sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Viver está ficando tenso



Dados oficiais para refletir:

 2019 foi um ano emblemático. Anterior ao vírus que se espalha no mundo, acusou um aumento de óbitos na pátria amada, idolatrada, de 263% em relação a 2008. É como multiplicar por três o número de óbitos de 2008, apenas 11 anos depois. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revela que a taxa de natalidade no Brasil apresentou decréscimo. Em 2000, a taxa era de 20,86 a cada mil habitantes, caindo para 14,16 em 2015.

O que está acontecendo neste país onde nascem menos crianças e morrem mais pessoas, num crescimento vertiginoso, em apenas 10 anos????

Fontes: 

IBGE - Taxas Brutas de natalidade 

Valor Econômico - Mortes crescem 25% em 10 anos 

IBGE - Taxas Brutas de mortalidade até 2015

IBGE - Taxas Brutas de mortalidade 2019

Apenas em 2019, total de mortos teve aumento de 263% enquanto o número de nascimentos no país caiu 3,1% O número total de óbitos totais do país cresceu 24,5% entre 2008 e 2019, para 1.314.103, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em sua pesquisa Estatísticas do Registro Civil 2019, divulgada nesta quarta-feira. Ante 2018, houve alta de 263%. Sem tecer projeções, Klivia Brayner de Oliveira, pesquisadora do instituto, não descartou possibilidade de o dado referente ao ano de 2020, ainda a ser anunciado na próxima edição do levantamento, ser influenciado por mortes causadas pela pandemia de covid-19.

O estudo tem como origem de dados de cartórios, varas de família cíveis, foros e tabelionatos. Devido ao fato de a fonte de dados não ser o próprio instituto, a pesquisadora disse que não há como detalhar com profundidade a razão específica para crescimento.

É isto aí!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Nós, eles e a água entregue na bandeja



Nunca imaginei viver para ver o caos fazendo valer sua força no coração do território que os Nacotchtanks habitavam onde está hoje o distrito de Colúmbia, sede do Distrito Federal dos yankees.

Só estou comentando para registro do Diário de Bordo, pois a verdade, a verdade, no fundo no fundo, jamais virá à tona, de maneira que nunca saberemos quem estava com a razão. Apenas veremos fotos e manchetes aqui e acolá.

Da mesma forma, em terras de Pindorama, não tem como saber quem é esquerda e quem é direita. Está tudo junto, misturado e achando que ninguém percebe isto.

Pindorama teve a sua água (toda a sua água) privatizada pelo governo federal numa estranha lei que você mesmo poderá ler aqui 14026/2020 . que - sic -atualiza o marco legal do saneamento básico.

Vejamos algumas pérolas que estão valendo e veja também aqui as inconstitucionalidades da nova lei que privatiza toda a água nacional para multinacionais.

Art 1° - para vedar a prestação por contrato de programa dos serviços públicos de que trata o art. 175 da Constituição Federal, 

Art 4° § 3º  
- II - estimular a livre concorrência, a competitividade, a eficiência e a sustentabilidade econômica na prestação dos serviços;
- VII - estabelecer critérios limitadores da sobreposição de custos administrativos ou gerenciais a serem pagos pelo usuário final, independentemente da configuração de subcontratações ou de subdelegações; e
- VIII - assegurar a prestação concomitante dos serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário.

Art. 17-A. 
O Ministério da Economia fica autorizado a promover a lotação ou o exercício de servidores de órgãos e de entidades da administração pública federal na ANA.

VII - outras ações e atividades análogas decorrentes do cumprimento das atribuições institucionais da ANA.

Art 5°
§ 2º No exercício das atribuições de natureza fiscal ou decorrentes do poder de polícia, são asseguradas aos ocupantes do cargo efetivo de que trata o caput deste artigo as prerrogativas de promover a interdição de estabelecimentos, instalações ou equipamentos, assim como a apreensão de bens ou produtos, e de requisitar, quando necessário, o auxílio de força policial federal ou estadual, em caso de desacato ou embaraço ao exercício de suas funções.” (NR)

Art 6° Estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico
II - integralidade, compreendida como o conjunto de atividades e componentes de cada um dos diversos serviços de saneamento que propicie à população o acesso a eles em conformidade com suas necessidades e maximize a eficácia das ações e dos resultados;

III - abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos realizados de forma adequada à saúde pública, à conservação dos recursos naturais e à proteção do meio ambiente;

IV - disponibilidade, nas áreas urbanas, de serviços de drenagem e manejo das águas pluviais, tratamento, limpeza e fiscalização preventiva das redes, adequados à saúde pública, à proteção do meio ambiente e à segurança da vida e do patrimônio público e privado;

Art. 7º A Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007, passa a vigorar com as seguintes alterações:
XV - promover a concorrência na prestação dos serviços; e
XVI - priorizar, apoiar e incentivar planos, programas e projetos que visem à implantação e à ampliação dos serviços e das ações de saneamento integrado, nos termos desta Lei.” (NR)
“Art. 50. ................................................................................................................
I - ..........................................................................................................................
a) desempenho do prestador na gestão técnica, econômica e financeira dos serviços; e
b) eficiência e eficácia na prestação dos serviços públicos de saneamento básico;
II - à operação adequada e à manutenção dos empreendimentos anteriormente financiados com os recursos mencionados no caput deste artigo;
III - à observância das normas de referência para a regulação da prestação dos serviços públicos de saneamento básico expedidas pela ANA;
IV - ao cumprimento de índice de perda de água na distribuição, conforme definido em ato do Ministro de Estado do Desenvolvimento Regional;
V - ao fornecimento de informações atualizadas para o Sinisa, conforme critérios, métodos e periodicidade estabelecidos pelo Ministério do Desenvolvimento Regional;
VI - à regularidade da operação a ser financiada, nos termos do inciso XIII do caput do art. 3º desta Lei;
VII - à estruturação de prestação regionalizada;

É isto aí!




 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Vim Te, Vinte Vezes Vim (Carlinhos Veiga)


Uma canção para 2.020.

Voz e violões – Carlinhos Veiga
Vocais – Vitor Quevedo
Cavaquinho – Matheus Donato
Piano – Fernando Mandolini
Baixo acústico – Dido Mariano

Gravações feitas em casa pelos próprios músicos
Mixagem e Masterização por Vitor Quevedo
Produção Musical de Carlinhos Veiga
Produção de Vídeo KZA Inova (Rapha Sousas)

“eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente” João 10.10

Nos dias de tua angústia
não te abandonei
Vim te consolar

Nos dias de teus medos
não me escondi
Vim te encontrar

Nos dias de pobreza
não me esqueci
vim te fartar

Eu vim te,
vinte vezes vim
e ainda virei

Nos dias de clausura
não me recolhi
vim te visitar

Nos dias de doença
não te desprezei
vim te curar

Nos dias de teus lutos
não te esqueci
Vim te alentar

Eu vim te,
vinte vezes vim
e ainda virei

Pois sou o Deus
que perdoa e acolhe
que ouve o clamor da oração

Que está ao lado
de quem anda
em vale escuro de aflição

E mesmo que você 
me esqueça
eu não te esquecerei

Eu vim te,
vinte vezes vim
e ainda virei

Pois vinte,
vinte vezes vinte,
ainda virei

Pois sou o Deus
que perdoa e acolhe
que ouve o clamor da oração

Que está ao lado
de quem anda
em vale escuro de aflição

E mesmo que você 
me esqueça
eu não te esquecerei

Eu vim te,
vinte vezes vim
e ainda virei








O último que sair, deixe a porta aberta...


Foi finalmente revelado o motivo pelo qual Bananaland não tem estações de esqui, nem renomados  prêmios de cunho científico altamente laureados, nem 6G, nem vasos sanitários inteligentes, escolas públicas decentes, rios limpos, estradas seguras, presídios reeducacionais, etc.

