terça-feira, 15 de junho de 2021

Nunca mais outra vez



Quando um indivíduo
perde por burrice
ou vai saber, azar
ou inveja ou infortúnio
uma mulher linda, 
inteligente, educada
gentil, adocicada
genial, tensa, brava
ávida leitora de livros
sempre ao seu lado 
com assuntos diversos
determinada, elegante
companheira, amiga
trazendo na alma
a grandeza da paixão
portando uma atmosfera
voluptuosa, sensual, 
agradável aos olhos
à mente, aos sonhos
pode saber, com certeza,
vai chorar sem igual
por toda a dolorosa vida 
e nunca mais outra vez
a sorte lhe dará tal beleza 

É isto aí!




Intuições e deduções




Dorinha mal tinha saído de casa, teve uma intuição, deus três passos para trás, quando de súbito um caminhão perdeu os freios e isto a levaria de encontro ao muro da casa ao lado. Entrou correndo pelos fundos, assustadíssima, e teve a intuição de abrir a porta que dava na cozinha. Ao rodar a maçaneta, viu uma cena estranha. Não era sua casa. Era sua casa, mas não do jeito que conhecia, ou não era, mas tinha que ser.

Carminha acordou assustada, sentido uma coisa estranha no ar, uma coisa pegajosa, esquisita, sem odor ou forma. Teve medo de abrir os olhos até que a sensação desaparecera. Ouviu um barulho como se fosse uma pessoa lixando uma madeira com lixa d'água, num local próximo. Riu do absurdo daquele instante. Ao abrir os olhos, viu uma cena estranha. Não era seu quarto. Era seu quarto, mas não do jeito que conhecia, ou não era, mas tinha que ser.  

Patrícia chegou dos serviço exausta, procurou as chaves na bolsa e nada, procurou, procurou, despejou tudo no chão da calçada, abriu os fechos secretos, jogou tudo de volta, buscou em cada bolso. Pensou em ligar para o escritório e descobriu que também estava sem o celular. Resolveu tentar a sorte e quem sabe esquecera a porta sem tranca apela manhã. Ao baixar a maçaneta, viu uma cena inusitada. Não era sua sala. Era sua sala, mas não do jeito que conhecia, ou não era, mas tinha que ser. 

Dedé acordou na hora do almoço, deu de ombros com a bagunça espalhada, levantou-se, espreguiçou lentamente, olhou em volta, deu meia volta para a direita, meia volta para a esquerda, o caos reinava aqui e ali, em cima e abaixo dos olhos, olhou-se no espelho, acertou o cabelo, viu que estava acima do peso e abaixo da autoestima. Olhou bem no fundo dos seus olhos e sussurrou - Dedé, sua danada, foda-se esta merda toda!  

É isto aí!



































sábado, 12 de junho de 2021

Sei, sei bem



Não sou seu
Sei, sei bem
À paciência
faço divagar 
a paz pedida
Ter saudade
traz sua voz
e este corpo
e esta calma
tanto a dizer
tão somente 
eu amo você 

É isto aí!

  

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Brejo da Cruz (Chico Buarque) em Quatro Atos distintos




Atenção
As citações abaixo não estão inter-relacionadas no âmbito temporal, não se deram uma em função da outra. Estão isoladas na Rede, cada uma dentro de um contexto próprio.


ATO 1
Fonte da Imagem: Yahoo
Fonte da reportagem: Yahoo
Fome explode no Brasil: Pela 1ª vez em 17 anos, mais da metade da população não tem garantia de comida na mesa
- Mais de 116 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar no Brasil
- Crise social agravada pela pandemia deixou 19 milhões com fome durante o ano de 2020
- A incidência da fome é maior nas casas chefiadas por mulheres e por negros


ATO 2
Autor da frase: Padre Duarte Lara
Porque o Mal, o Demônio, por meio de tudo isso que estamos vendo acontecer, desta degradação moral, está atingindo algo que é precioso aos olhos de Deus: As crianças…
Enquanto o Mal atingia os homens e as mulheres de maneira geral, Deus permitia, porque de certa forma nós, adultos, temos como nos proteger, temos como dar respostas diferentes àquilo que nos é oferecido, temos como reagir…Mas quando tratamos das realidades das crianças, crianças puras e inocentes, incapazes de se defenderem, sendo corrompidas pelo mal moral e por estas ideologias, as coisas mudam de figura no plano Divino…
A ira de Deus não permitirá que o Mal as atinja por muito tempo machucando e maculando as nossas crianças…e por isso Jesus voltará!


