terça-feira, 11 de agosto de 2015

Da indiferença deste mundo

Envelhecer é bom e é ruim, assim como viver, dormir, andar, namorar, estudar e tantas outras coisas do ritual comum à todos os mortais. De tudo isto, só envelhecer é que é para sempre, o resto passa, como o primeiro amor, a primeira emoção, o primeiro beijo e tantas outras experiências que começaram ou terminaram no primeiro ato.

A fração ruim de envelhecer é a indiferença, e é ela a coisa a ser combatida. Provoca depressão, tristeza, desânimo, atritos familiares, sociais, espirituais e tantas outras coisas visíveis ou invisíveis. A indiferença é um dos poucos males que promove o óbito mantendo os sinais vitais. A pessoa está tecnicamente viva, mas não pertence mais a este plano. Este é o vírus letal da humanidade, e o pior, é um ato unica e exclusivamente humano.

Já que falei nisto, vou postar Cecília Meireles e seu belíssimo poema

Como se morre de Velhice (publicado em 1957)

Como se morre de velhice 
ou de acidente ou de doença, 
morro, Senhor, de indiferença. 

Da indiferença deste mundo 
onde o que se sente e se pensa 
não tem eco, na ausência imensa. 

Na ausência, areia movediça 
onde se escreve igual sentença 
para o que é vencido e o que vença. 

Salva-me, Senhor, do horizonte 
sem estímulo ou recompensa 
onde o amor equivale à ofensa. 

De boca amarga e de alma triste 
sinto a minha própria presença 
num céu de loucura suspensa. 

(Já não se morre de velhice 
nem de acidente nem de doença, 
mas, Senhor, só de indiferença.) 


É isto aí!

Querido diário

Naquela tarde ela escreveu no seu diário:

Querido diário, hoje estou triste, muito triste. Ele me evitou o dia todo.

Naquela tarde, no Bar do Afonsinho, Armandinho disse ao Nestor:

Sabe aquela magrelinha ruiva e esquálida da rua da padaria? Rapaz, que mulherzinha chata. Ficou de marcação dia todo e eu dando uma de bobo sem parar. Que saco!

Naquele sábado ela escreveu no seu diário:

Querido diário. Estou arrasada. Hoje ele passou de mãos dadas com aquela vadia da Irene.

Naquele sábado, no Bar do Afonsinho, Armandinho disse à Irene:

Nossa, como você é gostosa...

Naquela segunda-feira ela escreveu no seu diário:

Querido diário. Estou cada vez mais convencida que ele me ama e ainda não sabe disto.

Naquela segunda, na pelada com a turma, disse ao Nestor.

Cara, aquela ruivinha é um saco. Fica me cercando o tempo todo. Que mulherzinha chata!.

Naquela quarta-feira ela escreveu no seu diário:

Querido diário. Hoje conheci um anjo e o nome dele é Nestor.

Naquela quarta-feira, no Bar do Afonsinho, ele perguntou ao Nestor:

E aí, te vi com a ruiva. Comeu? Aguentou a nhaca? É verdade o que dizem sobre as ruivas?

Naquele sábado ela escreveu no seu diário:

Querido Diário. Nestor me mandou rosas e me convidou para sair... depois te conto.

Naquele sábado, no bar do Afonsinho, procurando pelo Nestor:

Nossa, Irene, como você é gostosa. É como eu falo, se não tem onde ir, vá de Irene ...

Naquele domingo ela escreveu no seu diário:

Nem te conto nada, que príncipe, que cavalheiro, que encanto de pessoa. Estou apaixonada!!

Naquela quinta-feira, na casa da Irene:

Irene, a gente está ficando muito ... estamos tendo um caso?

Naquela sexta-feira ela escreveu no seu diário:

Querido Diário - Estou doida, tonta e confusa. Hoje ele olhou para mim e sorriu. Tremi toda! 

Naquela segunda-feira, na pelada da turma, Nestor perguntou para todo mundo:

Gente, alguém viu o Armandinho?

Naquela segunda-feira ela escreveu no seu diário:

Querido Diário - E não é que ele se chama Armandinho, é eu todo meu e eu sou toda sua? 


É isto aí!









domingo, 9 de agosto de 2015

Jurandir e as juras juramentadas


Aos cinco anos jurou à mãe que nunca a deixaria triste.

Aos sete anos jurou que não tinha dado um beijo na boca da prima.

Aos dez anos jurou que não havia passado a mão nas coxas da professora.

Aos treze anos jurou à prima que aquilo era a coisa mais natural do mundo.

Aos quinze anos jurou ao pai, em leito de morte, que seria médico.

Aos dezessete anos jurou amor eterno à prima.

Aos dezoito anos jurou à mãe, enferma terminal, de que seria padre.

Aos vinte anos jurou nunca mais voltar àquela cidade.

Aos vinte e quatro anos jurou solenemente ser um bom advogado.

Aos vinte e cinco anos jurou no altar o eterno amor à Maria Constância.

Aos vinte e seis anos jurou ser fiel à esposa.

Aos vinte e sete anos jurou que nunca mais casaria, depois do divórcio.

Aos vinte e oito anos jurou que nunca mais iria beber.

Aos trinta anos jurou que mudaria de vida.

Aos trinta e dois anos retornou à cidade natal e casou com a prima.

Nunca mais fez juras, o Jurandir.

É isto aí!