Segundo fontes fidedignas, um dos motivos para o desemprego alto é que parte da população não está preparada para fazer quase nada. 

A pergunta que não quer calar - e a parte da população que está preparada e está em casa?

A questão é revista de uma forma altamente sofisticada - A culpa é da choldra. Graças aos deuses bananalandenses, os eméritos representantes da massa votaram leis que castraram a classe subterrânea de respirar no mesmo nível das pessoas de boa índole, afinal terminaram todas as exigências imorais e esquerzóides de salário digno, justiça e securidade social. 

Naquele tempo, ser patrão era a desgraça, refletiu um dos maiores gurus dos homens bons. Graças aos deuses das fadas planaltinas, a choldra se encontrou onde deveria, descalça e eleitora de manada. Apesar de terem feito de tudo para embevecerem Wall Street, alguns nobres e augustos representantes da mais elevada aristocracia guarany reconhecerem em público que Bananaland está quebrada e por isto não conseguem fazer nada.

Mas como todos os incômodos habitantes de Bananaland têm que se alimentar, uns de luz, outros de gramíneas, djênios da superação sugerem que acatem a ideia inovadora dos homens bons do território apache estão a oferecer aos que não fazem quase nada. Caso utilizem a proposta do Bill, a choldra de Banaland em breve salvará o mundo, num vaso sanitário. 

O vaso sanitário proposto pelo Bill tem a intenção de solucionar problemas globais, como o caso do saneamento básico. O produto é inteligente e dispensa a necessidade de água e esgoto. A ação é possível por conta da tecnologia que transforma os dejetos humanos em fertilizantes ali, bem abaixo da linha da cintura. Assim, o popular "Vai cagar" seria uma grande fonte de renda para a galera da geral.

Crédulos e fiéis acreditam que se forem convocados, centenas de graduados técnicos do mais elevado escalão dos homens de bem, deverão se ocupar em intermináveis cálculos estruturais para que estes sanitários inteligentes do Bill, sejam instalados ao largo das marginais da periferia dos "quase nada", recebendo esses dejetos líquidos e sólidos e adubando a terra onde se plantando tudo dá.

De quase nada, serão um enorme parque industrial de adubos orgânicos para satisfazer a mesa farta da nação. Aí, aquele ditado - "não vale bosta nenhuma" perderá o sentido.

O último que sair deixa a porta aberta...

É isto aí!




segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

A semeadura já está dando colheita - Cenas do 21


- Estou na feira, na fila, para pesar e pagar. Na minha frente uma senhora, com aparentemente 35 anos, bonita, de camiseta e bermuda curta, mas nada fora dos padrões. A mulher do caixa pergunta como ela está. A senhora bonita põe as sacolas no balcão, a mão na testa e fala que agora sim está começando a sentir o gosto da vingança. 

A mulher do caixa se interessa pela narrativa, fecha e chaveia o caixa e indaga com os olhos. A senhora bonita disse que destruiu a poupança do ordinário, para que ele não fique com nada a não ser com as dívidas do financiamento do carro - ele que se vire com aquele vadia. Vagabundo. Fui no banco e transferi tudo, era conta conjunta. Gastei todo o dinheiro com a cozinha, comprei uma copa nova, comprei aparelho de jantar completo, baixela, faqueiro daqueles bonitos, esteira de exercícios, roupa de cama, roupa para mim e celular bacana para mim e para as crianças...ah, e duas televisões imensas, uma para meu quarto, lógico (sic). 

A mulher do caixa ficou com aquele olhar de divagação, sem saber o que dizer, uma vez que a senhora bonita estava espumando ódio, muito ódio. Eu odeio ele, eu odeio aquela vagabunda. Agora quero que se vire para pagar as prestações do carrinho onde leva aquela puta, por que o apartamento aqui nem pensar, e ainda tem a pensão. Meu advogado falou que vai apertar até a última gota. Assinou a notinha e partiu.

- Estou no supermercado. Na minha frente um deficiente físico num andador e uma idosa ao seu lado. Espero pacientemente para atravessarem o corredor para que eu também possa prosseguir com a compra. Atrás de mim, uma senhora com dois filhos adolescentes, falando alto sobre lerdeza, velhice, etc. E empurrando o carrinho para que eu apressasse o passo.

- Estou parado na faixa de pedestres, numa avenida de pista dupla. Aguardei até que uma boa alma parasse para atravessar em segurança. Quando o carro da direita deu sinal de que eu poderia atravessar, atrás dele um senhor de idade aparentemente igual à minha, fez uma manobra rápida para a esquerda, passou xingando o motorista com vitupérios e insultos os mais diversos e acelerou na minha direção, com gestos nervosos na mão que segurava o celular.

Esta nação está colhendo tudo que plantou - já profetizava Pero Vaz de Caminha.

É isto aí!

Tenha suas próprias experiências com as pessoas. (Alessandra santtos)



Alessandra Santos - Instagram - @alesanttos_hmdp


Nunca conheça ninguém
pela boca e visão distorcida
dos outros.

Já conheci gente
mal falada com caráter e
gente bem falada, mau caráter.

Tenha suas próprias experiências com as pessoas.

Você perde a oportunidade
de conhecer pessoas incríveis
por que criou um bloqueio.

Ou porque criou bloqueios
pela descrição que um invejoso,
cheio de malícia, fez. 


domingo, 3 de janeiro de 2021

A chuva - Arnaldo Antunes



Poema: A Chuva
Autor:  Arnaldo Antunes
A chuva derrubou as pontes. 
A chuva transbordou os rios.
A chuva molhou os transeuntes. 
A chuva encharcou as praças. 
A chuva enferrujou as máquinas. 
A chuva enfureceu as marés. 
A chuva e seu cheiro de terra. 
A chuva com sua cabeleira. 
A chuva esburacou as pedras. 
A chuva alagou a favela. 
A chuva de canivetes. 
A chuva enxugou a sede. 
A chuva anoiteceu de tarde. 
A chuva e seu brilho prateado. 
A chuva de retas paralelas sobre a terra curva. 
A chuva destroçou os guarda-chuvas. 
A chuva durou muitos dias. 
A chuva apagou o incêndio. 
A chuva caiu. 
A chuva derramou-se. 
A chuva murmurou meu nome. 
A chuva ligou o para-brisa. 
A chuva acendeu os faróis. 
A chuva tocou a sirene. 
A chuva com a sua crina. 
A chuva encheu a piscina.
A chuva com as gotas grossas. 
A chuva de pingos pretos.
A chuva açoitando as plantas. 
A chuva senhora da lama. 
A chuva sem pena. 
A chuva apenas. 
A chuva empenou os móveis. 
A chuva amarelou os livros. 
A chuva corroeu as cercas. 
A chuva e seu baque seco. 
A chuva e seu ruído de vidro. 
A chuva inchou o brejo. 
A chuva pingou pelo teto. 
A chuva multiplicando insetos. 
A chuva sobre os varais. A
chuva derrubando raios. 
A chuva acabou a luz. 
A chuva molhou os cigarros. 
A chuva mijou no telhado. 
A chuva regou o gramado. 
A chuva arrepiou os poros. 
A chuva fez muitas poças. 
A chuva secou ao sol.

sábado, 2 de janeiro de 2021

Carminha & Armandinho - Discutindo relação no piloto automático



- Carminha, não é o que você está pensando.

- Armandinho, quer enganar a quem?

- Eu?!?!Enganar alguém? Me inclua fora desta possibilidade, Carminha.

- Armandinho, olha bem para mim.

- Estou olhando.

- Nos meus olhos.

- Para que olhar seus olhos? Seus seios são lindos.

- Pare agora com esta palhaçada e olhe para mim. Foi você?

- Carminha, Carminha, não me acuse em vão. Não fui eu!

- Ah, é?!?! Se só estamos nós dois aqui e sumiu todo o chocolate, como não foi você?

- Carminha, há um processo histórico envolvido neste dilema.

