Chegou tarde, alcoolizado e desnorteado. Perdera o emprego naquela tarde e resolveu beber uma para relaxar. Uma puxou outra, veio um sambinha de roda, veio outra, outra até que tudo acabou e sentiu que deveria voltar ao lar. Custou para abrir a porta da entrada do condomínio. A chave acabou por roçar pelo esforço e a fechadura ficou inválida.
Subiu as escadas com muita dificuldade, três andares intermináveis. A chave deu uma travadinha, mas a porta abriu. Tomou um banho demorado, enxugou com a única toalha que estava no box e foi deitar nu. Acordou com uma mesa de café posta no quarto, toalha bordada e um bilhete - Almeida, uau - que noite foi esta? Sempre te amo, te amei e te amarei. Volto às 15 horas.
Sentou à cadeira, fez o desjejum, procurou alguma roupa, e viu a que usara na véspera, lavada e passada, suavemente dobrada ao pé da cama. Vestiu-se, foi ao banheiro e saiu sem entender muito o que acontecia. Na portaria estava o porteiro, um chaveiro e dois militares.
Um deles perguntou colocou a mão como sinal de parada.