Ser índio é ter um futuro com horizonte a sonhar

Walter Garbe - 1909 - Casal Botocudos.
“Mê’a´ré txihy mê’á petoi’xó apetxiênã hãgnahay hῦ uitamõ iẽ pahuré”

“Mê’á koet’hi kahab’xó iõ werimehe dxahá áhê mipây’xó aponãhy, tayatê ie xayhê upã pohẽhaw mê’á petoi’xó hãtö awãkã ũpú werimehe dxahá areneá, mê’á koet’hi dxê iõ dxa’á torotê’xó pâx kawatá ũpú anehõ dxahá anehõ akã niamã’xó, anehõ koet’hy torotê’xó eketohê dxahá kahab’i anerê ukôtxêp hamátxihá, tayatê kepây ihãyré’xó âkâwtxy. Iõ hãgnahay okehoy’xó hunihá’ĩ, txayá iõ homãk iknuy’xó ikô nãptxe’xó iẽ nãxeykô, ãhô petoĩ’xó txaupã ũpú dxê pahuré Poôtá iakatã iõ kuã mê’á dxahá iõp tarakwatê."

Autor: Than Txaywã Ãtxuab Pataxó

Tradução: 

“Ser índio é ter um futuro com horizonte a sonhar” 

“É preciso viver o amor para se sentir feliz, por que a razão da vida é ter uma história de amor para contar, é preciso enxergar o que está dentro de você para si auto entender, você precisa estar preparado para vivenciar sempre novas oportunidades, por que elas passam correndo. O futuro pode demorar, mas o passado machuca por existir a lembrança, não tenha medo de sonhar longe pois o saber é para os fortes”

Aqui, a foto sem cortes, de 13/Julho/1904, que chegou a ser censurada pelo Facebook:


sábado, 8 de agosto de 2015

Era uma vez ...

Alto lá - 70% deste texto não é meu. Copiei e colei a ideia e acrescentei uns 30%, principalmente  a partir da resposta da mocinha.
Autor - O autor original é desconhecido. Possui diversas postagens na Internet, com pequenas alterações entre elas.


Era uma vez, num reino muito muito distante, uma linda e triste moça solteira e pobre. Cansada de ser apenas um rostinho lindo e um corpinho sensual, enviou um e-mail para um grande jornal sediado na capital do Reino, pedindo dicas sobre "como arrumar um marido rico". A mensagem, claro, foi lida por muitos, inclusive um dos mais ricos homens e famosos nobres de todo o reino, que era viúvo e procurava uma moça para ser sua fiel companheira, mas ...


Bem, vamos ver o que escreveu a mocinha:

"Sou uma garota linda de 20 anos, maravilhosamente linda, bem articulada e com classe. Estou querendo me casar com alguém que ganhe no mínimo R$ 500 mil por ano. Asseguro fidelidade conjugal. Tem algum homem sincero que ganhe esse dinheiro ou mais, ou alguma mulher casada com alguém que ganhe isso e que possa me dar algumas dicas? Qual a estratégia correta?".

E assinou: "Raphaella S."


Então, o malvado e insensível empresário muito rico enviou-lhe a resposta:


"Li sua consulta, pensei cuidadosamente no seu caso e fiz uma análise da situação. Primeiramente, eu ganho cerca de R$ 500 mil por ano. Portanto, não estou tomando o seu tempo à toa... Mas, visto da perspectiva de um homem como eu (que tem os requisitos que você procura), o que você oferece é um péssimo negócio.

Deixando as firulas de lado, o que você sugere é uma negociação simples, proposta clara, sem entrelinhas: você entra com sua beleza física e o homem entra com o dinheiro. Mas há um problema. Com toda certeza, com o tempo a sua beleza vai diminuir e um dia acabará, ao contrário do meu dinheiro que, com o tempo, continuará aumentando. Assim, em termos econômicos, você é um ativo sofrendo depreciação e eu sou um ativo rendendo dividendos. E você sofrerá uma depreciação progressiva e acelerada. 

Você tem 20 anos hoje e, admito, deve continuar linda pelos próximos dez anos ou quinze anos, mas sempre um pouco menos a cada ano. E no futuro, daqui a uns vinte e cinco anos, quando você se comparar com uma foto de hoje, verá que virou uma moça com mais experiência e menos beleza. Isto é, hoje você está em 'alta', na época ideal de ser vendida, mas não de ser comprada".

O empresário usa então o linguajar de Wall Street: "Quem a tiver hoje deve mantê-la como 'trading position' (posição para comercializar) e não como 'buy and hold' (compre e retenha), que é para o quê você se oferece...Portanto, ainda em termos comerciais, casar (que é um 'buy and hold') com você não é um bom negócio a médio/longo prazo! Mas alugá-la, sim! Assim, em termos sociais, um negócio razoável a se cogitar é namorar".

E logo vem o arremate: "Para certificar-me do quão 'articulada, com classe e maravilhosamente linda' seja você, eu, na condição de provável futuro locatário dessa 'máquina', quero tão somente o que é de praxe: fazer um 'test drive' antes de fechar o negócio..."


Aí, a singela, pobre e linda e maravilhosa e solteira mocinha indefesa respondeu:

Nossa, adorei o jeito como alguém escreveu por você a sua resposta, seus argumentos, e sobretudo a sua proposta, prá lá de interessante. Por que é impossível acreditar que uma pessoa normal seja capaz de ser tão ridícula com meus sentimentos tão puros. Faz o seguinte, convida a sua mãe.

Foi então eu o malvado e insensível empresário muito rico enviou-lhe a réplica:

Perdoa? Quer casar comigo?

 Eis que a singela, pobre e linda e maravilhosa e solteira mocinha indefesa respondeu:

Quero não.