- Processo histórico? Safado, antes estivesse com uma vagabunda...

- Sério, Carminha?

- Não idiota, é só um eufemismo.

- Você e suas retóricas, Carminha... sempre contornando para atingir a jugular. 

- Insinuando o quê com isto, Armandinho?

- Nada, Carminha, nada, eu não sei nem por que disse tal coisa.

- Engraçadinho!!!!

- Gostosa!!!

- Como é que é, Armandinho??

- Como é que é o que, Carminha???

- Você me chamou de gorda.

- Eeeeuuuuuuu? Está doida!

- Agora sou gorda e doida?

- Carminha, não é o que o que você está pensando.

- Armandinho, quer enganar quem?

- Eu?!?!Enganar alguém? Me inclua fora desta possibilidade, Carminha.

- Armandinho, olha bem para mim. Saiba que um copo meio vazio também pode ser um copo meio cheio, mas uma mentira jamais será meia verdade. Armandinho, espera, onde você vai? 

- Depois desta filosofia de boteco, estou saindo. Volto quando estiver - hummmm - menos tenso o clima aqui.

- Volta aqui, amor!!! Volta, vai...Armandinhoooooo, volta ... e não é que o babaca saiu? Caramba... será que estou gorda mesmo??? Para quê fui comer as três caixas de chocolate??? Ai-ai meu deusinho protetor dos dependentes de chocolate belga... puxa vida... será que estou gorda mesmo?? 

É isto aí!


2.1.21


 2.1.21

Achei irresistível falar do 21 nesta data cabalística 2.1.21. No creo en brujas, pero que las hay, las hay...  

Primeiro vamos à um resumo do resumo do resumo da numerologia, onde o número 21 é um numeral muito poderoso e que é composto também por outros dois números muito poderosos, o 2 e o 1 e se somados, ainda temos as influências do número 3.

Agora vou falar resumidamente do livro 21 Lições para o Século 21 , do historiador Yuval Harari. O autor afirmou que o livro tem como objetivo responder à questão: "o que está acontecendo no mundo hoje, qual é o sentido mais profundo desses eventos e como podemos individualmente nos guiar através deles?" As questões que ele propôs explorar incluem "o que a ascensão de Trump significa, se Deus está de volta ou não, e se o nacionalismo pode ajudar a resolver os problemas do aquecimento global."

A obra reúne artigos já publicados e palestras do autor sobre trabalho, liberdade e vigilância, nacionalismo, religião, imigração, educação, guerras, política, fake news, clima, etc. “O livro procura usar as perspectivas e lições de longo prazo dos primeiros dois livros para dar clareza aos debates políticos atuais”. As duas obras anteriores de Harari foram Sapiens: Uma Breve História da Humanidade e Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã.

A compra dos direitos de publicação do livro no Brasil foi concretizada durante a Feira do Livro de Frankfurt, de acordo com a editora, Companhia das Letras.

As vinte e uma lições:

PARTE I: O DESAFIO TECNOLÓGICO

1. Desilusão
O fim da história foi adiado
2. Trabalho
Quando você crescer, talvez não tenha um emprego
3. Liberdade
Big Data está vigiando você
4. Igualdade
Os donos dos dados são os donos do futuro

PARTE II: O DESAFIO POLÍTICO

5. Comunidade
Os humanos têm corpos
6. Civilização
Só existe uma civilização no mundo
7. Nacionalismo
Problemas globais exigem respostas globais
8. Religião
Deus agora serve à nação
9. Imigração
Algumas culturas talvez sejam melhores que outras

PARTE III: DESESPERO E ESPERANÇA

10. Terrorismo
Não entre em pânico
11. Guerra
Nunca subestime a estupidez humana
12. Humildade
Você não é o centro do mundo
13. Deus
Não tomarás o nome de Deus em vão
14. Secularismo
Tenha consciência de sua sombra

PARTE IV: VERDADE

15. Ignorância
Você sabe menos do que pensa que sabe
16. Justiça
Nosso senso de justiça pode estar desatualizado
17. Pós-verdade
Algumas fake news duram para sempre
18. Ficção científica
O futuro não é o que você vê nos filmes

PARTE V: RESILIÊNCIA

19. Educação
A mudança é a única constante
20. Sentido
a vida não é uma história
21. Meditação
Apenas observe

Faz um 21 feliz aí!!!

É isto aí!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Feliz Ano Novo




Feliz Ano Novo

2021 - Eis os tempos preditos!


Gratidão a todos vocês que abrilhantaram o Reino da Pitangueira com a a sua presença. Vamos seguindo, isto está ficando interessante!


Fonte do Gift - Glamour

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Você é doida demais!



Carta destinada à moça mais linda da Vila Pitanguinha, que tinha 15 anos quando fui embora.

Esqueci seu nome, acho que é Clotilde, mas eu te chamo de Flor Menina

Seu endereço ainda me lembro bem: é a terceira casa voltada para o sol poente, depois da Ponte Quebrada, subindo o Córrego do Pato. Na frente tem duas mangueiras centenárias e um pé de abacate. 

Prezada Flor Menina,

Como sabe, eu sei que sabe, pois se eu te vejo nos sonhos, tem que haver reciprocidade de mundos, você é parte integrante das minhas noites quando durmo, desde o dia que meus olhos varreram seu corpinho magro, dentro de um vestidinho surrado de algodão de sacaria de açúcar, e tranças feitas com lacinho de chitão.

Ocorreu que nos últimos sonhos você tem se portado de uma maneira bem esquisita. E quanto mais sonho, mais esquisita você fica. Baseado nestes acontecimentos que vejo quando durmo, estou começando a pensar que você perdeu o uso da razão, querida, seus atos sugerem que não mais tem sanidade mental. Age de forma insensata, sem refletir ou ponderar, tal como ouvi falar que só os loucos e dementes o fazem. 

Por exemplo, noite destas, num sonho lindíssimo, você agiu de forma desconexa com a realidade, sem refletir ou sequer ponderar, quando ofereci um mói de flor azul, linda, que colhi no caminho da sua casa. Recusou, falou que aquilo era flor de defunto. Pegou a zanzar prá lá e prá cá, batendo uma mão na outra e ali vi logo que tinha ali a doidice de nem sequer aceitar eu deitar o mói de flor azul aos seus pés magrinhos e angulares.

Noutro sonho, você estava exageradamente audaz, vestida de macacão cheio de barro, bota sete léguas, mascando fumo, e andando feito uma maluca pelo milharal procurando por morango silvestre que disse que sonhou que faria você voar. Deu de perceber sua alienação devido aos olhos de peixe morto e sorrisos de uma alegria abobada, sabe?

Trasanteontem eu fui na rua por causa de que tinha agendado uma consulta com a doutora do posto para falar do seu caso. Mas, Flor Menina, a doutora escutou ali, sentada, bateu uns olhos esquisitos na minha face, com características de quem se comporta de modo insano, destes que apresentam indícios de loucura e me encarou de uma maneira tão maluca, que voltei de ré antes mesmo dela abrir a boca e destravar a língua de uma forma com desfaçatez; daquelas que pessoas que não possuem juízo, falam.

Mas deu que cheguei em casa, tomei um sumo de couve com agrião e folha de maracujá com dois dedos de pinga de pitanga, enveredei na rede cuidando de não bater no banquinho com a cachaça e o copo, dei um pito no cachimbo com fumo de rolo curtido aqui mesmo, pigarreei uns catarros clarinho que dava gosto de ver, e fiquei matutando ali, sozinho comigo mesmo, na minha solidão acompanhada da sua ausência. Dei três suspiros dobrados, sendo o último com três paradinhas e proseei com a Vadia, nossa cachorrinha manca:

Vadia, a Flor Menina é doida demais, mas eu gosto muito muito da existência dela dentro de mim. Melhor aceitar assim do que doer sem ter ela por perto. Eu acho, Vadia, eu acho com certeza, que ela vai gostar de saber que eu gosto dela.