ATO 3 
Mt 18, 1-10
“Naquela hora, os discípulos aproximara-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles e disse: “Em verdade em verdade vos digo, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus. E quem acolher em meu nome uma criança como esta, estará acolhendo a mim mesmo.
Quem provocar a queda de um só destes pequenos que crêem em mim, melhor seria que lhe amarrassem ao pescoço uma pedra de moinho e o lançassem no fundo do mar. Ai do mundo por causa dos escândalos. É inevitável, sem dúvida, que eles ocorram, mas ai daquele que os provoca […]
Cuidado! Não desprezeis um só destes pequenos! Eu vos digo que os seus anjos, no céu, contemplam sem cessar a face do meu Pai que está nos céus.” 


ATO 4
Brejo da Cruz
Chico Buarque

A novidade
Que tem no Brejo da Cruz
É a criançada
Se alimentar de luz

Alucinados
Meninos ficando azuis
E desencarnando
Lá no Brejo da Cruz

Eletrizados
Cruzam os céus do Brasil
Na rodoviária
Assumem formas mil

Uns vendem fumo
Tem uns que viram Jesus
Muito sanfoneiro
Cego tocando blues

Uns têm saudade
E dançam maracatus
Uns atiram pedra
Outros passeiam nus

Mas há milhões desses seres
Que se disfarçam tão bem
Que ninguém pergunta
De onde essa gente vem

São jardineiros
Guardas-noturnos, casais
São passageiros
Bombeiros e babás

Já nem se lembram
Que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças
E que comiam luz

São faxineiros
Balançam nas construções
São bilheteiras
Baleiros e garçons

Já nem se lembram
Que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças
E que comiam luz

quinta-feira, 10 de junho de 2021

O bate-papo do dia a dia


Todo dia recebo telefonemas oriundos de São Paulo, seguidos de um glacial silêncio. Estes paulistas são uns loucos, mas acho que não gastam tempo com silêncio, logo percebo que é uma máquina. Ela vai anotando os horários que atendo, meu timbre de voz, quanto tempo levo para atender, o que falo, como falo, enfim, vai me marcando feito um gado de corte. 

Hoje recebi o telefonema de uma mulher querendo auxílio para o Hospital Tal e Tal, em Belo Horizonte. Respondi que também morava em Belo Horizonte e bastaria ela me indicar como encontrá-la, já que resido próximo ao Hospital Tal e Tal, e teria o prazer de passar por lá, e conversarmos sobra a ajuda à instituição. A então simpática senhora teve um surto existencial e desligou o telefone. 

Precisei que um eletricista fizesse a manutenção de um sistema elétrico na minha casa. Já esteve aqui quatro vezes, sendo que na última não havia ainda alcançado o portão e o problema retornou. Sorriu meio sem graça, foi lá, fez o novo reparo mágico. Sessenta minutos depois, liguei para o talentoso profissional, pois outro problema surgira em função dos ajustes que fizera. Voltará amanhã. Tem serviço que agarra mesmo, e nestas horas temos que ter o bom senso.

Como Coach, o que mais chega para mim nestes tempos Covid não são casos para coaching. Geralmente a pessoa está insegura, indecisa e não sabe o que quer e faz os seguintes reclames, não necessariamente todos, mas um combo sem fugir muito da relação abaixo:

Apreensão Medo Angústia Inquietação Insônia Dificuldade de concentração Incapacidade de relaxar Sensação de estar "no limite" Preocupações com desgraças futuras Pensamentos catastróficos, de ruína ou adoecimento 

Seguido de 

Sudorese Falta de ar Hiperventilação Boca seca Formigamento Náusea "Borboletas" no estômago Ondas de calor Calafrios Tremores Tensão muscular Dor no peito Taquicardia (coração acelerado) Sensação de desmaio Tonturas Urgência para ir ao banheiro.

Tempos difíceis...

É isto aí!



Descobertas escalafobéticas





Agência Neogovernamental
depois de pesquisas sérias
num secreto laboratório central  
do que importam nas esquinas

Entre ruas escandalosas 
descobriu-se em arrepios
o até então inexplicável
tal qual o preço da gasolina

perscrutando os envolvidos 
do porquê o rato arruaceiro
roía a roupa do rei de Roma.
no seio da terra latina

ora, direis, está resolvido
pelo aroma e pelo cheiro
o insensível roedor real
é viciado em naftalina

É isto aí!
 

quarta-feira, 9 de junho de 2021

O Amor e o Pertencimento




O pertencimento 
é a crença pertinente ao amor
numa origem ancestral comum 
que une distintas almas. 