Em completo desespero, o malvado e insensível empresário muito rico enviou-lhe 

uma dúzia de presentes muito caros e mais uma dúzia de advogados para prepararem a lista do que fosse possível que ela desejasse, desde que dissesse sim. Mas foi em vão, pois os advogados voltaram ao malvado e insensível empresário muito rico com a seguinte resposta da moça:

Prezado Senhor Malvado e Insensível Empresário Muito Rico:

Pensei bem na sua proposta, e prefiro não aceitar, pois daqui a vinte anos estarei menos bela e mais experiente, como disse, mas o senhor, dada a avançada idade, daqui a vinte anos será um grande passivo circulante, muito pouco ativo e com nenhuma capacidade de levantamento de fundos.  

É isto aí!

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Na rua, na chuva, na fazenda ...

- A palavra é Gato.

- Mato, Rato, Sapo  ...

- Humm, sapo? Tudo bem, vá lá, faltam duas

- Prato, assato ... 

- Assato? 

- É que o ladrão era analfabeto.

- Engraçadinho.

- Olha só, Julinha, cansei deste negócio. Não tem graça nenhuma.

- Júlio Rodolfo, foi você que nos colocou nesta situação limite. Então agora tem que me ajudar a parar de ter medo, de tremer, de ficar nervosa, ansiosa e com ânsia de vômito.

- Não me chame de Júlio Rodolfo, caramba. É Julinho. E como eu ia adivinhar que o carro iria arriar a bateria logo hoje?

- Obrigação sua. Agora estamos aqui no meio do nada, a 20 Km de qualquer indício de civilização, numa estrada deserta, só por que eu aceitei a sua ideia estúpida de ir na fazenda da sua tia, lá numa birosca destas aí.

- Calma, Julinha, ainda temos um ao outro, e de manhã passa o caminhão de leite.

- Calma? Ainda é oito horas da noite, tudo escuro, está chovendo, não tem celular, não tem luz, está congelante, e ainda você me pede calma? Calma? Calma? Aaaaaaaiiiiiiiiiiiii ... eu não estou calma!!!

- Se gritar resolver, então continue gritando.

- Estúpido, idiota, retardado, burro, imbecil, ai, você é um mané, Julinho.

- Mas, Julinha, tem coisas mais interessantes a fazer do que ficarmos aqui procurando palavras que rimam umas com as outras. Vem cá, vamos encontrar formas mais ...

- Mais na sua mãe, Julinho, eu estou mens - tru- a - da. Sabe o que isto significa?

- Ah, Julinha, é só um detalhe.

- Detalhe, Julinho? Detalhe? Quer saber o que é um detalhe? Eu acabei de ficar menstruada, estou com cólica sem um puto de um comprimido, aqui no meio do nada, meus seios estão latejando, minha cabeça está explodindo e o pior, Julinho, só estou com o absorvente que já havia colocado, sem plano de reserva e sem nada para fazer a não ser ficar com ódio de você. E o bacana aí achando que só por que não menstrua, pode fazer sexo a qualquer hora. Vai para o inferno.

Calma, Julinha, calma...

Vá à merda, André, não vê que estou sofrendo física, moral e espiritualmente?

André??

silêncio... silêncio... até o amanhecer

É isto aí!

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

O sonho perfeito

Não sonho com nada, disse o rapaz. Dia destes achei que sonhava mas era a tv ligada. Depois acordei confuso, entre gritos e lamentos e era o vizinho do lado espancando a solidão.

Eu adoro sonhar, falou com convicção a mocinha que admirava as estrelas.

Na verdade nunca sonhei, nem colorido, nem em preto&branco. Deve ser bom sonhar, voar, ser livre entre as nuvens, passar pertinho do Sol, e seguir rumo a algum lugar que me dê paz.

Tem dia que fico aflita para chegar a noite só para sonhar tudo que meus sonhos me mostram ...

Nunca sonhei com nada, coisa alguma, nem um graveto seco, nem folhas caindo na primavera, nem com chuva ou tempestades, nem com o passado, nem com premonições.

Eu sonho com cores, sons, pessoas, árvores, jabutis....rs

Jabutis? Esquisito, não é? Bem, na realidade verdadeira, única e insofismável, eu te dou agora dentro deste balão, todos os meus não-sonhos em troca de sonhar com você.

Mas o que eu faria com os seus não-sonhos? - perguntou a mocinha assustada e curiosa.

Guardaria todos numa caixa de desejos, pois todo o sonho que eu poderia ter tido e não os tive, devem ter sido guardados, de alguma forma celestial, para sonhar só com você.

Nossa! Puxa... sem palavras, mas eu quero!

É isto aí!




Chuck Berry - Johnny B. Goode

Fonte da imagem: Chuck Berry em 1957 (Wikipédia)



Charles Edward Anderson Berry (St. Louis, 18 de outubro de 1926 – Wentzville, 18 de março de 2017), mais conhecido como Chuck Berry, foi um cantor e compositor estadunidense, um dos pioneiros do gênero rock and roll. Com canções como "Maybellene" (1955), "Roll Over Beethoven" (1956), "Rock and Roll Music" (1957) e "Johnny B. Goode" (1958), Berry refinou e desenvolveu o rhythm and blues nos principais elementos que tornaram o rock and roll distinto. Escrevendo letras focadas na vida adolescente e no consumismo, e desenvolvendo um estilo musical que incluía solos de guitarra e espetáculo, Berry tornou-se uma grande influência na música rock subsequente.

Nascido em uma família afro-americana de classe média em St. Louis, Missouri, Berry tinha interesse em música desde cedo e fez sua primeira apresentação pública na Sumner High School. Enquanto ainda estudante do ensino médio, ele foi condenado por assalto à mão armada e foi enviado para um reformatório, onde ficou de 1944 a 1947. Após a sua libertação, Berry se casou e trabalhou em uma fábrica de montagem de automóveis. 