É isto aí!



segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Herodes


Fonte da Imagem: O Massacre dos Inocentes, Peter Paul Rubens, óleo sobre madeira, 1636-1638, Alte Pinakothek, Munique, Alemanha.


Nesta época, pós natal, ouvimos falar de Herodes, que mandou matar todas as crianças. E depois matou João Batista, depois matou Tiago, e recebeu Paulo para o julgamento e outros feitos, fatos e crimes aos quais é acusado, isto porque Herodes aparece em várias passagens. Na realidade, são seis homônimos na Bíblia e não um só Herodes. 

1 Herodes, o grande

O primeiro governante foi chamado/conhecido como Herodes, o grande, que governou toda a região da palestina entre 37 a.C a 4 d.C, quando faleceu. Esse Herodes foi o que mandou remodelar o templo de Zorobabel, criando o grande e famoso templo de Herodes. Ele também foi o governante que encontrou com os Magos na época do nascimento de Cristo (Mateus 2:1) e que mandou matar os meninos com menos de dois anos em Belém da Judeia (Mateus 2:16).

Herodes Arquelau, Herodes, Antipas, Herodes Felipe

Após a morte de Herodes, o grande, os seus três filhos Herodes (Arquelau, Antipas e Felipe), assumiram cada um algumas partes do reinado do pai.

2 Herodes Arquelau 
Governou a região da Judeia, Samaria, e Idumeia entre os anos de 4 a.C a 6 d.C. Vemos a menção sobre ele em Mateus 2:22: “(José) Tendo, porém, ouvido que Arquelau reinava na Judeia em lugar de seu pai Herodes, temeu ir para lá; e, por divina advertência prevenido em sonho, retirou-se para as regiões da Galileia”.

3 Herodes Antipas 
Governou a Galileia e a Pereia de 4 a.C a 39 d.C. É mencionado na Bíblia tendo graves problemas com João Batista e manda decapitar João Batista (Mateus 14:1-12). Jesus o chamou de raposa: “Naquela mesma hora, alguns fariseus vieram para dizer-lhe: Retira-te e vai-te daqui, porque Herodes quer matar-te. Ele, porém, lhes respondeu: Ide dizer a essa raposa que, hoje e amanhã, expulso demônios e curo enfermos e, no terceiro dia, terminarei” (Lucas 13:31-32).

4 Herodes Felipe 
Governou a região que ficava a nordeste do lago da Galileia, isto é, Itureia, Gaulanites, Bataneia, Traconites e Auranites do ano de 4 a.C a 34 d.C. Temos na Bíblia um relato de Lucas sobre ele: “No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judeia, Herodes, tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe, tetrarca da região da Itureia e Traconites, e Lisânias, tetrarca de Abilene” (Lucas 3:1)

5 Herodes Agripa I

Governou de 41 d.C a 44 d.C sobre toda a terra de Israel, da mesma forma que o primeiro Herodes, o grande. Ele foi quem ordenou a morte de Tiago: “Por aquele tempo, mandou o rei Herodes prender alguns da igreja para os maltratar, fazendo passar a fio de espada a Tiago, irmão de João” (Atos 12:1-2).

6 Herodes Agripa II

Governou a região que era praticamente a mesma de Herodes Felipe, entre os anos de 50 d.C a 70 d.C. O apóstolo Paulo esteve diante desse Herodes para fazer a sua defesa e foi ele quem disse a Paulo que quase se tornou um cristão após ouvir o testemunho incrível de Paulo: “Então, Agripa se dirigiu a Paulo e disse: Por pouco me persuades a me fazer cristão” (Atos 26:28).

domingo, 27 de dezembro de 2020

Papa anuncia Ano da Família: 'Que o perdão prevaleça sobre as discórdias'

 

O papa Francisco anunciou neste domingo (27/12) um Ano da Família, dedicado ao espaço da família na Igreja, ao acompanhamento dos casais no matrimônio e às dificuldades da vida conjugal.

O anúncio foi feito durante a oração do Angelus, cinco anos após a exortação do sumo pontífice sobre o amor na família: "Amoris Laetitia".

O Ano da Família começará em 19 de março de 2021, Dia de São José, e terminará em 26 de junho de 2022, durante o 10º Encontro Mundial das Família, em Roma.

Em sua homilia dominical, Francisco destacou amplamente, da biblioteca do palácio apostólico do Vaticano, "o valor educativo do núcleo familiar (...) fundado no amor".

Ele pediu às famílias que priorizem "o perdão sobre a discórdia". "Na família há três palavras que devem ser sempre protegidas: 'permissão', 'obrigado', 'perdão'", completou.

"Na família é possível experimentar uma comunhão sincera quando esta é uma casa de oração, quando os afetos são sérios, profundos, puros, quando o perdão prevalece sobre as discórdias, quando a dureza cotidiana da vida é suavizada pela ternura mútua e pela serena adesão à vontade de Deus", disse.

O dicastério (ministério) para os laicos, a família e a vida publicou 12 propostas que as paróquias e dioceses devem colocar em prática.Continua depois da publicidade

Trata-se de reforçar "a pastoral da preparação para o matrimônio", de ajudar de melhor maneira os casais após a união e na educação de seus filhos, criar círculos de reflexão e palavras sobre "a beleza e as dificuldades da vida familiar", e também de apoiar os casais em crise e as "famílias feridas".

No momento em que os países da União Europeia (UE) iniciam neste domingo as campanhas de vacinação contra a pandemia de covid-19, o papa também fez uma homenagem aos profissionais da saúde, e em particular aos casais e famílias que sofrem as dificuldades no contexto da pandemia.

"Meu pensamento vai em particular para as famílias que perderam nestes meses um parente ou foram submetidas a um duro teste pelas consequências da pandemia", disse.

"Penso também nos médicos, enfermeiros e todos os profissionais da saúde cujo grande compromisso na linha de frente da luta contra a propagação do vírus teve repercussões significativas sobre sua vida familiar", concluiu.

Fonte da matéria: Jornal Estado de Minas

O Mago da Pitangueira - Não existirão heróis em 2021



Último domingo de 2020. Fui visitar o Mago da Pitangueira para saber como será o Ano que se aproxima.

- Saudações, Mestre, vim para apreciar sua sabedoria quanto ao ano novo.

- Veio buscar o que não tenho, não sou mais sábio que esta rocha ao meu lado. 

- Como assim, Mestre?

- Ela tem tantos átomos quanto eu, tanta massa quanto meu corpo comporta, mas interage com a luz e as trevas da mesma forma, incólume, e está aí com sua sabedoria a milhões de anos em completo silêncio. Graças a isto, a tudo observa e supera todas as intempéries, seguindo seu destino e guardando sua dignidade.

-Mestre, guardadas as devidas proporções entre seu ser e estar e o desta rocha, o que sente quanto ao ano que vem?

- Neste sentido digo que não será um ano monolítico, monotemático e tenso como este que se encerra. Em 2020 tudo girou - supostamente - em torno de um único processo., que se arrastará com consequências múltiplas nas áreas sociais, espirituais, econômicas, sanitárias, etc. e tal, sempre sob a astúcia de atos humanos que somente serão percebidos quando expostos, apesar de estarem guardados há alguns anos, esperando a oportunidade de atuarem.

- Mestre, o que podemos fazer para impedir estas catástrofes?

- Ouça, meu bom homem, 2021 será inevitavelmente repleto de esperanças, afinal é um Ano Novo. Será assim como quando recebemos na porta um parente distante que está de passagem num dia de grandes tormentas, com o qual não temos afeto, nem diálogo, mas acumulamos desgastantes e complicadas experiências negativas. Querendo ou não, ele vai entrar, trazendo consigo a bagagem da dor, molhando o piso e espalhando lama no tapete da sala, antes mesmo que falemos qualquer coisa.

- Mestre, teremos um bode na sala?

