quarta-feira, 6 de março de 2024

Cartas Avulsas VIII



Reino da Pitangueira
Terra Redonda&Azul
Lua Minguante (nascendo às 01:32)
Sistema Solar
Via Láctea
Zona Sul

Não é fácil escrever uma carta para você neste meu silêncio estrondoso de criação, e eu, a debalde, sei que você sabe que eu acho isto tudo uma coisa tão normal quanto seres de Andrômeda  tomando banho de sol numa praia de terras raras, banhada por ácidos cáusticos, sob neblina tóxica (aos mortais humanos). Há de advir de uma dimensão ainda a ser descoberta uma solução para meus absurdos, toscamente redundantes. 

Ocorreu-me num átimo de memória relembrar Camus¹, o filósofo do absurdo, que disse: "O absurdo nasce desse confronto entre o apelo humano e o silêncio irracional do mundo." Lembrei disto agora, quando disse dos meus absurdos redundantes. Meu orientador de Filosofia ensinou-me que uma verdade filosófica ao ser exposta a uma criança de sete anos, ela deverá compreender, senão está falso o argumento. 

Estou vendo pela janela do pensamento as coisas que fluidificam na modernidade. Caminhamos para um mundo que não consigo imaginar, daqui a 40 anos não estarei mais aqui, talvez você também não esteja mais aqui, e este planeta estará totalmente modificado. Hão de haver ainda cartas? Não sei, mas no fundo no fundo creio que o caos sobrepõe o caos só para parecer que tudo muda, mas absurdamente nada se modifica, só para sacanear.

É isto aí!


¹CAMUS, Albert. O mito de Sísifo. Tradução de Ari Roitman e Paulina Watch. 9°ed. Rio de 
Janeiro: BestBolso, 2017 


Música: Oblivion 
Compositor: Astor Piazzolla
Fonte Youtube


sábado, 2 de março de 2024

A fuga do tempo



Você vai lá

e volta triste

para e pensa

tem nada aqui

acho que vou

voltar mas

não quer partir


então revolta 

nada compensa

ficar mal aqui

em triste malta

mas não quer

fugir de si.


É isto aí!


sexta-feira, 1 de março de 2024

Poesia (Alguma poesia) Carlos Drummond de Andrade




Poesia (Alguma poesia)

Carlos Drummond de Andrade


Gastei uma hora pensando em um verso

que a pena não quer escrever.

No entanto ele está cá dentro

inquieto, vivo.

Ele está cá dentro

e não quer sair.

Mas a poesia deste momento

inunda minha vida inteira.



“Alguma Poesia“ é o primeiro livro de Drummond, que foi lançado quando o poeta tinha apenas 28 anos, em 1930.  

Fonte da imagem: Monrovia

Cartas Avulsas VII


Reino da Pitangueira
Terra Redonda&Azul
Lua Balsâmica (nascendo às 21:57)
Sistema Solar
Via Láctea
Zona Sul

Poderia ficar horas escrevendo sobre nada, pensando nas possibilidades e variáveis de ser e existir em pelo menos duas dimensões distintas e conviver com esta realidade de forma a evoluir para uma capacidade de dominar percepções conscientes do que acontece e do que rodeia minha existência nos três níveis. É só uma suposição. Nada grave, eu acho.

Ter percepções conscientes pressupõe um subentendido de que sei exatamente tudo que preciso saber sobre a minha consciência, mas onde mora a minha consciência? O que ela faz? Como ela faz? E por que ela faz? Toc Toc Toc ... olá!!! Alguém aí dentro? 

Segundo o Oráculo Cibernético, para o professor Johnjoe McFadden, da Universidade de Surrey, na Inglaterra, a consciência está (ou deveria estar NT) na energia eletromagnética gerada pelos impulsos elétricos que ocorrem entre os neurônios.  Sua hipótese científica foi publicada no periódico Neuroscience of Consciousness

Procurados, o Real Comitê da Consciência da Pitangueira procurou fazer uma síntese da sinopse do resumo da hipótese científica, produzindo um resumo peculiar, que obteve autorização de sigilo por cem anos, para evitar uma histeria coletiva. 

Já o Dr. McFadden em comunicado oficial, afirmou:

“Como a matéria cerebral se torna consciente e consegue pensar é um mistério que tem sido ponderado por filósofos, teólogos, místicos e pessoas comuns por milênios. Eu acredito que esse mistério foi agora resolvido, e que a consciência é a experiência dos nervos se conectando ao campo eletromagnético autogerado do cérebro para conduzir o que chamamos de 'livre arbítrio' e nossas ações voluntárias",

Nota do rodapé do Colegiado Real dos Gênios do Reino da Pitangueira: Entendi nada, mas as palavras estão muito bem colocadas. Agora vá e tome consciência da sua consciência antes que um campo eletromagnético lance mão.