No início de 1953, influenciado pelos riffs de guitarra e técnicas de showman do músico de blues T-Bone Walker, Berry começou a se apresentar com o Johnnie Johnson Trio. Sua virada veio quando viajou para Chicago em maio de 1955 e conheceu Muddy Waters, que sugeriu que ele contatasse Leonard Chess, da Chess Records. Com Chess, ele gravou "Maybellene" – adaptação de Berry da canção country "Ida Red" – que vendeu mais de um milhão de cópias, alcançando o número um na parada de rhythm and blues da revista Billboard. 

No final da década de 1950, Berry era uma estrela consagrada, com vários álbuns de sucesso e aparições em filmes e uma lucrativa carreira de turnê. Ele também estabeleceu sua própria boate em St. Louis, Berry's Club Bandstand. No entanto, foi condenado a três anos de prisão em janeiro de 1962 por delitos sob o Mann Act – ele havia transportado uma menina de catorze anos para o outro lado do estado. 

Após sua libertação em 1963, teve vários outros sucessos, incluindo "No Particular Place to Go", "You Never Can Tell" e "Nadine". Mas estes não alcançaram o mesmo sucesso, ou impacto duradouro, de suas canções de 1950, e na década de 1970 ele era mais procurado como um artista nostálgico, tocando seus sucessos passados com bandas de apoio locais de qualidade variável. No entanto, em 1972, ele alcançou um novo nível de popularidade quando uma versão de "My Ding-a-Ling" se tornou seu único registro no topo das paradas. Sua insistência em ser pago em dinheiro o levou, em 1979, a quatro meses de prisão e serviço comunitário, por sonegação de impostos.

Berry foi um dos primeiros músicos a entrar no Rock and Roll Hall of Fame em sua estreia em 1986; ele foi citado por ter "lançado as bases para não apenas um som do rock and roll, mas para a postura rock and roll". 

Berry está incluído em várias das listas de "maiores de todos os tempos" da revista Rolling Stone; ele ficou em quinto lugar nas listas de 2004 e 2011 dos 100 Maiores Artistas de Todos os Tempos. A lista das 500 canções que moldaram o rock and roll do Rock and Roll Hall of Fame incluem três de Berry: "Johnny B. Goode", "Maybellene" e "Rock and Roll Music". 



É a única canção de rock and roll incluída no Voyager Golden Record. Ele foi apelidado pela National Broadcasting Company como o "Pai do Rock and Roll"

"Johnny B. Goode" é uma canção de rock and roll escrita em 1958 por Chuck Berry e lançada por ele próprio em 31 de março de 1960. A canção se tornou uma das mais populares dos anos 60. A letra fala sobre um jovem cantor em início de carreira.

O personagem Johnny B. Goode foi inspirado em um parceiro musical de Berry, Johnnie Johnson (que na verdade era pianista).

O riff de abertura de "Johnny B. Goode" é essencialmente uma cópia nota-a nota do solo de abertura composta por Louis Jordan na canção "Ain't That Just Like a Woman" (1946), interpretada pelo guitarrista Carl Hogan.

Foi considerada a 3° melhor canção de todos os tempos pelo site Squidoo, perdendo apenas por "Stairway to Heaven" do Led Zeppelin e "Imagine" de John Lennon. Também esteve presente na lista das 500 melhores canções de todos os tempos da revista Rolling Stone.

Legado

Em 1985, no primeiro filme da trilogia De Volta para o Futuro, o adolescente Marty McFly (interpretado por Michael J. Fox) em um baile justamente em 1955, toca a canção. Os produtores escolheram a canção justamente por ser uma data de quando a canção foi escrita e o filme se passava. Nesta parte do filme, Marty McFly ajuda o guitarrista da banda da escola chamado "Marvin Berry".

 Após tocar a canção romântica doo-wop Earth Angel, todos pediram um bis ao garoto Marty, e no caso, ele escolheu uma "velha música" do lugar de onde ele vinha (1985). Quando tocava o som, Marvin Berry telefona para seu "primo" Chuck Berry e fala: "Sabe aquele novo som que você estava procurando? Então escute isto!". 

Uma grande piada, claro, que funcionou muito bem. A canção não foi tocada de verdade por Michael J. Fox. Apesar de parecer que Michael J. Fox está realmente tocando uma guitarra, o supervisor musical Bones Howe contratou o professor de guitarra e músico Paul Hanson para ensinar Fox como simular todas as suas partes e fazer com que tudo parecesse realista, incluindo tocar com a guitarra atrás da cabeça. 

O músico veterano Tim May tocou as verdadeiras partes da guitarra com Mark Campbell fazendo o trabalho vocal em "Johnny B. Goode", com Hanson tocando a seção do começo do filme durante a cena com os testes para bandas.

A canção foi incluída no "Voyager Golden Record", num disco fonográfico de 12 polegadas de ouro levado pela sonda Voyager como representação do Rock And Roll entre muitas outras realizações da humanidade.

Em março de 2005, a Q magazine colocou "Johnny B. Goode", no número 42 em sua lista das 100 melhores faixas de guitarra. Em 2008, a Rolling Stone a colocou em primeiro lugar na sua lista das 100 melhores canções de guitarra de todos os tempos. "Guitar World" classificou a música em 12º lugar na "Maiores 100 solos de guitarra". A música é classificada atualmente como sexta melhor música de todos os tempos em uma lista de críticos no acclaimedmusic.net.