Passam a pensar em si mesmos 
como membros um do outro
na qual símbolos expressam valores, 
medos, sonhos e aspirações. 

Quando a característica dessas almas
é sentida subjetivamente como comum, 
podem sentir a ascendência comum, 
surgindo assim a pertinência, 

Partilham um destino comum, 
estabelecem um sentido de homogeneidade 
ambos numa grata comunhão
com a heterogeneidade do mundo.

A sensação de pertencimento 
significa que precisamos nos sentir 
como pertencentes àquela pessoa
e ao mesmo tempo livre para amá-la


É isto aí!



terça-feira, 8 de junho de 2021

Coluna Social da Marquesa 8

 

Coluna Social da Marquesa
Diário da Cidade DC
Em sociedade tudo é brilho
Reino da Pitangueira 12 março

Nestes tempos terríveis, finalmente uma ilha de paz e diversão ocorreu quando fomos a un merveilleux bal masqué produzido, promovido e agraciado pelo simpático casal K. Pataz e sua voluptuosa esposita Crème Nata, a top das tops dos balneários caribenhos. La Crème trajava um conjunto salmon com uma saia ampla e volumosa com a cintura bem marcada, com um corte evasê onde a barra do vestido ficou com mais roda do que quase o dobro da circunferência dos ombros. Atrás um corte longitudinal de causar espanto aos púberes e imberbes.

Numa discreta mesa no canto esquerdo estavam a desbotada e ex do maxi-super K. Pataz, Rosinha Gata e seu amiguinho de estimação Alfredo. A decadente vestia estiloso conjunto da vanguarda de mulher para mulher, se é que você me entende, com direito a ombreira e cinto de plástico colorido, acompanhando um cafonérrimo reloginho chinatown, vinculado a um indefinido raifone lilás escuro, meio violeta, meio roxo, meio morto. Alfredo estava hummmmm.. inadequado.

Do outro lado do salão, Tirano Trago, abraçado às duas moçoilas da fina delicadeza mundial, recebia de forma muito muito amigável, o cumprimento caloroso da esposita de K. Pataz, Crème Nata. Não tendo onde sentar, a voluptuosa sentou-se sobre a perna esquerda do bom amigo, enquanto as moçoilas experimentavam a textura da roupa da esposita, de uma forma, digamos, pouco convencional.

Pelo início da madrugada, K. Pataz atravessou o salão, passou por Tirano, acenou com a cabeça, dando um sorriso estático e foi dar porrada no Alfredo, por suspeita de possível atitude inadequada para com a ex, Rosinha Gata, que aos berros pediu para que parasse. Dois senhores que acompanhavam Tirano, ao seu comando, detiveram a fúria do homem ferido na honra  e o levaram para o andar superior, onde já se encontravam as duas moçoilas, que trataram de dar-lhe conforto, segurança e paz. 

Rosinha foi convidada a juntar-se ao colo esquerdo de Tirano Trago, e aproveitando a proximidade com a esposita Crème, a voluptuosa, deu-lhe de unhada na face com a mão direita e tapas na outra face com a mão esquerda. Tirano não lembrava de tanta diversão assim desde o colegial. 

Foi um dos mais divertidos bailes de máscara da história, nos moldes da contemporaneidade global...


Coluna Social da Marquesa
Diário da Cidade DC
Em sociedade tudo é brilho
Reino da Pitangueira 19 março

Direito de resposta 

- Eu, Rosinha Gata, declaro que jamais participei de festinhas decadentes, não conheço nenhum Alfredo e tenho um excelente relacionamento com meu ex-marido.

E quanto a você, sua vaca de quinta coluna, sua hora vai chegar.


Coluna Social da Marquesa
Diário da Cidade DC
Em sociedade tudo é brilho
Reino da Pitangueira 26 março

Ai, gentem, que meda, que nada!!!! Rosinha Gata esteve aqui com glamour, desta vez acompanhada do nosso amado amigo Tirano Trago. Sentamos e tragamos o cachimbo da paz do Tirano. Uau!! Em sociedade tudo é brilho!!!

É isto aí!

Insônias do outono



Insônia é um negócio antinatural. Deve haver em algum lugar uma lei para proibir estas coisas. Uma noite custa 36 horas para passar entre a zero hora e o amanhecer, e o mais incrível é que ainda tem a danada da fome. Insônia, apetite, reflexões ridículas... opa, e ainda tem os pernilongos, o silêncio irritante, a ampliação do barulho do teclado e aquela sensação de cansaço com compromisso às sete horas da manhã.