É isto aí!

quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Cartas Avulsas VI




Reino da Pitangueira
Terra Redonda&Azul
Lua Balsâmica
Sistema Solar
Via Láctea
Zona Sul

Postei no vídeo anterior a música "Sonho Impossível", lindíssima, produzida (letra e melodia) pelo músico nova-iorquino Joe Darion (1917 - 2001). Já era famoso letrista de teatro musical americano, e ganhou fama mundial pela música Man of La Mancha , traduzida e adaptada para o português por Chico Buarque de Holanda. Se desejar a versão brasileira ouvir na voz belíssima de Maria Bethânia, clique aqui.

O fato curioso é que o musical é apresentado em um único cenário que sugere ser uma masmorra. Todas as mudanças de localização são criadas por alterações na iluminação, pelo uso de adereços supostamente espalhados pelo chão da masmorra e pela confiança na imaginação do público. Algumas produções mais recentes acrescentaram mais cenários. 

Diante disto, percebe-se que não se trata de uma versão musical de Dom Quixote, já que nela conta-se a história do cavaleiro "louco" Dom Quixote como uma peça dentro de uma peça, representada por Cervantes e seus companheiros de prisão enquanto aguarda uma audiência com a Inquisição Espanhola.

As palavras "Sonhar o sonho impossível, Sofrer a angústia implacável, etc.," são do musical "O Homem de La Mancha" (Man of La Mancha), portanto, não serão encontradas em nenhum capítulo específico do livro de Miguel de Cervantes, "Dom Quixote", mas sim na trilha sonora do musical.

Onde quero chegar nesta caminhada?
Gosto de perceber na peça teatral, que ficamos presos na masmorra do tempo, das dores da vida, mas mas mesmo assim não finda o desejo de sonhar um sonho impossível, seguido de outro, de outro, de outro, de outro ... impossível sonho.

Essa é a minha busca.

É isto aí!

Sonho impossível (Chico Buarque/Joe Darion)

 


Fonte Youtube: Arranjo e Regência : Júlio Battesti



Sonho Impossível (Chico Buarque / Joe Darion)

Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder

Vencer
O inimigo invencível
Negar
Quando a regra é vender

Sofrer
A tortura implacável
Romper
A incabível prisão

Voar
Num limite improvável
Tocar
O inacessível chão

É minha lei, 
é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão

Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz

E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão

E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

Composição: Chico Buarque / Joe Darion.


 

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Cartas Avulsas V



Reino da Pitangueira
Terra Redonda&Azul
Lua Balsâmica
Sistema Solar
Via Láctea
Zona Sul

Recebi a mensagem de uma leitora que apresenta-se como "Moça fiel do Reino da Pitangueira". Fez elogios, disse que gosta muito de vir aqui, pediu para não publicar a mensagem original e deixou cinco perguntas, das quais sugeriu que eu escolhesse pelo menos  três para responder, conforme minha livre escolha:

1 - O que aconteceu com o blog nesta semana final de fevereiro?

2 - Cadê as "Cartas de Amor" antigas? 

3 - Por que as cartas avulsas (gostei do estilo) são numeradas se são avulsas?

Vamos às considerações que preenchem a lacuna entre as perguntas e as respostas:

Considerando que na astronomia estamos na fase lunar da Lua Balsâmica, que ocorre nos últimos dias do ciclo lunar, imediatamente antes da Lua Nova e que durante essa fase, a Lua vai diminuindo em tamanho aparente no céu, parecendo minguante;

Considerando que a Lua Balsâmica é um momento celestial propício para deixar ir o que não é mais necessário em nossas vidas, para finalizar projetos pendentes e para preparar-nos a um novo ciclo que começa com a Lua Nova;

Considerando o ensinamento do Mago da Pitangueira de que esta ocasião lunar é associada à conclusão, reflexão e liberação dos obstáculos da vida;

Considerando que a Lua Balsâmica é um período de limpeza emocional, de introspecção e de libertar-se de padrões ou situações que não estão mais servindo ao nosso crescimento;

Considerando que é um momento para descansar, recarregar energias e se preparar para o renascimento que ocorre com a Lua Nova; 

Vamos lá concluir, refletir e liberar as informações e reclames da Moça fiel do Reino da Pitangueira: 

Respondemos aos seus reclames:

1 - O que aconteceu com o blog nesta semana final de fevereiro?
    Meu desejo era dar uma repaginada e reformular todo o projeto Pitangueira, mas refleti melhor, vi o tamanho do desafio e vou aguardar mais para frente; então, por enquanto, deixarei como está.