Chuck Berry - Johnny B. Goode (Live 1958)
Fonte Youtube - gaslightrecords






quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Coluna Social da Marquesa



Coluna Social da Marquesa

Diário da Cidade DC 
Em sociedade tudo é brilho - DC 16 dezembro

Em evento de realizado ontem na casa da Famiglia Tartanha, entre pessoas comuns e canapés baratos, rolou cervejinha tépida e guardanapos reutilizados para cerca de trinta indivóduos de pouco glamour para aqueles já foram... já tiveram... etc e tal.


Nota de esclarecimento - DC 17 de dezembro

A Família Tartaña desconhece a pessoa da sra Marquesa e sequer sabe quem pode repassar a esta senhora (sic) informações sobre evento social particular com a nata da sociedade local, em nossa residência de inverno, no Sollarium Aurumm. E indivóduos é a origem da calunista.

Coluna Social da Marquesa
Diário da Cidade DC 
Em sociedade tudo é brilho - DC 18 dezembro

Em encontro de casais para práticas singulares, digamos assim, determinada famiglia tentou neste Diário, ontem, reverter as informações obtidas por pessoas qualificadas que testemunharam a muvuca decadente desta gentinha pobre que falsifica caviar, servindo sagu com shoyu e azeite. Até que de noite, sem luz e todo mundo na mão de todo mundo, engana, não é gente? Ai, que pobre!

Nota de esclarecimento - DC 19 de dezembro

A Família Tartaña, de notória sobriedade e caráter ilibado, com história que sobrepõe a ética, a moral e os bons costumes deste município, comunica que em evento social para as pessoas de maior prestígio social e intelectual da nossa cidade, não teve na sua festa a presença da Miss Marquise, nem das suas irmãs (sic), nem da senhora sua mãe (sic), que mantiveram o bordel aberto no decorrer ininterrupto da semana.

Coluna Social da Marquesa
Diário da Cidade DC 
Em sociedade tudo é brilho - DC 20 dezembro

Ai, que odinho, gente. Parece que o Sagu com Shoyu deu diarreia cerebral na choldra decadente. Gentinha, para com esto. Sua casinha há muito é ponto de encontro dos pervertidos, drogados e prostituídos da margem da nossa distinta sociedade. E não é que eu não fui convidada, o fato é que não frequento saunas de massagem eclética.

Nota de esclarecimento - DC 20 de dezembro

A Família Tartaña comunica que já providenciou os trâmites legais constantes no Código Penal para processar esta prostituta de alcunha Marquesa, que degenera, destrói, decompõe e desconsidera a magnitude de um grande evento social, uma vez que não é convidada. E tem mais, vagabunda, não vai ser convidada para o Reveillon, que vai ter Mané Felló e Vanete Zangado.

Coluna Social da Marquesa
Diário da Cidade DC 
Em sociedade tudo é brilho - DC 20 dezembro

Gente, que coisa mais fina e elegantésima será a festa de final de ano na elegante mansão da tradicional família Tartaña no Reveillon que se aproxima. À boca pequena, a alta nata da sociedade local afirma que será a maior festa do século na nossa região. Quem viver, verá...

É isto aí!




O analista da Pitangueira e as duas faces da obsessão

Dorinha no Divã: 

Assim que eu o vi naquela tarde, de repente, não mais que de repente, de uma forma súbita, meus olhos embaçaram como estivesse num misto de ira e susto, aí experimentei uma tontura com ânsia de vômito. E foi tão ruim que não conseguia nem respirar, me senti fora da realidade, penetrando num espaço frio e arrepiante. Sinceramente, eu comecei a ficar com pavor de estar naquele estado, e não sabia aonde ia parar, nem o que estava acontecendo. 

Depois, sempre que passava por ele na rua, aquela nebulosa cinza cobria novamente minha percepção de realidade, aí, quando começava, eu esperava pelo pior, aquilo era muito maior do que eu Ocorre que o caos toma conta de mim, como uma tempestade que passa e deixa vários estragos. Eu me sinto arrasada, e passei a ficar com muito medo de que aquilo ocorresse sempre de novo, mas sempre ocorre quando o vejo. Queria a minha vida de volta e ele virou tudo para outra dimensão. Foi por isto que resolvi procurar o senhor.

O Analista:

- Entendo. Você sabe pelo menos o nome dele?

- Claro, quer dizer, eu ouvi dizer que ele se chama Armandinho... suspiros... e lágrimas. É só isto que sei.

Armandinho no Divã:

Assim que olhei nos olhos dela, senti uma coisa que parecia sem fim, minhas pernas tremiam, meus cabelos todos se arrepiaram, não conseguia engolir ar nem mesmo a saliva, fiquei taquicárdico, e fui ficando cada vez mais ansioso, com movimentos involuntários num corpo incontrolável que parecia não ser o meu. Comecei a transpirar, com vontade de chorar e gritar, enfim, foi escandalosamente prazeroso.

Bem, daí, depois daquela inesquecível primeira vez, comecei a querer que acontecesse de novo, de novo e de novo e desejava sempre uma coisa diferente, que me permitisse sentir uma enorme onda de calafrios e emoção. Então a procurava e esperava toda aquela maravilhosa viagem no corpo e na mente. Fazia isto por amor, sabe, por que desde que a vi, andava diuturnamente com ansiedade, não conseguia mais me concentrar em outras coisas, deixei de sair de visitar amigos, parei com os passeios pelas madrugadas. Até aí tudo bem, mas quando percebi que não sentia mais a necessidade de visitar as meninas da boate da Lindinha, vi que tinha algo errado, foi então que resolvi procurar o senhor.

O Analista:

- Entendo. Você sabe pelo menos o nome dela?

- Lógico. Quer dizer, sei de ouvir falarem por aí, hummm, então, mais ou menos.

- Pode explicar este mais ou menos?

