Pensamentos do dia,
contemplando o vazio existencial
e vendo a chuva cair:
Amigo do amigo não é seu amigo.
E quer saber mais?
Inimigo do seu inimigo
também não é seu amigo.
É isto aí!
Pensamentos do dia,
contemplando o vazio existencial
e vendo a chuva cair:
Amigo do amigo não é seu amigo.
E quer saber mais?
Inimigo do seu inimigo
também não é seu amigo.
É isto aí!
É isto aí!
“Iroko: Os Ecos dos tambores sanjoanenses no Tempo”, idealizado e dirigido por Mari P, e co-dirigido por Felipe Assunção, é o terceiro documentário da “Trilogia Iroko: Do ancestral ao atual”, iniciado com a pesquisa de Mestrado de Mari pelo PPGPSI UFSJ em 2019, quando a mesma estudou os temas Hip Hop e Identidade Negra. A partir dessa pesquisa de Mestrado, nas entrevistas feitas para o primeiro documentário “A história do Movimento Hip Hop de São João Del Rei: 22 anos de Resistência”, produzido por Mari P e Ubira Filmes, e lançado em 2021, foi descoberto que o Grupo de Inculturação Afrodescendentes Raízes da Terra abriu portas para o Hip Hop local, contribuindo para sua solidificação na cidade.
A persistência cultural de Frankenstein (1818), de Mary Shelley, deve-se não apenas à sua relevância no contexto do romantismo inglês, mas também à sua capacidade de dialogar com tradições simbólicas diversas. Entre essas tradições, a mitologia judaica — especialmente o ciclo narrativo do Golem — oferece um campo privilegiado para reflexão comparada. Embora Shelley não tenha declarado qualquer fonte hebraica ou cabalística, as convergências estruturais entre ambos os imaginários justificam investigações interdisciplinares que abrangem literatura, filosofia da técnica e estudos religiosos¹.
O ponto de contato mais evidente entre Frankenstein e o judaísmo encontra-se na figura da criação artificial. O Golem, difundido sobretudo a partir da tradição associada ao rabino Judah Loew ben Bezalel, em Praga, aparece como ser produzido por fórmulas místicas derivadas do Sefer Yetzirá, texto fundamental da mística judaica antiga². O Golem é uma figura liminar: possui forma humana, mas carece de linguagem plena e autonomia moral³.
A Criatura de Victor Frankenstein compartilha essa liminaridade. Todavia, Shelley seculariza o processo criativo e o desloca para a esfera da ciência experimental do século XIX, gesto que, longe de extinguir a dimensão ética, acaba por radicalizá-la⁴.
A literatura rabínica frequentemente destaca a responsabilidade do criador para com aquilo que cria. No caso do Golem, essa responsabilidade envolve controle, vigilância e, quando necessário, desativação⁵. Criar, nessa tradição, implica compromisso contínuo.
Shelley subverte essa lógica. Victor Frankenstein, diferentemente do criador rabínico, abandona sua criatura — gesto que desencadeia a tragédia narrativa e transforma o romance em uma espécie de anti-mito: aquilo que deveria ser evitado se torna, aqui, o motor ético da história⁶.
Outro ponto relevante é a ausência de nome próprio, tanto no Golem quanto na Criatura. No pensamento judaico, nomear desempenha função ontológica: reconhecer, legitimar, situar. A não-nomeação esvazia a identidade. Em Frankenstein, o narrador recorre apenas a epítetos depreciativos — “demônio”, “monstro”, “aborto” —, reforçando a condição de alteridade radical⁷.
Essa dinâmica permite ler o romance como alegoria da marginalização: a criatura abandonada ecoa experiências históricas de exclusão impostas a minorias, incluindo populações judaicas na Europa moderna, ainda que Shelley não tenha construído uma alegoria direta⁸.
O cinema expressionista alemão do início do século XX reforçou visualmente a aproximação entre as figuras do Golem e de Frankenstein. A estética de Der Golem, wie er in die Welt kam (1920) e a de Frankenstein (1931) consolidou o arquétipo moderno do ser artificial trágico, deslocado e excessivo⁹. A crítica subsequente identificou nessa convergência um campo fértil para leituras interculturais e comparatistas¹⁰.
A relação entre Frankenstein e o judaísmo não deve ser entendida como influência direta, mas como convergência simbólica entre mitos de criação artificial, dilemas éticos da responsabilidade do criador e categorias de alteridade. A figura do Golem ilumina dimensões fundamentais do romance de Shelley, sobretudo a tensão entre ambição criativa e compromisso moral.
Perguntas que, dois séculos depois, permanecem atuais.
BALDICK, Chris. In Frankenstein’s Shadow. Oxford: Clarendon Press, 1987.
IDEL, Moshe. Golem. Albany: SUNY Press, 1990.
SCHÓLEM, Gershom. On the Kabbalah and Its Symbolism. New York: Schocken Books, 1965.