2 - Cadê as cartas de amor antigas? Vai republicar? 
   O Real Serviço Postal do Reino da Pitangueira informa que estão provisoriamente guardadas. 

3 - Por que as cartas avulsas (gostei do estilo) são numeradas se são avulsas?
      Padronização organizacional da Pitangueira, simples assim. 

É isto aí!

     





terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Cartas avulsas IV




Reino da Pitangueira
Novo Mundo
Planeta Terra&Lua
Via Láctea
Zona Sul

Perdi uma palavra no caminho até esta carta. Engraçado isto, porque ela parecia-me tão óbvia, tão clara, e de repente sumiu, assim, no vazio existencial (ou não), mas mesmo assim vazio, agora preenchido pela palavra perdida. 

Quantas cosias mais perdi na jornada da vida, assim mesmo, por burrice, por raiva, por  ciúmes, por má formação congênita de ferramentas emocionais melhores. Hoje sei o nome de cada dor, de cada emoção negativa, mas até ontem achava que aquilo era eu num livre arbítrio. Levei anos para descobrir que livre arbítrio só funciona em sonhos lúcidos. O resto é dor.

Outro dia assisti uma palestra onde o ser iluminado disse laconicamente: Suas emoções o dominam porque o seu lado emocional sequestra, literalmente, o neocórtex, a área cerebral responsável por regular o seu comportamento. As consequências, nem sempre são as melhores. Pensei comigo - caramba, este cara merece o Nobel, salvou o mundo das neuroses e dores e cruzes e sofrimentos e mágoas e traumas e desumanidades e tudo o mais que dói.

Também já li em lugar incerto  não sabido que são as crenças limitantes, este mal que está levando o planeta ao caos, promovido pela evocação do passado, ou até mesmo de memórias ocultas ou uma memória traumática da primeira infância. Acho, do tipo achismo literal, cultural e randomizado de que estes são os principais motivos, pelo qual esqueci a palavra. Ou não? Pode ser ato falho, vai saber ... vai saber ...

Na verdade, na verdade, como já disse o eu-poeta:

tem dia 
que tudo 
que a pessoa 
precisa 
é da outra 
pessoa

com cafuné 
no cabelo
afago na face
beijo apaixonado
e um abraço 
apertado

É isto aí!



sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

Cartas avulsas II




Reino da Pitangueira
Minas Geraes
Planeta Terra&Lua
Via Láctea
Zona Sul

A carta II que fora reescrita no futuro do presente, mas que de fato estava no futuro do pretérito do indicativo, referia-se à vida que poderia ter acontecido posteriormente ao pretérito, expressando incertezas prestimosas, surpresas alegres e dignação à vida.

Imagine um pretérito perfeito. Então saiba que ao imaginar assim, desta maneira, a partir dai todos e quaisquer verbos conjugados no pretérito perfeito do indicativo indicariam que a ação verbal aconteceu num determinado momento do passado, tendo o seu início e o seu fim no passado. Este é o ponto da nódoa, da mágoa, da tristeza: indicariam, dito assim desta maneira, no futuro do pretérito.

Perpetuamos a inflexibilidade diante do direto natural das coisas, afinal, se até a obliquidade da eclíptica possui variação de ângulo, fazendo com que a radiação solar chegue de forma diferente em cada hemisfério terrestre de tempos em tempos, provocando as variações glaciares, que são períodos de longos verões e longos invernos, por qual motivo não seguimos o curso natural das coisas?

Ocorreu-me, como uma explicação natural: a de que nos perdemos no deslocamento do periélio, no exato instante que o movimento dos nossos destinos sofreu uma inefável variação da órbita dentre nós.

É isto aí!




quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Santo de casa


Título do quadro: O Violeiro (1899)
Autor: José Ferraz de Almeida Jr. (1850-1899). Pintor brasileiro. 
Pinacoteca do Estado de São Paulo. Brasil.
Fonte da imagem: Wikipédia

 Zefa!!! Ô Zefa!!

Que foi Zé?

Zefa, faz favô de olhar na folhinha dos sagrado coração de Jesus, de que Santo que é hoje o dia?

Tem isso na folhinha, Zé?

Claro que tem, sô. Olha lá prá nós.

Mas que melda, eu cheia de serviço, você bonitão aí na viola atrapalhando meu dia.

Pode deixar, Zefa.

E pode pelo meno me dizer o causo do porque queria esta informação?

Nada não Zefa, bobagem minha.

Oia aqui, Zé, vai falando que já estou ficando esbaforida. E olha esta vassoura na mão, louquinha para te dar de pau nas costas.

Misericórdia, Zefa, então eu conto, mas você tem que prometer guardar segredo.

E eu lá sou muié de espalhar fofoca, homi?