- Antes fosse um bode, afinal, a parábola do Bode na Sala serve para vermos o que não víamos, e 2021 já começará num grande desafio mundial, quer no campo político, quer no campo da saúde pública. O Ano Novo não fará isto de permitir que vejamos o que não pode ser visto. Não permitirá que abramos espaço para novas perspectivas. Para adoçar e iludir, terá bebidas e pratos distintos para todos os apetites, quer sejam do bem, quer sejam do mal, dependendo de quem aprecia. 

- Então foi por isto que o senhor iniciou sobre a parábola da rocha?

- Exatamente, sejamos sábios. Um espada pode bater inúmeras vezes numa rocha para que ela decline, e aquela rocha, no seu silêncio sempre será mais forte que a espada, com as cicatrizes que a vida coloca na sua superfície , tal qual as que carregamos na alma pelas espadas que nos atingem. O tempo fará a sua parte. Vivemos tempos onde o silêncio é o recurso da sabedoria. Não existirão heróis em 2021.

É isto aí!

sábado, 26 de dezembro de 2020

O jogo do final do ano



A Rádio Pitangueira passa a transmitir direto do monumental Estádio da Pitanga, o tradicional jogo Solteiros X Casados da comunidade local, realizado desde 1972. Martelo Marreta, o nosso MM, é com você!!!

Obrigado, Bigorna Talento, nosso BT, aqui está tudo pronto. Todo mundo em campo. No time dos casados, com a direção técnica de Andrioswaldo Marquentes,  temos no gol o Roberto Alvez, na zaga a dupla Roberto Freitas e Roberto Galvinho, na lateral esquerda o Pedro Manco, na lateral direita o Pedro Canhoto, no meio temos João Jaerton, José Jairton e Jair Jaldison. O ataque é composto pelo famoso e goleador trio Emanoel Lindnelson, Manoel Grasportan e Manuel Erlóquio. Agora a escalação dos solteiros com Machado Longuinho, o nosso ML.

ML - Bigorna, os solteiros, sob o comando técnico do Beto, vão com Zeca no gol, a zaga com Lipe e Leo, a lateral esquerda com Gegê, a lateral direita com Pepê. O meio de campo com Toninho, Paulinho e Luizinho. No ataque temos Nando, Dedé e Mário.

MM - Bigorna Talento...

BT - Fala, Martelo Marreta, o rei do rádio!!

MM - Tem um novato no time dos solteiros, Bigorna, o Mário ...

BT - Mário, que Mário, Martelo????

MM - Eu, hem!! Me inclua fora deste negócio, Bigorna. Fala aí Machado Longuinho.

ML - Aqui tudo certo, todo mundo no seu lugar. Juiz, as duas bandeirinhas, o quarto, o quinto e o sexto árbitro, a ambulância com as equipes de socorro e de resgate, os cento e vinte seguranças, fotógrafos, repórteres de campo, jornalistas, cinegrafistas, drones, e já falei das bandeirinhas? Meu santinho das bandeiras laterais, que bandeirinhas são estas, Bigorna Talento?

BT - O juiz apita e começa o jogo com os casados. 

MM - 30 minutos do segundo tempo e segue Zero a Zero. E olha lá... - Bigorna, a bandeirinha vermelha está acenando feito uma louca, do outro lado do campo. 

ML - O juiz para a partida, corre em direção a bandeirinha, que aponta para o time dos solteiros.

MM - Confusão geral, a equipe dos solteiros corre toda em cima da bandeirinha.

BT - O juiz peitou dois jogadores e expulsou Paulinho.

ML - Bigorna, o que está acontecendo aí?

BT - O Paulinho é casado, pai de três crianças e a bandeirinha recebeu a denúncia já em campo, por uma torcedora.

MM - Ihhhh, rapaz, o Paulinho correu no sentido da arquibancada e  partiu para cima de um casal. A turma da  segurança agiu rápido e e colocou o cidadão para fora.

ML - Recomeça a partida. 43 minutos do segundo tempo. O juiz deu lateral para os casados e gol... que é isto? O Pedro Canhoto bateu o lateral, Toninho dos solteiros deu um bico para a frente e encontrou o gol vazio, pois o goleiro dos casados estava brincando com suas duas filhinhas atrás do gol.

BT - Bate-boca entre os casados, dedo no nariz, empurrão, ihhh..., rapaz, o juiz expulsou por atitude antidesportista o Roberto Galvinho, da zaga dos casados.

MM - Machado, o Mário está pegando o meio campo dos casados com golpes de arte marcial. De Kung-Fu a Capoeira, o Mário bate, hem, Bigorna?!! Dois jogadores dos casados cairam... e o Mário, que é isto Mário?

ML - Caramba, todo mundo agora correndo no Mário, o pau está quebrando em campo, que coisa feia. E, olha lá, olha lá, a bola vai entrando devagarinho ... goooooooollllllll dos casados!!! O jogo não foi paralisado e o goleiro deu um chutão que atravessou o campo e assinalou 1X1.

BT - Os solteiros correm todos para a bandeirinha, e olha, que bandeirinha ...Leo, o zagueiro que não perde viagem, chegou na moça, falou alguma coisa e agora estão abraçados ..., Machado, ele está pedindo a moça em casamento ... ela anulou o gol ...

MM - Machado, agora os casados pressionam o Juiz, que olha para cima, aponta algo no céu e termina a partida...

É isto aí!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Feliz Natal


*A foto é da capa do Geraes, um álbum de 1976 do cantor, violonista e compositor brasileiro Milton Nascimento.

O Reino da Pitangueira deseja a todos vocês que creem que é possível o impossível na pessoa de Jesus, e você em especial, que vem sempre aqui ver nossas vitrines, ler nossas crônicas, casos e publicações outras, um FELIZ NATAL.

Sabemos que 2020 não foi fácil para ninguém, mas Fé, Esperança e Caridade ajudam a amenizar. Nosso desejo é ver este mundo melhor, as pessoas amando o próximo como a si mesmas e transmitindo paz, harmonia, felicidade e senso de cidadania, com respeito e dignidade a todos os povos, raças e credos, almas, gestos, cor, e natureza.

De toda a equipe do Eu e Eu mesmo vai daqui um grande abraço!!!!!!


Autor - Dostoiévski



É isto aí!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

A noite do Natal




A noite do Natal 
acontece todo dia
quando renasce em mim
a esperança 
ainda que tardia.


É isto aí!


 


quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

O Nascimento de Jesus (O Evangelho como me foi revelado - Maria Valtorta)


Maria Valtorta (14 de março de 1897 - 12 de outubro de 1961) foi uma mística católica italiana, que produziu mais de 15.000 páginas manuscritas em 122 cadernos sobre a história de Jesus, relatada pelo próprio Cristo, paraplégica e acamada.

Fonte:

 http://aparicoesdavirgemmaria.blogspot.com/2018/12/o-nascimento-de-jesus-segundo-as.html


6 de Junho de 1944.

Vejo ainda o interior deste pobre refúgio rochoso, onde José e Maria encontraram o abrigo que compartilharam com animais.

Um pequeno fogo está cochichando junto com o seu guardião. Maria levanta um pouco a cabeça, e olha. Vê José com a cabeça inclinada sobre o peito, como se estivesse pensando, e ela mesma também fica pensando que o cansaço possa ter vencido a boa vontade que ele tem de ficar o tempo todo acordado. Maria sorri com um sorriso cheio de bondade e, fazendo menos barulho que uma borboleta, se põe sentada e, depois de sentada, se põe de joelhos. E reza com um sorriso feliz em seu rosto. Reza de braços abertos, não propriamente cruzados, mas quase, e com as palmas viradas para o alto e para frente, e nem parece ficar cansada naquela penosa posição. Depois, se prostra com o rosto contra o feno, em uma oração ainda mais intensa. É uma longa oração.