- Bem, ela se chama Auxiliadora Terena, tem a alcunha de Dorinha, mora na Rua das Couves, 158, trabalha na Boutique da Madame, no centro, estuda um destes cursinhos espera-armandinho na Faculdade Tal&Tal, gosta de hambúrguer com fanta uva, compra sua lingerie sempre no Tenda da Intimidade, tem enxaqueca, usa absorvente com abas, faz Pilates às terças, inglês nas segundas e quartas, tem apenas duas grandes amigas, não come carne nas sextas-feiras e pedala nos domingos de manhã. Também tem cartão da Claro e da Vivo, e prefere usar mais o da Vivo, sei lá o motivo... e também...

- Também...?!?!?!

- Nada, também não sei mais nada.

- Tem o CPF dela?

- Sim, 857... espera aí, onde o senhor quer chegar com isto?  

- Eu? Não sou eu quem quer chegar a algum lugar, é o senhor que está relatando esta sua obsessão.

- Obsessão? Eu? Que sujeito mais doido, de onde tira estas conclusões malucas sobre seus pacientes?  Eu, hem, quer saber, fui...

É isto aí!


terça-feira, 4 de agosto de 2015

A doida da rua

Vou poetar um poema meu:

A doida da rua 
anda nua anda nua 
 vadia dos sicários e
bêbados fornicários

A doida da moça
tem a pele crua 
 que sangra pela rua
e sem pecados jejua

A doida sofrida
mora na rua nua
morre nua na rua
todo dia todo dia

É isto aí!

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O Profeta apaixonado

FELIZIN, ROSTISLAV IVANOVICH (1830 Russia 1904)
O profeta mandou reunir toda a congregação no plenário do templo. Já estava velho, mas ainda comandava com mão de ferro todas as ações da comunidade. Uma chamada daquela, às cinco horas de uma manhã gelada tinha que ter algo diferente. Os dois sinos de bronze não pararam de soar até que todos estivessem presentes. Uns assustados, outros com medo, as mulheres aflitas e os homens ansiosos. 

Eram cinco e dezessete, e eis que tranquilamente adentra no templo. Era um velho de origem desconhecida, sotaque ininteligível, humor destemperado e um apetite sexual inesgotável, segundo informações sigilosas das suas duas esposas da terceira geração. As duas esposas da primeira geração eram irmãs gêmeas, e faleceram há uns dez anos. As duas esposas da segunda geração tinham idades em torno de 40 anos, e as da terceira geração entre 30 e 32 anos.

Ele tinha longa barba branca e cabelos presos por uma tiara de brilhantes. Trajava uma túnica roxa de fios de lã do extremo-oriente com mangas largas, sapatos de couro amarelo flexíveis e moldados anatomicamente, amarrados no tornozelo com tiras de lã dourada. Entrou em silêncio, vindo pelo adro central e percorreu todo o caminho sobre pétalas de flor jogadas num carpete lilás Estava apoiado em seu cajado, sendo acompanhado por suas esposas e os primogênitos masculinos de cada uma delas. 

Meus filhos - bradou, meus filhos, chegou a hora de despedir de todos vocês. Minha peregrinação chega ao fim nesta manhã. Deixo para vocês a sabedoria e a riqueza, a esperança e a fartura, a amizade e o amor, enfim, vocês não precisam se preocupar com mais nada. (Choros, lágrimas, gritos histéricos, lamentações, etc.)

Como sucessor, nomeio incondicionalmente o Geraldinho da Adelaide. (Vaias, gritos, vaias, assobios, vaias, achincalhes, enfim, tumulto geral).

No meio da convulsão, Geraldinho abaixa a cabeça, esconde-se e sai pela porta lateral sem ser notado, dá a volta, intercepta o Profeta.

- Mestre, por que eu?
- E porque não você, Geraldinho?
- Mas o senhor nunca falou que seria eu.
- Mas também nunca disse que seria outra pessoa.
- Mas se eu recusar?
- Adeus, Geraldinho, volte e assuma sua posição perante a assembléia.

Geraldinho voltou, dirigiu-se ao altar, as esposas da terceira geração do profeta o adornaram e se prostraram aos seus pés. O povo se redimiu e curvou-se em silêncio. Ele correu os olhos e buscou por Adelaide, a moça mais linda de todos os tempos da comunidade, uma diva da beleza e da graça humana. Ela não estava, mas ele não teve tempo para perceber o que acontecera.

O profeta fugira apenas com uma pequena quantidade de ouro e junto carregou Adelaide, o primeiro grande amor da sua vida, para um local distante, muito distante e foram felizes para sempre...

É isto aí!

domingo, 2 de agosto de 2015

Radio Imparcial no esporte bretão

Boa tarde, amigos, abrem-se as cortinas do espetáculo.

A bola sai pelo pé daquele rapaz esquisito de cabelos estranhos, que toca de lado e chega até o todo-tatuado, dá de lado e passa rápido - deve ser que não sabe jogar e a bola foge do gordinho, que tenta correr, mas espera, ele correu ou deu uma rebolada, Armandinho?

Faaaaalta, Supremo, foi faaaaalta...

O branquelo tatuado-só-no-braço bate a falta e toca errado a bola, e por isto um negão gigante do time de azul intercepta, passa logo para o companheiro, que é lógico, também está de azul. A redonda não sai do meio de campo, Armandinho?

Uma veeeeerrrrrgonha de retranca, Supremo, uma veeeerrrrrgonha...

O nosso time corre todo em cima do juiz, parece que perdi alguma coisa enquanto olhava para aquela grã-fina gostosa da cadeira 121. O que eu perdi, Armandinho?