Jura mesmo que não vai contá prá sua mãe, suas irmãs e sua cumadre?

Nossa, Zé, mas o que é este cerceamento de diálogo? Nem prá mãinha? Nem prá cumadi Zenólia? Misericórdia. Quero saber mais não. Deve ser até - modi dizer - estes pecado que andam por aí. 

Eu sabia, Zefa, que ocê já lá ia contá tim tim por tim tim

E daí? Mió contá do que calar das novidades na roça. E não é fofoca, é uma rádio de ondas curtas, que só fica ali entre nós e onde atualizo as coisa.

Zefa, num tem segredo secreto. Sua mãe tem as irmãs dela e as cunhadas, sua irmãs tem amigas, a cumade então é mais conhecida que pé de mamona. 

Nossa, Zé, inté parece que estamos falando para o mundo todo...

Ainda não, Zefa, mas vai chegá este tempo ...

É isto aí!


A Bela Adormecida da Pitangueira


Lembro que era um sábado de maio, o casamento seria na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Candeias, às 16 horas. Ocorreu que do entardecer da sexta-feira até a alvorada do sábado, convidados, parentes, amigos e desconhecidos entravam e saiam da casa  ininterruptamente, para comer e beber até atingir o limite da gula.

Naquela noite ninguém dormiu. Bandinha no forró sob o céu de maio animava a festa e espalhados em mesas enormes, sob tendas, no quintal, estavam as comidas, pratos e talheres. Uma mesa guardava leitão, carneiro, galinha caipira, carne bovina, linguiça, carne defumada, torresmo,  miúdos diversos, molhos, vinagretes e pão. Era a mais requisitada delas , com um ir e vir da cozinha incessante. 

Em outra mesa, caldeirão de arroz, caldeirão de feijão, tropeiro, farofas, batata de tudo quanto é jeito - palha, purê, inteira, empanada, em conserva, etc.. Salada fria, salada crua, salada de alface, salada de frutas, salada com pimenta, salada com frango desfiado, etc.. Nas pontas estavam salgadinhos pedindo para serem devorados e pela facilidade de acesso, eram consumidos às dúzias. 

Na última mesa havia pudim de caçarola, pudim de paçoquinha, quentão, bolo de milho com cobertura de chocolate, broa de milho, pé de moleque, canjica, canjicão, bolo de laranja, de limão, de cidra, cocada aranha, cocada preta, cocada branca, cocada com leite condensado, balas diversas, bombons e frutas cristalizadas, além do sorveteiro, do pipoqueiro e do algodão doce.

Num balcão da enorme varanda, dando para os fundos do sobrado, estavam as bebidas como chopp, cachaça, vinhos, refrigerantes, água mineral com e sem gás, destilados diversos. De maneira incrivelmente anômala, as pessoas se dirigiam às mesas das comidas, doces e bebidas por múltiplas vezes e depois dançavam, comiam, cantavam, bebiam, conversavam e se divertiam freneticamente.

Sete horas da manhã do sábado chegaram as meninas do salão. Os noivos ainda brindavam o dia tão esperado, já dominados pelo álcool. A bandinha ainda tocava com todo o gás. A noiva foi colocada num quarto do segundo pavimento, as madrinhas e a mãe em outro quarto e ficaram ali sob os cuidados da beleza até as 14 horas aproximadamente.  

Quando deu por volta das 15 horas, chegaram os táxis, ubers, etc, numa fila enorme, e começaram a levar os convidados, as testemunhas, as madrinhas, os padrinhos, as crianças, o coral, os arranjos, as cestinhas com pétalas, o noivo, a família do noivo, os convidados idosos, etc., esvaziando a casa, trancada pelo pai da noiva, que acompanharia a filha na limusine do Dr. Zequinha.

16 horas e trinta e seis minutos  - toca a marcha nupcial - todos se levantam e olham para a porta que dava para a praça. Alarme falso, era uma convidada atrasada. O zum zum zum do descontentamento começa devagar e vai num crescente. Cadê a noiva? Cadê a noiva? Cadê a noiva?  O pai vai ao microfone e pede calma, com certeza aquilo logo seria resolvido. Eu tenho certeza que ela veio, pois estávamos juntos eu e o Dr Zequinha Moreno, que a trouxe no seu automóvel. 

17 horas, a igreja vai se esvaziando. Uma a uma, as famílias saem algumas curiosas, outras preocupadas enquanto desaguava a maior chuva já vista na cidade em pleno maio. O noivo teve uma crise de pânico e foi levado ao hospital. 