José desperta. Vê que o fogo está quase apagado e a gruta está ficando escura. Joga um punhado de gravetos bem finos, e a chama se ergue de novo; procura depois uns galhos mais grossos, porque o frio deve ser de gelar. É o frio da noite severa de inverno, que estar por todos os lados da gruta. O pobre José, perto da porta (chamamos assim de porta a abertura sobre a qual está estendido seu manto) deve estar se enregelando. Ele aproxima as mãos da chama, desata as sandálias, aproxima também os pés. Procura aquecer-se. E, quando o fogo já está bem vivo, sua luz firme, vira de costas. Mas agora não vê nada, nem mesmo a brancura do véu de Maria, que antes formava uma linha clara sobre o feno escuro. Põe-se de pé, lentamente, vai-se aproximando da enxerga.

- Não estás dormindo, Maria?" - ele pergunta.

Faz a mesma pergunta três vezes, até que Maria estremece, e lhe responde:

- Estou rezando.

- Não estas precisando de nada?

- Não, José.

- Procura dormir um pouco. Ou, pelo menos, descansar.

- Vou procurar. Mas rezar não me cansa.

- Até logo, Maria.

- Até logo, José.

Maria volta à sua posição. José, para não cair de novo no sono, põe-se de joelhos perto do fogo, e reza. Reza apertando as mãos sobre o rosto. Tira-as, cada vez que ele precisa ir alimentando o fogo, e depois volta à sua fervorosa oração. Com exceção do barulho da lenha que crepita no fogo e do burrinho que, de vez em quando, bate um casco no chão, não se houve mais nada. Um pouco de luar está entrando por uma fenda do teto, e parece uma lâmina de alguma prata imaterial, que se vai aproximando de Maria. A lâmina vai-se alongando, à medida que a lua vai ficando mais alta no céu e, finalmente a alcança. Agora, já está sobre a cabeça da orante, ornando-a com uma auréola de luz.

Maria levanta a cabeça, como se tivesse sido chamada por uma voz do céu e se põe de novo de joelhos. Oh! Como é belo aqui. Maria ergue de novo a cabeça que parece estar brilhando, a luz branca da lua, e um sorriso não humano a transfigura. Que é que ela estará vendo? Que estará ouvindo? Que estará experimentando? Somente Ela poderia dizer o que está vendo, ouvindo e o que experimentou na hora esplendorosa da sua Maternidade. Eu vejo apenas como, ao redor Dela, a Luz cresce, cresce, vai crescendo sempre mais. Parece descer do Céu, parece sair das pobres coisas que estão ao redor Dela, mas parece ainda mais que emanem Dela mesma, ainda mais.

Sua veste, de um azul escuro, parece agora de um suave celeste de miosótis. Suas mãos e seu rosto parecem ficar de um azul muito delicado, como os de alguém que fosse colocado sob o foco de uma imensa safira clara. Esta cor me faz lembrar, ainda mais tênue, as cores que eu vejo do Santo Paraíso, e também a cor que eu vi na visão da chegada dos Magos, uma cor que se vai difundindo por sobre as coisas todas e as vestes, e as vai purificando todas, e tornando-as resplandecentes.

A luz, que se desprende sempre mais do corpo de Maria, absorve a luz da lua, e parece que Ela atrai para si toda a luz que lhe pode vir do céu. Agora Ela já é a Depositária da Luz. É Ela que deve dar esta Luz ao mundo. E esta Luz beatífica, incontrolável, imensurável, eterna e divina, está para ser dada, e se anuncia como uma aurora, uma luz que vem crescendo, como um coro de átomos que vem aumentando, aumentando, como a maré que sobe, e sobe como a nuvem do incenso, para descer depois como uma enchente e estender-se como um véu...

O teto, cheio de fendas, teias de aranha, de entulhos que em cima se estendem para frente, e que estão em equilíbrio por um milagre de estática, esse teto que estava antes tão enegrecido, esfumaçado e repelente, está parecendo agora o teto de uma sala real. Cada uma das grandes pedras é um bloco de prata, cada fenda é como um lampejar de opalas, cada teia de aranha é um baldaquim precioso, confeccionado com prata e diamantes. Uma lagartixa grande e verde, que está dormindo em letargia entre duas pedras, parece um colar de esmeraldas esquecido lá por uma rainha. Um cacho de morcegos, também em letargia, parece um precioso lampadário de ônix. O feno que está na manjedoura de cima, já não é mais uma erva: são fios e mais fios de prata pura, que tremulam no ar com a graça de uma cabeleira solta.

A manjedoura de baixo está com sua madeira de cor escura transformada em um bloco de prata brunida. As paredes estão cobertas de um brocado no qual a alvura da seda desaparece sob o bordado opalino do relevo, e o solo.. Que é o solo agora? É como um cristal que tem acendido em si uma luz branca. As saliências são como rosas de luz projetadas em homenagem ao solo; e os próprios buracos são vasos preciosos, de onde devem emanar aromas e perfumes.

E a luz vai-se tornando cada vez mais forte. Ela já está insuportável para a nossa vista. A Virgem desaparece nela, como se estivesse sendo absorvida por um véu incandescente.. E dele surge a Mãe.

Sim, quando a luz volta a ser suportável aos meus olhos, vejo Maria já com o Filho recém-nascido nos braços. Um pequenino, todo róseo e gorducho, que agita os braços e esperneia. Tem as mãozinhas do tamanho de botões de rosa e seus pezinhos caberiam na corola de uma rosa. Ele solta vagidos em sua vozinha tremula, como um cordeirinho que acaba de nascer, abrindo a boquinha, que mais parece um moranguinho selvagem e mostrando a lingüinha que bate repetidamente contra o véu palatino. Move a cabecinha loira, que me parece quase sem cabelos, essa cabecinha redonda que a Mamãe sustenta na palma da mão, enquanto olha o menino e o adora, chorando e rindo ao mesmo tempo e se inclina para beijá-lo não em sua cabecinha, mas em seu peito, onde está batendo seu coraçãozinho, batendo por nós. É nesse coração que um dia haverá uma Ferida. E Maria, com antecipação, já medica tal ferida, com seu beijo imaculado de Mãe.

O boi, despertado pela claridade, levanta-se, fazendo um grande barulho com seus cascos, e muge, enquanto o burrinho vira a cabeça e urra. É a luz que os desperta, mas eu gosto de pensar que eles quiseram saudar o Seu Criador, por si mesmos, mas também por todos os animais.

Também José que, quase extasiado, estava rezando de um modo tão recolhido, que nem sabia dar notícia do que estava acontecendo ao redor dele, também ele volta a si da oração e, por entre os dedos das mãos, que estão unidas sobre o rosto, vê filtrar-se aquela estranha luz. Tira, então, as mãos do rosto, levanta a cabeça e se vira para trás. O boi, que agora se pôs de pé, está escondendo Maria. Mas ela diz: "José, vem cá".

José se aproxima dela. E, ao ver, pára dominado por um sentimento de reverência, e está para cair de joelhos lá mesmo no lugar em que está. Mas Maria insiste, dizendo: "Vem cá, José" e, firmando a mão esquerda sobre o feno, com a direita Ela segura apertado contra o seu coração o menino e se levanta, indo ao encontro de José, que vem caminhando à maneira de um trôpego, embaraçado por causa do contraste entre o seu desejo de andar e o temor de estar sendo irreverente. Aos pés do catre, os dois esposos se encontram e olham um para o outro num só e feliz pranto.

"Vem, vamos oferecer Jesus ao Pai", diz Maria. E, enquanto José se ajoelha, Ela se põe de pé entre dois troncos que sustentam o teto, levanta o Filho em seus braços, e diz: "Eis-me aqui, senhor. Por Ele, o Deus, eu te digo esta palavra. Eis-me aqui para fazer a tua vontade. E com Ele, eu, Maria e José, meu esposo. Eis-nos aqui, nós teus servos, senhor! Seja feita sempre por nós, em toda a hora e em todos os acontecimentos, a tua vontade, para a tua glória e pelo teu amor".Depois, Maria se inclina e diz: "Pega-o, José", e lhe oferece o Menino."Eu? E tu o entregas a mim? Oh! Não! Eu não sou digno". José está completamente apavorado, e se sente aniquilado, só diante da idéia de ter que tocar em Deus.

