandinho - Sonhos e Boleros
domingo, 25 de julho de 2021
nulla dies sine linea
sexta-feira, 23 de julho de 2021
Estivemos fora do ar

Mas mesmo assim pessoas próximas cobraram uma declaração explícita. Bem, vamos lá:
Prezados/Prezadas leitores/leitoras, estivemos fora do ar, como alguns narraram pessoalmente, e isto é uma coisa muito engraçada. Fora do ar deveria ser um vácuo, e não estivemos no vácuo, estivemos sem conseguir abrir processos saneadores de problemas. Não consigo imaginar-me fora do ar e permanecer respirando o ar que para os outros está ... confuso isto daí. Enfim, estivemos sem acesso ao conteúdo plantográfico.
Não tente corrigir o neologismo deste reino. Eu não quis dizer pantográfico, que é aquela coisa que se faz com um pantógrafo, (do grego pantos = tudo + graphein = escrever) que é um aparelho utilizado para transferir e redimensionar figuras e que pode ser regulado de modo a executar também ampliações e reduções nas proporções desejadas.
Plantográfico (do latim plantae = planta/plantar + do grego graphein = escrever) que é esta coisa que se faz ou pelo mesmo se tenta fazer aqui, ou seja - semear, adubar e florescer as palavras escritas neste reino da Pitangueira).
Para facilitar, estivemos fora do ar por motivos (marque um, dois ou todos que achar conveniente):
Inconcebível (Vittorio Medioli - OTEMPO)
quarta-feira, 21 de julho de 2021
Cinco anos de solidão
terça-feira, 20 de julho de 2021
Vista lateral na fila dos diálogos difíceis
segunda-feira, 19 de julho de 2021
Silenciosa Nostalgia (Milan Kundera)
que havia deixado de amá-la,
que a esquecera,
que sua imagem desbotara;
O Paradoxo de Moravec
As pessoas têm dificuldade em resolver problemas que exigem alto nível de raciocínio. Por outro lado, as funções motoras básicas e sensoriais, como caminhar, não são problemas.
domingo, 18 de julho de 2021
Discutindo a relação
Mentira,
Ela olhou dentro dos seus olhos,
sábado, 17 de julho de 2021
Haikai de Helena Kolody
tão longa a jornada!
e a gente cai, de repente,
no abismo do nada
Helena Kolody (1912-2004), primeira mulher a escrever e publicar haikais no Brasil, este gênero de poesia de três linhas, foi uma poetisa brasileira, considerada uma das maiores representantes literárias do Estado do Paraná.
quinta-feira, 15 de julho de 2021
Encontros
dia destes por aí
terça-feira, 13 de julho de 2021
Bateu saudade!
Pensou
numa
palavra
inédita
intrépida
a fim de
aquiescer
um rumo.
desânimo.
Plano
fugaz
insólito.
só se ama
uma vez.
não tem
sinônimo.
segunda-feira, 12 de julho de 2021
Por um lindésimo de segundo (Paulo Leminski)
tudo em mim
tudo assim
tudo por um fio
tudo estivesse no cio
tudo pisando macio
tudo psiu
tudo em minha volta
anda às tontas
como se todas as coisas
fossem todas
afinal das contas
Paulo Leminski
183 LEMINSKI, Toda poesia, 2013, p. 182.
No rastro da sua biografia
que na vida foi aperfeiçoando
e que deixará como legado
no rastro da sua biografia
autointitulada pela astúcia
não só apenas um ladrão,
mas tudo que envolve a trama
uns clássicos, outros cultos
uns elegantes, outros malditos
você não é apenas um ladrão,
mas também levará consigo
o que a sua existência construiu.
Larápio, trapaceiro, capoeiro
furtador, gato, gatuno
ladro, manata, pilha
pivete, punga, punguista
rato, ratoneiro, roubador
trombadinha, argamandel
bilontra, burlador, burlão
caloteiro, cambalacheiro
desonesto, escroque, esperto
falcatrueiro, intrujão, ludibriador
pandilha, patife, pilantra
safado, solerte, trambiqueiro
trapaçador, trapaceador
trapacento, tratante, velhaco
vigarista, enganador, espertalhão.
É isto aí!
Meu coração fugiu
domingo, 11 de julho de 2021
O Analista da Pitangueira - Sobre perdas e lugares.
- Boa tarde, eu queria registrar uma perda.
sexta-feira, 9 de julho de 2021
A singularidade do acaso antes de partir.
Na cama, em pose sensualíssima e com lingerie erótica, descansa a esposa. Nunca havia reparado que ela era tão formosa. Jogou a toalha no chão, desligou o celular e foi aproximando da musa da sua vida. Se entregaram a um desejo há muitos anos latente. Tudo sob a lua nova e o brilho das estrelas.
Amanheceu com um grito desesperador ao seu lado. Acordou assustado, deu um salto com extrema agilidade, ainda nu, e ao olhar para a fonte do grito, deu com a vizinha estarrecida com a situação. - Eu posso explicar, disseram ambos concomitantemente. Se entreolharam - não sei como isto aconteceu, disseram novamente em uníssono. Sorriram diante da singularidade.
Vestiram-se duas horas depois, ele seguiu para sua casa e ela seguiu com a sua vida. Mudou-se naquela mesma tarde para local incerto e não sabido. Não pelo evento, a família foi na frente e ficou apenas para despachar a mudança.
É isto aí!
quinta-feira, 8 de julho de 2021
A moça do vestido godê rodado
Olhou para a moça, ficou encantado com sua beleza, mas de repente reconheceu nela uma senhora de 90 anos, depois olhou com atenção e surgiu uma mulher com cerca de 50 anos e só então retornou à moça do vestido godê rodado. Ao virar o rosto para a dentista, ela havia desaparecido. Procurou-a com os olhos e voltou à moça, que já não se encontrava mais ali.
Colocou a mão direita na testa, fechou os olhos e tentou entender o que estava acontecendo. Ao abrir estava sentado na beira da cama, num quarto que desconhecia. O telefone, daqueles modelos antigos de mesa, toca. Atende e era a dentista confirmando o horário. Sorriu, suspirou aliviado e foi tomar um banho.
Ao abrir a porta do banheiro, deparou com a moça do vestido godê rodado, em pé, escovando os dentes. Olhou-a com ares de indagação, recuou, fechou a porta e ao dar o primeiro passo, percebeu-se nu em plena Avenida Rio Branco, na altura da Halfeld, no centro da pequena e pacata Juiz de Fora, simpática vila do interior mineiro. Reconheceu a esquina e olhou para onde deveria existir o painel "Cavalinhos", de Portinari, e lá havia o desenho da moça de vestido godê rodado.
Uma delicada mão feminina tocou no seu ombro e disse algo suave. Virou-se assustado e agora estava num imenso sofá, sendo acordado pela dentista. Abraçou-a e se pôs a chorar até a exaustão do choro. Levantou-se, recompôs a mente, os pensamentos, tomou um banho e saiu. Na rua deu-se conta que não sabia onde estava, tentou retornar ao prédio, mas não havia nenhum prédio. Em pânico, sentou-se no meio fio e uma mão suave tocou-lhe o ombro. Era a moça do vestido godê rodado.
Está preparado? - perguntou a moça.
Acho que sim, respondeu.
Deram-se as mãos, tomaram uma distância da rua até encostarem numa parede, olhando-o com carinho, ela perguntou - pronto?
Pronto.
Correram na direção da rua, saltaram do meio fio e mergulharam no infinito.
Quando voltou a si, na cadeira do consultório, a dentista, sorrindo com os olhos, perguntou - está tudo bem?
É isto aí!


