Dr. Zequinha, ao chegar em sua residência sob chuva torrencial, numa cidade a cerca de uma hora da Matriz, resolveu abrir a porta de trás para dar mais uma conferida. Talvez encontrasse alguma pista do desaparecimento, um bilhete, um sinal, qualquer coisa. Mais que isto, deparou-se com a noiva dormindo placidamente sobre os macios tapetes, no piso do carro, escondida entre os bancos, coberta com um paletó, que há muito estava esquecido e dado como perdido, aguardando, quem sabe, a oportunidade de esconder e aquecer a moça. 

É isto aí!

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Faltam palavras


Tudo bem, faltam as palavras, estas unidades da língua, situadas entre dois espaços vazios. Então agora sei pelo menos o que falta. Dia destes num pretérito perfeito dei por falta de mim quando saí da razão e mergulhei no esplêndido vazio total. Descobri que eu fazia muita falta, e tive que reiterar a união corpo/espírito/mente ao ver a burrice inútil da minha luta para continuar o plano de fuga.

Por raios de quais motivos que ficamos presos aos erros os mais ridículos da vida? A conclusão que chego é que não são os erros que ferroam o presente do indicativo, e sim os ridículos derivados deles. Isto nos vulgariza pela  somatória dos atos esquisitos, dos delírios estrambólicos, dos sonhos excêntricos, dos desejos extravagantes, enfim, para doer mais que obturação sem anestesia, não há uma maneira radical de evitarmos os pensamentos heteróclitos, insignificantes e risíveis.

Dia destes passei o tempo escolhendo as músicas com as quais dançaríamos por horas até até até (sim, muitos atés) lembrar que não danço dois passos seguidos em compasso. Sou uma nulidade com disritmia ao ser levado pelas melodias. Aí fiquei pós pensando em algo para entretê-la, hummmm. já sei - contar piadas.- só que não, afinal sou um analfabeto piadético. 

Como vê, hoje  faltam palavras. 

É isto aí!




segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Cartas avulsas III


Reino da Pitangueira
Minas Geraes
Planeta Terra&Lua
Via Láctea
Zona Sul

Preciso dizer-lhe que ocorre um déjà vu quando penso em você. Não somente acendo os refletores de saudade, como também revelo as diversas coisas da sua existência que validam tudo, simplesmente por ser e estar aqui, comigo, nesta geração Baby Boomer

Foi assim que, de relance, deparei-me pela primeira vez pensando em Albert Camus e seu imperdível discurso quando contemplado com o Nobel em 1957, que achei estar vinculando e interligando os pontos da nossa geração. 

Isto sim foi estranho. Pessoas do quilate de Camus estão há pelo menos dois anos luz à frente da minha capacidade de condecorá-la com palavras ágeis e bonitas.

Porém, não escreveria esta carta se já não a tivesse feito dentro de mim. Algo assim como o déjà vu explicitado entre um poema e uma canção. De tal forma que seria outra carta avulsa, mas a convicção revela-me que de alguma maneira incidiu a virtualidade sobre a realidade, na qual, por coerência com o delírio, acabou cedendo ao acaso.

É verdade que sempre tive aquela sensação de já ter visto ou vivido uma memória que está acontecendo entre um ponto determinado e aquele instante onipresente e trans dimensional. 

Desconhecia o significado da minha existência só porque ocorria sem você ao meu lado, embora ao longo dos anos, acessando diversas teorias científicas ou místicas, coerentes ou não, percebi ser inútil explicar o óbvio. Apenas penso em você e pronto. Há você dentro de mim.

É isto aí!








quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Discutindo relação



Tudo começou quando estava triste, pensando em Odete, a musa do Reino da Pitangueira, e nas pequenas tragédias pessoais que vão se acumulando dia após dia. Então a vida é assim mesmo, filosofei, nós outros é que somos teimosos e ingênuos.

No youtube o conjunto The Mills Brothers cantava repetidamente You Always Hurt The One You Love. Acabei adormecendo na poltrona e mais uma vez ela apareceu no sonho, e no somatório das antecedências e consequências, misturei letra, música, diálogos reais e oníricos, e ficou assim a discussão da nossa relação etérea:

- Você é tão bonita, Odete. Estamos juntos a tantos anos ... Preciso perguntar: você realmente me ama?

- Hum, primeiro o afago na minha vaidade e depois a busca da resposta que o incomoda tanto.

- Como pensei; você sempre magoa aquele que você ama.

- Uau, bastante perspicaz sua visão de quem sou eu nesta relação.

- Vê agora? Não consegue olhar nos meus olhos, aquele que você não deveria magoar jamais.

- Então é isto? Você é a vítima da megera das relações complicadas?

- Você me ama? Sim ou não?