Tudo bem, vá lá que acabo concordando que o pensamento é aquilo que é trazido à existência através da atividade intelectual. ... Mas o pensamento no processo de insônia não seria um processo mental que supostamente reside na mente humana e proporciona ao ser humano modelar a sua percepção do mundo. É algo sobrenatural.

Enquanto num dia normal, com sol sobre este lado do planeta da alvorada ao crepúsculo, o pensamento tem a capacidade de compreender, formar conceitos e organizá-lo, quando a noite vem, nebulosas, seres etéreos e seres extraterrestres forçam nosso corpo a estabelecer relações entre nós outros e os conceitos cósmicos por meio de elementos de variadas funções extra corporais e mentais, criando novas representações e soluções, que vão de questões pessoais, passionais, relativas até chegar aos grandes conflitos mundiais.

É verdade que existe o  pensamento lógico, crítico, reflexivo, prático e o sistemático, mas isto é no decorrer do turno matutino e vespertino. A madrugada não permite isto, até mesmo por que tem aquelas coisas fixas, aquela pessoa, aquela conta, aquele vinho, aquela viagem, aquele instante, aquela situação, tudo colado numa tela de bloqueio com supercola.  

E olha que não vou entrar no mérito dos pensamentos intrusivos, comuns aos mortais. O insones dispensam estas rotas de fuga da memória, das experiências de aprendizado, das evidências constatadas, das observações neurosensoriais, etc. A Insônia não permite que uma concorrência deste nível venha a transformar sua arte em placebo. A insônia é um estar em mim.

É isto aí!

 



segunda-feira, 7 de junho de 2021

Aeropita - a Agência Aeroespacial do Reino da Pitangueira


Se fosse dada a você a oportunidade de viajar no tempo pretérito, por nove locais, quais escolheria?

Foi esta pergunta que fiz na Real Academia de Ciências do Reino da Pitangueira, que provocou profundas mudanças no ser e estar do pensamento científico e tecnológico do Reino.

Deu que por causa desta indagação que fiz no discurso anual de abertura de trabalhos, estou agora me preparando para entrar na astronave construída pela Agência Aeroespacial da Pitangueira, a famosa Aeropita. Neste momento, dezenas de técnicos com o maior prestígio intergaláctico estão programando as nove coordenadas possíveis - dentro do universo das nove cordas - de partida e regresso, de forma segura e confiável.

A nave tem três níveis, sendo o primeiro a base de propulsão cibernética da Mecânica Quântica Heterodoxa. Como sabemos, a mente existe além da realidade física, pela consciência, subconsciência e inconsciência. Segundo os cientistas, analistas e especialistas da Aeropita, essa full-consciência pode, portanto, viajar no tempo, pelo fato de que todas as possibilidades estão contidas nesta ordem e que toda a realidade contida na ordem explícita é um reflexo desta ordem.

Teremos também uma inteligência artificial com 200 terabytes, denominada Cretina, com memória genética filogênica, de vinte e sete pessoas das diversas qualificações na nata da nata da alta sociedade do reino da Pitangueira. O objetivo foi resgatar a memória ancestral no código genético de cada um, imutável e inabalável, independente do portador atual. Uma vez recolhidas e isoladas, este material passou a validar a ação antropológica de acesso à ancestralidade pela consciência do navegador.

As nove coordenadas que foram calculadas dentro do princípio algoritmo  servem para eliminar o Efeito Borboleta de muitas intervenções no passado. A lógica algorítmica deu-se por uma sequência finita de ações executáveis que visaram obter uma solução para quaisquer tipos de problemas temporais e/ou atemporais, valendo-se de  procedimentos precisos, não ambíguos, padronizados, eficientes e corretos.

No segundo nível está o dormitório, a cozinha, a sala e o banheiro, tudo com conforto e segurança. Este ambiente, como o anterior, tem janelas panorâmicas para a parte externa por razões de segurança e curiosidade. Há também um compartimento com um Tear que opera com fios de algodão e lã de carneiro, sob o comando do computador central, quando identificadas as roupas da época onde é atracada a astronave.

O terceiro nível comporta a navegação da astronave, com potentes computadores, instrumentais, janelas com vidro blindado e a conexão visual e sonora de acesso e contato com o mundo exterior. 

O detalhe físico interessante é que o tempo do destino não implica no tempo presente. Assim poderei viajar para Bagdá, por exemplo, ficar por lá um ano e regressar 90 segundos após a partida. Bem, vamos ver no que vai dar isto. Mas ...