Um penalty criminoso que nem o juiz safado nem os bandeirinhas sem-veeerrrgonhas viram, Supremo... criiiiiiiiminoooosoooooso....

Agora o goalkeeper do nosso time caiu no chão, Armandinho, o clima esquentou aí embaixo???

Teeeeeeennnnnso, Supremo, teeeeennnnnnso ...

Recomeça a peleja. Caramba, cadê o nome destes jogadores? Que assistentezinho ruim este, viu. Bem, vamos lá, o nosso centre-half recebe do goalkeeper, toca rapidamente para o sweeper, que desatento não vê a chegada daquele cretino do centre-forward do time deles, de azul, que toca de calcanhar para o second-striker, e este de forma ridícula ..., mas espera, ele chutou sem querer para o gol. Gol destes filhos de uma puta destes azuis. O que você viu, Armandinho?

Vamos anulaaaaaaaaaaaar este jogo, Supremo, vamos anulaaaaaaaaaar este jogo...

Aqui você segue ouvindo a Rádio Imparcial, onde só falamos a verdade sem tomar partido. Retoma o jogo o retardado do nosso withdrawn striker, e agora que já tomamos um gol ridículo o idiota quer fazer tudo sozinho. Alguma mudança, aí, Armandinho?

Mudança não, Supremo, mas se perdermos, eu mesmo vou ajudar a dar porrada nestes azuis...

É isto aí!

A deusa perfumada e o plano de fuga

Quando a viu pela primeira vez, estava vestida com um enebriante Chanel nº 5 que reconheceu logo que adentrou no elevador. Claro que sequer notou sua presença, afinal era um senhor da idade do seu pai, pelo menos.

Se tivesse lido seus pensamentos, o chamaria de velho tarado, no mínimo. Segurou a ansiedade pelos longos e silenciosos nove andares até o térreo, onde a esperou partir e seguiu seu rastro até a saída do edifício.

Depois de umas três semanas sem se encontrarem no ninho de tráfego virtual, ouviu o toque de um elegante salto alto e segurou a porta. Seu pressentimento de que aquele aroma incrível de J’Adore era parte da sua deusa estava correto. A musa entrou no cubículo, deu um sorriso de Monalisa como agradecimento e apertou o Térreo que já estava aceso.

Com a sua gostosura em luxo e riqueza, ofereceu-lhe a paisagem das costas nuas em pele de pêssego. Suou bicas com aquele volume de prazer na sua frente. Assim que a porta abriu, aguardou a saída da moça e nem percebeu que o elevador foi acionado, levando-o a um passeio até a cobertura.

Passado pelo menos um mês, estavam os dois aguardando o elevador. Havia no ar e no corpo da deliciosa garota um Pleasures, e ela, linda trazia consigo um ar romântico inigualável. Entraram mudos, e quando a porta fechou, não conseguiu mais segurar os gases reprimidos pelo chucrute de repolho roxo ao alho. Aquele peido-alemão liquefeito empesteou todo o compartimento de viagem.

A mocinha começou a gritar e apertar todos os botões em histérica ansiedade de fuga. Acho que abriu no sétimo, aí saiu correndo e ele ficou ali, meio abobado com aquela cara de réu mal-cheiroso...

É isto aí!

quinta-feira, 30 de julho de 2015

O Corset onírico

Eu não sei o que está acontecendo, estou carente, contente e confusa, disse a mocinha com ar nobre e estampa virginal, enquanto revirava os olhos e se contorcia entre prazeres mundanos e sentimentos celestiais no sacro âmbito de deleite nupcial. Não para, não para... não... ai, que bom... ai... e acordou assustada, suada e envolta num misto de desejo e medo.

Foi para o banho trêmula e envergonhada. Nunca houve em sua vida momento que fizesse par a este sonho. Um homem na sua cama, e sobretudo nu, tocando-a e o pior, gostou daquilo. Saiu de casa direto para o Templo Salvífico, onde participava como operária da fé. Contou em detalhes toda a experiência onírica ao Mentor Espiritual. 

Ao fim da confissão, ele a repreendeu, colocou-a de joelhos diante da Altar Sagrado dos Doze Discípulos e com o Látego do Livramento, deu-lhe seis chibatadas nas costas para que o demônio saísse das suas entranhas. Experimentou dor e um indeterminado prazer com aquela situação, mas para evitar uma nova investida contra o diabo em si, revelou-se curada e livre do mal diante do Templo.

Naquela noite estava vestida de um erótico corset preto em estilo gótico e uma saia justíssima de couro, também preta, em pé sobre um tapete todo branco, bem felpudo, muito alto e macio. Aos seus pés o mesmo desconhecido abraçado às suas pernas, olhando-a com olhar de misericórdia. Vislumbrou com intensidade toda a volúpia desconhecida pela sua castidade.

Acordou toda dolorida, mas feliz. Tomou um banho relaxante, saiu de casa com um sorriso enigmático. Ao chegar no hall do edifício deparou com o novo morador, que estava chegando de mudança. Era um senhor de meia idade, elegante e muito bem vestido. O síndico apresentou-a ao novo vizinho - Chiquinha, quero que conheça o Dr. Marcos e o seu ... marido, o Claudinho. Olhou bem nos olhos do Claudinho, o herói dos seus devaneios eróticos, deu-lhe um tapa estalante - seu... seu... e saiu gritando pela avenida.

Acorda, Chiquinha, acorda... Chiquinha..., acorda...

Aos solavancos foi acordando com a visão turva em sua mãe - acorda Chiquinha... que coisa... para de dormir de barriga cheia, já falei para você. É comer e ter pesadelos. Agora levanta que está atrasada para o serviço, vamos, Chiquinha, levanta...   