- O que o faz ter tanta necessidade desta resposta? Se eu disser sim, terá dúvidas eternas. Se disser não, passará a vida acreditando que era um sim invertido só para castigá-lo e mantê-lo sob minha malvada guarda passional

- Você não tem sentimentos. É uma mulher capaz de pegar a mais bela rosa e esmaga-la até que as pétalas caiam, só pelo prazer de vê-la perder sua beleza.

- Puxa vida! Então é assim que você me vê? Palavras duras não mudam o mundo, mas sim atos e ações.

- Veja só agora esta cena, por exemplo, onde você, diante dos meus sentidos e sentimentos expostos, está a perscrutar meu mais íntimo amor utilizando da técnica peculiar de quebrar meu coração.

- Cuidado com as palavras apressadas, moço, das quais você não lembrará amanhã, pois se eu parti seu coração nesta noite mal passada, é porque eu te amo acima de tudo.

É isto aí!

You Always Hurt The One You Love
Cantoers: The Mills Brothers
Autores: Allan Roberts / Doris Fisher.
Fonte: Letras

You always hurt the one you love
The one you shouldn't hurt at all
You always take the sweetest rose
And crush it till the petals fall

You always break the kindest heart
With a hasty word you can't recall
So if I broke your heart last night
It's because I love you most of all

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Cartas avulsas I


Os Amantes II. René Magritte. 1928 – Óleo sobre tela 

Cartas avulsas I

Reino da Pitangueira
Planeta Terra&Lua
3° do Sistema Solar
Via Láctea, Zona Sul

Na verdade, assim, dito na verdade mesmo, não sei o que escrever. Sim, sei, sou um canalha passional. Pelos arcanjos da redenção, isto é muita coisa, melhor reduzir a pena com pedido de perdão. Lembrei dia destes de você sorrindo, foi muito engraçado, tinha algo preso ao seu incisivo superior direito e sua meia estava com um furinho disfarçado de dobra.

Não que eu tenha notado assim, de pronto, mas o fato que você me anestesia de tal maneira que o tempo para, e minha mente fértil flui aos seus olhos ciganos. E, puxa vida, que delícia é olhar seus olhos ciganos arregalados. Sim, sei, você me proibiu dizer que é uma delícia. Tudo bem, acho que posso superar isto. 

O motivo de escrever-lhe esta carta é que não preciso de motivo para falar de você, com você ou desejando você, afinal estamos ainda num estado passional de direito. É um trem sobrenatural. Dia destes  acompanhei pelo pensamento sua caminhada para a sessão de ginástica. Confesso que tenho ciúmes daquele personal trainer, sei lá, acho ele meio engraçadinho demais para o seu lado.  

Falando em demais, estive quase atentado a provar daquele vinho que você gosta, mas achei que seria demais para mim. Em matéria de vinhos sou muito fiel ao meu gosto, por favor, não chore, nada pessoal, mas pelo menos estive com a garrafa na mão, enquanto na loja. Daqui  a pouco é Natal, hem.. muita coisa daqui até 25 de dezembro, inclusive nada. 

Um beijo


 


A absurda felicidade


Aos 
olhares
alhures
curiosos
de outrem 
levava uma
vida estranha

risível, 
jocosa, 
absurda,
ridícula, 
esquisita, 
excêntrica, 
heteróclita;
desregulada
estrambólica, 
extravagante.

E mesmo assim
estranhamente 
sempre feliz
nunca soube
que na vida
para existir
felicidade
precisava 
de rótulos.

É isto aí!

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Os amores complicados


É aquele amor que vinha na direção certa, tudo indicava que teria um final feliz, mas de repente desaparece sem deixar vestígios.

Signo mais afetado: Áries, devido à sua pressa em resolver tudo, atrelada à sua espontaneidade, coragem e energia, acaba errando na dose.
Trata-se de um imenso e perceptível  amor que acabou em silêncio, abandonado no deserto. 

Signo mais afetado: Touro, devido à sua mania de possessividade.

03 - Amor Stonehenge
É aquele amor esotérico bem alinhado, bem sólido, mas inexplicável e sem função. 

Signo mais afetado: Gêmeos, principalmente por causa da sua superficialidade e a inconsequência dos seus atos.

04 - Amor Atlântida
É aquele amor que todo mundo sabe que um dia existiu, mas ninguém sabe para onde foi. 

Signo mais afetado: Câncer; devido à sua emoção exacerbada e essa mania de muito apego ao passado.

Amor que só apareceu para dizer que existe e nunca mais outra vez. 

Signo mais afetado: Leão, pois ama plateias e aplausos, mas o orgulho e o autoritarismo favorecem este ato.

Amor tipo aquele que seja eterno enquanto dure, sozinho numa ilha.

Signo mais afetado: Virgem. Indeciso, cético e perfeccionista. Aí complica. 
É o Amor que olhando de fora para dentro é lindo, mas ninguém entende nada. Melhor deixar para lá. 