Como existem opiniões fortemente divergentes entre os grupos da equipe antropológica, teólogos, geólogos, físicos, filósofos e historiadores, somente iniciaremos os testes, e deveremos listar os prováveis destinos com um consenso, uma vez que o seguro não cobre este procedimento, de maneira que não poderá ser acionado em nenhuma circunstância, toda a estrutura é arriscada. Posso ficar perdido não no destino, mas no meio do caminho, por exemplo.

Concluindo, o tempo do destino não implica no tempo presente. Assim poderei viajar para a Etiópia no ano 1876 aC, ficar por lá um ano e regressar 120 segundos após a partida. Bem, vamos ver no que vai dar isto. 

É isto aí!



domingo, 6 de junho de 2021

A Vida Vazia da Cidade (Leon Tolstoi)



Alto lá
Este poema não é meu
Confesso que copiei e colei
Editora Centaur 1ª Edição 2008
Fonte: Citador 

A Vida Vazia da Cidade

Instalámo-nos, portanto, na cidade. 
Aí toda a vida é suportável 
para as pessoas infelizes. 
Um homem pode viver cem anos na cidade, 
sem dar por que morreu 
e apodreceu há muito. 

Falta tempo para o exame 
de consciência. 
As ocupações, os negócios, 
os contatos sociais, a saúde, 
as doenças e a educação das crianças 
preenchem-nos o tempo. 

Tão depressa se tem de receber visitas e retribuí-las, 
como se tem de ir a um espetáculo, 
a uma exposição ou a uma conferência.
De fato, na cidade aparece a todo o momento 
uma celebridade, duas ou três ao mesmo tempo 
que não se pode deixar de perder. 

Tão depressa se tem de seguir um regime, 
tratar disto ou daquilo, 
como se tem de falar com os professores, 
os explicadores, as governantas. 
A vida torna-se assim completamente vazia.

Leon Tolstoi, in "Sonata a Kreutzer"
(Editora Centaur; 1.ª edição [2008]).



sábado, 5 de junho de 2021

O Ódio (Wislawa Szymborska)


 


Alto lá
Este poema não é meu
Confesso que copiei e colei
Autora é a polaca Nobel de Literatura 1996
Escritora: Wisława Szymborska
Tradutora: Profª Dra. Regina Przybycien
Fonte: Zona da Palavra


Vejam como ainda é eficiente,

como se mantém em forma

o ódio no nosso século.

Com que leveza transpõe altos obstáculos.

Como lhe é fácil – saltar, ultrapassar.


Não é como os outros sentimentos

a um tempo mais velhos e mais novos que ele.

Ele próprio gera as causas

que lhe dão vida.

Se adormece, nunca é um sono eterno.

A insônia não lhe tira as forças; aumenta.


Religião, não religião –

contanto que se ajoelhe para a largada

Pátria, não pátria –

contanto que se ponha a correr.

A Justiça também não se sai mal no começo.

Depois ele já corre sozinho.

O ódio. O ódio.

Seu rosto num esgar

de êxtase amoroso.


Ah, estes outros sentimentos –

fracotes e molengas.

Desde quando a fraternidade pode contar com a multidão?

Alguma vez a compaixão

chegou primeiro à meta?

Quantos a dúvida arrasta consigo?

Só ele, que sabe o que faz, arrasta.


Capaz, esperto, muito trabalhador.

Será preciso dizer quantas canções compôs?

Quantas páginas da história numerou?

Quantos tapetes humanos estendeu

em quantas praças, estádios?


Não nos enganemos:

ele sabe criar a beleza.

São esplêndidos seus clarões na noite escura.

Fantásticos os novelos das explosões na aurora rosada.

Difícil negar o páthos das ruínas

e o humor tosco

da coluna que sobressai vigorosamente sobre elas.


É um mestre do contraste

entre o estrondo e o silêncio,

entre o sangue vermelho e a neve branca.

E acima de tudo nunca o enfada

o tema do torturador impecável

sobre a vítima conspurcada.


Pronto para novas tarefas a cada instante.

Se tem que esperar, espera.

Dizem que é cego. Cego?

Tem a vista aguda de um atirador

e afoito olha o futuro

– só ele.


O Túnel de Luz

 


Atravessando a avenida de cinco pistas de cada lado, tropeçou e ao levantar estava num túnel brilhante, mas não a ponto de cegar sua visão. Um silêncio indescritível acendeu uma percepção nova - estou morto. O túnel não era extenso, mas não tinha como precisar a extensão. Ao fundo um imenso portão. Resolveu ou acha que ouviu uma voz dizer para seguir em frente.