Mas Maria insiste com ele, sorrindo: "Tu és bem digno disso, sim. Ninguém o é mais do que tu. Por isso é que o Altíssimo te escolheu. Toma-O, José, e segura-O, enquanto eu vou buscar as roupinhas."

José, vermelho como escarlate, estende os braços e pega aquele embrulhinho de carne que está gritando de frio, e quando já está com Ele nos braços, não se deixa mais levar pela vontade de tê-lo afastado do corpo pelo respeito, mas o aperta ao coração, dizendo numa grande explosão de pranto: "Oh! Senhor! Oh! meu Deus!".

Ao inclinar-se para beijar-lhe os pezinhos, percebe que eles estão frios e, então, senta-se no chão e o põe em seu colo e, com a veste marrom e com suas mãos, procura cobri-lo, aquecê-lo e defendê-lo do vento frio da noite. Ele bem que gostaria de ir para perto do fogo, mas por lá passa aquela corrente de ar, que entra pela porta. É melhor ficar entre os animais que servem de escudo contra o ar, e que produzem calor. E, assim pensando, vai ficar entre o boi e o jumento, e se coloca com as costas para a porta, inclinando-se sobre o Recém-Nascido, fazendo do seu peito um nicho, cujas paredes laterais são: uma cabeça cinzenta com longas orelhas e um grande focinho branco, com um nariz que solta um vapor quente, e com os olhos úmidos e cheios de bondade.

Maria abriu o baú, e dele tirou linhos e cueiros. Depois foi para perto do fogo e aqueceu os paninhos. Agora Ela vai a José, envolve o Menino naqueles tecidos mornos e no seu véu para proteger-lhe a cabecinha.

"Onde vamos colocá-lo agora?", ela pergunta.

José está olhando ao redor, pensativo...

"Espera", diz ele. "Vamos afastar os animais um pouco para lá, e o feno deles também. Depois jogamos para baixo aquele feno que está lá em cima e o colocamos aqui dentro. A madeira da beirada protegerá o Menino do ar frio, o feno lhe servirá de travesseiro, e o boi com seu hálito o aquecerá um pouco. Para isso é melhor o boi. Ele é mais paciente e sossegado". E José põe mãos à obra, enquanto Maria nina o seu Menino, apertando-o ao coração, e conservando sua face sobre a cabecinha para dar-lhe mais algum calor.

José atiça o fogo, sem economizar mais a lenha, para conseguir uma boa chama, esquentar o feno, e à medida que o vai enxugando, para que não se esfrie, o vai colocando no peito. Depois, quando já apanhou o bastante para fazer um colchãozinho para o Menino, vai até à manjedoura e o põe, de modo a tomar a forma de um pequeno berço.

"Está pronto", diz ele. "Agora precisaríamos de uma coberta, para cobrir o Menino, pois o frio está forte."

"Toma o meu manto", diz Maria.

"Mas tu ficarás com frio"

"Oh! Não faz mal! O cobertor é áspero demais. O manto é macio e quente. Eu não tenho frio algum. Mas quero que Ele não sofra mais!".

José pega, então o grande manto de lã macia, de cor azul clara, e o coloca dobrado sobre o feno, com uma beirada que fica pendurada para fora da manjedoura. Assim, o primeiro leito do Salvador ficou pronto.

 a Mãe, com passos cheios de graça e de doçura, o leva e lá o coloca com a beirada pendente do manto, ajeitando-o também ao redor da cabecinha descoberta que já começou a afundar-se no feno, protegida contra sua aspereza apenas pelo leve véu de Maria. Permanece descoberto somente o rostinho do tamanho do punho de um homem, e os dois, inclinados sobre a manjedoura, o ficam olhando felizes, enquanto Ele dorme o seu primeiro sono, porque o calor bom dos cueiros e do feno lhe acalmou o choro, e o doce Jesus conciliou o sono.

Maria diz:

"Eu te havia prometido que Ele te traria a paz. Estás lembrada da paz que havia em ti nos dias de Natal? De quando Me vias com o Meu Menino? Aquele era o teu tempo de paz. Agora é o teu tempo de sofrimento. Mas tu o sabes. É no sofrimento que se conquista a paz e toda graça para nós e o próximo. Jesus-Homem revelou-se Jesus-Deus, depois do tremendo sofrimento da Paixão. Revelou-se como a Paz. Paz no Céu, do qual Ele tinha vindo, derramada sobre aqueles que no mundo O amam. Mas, nas horas da paixão, Ele, a Paz do mundo, foi privado dela. Não teria sofrido, se tivesse tido a paz. Mas devia sofrer. Sofrer de modo completo.

Eu, Maria, redimi a mulher com a minha maternidade divina, Mas isso não foi mais que o início da redenção da mulher. Negando-me todo prazer de concupiscência, e merecido a graça de Deus. Isso, porém ainda não bastava. Porque o pecado de Eva era uma árvore de quatro ramos: soberba, avareza, gula e luxúria. Todos os quatro deviam ser cortados, a fim de esterilizar a árvore desde as raízes.

Humilhando-me profundamente, eu venci a soberba.

Humilhei-me diante de todos. Não estou falando da minha humildade para com Deus. Esta é devida ao Altíssimo por toda criatura. O Verbo de Deus a teve. Eu, uma Mulher, a devia ter. Mas terás já refletido por quantas humilhações da parte dos homens eu tive que passar, sem me defender de modo nenhum? Até José, que era justo, me havia acusado em seu coração. Os outros, que não eram justos, tinham pecado por murmuração a respeito do meu estado, e o barulho dessas palavras veio, como uma onda amarga, quebrar-se contra a minha natureza humana.

Foram estas as primeiras das infinitas humilhações que a minha vida, como Mãe de Jesus e do genero humano, me fizeram sofrer. Humilhações de pobreza, humilhações de uma fugitiva, humilhações pelas censuras dos parentes e amigos que, não sabendo a verdade, julgavam fraco o meu modo de ser mãe para com o meu Jesus, quando Ele se tornou jovem. Humilhações durante os três anos do seu ministério, humilhações cruéis na hora do Calvário, humilhações até em ter que reconhecer que eu não tinha com que comprar o lugar e os aromas, para a sepultura do Meu Filho.

Eu venci a avareza dos Progenitores, renunciando antecipadamente ao Meu Filho.

Uma mãe não renuncia nunca ao seu filho, a não ser que seja forçada. Se essa renúncia for solicitada ao seu coração pela Pátria, pelo amor de uma esposa, ou até pelo próprio Deus, ela sente o desejo de insurgir-se contra a separação. É natural. O filho cresce em nosso ventre, e nunca é completamente cortada a ligação que sua pessoa tem com a nossa. Mesmo depois de ter cortado o canal vital que é o cordão umbilical, sempre fica um elo espiritual, que nasce no coração da mãe, mais vivo e sensível do que o elo físico, o qual se introduz no coração do filho, esticando até à dor, se o amor de Deus, de uma criatura, da Pátria afasta o filho da própria mãe. Este elo se despedaça, dilacerando o coração, se a morte arrebata o filho de sua mãe.

Eu renunciei ao meu Filho, desde o momento em que O tive. Dei-O a Deus. Dei-O a vós. Eu me despojei do Fruto do meu ventre, para reparar o furto cometido por Eva, do fruto de Deus.