Signo mais afetado: Libra, afinal convive com a indecisão, mas também pode ter vaidade em excesso e comportamentos considerados de mau gosto.

08 - Amor Linhas de Nazca
É um Amor que olhando de longe e de cima, faz sentido, mas de perto não tem nada de interessante. 

Signo mais afetado: Escorpião. A chave aqui são os ciúmes, muito ciúme. Muita perspicácia, sexto sentido aguçadíssimo e vê perigo em tudo.
Amor que já acabou, morreu, findou, terminou, ficou lá atrás, ufa!

Signo mais afetado: Sagitário. Adora viajar tanto fisicamente quanto mentalmente, desligando da sua base e detesta ser aprisionado e ter limites. Gosta do passado e quando questionado, é debochado. 

10 - Amor Buraco Negro
Amor que visto de longe é lindo, mas ao cair no seu campo gravitacional, nem mesmo a sua luz consegue escapar de dentro dele. E fica esperando a nova vítima. 

Signo mais afetado: Capricórnio. Só ele está certo. Tem seus propósitos e metas bem definidos e pode ser frio nas relações e um tanto pessimista.

11 - Amor Himalaia 
Um Amor gigante e gelado, mas possui uma conexão intensa com a liberdade.

Signo mais afetado: Aquário. É idealista, dá preferência aos diálogos racionais, independente, radical e gosta de ser do contra só para ver como e' que fica. 

12 - Amor Oceânico 
É aquele Amor de poucas palavras, onde todo mundo acha que pode despejar suas lágrimas e rancores sobre ele e possui muita, mas muita imaginação. 

Signo mais afetado: Peixes. Devido à alta sensibilidade, é muito espiritualista e se ilude com tudo e com todos. acabando literalmente num oceano de sentimentos.  


É isto aí!


domingo, 11 de fevereiro de 2024

Nunca brigue com seu amor


Estava com raiva dela, bloqueei celular, redes sociais e o escambau - não queria perdoá-la até aquele noite. - Era início da madrugada, noite linda, sem lua e sem nuvens. Tive a vontade de ir ao quintal, nos fundos da casa, observar não sabia ainda bem o que. Céu limpo e clima frio neste alto da serra. Ouvi sua voz melodiosa dizer  - olhe para a esquerda. Virei o rosto e vi três objetos não identificados cruzando o céu em alta velocidade, sem barulho, deixando cada um deles, um  rastro de cor desconhecida, de tal maneira que não saberia identificá-las. 

Fui deitar meio preocupado e não consegui dormir, pelo menos acho que não. Aí ela me chamou pelo nome, abri os olhos e agora a via, era meu amor estava linda. Deu-me a mão e disse: vem. Como é linda o meu amor. Ao tocar na sua mão, ocorreu um flash, um clarão, num movimento de cores fantástico. 

Ela me beijou, fechamos os olhos e ao abrirmos, estávamos em York, a principal cidade do Norte da Inglaterra. Estava sob cerrado ataque na manhã do gelado 1° de novembro de 866, seguindo a estratégia padrão dos vikings descendentes do lendário viking  Ragnar Lodbrok de invadir, destruir e liquidar as vidas.  

Antes de presenciar o inevitável, ela apertou minha mão, levou-me a uma vila medieval no leste europeu. Eu sabia que era no leste europeu atual, mas era numa época que não existia esta definição. A Vila estava sendo atacada e dizimada por Gengis Khan. 

Nos abraçamos e quando abri os olhos estávamos na floresta de Ardennes, na Bélgica, próximos da Linha Maginot, exatamente no dia que o alemães invadiram a Bélgica. Olhei para ela em total desespero. Abraçou-me novamente e pediu para fecharmos os olhos. Tivemos uma crise de choro. 

Enquanto chorava, senti novamente a sensação de deslocamento temporal tocar-me. Ao abrir os olhos éramos prisioneiros dos xavantes no interior do Mato Grosso, na metade do século XVI, e nesta ocasião, lembro bem,  vivenciamos a experiência real e ao vivo das noites tapuias.  

Nunca mais brigo com ela. Vou comprar um monte de rosas vermelhas e vamos ver como e' que fica isso.


É isto aí!


Resposta ao Tempo (Aldir Blanc e Cristovão Bastos)


sábado, 10 de fevereiro de 2024

Açodamento da saudade


Quantas coisas 
já ditas, quantas
vidas passando; 
o tempo à mercê!

ora agonizantes,
ora frenéticas.

Será que o fácil
é fácil para todos?
Será que o difícil
é difícil para outros?

sonhando acordado
açodado em mágoas

Desejando o fim
da saudade árdua
chorando, sorrindo
sei lá ou sei nada.