Achou interessante contar os passos para ter a medida aproximada e foi andando e contando contando contando até chegar a 2.694 passos. Achou aquilo estranho pois o portão permanecia no mesmo lugar. Achou que contar os passos estava relacionado com aquela situação. Assim que deu poucos passos, deu com a enorme estrutura de madeira, alta, muito alta. Tocou-lhe com a mão, empurrou com as duas mãos, com o ombro, de costas forçando os pés no chão e nada.

Ao olhar para o lado esquerdo viu uma pequena campainha. à medida que se aproximava, parecia que ela subia mais um pouco. A chegar embaixo de onde estava, levantando a mão ainda faltava mais um braço de altura. Pulou, tentou de todas as formas de impulso e nada. Cansado, sentou-se e voltou os olhos para o outro lado do túnel. Viu ao longe um portal, sem portas, sem nada. Riu da situação. Por que não fez isto antes? - pensou. 

Resolveu correr, e quanto mais corria, mais distante o portal ficava. Parou e foi andando devagar, deu uns vinte passos no máximo e já estava no portal. Deu uma gargalhada de vitória. Quando foi entrar, um velhinho sentado numa cadeira rústica levantou-se, colocou a mão no seu peito e perguntou o nome.   

José da Silva Silveira 

CPF?

777.555.999 -17

Nome da mãe?

Maria Silva Silveira

Está certo. Pode entrar.

Porquê?

Como assim?

Porquê tenho que entrar aqui e não naquela porta no fim do corredor?

Você quer ir pela porta do fim do corredor? Tem certeza?

Sentiu um frio enorme correr pelo corpo. - hummmm, não! Não tenho certeza. 

Enquanto conversavam, veio pedalando um rapaz destes tipo delivery. Desceu da bicicleta, colocou-a cuidadosamente no gramado, chegou próximo ao idoso, olharam-se e parece que conversavam sem abrir a boca. O idoso fitou-o, alisou a barba e apontou para o portão ao fim do túnel. Volte, disse sem alterar o tom de voz. Vá até o portão e dê três batidas.

Virou-se para olhar o portão e ao retornar a face, o portal desaparecera. Caminhou até o portão, deu três batidas e acordou no leito de uma UTI. Descobriu que estava ali já a quarenta e cinco dias. 

É isto aí!

        

           

Maceió está afundando (literalmente)



Fonte da Matéria - Maceió está afundando (literalmente)

Maceió está afundando, literalmente, ou pelo menos parte de Maceió. Mais de 17 mil pessoas tiveram que deixar suas casas em Maceió devido a um fenômeno geológico que vem assustando moradores da capital de Alagoas. Desde 2018, a cidade sofre com um afundamento do solo, que engole ruas, destrói prédios, derruba paredes de casas e causa tremores de terra.

O agravamento da instabilidade no solo começou em 2018, com um tremor de terra e surgimento de rachaduras no Bairro do Pinheiro. Em seguida, o problema se espalhou e atingiu os bairros vizinhos, Mutange, Bebedouro e Bom Parto.

A culpada do terror é uma petroquímica, que devido a exploração de sal-gema, prometeu pagar R$ 2,7 bilhões para realocar os moradores que deixam para trás suas memórias e verdadeiros bairros fantasmas. 

Um acordo assinado entre a petroquímica, DPE, MPF, MPE e DPU visa apoiar a desocupação das áreas identificadas pela Defesa Civil em Maceió no menor tempo possível e com os custos de realocação dos moradores e as respectivas compensações pagos pela companhia.

A empresa informou que as indenizações são negociadas e pagas assim que há entendimento entre o morador e a empresa. 

Segundo a empresa, a desocupação está sendo feita antes mesmo que todos os estudos sobre o fenômeno geológico na região fiquem prontos, para priorizar a segurança dos moradores, pontuou a petroquímica.

Segundo a empresa, todos os 14.319 imóveis do mapa definido pela Defesa Civil já foram identificados e 11.560 estão desocupados, somando mais de 40 mil pessoas fora das áreas de risco. 

Segundo a empresa, o Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação, que apoia as famílias, já apresentou mais de 5.500 propostas, e a petroquímica pagou cerca de R$ 713 milhões em indenizações, auxílios-financeiros e honorários de advogados.

Segundo a empresa,  além disso, mais de 3.600 famílias já receberam sua compensação financeira. Os dados constam do relatório mensal de acompanhamento do programa, regularmente apresentado às autoridades.