MELLOR, Anne K. Mary Shelley: Her Life, Her Fiction, Her Monsters. London: Routledge, 1988.
DAN, Joseph. Jewish Mysticism and Jewish Ethics. Seattle: University of Washington Press, 1986.
BOTTING, Fred. Making Monstrous. Manchester: Manchester University Press, 1991.
GILBERT, Sandra; GUBAR, Susan. The Madwoman in the Attic. New Haven: Yale University Press, 1979.
LEVENSON, Jon D. Creation and the Persistence of Evil. Princeton: Princeton University Press, 1988.
EISNER, Lotte. The Haunted Screen. Berkeley: University of California Press, 1969.
SKAL, David. The Monster Show. New York: Norton, 1993.
BALDICK, Chris. In Frankenstein’s Shadow: Myth, Monstrosity, and Nineteenth-Century Writing. Oxford: Clarendon Press, 1987.
BOTTING, Fred. Making Monstrous: Frankenstein, Criticism, Theory. Manchester: Manchester University Press, 1991.
DAN, Joseph. Jewish Mysticism and Jewish Ethics. Seattle: University of Washington Press, 1986.
EISNER, Lotte. The Haunted Screen: Expressionism in the German Cinema and the Influence of Max Reinhardt. Berkeley: University of California Press, 1969.
GILBERT, Sandra; GUBAR, Susan. The Madwoman in the Attic. New Haven: Yale University Press, 1979.
HARARI, Yuval Noah. Jewish Magic before the Rise of Kabbalah. Leiden: Brill, 2011.
IDEL, Moshe. Golem: Jewish Magical and Mystical Traditions on the Artificial Anthropoid. Albany: State University of New York Press, 1990.
LEVENSON, Jon D. Creation and the Persistence of Evil. Princeton: Princeton University Press, 1988.
MELLOR, Anne K. Mary Shelley: Her Life, Her Fiction, Her Monsters. London: Routledge, 1988.
PETERS, Ted. Playing God? Genetic Determinism and Human Freedom. London: Routledge, 2003.
SCHOLEM, Gershom. On the Kabbalah and Its Symbolism. New York: Schocken Books, 1965.
SCHOLEM, Gershom. “The Idea of the Golem.” In: SCHOLEM, Gershom. On Jews and Judaism in Crisis. New York: Schocken Books, 1976. p. 158–204.
SKAL, David J. The Monster Show: A Cultural History of Horror. New York: Norton, 1993.
Difícil escrever esta carta para você. Não lembro bem como foi a primeira vez que parei para escutar sua voz mineira, num tom suave e sossegado. Era lá no inicio da década de 1970, em tempos difíceis, de pouca e rara beleza, mas com muita vontade de mudar.
Sempre o considerei o John Lennon do Clube da Esquina, e acredito que além disto, até para todo o sempre, a sua versatilidade como cantor e compositor, com uma voz que se integrou perfeitamente ao estilo musical inovador do Clube da Esquina, numa mescla da MPB com rock, jazz e ritmos folclóricos, será sempre coisa e propriedade do registro da sua humanidade marcante, com louvor pela sua existência neste belo e imperfeito planeta azul .
Para você ofereço abaixo, este poema lindo da Cora Coralina, que ele conforte sua nova paisagem da janela lateral de onde se abriga no Paraíso.
Meu epitáfio (Cora Coralina)
Morto... serei árvore,Fica a saudade, simples como sua vida, sem retratos, sem autógrafos, sem nada, posto que agora é imortal.
Um abraço!
É isto aí!
Querida,
Quando ler este bilhete, já estarei, possivelmente, em outra página virada da minha peregrinação pelo mundo que desconheço — mas de quem ouço falar bem.
Saiba que deixei as saudades guardadas no fogão de lenha.
Deixei as mágoas no freezer.
Guardei as angústias naquele pote de porcelana azul que eu sempre detestei — e no qual acidentalmente esbarrei, fazendo-o ir ao chão, sendo imediatamente remendado por você com cola instantânea, só para irritar minha paz, porque foi um presente da fulana — e você sempre soube o motivo de eu detestá-la.
Recolhi os cacos do tempo útil ao seu lado e lacrei tudo num envelope amarelo que guardava alguns papéis que devem ser importantes para você continuar nesta rotina que merece.
Aos amigos, diga que fugi com uma namorada dos tempos de faculdade.
Aos inimigos, faça o que mais gosta — mentir — e diga que voltei para a companhia da sua eterna bff da infância, a Claudinha Tri.
Todas as fotos onde supostamente estávamos juntos foram para a galeria do lixão. Esperei pacientemente o caminhão de lixo passar, só para ter certeza de que levariam tão nefasta prova da nossa patética união.
Querida, eu amo você. De verdade. Com certeza. Com ardor na alma (e lágrimas sinceras).
Eu sei que você sabe disso — que sempre soube, que sempre saberá.
E este amor, todo este amor, estou levando comigo, para todo o sempre, ao infinito e além.
É isto aí!