É isto aí!


Autores: Léo Chauliac e Charles Trenet 
Banda de Swing Jazz: San Lyon 

I Wish You Love é uma canção popular francesa , com música de Léo Chauliac e Charles Trenet e letra de Charles Trenet.  Uma versão da música com letra em inglês intitulada " I Wish You Love " é reconhecível pela frase de abertura "I wish you bluebirds, in the spring".

Foi gravada pela primeira vez pela cantora francesa Lucienne Boyer em 1942 ( 78 rpm , Columbia Records : BF 68). Segunda gravada pelo cantor francês Roland Gerbeau em fevereiro de 1943 (78 rpm, Polydor Records : 524.830). Charles Trenet gravou sua própria versão em julho de 1943 (78 rpm Columbia Records: DF 3116).

A canção é mais conhecida como "I Wish You Love", com nova letra do compositor e letrista americano Albert Askew Beach (1924-1997): "I Wish You Love" foi introduzida em 1957 por Keely Smith como a faixa-título de seu álbum solo de estreia.

Tradução do Inglês para o Português por Letras (Postada por Rachael Yamagata; enviada por karina e traduzida por Mariana.)

Desejo-lhe Amor

Desejo-lhe passarinhos azuis na primavera
Para dar ao seu coração uma canção para cantar
E então um beijo
Mas mais do que isto
Desejo-lhe amor

E em julho uma limonada
Para refresca-la em alguma grande clareira
Desejo-lhe saúde
E mais do que riqueza
Desejo-lhe amor

Meu coração partido e eu concordamos
Que eu e você nunca poderíamos ter sido
Então com o meu melhor
O melhor de mim
Eu lhe deixo livre

Desejo-lhe abrigo da tempestade
Uma gostosa fogueira para mantê-la quente
Mas, sobretudo
Quando a neve cair
Desejo-lhe amor

I Wish You Love

I wish you bluebirds in the spring
To give your heart a song to sing
And than a kiss
But more than this
I wish you love

And in july a lemonade
To cool you in some leafy glade
I wish you health
And more than wealth
I wish you love

My breaking heart and I agree
That you and I could never be
So with my best
My very best
I set you free

I wish you shelter from the storm
A cozy fire to keep you warm
And most of all
When snowflakes fall
I wish you love

My breaking heart and I agree
That you and I could never be
So with my best
My very best
I set you free

I wish you shelter from the storm
A cozy fire to keep you warm
And most of all
When snowflakes fall
I wish you love
And most of all
When snowflakes fall

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

Cartas de Amor LXXXII


Reino da Pitangueira, 
Planeta Terra&Lua, 
3° do Sistema Solar, 
Via Láctea, Zona Sul

Querida, hoje estou zen

Então, por favor, fique calma. Isto ... inspire ... expire ... pare de rir ...

Sabe, tem noites que a mim parece natural caminhar ao seu lado pela superfície da Lua, ora andando, ora dançando, ora cantando. Aí ao percorrer toda a sua existência com meus cinco sentidos, lembro de um pequeno trecho do poema Esta é a forma fêmea, do Walt Whitman

Esta é a forma fêmea,
dela dos pés à cabeça emana um halo divino,
ela chama com ardente atração irrecusável,
sou absorvido por seu respirar como se não fosse mais
do que um vapor indefeso, tudo fica de lado
a não ser ela e eu,
os livros, a arte, a religião, o tempo, a terra sólida
e visível,
e o que do céu se esperava e do inferno se temia,
tudo se acaba,
estranhos filamentos, incontroláveis renovos
aparecem fora dela,
e a ação correspondente também incontrolável,
cabelo, peito, quadris, curvatura de pernas,
mãos displicentes
caindo todas difusas ...

Engraçado, porque sei que não é o poema da sua predileção, poderia ter lembrado de muitos outros, mas esta peregrinação lunar na fase minguante do outono, que acho mais romântica, apesar de você sempre preferir a Lua Cheia da primavera, levou-me a este caminho. 

Você me pergunta do que estou rindo. Olho nos seus olhos e não sei se posso contar. Quando mergulho nos seus olhos, vagueio pelos olhos da Catarina, a megera domada de  William Shakespeare, que cinco séculos depois seria enredo e daria origem ao filme "Dez coisas que odeio em você", de grande sucesso. 

Fico rindo e você curiosa, por que não sei de nada que faça odiar você. Mas sei que você preferiria a versão musical do filme, e eu gosto desta abaixo, mais intimista. 

Um cafuné no cabelo, 
um afago na face, 
um beijo apaixonado 
e um abraço apertado,
para nunca mais soltar

É isto aí!











































aaaaaaaaaaa