 Ainda segundo a empresa, as famílias atendidas no Programa de Compensação contam com orientação de técnicos sociais e têm apoio para a sua mudança, incluindo pagamento de auxílios-financeiros e de aluguel, ajuda na busca por um imóvel provisório por meio de parcerias com imobiliárias, guarda-móveis e acolhimento de animais de estimação, entre outros.

Assim, esta grande empresa, que em 2018 prometeu pagar R$ 2,7 bilhões, pagou até agora - sic - cerca de R$ 713 milhões (apenas 2 bilhões a menos). 





sexta-feira, 4 de junho de 2021

Absurdos do amor




Absurdamente ela disse
do dissonante silêncio
da composição de surdos,
de uma forma muda, 
sufocada e abafada
fora da razão lógica
sem propósito definido

Absurdos, absurda mente
surta na surda violência
do meu silêncio sentido 
diante do seu olhar
ali, assustado e calado, 
numa fornalha trágica
e com o bom senso partido.

É isto aí!





Quero você!

 


Quero todo o teu espaço
e todo o teu tempo.
Quero todas as tuas horas
e todos os teus beijos.
Quero toda a tua noite
e todo o teu silêncio



Observações
1 - Fonte do vídeo - Thechive
2 - Estes versos circulam há anos na rede, sendo a autoria desconhecida.
     É equivocadamente atribuído ao poeta gaúcho Mário Quintana
     Fonte da informação : Recando das Letras

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Perdão Revogatório




Meritíssimo, 
Saiba Vossa Excelência que 
esta mulher que vê ao meu lado, 
eu a amo! 

Se se morre de amor, 
ninguém pode ser punido 
pelo dissabor das desavenças
passionais, conjugais e afetivas. 

Convenhamos não ser razoável 
que por lei ou contrato se comine, 
sob pena de ilícito civil, 
perder um amor propiciatório

O amor próprio do ser humano, 
gratuito e incondicional, 
não pode ser comprado ou alugado, 
menos ainda imposto, 

Por isto, data vênia, 
peço o arquivamento do desamor, 
revogue as questões do contradıtórıo
e promulgue o Perdão Revogatório

É isto aí!

quinta-feira, 27 de maio de 2021

EQM – Não é fé. Eu vi. É a realidade.


No dia 14 de dezembro de 2011 o Daniel, que é médico, teve um AVC e ficou 6 dias em coma, quando teve uma rápida EQM. 
Um mês depois deste AVC, ele teve uma outra experiência, que durou mais tempo e que ele também não esquece até hoje.
O Daniel quer muito que este relato chegue ao maior número possível de pessoas.
Vamos saber por quê?
E se você teve uma EQM e gostaria de compartilhar a sua história conosco, por favor escreva para o email afinaloquesomosnos@gmail.com . 
Essa é uma nova fronteira do conhecimento humano. Vamos juntos atravessá-la?


quarta-feira, 26 de maio de 2021

Como fazer uma conversa ficar interessante


Alto lá
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
O Estudar Na Prática é a iniciativa da Fundação Estudar que visa oferecer conhecimento e desenvolvimento para jovens de todo o Brasil, através de cursos e conteúdos de diferentes canais digitais.


Técnicas para manter uma conversa

1ª Técnica: A pedra que afunda

Rob Riker, do site The Social Winner, é um expert em conversas. Uma de suas técnicas preferidas é “a pedra que afunda”, uma metáfora para pular a parte superficial de uma conversa e realmente engajar seu interlocutor através da emoção.

Para isso, é preciso seguir três passos:

1.1. Pergunte um fato para a  pessoa com a qual deseja conversar,  mas mantenha o gancho pessoal, mas não pessoal demais, como por exemplo:

O que ela gosta, o que ela faz ou já fez, algo que disse ou mencionou. 

1.2. Pergunte sobre uma emoção relacionada ao fato

Por exemplo: “Você gosta desse assunto?” ou “Quais são os maiores desafios de quem lida com esse assunto normalmente?”

1.3. Entenda porque aquela emoção surgiu

“Por que ele é tão interessante para você?” ou “Ah, eu imaginei que esse assunto funcionasse de outra forma. O que te levou a aprender tanto sobre ele?”

Se estiver atento às respostas, você vai aprender muito sobre esta pessoa, e rapidamente. Assim, novos assuntos podem surgir com mais naturalidade – e você vai genuinamente se divertir.