Eu venci a gula, tanto do saber como do gozar, aceitando saber unicamente o que Deus queria que eu soubesse, sem perguntar a mim mesma nem a Ele nada mais, além do que foi dito. Acreditei sem investigar. Venci a gula do gozar, porque neguei a mim mesma nem a Ele nada mais, além do que foi dito. Acreditai sem investigar. Venci a gula do gozar, porque neguei a mim mesma todo sabor de sensualidade. Pus minha carne debaixo dos meus pés. Confinei a carne, instrumento de satanás, colocando satanás debaixo do meu calcanhar, a fim de fazer da carne um degrau para aproximar-se do Céu. O Céu! Ele era a minha meta. Era lá que estava Deus. Deus, a minha única fome. Fome esta que não é gula, mas sim, necessidade abençoada por Ele, o qual quer que a tenhamos.

Eu venci a luxúria, que é a gula, convertida em voracidade, porque todo vício não contido conduz a um vício maior. A gula de Eva, além de reprovável em si mesma, a conduziu à luxúria. Não lhe bastou procurar a satisfação sozinha. Quis levar o seu delito até uma refinada intensidade, conhecendo e se fazendo mestra de luxúria para o companheiro. Eu inverti os termos e, em lugar descer, sempre subi. Em lugar de fazer descer, eu sempre atraí para o alto, e do meu companheiro, um homem honesto fiz um anjo.

Agora eu possuía Deus, e com Ele as Suas riquezas infinitas, apressei-me a despojar-me delas, dizendo: "Que seja feita a tua vontade para Ele e por Ele". Casto é aquele que se auto contém, não só na carne, mas também nos afetos e nos pensamentos. Eu devia ser a casta, para anular a impudica da carne, do coração e da mente. Não saí da minha reserva, para dizer a respeito do meu único Filho na terra e único Filho de Deus no Céu: "Ele é meu, e eu O quero".

Contudo, isso não bastava para obter para a mulher, a paz perdida por Eva. Aquela paz eu vo-la obtive aos pés da Cruz. Ao ver morrer Aquele que tu viste nascer. Ao sentir minhas entranhas sendo arrancadas, ao grito do meu Filho que estava morrendo, fiquei vazia de todo feminismo: não mais carne, mas anjo. Maria, a virgem desposada com com o Espírito, morreu naquele momento. Ficou a mãe da graça, aquela que do seu tormento gerou e vos deu a Graça. O gênero da mulher que eu tinha voltado a consagrar na noite de Natal, aos pés da Cruz conseguiu se tornar criatura dos Céus.

Fiz isso por vós, negando-me qualquer satisfação, ainda que santa. Eu fiz de vós, se o desejais, santas de Deus, vós que fostes reduzidas por Eva a fêmeas não superiores às companheiras dos animais. Por vós eu subi. Como fiz com José, eu vos levei para o alto. A rocha do Calvário é o Meu Monte das Oliveiras. Foi dali que eu tomei o impulso para levar a alma da mulher aos céus, de novo santificada, junto com minha carne glorificada, por ter trazido o Verbo de Deus, e anulado em mim todo vestígio de Eva. Ela foi a última raiz daquela árvore dos quatro ramos venenosos, com a raiz fincada na sensualidade, que arrastou a humanidade à queda e que haverá de morder as vossas entranhas, até o fim dos séculos, até a última mulher. De lá, de onde agora eu brilho no raio do Amor, eu vos chamo, e vos indico o remédio para vós vencerdes a vós mesmas: a graça do Meu Senhor e o Sangue do Meu Filho.

E tu, minha porta-voz, repousa a tua alma na luz desta aurora de Jesus, a fim de que tenhas força para futuras crucificações, que não te serão poupadas, porque te queremos aqui, para onde se vem através da dor; e para tão mais alto se vem, quanto mais se suporta o sofrimento, a fim de obter graça para o mundo.

Vai em paz. Eu estou contigo".

(Excertos do Primeiro Livro: O Evangelho como me foi revelado, onde Nosso Senhor e Maria Santíssima revelam Suas Vidas a Grande Mística Maria Valtorta, das paginas 167 a 175.)

Os especialistas



Não faltam especialistas no mundo, estão em todas as partes, sempre se antecipam ao seu comentário e selam sua sabedoria esplêndida diante de estupefatos ignorantes que somos. Vejamos alguns casos que comprovam com larga veracidade este raciocínio - atenção - não sei se estou certo disto, pode ser que esteja equivocado, afinal não sou um especialista em especialistas.

Na Feira Livre:
Aqui há uma supremacia de gênero. Mulheres raramente dão palpite na compra das outras pessoas. Homens geralmente sempre se intrometem a sua escolha, falam que está ruim, que a procedência não é boa, que a aparência está doentia, etc. Alguns batem na fruta, legume ou tubérculos e provam que o som emitido indica mal estado interior.

No Supermercado:
Mulheres são especialistas na relação preçoXqualidade e homens são especialistas na relação qualidadeXsabor/prazer. Mas raramente opinam nas compras de outras pessoas, contrariamente às Feiras Livres. 

Nas Concessionárias de Automóveis
Nunca leve um mecânico numa concessionária. É como ler a bula do seu medicamento.

Nos Restaurantes
Clientes habituais tendem a comer sempre a mesma coisa. Não servem de parâmetro. Restaurantes exigem muita concentração para o bom prato. Gosto, Paladar, Cheiro, Sensações, Cores, Sensualidade da comida no prato, combinações, etc. são de cunho estritamente pessoal. Não confie em especialistas deste ou daquela ambiente.

Na Moda
Especialistas nesta área vivem o conflito do consumo consciente desta geração Milênio/XXI. Tudo pode, tudo cai bem, tudo contrasta e tudo combina, menos a mais famosa cor top dos tops da alta moda descolada, encontrada nas roupas, cabelos, acessórios e sapatos -  a Cor Magenta, que não existe no espectro. É apenas uma ilusão provocada na visão entre os cones receptores de vermelho e azul, que interpretam como a ausência de verde, sua cor complementar. Mas especialistas vão jurar para você que ela existe, por que você a vê, ou não, mas não interessa, é sua mente criando a moda.

É isto aí!





domingo, 20 de dezembro de 2020

O ciclo do aro da vida.


João Terêncio noivou com Ritinha até as 21H59min, levantou-se como um enfardado em toque de alerta, bateu continência e partiu para a rua. Subiu na sua Phillips 1937, de aro 28 com pneus Dunlop com câmara, lanterna e dínamo Miller, a tempo de dar adeus, com um leve aceno, para a amada.

Tomou rumo da Avenida dos Ipês, passou pela Matriz, contornou a prefeitura, desceu a Ruinha da Víúva, atravessou o Beco do Borges e chegou na Casa Bastira, local onde os ricos, coronéis e mandatários se reuniam à noite para beber e se divertir entre e  com as moças da casa.

Era crooner e tocava Sax na banda. Nos intervalos namorava com Bendita, uma mocinha linda perdida por um doentio antro familiar. Jurava todas as as noites tira-la dali. Deu-se que apaixonou pela moça e não sabia como terminar com Ritinha, marcada para casamento dali a seis meses, no insubstituível maio.

Numa noite de estrelas e lua nova, chamou Bendita nos fundos, mostrou a rua e a bicicleta, ela sentou no quadro e fugiram para local incerto e não sabido, até chegarem no Rio de Janeiro, onde foram felizes para sempre, por alguns anos, até que reencontrou Ritinha no Cassino da Urca.

João Terêncio deu de apaixonar pela ex-noiva, que deu corda até ele se perceber envolvido com ela numa casa instalada no Meier. Numa noite de chuva e ventos fortes saiu sem rumo até se ver distante de tudo. Voltou para sua terra natal, onde já não existia mais a Casa Bastira, tudo estava abandonado, a Rua do Comércio colapsada, a casa onde nasceu e cresceu, abandonada e o mato tomando conta das praças. 

Decidiu não se apaixonar mais, até conhecer Lua Clara e viveram felizes para sempre, até ver Bendita descendo do ônibus na Praça da Matriz ...  

É isto aí!