Abraçou sua mãe em prantos e em soluços balbuciou... mamãe, será que um dia eu vou encontrar um príncipe encantado de verdade que queira casar comigo ???

É isto aí!

terça-feira, 28 de julho de 2015

Ex-amor é para sempre

Eu te amo, disse sem forças, mas com clareza. Ela levantou os olhos ao encontro dos olhos dele, com seus olhos amendoados, serenos e morenos, e procurou uma razão para aquilo. Eu te amo, repetiu o rapaz, e amar dói, dói muito, é uma dor que não passa, não acaba, não vai embora. 

Tiveram todas as possibilidades de terem um ao outro, mas preferiram o caminho das pedras. Partiram, ela ao leste, ele ao oeste. Foram infelizes para sempre.

Doze anos depois, numa outra cidade, de forma imprevisível, num encontro quase impossível, cruzaram seus olhares pela estreita rua. Ela lindíssima, ele amadurecido. Cumprimentam-se formalmente e cada um segue seu destino por dois ou três passos, voltam ao passado, trocam olhares perdidamente inconsoláveis, ela volta melancólica ao seu caminho e ele, bem, ele fica admirado com o formato da sua bunda.

É isto aí! 


Encrencas e Sacanagens

Entre o final do século XIX e início do século XX, centenas de mulheres da comunidade judia da Europa Central emigraram para o Rio de Janeiro e São Paulo, onde ficaram conhecidas como “polacas”. Eram pobres, quase sempre analfabetas e sem perspectiva de trabalho ou casamento, e em função disto acabavam recrutadas por cafetões – muitos também judeus, para se prostituíram em ruas de grandes cidades.

Quando a polícia chegava para dar batida nos bordéis, ouviam elas pronunciarem a palavra sacana (Sacana em hebraico significa "perigo", tem a mesma raiz que "sakin" (punhal), "sakina" (bandido) e "sakun" (risco))  enquanto as janelas e portas se fechavam. Em razão disto, os polícias passaram a chamar a essas zonas de "sacana(gem)".

E quando elas suspeitavam que um cliente tinha doença venérea, logo alertavam as companheiras falando "ein krenke" (“doença”, em iídiche), que acabou se transformando em “encrenca”.

Fatos importantes sobre as polacas estão aqui:
http://polacas.blogspot.com.br/2007/03/revista-aventuras-na-histria-edio-38.html

É isto aí!

A buzina da repressão


Os anos obscuros da República de Chumbo desnudavam-se nas Chacretes, aquelas mulheres gostosonas, carnudas e afrodisíacas das tardes de sábado. Dominavam completamente o imaginário masculino infanto, juvenil e adulto. Sentíamos a pulsação mais forte, o coração disparado e tudo florescia em desejo de estar ali e ser abraçado, tocado, beijado e seduzido por todas elas.

Com a crise internacional do Petróleo e o fim da Guerra do Vietnã, o barco da ditadura imposta pela Tradição, Família, Propriedade e outros meios semelhantes em nome de Deus, fazia água. Daí vieram as meninas semi-nuas na TV, as porno-chanchadas, as novelas eróticas, os palhaços de programas cômicos atrapalhados com piadas de duplo sentido, alguns templos salvíficos de características cristãs da idade Média e o brega na moda e na música.

Isso tudo, junto e misturado, apascentou o povo por mais dez anos, permitindo maior controle social pela ditadura. Uma só mocinha semi-nua nos programas de auditório da TV, no Cinema Nacional ou Novelas valia por cem agentes repressores na hora de conter a revolta popular. Os poderosos endinheirados que davam a aparência branca, ética e moral ao regime, desta forma, puderam continuar seus compromissos sociais (das suas sociedades exclusivas e privadas - digamos assim) e dormir tranquilos.







É isto aí!

O que não estamos vendo?

A Rede ainda é uma enorme incógnita para todos nós, simples mortais. É uma ferramenta útil, prática, mas também é um instrumento de monitoração permanente dos seus usuários, ausentes ou presentes. Você não utiliza só a internet, tem também o celular, a TV a cabo, os cartões de crédito e de débito, os cartões de transporte urbano, sem contar as milhares de milhares de câmeras espalhadas por onde você vai. 

Estes dados estão sendo compilados em verdadeiras cidades cibernéticas, fora do alcance da nossa compreensão. Neles consta seu perfil ideológico, sua sexualidade, suas preferências sociais e sexuais, seus desejos, suas posses, seu grau de conhecimento, suas viagens, seus contatos, suas fotos postadas ou recebidas, todo - sim, todo o seu histórico virtual, desde o princípio, seus delitos e benesses, etc. Quem utiliza estes dados? Deus é que não é...

Dia destes um site em pleno e bom português, supostamente sediado na Suécia, apareceu vendendo todas as informações a respeito de quaisquer pessoas, por um quantia módica em Bitcoins, a moeda internacional aos poucos sendo empurrada goela a baixo da plebe rude. Foi desaparecido na poeira da Net, por que gerou insegurança. É melhor não sabermos que há uma vigilância mundial, assim caminha a humanidade.

E, lembre-se: A Internet não esquece nunca. Tudo está arquivado, quer queira ou não. Não esquece não perdoa. 

É isto aí!

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Discursos para um dia de domingo

Passar pelo final da semana é sempre uma experiência desafiadora. É provável que as pessoas se encantem com o sábado, mas baldadamente lutam contra as tardes de domingo. No geral, a impressão que fica é que a segunda-feira corre em direção à sexta e antagonicamente aos modorrentos e solitários domingos com suas pernas rápidas, passos curtos e trotes convulsos.

Enquanto isto, tédio!

É isto aí!