2ª Técnica: Escuta ativa

O termo está em voga, e por um bom motivo: com tanta gente falando sobre tudo o tempo inteiro, quem realmente escuta tem uma vantagem. A escuta ativa é aquela em que sua atenção está realmente dedicada ao que a pessoa está dizendo, não só em busca de uma pausa para colocar sua própria opinião.

E pode ajudar muito a manter uma conversa e fazê-la ser mais fluída, já que dali podem surgir novos tópicos para ambos.

Quando alguém engata em algum assunto, você pode escutar atentamente ao assunto e entender melhor qual é a relação entre ele e seu interlocutor. E não se preocupe em parecer que está prestando bastante atenção: se realmente estiver prestando atenção, isso estará claro.

Por que aquele assunto é interessante e como o descobriram, por exemplo? Como aparece no dia a dia da vida da pessoa? Teve algum impacto na sua vida? Caso o assunto realmente te interesse, há alguma referência que ela recomenda? E por aí vai.

Outra boa regra? Pense em uma paixão/hobby seu. O que gostaria que as pessoas te perguntassem sobre isto?

3ª  Técnica - Atitude: Pense como um jornalista

Entre as diversas TED Talks sobre conversação disponíveis, uma das mais charmosas é da jornalista Celeste Headlee.

“Pode soar como uma questão engraçada, mas temos de nos perguntar: Existe uma habilidade mais importante no século 21 do que ser capaz de manter uma conversa coerente e tranquila?”, indaga.

Para manter uma conversa assim com diversos tipos de pessoa, de caminhoneiros a vencedores do prêmio Nobel, ela criou 10 regras básicas. “Tudo se resume ao mesmo conceito básico, que é o seguinte: estar interessado nas outras pessoas.”

3.1. Não seja multitarefa

“E não falo só de deixar o celular de lado, o tablet ou as chaves do carro, ou o que tiver nas mãos. Quero dizer: esteja presente.”

3.2. Não dê lições

“Se quiser dar sua opinião sem qualquer oportunidade para reação ou discussão, objeção ou evolução, escreva um blog.”

3.3. Faça perguntas abertas

“Comece as perguntas com quem, o quê, quando, onde, por quê ou como”, diz Headlee. “Deixe-os descrever [experiências] e tente perguntar ‘como foi aquilo?’ e ‘como foi passar por isso?’.”

3.4. Deixe fluir

“Pensamentos vão surgir na sua mente e você precisa deixá-los passar.” Mantenha-se atento ao que a pessoa está falando, não no próximo passo.

3.5. Se você não sabe algo, assuma

“Melhor pecar pelo excesso de cautela.”

Escuta ativa: como e por que se tornar um ótimo ouvinte

3.6. Não compare experiências

“Todas as experiências são individuais. E, mais importante ainda, não se trata de você. Não precisa pegar aquele momento para provar como você é incrível ou quanto você sofreu.”

3.7. Evite ser repetitivo

“É realmente muito chato. E tendemos a fazer isso demais.”

3.8. Não mergulhe nos detalhes

“Francamente, as pessoas não ligam para os anos, os nomes, as datas, todos esses detalhes que você está lutando para se lembrar. Elas ligam para você.”

3.9. Ouça de verdade

“Sei muito bem que exige esforço e energia realmente prestar atenção em outra pessoa, mas, se não consegue fazer isso, você não está numa conversa. São apenas duas pessoas bradando sentenças desconexas no mesmo lugar.”

3.10. Seja breve

É isso.

4ª Técnica - Cinco dicas de storytelling do redator de discursos de Barack Obama

4.1 Atitude: Não finja

Manter uma conversa não significa sair esgotado dela. A dica é: não finja.

Não finja interesse naquilo que não te interessa de verdade – seja quando estiver ouvindo outra pessoa ou falando sobre seus próprios interesses –, nem finja curiosidade. Se a pergunta parece falsa para você, chances são de que parecerá falsa para o outro também.

Utilize sua emoção e sua energia da maneira correta. Quando você está genuinamente envolvido, interessado e otimista, a chance do outro se sentir da mesma maneira aumenta.

E verdade seja dita, talvez dali não saiam novos amigos ou uma interação memorável. Mas terá sido, pelo menos, uma experiência agradável para os dois.

terça-feira, 25 de maio de 2021

Soneto do adeus

 


Disrruptivo
e estranho o medo
e o tamanho
da dor

E o adeus
veio ali cedo
instantâneo
em terror

abraçar você
abraçar o porquê
abraçar e sofrer

Veio o adeus
por minhas outras palavras
na sua boca sem batom.

É isto aí!

Quadro: SALVADOR DALI, Don Quichotte, lithographie 56 x 36 cm